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Arquivo de julho de 2012

A decisão de Hortência

terça-feira, 31 de julho de 2012

Até hoje tenho sérias dúvidas sobre o corte de Iziane, a ala da seleção brasileira de basquete que foi cortada por Hortência dos Jogos de Londres.

A jogadora desrespeitou as regras ao levar o namorado para dormir no hotel durante a fase de preparação? Sim, mas pelo jeito se arrependeu, pediu mil e uma desculpas e acabou dispensada pela diretora e ex-jogadora Hortência, deixando o Brasil com uma atleta a menos para a disputa da Olimpíada.

Iziane, a meu ver, faz muita falta e poderia ter ajudado as brasileiras nas duas primeiras partidas, derrotas para França e Rússia na Grã-Bretanha.

Sei que não é a primeira vez que causa confusão, mas na anterior, mais grave, a meu ver, a própria Hortência tinha passado a  mão na cabeça dela e perdoado a jogadora, que se recusara a entrar em quadra durante um jogo do Brasil, desobedecendo orientação do técnico.

É estrela? Sim e temperamental. Hortência sabia disso, bem como a comissão técnica da seleção. Optou por mostrar pulso e dar um exemplo às demais ao cortar a ala? Pode ser, mas ainda assim acho que quem sai perdendo é o Brasil. Se Iziane errou _e errou_, pelo menos admitiu o erro e poderia ter seguido para Londres. O que tenho dúvidas é se a direção da confederação não errou também ao mostrar intransigência na hora do corte.

No final será que quem não perde é o basquete brasileiro? Temo que sim, temo que sim. Felizmente no masculino temos Rubén Magnano, um argentino que considero genial, no comando da equipe. E com ele espero que a história seja diferente. Saber dialogar, afinal, também é uma arte. E uma arte que Magnano conhece.

Marina x Aldo

segunda-feira, 30 de julho de 2012

E não é que o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, perdeu uma grande oportunidade de ficar quieto?

O político do PCdoB segue inconformado com o Comitê Organizador dos Jogos de Londres, que homenageou a ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva, de quem Rebelo é desafeto. Ao ironizar a “colega”, dizendo que ela sempre teve boas relações com a aristocracia europeia e só por isso foi convidada, o ministro do Esporte ganhou uma série de manchetes negativas.

Marina Silva participou da cerimônia de abertura carregando a bandeira olímpica ao lado de personalidades como o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, o ex-pugilista Muhammad Ali e o maestro Daniel Barenboim, pegando de surpresa o governo brasileiro e ofuscando a presença da própria presidente Dilma Rousseff.

Segundo os organizadores, Marina foi homenageada “por sua valiosa e significativa luta pela questão ambiental” e sua participação na cerimônia, como a dos demais que levaram a bandeira olímpica, teve de ser mantida em segredo “para não estragar a surpresa”.

Aldo Rebelo, que tem sido criticado na Europa pelos problemas na organização da Copa de 2014, é inimigo político de Marina por conta do Código Florestal. O atual ministro do Esporte, ao contrário da adversária, aliava-se constantemente à bancada ruralista e ficou mordido ao vê-la sexta à noite na cerimônia de abertura em Londres. Coisas da política…

Romário em Londres

domingo, 29 de julho de 2012

Tem provocado polêmica nas redes sociais a presença de Romário como comentarista da Record em Londres.

O parlamentar vai ficar na Olimpíada até quando? Não retorna logo após o término do recesso do Congresso? Tem dupla função, deputado e comentarista?

Mesmo que tire licença na Câmara e abra mão de receber salário no período, uma vez eleito deputado é bacana continuar exercendo outras atividades profissionais, como já fizera durante o Pan de Guadalajara, comentando os Jogos para a própria Record e se ausentando do trabalho em Brasília?

Não vou questionar aqui se está comentando bem ou não, mas abordar um outro ponto que acho “interessante”. Desde que José Maria Marin assumiu a CBF e prometeu dar ênfase à tentativa de conquistar a medalha de ouro, ameaçando inclusive tirar Mano Menezes do cargo de técnico se não obtiver o feito, a Record e Romário têm elogiado o dirigente.

Para a Record a atitude de Marin significa mais chances de audiência. Até anúncio para o dia seguinte de possível conquista a emissora já preparou, dizendo que ela sim é pé quente e a Globo, pé frio. Para Romário, que está ligado à emissora do bispo, a atitude de Marin parece significar que ele é um grande dirigente, quando não é.

Coincidência ou não em recente entrevista que deu à revista “Caros Amigos”, o ex-atacante atacou tudo e todos, a política brasileira, seu próprio partido, a Fifa, a organização para a Copa, a imprensa, mas poupou Marin e seu mentor, Marco Polo Del Nero. Sobre os dois, só elogios. Como se fossem dois estadistas. Pelo visto Romário não sabe quem é Marin. Ou, o que seria pior, sabe bem quem é o dirigente. E mesmo assim o trata como se fosse rei. Uma pena. Política, política…

Olimpíada x Copa do Mundo

sábado, 28 de julho de 2012

Vendo a abertura dos Jogos de Londres, que achei nota dez, fiquei pensando sobre como são diferentes uma Olimpíada e uma Copa do Mundo, eventos que o Brasil terá o prazer de abrigar, o segundo em 2014, o primeiro em 2016.

Estive em cinco Mundiais e em três Olimpíadas e as sensações são muito diferentes. Na Copa o senso de competição, disputa, rivalidade, principalmente, é maior. O público presente, claro, é o de torcedor de futebol, que quer a vitória a todo custo. Já na Olimpíada a impressão que tenho é que você está num teatro. A confraternização é maior e o espírito de coletividade e o respeito pelo adversário, seja pelo mais forte, seja pelo mais fraco, também.

Em termos de organização os desafios também são muito diferentes, porque o Mundial tem 12 sedes, enquanto a Olimpíada concentra tudo _ou quase tudo_ em apenas uma cidade.

Temos condições de fazer uma festa tão bonita quanto a de Londres. Bem diferente, mas tão bonita quanto. À nossa maneira. A cultura brasileira e a história do nosso país são riquíssimas. Se Londres abriga pela terceira vez na história os Jogos Olímpicos, a América do Sul irá recebê-los pela primeira vez em 2016. Nossa música, a miscigenação, a história dos índios, dos africanos, a integração de culturas, a arte, o samba, o Maracanã, tudo, enfim, contribui para um espetáculo único e diferente. Basta querer fazer e mostrar uma outra face do Brasil ao mundo.

Gente competente para preparar o show de abertura não falta. O Brasil é rico em artistas. Pena que também seja “rico” em políticos e dirigentes esportivos que dão a impressão de gostar de um superfaturamento… Mas essa é uma outra questão…

Voltando a Londres, um dos momentos mais emocionantes, para mim, foi o ritual de acender a pira olímpica. Que não ficou na mão de uma estrela, mas de jovens que representam o futuro do esporte britânico. O futuro. Em vez de um grande nome, pequenos futuros grandes nomes. Porque o esporte é isso. Não é um só. São vários. E às vezes vários anônimos, por que não? Ou quase sempre, se vocês pararem para pensar. São esses o segredo e a magia da vida.

O prejuízo do Mengo

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Nada contra a viagem de Patrícia Amorim para Londres, a fim de acompanhar atletas rubro-negros na Olimpíada, mas tudo contra a forma como tem administrado o Flamengo. Totalmente amadora. Quem paga o prejuízo com a contratação e agora a demissão de Joel Santana?

No começo do ano ela tirou Vanderlei Luxemburgo, ficando ao lado de Ronaldinho Gaúcho, de quem virou refém. Depois perdeu o jogador e o Fla sofre um baita processo na Justiça, correndo o risco de ter de pagar uma fortuna para o hoje atleta do Galo. Agora saca Joel Santana e tem que desembolsar 2 milhões de reais de indenização. E contrata o fraco Dorival Júnior até… 2013.

Será que ele fica até lá? E se sair, quem paga eventual multa? O clube, sempre o clube. Ou os sucessores de Patrícia.

Que a presidente se divirta em Londres com o dinheiro do clube que comanda. Mas que arque com todas as contas que está fazendo no caixa do Menga. Cada vez mais quebrado. Com dirigentes como Patrícia e Juvenal Juvêncio o futebol brasileiro está perdido. São dez passos pra trás. Aliás põe passo pra trás nisso…

Eleição sob suspeita

quinta-feira, 26 de julho de 2012

O Comitê de Ética da Fifa, que acaba de ser lançado por Joseph Blatter para investigar e julgar recebimento de propina por parte dos brasileiros João Havelange e Ricardo Teixeira, também deverá analisar a escolha da Alemanha como sede da Copa de 2006.

Se a eleição de Rússia, para 2018, e de Qatar, para 2022, já era alvo de suspeita, a da Alemanha voltou a ficar na berlinda após insinuações feitas pelo atual presidente da Fifa, o que revoltou os principais dirigentes esportivos alemães.

A Alemanha derrotara a África do Sul por apenas um voto, 12 a 11, porque o delegado da Oceania, Charles Dempsey, absteve-se de votar na rodada final. Ele votaria para os sul-africanos, empatando o placar e forçando o próprio Blatter a dar o voto de minerva, que seria para a África do Sul.

Até hoje não ficou clara a abstenção de Dempsey, que morreu em 2008, aos 87 anos de idade. Ele chegou a dizer que teria recebido “presentinhos” ou promessas de “presentinhos” dos dois lados e, para evitar possíveis insinuações depois, resolveu não aparecer e não votar em ninguém. Resultado: deu a vitória à Alemanha.

Logo depois Dempsey retirou-se do futebol, após comandar o futebol da Oceania durante 18 anos. Segundo Blatter, era chegada a hora de se afastar e dar oportunidade a novas gerações. O que valia para a Oceania, pelo jeito, não vale para o resto do mundo, nem para a Fifa. Na América do Sul, por exemplo, o presidente da Conmebol, o paraguaio Nicolás Leoz, tem mandato vitalício.

Dempsey dizia que a África do Sul, derrotada em 2006, ficaria com a Copa de 2010, o que de fato aconteceu. Em 2014 seria a vez do Brasil. E de fato foi. Já em 2018 teria recebido a promessa de que a Austrália levaria o Mundial, como representante da Oceania. Nada. 2018 foi para os russos e 2022 para o Qatar, duas eleições marcadas por denúncias de compras de voto e focos de investigações do novo Comitê de Ética da entidade. Que provavelmente será formado apenas para inglês ver. Ou suíço, porque para Blatter só interessa dar uma aparência de moralização na entidade e seguir tudo como está. No máximo atirando aos leões a dupla Teixeira/Havelange e salvando a pele dos demais. Inclusive e principalmente a própria.

Sobra de ingressos

quarta-feira, 25 de julho de 2012

E não é que teriam sobrado mais de 300 mil entradas para jogos de futebol na Olimpíada londrina? Segundo o Comitê Organizador Local, comandado por Sebastian Coe, trata-se do esporte com mais ingressos disponíveis para quem quiser ver os Jogos, cuja abertura oficial acontece na sexta.

Para a assessoria de comunicação do COI, um dos problemas é o fato de as seleções não serem as principais de seus países, mas todas elas sub-23, com no máximo três atletas com mais de 23 anos.

Mesmo assim, como a próxima Olimpíada será no Brasil, o país do futebol e único pentacampeão mundial, o COI espera que no Rio os ingressos se esgotem antes do início dos Jogos. Duvido. Para os jogos do Brasil, talvez, mas para os demais, com equipes fracas pipocando pra tudo quanto é lado, sobrarão entradas.

Em Londres, os brasileiros, que nunca ganharam o ouro olímpico no futebol, entram como favoritos. Seus dois principais adversários tendem a ser espanhóis e uruguaios, que voltam aos Jogos pela primeira vez depois de 1928, quando conseguiram o bicampeonato olímpico. O México também pode ser um bom adversário. Já a Grã-Bretanha, pelo que vimos do amistoso contra o Brasil, é fraquinha, fraquinha, fraquinha e pode ter dificuldades ainda na primeira fase.

As contradições do COB

terça-feira, 24 de julho de 2012

Carlos Arthur Nuzman, o presidente do COB, costumava dizer que não fazia projeções de medalhas antes de qualquer Olimpíada. Desta vez mudou de ideia e o comitê avisou que espera conquistar 15 medalhas em Londres, mesmo número obtido quatro anos atrás em Pequim.

Por que isso? Para, caso o Brasil não melhore o desempenho em relação ao obtido em 2008, o COB e seu presidente não sejam criticados.

E por que seriam? Porque desde os anos 90 Nuzman prometia fazer do Brasil uma potência olímpica. E queria ver o país como tal no máximo na década passada. Nada. Nem agora, com mais de 2 bilhões de reais de dinheiro público no ciclo olímpico, conseguiu.

Não conseguiu porque boa parte da verba pública é usada para custear a própria burocracia do COB, pagando seus executivos e sua estrutura, e não chega à base como poderia. Não conseguiu porque esse país não tem uma política esportiva. Não tem projeto, é uma pirâmide sem sustentação.

Marcus Vinícius Freire, um dos representantes do COB em Londres, diz que aqui não se fabricam medalhas. É verdade. Aqui se gasta dinheiro público sem um projeto esportivo decente. E joga-se a promessa de se criar uma potência olímpica lá para a frente, sempre lá para a frente. Em 2016, talvez, se bem que já há quem diga que só teremos frutos em 2020 ou 2024, quanto mais distante melhor.

Ah! E das 15 medalhas projetadas pelo comitê duas são do futebol, que até recentemente não usava recursos públicos. Estratégia que o COB pouco a pouco também deveria começar a seguir, buscando mais dinheiro na iniciativa privada, ainda mais com os Jogos do Rio à vista. Mas parece mais fácil pegar recursos dos contribuintes. Via Ministério do Esporte, Lei Piva, estatais e renúncia fiscal.

Marin e Dilma

segunda-feira, 23 de julho de 2012

O presidente da CBF, José Maria Marin, tenta se aproximar de Dilma Rousseff, algo que seu antecessor, Ricardo Teixeira, não conseguiu.

Um dos nomes fortes do PTB-SP depois que a presidência da confederação lhe caiu no colo, Marin defendeu que o partido não apoiasse José Serra (PSDB) à Prefeitura de SP, aliando-se à candidatura de Celso Russomanno (PRB). Russomanno tem também o apoio dos bispos da Record.

Para 2014 o dirigente já enviou recados ao Planalto de que fará força para o PTB apoiar a reeleição de Dilma. A presidente da República até aqui vem evitando Marin, político que teve participação ativa na ditadura militar, chegando ser vice biônico de São Paulo e assumindo o governo do Estado por dez meses, período em que o “titular”, Paulo Maluf, deixou o cargo para se candidatar a deputado federal.

Talvez agora consiga se aproximar da presidente, talvez não. Da Record já se aproximara desde que assumiu a CBF e mandou Mano Menezes priorizar o inédito ouro olímpico do futebol. Se conseguir a conquista, a emissora, única no Brasil com direitos de mostrar os Jogos em TV aberta, tem até anúncio pronto para o dia seguinte. Vai dizer que é pé quente e insinuar que a concorrente é que não dava sorte para o futebol brasileiro na Olimpíada.

O craque do Brasileiro

domingo, 22 de julho de 2012

Sei que é cedo pra falar, mas até aqui o jogador que mais me impressionou no Brasileiro foi o jovem atacante Bernard, do Atlético-MG.

Joga muuuita bola e fez dois golaços, aquela jogada incrível contra o Grêmio e o quarto gol do Galo, gol que anotou ontem contra o Sport.

O futebol brasileiro sempre revelando novos talentos. Ele poderia estar em Londres com a seleção. Tem apenas 19 anos, mas pelo jeito Mano Menezes não tem observado muito os jogos daqui. Já no início do ano Bernard mostrava que talento e habilidade não lhe faltam. Seria ótimo para nosso esporte e para a evolução do garoto se estivesse na Olimpíada. Mas pelo menos podemos ver as jogadas sensacionais que tem feito no Brasileiro. Ajudado, aliás, por Ronaldinho Gaúcho, que voltou a jogar bola.