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O trabalho de Bial

sábado, 20 de abril de 2013

Que o trabalho de Alberto Bial no Basquete Cearense, levando o esporte de alto rendimento para outros cantos do Brasil fora do Rio-SP ou Sul/Sudeste, seja seguido por outros técnicos, empresários, dirigentes e governantes do país.

Acompanhei a iniciativa de Bial quando ele ainda comentava os jogos do NBB pelo Sportv e é muito bom ver o Nordeste não só representado na atual temporada como com uma equipe nas oitavas de final.

Ontem à noite, jogando em casa, o time venceu o Paulistano, por 79 a 66, numa grande jornada de André Luiz, empatando a série com o clube de São Paulo em 1 a 1 _ganha quem vencer três jogos.

Para viabilizar uma equipe de ponta no Ceará, Bial conseguiu apoio do governo local e da Sky, que patrocina o Basquete Cearense. Além do time principal o projeto envolve uma série de iniciativas para incentivar jovens da região a praticarem o esporte, buscando a inserção social pelo esporte, no caso o basquete.

Gosto de lembrar também do exemplo de Sarah Menezes, a judoca brasileira que ganhou ouro em Londres no ano passado e manteve seus treinamentos no Piauí, colocando o estado nordestino como um dos polos da modalidade no Brasil.

Não adianta, como durante muitos anos aconteceu com o handebol, ter uma confederação no Nordeste apenas por ser a casa de seu presidente sem desenvolver o esporte na região.

Sei que a grana está concentrada em outros estados, principalmente São Paulo, e as atenções da mídia, por consequência, também, mas o Brasil é muito grande para pensarmos pequeno, esquecendo-nos de que há muito a fazer em outras localidades. E que elas também têm muito a oferecer. Ou podem ter.

A revolta de Massa

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Está certo que o terceiro lugar de Alonso e o segundo de Vettel deram mais graça ao GP do Brasil, com a decisão do Mundial de Pilotos ficando pra Interlagos, mas a indignação de Felipe Massa não procede.

Achei desagradável demais, pra não falar outra coisa, a Ferrari mexer no câmbio do carro do brasileiro para ele perder cinco posições no grid e deixar Fernando Alonso no lado limpo da pista no GP de domingo passado e, como o próprio Massa disse, talvez não fosse fácil encontrar outro piloto que aceitasse algo assim. Mas, irritado ou não, ele aceitou… E acho que aceitaria de novo, então não adianta reclamar e abaixar a cabeça, reclamar e abaixar a cabeça mais uma vez.

A atitude de Massa pegou muito bem na Itália e ele ganhou pontos com a Ferrari, que afinal renovara seu contrato. E com a própria Fórmula 1, para a qual interessava deixar a decisão para a prova final. Mais emoção, mais audiência.

Seja como for, domingo torço para Sebastian Vettel. Tenho mais simpatia pela forma como ele dirige e também como comemora as vitórias do que pelo jeito de Alonso. E tampouco gostei da forma como Ferrari e Massa se comportaram no grid do GP dos Estados Unidos. Se bem que isso faz parte do automobilismo. Se fosse no futebol…

O racha olímpico

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Não é que o resultado do Brasil em Londres deflagrou uma crise entre o Comitê Olímpico Brasileiro e o governo, decepcionado com a vigésima segunda colocação do país no quadro de medalhas?

Para o ministro Aldo Rebelo há uma relação entre investimento _que foi recorde por parte do governo_ e a colocação de um país no quadro de medalhas. Para Carlos Arthur Nuzman, presidente do COB, não. Afinal dinheiro, diz ele, não compra medalha.

Não compra medalha mas sustenta toda a burocracia, estrutura, executivos e funcionários do comitê. E talvez seja esse o problema. O COB funcionar como intermediário, vivendo de dinheiro público para repassá-lo para outros intermediários, as confederações, que são quem elegem o presidente do comitê. Os atletas não recebem praticamente nada porque, segundo avaliação de um membro do COB, iriam usar o dinheiro para comprar TV de plasma. E os executivos do COB, com todo respeito, usam a grana pra quê?

Conseguimos três ouros, mas três ouros já havíamos conseguido, salvo engano, em Atlanta-96. E em Atenas-2004 conseguimos cinco. Agora, com mais investimentos, caímos novamente pra três. O total de medalhas foi recorde, de 15 subimos para 17, um avanço pequeno, é verdade, mas em compensação caímos no número de finais, ao contrário das previsões do COB. De 41, em Pequim-2008, foram 35 em Londres, segundo leio hoje no “Estadão”.

Quando Nuzman diz que ficou satisfeito com o desempenho do Brasil usa o mesmo discurso de tantos políticos que vemos por aí. Um político que quer mais verbas, mais verbas, mais verbas e dá desculpas esfarrapadas como ao dizer que “se todo mundo que aumentasse investimentos subisse no quadro de medalhas não sobrava pra ninguém”.

Lembrando que ele, Nuzman, está no cargo há 17 anos. Dezessete anos e o esporte de alto rendimento continua muito mal administrado. Não seria hora de o governo escantear o COB e parar de investir no comitê, inclusive via loterias? Abaixo a Lei Piva, que é muito mal usada pelo comitê. E é o dinheiro dos contribuintes brasileiros que está em jogo. O meu, o seu, o nosso. Nuzman deve explicações, sim. Mas não as desculpas esfarrapadas que estamos ouvindo por aí. Repito: é nosso dinheiro que está em jogo. E o que acontece na condução do esporte olímpico brasileiro é muito grave. Os atletas, maiores prejudicados, que o digam.

PS. Tinha tido que só voltaria a postar amanhã, mas novamente não consegui ficar quieto… Mesmo em trânsito, não consegui, não.

A medalha de Marin…

sábado, 11 de agosto de 2012

Ou pelo menos a da seleção da CBF, que ele e Mano Menezes comandam, foi a prata. Mas dirigente e técnico não têm direito a levá-la pra casa, não.

Uma pena a derrota de hoje para o futebol brasileiro, que poderia recuperar a autoestima se ficasse com o ouro, mas quem vinha criticando as atuações da seleção na Grã-Bretanha talvez estivesse com a razão.

Tenho que concordar, eu, que achava que ficaríamos com o ouro, que hoje jogamos muito mal. Mano errou na escalação, o ataque não funcionou, a bola não chegava à área e a defesa… Sem comentários. Os próprios jogadores quase brigaram entre si. E Oscar ainda foi perder aquele gol incrível no final… Mas admitamos. O México jogou melhor e mereceu o ouro.

É, muita coisa tem que mudar, mas com José Maria Marin, o sucessor e amigo de Ricardo Teixeira, fica difícil. E Mano… Está deixando nosso futebol acostumado às derrotas. Esquecemos o que é vencer? Pelo jeito…

Tinha dito que só voltaria a postar na terça, dia 14, mas não me contive. Dentro do possível entre amanhã e segunda respondo os comentários de vocês. Mais uma vez um bom final de Olimpíada a todos, João Carlos. E que o inédito ouro para o futebol brasileiro venha em 2016.  Sonhar é preciso.

Em defesa dos atletas

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Posso estar equivocado, mas senti uma certa revolta ou irritação de parte do público brasileiro com a atuação de alguns atletas em Londres, especialmente em competições individuais.

Fabiana Murer foi criticada nas redes sociais por não ter tentado o último salto, dizendo-se prejudicada pelo vento. Rafaela Silva, desclassificada por um golpe ilegal no judô, trocou ofensas com internautas e depois se desculpou. Cesar Cielo mostrou-se irritado com os seguidos questionamentos sobre seu bronze e muitos não aceitaram sua justificativa de que estaria desgastado por ter tentado a sorte em outra prova antes, não focando na que é especialista. Ah! Só para não deixar de lado esportes coletivos, as meninas do handebol foram “acusadas” de descontrole emocional nas quartas de final, quando caíram diante da Noruega, depois da belíssima campanha na primeira fase.

Não acho que todo atleta seja “santo” ou não possa errar, vitórias e derrotas fazem parte da vida, o que acho é que o foco tem de ser outro. Deve estar na condução do esporte brasileiro. Em vez de criticar os atletas, por que não questionar os dirigentes? São eles que recebem e administram verba pública (meu, seu, nosso dinheiro) e devem responder pelos gastos e investimentos que fazem ou deveriam fazer.

Os atletas têm o direito de estar em um mau dia, caso da Fabiana Murer, ou de estar em um bom dia, caso do Arthur Zanetti, ouro nas argolas.

Acho que psicologia do esporte é uma ferramenta importantíssima e não sei se tem sido usada adequadamente. Estamos em um país em que não é raro ver atletas tirando dinheiro do próprio bolso (ou de pais, amigos e familiares) para custear seus treinamentos, ou seja, muitas vezes psicologia esportiva é um sonho de consumo. E um sonho distante…

Há muito a melhorar. Mas ainda assim acho que nossos atletas nos representaram bem em Londres. Os que venceram e os que saíram sem medalha, o que não quer dizer que tenham perdido. Muito pelo contrário.

Feio acho o que aconteceu nas quartas de basquete entre França e Espanha, jogo que terminou em briga na quadra, com os espanhóis acusados de terem deixado o Brasil vencer no encerramento da primeira fase, a fim de fugir do confronto contra os Estados Unidos antes da final. Mais feia ainda a declaração do ala-pivô Pau Gasol sugerindo que o Brasil, sim, teria feito corpo mole, poupando inclusive Nenê do jogo. Se fizemos pouco caso do jogo, o que não vi acontecer, por que vencemos?

Se faltou espírito olímpico _e faltou_ foi para a Espanha. Caímos diante da Argentina, mas saímos de cabeça erguida no basquete masculino e o trabalho tem de continuar.

Em diversas modalidades, porém, caso da natação e do atletismo, muito tem que mudar. Sem falar em esportes em que poderíamos ser fortes, como na luta olímpica, para ficar em apenas um exemplo, e nos quais quase nem figuramos.

Em vez de cobrar os atletas, cobremos quem está acima deles. São eles que devem explicações. E que adoram um holofote nas vitórias, mas na hora das derrotas muitas vezes deixam os atletas sós, dando a cara a bater.

Volto a postar na próxima terça, dia 14, mas até lá, dentro do possível, sigo respondendo os comentários de vocês. Bom final de Olimpíada a todos, João Carlos

Um ouro importantíssimo

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Que venha o tão sonhado ouro para o futebol brasileiro, sábado, contra o México.

Muitos consideram o torneio de pouca importância, eu discordo veementemente. É um título que falta ao futebol brasileiro e chegou a hora de conquistá-lo. E muito mais do que isso. É uma conquista que pode dar força e autoestima pra essa seleção sub-23, que não deixa de ser a base da equipe que disputará o Mundial de 2014, que acontece no Brasil.

Do ponto de vista da confiança será importantíssimo levar o ouro. A geração de Neymar, Oscar, Leandro Damião e, por que não?, do goleiro Gabriel merece.

Prometo, inclusive, não pegar mais no pé do Mano Menezes se levarmos o ouro (risos). Mas no de José Maria Marin, que considero um péssimo nome para o futebol e para a política brasileira, não. Aí seria pedir demais.

Que sábado, enfim, possamos festejar uma conquista que não temos. E se perdermos sempre tem a próxima, no Rio-2016. Mas a hora definitivamente é agora. Em Londres-2012.

O que é o quê?

terça-feira, 7 de agosto de 2012

A Olimpíada é feita de histórias e uma das mais marcantes dos Jogos de Londres é a de Guor Marial, que vai competir na maratona olímpica masculina como atleta independente.

Sua história lembra a de Valentino Achak Deng, separado da família quando criança pela terrível guerra civil que devastou o Sudão, matando cerca de 2 milhões de pessoas.

No caso do maratonista, ele foi sequestrado também criança e levado a um campo de trabalho forçado. Vinte e oito membros de sua família foram mortos. Só de irmãos perdeu oito no conflito. Após passar a noite num buraco, conseguiu escapar e enfrentando dificuldades imagináveis e inamagináveis foi parar no Egito. Conseguiu refúgio político nos Estados Unidos e hoje treina no Arizona.

Apesar de viver legalmente no país, não pode competir sob a bandeira norte-americana e se recusou a defender o Sudão. Competir pelo Sudão do Sul tampouco é possível, pois o país não tem um comitê olímpico nacional montado e reconhecido internacionalmente. A saída, decidida em 20 de julho, foi competir sob a bandeira do Comitê Olímpico Internacional, como atleta independente, confirmando presença na prova que acontece no próximo domingo, dia de encerramento dos Jogos.

Valentino Achak Deng, o outro sudanês que citei aqui, cuja história lembra a de Guor Marial, tem uma saga que pode ser lida na obra “O Que é o Quê?”, do norte-americano Dave Eggers. É um relato impressionante que recomendo. A odisseia de um menino separado da família pela guerra do Sudão, a travessia da África, enfrentando perigos naturais, milícias armadas e animais selvagens e a chegada aos Estados Unidos para começar nova epopeia.

Relatos impressionantes que para servem para repensarmos a experiência humana em nossa passagem pelo planeta. O homem é um bicho extremamente complicado e capaz de fazer as piores coisas possíveis. Mas as melhores também.

O turismo olímpico

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Não, não vou escrever que o Brasil está fazendo turismo em Londres, apesar do desempenho abaixo do esperado em algumas modalidades, mas acima do esperado em outras, porque o foco deste post é, de fato, outro. Um sinal de alerta para o Rio-2016.

Não é que o número de turistas visitando a capital inglesa caiu vertiginosamente durante os Jogos? Isso não é regra, mas pode acontecer. Em Seul-88, Barcelona-92, Atlanta-96, Sydney-2000 e Pequim-2008 houve um aumento no fluxo de turistas já durante os Jogos, mas em Atenas-2004 não e em Londres-2012 tampouco.

Talvez porque Atenas e Londres já recebam muitos turistas de fora, como também acontece com o Rio, turistas que tenham desistido de ir às cidades durante a Olimpíada com medo de tumultos, congestionamentos e superlotação.

De 500 mil pessoas esperadas para o evento um quinto apareceu, quando o número de turistas no período muitas vezes chega a 300 mil. Agora não passou de 100 mil. Hotéis, que haviam aumentado o preço, reduziram na última hora numa tentativa desesperada para atrair mais gente, o que não deu certo. E alguns chegam a ter ocupação de 50% da capacidade.

O que fazer? Uma política de turismo, aproveitando a Olimpíada, de médio e longo prazo, como aconteceu com Barcelona. Deve ser esse o foco do Rio. Mostrar-se ao mundo, como está fazendo Londres, para colher os frutos depois da competição. O mesmo vale para a Copa, que é realizada em 12 cidades.

Curiosamente, aliás, Londres esteve bem congestionada, muito acima do normal, na semana que antecedeu os Jogos, mas quando eles começaram vários moradores saíram para outros destinos, enquanto que uma boa parte está de férias, folga ou trabalhando em casa, já que a organização fez acordo com empresas para manter os funcionários longe de metrôs, trens e linhas de ônibus.

Semana que vem, já sem os Jogos, volta tudo ao normal. E que Londres consiga colher os frutos de seu investimento para se mostrar ao mundo nos próximos 12 ou 24 meses. E que isso sirva de exemplo para nossos dirigentes e políticos tendo em vista os Jogos de 2016, que estão aí, afinal de contas.

O exemplo da Coreia

domingo, 5 de agosto de 2012

A Coreia do Sul é uma das gratas presenças _não surpresas_ desta Olimpíada. Disputa com França e Alemanha o quarto lugar no quadro de medalhas.

Isso mostra o quê? Que o país aproveitou a oportunidade de ter abrigado uma Olimpíada, a de 1988, e uma Copa do Mundo, a de 2002, para investir no esporte. Via parceria com o campo escolar, já que promoveu uma verdadeira revolução estudantil e massificou a prática esportiva, integrando-a com a cultural, campo que também passou por enorme transformação nos últimos 25 anos e no período em que o país ficou conhecido como um dos tigres asiáticos.

Quando vemos a China disputando a liderança com os Estados Unidos, depois de ter vencido os Jogos de Pequim-2008, ou a Grã-Bretanha firme na terceira colocação, pensamos o que será do Brasil daqui a quatro anos, quando receberá os Jogos de 2016.

Confesso que não me importa ficar fora das dez primeiras colocações, isso não me preocupa. Nem a escassez de medalhas, apesar das falsas promessas do COB de nos transformar em potência olímpica. Isso não se faz em quatro anos, caiamos na real.

O que me preocupa e incomoda um bocado é que estes dirigentes estão aí, dominando o COB e conseguindo cada vez mais dinheiro do governo há quase duas décadas. E os resultados esportivos são pífios quando chegamos ao topo da pirâmide. Não só porque falta a base, como já coloquei num dos textos sobre os Jogos e o Brasil, mas porque o dinheiro não é bem investido.

Perde-se muito na burocracia, na estrutura e com os executivos do próprio COB. E o COB sabe disso, mas parece preferir a política do “me engana que eu gosto”. Vende um peixe que… Sem comentários. E vai continuar vendendo-o com a desculpa de que os próximos Jogos serão no Rio e precisamos ficar entre os dez primeiros. quando não precisamos. Além de estar em cima da hora.

O trabalho deveria ter começado lá atrás, como aconteceu com coreanos, chineses e britânicos. Isso não foi feito e o foco agora tem que ser outro. Começar a desenvolver o esporte no país, como política pública e de inserção social, o que é um papel do governo. O que não é papel do governo é ficar enchendo os cofres do COB com verba pública (nosso dinheiro) para o comitê fazer o que bem entender com ele. Dinheiro que entra via Ministério do Esporte, Lei Piva, estatais e incentivos fiscais. Dinheiro que entra, mas resultados… Os Jogos de Londres estão aí para mostrar.

A revolução tem que ser outra. Via parceria com o campo escolar/estudantil, insisto. Não via COB, que deveria se virar para se manter recorrendo à iniciativa privada, usando criatividade, adotando ações de marketing para trabalhar o alto rendimento e parando de viver com o meu, o seu, o nosso dinheiro.

E antes que digam que o caminho é ser como a CBF, que não depende do governo, lembro que a CBF administra um dos principais produtos nacionais, que é a seleção brasileira. E age como se a seleção fosse dela, quando também não é. Deveria ser nossa e não propriedade privada de um Ricardo Teixeira, um José Maria Marin ou um Marco Polo Del Nero. E força aos nossos atletas, pois não são eles o problema. O problema talvez esteja em quem os comanda e comanda o esporte brasileiro.

O sufoco contra Honduras

sábado, 4 de agosto de 2012

Sigo achando o Brasil franco favorito para ganhar o inédito ouro no futebol, em termos de talentos individuais damos de dez em qualquer semifinalista dos Jogos de Londres, mas a sofrida vitória contra Honduras voltou a evidenciar falhas na nossa preparação.

Com o corte de Rafael, devido a uma contusão, problemas no gol ficaram evidentes nos quatro primeiros jogos. Contra Honduras Gabriel falhou no segundo gol, quase cedeu um terceiro aos rivais e a defesa dava a impressão de que não confiava nele. Mano, que parece ter perdido a confiança em Neto, se é que algum dia teve, também deve estar com dúvidas sobre Gabriel, embora eu o considere um ótimo goleiro e um atleta extremamente esforçado e dedicado.

Mas falhamos não apenas na defesa. Mesmo com um homem a mais desde o primeiro tempo, o Brasil não adiantava sua marcação, recuava insistentemente no segundo tempo e dava espaços para os hondurenhos se aproximarem do gol.

Vi o jogo pela Record e a análise de Romário e Eduardo Savoia era precisa. Tivemos erros infantis, erros de esquema tático, erros de ligação da defesa ao ataque, erros de marcação… Felizmente temos um Neymar e um Leandro Damião que evitaram a eliminação precoce. Agora é esperar as semifinais. Talentos, repito, para irmos à final e ficarmos com o ouro temos e de sobra. O problema talvez esteja no banco de reservas _Mano Menezes_ e no patrão do treinador _José Maria Marin. Muito mais do que em Neto ou Gabriel, que certamente estão se esforçando e apesar das falhas, que podem acontecer com qualquer um, são ótimos profissionais.