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Draft de 2015 da NBA tem pivôs como atração

por Lucas Pastore em 24.jun.2015 às 13:33h

Se no ano passado o ala Andrew Wiggins era o prospecto mais badalado, o Draft de 2015 da NBA, que acontece nesta quinta-feira, às 20h (de Brasília), no Barclays Center, ginásio do Brooklyn Nets, terá como atrações dois jogadores de garrafão. Os pivôs Jahlil Okafor e Karl-Anthony Towns aparecem como candidatos a novas estrelas da liga profissional americana de basquete.

Okafor já é considerado por alguns olheiros o pivô ofensivamente mais talentoso formado pelos Estados Unidos nos últimos tempos. Com refinado arsenal de costas para a cesta, o jovem de 19 anos de idade já desperta comparações com Al Jefferson e Brook Lopez, dois dos jogadores com mais recursos para pontuar desta forma na NBA. Na última temporada, sua primeira no basquete universitário americano, apresentou médias de 17,3 pontos e 8,5 rebotes em 30,1 minutos por exibição pelo Duke Blue Devils.

Towns, por sua vez, chama a atenção por seu potencial. Apesar de não ser tão refinado quanto Okafor, o pivô se destaca por exibir a rara combinação de perícia na proteção do aro na defesa e precisão nos arremessos de média e longa distância no ataque. Com isso, seu estilo desperta comparações das mais variadas: do coadjuvante Andrew Bogut campeão da NBA neste ano à lenda Vlade Divac. Assim como o outro badalado prospecto, também tem 19 anos de idade e acaba de completar sua primeira temporada no basquete universitário americano, na qual apresentou médias de 10,3 pontos, 6,7 rebotes e 2,3 tocos em 21,1 minutos por exibição pelo Kentucky Wildcats.

Nascido em Nova Jersey e com cidadania da República Dominicana, Towns já defende a seleção adulta do país centro-americano desde 2012 e deve cruzar o caminho Brasil em campeonatos continentais em breve.

Quem sai antes? Já circulam nos Estados Unidos rumores de que o Minnesota Timberwolves, dono da primeira escolha, teria informado Towns que irá selecioná-lo. Sem pressa para ganhar imediatamente, a equipe está cheia de jovens talentosos – incluindo Anthony Bennett e Andrew Wiggins, primeiras escolhas dos dois últimos Drafts – e não tem pressa para esperar seu desenvolvimento. Quem pode se dar bem com isso é o Los Angeles Lakers, que pode acabar com o já refinado Okafor nas mãos para ajudar Kobe Bryant a alcançar resultados dignos em sua provável última temporada como profissional.

Vale lembrar que o Draft terá acompanhamento em tempo real no site do LANCE!, a partir das 20h, com a presença de quatro comentaristas convidados. Não perca!

Você aceitaria seu time do NBB virando um laboratório da NBA?

por Lucas Pastore em 21.jun.2015 às 14:22h

As regras da NBA permitem que cada franquia tenha apenas 15 jogadores no plantel, sendo que é possível relacionar somente 13 para os jogos. Além disso, a cada temporada, 60 novos atletas ingressam na liga profissional americana via Draft – salvo trocas, dois para cada equipe. Para ajudar a combater possíveis inchaços, existe o stash, prática em que um time seleciona um prospecto no recrutamento de calouros e mantém os direitos sobre ele, mas o deixa jogando em outro país – geralmente na Europa – para se desenvolver enquanto aguarda uma chance nos Estados Unidos.

O armador brasileiro Raulzinho é um exemplo da prática. Foi selecionado pelo Atlanta Hawks na 47ª escolha do Draft de 2013 e, em seguida, teve seus direitos trocados para o Utah Jazz. Desde então, vem atuando na Espanha – jogou pelo Gipuzkoa Basket na temporada 2013/2014 e pelo UCAM Murcia na temporada 2014/2015 – à espera de uma chance da NBA.

Porém, como a maioria dos jogadores stashados é de origem européia, é natural que as franquias da NBA os enviem para clubes do Velho Continente de olho em sua evolução. Por isso, eu pergunto: você aceitaria que seu time de coração do NBB se tornasse um laboratório de desenvolvimento para prospectos da liga profissional americana?

Hoje, pelo que pesquisei, existem somente três jogadores sul-americanos stashados. Raulzinho já jogava na Europa quando draftado e, por isso, é normal que siga seu plano de desenvolvimento no continente. Os outros dois não parecem mais estar nos planos da NBA: o ala-pivô argentino Federico Kammericks, que atuou pelo Unión de Goya na última temporada, tem seus direitos ligados ao Portland TrailBlazers, mas já tem 35 anos de idade. E o pivô brasileiro Paulão, que defendeu o Mogi na última temporada, tem seus direitos ligados ao Minnesota Timberwolves, mas fica difícil imaginá-lo nos Estados Unidos por conta de seus problemas para manter-se em forma.

Por isso, aproveitando-se da recém firmada parceria entre a NBA e o NBB, seria absurdo imaginar um clube brasileiro oferecendo um projeto de desenvolvimento de prospectos sul-americanos para as franquias dos Estados Unidos? Nesse ano, por exemplo, está inscrito no Draft o ala argentino Juan Pablo Vaulet, de apenas 19 anos de idade. Existe o rumor de que o San Antonio Spurs prometeu selecioná-lo, mas fica difícil imaginar que ele possa contribuir imediatamente na liga profissional americana. Então, porque não, desenvolvê-lo no Brasil enquanto isso?

Esse mesmo clube também pode passar a priorizar jogadores que já estiveram em algum momento no radar da NBA, como o pivô brasileiro Fab Melo. Sua comissão técnica teria membros focados exclusivamente no desenvolvimento de jogadores – quem sabe até mesmo formados nos Estados Unidos e indicados por profissionais de lá. Caso o projeto obtivesse sucesso, aos poucos poderia ser possível expandir a ideia para prospectos latino-americanos no geral, como o pivô portorriquenho Ricky Sánchez, que desde este ano joga no Cangrejeros de Santurce, de seu país, e tem os direitos presos ao Miami Heat. E, porque não, passaria a ser possível sonhar com o recebimento de americanos – a citada franquia da Flórida deixou o ala James Ennis jogando uma temporada na Austrália antes de aproveitá-lo. Porque não no Brasil?

E o que o time do NBB ganharia com isso? Fica difícil imaginar uma potência como Brasília e Flamengo embarcando em um projeto desse tipo, claro. Mas a facilidade em receber reforços desse nível pode ser uma boa, por exemplo, para times como o Palmeiras, que tem dificuldades financeiras para se manter. Além disso, o conhecimento adquirido no desenvolvimento de jogadores seria excelente para um clube com base forte como o Verdão.

Seria possível embarcar em uma dessas?

LANCE! terá tempo real do Draft com comentários

por Lucas Pastore em 19.jun.2015 às 11:01h

Um dos eventos mais importantes do calendário da NBA, o Draft deste ano vai acontecer na quinta-feira, dia 25, a partir das 20h (de Brasília), no Barclays Center, ginásio do Brooklyn Nets, em Nova York. Pela primeira vez, o LANCE! vai narrar o evento em tempo real no seu site. E com comentários de quem sabe tudo sobre a liga profissional americana de basquete.

Na quinta, o tempo real do Draft terá comentários do Luís Araújo, do blog Triple-Double, do Vitor Camargo, do blog Two-Minute Warning, e do Denis Botana e do Danilo Silvestre, do blog Bola Presa.

Quem quiser saber mais sobre o recrutamento de calouros deste ano pode ler o Mock Draft do Vitor, com previsões para o evento deste ano.

Contamos com a companhia de vocês!

Jogadores podem propor retirada da maconha da lista de proibidas pela NBA

por Lucas Pastore em 03.jun.2015 às 13:41h

Não demorou para que o debate sobre a legalização da maconha nos Estados Unidos – sua venda e consumo já são liberados em alguns estados sob prescrição médica e até para fins recreativos em outros – chegasse ao mundo do esporte. O site americano TMZ ouviu dez jogadores da NBA e todos se disseram a favor da legalização por parte da liga.

A reportagem da TMZ – que é um site sobre celebridades, e não sobre esportes – usou como gancho um vídeo em que Kevin Durant, jogador do Oklahoma City Thunder e uma das maiores estrelas da NBA, aparece derrubando um pote supostamente contendo maconha ao sair de uma balada em Hollywood.

Ouvida pela reportagem do TMZ, a Associação de Jogadores da NBA confirmou que o assunto pode ser levado a debate no encontro para o próximo acordo coletivo da liga, que deve acontecer em 2017. A princípio, a entidade deve propor que, ao menos, o consumo sob prescrição médica seja liberado para os atletas.

Será possível imaginar que a NBA pode remover a maconha da sua lista de substâncias ilegais? Por um lado, a liga profissional americana de basquete é considerada mais progressista que outras no país, como a NFL e a MLB. Por outro, desde a gestão de David Stern, antecessor do atual comissário Adam Silver, o código de conduta dos jogadores ficou muito severo e até para escolher a vestimenta pré e pós-jogo os atletas têm de obedecer regras.

Em 2008, em encontro chamado de Programa de Transição para Novatos, Michael Beasley, do Miami Heat, teve de pagar multa de US$ 50 mil por ser flagrado com maconha e com mulheres sem autorização para estarem no resort em que o atleta estava hospedado. Mario Chalmers, seu companheiro na franquia da Flórida, e Darrell Arthur, então do Memphis Grizzlies, foram multados em US$ 20 mil cada por seus envolvimentos com o incidente. Os três ainda foram expulsos do evento.

No ano seguinte, Rashard Lewis, então no Orlando Magic, foi flagrado com níveis elevados de testosterona em seu organismo e suspenso por dez jogos por violar a política antidoping da NBA.

Ouvindo pelo LANCE! Livre, o Dr. Bernardino Santi, especialista em doping da Academia LANCE!, disse ser a favor da manutenção da maconha no quadro de substâncias proibidas, já que este deve ser elaborado sob três pontos de vista: esportivo, médico e ético.

A tomar com base os dois casos expostos acima, a NBA parece estar muito mais preocupada com sua imagem em casos envolvendo a faceta ética – como o de Beasley, Chalmers e Arthur – do que os que envolvem a faceta esportiva – como o de Lewis. A punição no primeiro exemplo foi relativamente mais severa do que no segundo quando comparadas às propostas por outros códigos antidoping.

Em relação ao ponto de vista médico, se a possibilidade do consumo de maconha causar danos neurológicos é utilizada como argumento a favor da proibição em esferas esportivas, então o cigarro e o álcool também deveriam constar entre os proibidos, já que também têm efeitos comprovadamente nocivos. Não é o caso.

Sob o ponto de vista ético, principal preocupação da NBA, se os estados americanos estão mostrando-se prontos para a legalização, será que não é hora da liga, ao menos, mostrar-se aberta à discussão?

Debate que, até 2017, deve ganhar cada vez mais força ao redor da liga americana de basquete.

Coluna do jornal: Final do NBB mostra pontos a serem revistos

por Lucas Pastore em 01.jun.2015 às 16:25h

No sábado, a vitória por 77 a 67 do Flamengo sobre o Bauru, em Marília (SP), decretou o triunfo por 2 a 0 do Rubro-Negro na final e deu ao time carioca seu quarto título do NBB – o Brasília foi campeão das outras três edições disputadas. Apesar de colocar os dois melhores times do país em quadra, a decisão teve alguns pontos decepcionantes – e o desequilíbrio não foi um deles.

Em sua casa, o Fla havia vencido o primeiro jogo por 91 a 69. Neto mostrou porque é o melhor técnico brasileiro em atividade ao pulverizar a defesa proposta por Bauru, que, com dobras, pressionava o homem da bola após bloqueios. Com isso, a prioridade de Laprovittola e Marquinhos, comandantes do ataque rubro-negro, passou a ser atacar o garrafão ao invés de passar a bola. Os dois cavaram inúmeros lances livres e ajudaram a decidir o confronto assim, já que Guerrinha não soube responder ao ajuste – os melhores momentos dos paulistas na série, como o quarto período do jogo 2, foram quando os organizadores oponentes se desconcentraram e fugiram do plano.

Decepcionante, sim, foi o tratamento que a TV Globo deu à decisão. A exposição em canais abertos é uma das prioridades da Liga Nacional de Basquete, mas o jogo 2 da final foi transmitido apenas para Rio de Janeiro e interior de São Paulo.

Nos últimos anos, a LNB brigou para que a final não fosse mais disputada em partida única, antiga exigência da Globo. Conseguiu mudar para três jogos, ainda longe do ideal – as outras séries dos playoffs são disputadas em melhor de cinco – com o aval da emissora. Certamente decepcionante para os organizadores.

O formato melhor de três jogos também precisa ser revisto. É injusto que o time de melhor campanha atue ameaçado no jogo 2 como aconteceu com o Bauru nesta série.

São dois pontos que a LNB pode analisar para continuar com o constante crescimento do NBB, que vem se mostrando melhor ano a ano.

* Coluna publicada na edição desta segunda-feira do Diário LANCE!

Arremessos decisivos e a memória seletiva na NBA

por Lucas Pastore em 11.mai.2015 às 19:05h

No domingo, quem acompanha NBA de perto teve a oportunidade de acompanhar o terceiro arremesso decisivo em três dias nos playoffs da NBA. LeBron James acertou, nos instantes finais da partida, a bola que deu a vitória por 86 a 84 do Cleveland Cavaliers sobre o Chicago Bulls, em Chicago, empatando a série, válida por uma das semifinais da Conferência Leste, por 2 a 2. Depois do lance, uma postagem no Twitter do Two-Minute Warning me chamou a atenção: se o jogo tivesse de ser comparado a um filme, seria Rocky 4: divertido de assistir e com alguns momentos icônicos, mas, quando se presta atenção, se percebe que foi muito ruim. Respondi dizendo que seria As Branquelas: ruim em termos de qualidade, mas com uma cena histórica que salva o conjunto da obra.

O jogo sintetiza um pouco do que foi o fim de semana para a liga profissional americana de basquete. Depois de Derrick Rose colocar o Bulls em vantagem na sexta-feira e Paul Pierce colocar o Washington Wizards na frente por 2 a 1 sobre o Atlanta Hawks no sábado em arremessos nos últimos segundos, James entrou em ação para completar a trinca.

Três bolas certeiras no estouro do cronômetro viraram algo igualmente raro e empolgante. Mas certamente ajudarão a esconder alguns pontos baixos do fim de semana e, especialmente, do domingo.

No duelo entre Bulls e Cavs, o time da casa acertou 36% dos arremessos de quadra, contra 38,7% dos visitantes. Para se ter uma ideia, o Philadelphia 76ers, que foi o pior time da temporada regular na estatística, terminou o campeonato com 40,8% de aproveitamento. Só sobreviveu em frente à TV para ver a bola certeira de James quem foi valente o bastante para aguentar os 103 (CENTO E TRÊS!) arremessos errados que aconteceram ao longo da partida.

O que dizer, então, do duelo entre Los Angeles Clippers e Houston Rockets, que começou horas mais tarde e terminou com vitória por 128 a 95 dos angelinos, resultado que colocou a equipe californiana em vantagem por 3 a 1 na série? Vendo seu pivô Dwight Howard ter de ir para o banco cedo por acumular muitas faltas nos primeiros minutos do confronto, Kevin McHale, técnico do time texano, decidiu apelar para a polêmica estratégia de faltas intencionais em DeAndre Jordan.

O pivô do Clippers, que tem baixo aproveitamento da linha de lances livres, bateu 34 (TRINTA E QUATRO!) durante o jogo – 28 no primeiro tempo, novo recorde na história dos playoffs) – e acertou 14. Como resultado, viu-se um jogo arrastado, que demorou bem mais do que o normal para acabar.

Por sorte, os arremessos decisivos vieram para roubar a cena no fim de semana da NBA. Por outro lado, um domingo como esses poderia afastar muitos torcedores da TV pela falta de entretenimento.

Mãe, tô na TV!

por Lucas Pastore em 08.abr.2015 às 14:23h

Bem, é web TV… mas acho que ainda vale, né?

Tive a honra de ser convidado pela LNB para comentar o jogo Paulistano x São José, que acontece às 19h30 desta quinta-feira, no ginásio da equipe da capital, válido pelas oitavas de final do NBB. O duelo é segundo da série – na terça-feira, fora de casa, o time do interior venceu por 76 a 75 e largou em vantagem.

A transmissão oficial da liga acontece por meio de seu site oficial. Nesta quarta-feira, a página vai passar mais um jogo: Franca x Palmeiras, o primeiro duelo da série, no interior, a partir das 20h.

Conto com a audiência de todos!

Do quarto lugar na LDB à NBA: o sonho de Lucas Dias é possível?

por Lucas Pastore em 11.mar.2015 às 1:00h

Nesta terça-feira, Lucas Dias, ala do Pinheiros de 19 anos de idade e 2,07m de altura, anotou 11 pontos, 17 rebotes, três tocos, uma assistência e uma roubada de bola, obtendo índice de eficiência de 24, o mais alto entre todos os jogadores na derrota do time paulistano por 70 a 60 para Limeira, na decisão do terceiro lugar da LDB, o campeonato sub-22 da NBB. Assim, a jovem promessa encerra mais um passo da sua vida rumo ao seu sonho: a NBA. Será possível?

O nome de Lucas Dias surgiu com grande badalação há alguns anos no Pinheiros como grande promessa para o futuro. Deste modo, era natural que surgisse o desejo de atuar na liga profissional americana de basquete. Mas o ala viu Bruno Caboclo, seu colega no clube paulistano, “tomar sua frente” e ser selecionado pelo Toronto Raptors na 20ª escolha do Draft do ano passado.  E a bola da vez é o também pinheirense Georginho, armador de 18 anos de idade que ganhou até mesmo perfil no DraftExpress, um dos mais conceituados sites sobre prospectos do mundo, e que é cogitado para ser escolhido no fim da primeira rodada do recrutamento de calouros deste ano.

Georginho, por sinal, deixou a quadra com 15 pontos, três rebotes, duas roubadas de bola, uma assistência e um toco na derrota para Limeira.

Sem dúvidas, golpes duros para a cabeça de um menino de 19 anos de idade, que vê dois colegas passarem à sua frente na hora de realizar o sonho de todo jogador na NBA. Principalmente para um jogador que, em quadra, demonstra certa falta de confiança em algumas oportunidades, especialmente na hora do drible, e que fora dela aparenta ter personalidade tímida. Mas está longe de ser hora de desistir.

Lucas Dias conversou com o LANCE! Livre em Franca, onde esteve entre as duas últimas fases da LDB para disputar o Torneio dos 3 Pontos do Jogo das Estrelas do NBB. Na competição, por sinal, cumpriu seu papel: anotou 17 pontos em 30 possíveis. Como base de comparação, o campeão Marcelinho Machado, um dos maiores arremessadores da história do basquete brasileiro, levou o título ao marcar 23 pontos, recorde na história do campeonato.

O arremesso de longa distância, aliás, faz parte do projeto de desenvolvimento oferecido pelo Pinheiros para Lucas Dias. O jogador conta que chegou ao clube como jogador de garrafão, mas lá foi sugerida a mudança de posição.  Hoje um ala de 2,07m de altura e grande envergadura, a joia adota cautela e reflete muito quando perguntada sobre uma possível comparação de seu estilo com o de algum jogador da NBA, mas, após reflexão, acaba citando o também atlético e longo Kevin Durant, astro do Oklahoma City Thunder.

Lucas Dias terminou a LDB com médias de 20,8 pontos e 9,5 rebotes em 32,1 minutos por exibição, convertendo 33,2% dos arremessos de três pontos que arrisca. No profissional, disputou 20 partidas, obtendo, em média, 4,7 pontos e 2,9 rebotes em 12,6 minutos por jogo, convertendo 27,6% das bolas de longa distância que arrisca. Ainda há espaço para evolução.

De qualquer modo, com o fim da LDB, a rotina de Lucas Dias deve se acalmar e o foco deve virar o profissional. O Pinheiros ocupa atualmente a oitava colocação no NBB – os doze primeiros se classificam para os playoffs. Além disso, é provável que sobre mais tempo para treinos específicos de desenvolvimento, algo comum entre jogadores mais jovens.

De olho na NBA, Lucas Dias disse ter um carinho especial para o Boston Celtics, e conta que sempre vê vídeos de Larry Bird quando possível. Mais um indício de que o arremesso é uma das prioridades do ala em seu desenvolvimento. Além disso, o jovem diz que tem pouco contato com Cabloco, mas que às vezes joga video game com o compatriota.

A NBA, porém, não é o único sonho de Lucas Dias, que também quer defender a Seleção Brasileira e jogar a Olimpíada do Rio de Janeiro no ano que vem. Dá tempo?”Acho que se eu colocar a cabeça no lugar, dá sim”. Pelos menos a consciência parece estar lá.

Parceiro ou rival? D-League entra no mapa do basquete brasileiro

por Lucas Pastore em 10.mar.2015 às 1:00h

A NBA Development League, conhecida pelo “apelido” D-League, entrou na pauta do escritório da NBA no Brasil. No sábado, Arnon de Mello, diretor-executivo da base nacional da maior liga dos Estados Unidos, concedeu entrevista coletiva em Franca (SP), onde esteve para acompanhar o Jogo das Estrelas do novo parceiro NBB e da LBF e disse prever um aumento na dificuldade para trazer times da elite do basquete americano. Por isso, já começa a estudar alternativas.

Arnon afirmou que existe uma corrente entre os jogadores da NBA a favor da diminuição da pré-temporada, já que depois os atletas têm de enfrentar um calendário com 82 jogos na fase de classificação mais playoffs. Com menos partidas de preparação, é natural que as viagens para fora dos Estados Unidos também sofram redução. Com isso, a D-League entrou na pauta do escritório brasileiro.

A Liga de Desenvolvimento da NBA foi citada mais de uma vez por Arnon durante sua coletiva. A possibilidade de amistosos entre equipes da D-League e do NBB, seja nos Estados Unidos ou no Brasil, foi cogitada pelo dirigente.

Mas o que é a D-League? Defini-la como a segunda divisão do basquete americano seria impreciso, já que não existe rebaixamento ou promoção. Mas trata-se, sim, de um escalão inferior da modalidade no país, que funciona com regras muito específicas.

Hoje, a D-League conta com 18 equipes. 17 delas são filiadas com franquias da NBA, e a 18ª é filiada com os 13 times da elite que sobraram. Como funciona esse acordo? Um técnico da liga principal pode optar por mandar um jogador sob contrato, mas que não tem espaço em sua rotação, para ganhar ritmo e se desenvolver em sua parceira. É o caso, por exemplo, de Kyle Anderson, 30ª escolha do Draft de 2014 pelo San Antonio Spurs. Naturalmente, recebeu poucas chances ao ingressar no elenco que é o atual campeão da NBA: entrou em quadra em apenas 27 dos 62 jogos da equipe, apresentando médias de 2,6 pontos, 2,5 rebotes e uma assistência em 12,6 minutos por exibição. Porém, quando enviado para a D-League, mostrou que é uma boa aposta para o futuro, obtendo, em média, 22,2 pontos, 9,1 rebotes e 4,9 assistências em 40,9 minutos por partida em 19 jogos pelo Austin Spurs.

A mesma situação já foi vivida pelo brasileiro Bruno Cabloclo nesta temporada, sua primeira na NBA. Selecionado pelo Toronto Raptors na 20ª escolha do Draft de 2014 como projeto para o futuro da franquia, o ala naturalmente não ganhou tempo de quadra de cara e foi enviado algumas vezes para a D-League. Deu o azar de jogar em uma das 13 equipes que dividem a filiação com o Fort Wayne Mad Ant e, tendo de competir por espaço com prospectos bem menos crus, obteve médias de 3,4 pontos e 1,9 rebotes em apenas 8,9 minutos por exibição nos sete jogos que fez até aqui na Liga de Desenvolvimento.

Existe outra maneira de franquias usarem suas filiadas na D-League. Uma equipe da NBA pode escolher um jogador no Draft e deixá-lo atuando na Liga de Desenvolvimento por uma ou mais temporadas antes de assinar contrato com ele. São os casos, por exemplo, de Josh Huestis, selecionado na 29ª escolha do Draft de 2014 pelo Oklahoma City Thunder e que apresenta médias de 10,7 pontos e 5,9 rebotes em 33,3 minutos por exibição no Oklahoma City Blue, e de Thanasis Antetokounmpo, selecionado pelo New York Knicks na 51ª primeira escolha do Draft de 2014 e que apresenta médias de 14 pontos e 6,3 rebotes em 32 minutos por partida pelo Westchester Knicks.

Os elencos dos times da D-League são completados por jogadores que sonham com uma vaga na maior liga de basquete do país, e em sua maioria são jovens americanos. Porém, estes, que não têm relação nenhuma com franquias da NBA, podem assinar com qualquer uma a qualquer momento – não apenas com a filiada de sua equipe da Liga de Desenvolvimento.

Porém, além de futura parceira, a D-League também é vista como possível rival da para o basquete brasileiro. Isso porque Arnon afirmou que sonha com que jovens prospectos sejam mandados para o NBB ao invés de para a D-League por franquias da NBA. Mas como isso seria feito?

Segundo Arnon, o sistema de parcerias entre as franquias que funciona com NBA e D-League não passa de um sonho hoje para o NBB. Deste modo, os jogadores provavelmente seriam enviados para o Brasil antes de assinarem contrato com um time da liga americana de basquete, repetindo os casos de Huestis e Antetokounmpo.

Assim, seja como parceira e/ou rival, a D-League deve se fazer cada vez mais presente na pauta o basquete brasileiro.

Associação de jogadores também tem união de homens e mulheres

por Lucas Pastore em 09.mar.2015 às 2:00h

Entre quinta-feira e domingo, grande parte do pessoal envolvido no basquete nacional esteve reunido em Franca (SP) para o Jogo das Estrelas do NBB e da LBF, que se juntaram pela primeira vez na história na produção do evento. Oportunidade para que a associação de jogadores da modalidade, presidida por Guilherme Giovannoni, ala-pivô do Uniceub/BRB/Brasília e da Seleção Brasileira, organizasse uma reunião com os atletas para tratar dos assuntos que dizem respeito à instituição.

Giovannoni atendeu ao blog no saguão do hotel próximo ao Pedrocão em que a maioria dos jogadores e técnicos ficou hospedada e explicou qual a posição da associação em relação a vários tópicos referentes ao basquete nacional. Preferiu não externar quais os assuntos mais urgentes discutidos pela entidade para respeitar a política interna que julga adequada, mas foi solícito e falou sobre algo que me chamou atenção: a participação das mulheres.

Assim como aconteceu no Jogo das Estrelas, a associação também conta com a participação do basquete feminino. A ala Karla, da ADCF Americana, foi escolhida como representante das mulheres na entidade, e uma das prioridades da reunião durante o fim de semana em Franca foi ouvir quais as demandas das participantes da LBF.

Deste modo, o Jogo das Estrelas serviu para dar esperança ao basquete feminino nacional. A ideia de juntar o evento com o dos homens certamente aumentou a exposição para as mulheres. Posso falar por mim: pelo segundo ano seguido, fui convidado pela LNB para a cobertura do fim de semana. Por isso, no ano passado, não houve material tão aprofundado quanto sobre o dos homens no LANCE! – pela falta de um repórter in loco -, o que mudou neste ano. E saber que há uma entidade como a associação disposta a apoiá-las certamente é mais um indício de que dias melhores podem estar pela frente.

Giovannoni também foi solícito ao falar sobre outros assuntos com o blog. Elogiou a LDB, torneio sub-22 do NBB. O ala-pivô exaltou a evolução na qualidade do campeonato de jovens, e disse ver a transição entre as gerações do basquete nacional como algo natural com o passar do tempo. Segundo ele, a presença de estrangeiros na liga nacional não pode ser apontada como entrave para o processo por ser algo que eleva a qualidade da competição.

A recém-formada associação de técnicos, certamente inspirada no surgimento e na consolidação da de jogadores, também foi tema da conversa com o Giovannoni. O ala-pivô contou que foi convidado para participar da reunião dos treinadores em Franca, em iniciativa para fortalecer o diálogo entre as entidades. Ótima ideia.

Quem acompanha o basquete nacional sabe que ainda existem uma série de problemas a serem resolvidos na modalidade ao redor do país. Mas presenciar um evento como o Jogo das Estrelas e ouvir informações desse tipo sobre a associação de jogadores certamente renova a esperança dos amantes do esporte.