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Arquivo de novembro de 2011

Dinheiro no lixo

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

As autoridades fluminenses ainda não sabem quanto será gasto para despoluir rios e lagoas que deságuam no local onde ficará o futuro Parque Olímpico dos Jogos de 2016.

Uma pequena pesquisa junto ao governo do Rio mostra valores disparatados para as obras ambientais, valores que vão de 800 milhões de reais a quase 2 bi.

Especialistas, no entanto, dizem que o dinheiro pode acabar no lixo, pois o problema da poluição em rios e lagoas na capital do Estado deve voltar depois dos Jogos.

O motivo é que a população segue montando ligações clandestinas de esgoto que vão parar nas águas, ou seja, as obras podem ser feitas, mas logo depois o problema voltará.

Ou você ataca o problema de frente ou, se optar por solução paliativa, pra inglês ver em 2016, vai apenas perder dinheiro.

Um grupo de dez biólogos autônomos prepara um estudo sobre as ligações clandestinas para levar ao governo do Estado. Quer mostrar que o buraco é mais embaixo. É que, como diz um amigo meu, o problema é estrutural, não pontual. Alguns setores da sociedade civil, pelo menos, começam a se mexer. Menos mal, menos mal…

Custo Copa sobe de novo

terça-feira, 29 de novembro de 2011

O governo ainda não sabe quanto será gasto com a Copa de 2014, mas o orçamento não para de subir, agora por conta do setor aeroportuário.

Como os leilões dos aeroportos de Guarulhos, Brasília e Campinas, que deveriam ocorrer em dezembro, ficaram para março devido a questões burocráticas, será incluída uma cláusula no programa de privatização para acelerar as obras. É que com o atraso no processo aumentou o risco de elas não ficarem prontas até o Mundial.

Para acelerar as obras será colocada mais gente para trabalhar na reforma dos aeroportos, sem falar na necessidade de pagamento maior de horas-extras que serão necessárias para ajeitá-los até o evento.

O programa de privatização, que inicialmente previa investimentos de 10 bilhões de reais nos três aeroportos, subiu para 11,9 bilhões de reais e agora ultrapassou a fronteira dos 13 bi, o que dificulta o processo e deixa a Fifa ainda mais inquieta com a demora dos brasileiros em aprimorar o setor.

Lamentavelmente essa não é a única preocupação. Em mobilidade urbana, por exemplo, quase nada foi aplicado até aqui e devem ser tomadas medidas paliativas, como decretação de feriado em dias de jogos da Copa para melhorar o transporte. Já os estádios só ficarão prontos graças à enxurrada de dinheiro público que está sendo investido nas arenas, ao contrário do que prometera Ricardo Teixeira quando o Brasil foi escolhido sede. Na ocasião, o presidente da CBF dizia que não haveria um centavo de verba pública nos estádios. Alguém acreditou???

Os jovens e os funerais

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Hoje o assunto do mundo do futebol é o Corinthians e a decisão “adiada” para o próximo domingo. Mas quero mudar um pouco o foco e tratar de cinema. Terminou a rodada ontem e fui ver… “Inquietos”, de Gus Van Sant. Recomendo.

O filme conta a história de Enoch, brilhantemente interpretado por Henry Hopper, um adolescente que perde os pais e passa a frequentar funerais e flertar com a morte.

Tem seu momento clichê no encontro com uma garota com estimativa de três meses de vida devido a um câncer terminal, mas vale ser visto. Porque é um filme que explora as crises da juventude, trata da morte e portanto da vida e da dificuldade do diálogo entre gerações. E ainda assim consegue ser leve.

Adolescência talvez seja a fase mais difícil da nossa existência _ou seria a velhice?_ e em “Inquietos” Gus Van Sant parece acreditar na capacidade que temos de passar por ela e de fato crescer. Por mais complicado que seja esse período da nossa vida também acredito nisso. Uma ótima semana a todos, João

A sucessão de Blatter

domingo, 27 de novembro de 2011

Está aberta a disputa pela sucessão de Joseph Blatter na Fifa.

Ricardo Teixeira, que prepara Andrés Sanchez para ocupar seu lugar na CBF, tem como adversário Jérôme Valcke, secretário-geral da Fifa que, como ele, Teixeira, está cercado por denúncias de corrupção.

O nome preferido por Blatter, porém, é outro. Ele acha que Michel Platini, que comanda o futebol europeu, devolveria credibilidade à entidade. Duvido. Acho os três _Teixeira, Valcke e o próprio Platini_ farinha do mesmo saco. Os quatro, aliás, porque de Blatter não precisamos falar mais nada…

Para minar a influência do presidente da Fifa, que ameaça abrir o espólio da ISL, gigante de marketing esportivo suspeita de ter dado propina a dirigentes como Teixeira e seu ex-sogro, João Havalange, o brasileiro voltou a se aproximar de Mohammed Bin Hammam.

O dirigente do Qatar odeia Blatter, a quem responsabiliza pela divulgação das denúncias sobre compra de votos para ver seu país como sede da Copa de 2022.

Expulso do Comitê Executivo da Fifa, continua próximo de Teixeira, que o procurou na semana do amistoso do Brasil contra o Egito.

Os dois devem ter nova reunião até o início de janeiro com a presença de Andrés. A ideia é reunir material contra Blatter, mas publicamente a alegação é troca de experiências sobre como organizar uma Copa… No caso de Teixeira, como não organizar seria o termo mais apropriado.

Um minuto de silêncio

sábado, 26 de novembro de 2011

O minuto de silêncio poderia ser para a dupla Andrés Sanchez e Ricardo Teixeira. O segundo nomear o primeiro diretor de seleções da CBF é de matar… Mas isso deixo pra amanhã.

Meu minuto de silêncio não é para alfinetar ninguém e se fosse para esse duo certamente seria para criticá-lo até não poder mais… O minuto é para homenagear Cláudio Coutinho.

Amanhã completa 30 anos da morte do ex-técnico da seleção, que comandou o Brasil na Copa de 1978, na Argentina.

Tido como teórico do futebol, criador de termos como ponto futuro e overlapping, Coutinho fazia palestras e dava recomendações a setores do time, que era dividido na hora das preleções. Tinha um jeito próprio de trabalhar e foi um incompreendido, inclusive por mim, ainda mais depois do título de “campeão moral” na Argentina.

Fez belíssimo trabalho no Flamengo. Despertou a ira dos paulistas. Lembro de um amistoso entre Brasil e seleção paulista, no Morumbi, em que o estádio inteiro torceu contra a amarelinha por conta de Coutinho, considerado carioca demais apesar de ter nascido no Rio Grande do Sul. Foi xingado por todos durante 90 minutos, inclusive por mim, um garoto na época.

Era o contexto do final dos anos 70 de bairrismo acirrado entre paulistas e cariocas… Hoje os tempos mudaram. Cresci e virei um grande admirador do trabalho de Coutinho, que faz falta a nosso futebol.

Fica aqui minha singela homenagem a ele e para quem for ao Rio, uma dica de passeio. Não deixe de ir à Pista Claudio Coutinho, na Urca, com entrada pela Praia Vermelha, pertinho do Pão de Açúcar. Um dos cenários mais bonitos do mundo…

Curioso… Escrevia sobre “um minuto de silêncio” quando recebo a notícia de Frederico de Assumpção Filho, primo-irmão da minha mãe, de quem sempre gostei muito e a quem carinhosamente chamava de tio Fredinho. Estava bem doente, com enfisema pulmonar. Acabou o sofrimento dele. Lá vou ao velório. Bom sábado a todos, João

Homenagem a Mário Lago

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

A direção do Fluminense informa que hoje, a partir das 16hs, haverá na sede do clube carioca homenagem ao centenário de Mário Lago.

Na ocasião será relançado um livro de memória escrito pelo ator nos anos 70, intitulado “Na Rolança do Tempo”. Dizem que é imperdível e terá o selo da editora José Olympio.

A partir das 22hs o show “100% Tricolor”, ainda nas Laranjeiras, com apresentação de Pedro Bial, outro ilustre torcedor do Flu.

Bela homenagem a Lago, que além de grande ator foi também excelente compositor e poeta, além de um sujeito engajado politicamente. Muito diferente de boa parte dos artistas de hoje, especialmente os das novelas em horário nobre, que me parecem mais preocupados em colocar botox e com a aparência física do que com a arte e a essência.

Confusão no Atlético-PR

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Já não basta a difícil situação em que se encontra no Brasileirão, tentando fugir do rebaixamento nas duas rodadas finais, os conselheiros do Atlético-PR estão rachados e uma parte não poupa críticas de bastidores à atuação do presidente Marcos Malucelli.

As cifras sobre quanto terá que ser gasto com a Arena da Baixada para adequar o estádio aos padrões da Fifa variam de R$ 130 milhões a R$ 280 milhões, o que só aumenta a bagunça.

Malucelli bate o pé em R$ 220 milhões, mas há conselheiros que acreditam na redução do valor caso haja uma negociação ponto a ponto com a Fifa e o Comitê Organizador Local da Copa, o que o presidente não fez até aqui.

O dirigente tem se defendido dizendo que não era favorável ao Atlético receber jogos da Copa, o que, segundo ele, só dará prejuízos ao clube, mas alega que teve de ceder à pressão do conselho.

No meio de um processo eleitoral, a situação de fato não está fácil. O próprio Malucelli lembra que, sem a Arena da Baixada no ano que vem, além de prejuízo financeiro há o risco de prejuízo técnico, como aconteceu neste ano com Atlético-MG, Cruzeiro e América-MG, os três obrigados a jogar longe do Mineirão.

É o custo-Copa, mais uma vez, causando polêmica…

Teixeira ataca Morumbi

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

O Comitê Organizador Local da Copa de 2014 volta a atacar o Morumbi. Para Ricardo Teixeira, que preside a CBF e o comitê, não tem sentido trecho que ligará o aeroporto de Congonhas ao entorno do estádio do São Paulo receber selo da Copa, como querem os governos estadual e federal.

O governo acha que a obra deve ser incluída como parte dos investimentos em mobilidade urbana para o Mundial, mas Teixeira acredita que não. E não é que neste caso o dirigente pode até ter razão?

A preocupação do comitê e dos governos municipal, estadual e federal em relação à mobilidade urbana durante o Mundial tem de ser com obras relevantes para o mesmo, como a operação sem parada da Linha 11 da CPTM, entre estações Brás e Corinthians/Itaquera, opção à Linha 3/Vermelha do metrô que já está lotada. Afinal que eu saiba o palco da Copa em SP será o Fielzão, não o Morumbi… Nada contra obras no entorno do estádio do São Paulo, contanto que facilitem a vida de moradores da região, entre eles os da favela de Paraisópolis, mas não com o selo da Copa.

SFB no RJ, FEI nos EUA

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Eta sopa de letrinhas… Mas é isso mesmo. O documentário que fiz com três amigos em Israel/territórios palestinos durante a Copa de 2010 passa hoje, às 20hs, no Rio de Janeiro. Chama-se “Sobre Futebol e Barreiras” (SFB, para os íntimos). Mas a boa notícia é que a FEI, faculdade de engenharia de São Bernardo do Campo, foi penta em Piracicaba e veículo projetado por seus estudantes vai representar o Brasil na etapa mundial, em Michigan, nos Estados Unidos.

Vamos por partes, então. A exibição do nosso filme será no Cinema Espaço Museu da República, na rua do Catete, 153, como parte da Mostra Internacional do Filme Etnográfico. Uma oportunidade para quem gosta de discutir o Oriente Médio e também para quem é fã de esporte, já que o futebol entra como pano de fundo para debater a questão política. Já exibido na Mostra Internacional de Cinema de SP, no Festival Audiovisual do Mercosul, em Floripa, e no Festival de Cinema de Paraty, agora é a vez do Rio.

Sobre o Fórmula FEI, volta e meia dou espaço para projetos da faculdade aqui e na coluna que mantenho no L!, pois se trata de um trabalho extracurricular interessantíssimo, que alia teoria e prática. Neste trabalham 20 estudantes de engenharia mecânica e elétrica.

Em Piracicaba, no final de semana, a FEI foi melhor nos quesitos Autocross, Custos de Manufatura e Enduro de Resistência. No geral, ficou em primeiro, repetindo feito de 2006, 2008, 2009 e 2010. Com isso em maio do ano que vem disputa a prova internacional nos Estados Unidos.

Em segundo lugar chegou a Unicamp, terminando a Faculdade de Engenharia de Sorocaba em terceiro. Participaram da competição no interior paulista 20 equipes, representando instituições de engenharia do Sul, Sudeste e Nordeste do país.

Agora a torcida é por um bom desempenho da FEI em 2012, pois o trabalho continua. E vamos acompanhando também por aqui.

Um novo calendário?

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

O professor Luis Filipe Chateaubriand debruçou-se em novas propostas para mudar o calendário brasileiro.

Mestre em administração pela FGV, Chateaubriand já havia escrito três obras sobre o tema entre 2000 e 2002. Agora lançou pela Publit Soluções Editoriais novo livro intitulado “Futebol Brasileiro: Um Novo Projeto de Calendário”.

O tratado serve, como o próprio autor reconhece, para corrigir grave erro que fez no anterior, em 2009, quando sugeriu um calendário sem levar em conta datas para jogos de seleções, reservando para elas apenas o período de férias dos clubes ou o mês da pré-temporada. Um erro gravíssimo, diga-se de passagem.

Chateaubriand admite que houve melhoras de 2000 para cá, especialmente com o Brasileiro de pontos corridos, e faz sugestões interessantes, como Estaduais, que despertam tão pouco interesse, muito mais enxutos, com apenas 13 datas para jogos.

Embora discorde de alguns de seus pontos de vista, como o da necessidade, que ele aponta, de adequarmos nosso calendário ao europeu _por que eles não podem, se tiverem interesse, ajustar o deles ao nosso?_, propõe temas que merecem discussões, como jogos do Brasileirão apenas aos finais de semana e partidas dos Estaduais restritas ao meio da semana. Também não confina a Copa do Brasil ou a Libertadores a um semestre só, esticando-os durante o ano.

Eu, particularmente, acho que isso tira um pouco ou um muito da graça de ambas as competições, de forma que sou contra, mas o debate está aí, lançado pelo professor, que acha que chegou a hora de mudarmos de rumo.

A pesquisa de Chateaubriand é densa. Ele sugere até a criação do Torneio da Integração Nacional, uma espécie de quarta divisão do Brasileiro mais longa, de forma a não permitir que clubes mais fracos fiquem muito tempo sem jogar.

Defende a volta da Copa do Nordeste, com os dez principais times da região disputando a competição e não os Estaduais, o acesso à Libertadores para os cinco e não os quatro melhores times do Brasileiro, a queda de cinco times e não quatro para a Série B e a subida de cinco e não de “apenas” quatro para a A, além da classificação apenas do sexto ao décimo colocado do Brasileirão para a Copa Sul-Americana.

Sou contra acesso e descenso de cinco times, prefiro quatro, como ocorre atualmente, mas acho legítimo impedir que quem fica na parte de baixo da tabela _não chega entre os dez primeiros do Brasileirão_ dispute a Sul-Americana.

Enfim, o assunto é polêmico, mas a obra vale ser lida justamente por isso. Porque faz a gente pensar. Em outras soluções para o calendário, inclusive. E porque o ser humano está sempre mudando de ideia. Eu já defendi campeonatos regionais, como a Copa Nordeste, por exemplo, hoje não defendo mais. Já fui favorável à extinção dos Estaduais, agora nem tanto, embora queira enxugá-los de qualquer maneira, como também quer Chateaubriand.

Mesmo a discussão sobre o número de jogos que um atleta deve disputar durante a semana eu defendia que fosse apenas um, na maioria das vezes. Mas não é que conversando com vários jogadores mudei de ideia? Pois vi que boa parte deles prefere duas partidas por semana. Porque se jogam apenas uma vez por semana têm de treinar mais e acham melhor para a própria carreira atuarem de verdade, disputando jogos para valer, do que passarem mais tempo treinando. E os jogadores têm de ser escutados, sim.

Até a adequação do nosso calendário europeu, que já defendi, não defendo mais. Temos que respeitar nossas características e jogar de fevereiro a novembro, não de agosto a junho, como na Europa ocidental. Porque as férias escolares aqui são maiores no final do ano, porque o clima é diferente do europeu e porque não podemos seguir a receita de bolo do Velho Continente. Temos de achar a nossa. Mas insisto que nada disso inviabiliza o trabalho árduo do professor, que merece ser lido. Concordemos ou não com ele. Boa semana a todos, João