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Arquivo de outubro de 2011

O racha no Atlético-PR

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Ameaçado pela degola no Brasileirão, o Atlético-PR parece ter rachado de vez e os principais jogadores estão assustados com possível reação da torcida.

Pensam até em ir à Justiça contra o ex-presidente Mário Celso Petraglia, que divulgou o salário de 21 atletas do elenco. A diretoria não confirma os valores revelados e, segundo a assessoria de Petraglia, que organiza a oposição para as eleições presidenciais de dezembro, ele quis apenas mostrar que enquanto alguns ganham muito, na casa dos três dígitos, outros recebem bem pouco.

Claro que quem ganha mais torna-se alvo fácil da torcida. O que Petraglia fez é um ato, no mínimo, irresponsável. Se a situação está em mãos incompetentes, a oposição não fica atrás.

Até por isso já se pensa numa terceira opção, com Ênio Fornea concorrendo à presidência do Conselho Deliberativo, em disputa contra o próprio Petraglia. A situação ainda não definiu um nome para a eleição.

Detalhe curioso: tanto Fornea quanto Petraglia eram ligados a Marcos Malucelli, o atual presidente. O primeiro foi seu vice e o segundo, o maior responsável por sua eleição.

Malucelli, que comanda o clube, é íntimo amigo de Vanderlei Luxemburgo. Foi o técnico do Flamengo, aliás, quem recomendou o nome de Antônio Lopes para dirigir o time de futebol. Mas os resultados não vieram com Lopes e a crise está aí.

Ceni x Leão

domingo, 30 de outubro de 2011

Emerson Leão quer novas vozes comandando o São Paulo dentro de campo, pois a de Rogério Ceni não é eterna.

Está certo. A insistência do goleiro em jogar mesmo contundido ou fora das condições ideias mais prejudica do que ajuda o São Paulo. Ajuda quem? O próprio Ceni, que passa para a torcida a imagem de que faz tudo pelo time, quando faz tudo por ele mesmo, não pelo Tricolor.

Com um técnico fraco como Adilson Batista, Ceni mandava e desmandava, poís é ídolo no Morumbi e um ótimo goleiro. Mas acho que jamais se colocou na pele de quem está no banco e sempre tive a impressão de que em primeiro lugar vinha sua própria imagem, em segundo, terceiro e quarto, idem. Só em quinto aparecia o São Paulo.

O problema é que Leão também é assim. Quer jogar para a torcida, por isso começou a falar grosso no Morumbi. Jogar a responsabilidade nos jogadores é fácil, quando ela cabe em parte a eles, mas não só. A diretoria tem grande parcela de culpa pelo que está ocorrendo _a principal, diria eu.

Achei desrespeitoso quando o técnico disse publicamente desconhecer o tom de voz de Cícero, insinuando que o jogador não se impõe dentro do gramado. Da mesma forma que Rogério Ceni não se coloca no lugar de Denis, o reserva para o gol, e nunca se colocou na pele de Bosco, que já deixou o Morumbi, para Leão pouco importa o que pensam ou sentem os outros. Sua preocupação é com o próprio umbigo. Nos campos de futebol sempre foi.

A Lusa, o circo e a vida

sábado, 29 de outubro de 2011

O que A tem  a ver com B? Nem eu sei. Mas hoje queria lembrar da Lusa, que tem jogado um futebol que há muito tempo mesmo não via e de um filme a que assisti ontem à noite, dirigido por Selton Mello, ator de grande sensibilidade. E bota sensibilidade nisso.

O time do Canindé comemorou o titulo da Série B ao vencer a Ponte, 2 a 1 em casa. Abriu 13 pontos de vantagem sobre a equipe de Campinhas e faltando cinco jogos para cada um deles até o final, o título não escapa mais da Portuguesa. Só se acontecer uma catástrofe, o que duvido. Ainda mais do jeito que a Lusa tem jogado.

As várias correntes políticas deram uma trégua no Canindé e o técnico Jorginho conseguiu fazer seu trabalho em paz. Segundo a diretoria, ganhará aumento e continuará dirigindo o time em 2012, agora na Série A, pois o acesso está confirmado. Acho bom.

No início da madrugada, quando voltava a pé pra casa, vi um torcedor solitário da Portuguesa exibindo todo orgulhos a faixa de campeão e fiquei olhando, olhando, olhando…

Voltava de “O Palhaço”, filme de Selton Mello, em que ele próprio é o protagonista ao lado do veterano e talentosíssimo Paulo José. Não gostei tanto como de “Feliz Natal”, o primeiro longa de Selton como diretor. Mas há cenas marcantes. Principalmente as do ator, que fazia o papel de um palhaço em crise existencial.

Sua expressão era incrível. Passava a tristeza e todo o vasto mundo interior do personagem, angústias, dores, aflições, desesperança, tudo tão claramente… E ó que o nome do circo era Esperança…

A figura do palhaço em si sempre mexeu comigo. Tem de fazer os outros rirem, mas ele próprio ri de quê? Pensava nisso desde pequeno…

Recomendo o filme pela atuação memorável de Selton Mello. E confesso que me assustei quando vi Moacyr Franco, 75 anos, fazendo o papel de delgado, ele próprio todo desfigurado pelo tempo. Como o tempo passa, como o tempo passa. Mas o importante é o que fazemos com ele. Sim, o importante é o que fazemos com ele…

Um ótimo final de semana a todos, João

Agressão contra Valdívia

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

O que fizeram contra Valdívia é um atentado, uma agressão moral que só retrata a podridão de nossa sociedade.

O chileno teria sido fotografado beijando uma moça que não era sua mulher e a foto apareceu em mais de um veículo de comunicação.

Gerou críticas ao palmeirense e uma discussão sobre se chegou a ser vítima de extorsão por parte do fotógrafo, além de possível participação do atleta em baladas, quando o foco deveria ser um só: a invasão de privacidade e o atentado sofrido pelo jogador. Ele foi vítima de agressão moral muito grave quando passam a confundir sua vida pessoal com a profissional.

Se a foto vai atrapalhar o casamento de Valdívia não sei, é possível, mas quem ganha com isso? O fotógrafo pelo suposto flagra? Suposto, pois nem tenho certeza da autenticidade do material. Verdadeiro ou não, o problema é pessoal, deveria ser tratado na esfera privada, jamais na pública.

Sensacionalismo barato que estimula torcedores a pegar no pé de jogadores, a segui-los, a vigiar o que fazem fora do campo, a agredi-los. Uma violência.

Por mais irritado que possa ter ficado com a situação, o melhor que Valdívia poderia fazer a si próprio é se mostrar acima de tudo isso. Sua arma deveria ser o desprezo, embora entenda que isso nem sempre seja possível. A agressão não foi pequena, não. E violência gera violência. De todos os lados.

Triste episódio, tão triste quanto a chegada de Aldo Rebelo ao comando da pasta de Esporte. Mas disso não quero tratar. Hoje não. É algo que me enoja, como me enoja o que fizeram com Valdívia. E um enjoo por dia é mais do que suficiente…

As ONGs e o PCdoB

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Não é que mais de 300 milhões de reais foram destinados a organizações não-governamentais pelo Ministério do Esporte desde que o Programa Segundo Tempo começou lá em 2004?

A cifra é muito significativa. Representa mais de 40% dos recursos aplicados pelo Ministério do Esporte para beneficiar a população brasileira desde então. Beneficiar… a população brasileira?

E o PCdoB, partido que domina a pasta desde o início do governo Lula segue falando como se ela fosse dele. Propriedade do partido. Seu feudo. Território. Ganha-pão?

CBF prefere Rebelo

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

A cúpula da CBF _leia-se Ricardo Teixeira_ prefere o deputado Aldo Rebelo a Luciana Santos, ex-prefeita de Olinda, como novo ministro do Esporte, caso se confirme a saída de Orlando Silva.

O nome de Luciana Santos já havia sido divulgado pela Fifa, como possível nova interlocutora da entidade para assuntos da Copa, mas a confederação tem mais trânsito com Rebelo.

Aldo Rebelo foi um dos integrantes da CPI que investigou o futebol brasileiro e o contrato CBF/Nike na Câmara, era forte opositor de Teixeira, mas hoje os dois se dão muitíssimo bem, obrigado. Os tempos mudam e a vida segue… Mal na Esplanada dos Ministérios, com a queda de um ministro após o outro, mas segue.

O Sonho da Copa

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Quem pensa que o assunto hoje é a Copa de 2014, sonho que está se transformando em pesadelo, está enganado. É a Copa de 1930, a primeira de todas, no Uruguai.

Primeiro filme do ator sérvio Dragan Bjelogrlic como diretor, “Montevidéu _O Sonho da Copa” conta a história de 12 moradores de bairros populares de Belgrado que lutam para montar uma seleção e disputar o Mundial na América do Sul e está na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo que vai até dia 3.

Apesar de muito longo _tem 2hs20min de duração_, a obra tem cenas tocantes e mostra como das tremendas dificuldades enfrentadas pelo grupo surge uma forte amizade entre seus integrantes, elo que pode ser levado para a vida toda.

O futebol é o elemento aglutinador deste filme de ficção produzido pela Cobra Filmes, produtora de Dragan e seu irmão Goran.

E fica aqui minha lembrança de que tanto quanto a música o esporte pode ser um instrumento para levar as pessoas ao cinema e a conhecer outras formas de expressão artística.

Como a música, o esporte é elemento capaz de aglutinar e deve ser usado para inserir o indíviduo na sociedade. Mas não como tem feito o Ministério do Esporte com seu Programa Segundo Tempo, pois aquilo é para as páginas policiais e hoje nosso assunto é outro. É arte.

Fifa “demite” dois ministros

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Emissários da Fifa no Brasil avisaram a cúpula da entidade que o governo brasileiro, atolado em denúncias de corrupção, deve perder dois ministros. Além de Orlando Silva, do Esporte, descartado por Jérôme Valcke como interlocutor para assuntos da Copa, a aposta é que Mário Negromonte não dure muito em Cidades.

Com isso duas pastas importantes para os interesses do Mundial devem ter, imagina a Fifa, novos ministros no próximo mês, quando o presidente Joseph Blatter e o próprio Valcke, seu secretário-geral, são esperados no Brasil para tratar da Lei Geral da Copa.

O Ministério das Cidades é responsável, junto com governos estaduais e municipais, pela questão da mobilidade urbana nas 12 cidades-sede da Copa. Negromonte, do PP, não conta com apoio de boa parte de sua bancada, um péssimo sinal para ele.

Na Cultura, apesar de boatos sobre possível saída da ministra Ana de Hollanda, a Fifa aposta em sua permanência. Membros da entidade devem se reunir com ela em novembro para discutir uma série de ações culturais durante a Copa, boa parte delas nas fun fests, de onde o brasileiro sem ingresso poderá ver o evento.

 Já Orlando Silva, cujo ministério afunda na lama, deve ter investigados 179 dos 232 convênios ainda em vigência do Programa Segundo Tempo, um antro de corrupção. Eles foram firmados com ONGs, universidades federais, governos municipais e estaduais e a pasta usada para ajudar os companheiros de partido de Orlando, o “comunista” PCdoB.

Homenagem a Agnelo

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Tem gente que diz que recordar é viver. Pelo sim, pelo não, vale lembrar homenagem que o Comitê Olímpico Brasileiro fez quando Agnelo Queiroz ganhou força no esporte, assumindo a pasta no governo Lula.

A lei que dá verba das loterias para o COB distribuir entre as diferentes confederações, conhecida por Lei Piva, passou a se chamar Agnelo/Piva, uma maneira de bajular o então ministro, hoje governador do Distrito Federal.

A maioria dos órgãos de comunicação seguiu a orientação do COB sobre o nome da lei. A “Folha” não e até hoje a chama de Lei Piva. Se o comitê queria agraciar o político, problema dele. Não era a intenção da “Folha”, por exemplo.

Deixando de lado as denúncias que pesam contra Agnelo e Orlando Silva, que o sucedeu no ministério, cabe à Justiça investigá-las, considero os dois no mínimo incompetentes.

Revoltante ver um programa, conhecido como Segundo Tempo, cujo objetivo seria o de ajudar a inserir na sociedade jovens carentes por intermédio do esporte, transformar-se nesse monstro, com recursos indo a ONGs de fachada, desviados aqui e acolá, sem controle nenhum. Como têm dito alguns, se tudo isso aconteceu no segundo tempo imagine o que não foi feito no primeiro…

Boa semana a todos, apesar dos pesares, João

Ponto de vista

domingo, 23 de outubro de 2011

Sensação estranha ver documentário que realizei com três grandes amigos na telona. Cada espectador com uma visão. Uma cena, tantas percepções…

Continuo com minhas impressões. Imagens belíssimas, trilha sonora, idem, conteúdo controverso, boa parte do qual não reflete o que penso. Mas a viagem pessoal durante a produção de “Sobre Futebol e Barreiras” foi incrível. O exercício de tentar olhar o outro lado. De caminhar do micro para o macro e vice-versa.

Fico com uma imagem que representa o que penso, eu que defendo Israel _bem diferente de defender os políticos locais_ e adoro o Estado judeu. A do soldado israelense que joga bola com um garoto palestino. Cena que os árabes não queriam ver gravada e foi feita às escondidas. Pois há soldados e soldados, como há palestinos e palestinos, judeus e judeus, cristãos e cristãos, agnósticos e agnósticos, ateus e ateus.

Fico ainda com a frase de Yasser, palestino que mora em Israel. Quando diz que 80% do que chama de ”resistência à ocupação” é pacífica deixa claro que 20% não é.

Se 20% é marcada pela violência é porque a “resistência” palestina está no caminho errado.

Se os judeus têm de ceder e olhar com mais ternura para os palestinos, a recíproca é verdadeira, o que não tem acontecido. A via é de mão dupla, sempre de mão dupla.

Ótimo domingo a todos, João