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Temporada 2013/2014 traz a revolução analítica na NBA

por Lucas Pastore em 29.out.2013 às 16:16h

Os fãs de esportes americanos certamente já assistiram ao filme Moneyball (ou O Homem que Mudou o Jogo, em português), que mostra como o General Manager Billy Beane, interpretado por Brad Pitt, usou uma abordagem estatística para montar o elenco do Oakland Athletics para a temporada 2002 e deixou como legado uma verdadeira revolução analítica na Major League Baseball. Agora, chegou a hora dos amantes da NBA passarem por algo semelhante. Isso porque o início da temporada 2013/2014 deve marcar o boom na análise de dados e em sua aplicação nas quadras da liga profissional americana de basquete.

Rockets de Howard tem abordagem analítica (Foto: AFP)

Rockets de Howard tem abordagem analítica (Foto: AFP)

A temporada regular tem início na noite desta terça-feira. Às 22h, o Indiana Pacers recebe o Orlando Magic no primeiro jogo do campeonato. Às 23h, o Miami Heat, atual campeão, recebe o Chicago Bulls no principal jogo da rodada, que será transmitido pelo canal Space para o Brasil. Mais tarde, às 0h30, já no início da madrugada de quarta-feira, Los Angeles Lakers e Los Angeles Clippers fazem o clássico da cidade. Nas três partidas, já deve funcionar uma das novidades mais relevantes dos últimos tempos para os fãs de análise de dados no esporte.

A NBA resolveu investir nas câmeras da SportsVU, tecnologia de propriedade da empresa STATS, e instalá-las em todos os ginásios da liga a partir desta temporada. Os aparatos são capazes de gravar 25 frames por segundo, acompanhando a movimentação dos atletas e transformando os dados em algoritmos. A aplicação destes dados pode ser usada para as franquias para trabalharem melhor o posicionamento dos jogadores em quadra.

Até a última temporada, 15 franquias utilizavam de sua tecnologia, pagando pelas câmeras de seu próprio bolso. Uma delas foi o Toronto Raptors, que divulgou com exclusividade para o site Grantland um lance da temporada anterior que terminou em uma cesta de três pontos de Jason Kidd, do New York Knicks, contra a equipe canadense:

As bolinhas azuis são os jogadores do Knicks. As brancas, os do Raptors. E as opacas são aonde os jogadores do Raptors deveriam estar. Como assim? A câmera leva em conta as características do time e dos atletas que estão atacando e, por meio de seus algoritmos, calcula o modo ideal para marcá-los. Prato cheio para quem souber aplicar em quadra.

Para quem quiser saber mais sobre o aparato, o blog Bola Presa tem um excelente post explicando o impacto da tecnologia, que pode até mesmo causar polêmica em épocas de renovações de contrato.

A verdade é que o preconceito contra a numeralha já acabou há um tempo na NBA. Prova disso é o Houston Rockets. O elenco do General Manager Daryl Morey, de abordagem mais analítica, foi construído para evitar o arremesso de média distância, finalizando apenas no aro ou para três pontos. Porque? Porque este é o pior tipo de jogada estatisticamente falando, porque não é tão fácil quanto uma bandeja ou enterrada e nem vale tanto quanto o tiro de longa distância.

O resultado foi o melhor possível. De acordo com post de John Schuhmann no site oficial da NBA, o Rockets foi o time que menos arremessou de média distância ao longo da temporada 2012/2013. Some-se a isso a chegada do pivô Dwight Howard e o time aparece como um dos candidatos a desbancar o atual bicampeão Miami Heat, que tem como técnico Erik Spoelstra, outro “nerd” de abordagem analítica.

Mais tecnologias desse tipo estão por vir. Na Liga de Verão, o San Antonio Spurs foi o primeiro time da NBA a testar o OptimEye, aparato capaz de transmitir informações em tempo real sobre a condição física dos atletas, detectando sinais de cansaço e risco de lesões. Por isso, não é exagero dizer que, em breve, os programadores serão parte tão importante de uma comissão técnica como qualquer outro profissional ligado, de fato, ao esporte. A revolução analítica já começou!

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