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Brasil bate a Dominicana em seu jogo mais duro

por Lucas Pastore em 24.jul.2015 às 21:02h

Com grandes atuações de Vitor Benite e Augusto Lima, a Seleção Brasileira masculina de basquete venceu nesta sexta-feira a República Dominicana por 68 a 62, na semifinal dos Jogos Pan-Americanos, e se classificou para enfrentar o Canadá no sábado, às 17h30, na decisão. A possibilidade de brigar pelo ouro já é muita coisa para um time que chegou cercado por desconfianças para o torneio.

Antes do Pan, o técnico argentino Rubén Magnano não obteve sucesso nos torneios em que não pode contar com os jogadores da NBA, como na edição de 2011 da competição e na Copa América de 2015. Dessa vez, no entanto, a Seleção, mesmo sem contar com nenhum dos brasileiros que atuam nos Estados Unidos, mostra um basquete coletivo e moderno, com noções como espaçamento de quadra em dia.

Contra a República Dominicana, a Seleção enfrentou seu maior teste na competição até aqui. Tradicionalmente encardida, a equipe centro-americana tem característica de jogo físico no garrafão. A dificuldade do Brasil para lidar com isso ficou mais evidente nos momentos em que o refinado, porém lento, pivô JP Batista esteve em quadra.

Porém, os comandados de Magnano souberam superar o jogo pesado dos dominicanos e o cansaço, já que voltaram à quadra somente cerca de 14h depois de vencerem o desfigurado time dos Estados Unidos no encerramento da fase de grupos.

Grande destaque do Brasil no Pan, Benite foi mais uma vez o comandante da Seleção em quadra. O ala-armador deixou a quadra com 18 pontos e cinco rebotes e chamou a atenção de Marc Stein, conceituado jornalista da ESPN americana, que, durante a partida, utilizou sua conta no Twitter para pedir uma chance ao brasileiro em um time de NBA.

Augusto Lima, com 15 pontos e 11 rebotes, deu mais uma demonstração de seu atleticismo no garrafão.

Será importante que a dupla repita a boa atuação para que o Brasil possa sonhar com o ouro.

* Atualizado às 21h35

Barreira sexista cai na NBA

por Lucas Pastore em 12.jul.2015 às 6:00h

Nesse sábado, Becky Hammon comandou o time do San Antonio Spurs na derrota por 78 a 73 para o New York Knicks na Liga de Verão de Las Vegas e se tornou a primeira mulher técnica de um time da NBA da história.

Novata como treinadora, Hammon tem longa trajetória no basquete. Sua carreira começou em 1996, quando começou a defender as cores da universidade do Colorado State como armadora. Jogou pela equipe até 1999 e, em sua última temporada, acumulou prêmios individuais ao colocar o time entre os 16 melhores dos Estados Unidos.

Apesar do sucesso como universitária, Hammon não foi selecionada no Draft da WNBA, a liga americana feminina de basquete, em 1999. Porém, não desistiu da carreira profissional como jogadora e, no mesmo ano, conseguiu assinar contrato com o New York Liberty. Ficou na equipe até 2006.

Porém, foi no San Antonio Stars, sediado na mesma cidade do Spurs, que Hammon viveu os melhores momentos de sua carreira dentro das quadras. Na equipe texana, foi seis vezes All-Star (2003, 2005, 2006, 2007, 2009 e 2011), duas vezes escolhida para a seleção ideal da WNBA (2007 e 2009) e foi líder de assistências da liga uma vez (2007).

Como a temporada da WNBA dura bem menos que a da NBA, Hammon também defendeu as cores de times europeus entre suas campanhas nos Estados Unidos, algo comum entre as jogadoras americanas. Como armadora, a hoje treinadora passou por Grécia, Rússia e Espanha em sua carreira.

Por conta de sua passagem pela Rússia, Hammon ganhou cidadania do país. Sem espaço na seleção americana, decidiu defender as cores da nação europeia entre 2008 e 2012, em ação que causou polêmica. De qualquer modo, a opção lhe rendeu uma medalha olímpica: o bronze de 2008, em Pequim.

Sua vocação para o cargo de treinadora começou em 2013, quando, recuperando-se de grave lesão ligamentar no joelho esquerdo um ano antes de se aposentar como jogadora, resolveu participar de treinos e jogos do Spurs, por várias vezes chamando a atenção do técnico Gregg Popovich com suas opiniões e contribuições no período.

Por isso, no dia 5 de agosto do ano passado, Hammon foi contratada como assistente do Spurs e se tornou a primeira mulher da história da NBA a ter um cargo integral e assalariado em uma comissão técnica da liga.

No dia 27 de novembro do ano passado, Gregg Popovich, técnico do Spurs, não pôde participar da vitória por 106 a 100 depois de passar por um “procedimento médico de pequenas proporções”. Na NBA, somente três assistentes podem ficar no banco de reservas, e Ettore Messina, Jim Boylen e Ime Udoka eram os selecionados para a função.

Porém, com a ausência de Popovich, Messina assumiu o comando do Spurs contra o Pacers. Com isso, a vaga aberta no banco foi ocupada por Hammon, que se tornou a primeira mulher ativa em uma comissão técnica em uma partida de NBA da história.

Se por um lado é triste ver que ainda existem barreiras desse tamanho a serem superadas no mundo esportivo, por outro é impossível não sentir orgulho de Hammon e do Spurs por derrubar mais uma. Que as mulheres se sintam cada vez mais à vontade na NBA!

Raulzinho no Jazz pode dar dor de cabeça à Seleção

por Lucas Pastore em 11.jul.2015 às 17:02h

O Utah Jazz anunciou na quinta-feira o acerto com o brasileiro Raulzinho, que assinou contrato de três anos com a franquia. Aos 23 anos, o armador chega em um ótimo momento para continuar seu desenvolvimento como jogador e, em médio prazo, deve herdar de Marcelinho Huertas o cargo de maestro da Seleção Brasileira. Porém, sua provável ausência na agenda deste ano pode ser danosa para a equipe nacional.

Selecionado na 47ª escolha do Draft de 2013 pelo Atlanta Hawks antes de ser adquirido pelo Jazz, Raulzinho chega após uma temporada em que teve médias de 8,9 pontos, 3,9 assistências e 2,1 rebotes em 22,4 minutos por jogo pelo CB Murcia na Liga ACB, o Campeonato Espanhol. O controle de bola para manter o drible vivo é, talvez, sua principal virtude, enquanto os 2,7 desperdícios de posse por jogo ficam como ponto fraco.

Chegando em uma equipe jovem, Raulzinho terá sua experiência no basquete profissional como triunfo. O jovem armador disputou três temporadas no Brasil e quatro na Espanha. Como concorrentes por minutos na posição 1, o brasileiro terá Trey Burke, que teve médias de 12,8 pontos, 4,3 assistências e 2,7 rebotes em 30,1 minutos por exibição na última temporada – sua segunda como profissional -, e Dante Exum, que teve médias de 4,8 pontos, 2,4 assistências e 1,6 rebotes em 22,2 minutos por partida na última temporada – sua primeira como profissional.

Se em médio e longo prazo o basquete brasileiro pode comemorar a experiência que Raulzinho ganhará na NBA, agora os resultados podem ser ruins. Isso porque os compromissos com o Jazz devem tirar o armador da Seleção principal, que ainda não tem vaga garantida nos Jogos do Rio-2016 por conta do imbróglio da CBB com a Fiba e pode ter de brigar pela classificação no pré-olímpico das Américas.

Leandrinho, que era agente livre há poucos dias, antes de renovar com o Golden State Warriors, e Tiago Splitter, recentemente trocado do San Antonio Spurs para o Atlanta Hawks, também são possíveis baixas. Anderson Varejão, se recuperando de lesão, é ausência certa. Um possível pré-olímpico vai ficando cada dia mais difícil…

Investimento de franquia canadense pode ajudar o Brasil

por Lucas Pastore em 04.jul.2015 às 6:00h

Se o basquete brasileiro tem o trato a seus jovens talentos como dificuldade crônica, uma boa notícia chegou recentemente do Canadá nesse sentido. O Toronto Raptors, time da NBA em que jogam o ala Bruno Caboclo e o pivô Lucas Bebê, fundou um time da D-League, a liga de desenvolvimento dos Estados Unidos, que vai se chamar Raptors 905 e será sediado na cidade de Missisauga.

Os dois brasileiros chegaram ao Raptors como projetos para o futuro da franquia. Bebê foi selecionado na 16ª escolha do Draft de 2013 pelo Boston Celtics, teve seus direitos trocados para o Altanta Hawks antes de ser adquirido pelos canadenses e ainda jogou mais um ano na Espanha antes de desembarcar na NBA. Caboclo, por sua vez, foi um investimento mais direto: foi selecionado na 20ª escolha do Draft do ano passado pelo próprio time.

Como não poderia deixar de ser, dois jogadores vistos como promessas não tiveram muito espaço na primeira temporada em um time de playoff. O pivô de 22 anos de idade disputou apenas seis jogos pelo Raptors, apresentando médias de um ponto e 1,8 rebotes em 3,8 minutos por exibição. Já o ala de 19 anos de idade entrou em quadra em oito oportunidades, obtendo, em média, 1,3 pontos e 0,3 rebotes em 2,9 minutos por partida.

Geralmente, o caminho para franquias da NBA nessa situação é mandar seus prospectos para a D-League. O problema é que, até a temporada passada, o Raptors não possuia uma afiliada, e era uma das 13 equipes que dividiam espaço no Fort Wayne Mad Ants. Com isso, nem nesta liga os dois brasileiros tiveram muito tempo de quadra.

Quando enviado, Bebê ainda teve mais espaço no Mad Ants, apresentando médias de 8,3 pontos, dez rebotes e dois tocos em 20,1 minutos por exibição nos quatro jogos que disputou na D-League. A situação de Caboclo foi pior: entrou em quadra em sete oportunidades, obtendo médias de 3,4 pontos e 1,9 rebotes em 8,9 minutos por jogo.

Como é difícil imaginar que os brasileiros terão mais espaço em Toronto imediatamente, a criação do Raptors 905 é uma ótima notícia, já que a franquia da D-League deve concentrar esforços no desenvolvimento de jogadores de sua afiliada. A Seleção Brasileira agradece…

Draft de 2015 da NBA tem pivôs como atração

por Lucas Pastore em 24.jun.2015 às 13:33h

Se no ano passado o ala Andrew Wiggins era o prospecto mais badalado, o Draft de 2015 da NBA, que acontece nesta quinta-feira, às 20h (de Brasília), no Barclays Center, ginásio do Brooklyn Nets, terá como atrações dois jogadores de garrafão. Os pivôs Jahlil Okafor e Karl-Anthony Towns aparecem como candidatos a novas estrelas da liga profissional americana de basquete.

Okafor já é considerado por alguns olheiros o pivô ofensivamente mais talentoso formado pelos Estados Unidos nos últimos tempos. Com refinado arsenal de costas para a cesta, o jovem de 19 anos de idade já desperta comparações com Al Jefferson e Brook Lopez, dois dos jogadores com mais recursos para pontuar desta forma na NBA. Na última temporada, sua primeira no basquete universitário americano, apresentou médias de 17,3 pontos e 8,5 rebotes em 30,1 minutos por exibição pelo Duke Blue Devils.

Towns, por sua vez, chama a atenção por seu potencial. Apesar de não ser tão refinado quanto Okafor, o pivô se destaca por exibir a rara combinação de perícia na proteção do aro na defesa e precisão nos arremessos de média e longa distância no ataque. Com isso, seu estilo desperta comparações das mais variadas: do coadjuvante Andrew Bogut campeão da NBA neste ano à lenda Vlade Divac. Assim como o outro badalado prospecto, também tem 19 anos de idade e acaba de completar sua primeira temporada no basquete universitário americano, na qual apresentou médias de 10,3 pontos, 6,7 rebotes e 2,3 tocos em 21,1 minutos por exibição pelo Kentucky Wildcats.

Nascido em Nova Jersey e com cidadania da República Dominicana, Towns já defende a seleção adulta do país centro-americano desde 2012 e deve cruzar o caminho Brasil em campeonatos continentais em breve.

Quem sai antes? Já circulam nos Estados Unidos rumores de que o Minnesota Timberwolves, dono da primeira escolha, teria informado Towns que irá selecioná-lo. Sem pressa para ganhar imediatamente, a equipe está cheia de jovens talentosos – incluindo Anthony Bennett e Andrew Wiggins, primeiras escolhas dos dois últimos Drafts – e não tem pressa para esperar seu desenvolvimento. Quem pode se dar bem com isso é o Los Angeles Lakers, que pode acabar com o já refinado Okafor nas mãos para ajudar Kobe Bryant a alcançar resultados dignos em sua provável última temporada como profissional.

Vale lembrar que o Draft terá acompanhamento em tempo real no site do LANCE!, a partir das 20h, com a presença de quatro comentaristas convidados. Não perca!

Você aceitaria seu time do NBB virando um laboratório da NBA?

por Lucas Pastore em 21.jun.2015 às 14:22h

As regras da NBA permitem que cada franquia tenha apenas 15 jogadores no plantel, sendo que é possível relacionar somente 13 para os jogos. Além disso, a cada temporada, 60 novos atletas ingressam na liga profissional americana via Draft – salvo trocas, dois para cada equipe. Para ajudar a combater possíveis inchaços, existe o stash, prática em que um time seleciona um prospecto no recrutamento de calouros e mantém os direitos sobre ele, mas o deixa jogando em outro país – geralmente na Europa – para se desenvolver enquanto aguarda uma chance nos Estados Unidos.

O armador brasileiro Raulzinho é um exemplo da prática. Foi selecionado pelo Atlanta Hawks na 47ª escolha do Draft de 2013 e, em seguida, teve seus direitos trocados para o Utah Jazz. Desde então, vem atuando na Espanha – jogou pelo Gipuzkoa Basket na temporada 2013/2014 e pelo UCAM Murcia na temporada 2014/2015 – à espera de uma chance da NBA.

Porém, como a maioria dos jogadores stashados é de origem européia, é natural que as franquias da NBA os enviem para clubes do Velho Continente de olho em sua evolução. Por isso, eu pergunto: você aceitaria que seu time de coração do NBB se tornasse um laboratório de desenvolvimento para prospectos da liga profissional americana?

Hoje, pelo que pesquisei, existem somente três jogadores sul-americanos stashados. Raulzinho já jogava na Europa quando draftado e, por isso, é normal que siga seu plano de desenvolvimento no continente. Os outros dois não parecem mais estar nos planos da NBA: o ala-pivô argentino Federico Kammericks, que atuou pelo Unión de Goya na última temporada, tem seus direitos ligados ao Portland TrailBlazers, mas já tem 35 anos de idade. E o pivô brasileiro Paulão, que defendeu o Mogi na última temporada, tem seus direitos ligados ao Minnesota Timberwolves, mas fica difícil imaginá-lo nos Estados Unidos por conta de seus problemas para manter-se em forma.

Por isso, aproveitando-se da recém firmada parceria entre a NBA e o NBB, seria absurdo imaginar um clube brasileiro oferecendo um projeto de desenvolvimento de prospectos sul-americanos para as franquias dos Estados Unidos? Nesse ano, por exemplo, está inscrito no Draft o ala argentino Juan Pablo Vaulet, de apenas 19 anos de idade. Existe o rumor de que o San Antonio Spurs prometeu selecioná-lo, mas fica difícil imaginar que ele possa contribuir imediatamente na liga profissional americana. Então, porque não, desenvolvê-lo no Brasil enquanto isso?

Esse mesmo clube também pode passar a priorizar jogadores que já estiveram em algum momento no radar da NBA, como o pivô brasileiro Fab Melo. Sua comissão técnica teria membros focados exclusivamente no desenvolvimento de jogadores – quem sabe até mesmo formados nos Estados Unidos e indicados por profissionais de lá. Caso o projeto obtivesse sucesso, aos poucos poderia ser possível expandir a ideia para prospectos latino-americanos no geral, como o pivô portorriquenho Ricky Sánchez, que desde este ano joga no Cangrejeros de Santurce, de seu país, e tem os direitos presos ao Miami Heat. E, porque não, passaria a ser possível sonhar com o recebimento de americanos – a citada franquia da Flórida deixou o ala James Ennis jogando uma temporada na Austrália antes de aproveitá-lo. Porque não no Brasil?

E o que o time do NBB ganharia com isso? Fica difícil imaginar uma potência como Brasília e Flamengo embarcando em um projeto desse tipo, claro. Mas a facilidade em receber reforços desse nível pode ser uma boa, por exemplo, para times como o Palmeiras, que tem dificuldades financeiras para se manter. Além disso, o conhecimento adquirido no desenvolvimento de jogadores seria excelente para um clube com base forte como o Verdão.

Seria possível embarcar em uma dessas?

LANCE! terá tempo real do Draft com comentários

por Lucas Pastore em 19.jun.2015 às 11:01h

Um dos eventos mais importantes do calendário da NBA, o Draft deste ano vai acontecer na quinta-feira, dia 25, a partir das 20h (de Brasília), no Barclays Center, ginásio do Brooklyn Nets, em Nova York. Pela primeira vez, o LANCE! vai narrar o evento em tempo real no seu site. E com comentários de quem sabe tudo sobre a liga profissional americana de basquete.

Na quinta, o tempo real do Draft terá comentários do Luís Araújo, do blog Triple-Double, do Vitor Camargo, do blog Two-Minute Warning, e do Denis Botana e do Danilo Silvestre, do blog Bola Presa.

Quem quiser saber mais sobre o recrutamento de calouros deste ano pode ler o Mock Draft do Vitor, com previsões para o evento deste ano.

Contamos com a companhia de vocês!

Jogadores podem propor retirada da maconha da lista de proibidas pela NBA

por Lucas Pastore em 03.jun.2015 às 13:41h

Não demorou para que o debate sobre a legalização da maconha nos Estados Unidos – sua venda e consumo já são liberados em alguns estados sob prescrição médica e até para fins recreativos em outros – chegasse ao mundo do esporte. O site americano TMZ ouviu dez jogadores da NBA e todos se disseram a favor da legalização por parte da liga.

A reportagem da TMZ – que é um site sobre celebridades, e não sobre esportes – usou como gancho um vídeo em que Kevin Durant, jogador do Oklahoma City Thunder e uma das maiores estrelas da NBA, aparece derrubando um pote supostamente contendo maconha ao sair de uma balada em Hollywood.

Ouvida pela reportagem do TMZ, a Associação de Jogadores da NBA confirmou que o assunto pode ser levado a debate no encontro para o próximo acordo coletivo da liga, que deve acontecer em 2017. A princípio, a entidade deve propor que, ao menos, o consumo sob prescrição médica seja liberado para os atletas.

Será possível imaginar que a NBA pode remover a maconha da sua lista de substâncias ilegais? Por um lado, a liga profissional americana de basquete é considerada mais progressista que outras no país, como a NFL e a MLB. Por outro, desde a gestão de David Stern, antecessor do atual comissário Adam Silver, o código de conduta dos jogadores ficou muito severo e até para escolher a vestimenta pré e pós-jogo os atletas têm de obedecer regras.

Em 2008, em encontro chamado de Programa de Transição para Novatos, Michael Beasley, do Miami Heat, teve de pagar multa de US$ 50 mil por ser flagrado com maconha e com mulheres sem autorização para estarem no resort em que o atleta estava hospedado. Mario Chalmers, seu companheiro na franquia da Flórida, e Darrell Arthur, então do Memphis Grizzlies, foram multados em US$ 20 mil cada por seus envolvimentos com o incidente. Os três ainda foram expulsos do evento.

No ano seguinte, Rashard Lewis, então no Orlando Magic, foi flagrado com níveis elevados de testosterona em seu organismo e suspenso por dez jogos por violar a política antidoping da NBA.

Ouvindo pelo LANCE! Livre, o Dr. Bernardino Santi, especialista em doping da Academia LANCE!, disse ser a favor da manutenção da maconha no quadro de substâncias proibidas, já que este deve ser elaborado sob três pontos de vista: esportivo, médico e ético.

A tomar com base os dois casos expostos acima, a NBA parece estar muito mais preocupada com sua imagem em casos envolvendo a faceta ética – como o de Beasley, Chalmers e Arthur – do que os que envolvem a faceta esportiva – como o de Lewis. A punição no primeiro exemplo foi relativamente mais severa do que no segundo quando comparadas às propostas por outros códigos antidoping.

Em relação ao ponto de vista médico, se a possibilidade do consumo de maconha causar danos neurológicos é utilizada como argumento a favor da proibição em esferas esportivas, então o cigarro e o álcool também deveriam constar entre os proibidos, já que também têm efeitos comprovadamente nocivos. Não é o caso.

Sob o ponto de vista ético, principal preocupação da NBA, se os estados americanos estão mostrando-se prontos para a legalização, será que não é hora da liga, ao menos, mostrar-se aberta à discussão?

Debate que, até 2017, deve ganhar cada vez mais força ao redor da liga americana de basquete.

Coluna do jornal: Final do NBB mostra pontos a serem revistos

por Lucas Pastore em 01.jun.2015 às 16:25h

No sábado, a vitória por 77 a 67 do Flamengo sobre o Bauru, em Marília (SP), decretou o triunfo por 2 a 0 do Rubro-Negro na final e deu ao time carioca seu quarto título do NBB – o Brasília foi campeão das outras três edições disputadas. Apesar de colocar os dois melhores times do país em quadra, a decisão teve alguns pontos decepcionantes – e o desequilíbrio não foi um deles.

Em sua casa, o Fla havia vencido o primeiro jogo por 91 a 69. Neto mostrou porque é o melhor técnico brasileiro em atividade ao pulverizar a defesa proposta por Bauru, que, com dobras, pressionava o homem da bola após bloqueios. Com isso, a prioridade de Laprovittola e Marquinhos, comandantes do ataque rubro-negro, passou a ser atacar o garrafão ao invés de passar a bola. Os dois cavaram inúmeros lances livres e ajudaram a decidir o confronto assim, já que Guerrinha não soube responder ao ajuste – os melhores momentos dos paulistas na série, como o quarto período do jogo 2, foram quando os organizadores oponentes se desconcentraram e fugiram do plano.

Decepcionante, sim, foi o tratamento que a TV Globo deu à decisão. A exposição em canais abertos é uma das prioridades da Liga Nacional de Basquete, mas o jogo 2 da final foi transmitido apenas para Rio de Janeiro e interior de São Paulo.

Nos últimos anos, a LNB brigou para que a final não fosse mais disputada em partida única, antiga exigência da Globo. Conseguiu mudar para três jogos, ainda longe do ideal – as outras séries dos playoffs são disputadas em melhor de cinco – com o aval da emissora. Certamente decepcionante para os organizadores.

O formato melhor de três jogos também precisa ser revisto. É injusto que o time de melhor campanha atue ameaçado no jogo 2 como aconteceu com o Bauru nesta série.

São dois pontos que a LNB pode analisar para continuar com o constante crescimento do NBB, que vem se mostrando melhor ano a ano.

* Coluna publicada na edição desta segunda-feira do Diário LANCE!

Arremessos decisivos e a memória seletiva na NBA

por Lucas Pastore em 11.mai.2015 às 19:05h

No domingo, quem acompanha NBA de perto teve a oportunidade de acompanhar o terceiro arremesso decisivo em três dias nos playoffs da NBA. LeBron James acertou, nos instantes finais da partida, a bola que deu a vitória por 86 a 84 do Cleveland Cavaliers sobre o Chicago Bulls, em Chicago, empatando a série, válida por uma das semifinais da Conferência Leste, por 2 a 2. Depois do lance, uma postagem no Twitter do Two-Minute Warning me chamou a atenção: se o jogo tivesse de ser comparado a um filme, seria Rocky 4: divertido de assistir e com alguns momentos icônicos, mas, quando se presta atenção, se percebe que foi muito ruim. Respondi dizendo que seria As Branquelas: ruim em termos de qualidade, mas com uma cena histórica que salva o conjunto da obra.

O jogo sintetiza um pouco do que foi o fim de semana para a liga profissional americana de basquete. Depois de Derrick Rose colocar o Bulls em vantagem na sexta-feira e Paul Pierce colocar o Washington Wizards na frente por 2 a 1 sobre o Atlanta Hawks no sábado em arremessos nos últimos segundos, James entrou em ação para completar a trinca.

Três bolas certeiras no estouro do cronômetro viraram algo igualmente raro e empolgante. Mas certamente ajudarão a esconder alguns pontos baixos do fim de semana e, especialmente, do domingo.

No duelo entre Bulls e Cavs, o time da casa acertou 36% dos arremessos de quadra, contra 38,7% dos visitantes. Para se ter uma ideia, o Philadelphia 76ers, que foi o pior time da temporada regular na estatística, terminou o campeonato com 40,8% de aproveitamento. Só sobreviveu em frente à TV para ver a bola certeira de James quem foi valente o bastante para aguentar os 103 (CENTO E TRÊS!) arremessos errados que aconteceram ao longo da partida.

O que dizer, então, do duelo entre Los Angeles Clippers e Houston Rockets, que começou horas mais tarde e terminou com vitória por 128 a 95 dos angelinos, resultado que colocou a equipe californiana em vantagem por 3 a 1 na série? Vendo seu pivô Dwight Howard ter de ir para o banco cedo por acumular muitas faltas nos primeiros minutos do confronto, Kevin McHale, técnico do time texano, decidiu apelar para a polêmica estratégia de faltas intencionais em DeAndre Jordan.

O pivô do Clippers, que tem baixo aproveitamento da linha de lances livres, bateu 34 (TRINTA E QUATRO!) durante o jogo – 28 no primeiro tempo, novo recorde na história dos playoffs) – e acertou 14. Como resultado, viu-se um jogo arrastado, que demorou bem mais do que o normal para acabar.

Por sorte, os arremessos decisivos vieram para roubar a cena no fim de semana da NBA. Por outro lado, um domingo como esses poderia afastar muitos torcedores da TV pela falta de entretenimento.