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Arquivo de junho de 2012

Dois pesos?

sábado, 30 de junho de 2012

A diretoria do Palmeiras anda insatisfeita com a CBF. Há reclamações sobre o tratamento dado ao Palestra, que não teria recebido os mesmos “privilégios” do Corinthians. Enquanto o Timão teve seu jogo da rodada deste final de semana do Brasileiro adiado para o dia 11, depois da final da Libertadores, o Palmeiras deve mesmo jogar no final de semana que vem, entre a primeira e a segunda partida da decisão da Copa do Brasil. A partida que o Palestra faria no dia 7 tende a ficar para o dia 8 e não para uma data depois da final contra o Coritiba.

A reclamação procede? Sei não, sei não, porque no caso do Palmeiras não é só o clube paulista que jogaria entre a primeira e a segunda partida decisiva da Copa do Brasil. O Coritiba, o outro finalista, também atuaria. Já o Corinthians não enfrenta um time brasileiro na decisão da Libertadores, então a história parece ser diferente…

O que ainda acho complicado é o calendário do futebol brasileiro. O Nacional começou mais uma vez coincidindo com as fases decisivas da Copa do Brasil e da Libertadores. Talvez não seja por acaso que Palmeiras e Corinthians estejam tão mal na classificação do Nacional. E se perderem as decisões vai ser difícil recuperar os pontos perdidos até aqui. Em 18 disputados, o Timão perdeu 14, o Palmeiras, 16.

A imagem do MMA

sexta-feira, 29 de junho de 2012

A mídia que apoia o MMA e segue atrás da audiência e do retorno publicitário que as artes marciais mistas têm rendido tenta mudar a imagem do esporte para atingir um público ainda maior. A ideia é desassociá-lo da imagem de violência. Logo criaram o slogan de que “quem sobe no octógono não briga, luta”. E que os lutadores são colegas de trabalho e amigos dos adversários fora do ringue. E pais de família. Como se ser pai de família significasse muita coisa… Há pais de família e pais de família…

Mas, enfim, lá veio Anderson Silva e quase jurou de morte seu próximo adversário, o norte-americano Chael Sonnen. Disse o seguinte: “Ele é um marginal, a escória do esporte. Teve problemas com a Justiça e com doping. É um imbecil. Dia 7 vou acabar com a cara dele e com cada um dos seus dentes. Ele vai apanhar, apanhar muito. Muita gente vai ficar assustada. Vai ter perna quebrada, braço quebrado, cara quebrada, vou quebrá-lo todo. Vai sair de maca lá de dentro e precisar de uma plástica.”

Não condiz com a imagem que a Globo, por exemplo, tenta passar do esporte. Mas Dana White, presidente do UFC, vibrou. Quer bater o recorde de venda de pay-per-view. E para ele, talvez, se um dos dois tiver que fazer uma plástica depois da luta, ok. Mais audiência. Já eu sigo preferindo acompanhar futebol e a Olimpíada, que está quase aí. Menos de um mês pra começar.

Homenagem a Balotelli

quinta-feira, 28 de junho de 2012

O grande nome da Euro é Mario Balotelli, que tive a oportunidade de ver treinar em Milão há cerca de três anos.

Uma das coisas mais revoltantes da Euro, pra não escrever outra coisa e dizer mil e um palavrões, é saber que ele é chamado de “bastardo italiano”, “negro de merda” e outras coisas do gênero. Até uma faixa dizendo que não existem italianos negros teve de ser arrancada pelos organizadores da Euro, que acontece na Ucrânia e na Polônia.

Autor dos gols que levaram à Itália à decisão do campeonato, domingo, diante da Espanha, Balotelli foi adotado pelo casal Silvia e Francesco Balotelli, quando tinha dois anos de idade. Seus pais biológicos reapareceram há quatro anos, quando ele começou a fazer sucesso e mostrar que tinha talento. Não quis saber deles. Sua família, há 19 anos, é outra.

Aos 21 anos de idade insiste em dizer que é um gênio. E é. Pelo temperamento, pela garra e pelos urros que dá após fazer ou perder um gol. Garoto-problema? Garoto-problema são os outros. E vou torcer muito pela Itália na final. E pela luta de Balotelli contra o racismo, racismo que é um crime revoltante.

Fan Fest corintiana

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Semana que vem o Pacaembu será pequeno para a torcida corintiana. Para o bem ou para o mal. E a diretoria desde ontem se movimenta para tentar organizar duas Fan Fests, no estilo de jogos de Copa do Mundo, em São Paulo.

A ideia é que uma seja na Praça Charles Miller, bem diante do estádio, mas a tendência é que a Prefeitura vete devido ao risco de confusão no local, ainda mais com a entrada e saída de torcedores do próprio Pacaembu.

A segunda festa cogitada seria no Anhembi, onde poderia ser colocado um telão para os torcedores acompanharem o jogo. Mas depois da confusão na apuração do Carnaval paulista também pode ser que não vingue.

Dentro de campo, porém, tudo pode acontecer. O resultado na Bombonera foi ótimo, especialmente dadas as circunstâncias da partida no segundo tempo. Que estrela a de Romarinho! Mas na quarta, dai 4, o Boca vem que vem, não está morto, não, embora o favoritismo seja do Corinthians, que tem uma equipe melhor que os argentinos. E joga em casa. Pelo bem ou pelo mal.

Barra brava

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Se para o jogo em Buenos Aires as organizadas corintianas foram beneficiadas, recebendo cerca de 60% dos 2.450 ingressos destinados ao Corinthians, na partida da volta, quarta que vem, no Pacaembu, será a vez de as “barra bravas” do Boca terem prioridade. A direção do time argentino quer separar pelo menos metade dos bilhetes para elas, com destaque para La 12, a mais famosa do Boca.

Já os pacotes serão mais em conta do que os vendidos no Brasil. A agência Vai Corinthians, da CVC, comercializou 315 viagens em apenas 7 minutos na segunda, sendo o preço mínimo de R$ 4.530,96. Os argentinos pretendem negociar 500 pacotes, incluindo parte aerea e uma noite de hospedagem, além do ingresso, caro, a partir de R$ 3.200,00.

A agência corintiana esperava receber 600 ingressos e portanto havia feito bloqueio de 600 lugares em aviões para Buenos Aires, mas recebeu pouco mais de metade das entradas que desejava.

Cerca de 300 teriam sido destinadas a integrantes do programa Fiel Torcedor e outras 300 foram distribuídas entre dirigentes, sócios e parceiros, amigos e patrocinadores do Corinthians.

As “barra bravas” da Argentina, assim como algumas uniformizadas do Brasil, tiveram seu nome associado à violência e ao crime organizado. Dentro do estádio não param de gritar um minuto, inclusive quando o time está perdendo.

Tive a oportunidade de assistir a dois jogos na Argentina, dois amistosos do Brasil, um em novembro de 1995, outro em setembro de 1999, ambos no Monumental de Nunez, e não é fácil. O primeiro ganhamos por 1 a 0, gol de Donizete, mas o segundo perdemos por 2 a 0 e quase nada fizemos em campo. A torcida impressionava. Só que no jogo de volta, três dias depois, em Porto Alegre, demos o troco e vencemos bem: 4 a 2. Vamos ver agora o que faz o Corinthians nestes dois jogos…

O problema é o Juvenal

terça-feira, 26 de junho de 2012

Não adianta trocar de técnico, o problema no Morumbi tem um nome e responde por Juvenal Juvêncio, que iniciou um processo de “corintianização” do São Paulo. Não o Corinthians atual, que pelo menos avançou em termos pontuais, como em ações de marketing, mas o Corinthians dos anos 90, quando a referência no futebol era o São Paulo. Não é mais.

De que serviu o mandatário são-paulino defender mudança no estatuto do clube para permitir nova reeleição, perpetuando-se no poder? Serviu para deixar o São Paulo na fase que está. E a torcida com nariz de palhaço, como se viu sábado no jogo contra a Lusa, no Canindé.

As críticas, dirigidas a Emerson Leão, deveriam ser voltadas à diretoria. Ah! O poder…

O impasse santista

terça-feira, 26 de junho de 2012

A eliminação do Santos da Libertadores e a “volta” do time ao Brasileirão deixam mais claras as mazelas do nosso calendário.

Tão decantado no início do ano, vencedor de um Paulista que pouco representa, desvalorizados que estão os Estaduais no Brasil, o que o Santos fará no segundo semestre?

É o que a diretoria discute nos bastidores. Conquistar o Brasileirão ainda é possível, embora o time esteja emocionalmente abalado e tenha apenas quatro pontos em 18 disputados. Ou seja, já são 14 perdidos, o que não é tão simples num campeonato de pontos corridos.

Domingo, contra o mistão do Coritiba, a equipe deixou o campo sob vaias. A folha de pagamento é alta, especialmente da comissão técnica, é a meta é ficar entre os primeiros do Brasileiro, obtendo vaga para a Libertadores-2013.

Mas não é só essa, não. Parte da diretoria e do grupo que assessora o presidente quer que o time passe de duas a três semanas no exterior, excursionando e exibindo Neymar e cia. na Europa, Estados Unidos ou Ásia.

É um time caro demais pra ficar um semestre todo no Brasil concentrado no Brasileiro. Mas pode perder ainda mais pontos, pontos difíceis de recuperar na reta final.

É um risco que também corre o Corinthians, se perder a final para o Boca. Voltar ao Nacional nas últimas colocações.

Não vale uma discussão continental sobre a duração da Libertadores, cuja fase decisiva coincide com o início do Brasileirão? Talvez, mas antes temos que acertar nossos próprios ponteiros, já que a Copa do Brasil tampouco terminou. E quem a organiza é a CBF, não a Conmebol.

Vendas em 7 minutos

segunda-feira, 25 de junho de 2012

E não é que 315 pacotes para torcedores corintianos acompanharem o time em Buenos Aires foram vendidos em apenas 7 minutos? E por um preço superior a 4 mil reais cada pacote.

Pena que boa parte das cerca de 2,5 mil entradas a que o Corinthians deverá ter direito para o jogo contra o Boca foi repassada para torcedores uniformizados e amigos de quem está no poder.

A relação das diretorias com as organizadas continua forte. As direções acabam, sendo ou tarde, virando reféns dos torcedores. E depois não dá pra reclamar…

Os fins e os meios

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Para muita gente José Maria Marin, atual presidente da CBF, é um dirigente que representa uma mudança em relação à gestão de Ricardo Teixeira por estar mais aberto ao diálogo.

Será? É possível, mas, a meu ver, não porque ele tenha de fato a intenção de conhecer o que os outros pensam e mudar a estrutura do futebol brasileiro. Até porque ele mesmo já deixou claro que representa a gestão de Ricardo Teixeira, a qual não para de elogiar e de quem era o vice mais velho.

O que Marin faz (e sabe fazer como poucos) é média. Pouco a pouco vai afagando aqueles que criticam sua gestão ou questionavam sua chegada ao poder. Seja se reunindo mais vezes com clubes e federações, dando um mimo a A ou B, nomeando um antigo desafeto pra chefiar a delegação ou bajulando veículos de comunicação antes esquecidos por Teixeira.

Os métodos, no entanto, são curiosos. As reuniões com dirigentes de clubes e federações, por exemplo, são todas separadas. Assim o que diz para um não necessariamente repete para outro. Dividir para reinar talvez seja o lema de Marin.

Mas os recados vão sendo dados. Inclusive a Mano Menezes, que pensa em sacar em caso de fiasco na Olimpíada. O último foi nas respostas às críticas de Luís Álvaro, o presidente santista, à CBF, que usou Neymar e Rafael nos quatro amistosos da seleção, descontentando o time da Vila devido ao cansaço da dupla para a disputa das semi da Libertadores.

Marin, ao contrário do que poderia fazer um Ricardo Teixeira, que nunca foi político, não bateu de frente com o santista. Pelo contrário. Elogiou Luís Álvaro por ter mantido Neymar no Brasil, aproveitando pra alfinetar Mano Menezes, que gostaria de ver o atacante na Europa antes da Copa de 2014.

Marin ainda prometeu a dirigentes do Santos, entre ouvidos, que haverá espaço no calendário nacional para excursão dos times ao exterior. Justamente como quer Luís Álvaro.

Quando? Depois do Mundial no Brasil. Ou seja, em 2015, justamente quando termina o mandato de Marin. E talvez comece o de seu mentor, Marco Polo Del Nero, que será quem ficará com a batata no colo. E irá administrá-la de sua forma, que não é a de Marin nem a de Teixeira. É a sua. E enquanto isso o futebol brasileiro segue com as mazelas estruturais que não são de hoje. São de ontem e pelo andar da carruagem serão de amanhã também.

Sabemos torcer?

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Reproduzo abaixo coluna que publiquei no diário LANCE! na última terça. Volto a postar na próxima segunda, 25, mas até lá sigo respondendo comentários de vocês. Bom final de semana a todos, João.

“Um dos desafios da Seleção para a Copa de 2014 é se reaproximar do torcedor brasileiro de quem tem estado afastada de um tempo pra cá. Como sede do próximo Mundial custava o Brasil fazer mais amistosos em casa? Não poderia ter levado o recente jogo contra a Argentina pra seu território, ainda mais tendo nossos vizinhos acabado de atuar em Buenos Aires pelas eliminatórias?

Talvez com um bom desempenho em Londres iniciemos um processo de reconquista do torcedor, que, assim como pode ser um fator favorável no próximo Mundial, não deixa de ser uma ameaça, especialmente se as coisas dentro de campo não forem bem. Em vez de jogar a favor a galera pode acabar jogando contra. E uma coisa é torcida de time, outra, de Seleção, uma torcida que engloba pessoas com diferentes equipes de coração, vindas de diversas regiões e que não estão acostumadas a torcer junto.

É uma turma exigente que se comporta diferente das torcidas europeias. Fui a cinco Copas do Mundo e vi várias vezes os brasileiros, mesmo em grande número nos estádios, engolidos pelos europeus. Talvez porque quem vai à Copa no exterior não seja o típico torcedor de futebol. Não tem cânticos, gritos de incentivo ou o que for para incentivar o time. Ao contrário dos europeus, que cantam o jogo todo. E quando a Seleção atua em casa, como vai acontecer em 2014, não é raro vê-lo dividido em grupos, cada um pedindo um jogador, reclamando de A ou B e não gritando em uníssono como se faz na Europa.

Lembro bem de Inglaterra x Brasil na Copa de 2002, quando viramos pra 2 a 1 e avançamos às semifinais. Os ingleses estavam em maior número, é verdade, e tinham David Beckham que encantava os japoneses, mas no estádio mal se ouvia a torcida brasileira que não era tão pequena assim. Ficou encolhida, encolhida, quase não se fazendo ouvir.

Já na Copa da França, em 1998, conseguimos dividir o estádio com dinamarqueses e quase repetir a façanha contra os holandeses, mas tanto uns quanto outros gritavam mais do que a gente. E eram cânticos bonitos, misturando letras de músicas de rock com “melodias sinfônicas”.

Quanto mais distante a Seleção, mais difícil “educar” nosso torcedor. Não acho que tenhamos que ser iguais aos europeus, que têm seu próprio estilo e cujas torcidas são marcadas por um nacionalismo exacerbado e rivalidades históricas e territoriais que não temos por aqui. Felizmente. Mas não é por isso que não poderemos encontrar nossa própria forma de torcer, apoiar e participar. Mas com a Seleção por perto. E correspondendo.

Temos que aprender, inclusive, a valorizar derrotas, lembrar da lição de 1982, uma equipe que dava gosto de ver e nem às semifinais chegou. Estava na Dinamarca naquela Copa e quando me encontravam na rua usando camisa do Brasil vinham logo conversar e elogiar nosso futebol. Dava orgulho vestir a amarelinha mesmo na derrota. Podemos até perder, mas que percamos encantando. E lutando até o final.”