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Prévia tática de Pinheiros x Halcones Xalapa

quinta-feira, 20 de março de 2014

Nesta sexta-feira, no Maracanãzinho, a partir das 19h, o Pinheiros vai enfrentar o Halcones Xalapa, do México, no primeiro jogo das semifinais da Liga das Américas. Pela frente, a equipe paulista, atual campeã do torneio, terá um dos piores ataques do campeonato. Não, você não leu errado! Um dos PIORES ataques do campeonato.

Trabalho de Morro (à esquerda) nos rebotes será fundamental (foto: Marcello Zambrana/Inovafoto)

Na atual edição da Liga das Américas, o Halcones faz 71,17 pontos por jogo. É a marca mais baixa entre as oito equipes que superaram a primeira fase e disputaram ao menos seis partidas na competição. Neste recorte, o time mexicano tem também o pior aproveitamento nos arremessos de quadra (40,6%) e o segundo pior nas bolas de três pontos (30,8%).

E isso não é porque trata-se de um time com ritmo lento no ataque. O Halcones marca 100,9 pontos a cada 100 posses de bola que tem no ataque, pior produção entre os quatro que chegaram às semifinais. Além disso, os mexicanos cobram somente 20,50 lances livres por partida, terceira pior marca entre as oito equipes que disputaram seis jogos na Liga das Américas.

Como base de comparação, o Pinheiros marca 88,50 pontos por jogo – segunda melhor marca entre as oito equipes que disputaram seis jogos -, ou 116,0 a cada 100 posses de bola – segundo melhor índice dos quatro semifinalistas. Converte 45,2% dos tiros de quadra e expressivos 40,3% das bolas de três pontos, tendo o melhor aproveitamento da Liga das Américas no fundamento. Além disso, o time paulista cobra 24,83 lances livres por jogo. Deu para sentir a diferença?

Porém, com um ataque tão pouco eficiente, como o Halcones pode ter chegado tão longe na Liga das Américas? A resposta é simples: rebotes. A coleta de ressaltos é fundamental para o sucesso de um time de basquete, já que impede que o adversário tenha segundas chances de pontuar e, do outro lado, lhe fornece uma nova oportunidade para colocar a bola na cesta.

Nesta edição, a equipe mexicana pega 40 rebotes por jogo, melhor marca de todo o campeonato. 53,10% das bolas disponíveis após ressaltos ficam nas mãos de jogadores do Halcones. E, acredite ou não, isso pode ser uma arma importante para compensar a falta de pontaria.

Na tábua ofensiva, o adversário do clube de São Paulo coleta 11,5 rebotes por jogo, melhor marca dos oito times que disputaram seis partidas ao lado do Aguada. Os jogadores do Halcones aproveitam 31,08% das oportunidades de coleta de ressaltos no ataque. Perigoso!

Lidar com isso provavelmente vai exigir adaptações do Pinheiros. Principalmente porque a equipe pega, nesta edição da Liga das Américas, apenas 32,17 rebotes por jogo, terceira pior marca entre as oito equipes que disputaram seis jogos. Apenas 50% dos ressaltos disponíveis ficam nas mãos de jogadores do time, índice mais baixo entre os semifinalistas.

Por isso, durante a partida, o Pinheiros pode, por exemplo, abrir mão dos rebotes de ataque. A equipe pega apenas 9,17 por jogo, pior marca entre as oito equipes que disputaram seis jogos, ou 20,95% dos disponíveis, pior índice do quadrangular.

Assim, logo que um arremesso partir das mãos de um de seus jogadores, o Pinheiros pode voltar para a defesa e se montar o mais rapidamente possível para evitar um contra-golpe do Halcones, que tem dificuldades para pontuar em meia-quadra.

Na defesa, o Pinheiros pode afrouxar um pouco a marcação no perímetro. Os jogadores podem dar um “passinho para trás” na defesa para ficarem o mais perto possível do rebote após o arremesso. Além disso, uma marcação 2-3, com o garrafão bem fechado, também é uma alternativa. O espaço para as bolas de 3 aberto com essas estratégias não deve ser um problema contra uma equipe que não explora bem o fundamento.

Defesa 2-3 com garrafão fechado é uma boa opção; Tavernari é melhor reboteiro que Shamell (Foto: Reprodução/TacticalPad)

Defesa 2-3 com garrafão fechado é uma boa opção; Tavernari é melhor reboteiro que Shamell (Foto: Reprodução/TacticalPad)

Tavernari conta como é a relação dos jogadores com os números

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

O universo estatístico tem recebido atenção cada vez maior na NBA. Nomes como Erik Spoelstra, treinador do Miami Heat, e Daryl Morey, gerente geral do Houston Rockets, têm formação voltada para o mundo dos números. A era analítica parece estar cada vez mais próxima da liga profissional americana de basquete. Mas como os jogadores reagem a isso?

Aqui no Brasil, existem jogadores que também têm simpatia pelas estatísticas. Um deles é Jonathan Tavernari, ala do Pinheiros. Até aqui, na temporada do NBB, o jogador tem médias de 7,1 pontos, acertando 35,9% dos arremessos de três pontos que faz, e 5,3 rebotes em 20,8 minutos por partida. Além disso, com ele em quadra, a equipe paulista sofre 110,2 pontos a cada 100 posses de bola do adversário, melhor índice entre todos os jogadores de perímetro do elenco.

Tavernari (À esquerda) se destaca pela defesa de perímetro (Foto: Wander Roberto/Inovafoto)

Tavernari (À esquerda) se destaca pela defesa de perímetro (Foto: Wander Roberto/Inovafoto)

Tavernari, que teve uma formação “americana” no basquete, já que atuou no basquete universitário dos Estados Unidos, mostra estar atento aos seus números. Além disso, após passagem pela Itália, ele também é capaz de identificar diferenças nas culturas estatísticas dos diferentes países.

E MAIS: Estatístico que veio ao Brasil mistura fé e números na NBA

Além disso, ele mostra como um jogador reage ao ver suas médias. Confira a seguir, na entrevista exclusiva concedida pelo ala ao blog:

LANCE!Net: Para você, formado em uma escola americana de basquete, como é a visão das estatísticas? Você acha que é algo importante, relevante, ou considera algo chato para um jogador se preocupar?

Tavernari: Eu pessoalmente acho os números muito importantes. Nos Estados Unidos, tem um ditado que diz “Homens mentem. Mulheres mentem. Mas os números não mentem”. Em 90% dos jogos, se não mais, tem como ver a retrospectiva do duelo nos números: erros, assistências, percentual de acertos e erros, rebotes… tudo isso conta a história do jogo. Eu acho super importante. Para mim, erros, assistências, rebotes e percentual de arremessos são fundamentais para saber o rendimento da nossa equipe.

LANCE!Net: Como eram os departamentos estatísticos de seus times na Universidade, na Europa e aqui no Brasil? Você poderia descrever o dia a dia deles e o contato com os jogadores? Os números são passados coletivamente ou individualmente?

Tavernari: Na verdade, as equipes têm quem faz um relatório mais simples, com faltas de ambos os times, às vezes rebotes de ataque do adversário, erros, quais jogadas dão certo… Como tem a estatística da liga, não é preciso tanta precisão em todos os aspectos. No colegial, quase não tinha números oficiais. Na universidade, pelo menos no meu time, só o técnico e o primeiro assistente não marcavam alguma coisa. O segundo e o terceiro assistentes e o coordenador de vídeo marcavam tudo possível e imaginável. Na Itália, tinha um cara cuja função era os números. Então, ele se preocupava com faltas, rebotes de ataque, erros e jogadas efetivas, e o assistente e o técnico ficavam no jogo. Dependendo da situação, se é uma situação de falta de atenção coletiva, todos ouvem os números. Porém, se é um problema individual, aí o técnico chama mais para o lado e conversa.

LANCE!Net: Quais são as estatísticas que você mais se preocupa, individualmente? Imagino que o aproveitamento nos arremessos de três seja fundamental para você.

Tavernari: Isso é verdade. Minha força maior ofensivamente é meu arremesso, então sei que minha efetividade é importante para o time. Mas é nos rebotes que eu mais vejo meus números. Para o nosso time manter o alto nível, eu sei que tenho que ajudar no rebote, e durante uma partida, se eu não estou indo bem nos chutes de 3, indo ao rebote me ajuda a achar meu ritmo.

LANCE!Net: Você costuma analisar suas estatísticas individuais entre as partidas? E durante as partidas, quando está no banco ou no intervalo? E as dos adversários?

Tavernari: Durante o jogo é difícil eu perguntar algo individual. Quando tem alguma coisa negativa, o assistente fala para a gente: rebote ofensivo do adversário, erros, falta de aproveitamento… Durante o intervalo é que o técnico menciona mais nossas qualidades ou defeitos no jogo até ali.

LANCE!Net: Na NBA, treinadores e dirigentes de culturas estatísticas, como o Erik Spoelstra, do Miami Heat, e o Daryl Morey, do Houston Rockets, estão cada vez mais tomando conta da liga. Qual sua visão sobre o tema? Você acha benéfico para o basquete?

Tavernari: Como disse, números contam a história de mais ou menos 90% dos jogos. Por isso, são uma peça importante do esporte. Você citou o Miami Heat; veja só como está o rendimento deles desde a chegada do Spoelstra. Três finais de NBA seguidas e dois títulos. Veja o San Antonio Spurs: a análise deles vai além do desempenho. Minutos jogados, tempo descansado.. Hoje em dia tem como medir e mensurar tudo numericamente. E qualquer vantagem existente para ter um melhor rendimento deve ser usado.

No Suns, Leandrinho tem boa chance para se firmar na NBA

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Foi com a camisa do Phoenix Suns que Leandrinho viveu sua melhor fase na NBA. Foi com a camisa do Phoenix Suns que o ala-armador foi eleito o melhor sexto homem da liga profissional americana, em 2007. Foi com a camisa do Phoenix Suns que o brasileiro ganhou o apelido de “The Blur”, algo como “O Borrã””, pela velocidade com que infiltrava para romper as defesas adversárias. E será com a camisa do Phoenix Suns que o veremos em breve. Após contusão no joelho esquerdo e breve passagem pelo Pinheiros, o jogador precisa apenas ser aprovado nos exames médicos para ser confirmado como reforço da franquia do Arizona.

Na NBA, como o apelido que ganhou sugere, Leandrinho ganhou espaço saindo do banco de reservas para imprimir velocidade. Por isso, ele deve se sentir em casa no Suns. Não só por sua história na franquia, que defendeu entre 2003 e 2010, mas pelo estilo de jogo do time nesta temporada. A equipe tem média de 98,06 posses de bola a cada 48 minutos até aqui, a sétima mais rápida de toda a liga.

LEIA MAIS: Leandrinho confirma o retorno ao Phoenix Suns

Leandrinho tem história no Suns (Foto: AFP)

Leandrinho tem história no Suns (Foto: AFP)

Sétimo colocado na Conferência Oeste e em posição confortável na briga por uma vaga nos playoffs, o Suns talvez seja a mais grata surpresa da temporada 2013/2014. A equipe concentra seu jogo de perímetro na armação dupla de Goran Dragic, com médias de 18,8 pontos e 5,9 assistências em 34,8 minutos por partida, e Eric Bledsoe, com 18 pontos, 5,8 assistências e 4,3 rebotes em 33,5 minutos por exibição. O esloveno toca na bola em 23,7% das posses de bola do time enquanto está em quadra, contra 24,2% do americano, apelidado de “mini LeBron James”. São as duas maiores taxas de todo o elenco.

A função ideal para Leandrinho no elenco seria atuar como reserva dos dois. O brasileiro quebraria um pouco a característica de dupla armação do time titular e atuaria como um pontuador, usando sua velocidade para infiltrar com a bola e, sem ela, aproveitando-se da criatividade de Dragic e Bledsoe para cortar em direção à cesta.

Porém, o Suns já tem alguém cumprindo o papel muito bem: Gerald Green, que tem médias de 13,4 pontos e 2,8 rebotes em 26,9 minutos por exibição na temporada.

Em seus próximos jogos, porém, o Suns não deve contar com Bledsoe, afastado por conta de uma contusão no joelho direito. Provavelmente foi por isso que Leandrinho recebeu a oportunidade – a princípio, com um contrato de apenas dez dias. Green deve passar a atuar como ala-armador titular, abrindo minutos relevantes no banco de reservas.

Com isso, os principais “adversários” de Leandrinho vindos do banco de reservas são os armadores Archie Goodwin (31 jogos; 3,4 pontos e 1,7 rebotes em 11 minutos por partida) e Ish Smith (20 jogos; três pontos e 2,2 assistências em 11,4 minutos por partida) e o ala Dionte Christmas (19 jogos; 2,3 pontos e um rebote em 6,8 minutos por partida). Nada que assuste um jogador com a bagagem do brasileiro.

Além disso, há um aspecto no jogo de Leandrinho que mudou consideravelmente em relação à sua primeira aventura no Suns: a defesa. Após passagens, principalmente, por Indiana Pacers e Boston Celtics, o ala-armador melhorou muito a marcação homem a homem e, por isso, pode levar vantagem em um elenco sem grandes especialistas no combate no perímetro.

Nesta temporada, com Leandrinho em quadra, o Pinheiros sofreu 113,4 pontos a cada 100 posses de bola. É a quinta melhor marca entre os 19 jogadores que atuaram pelo time no NBB e a terceira entre os jogadores de perímetro, atrás apenas de Shamell (113,1) e Tavernari (110,2). Nada mal para quem tinha a marcação como uma de suas maiores deficiências no início da carreira.

Com velocidade e defesa, Leandrinho terá dez dias para mostrar serviço pelo Suns. Neste período, a equipe enfrenta Chicago Bulls, Minnesota Timberwolves, Memphis Grizzlies, Detroit Pistons, New York Knicks e Los Angeles Lakers. Bledsoe deve voltar à ação na quarta partida. Antes disso, o brasileiro terá três boas oportunidades para mostrar serviço, contra três times fortes. Será que ele vinga?

Leandrinho chega pronto para causar impacto no Pinheiros

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Leandrinho foi confirmado como reforço do Pinheiros para a disputa do NBB 6. Com a chegada do ala-armador, de 30 anos de idade e com experiência de dez temporadas de NBA nas costas, o atual campeão da Liga das Américas qualifica ainda mais o seu elenco e entra de vez na lista de favoritos ao título da competição nacional. Mas como será que o técnico Cláudio Mortari vai encaixar o astro na rotação de seu time, que já conta com muito talento nas alas?

Leandrinho já defendeu as cores do Flamengo em seis jogos (Foto: Arquivo LANCE!)

Leandrinho já defendeu as cores do Flamengo em seis jogos do NBB (Foto: Arquivo LANCE!)

Principalmente por conta de sua passagem pela NBA, Leandrinho ficou conhecido como um pontuador que alcança o ápice de sua eficiência quando usa e abusa da velocidade e das infiltrações para atacar a cesta. Durante o locaute da liga americana, em 2011, o ala-armador disputou seis jogos do NBB pelo Flamengo e, com média de 19 pontos – apesar de dividir o ataque com atletas como Marcelinho Machado, David Jackson, Caio Torres e Federico Kammerichs – quatro assistências e três rebotes em 33 minutos por exibição, mostrou o seu talento ofensivo.

Naquelas seis partidas, Leandrinho acertou 58,6% de seus arremessos de quadra. A marca pode ser considerada positiva. Entre os jogadores que jogaram regularmente pelo Flamengo naquela temporada, só os alas-pivôs Guilherme Teichmann, com 63,4%, e Wagner, com 61,3%, foram melhor. Isso porque os homens de garrafão só tentaram bolas de dentro do perímetro, enquanto o ala-armador lançou 3,67 tiros de três pontos por jogo.

Para colocar todo seu potencial pontuador para fora, Leandrinho costumava ser escalado ao lado de um armador de ofício na posição, como Hélio, que apresentou média de 3,84 assistências a cada 40 minutos naquela temporada, ou Fred, com 3,25.

Porém, em alguns momentos, o ala-armador costumava ser improvisado na posição 1, com David Jackson e Marcelinho Machado nas alas, e mesmo assim se destacou, superando os especialistas e apresentando média de 4,85 assistências a cada 40 minutos.

Por isso, tendo a acreditar que Mortari vá experimentar usar Leandrinho como o armador de seu time. Isso porque o Pinheiros já usa Paulinho na posição, um jogador mais agressivo do que passador – teve média de 5,74 assistências a cada 40 minutos ao longo da última temporada, pouco mais do que o ex-NBA teve, mesmo jogando a maioria de seus minutos nas alas.

Além disso, Mortari conta com uma rotação de talento nas posições 2 e 3. No jogo contra o Bauru, na estreia dos titulares do Pinheiros no NBB, Shammell anotou 24 pontos, cinco assistências e três rebotes, contra 23 pontos e oito assistências de Joe Smith. Jonathan Tavernari foi mais discreto ofensivamente e anotou apenas seis pontos, mas compensou com 13 rebotes.

Com Leandrinho como principal condutor de bola do time, Mortari pode basear seu ataque no potencial de infiltração do astro – preferencialmente ajudado pelo corta-luz de um pivô. Assim, o ala-armador pode optar por atacar a cesta, por acionar o jogador de garrafão que o auxiliou se movimentando em direção ao aro ou acionar atletas como Joe Smith, Shamell, Tavernari e Rafael Mineiro, que podem estar prontos para um tiro de três pontos ou cortando para o interior da área pintada.

Além disso, na defesa, Leandrinho tem tudo para ser um dos melhores marcadores de perímetro do NBB. O jogador evoluiu demais ao longo de suas dez temporadas na NBA no fundamento e já mostrou o impacto que pode causar no Brasil. Com ele em quadra, o Flamengo sofreu 105,7 pontos a cada 100 posses na temporada 2011/2012. Entre os jogadores que atuaram regularmente no clube naquele campeonato, só o pivô Átila Santos, com 105,0, teve marca melhor.

Por isso, acredito que, a princípio, o maior impacto que Leandrinho causará será na defesa, provavelmente encarregado de marcar o melhor jogador de perímetro do adversário. Enquanto isso, no ataque, o jogador terá de superar a “ferrugem”, já que não joga desde o dia 11 de fevereiro, quando se machucou, e se readaptar à função de armador antes de deslanchar pela equipe paulista.