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Arquivo da Categoria ‘Mídia’

O Santos e a Globo

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Parte dos conselheiros do Santos está indignada com a Globo, que não exibirá para a capital paulista o jogo de volta contra o Joinvile, que acontece às 22hs de hoje, pela Copa do Brasil.

Eles querem da diretoria mais firmeza nas futuras negociações com a emissora, que estaria deixando de lado partidas tidas como importantes da equipe em detrimento dos outros grandes de São Paulo. Lembram que a final da Copa São Paulo de Futebol Júnior, vencida pelo Santos, em janeiro, já havia sido ignorada pela Globo, que no ano passado deu preferência absoluta ao Corinthians na Libertadores, deixando boa parte da participação do time da Vila na competição à TV por assinatura.

O jogo de hoje tem sido vendido por alguns como possivelmente o último de Neymar em Santos, já que o atacante está sendo negociado com o futebol espanhol. Embora, cá entre nós, as negociações sigam atrapalhadas…

Sinceramente acho que a Globo tem todo o direito de decidir se exibe ou não o jogo do Santos e optar por um filme no lugar da partida, apostando na audiência. Afinal, trata-se de uma emissora comercial e que tem todo o direito de lutar para minimizar o risco de perder para a audiência, caso da Record, que deve estar com sua nova novela no horário da partida. Quem pode ganhar alguns pontos adicionais é a Band, que mostra o jogo pra São Paulo.

A Globo o exige para a Baixada Santista e Joinville. Rio de Janeiro e boa parte da rede verão Fluminense x Olimpia, partida de ida pelas quartas de final da Libertadores. Para São Paulo, como os três grandes da capital caíram fora da Libertadores na fase anterior, o jogo dos cariocas tampouco será mostrado pela emissora.

Conflito de interesses?

domingo, 31 de março de 2013

Ronaldo pediu socorro à Globo para se defender das perguntas sobre possível conflito de interesses no fato de ter aceitado comentar a Copa das Confederações e o Mundial pela emissora e ao mesmo tempo seguir cuidando da imagem de jogadores como Neymar e Lucas, presenças consideradas certas nos dois eventos.

Assim que foi convidado e fechou acordo com a TV, Ronaldo passou à emissora a tarefa de negar conflito de interesses entre seu papel na 9ine, empresa da qual é sócio e capta patrocínios para as duas promessas do futebol brasileiro, e a função de comentarista. Segundo o estafe do ex-jogador, cabe à Globo, que fez o convite, e não a Ronaldo, justificar o porquê de não verem conflito de interesses com a nova tarefa.

A Central Globo de Comunicação logo se manifestou _e segue nessa linha_, dizendo que o ex-atacante já criticou os jogadores publicamente, que os contratos com os atletas não envolvem exclusividade e que a trajetória de Ronaldo permite que ele comente os jogos com espírito de independência e isenção.

Em 2011, Ronaldo atrapalhou-se ao defender sua participação no Comitê Organizador Local da Copa, a convite de Ricardo Teixeira, mesmo sendo sócio da 9ine, empresa de marketing esportivo que intermedeia contatos ligados ao Mundial. Foi por isso, aliás, que agora resolveu agir diferente e se escorar na Globo.

O interesse da emissora em contar com um jogador com a história de Ronaldo é antiga e o sonho de um dia tê-lo como comentarista, nem que fosse com o status de convidado, vem desde os tempos em que Casagrande ficou afastado em tratamento médico. Além de Ronaldo, a Globo chegou a cogitar, tempos atrás, a contratação de Romário, que depois acabaria enveredando pela política. E se tornando comentarista da Record, função que exerceu no Pan de Guadalajara, em 2011, e depois nos Jogos de Londres, no ano passado, quando já era, diga-se de passagem, deputado pelo PSB-RJ.

O que disse Pelé?

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Tanto auê fizeram e continuam fazendo sobre as declarações de Pelé em relação a Neymar e eu continuo não vendo nada de extraordinário na história.

Pelé tem o direito de dar sua opinião e achar que o santista, em suma, tem se dedicado muito ao marketing _o que é verdade_ e rendido pouco na seleção _o que também é verdade. Que Neymar não rende o que pode com a camisa do Brasil todos nós sabemos, apenas acho que, em defesa do jogador, ele tem se mostrado sempre muito profissional, não sabemos de faltas em treinos, quer sempre jogar e não sinto que tenha se deixado levar pela vaidade. Assim como Pelé não se deixou.

Muita polêmica por nada, enfim. Ou quase nada. Respondeu bem Neymar ao se dizer muito feliz por ter sido capa da revista “Time”, algo que há tempos não acontecia com um brasileiro, e comparado justamente a Pelé, a quem segue sendo só elogios.

Sobre a seleção, Pelé disse o que pensa. E concordo com ele. Acha que Mano Menezes desperdiçou tempo demais da nossa preparação _culpa, isso faltou dizer, de Ricardo Teixeira e José Maria Marin_ e que Luiz Felipe Scolari tem que mesclar jogadores experientes, como Ronaldinho Gaúcho, com os mais novos.

Mais importante do que isso segue sendo a tragédia na Bolívia, que vitimou um garoto de 14 anos. E lá vem um menor assumir a autoria do crime. Um rapaz, pelo que diz a Gaviões da Fiel, de 17 anos. Pelo sim, pelo não, muito conveniente para quem conhece a legislação brasileira.

As patadas de Muricy

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Sábado e domingo estive no Pacaembu acompanhando Corinthians 2 x 2 São Caetano e Santos 1 x 3 Paulista. Depois, pelo rádio, escutei as entrevistas de Tite e Muricy Ramalho, o primeiro explicando o empate corintiano, o segundo dando patadas na imprensa, irritado que estava com o fiasco santista.

Sem querer defender os jornalistas que estavam trabalhando e questionando o técnico sobre a atuação e o atual momento do Santos, não consigo entender o comportamento de Muricy, extremamente grosseiro e com seu habitual mau humor. É um desrespeito, a meu ver, não só com quem faz as perguntas, mas com o torcedor que quer saber mais sobre o que está se passando com seu time.

Quando uma repórter fez uma pergunta, salvo engano sobre uma alteração promovida pelo técnico, ele respondeu dando a entender que ela não entende nada de futebol. Pelo jeito quem só entende é ele, que levou um baile do time de Jundiaí em pleno Pacaembu.

Se Muricy ficou irritado com a diretoria de seu clube _e ficou_, já que queria ter jogado sábado e não no domingo de Carnaval, não tem que jogar suas frustrações em terceiros. Tem que tentar resolvê-las com a direção do Santos, que, aliás, deu-lhe um ótimo time para 2013 e o paga muito bem para comandar a equipe e se comunicar com o público, inclusive via imprensa. Se não fosse o caso, estariam vetadas as entrevistas coletivas do treinador. Participar delas, quer ele queira, quer não,  faz parte do seu trabalho.

É  um comportamento bem diferente do de Tite, que trata todo mundo com respeito, educação e tenta entender o lado, as funções e as obrigações do outro. E dialogar.

Muricy não. Acha que só ele entende de futebol, desrespeita quem o contraria, virou especialista em patadas. Mesmo quando levou de quatro do Barcelona e ficou estático no banco de reservas, num momento triste para o futebol brasileiro, saiu da partida sem aceitar questionamentos sobre seu trabalho e a atuação de seu time, que simplesmente assistiu aos espanhóis jogarem. Saber perder, assim como saber ganhar, é uma arte que pelo jeito Muricy desconhece. Já Tite, não. Talvez por isso tenha chegado aonde chegou, campeão mundial em 2012, depois de uma tremenda temporada pelo Corinthians.

A entrevista

domingo, 27 de janeiro de 2013

Como terminou a Copinha sexta e novamente ouvi alguns reclamando que a nova safra de jogadores não sabe dar entrevista, diz o óbvio (como se o óbvio fosse necessariamente um problema, quando não é) e não está preparada para lidar com a imprensa, resolvi reproduzir coluna da semana retrasada que publiquei no LANCE!, onde tenho espaço cativo todas as terças. Até porque, de uma forma ou de outra, trata do assunto. E o problema é muito mais complexo do que pensam ou querem alguns:

“Volta e meia reclamamos da atitude de alguns jogadores, técnicos, dirigentes e políticos, que respondem mais do mesmo sem fugir do script. Reclamamos de jornalistas que fazem as mesmas perguntas e encontram respostas vazias. Entrevistar é uma arte que depende não só de quem questiona, mas também do entrevistado. E da sintonia entre os dois. Seja no mundo do futebol e dos esportes em geral, seja fora dele.

A forma como a entrevista é feita, o contexto, a relação estabelecida entre os lados, enfim, tudo é vital. A comunicação depende do modelo e do formato da entrevista. É cara a cara, por e-mail, gravada, filmada? Ao vivo ou não? E o tempo de duração? Qual a intenção do entrevistador e seu veículo, qual a do entrevistado e sua assessoria? É muita coisa em jogo.

A seleção norte-americana de basquete, por exemplo, evita que seus atletas sejam entrevistados na saída da quadra, logo depois do jogo, com receio de que digam algo intempestivo e inadequado. Em tempos de internet e redes sociais a situação fica ainda mais complicada.

Vi uma peça interessante sobre o mundo das celebridades e sua relação com o público sedento de notícias, especialmente as ruins (para os outros), e a imprensa, justamente aquela que considera o furo de reportagem a coisa mais importante do mundo.

“A Entrevista”, protagonizada pelos atores Herson Capri e Priscila Fantin, espetacular no papel de uma artista de TV, trata justamente dessa relação e desconstrói algumas ideias preconcebidas que alimentamos ou ajudamos a alimentar. Especialmente quando o jornalista passa a se achar melhor do que a estrela e entra num mundo de aparências, perdendo o contato consigo mesmo, o próprio entrevistado, o público e sua profissão.

Adaptada de um filme do holandês Theo Van Gogh, sobrinho-neto “daquele” Van Gogh, um dos maiores pintores da história, “A Entrevista” nos transporta, mesmo que indiretamente, ao mundo da bola. A versão brasileira leva um jornalista político afastado de suas funções em Brasília, um sujeito que gostaria de estar cobrindo um escândalo no Ministério do Esporte, ligado à CBF e à construção dos estádios para a Copa, a entrar numa seara que considera “menor”: a das celebridades instantâneas, o mundo das aparências e do glamour.

No futebol ou fora dele, a base da entrevista tem que ser o interesse pelo outro e por aquilo que ele tem a contar. Todo mundo tem uma história, basta querer ouvi-la. E pode ser a dos coadjuvantes. Ou a do jogador que parou, teve que lidar com a perda da fama, dinheiro e assédio e partiu para novos rumos. A de vestiários. A de concentrações. Há tantas…

E já que falei em teatro e entrevistas, outra peça muito boa (“Filha, Mãe, Avó e Puta: Uma Entrevista”), montagem de Guilherme Leme, narra a trajetória da criadora da grife Daspu e ensina muito sobre a vida e a arte de perguntar. A protagonista é a ex-prostituta, não o jornalista. E é assim que deveria ser, como em toda boa entrevista.”

A Fifa e a BBC

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

O presidente da Fifa, Joseph Blatter, quer aproveitar a crise da BBC para se reaproximar da principal emissora britânica.

O dirigente vinha reclamando que sofria perseguição política da TV, que teria ficado contrariada com a derrota dos ingleses na disputa para abrigar uma Copa do Mundo _a de 2018 ficou com a Rússia, a de 2022, com o Qatar e a emissora fez várias denúncias sobre compra de votos e fraudes no processo eleitoral.

Blatter não conseguiu mostrar a lisura da votação, tanto que o Comitê Executivo teve membro expulso acusado de participação no propalado esquema e a própria Fifa admitiu mudar o processo e ampliar seu quadro eleitoral, o que, por si só, não acabaria com a possibilidade de fraude.

Blatter, no entanto, sempre insistiu que a BBC só passou a atacá-lo depois da derrota dos ingleses, não restringindo a ofensiva às suspeitas de fraude na escolha das sedes, mas questionando as relações comerciais da Fifa, a contabilidade e até pagamentos e recebimentos de propina, vide os casos Teixeira e Havelange.

Mas agora, com a emissora britânica envolvida ela própria em gravíssima crise que derrubou a cúpula do jornalismo, o suíço tenta fazer as pazes e manter uma nova relação com a BBC. Uma relação que seja conveniente para ele e para a Fifa, claro.

Para quem não acompanhou a crise, o diretor-geral da emissora pediu demissão por conta de uma reportagem com uma falsa acusação sexual contra um político britânico. Depois a diretora e o vice-diretor do jornalismo foram afastados. No mês passado houve ainda a descoberta de que um dos principais apresentadores da BBC, que morreu no ano passado, abusou sexualmente de vários menores de idade durante quase 40 anos. O programa “Newsnight”, um dos mais conhecidos da emissora britânica, investigava o caso, mas por ordens superiores teria parado as apurações. Um editor sênior do programa foi demitido e o diretor-geral do canal na época, Mark Thompson, disse que não sabia de nada.

Detalhe: Thompson foi contratado para comandar o “The New York Times” e passou a ser questionado pela ombudsman do jornal, levando a crise à América. Com toda razão, aliás. Não é só no esporte que muita coisa fede, na mídia também. O poder…

Brasil em foco

domingo, 19 de agosto de 2012

Para o bem ou para o mal a Copa de 2014 e a Olimpíada de 2016 têm deixado a imprensa internacional mais focada no que acontece por aqui.

Na semana que passou a operação-padrão realizada por policiais federais em diversos aeroportos do país ganhou destaque negativo na imprensa mundial, que lembrou o transtorno causado para a população, os atrasos, cancelamentos e perda de voos por parte de vários passageiros. Estiveram em pauta ainda as ações da Polícia Rodoviária Federal parando estradas no país.

O Superior Tribunal de Justiça chegou a proibir tanto as operações-padrão da PF quanto as da PRF. Os movimentos dos servidores serão alvos de reportagens especiais da CNN e da BBC, ambas de olho no país da Copa e dos próximos Jogos Olímpicos.

Também teve destaque o anúncio do Programa de Concessões de Rodovias e Ferrovias, apontado por alguns como o maior programa de privatização da história do país e elogiado no exterior, seja pelo “New York Times”, seja pelo “Financial Times” ou por jornais alemães, franceses e escandinavos.

Na avaliação estrangeira o investimento de 133 bilhões de reais do governo federal irá melhorar a infra do Brasil e contribuir para acelerar as obras para o Mundial de 2014, que estão bem atrasadas no tocante à mobilidade urbana. Tende, também, a ajudar as referentes ao Rio-2016. Quem viver verá…

Ex-jogadores comentando

terça-feira, 12 de junho de 2012

Muita gente pergunta o que acho de ex-jogadores ocupando espaço na TV comentando jogos de futebol. Sei que há jornalistas que não gostam, talvez até por verem um lugar que poderia ser seu preenchido, mas considero uma “concorrência saudável” e com a qual todos podem ganhar. Especialmente o público.

Não vejo problema nenhum e sou contra reserva de mercado pra quem tem diploma, inclusive porque jornalismo se aprende na prática e não deve excluir profissionais com outras formações. Um biólogo pode virar um excelente jornalista especializado em ciência, um economista/administrador, um ótimo jornalista econômico, um cientista social/político, um baita jornalista político. E por que não um ex-jogador se tornar um bom comentarista ou jornalista esportivo?

Se dá audiência e o público gosta, se emissora x tem interesse em contratar um ex-atleta porque gosta de seu trabalho, qual o problema?

Hoje temos vários que têm se dado bem em canais de TV aberta ou fechada e acho legítimo. Gosto do trabalho de alguns, não gosto do trabalho de outros, mas não é difícil agradar a gregos ou troianos?

Um ex-jogador, como um ex-técnico ou um ex-árbitro, para citar outros dois casos também, cada um pode dar uma visão diferente sobre o esporte, a visão de quem já esteve lá dentro, de quem viveu a concentração, o vestiário, a pressão da torcida, uma visão que a maioria de nós não têm.

Dominar a língua portuguesa é importante? É uma premissa básica, claro. E há vários ex-jogadores de diferentes modalidades, seja do futebol, do vôlei, do basquete, da ginástica, do que for, que dominam, como há vários que não dominam bem e têm de aprimorar a “linguagem” antes de ir à telinha. Isso depende deles e das emissoras que os contratam.

Nunca gostei de comentar, como já disse algumas vezes não é minha praia, prefiro a periferia do futebol, observar e estudar o comportamento da torcida, os bastidores, ações de marketing, nunca tive um olho tático apurado, gosto mais de um jogo pela emoção do que pela técnica e/ou esquema adotado pelos times e sou contra notas pra jogadores.

Quando trabalhei no dia a dia de Esporte da “Folha”, entre 1994 e 2004, e depois no LANCE!, em 2004/2005, evitava ao máximo cair na roubada de avaliar a atuação dos 22 jogadores (às vezes 28 com as substituições). Porque aí a subjetividade é tão grande que você pode cometer e certamente comete uma série de injustiças. Mas isso é outra história.

O que defendo é que no jornalismo haja espaço pra todos se expressarem. E que os ex-jogadores possam ocupar seu espaço, seja como técnicos, olheiros, comentaristas, apresentadores, dirigentes, por que não?, ou até em outros ramos de atividade. Pois, como costumo dizer, o mundo é muito mais do que uma bola.

A imprensa e a seleção

terça-feira, 5 de junho de 2012

Não sei se vocês têm a mesma impressão que eu, mas a relação da mídia com a seleção brasileira parece ciclotímica. E em geral acho que é mesmo.

Boa parte da imprensa vinha criticando até não poder mais a seleção, bastaram dois bons jogos contra Dinamarca e Estados Unidos para mudar de lado e posição. Elogios pra cá, elogios pra lá, jornalistas dizendo que se ganhássemos do México a torcida faria de vez as pazes com o escrete e o Brasil voltaria a ser “top”.

A vitória não só não veio como a seleção não atuou bem, alguns voltaram a criticar e até a pedir novamente a saída de Mano Menezes e outros, talvez pra não queimarem a língua, chegaram até a dizer que a sorte estava com os mexicanos, que o futebol deles melhorou nos últimos anos, o que não fazia do resultado nenhuma desgraça, desculpa aqui e acolá…

Vejo tudo de uma maneira um pouco diferente.

Mano desperdiçou quase dois anos de trabalho à frente da equipe? Sim. A seleção tem boas chances de ganhar o ouro olímpico? Tem, inclusive porque a conquista virou prioridade para a CBF e a safra de jogadores com menos de 23 anos é muito boa. O Brasil jogou muito bem contra Dinamarca e Estados Unidos? Sim. Dois jogos bastam pra voltarmos a ser os melhores do mundo? Claro que não, mas servem pra atiçar o ufanismo de setores da mídia e de alguns torcedores. Se viesse a terceira vitória, então… Não veio, o que é até natural e quem já achava que estávamos a caminho do topo mudou de ideia.

O México tinha uma equipe mais experiente do que o Brasil, mais velha, mais madura e mereceu vencer. Não porque teve sorte, mas porque teve méritos. E colocou o Brasil em seu devido lugar. Um time que tem bons valores individuais, tem boas chances de ganhar a Olimpíada, mas tem que ir com calma, sem oba-oba. Como diriam alguns, nem tanto ao céu nem tanto ao mar.

Se perdermos sábado para a Argentina, que vem com tudo, mas nós iremos também, acontece. Não é por isso que deixaremos de ter chances de ganhar o inédito ouro olímpico. Até porque os argentinos nem na Olimpíada desta vez estão e insisto que nossa safra de jovens valores é boa. Tanto que a seleção olímpica não difere tanto da principal, daí a preocupação com a Copa de 2014, pois esse time tem de amadurecer. E tem mesmo.

José Maria Marin, que de bobo não tem nada, quer ganhar o título que Ricardo Teixeira nunca conseguiu, a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos. Já deu recado público a Mano Menezes e Andrés Sanchez e disse que acabaram as brincadeiras, as convocações de desconhecidos do Leste Europeu e de Ronaldinho Gaúcho. Mano entendeu o puxão de orelha e obedeceu.

Para Marin, se o Brasil ganhar o ouro olímpico, a torcida volta ao ufanismo de outros tempos e se esquece das mazelas da preparação para a Copa, com todas as obras pra lá de atrasadas, orçamento subindo e legado diminuindo, como já vimos no Pan do Rio. Acha que o povo vive de pão e circo. E a imprensa também. Talvez tenha razão, embora eu, particularmente, acredite que as coisas estejam mudando. E neste sentido espero que estejam mesmo.

O silêncio dos bons

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Hoje, excepcionalmente, pediria para não mandarem comentários. A partir de amanhã, voltamos ao normal. Vocês comentam, eu respondo, vocês comentam de novo, eu rebato e por aí segue a carruagem (ops, caravana)…

O silêncio dos bons é pretensioso demais. Porque se trata do meu silêncio. E quem disse que tenho algo de bom?

Depois de tanto atacar a gestão de Ricardo Teixeira e comemorar a renúncia do dirigente, decidi ficar calado sobre José Maria Marin. Não por achar que o novo presidente da CBF signifique o novo, pois segundo ele próprio declarou sua administração representa o continuísmo da anterior, da qual era o vice mais velho.

Já escrevi demais sobre Marin pra só levar pancada na cabeça. E há horas em que você cansa, dar murro em ponta de faca machuca. Remar contra a maré não é pra qualquer um. E eu confesso que estou sem fôlego. E sem estômago.

Marin, como disse várias vezes neste espaço, é o político das antigas. Não nega entrevista, sabe lidar com os poderosos, abre uma torneira aqui, outra acolá e vai ganhando apoio. Inclusive na mídia. E de gente forte, graúda. Desapontado, não tenho nem o que dizer. Mudança na estrutura, que tanto gostaria de ver, nada.

Tenho sempre em mente “A Revolução dos Bichos”, de George Orwell, uma sátira ao stalinismo que segue muito atual, apesar de escrita nos anos 40. Os porcos e os homens, os homens e os porcos.

Amanhã sigo postando sobre política esportiva, economia do futebol, bastidores do mundo da bola, preparativos para a Copa e a Olimpíada, orçamentos, psicologia do esporte, ideias para usá-lo como instrumento de inserção social e por aí afora. Mas neste momento fico em silêncio. Sobre CBF hoje nada. Pela minha saúde física e mental.

Uma ótima quinta a todos e até amanhã, quando trarei uma questão de marketing esportivo pra vocês discutirem comigo, João