publicidade


Arquivo da Categoria ‘Sociedade’

Violência em foco

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Parte dos jornalistas estrangeiros que vieram ao Brasil para a Copa das Confederações foi deslocada para cobrir as manifestações de ruas contra o aumento das passagens de ônibus.

Mesmo fora da Copa das Confederações, São Paulo, que ontem viveu o quarto dia de confronto entre manifestantes e policiais, será palco de abertura do Mundial de 2014 e dividiu as atenções da mídia internacional com o protesto no Rio, sede de Itália x México já no domingo.

O dia de fúria, que transformou o centro das duas principais cidades do país em praças de guerra, chamou a atenção da imprensa internacional, que destacou os confrontos, prisões de jornalistas e a insatisfação popular com nossos governantes, sejam eles do PT, PSDB ou PMDB, os três maiores partidos do Brasil.

O “Wall Street Journal”, por exemplo, fazia uma análise de que a mobilização, que em tese era contra o aumento das passagens de ônibus, é muito maior que isso e reflete o descontentamente da sociedade com a condução da política econômica do país, cada vez mais claudicante.

 A Anistia Internacional também se manifestou, preocupada com possíveis abusos e truculência na reação policial e com o trabalho da imprensa, que estaria sendo cerceado, na cobertura dos protestos.

Cenas de vandalismo de alguns  manifestantes, que picharam ônibus, atiraram pedras em agências bancárias e estações de metrô e tentaram destruir patrimônio público em São Paulo e no Rio, também ganharam o mundo. Bem como a ação da polícia, marcada pela violência.

Fortaleza e Salvador, duas das seis cidades com jogos da Copa das Confederações, também vivem situações tensas e protestos pedindo segurança pública já. No caso da capital baiana, o caos agravou-se nos últimos dias nos sistemas de saúde, transporte e limpeza pública, que sofreram paralisações.

Apesar de tudo o governo federal tenta passar tranquilidade e a imagem de que o país segue em paz. Tanto que Dilma Rousseff dizia que o Brasil será um exemplo de segurança durante a Copa das Confederações. E fora dela?

O veto à caxirola

terça-feira, 4 de junho de 2013

Acertou o governo ao proibir a caxirola nos amistosos do Brasil e na Copa das Confederações, que começa dia 15. Como bem disse o ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso, ela não era adequada do ponto de vista da segurança.

Recentemente, quando o Vitória goleou o Bahia por 5 a 1, houve uma série de caxirolas atiradas ao gramado, preocupando CBF, Comitê Organizador Local da Copa e o governo brasileiro.

A Conmebol chegou a alertar a CBF e os clubes brasileiros que disputavam a Libertadores _agora sobrou só o Galo_ a evitar o uso do instrumento musical em jogos da Libertadores, devido ao risco de serem atirados no gramado, e foi prontamente atendida.

Apelidada de “vuvuzela brasileira”, via a caxirola como uma forma artificial de fazer os brasileiros torcerem, imposta de cima pra baixo, já que não faz parte da nossa cultura. A vuvuzela, tão usada na Copa de 2010, fazia parte do repertório sul-africano e era usada em estádios por seus torcedores há muitos anos.

O instrumento foi criado por Carlinhos Brown, recebeu a bênção de Dilma Rousseff e Marta Suplicy, mas depois do episódio de Salvador, no Ba-Vi, acabou descartado.

A empresa responsável pelo produto segue na intenção de vendê-lo, cerca de R$ 30,00 a unidade, mesmo com a proibição para a Copa das Confederações, que deve ser estendida para o Mundial de 2014.

Segundo a Fifa, a decisão de proibir o instrumento foi do próprio governo brasileiro. E como já disse, considero a medida adequada.

A decisão de Neymar

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Volto a um assunto que tenho abordado com frequência, tópico que considero importante e não se esgota em Neymar. Pelo contrário, trata-se de uma discussão mais abrangente, que envolve o que queremos para o próprio futebol brasileiro. Assim sendo _e dadas as mensagens que recebi após a publicação do texto no diário LANCE!_, reproduzo, neste espaço, coluna que escrevi para o jornal de terça passada:

“Nas últimas semanas tem aumentado o coro de técnicos, jornalistas e torcedores favoráveis à transferência de Neymar para a Europa. Liderados por Mano Menezes, que sugeriu a mudança há tempos, argumentam que no Velho Continente o atacante aprenderia a atuar contra defesas mais consistentes, aprimoraria seu estilo de jogo e conheceria novas culturas. Alegam ainda que Neymar, pelo Santos, não teria mais desafios a enfrentar. Fora que seria poupado das vaias a que tem sido submetido quando defende a Seleção jogando no Brasil.

É possível, mas não acho que exista uma receita pronta e que a solução passe necessariamente por eventual ida à Europa. Kaká é um que logo se transferiu pra lá, hoje amarga o banco no Real e, por mais que tenha enfrentado ótimas defesas jogando no futebol europeu, não se saiu tão bem assim nas Copas de 2006 e 2010. Ainda disputa vaga para a de 2014. Alexandre Pato é outro que foi cedo para o exterior, teve problemas com o departamento médico do Milan e acabou retornando ao Brasil pra tentar recuperar a forma dos tempos de Internacional. Mesmo Ronaldinho Gaúcho, depois de ter encantado os europeus por uns tempos, caiu muito de produção e só foi se reencontrar no Atlético-MG. Já Robinho anda sumido, enquanto Lucas, se tem jogado bem em Paris, já apresentava excelente futebol no São Paulo.

Não sou contra transferência de Neymar para o Barça, mas não a vejo necessariamente como receita de sucesso. Não dá pra dizer que se ele tivesse mudado de ares no ano passado estaria melhor ou pior que hoje. E a escolha sobre se e quando se transferir não cabe a nós, cabe a ele. Que deve ponderar uma série de fatores, inclusive a vida pessoal e familiar. Porque não há um caminho único. Há vários.

Recentemente li “Nossa Sorte, Nosso Norte: Para Onde Vamos?”, instigante obra do psiquiatra Flávio Gikovate e do filósofo Renato Janine Ribeiro em que os dois analisam uma série de questões, como os conceitos de liberdade e individualismo no mundo de hoje. Num dos trechos, Janine Ribeiro cita uma propaganda em que aparecia um garoto com roupas caras e cabelo punk chique e um narrador dizendo que, se ele escolhia seu cabelo, jogos e amigos, não poderia deixar na hora das drogas os outros fazerem sua cabeça. O absurdo da história é que, como bem aponta o filósofo, o menino era a própria negação da liberdade, todo padronizado, estereotipado, um produto da indústria publicitária. Ou, como diz Gikovate, o símbolo de um individualismo fajuto, onde não há liberdade de pensar.

A sociedade nos impõe um modelo a seguir e no futebol não é diferente. Como se a receita para jogar na Europa fosse obrigatória e devesse ser seguida por todos. E quanto mais cedo, melhor. Nada disso. Cada um deve procurar seu próprio caminho e modificá-lo sempre que achar necessário. Que Neymar encontre o seu. A vida, a carreira e a decisão são dele (ou deveriam ser) e espero que sejam respeitadas.”

O menor da Gaviões

sexta-feira, 3 de maio de 2013

A Gaviões da Fiel espera que os 12 corintianos detidos na Bolívia desde 20 de fevereiro por conta da morte de Kevin Espada, 14, provocada por um sinalizador no jogo San Jose x Corinthians possam responder o processo em liberdade até o final do mês.

Alega que o menor que diz ter lançado o sinalizador naval não só assumiu total responsabilidade pelo ato ao promotor boliviano Alfredo Canavari, em depoimento no consulado do país em São Paulo, como afirmou não conhecer os 12 torcedores presos em Oruro.

A questão, no entanto, é que o garoto, que pertence à Gaviões, não teria identificado quem, então, o ajudou a fugir da Bolívia, onde a maioridade penal é de 16 anos, não de 18 como no Brasil, cuja hipótese de extraditar o menor para o país vizinho é nula.

Por falar em maioridade penal, aliás, já que o assunto segue em pauta no Brasil, com muita gente defendendo a redução da idade de 18 para 16 anos, uma sugestão interessante foi dada pelo jornalista Janio de Freitas, na edição de terça da “Folha de S.Paulo”.

Como uma das estratégias dos marginais é usar em suas ações menores de 18 anos, que assumem a responsabilidade já que não podem ser julgados como maiores, apenas detidos por no máximo três anos para suposta reeducação, uma saída poderia passar por uma punição mais forte a quem os usasse em atos criminosos. Como bem colocou o articulista, uma saída pode ser “agravar pesadamente a prática de crime de adulto acompanhado de menor, levando a pena a ultrapassar a vantagem do truque”.

Não sei se daria certo, mas acho uma boa ideia, já que as ações de grupos, como no caso do assassinato da dentista, que morreu queimada em São Bernardo, têm constantemente a presença de um menor, que assume a autoria do crime, tendo sido ele ou não o responsável.

Ídolos de barro

quinta-feira, 7 de março de 2013

Reproduzo aqui coluna que publiquei terça no LANCE! e diz respeito não só aos ídolos, mas aos fãs, à necessidade de alguns de verem algo que talvez não exista, ao papel da mídia que gosta de vender, vender e vender e a uma questão que certamente extrapola a esfera esportiva:

“O caso Oscar Pistorius, primeiro biamputado a participar de uma Olimpíada e acusado pela morte da namorada, Reeva Stenkamp, tem gerado questionamentos não só na África do Sul, mas em toda a comunidade esportiva. A defesa do atleta diz que ele atirou na modelo por engano, achando que sua casa havia sido invadida por algum criminoso. A acusação quer provar que o assassinato foi intencional e que aconteceu após uma discussão do casal.

Entre muitos sul-africanos e o público em geral, especialmente aqueles que alçaram o atleta à condição de mito e o tinham como modelo de vida, há a sensação de terem sido traídos e vítimas de um engodo. Como houve por parte dos norte-americanos e dos amantes do ciclismo com as denúncias contra Lance Armstrong, que acabou confessando o uso de doping para competir e vencer sete vezes a Volta da França, sem falar na acusação de tráfico de substâncias proibidas.

A questão talvez não esteja em Pistorius, que teve outros episódios nada edificantes agora tornados públicos, nem em Armstrong, cuja trajetória ficou ainda mais saborosa por supostamente ter vencido terrível luta contra o câncer e montado uma fundação baseada em sua história. Ambos estavam num meio extremamente competitivo, obrigando-se a vencer sempre e talvez se sentindo acima do bem e do mal.

A decepção, na verdade, diz mais a respeito a quem se sentiu passado pra trás, por ter idealizado os dois, do que aos próprios. Porque não conhecemos a intimidade e o que se passa no interior de ninguém, ainda mais de personalidades que vemos e acompanhamos à distância. Muitas vezes, quando olhamos de perto, percebemos que a história é outra, diferente da vendida pela mídia, que gosta de fabricar “heróis”. Pois eles vendem no esporte, nas artes, na política…

A trajetória de Pistorius é extremamente interessante e como a de Armstrong sempre esteve associada ao termo “superação”, uma das palavras mais chatas que o pessoal ligado à autoajuda gosta de usar. Pistorius protagonizou, pelo menos pra mim, um dos momentos mais emocionantes da Olimpíada de Londres, quando acabou não conseguindo a vaga para as finais dos 400 metros rasos. Terminou sua eliminatória em último, mas recebeu um presente de Kirami James, de Granada, atleta que ficou em primeiro: o número com o qual competiu o adversário, numa espécie de “troca de camisas” no fim de um jogo de futebol.

O mais curioso a observar é que, depois dos escândalos que atingiram Armstrong e depois Pistorius, notícias nada positivas sobre os dois começaram a pipocar na imprensa, muitas das quais antes eram ignoradas. Sobre o sul-africano, por exemplo, apareceram desde suspeitas de uso de esteroides e consumo excessivo de álcool até denúncias de assédio sexual e ameaças contra terceiros. Assim como interessa construir ídolos, muitas vezes interessa destruí-los, já que isso também vende e parte da sociedade se delicia com a queda. A que sentia inveja e a que acreditara no conto de fadas e acaba vendo seus ídolos se tornarem humanos.”

Torcedores profissionais

domingo, 3 de março de 2013

Ainda diante da comoção provocada pela morte do garoto Kevin Espada, na Bolívia, reproduzo coluna que publiquei no LANCE!, terça passada, sobre uma discussão que insisto que deva ser feita. E que trata do papel das torcidas organizadas, que acabam penalizando os clubes por muitas de suas atitudes e prejudicando o que chamo de “maioria silenciosa”, representada pelos torcedores comuns:

“Uma das perguntas ainda sem resposta depois da morte do torcedor Kevin Espada na Bolívia é quem paga para esses cidadãos irem ao exterior apoiar o Corinthians ou o time que for.

Até onde vai a ligação dos clubes com suas principais organizadas? Como elas são financiadas? Quem banca as viagens? Como se dá a distribuição de ingressos? É difícil imaginar um bando de torcedores que passam o ano seguindo o Corinthians, dentro ou fora do país, viajando para Venezuela, México, Argentina, Japão e tantos outros destinos, liberados por um suposto empregador, pagando passagens, arcando com hospedagem, comprando ingressos e fazendo disso sua razão de viver. A razão de viver não é o amor pelo clube, talvez o ódio pelo adversário e, principalmente, uma fonte para angariar recursos. São os chamados torcedores profissionais, pagos para apoiar o time e, muitas vezes, a administração da vez.

Torcedores ligados às organizadas Gaviões da Fiel e Pavilhão Nove estão entre os detidos, suspeitos de envolvimento na morte do garoto de 14 anos. Dois foram encontrados com sinalizadores parecidos com o que teria matado o adolescente.

Não é de hoje que uniformizadas estão em confusões, algumas delas alvo de investigação por suspeita de envolvimento com o crime organizado. Basta lembrar que no ano passado o presidente da Gaviões foi preso depois de confronto que terminou com a morte de dois palmeirenses. E entre os detidos em Oruro lá se via um dos principais líderes da torcida, um dos responsáveis, aliás, pelas finanças da Fiel.

Não sou contra a existência das organizadas, pois acho uma medida arbitrária e que impede o direito de livre associação. Mas se há ligação com atividades criminosas a história muda de figura. Com que intenção torcedores entram num estádio com sinalizadores usados por tripulações de navio e que podem atingir até 300 km/h? Mesmo outros sinalizadores, que não têm o mesmo efeito do naval, podem colocar fogo numa bandeira ou ter estilhaços espalhados atingindo e ferindo torcedores. Assim como a tragédia de Santa Maria (RS), cuja causa, aliás, também foi um sinalizador, a morte na Bolívia parecia desastre anunciado. E enquanto não aumentar a fiscalização, fiscalização que foi falha em Oruro, outros acidentes podem acontecer.

Diante desse quadro, que não se restringe ao Corinthians, muitíssimo pelo contrário, basta lembrar as ameaças de integrantes da Mancha Verde à diretoria e aos jogadores palmeirenses no ano passado, não consigo entender a postura de torcedores e da diretoria do Grêmio. Já punidos pela Conmebol depois da avalanche que resultou em oito feridos na nova arena do clube, os gaúchos insistem num setor popular no estádio para os torcedores ficarem de pé, podendo se jogar um em cima do outro e correndo o risco de mais um acidente.

O Corpo de Bombeiros é contra, mas a direção do Grêmio, como a de tantos outros clubes brasileiros, parece refém de torcedores profissionais. Os que dependem direta ou indiretamente do clube e seu escudo, fazendo do torcer um modo “lucrativo” mas perigoso de viver.”

Em seguida, fiz três questões, que seguem valendo:

1) E o San José? Como mandantes do jogo, os bolivianos também têm responsabilidade pela tragédia. Permitiram a entrada de artefatos bélicos e não garantiram a segurança da galera. Confusões, para não usar termo mais forte, brigas de torcidas e sinalizadores em estádios não são “privilégio” de Brasil ou Bolívia. Basta ver o que acontece na Colômbia, Argentina e Paraguai, sede, aliás, da Conmebol;  

2) Cadê o governo? Em ano de Copa das Confederações, o país que vai receber o Mundial de 2014 poderia aproveitar o caso para rediscutir a questão da segurança em seus estádios. Policiais dizem que, assim como aconteceu na Bolívia, a fiscalização da torcida é feita por amostragem e sinalizadores navais podem acabar entrando em nossos estádios também. No mínimo uma campanha de conscientização deveria ser feita;

3) E o Kevin? Enquanto se discute a pena para o Corinthians e a Libertadores-2013 gera debates acalorados por conta do ocorrido em Oruro, nada, absolutamente nada trará de volta a vida de Kevin Espada, que era fanático pelo San José. Para ele não haverá Libertadores em 2014, 2015, 2016… São momentos como esse que podem fazer a gente repensar toda uma existência. E ver que futebol não é tudo. Muito longe disso.

O mundo de Caras

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

A diretoria do Corinthians acertou, a meu ver, ao tentar demover os quatro torcedores que, com liminar, viram o jogo de ontem no Pacaembu. Como disse o advogado Luiz Felipe Santoro, que representa o clube, não acredito que a entrada dos quatro atrapalhe a situação do time na Conmebol, mas, pelo sim, pelo não, eles poderiam ter ficado de fora.

Até entendo que se tratava de uma decisão judicial e eles tinham o direito de ver o jogo para o qual compraram ingressos há mais de um mês. Também entendo que o fato de terem entrado pode fazer outros torcedores procurarem o mesmo caminho, causando uma confusão maior para a próxima partida da Libertadores em casa, 13 de março, contra o Tijuana. Mas não acho que isso irá pesar na decisão da Conmebol, que ainda terá de julgar a punição do Corinthians após a tragédia na Bolívia. E espero que faça isso o mais rapidamente possível, em caráter de urgência, como legitimamente pede o time paulista.

Sobre os quatro torcedores que entraram, com todo o respeito a eles, talvez tenha pesado na decisão os 15 minutos de fama que ganharam, algo que também seria legítimo. Apareceram na TV, tiveram os nomes publicados em jornal, citados em emissoras de rádio, oportunidade de dar entrevistas… Tem gente que gosta de ser notícia e de repente até pode ser o caso dos quatro, que, bem ou mal, tiveram seu dia de celebridades. Talvez o próximo passo seja aparecer em “Caras”. A vaidade, a vaidade… Não é só o dinheiro que move a humanidade.

O caso Pistorius

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

A grande história da Olimpíada de Londres, pelo menos pra mim, foi a participação de Oscar Pistorius nos Jogos, tornando-se o primeiro atleta biamputado a competir no evento. O atleta sul-africano, que aos 11 meses ficou sem as duas pernas na altura do joelho, acabou na última colocação nas semifinais dos 400 metros rasos e foi homenageado pelo primeiro colocado, Kirami James, de Granada, que trocou o número com o concorrente, como fazem jogadores na saída do campo.

Na Paralimpíada, no entanto, ele decepcionou ao não aceitar a derrota para o brasileiro Alan Fonteles, comportando-se mal após a corrida e tendo que pedir desculpas por seu comportamento depois. Acusado de ter assassinado sua namorada, a modelo Reeva Steenkamp, Pistorius pode estar jogando não apenas sua carreira, mas sua vida _como a de tantas outras pessoas ligadas a ele próprio e a Reeva_ no lixo.

É um momento chocante que pode fazer a sociedade refletir. Seja sobre os ídolos que temos, muitos de barro, muitos humanos (ou desumanos), seja sobre o que não conhecemos a respeito do próximo, seja sobre a vida, a morte, a existência de cada um de nós. Se tem uma palavra de que não gosto é superação, como já dizia uma amiga minha. Outra, blindagem. Duas palavras que viraram modismo e devem ser repensadas. De tanto usadas, saturaram.

Não vou entrar no mérito da acusação, que é gravíssima, mas quero tocar no campo esportivo. Esteróides teriam sido encontrados na casa do sul-africano, assim como um taco de críquete ensanguentado. Já há quem diga que os primeiros, que seriam usados para melhorar a performance de Pistorius, podem ser a causa de suposto comportamento agressivo do atleta, resultando no assassinato da modelo. Causa de agressividade ou não, mais um atleta de elite teria competido sob efeito de doping? Depois de tudo o que vimos no caso do ciclismo, com o caso de Lance Armstrong, aonde tudo isso vai parar? Existe esporte limpo? O que faz a Agência Mundial Antidoping nessa cruzada? O mundo esportivo, independentemente do que acontece em Pretória, que é caso de polícia, precisa de respostas. Se vai tê-las ou não já é outra história.

Como Neymar incomoda…

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

É interessante observar a reação das pessoas diante de Neymar. Ou melhor, a relação das pessoas em relação ao futebol e ao estilo do santista. Como aconteceu com Zico, muitos o consideram jogador de clube, alegando que ele nada joga na seleção e que só faz graça contra times pequenos, caso do Ituano e de boa parte das partidas do Paulistão. Outros o consideram um craque, algo inaceitável para alguns. Sem falar na discussão sobre simulação de faltas, postura diante de defesas mais fracas ou defesas mais sólidas, como foram as do Vélez e do Corinthians na Libertadores do ano passado.

Não vou entrar no mérito das questões levantadas, apenas acho que a reação contrária a Neymar mostra muito do comportamento de alguns brasileiros. Que se incomodam de ver o carismático jogador na mídia, protagonizando uma propaganda atrás da outra, repleto de fãs mirins, lucrando _e muito_ numa atividade que pratica com prazer. Isso irrita muita gente, quando quem deveria irritar, isso sim, era a cúpula que comanda a CBF e o esporte brasileiro, os deputados e senadores que elegeram para presidir Câmara e Senado, respectivamente, o que há de pior na política brasileira, mas não. A ira de alguns torcedores volta-se contra Neymar. Como se ele fosse o responsável _quando não é_ por todas as mazelas que afetam a sociedade brasileira. Menos, por favor, menos. Deixemos o santista um pouco em paz. Ele não joga sozinho, não faz milagres e não tem culpa por ganhar dinheiro. Pelo que me consta, honestamente.

Samba, futebol e…

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Samba, futebol e polícia? Pelo jeito, sim. Às vésperas do início do Carnaval de 2013, a Polícia Militar de São Paulo aumenta o cerco em relação às escolas de samba da capital. O receio é que confusões como a que marcaram a apuração dos votos no ano passado se repitam agora.

Entre as seis escolas que mais preocupam a polícia duas são de torcidas organizadas: Gaviões da Fiel e Mancha Verde. No ano passado, durante a apuração, integrantes da Gaviões fizeram diversos atos de vandalismo no Anhembi e arredores. Membros das duas uniformizadas que desfilam no Sambódromo também já foram flagrados marcando brigas por redes sociais, uma das quais assustou moradores da Freguesia do Ó, conhecido bairro paulistano.

Mas as organizadas estão longe de serem as únicas a inquietar os policiais. Vai-Vai, Unidos da Vila Maria, Mocidade Alegre e Rosas de Ouro também têm dado dor de cabeça e suas ações têm sido monitoradas pela PM. Na semana passada, por exemplo, as presidentes da Mocidade e da Rosas de Ouro foram chamadas à Deatur (Delegacia de Atendimento ao Turista), cujo serviço de inteligência alertara que integrantes das duas escolas estavam marcando acerto de contas para as ruas de São Paulo. Graças a operação da polícia o confronto teria sido evitado.

No Rio de Janeiro o cerco policial também tem sido feito, embora com outros objetivos. A ideia é pegar os bicheiros do Carnaval carioca. Na semana passada, para ficar em apenas uma operação, a Polícia Civil do Rio cumpriu mandado de busca e apreensão na sede da Liga Independente das Escolas de Samba e na casa de outros dirigentes e ex-dirigentes ligados ao principal desfile de Carnaval do Brasil.

Há tempos o Carnaval, como o futebol, frequenta também as páginas policiais. Que isso comece a mudar, mas não com vistas grossas. A polícia, por mais complicado que seja, tem de fazer seu papel. Ou pelo menos tentar.