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Blog estará em Franca para o Jogo das Estrelas do NBB

por Lucas Pastore em 02.mar.2015 às 17:50h

Basqueteiro brasileiro não pode se considerar basqueteiro se nunca tiver visitado Franca, uma das cidades mais tradicionais da modalidade no país.  Pois bem: a partir de quinta-feira serei digno do título, já que, a convite da Liga Nacional de Basquete, viajarei ao local para cobrir o Jogo das Estrelas do NBB.

A cobertura começa na quinta-feira, com a entrevista coletiva oficial do evento. Também terei a oportunidade de desfilar meu (limitado) talento em Franca no mesmo dia, no bate-bola da imprensa, iniciativa bem legal do departamento de comunicação da Liga.

A sexta-feira será um dia cheio de atrações para os fãs de basquete. A partir das 19h, o Pedrocão recebe, em sequência, o Desafio de Habilidades, o Arremesso das Estrelas, o Torneio dos 3 Pontos e o Torneio de Enterradas.

No dia seguinte, os grandes eventos: o Jogo das Estrelas do NBB e o Jogo das Estrelas da LBF, em dobradinha até então inédita no basquete brasileiro.

Não deixe de acompanhar a cobertura aqui no blog, no meu Twitter pessoal e na página de Mais Esportes do LANCE!Net. O espaço de comentários está aberto a sugestões e críticas.

Eficiência é coisa para os treinadores

por Lucas Pastore em 24.jan.2015 às 17:01h

James Harden, astro do Houston Rockets, tem médias de 27,2 pontos, 6,7 assistências e 5,5 rebotes em 36,2 minutos por exibição, acertando 45,2% dos arremessos de quadra que arrisca. Joga em um time que venceu 29 jogos e perdeu apenas 14 na temporada 2014/2015 da NBA. Mas um dos dois armadores eleitos para começar o All-Star Game como titular da Conferência Oeste é Kobe Bryant, do Los Angeles Lakers que tem médias de 22,3 pontos, 5,7 rebotes e 5,6 assistências em 34,5 minutos por partida, e joga em uma equipe que triunfou em apenas 12 de seus 43 compromissos realizados até aqui. Injustiça?

Bem, não exatamente. A eleição que define os cinco jogadores titulares de cada conferência é popular. Cada eleitor, que pode votar uma vez por dia, usa seus próprios critérios na hora de escolher seus quintetos. E a escolha de Kobe – e, por que não, de Carmelo Anthony, que será titular do Leste mesmo jogando no New York Knicks, equipe de pior campanha da temporada – mostra que a idolatria ainda fala mais alto que a eficiência.

Kobe é, talvez, a maior lenda em atividade na NBA. É o terceiro maior pontuador da história da liga, posto que atingiu nesta temporada após superar ninguém menos que Michael Jordan. É cinco vezes campeão, duas vezes MVP das finais e uma vez MVP da temporada regular em terras americanas, além de ser bicampeão olímpico. O que Harden tem a apresentar contra um currículo desses?

Se não bastasse, Kobe ainda joga no Los Angeles Lakers, uma das equipe mais populares da NBA. É um dos principais nomes da história da franquia Tem motivos para ser um dos maiores ídolos em ação no basquete mundial. Uma pena que uma lesão no ombro pode tirá-lo do resto da temporada e, consequentemente, do All-Star Game.

Os sete reservas de cada equipe são escolhidos pelos treinadores. Aos defensores do mérito esportivo, deixem que eles escolham seus preferidos pela eficiência demonstrada em quadra. Enquanto isso, a idolatria deve, sim, continuar pesando para a escolha dos titulares.

Pioneiro na cultura estatística da NBA luta por sua vida

por Lucas Pastore em 07.jan.2015 às 20:27h

Até ser bicampeão da NBA com a camisa do Miami Heat, LeBron James carregava consigo o rótulo de “amarelão” entre jornalistas e fãs menos atentos à liga profissional americana de basquete. Porém, durante a temporada 2009/2010, o ala somou 194 minutos, 45 rebotes, 20 assistências, 12 roubadas de bola e sete tocos nos dois minutos finais de quartos períodos ou de prorrogações em jogos com placar apertado. Em um elaborado cálculo proposto por Harvey Pollack, alcançou 343 pontos em uma estatística avançada que se propôs a medir o poder de decisão de um jogador em partidas apertadas. Dirk Nowitzki, vice-campeão, ficou com 296.

Ok. Mas quem diabos é Harvey Pollack?

Nascido no dia 9/3/1922, Pollack é o empregado mais antigo da NBA. Funcionário do Philadelphia 76ers, é considerado o pai das estatísticas avançadas na liga profissional americana. Além disso, é o único que trabalha desde a fundação do campeonato, há 69 temporadas, até hoje.

Pollack é o funcionário mais antigo da NBA (Foto: Reprodução/nba.com)

Pollack é o funcionário mais antigo da NBA (Foto: Reprodução/nba.com)

A NBA é, atualmente, referência no desenvolvimento, na utilização e na divulgação dos mais variados e complexos tipos de estatísticas. Hoje em dia, por exemplo, em uma digressão pelo site oficial da liga, é possível perceber que Tiago Splitter, o único brasileiro campeão do torneio em toda a história, anota 7,7 pontos por exibição em média nas derrotas do seu San Antonio Spurs, e 7,3 pontos por jogo nas vitórias. Curiosidade que pode ser explicada pelos inúmeros desfalques que a equipe texana sofreu ao longo da temporada.

Mas as ideias hoje disponíveis no site da NBA, cada vez mais elaborada, não estariam ali se não fossem as inovações promovidas por Pollack lá na década de 1960. Foi ele, por exemplo, quem começou a contabilizar os tocos. Além disso, foi dele a ideia de separar os rebotes ofensivos e defensivos nos boxscores de jogos de basquete.

Em 1962, quando Wilt Chamberlain entrou para a história com seu famoso jogo de 100 pontos, era Pollack quem estava trabalhando na atualização do boxscore. Dizem, alias, que foi o estatístico quem fez a placa “100″ que a lenda da NBA exibe na famosa foto após aquela partida. Também há quem diga que foi ele que criou o termo “triplo-duplo”.

Além disso, durante as intertemporadas, tempo em que não tem de se dedicar ao Sixers, Pollack costumava analisar TODOS os boxscores das temporadas anteriores e produzir um livro de estatísticas sobre cada uma delas – o de 2010, por exemplo, está disponível para download no site oficial da franquia da Filadélfia. Nele é possível, entre outras coisas, ver todas as statlines de Chamberlain na temporada 1961/1962 – incluindo o jogo de 100 pontos e 25 rebotes.

Em 2002, Pollack entrou para o Hall da Fama de Naismith. Na ocasião, falou sobre o trabalho estatístico que o consagrou. Confira a seguir a tradução de parte do que ele disse:

Como e quando você começou seu livro estatístico anual?

Na verdade, o primeiro Media Guide do Sixers foi lançado no meio da temporada 1966/1967, quando o Gerente Geral do time, Jack Ramsey, assinou um acordo com a cervejaria Schmitz e autorizou a impressão de um guia de 24 páginas. Em todas as páginas do livro havia um anúncio da Schmitz. Aquele foi o primeiro. O seguinte aumentou para 36 ou 40 páginas, de novo com a cervejaria Schmitz. Na temporada 1968/1969, o dono do time disse que faríamos por nós mesmos. O livro seguinte tinha cerca de 72 páginas. Mas agora, cresceu de 72 para 208, e provavelmente terá 216 neste ano. O Media Guide do Sixers se tornou uma combinação de material sobre o Sixers e sobre a NBA e, ao longo dos anos, o material sobre o Sixers aumentou e o material sobre a NBA aumentou. A partir 1994, ele estava ficando inflexível. Estavam com problemas com a encadernação. Decidiram que, ao invés de um, fariam dois livros. Um livro sobre o Sixers, e um livro sobre a NBA. Dei as boas vindas a isso.

Seu livro estatístico anual é altamente respeitado ao redor da NBA. Nos conte sobre algumas ligações ou visitas que você recebeu de times, repórteres ou jogadores.

A ligação mais interessante que recebi foi de Wilt Chamberlain. Ele constantemente me ligava da Califórnia e me mantinha no telefone, às vezes por horas. Felizmente, era ele quem pagava, não o Sixers. Uma das mais memoráveis foi quando ele disse que o aproveitamento de Michael Jordan nos arremessos a partir dos 3,9624 metros estava abaixo dos 40%. Ele não achava que Michael Jordan arremessava muito entre 3,9624 e 1,524 metros. Então, peguei 20 jogos de Jordan naquele ano e, naqueles 20 jogos, Jordan acertou apenas 38% dos arremessos. Então, peguei mais 20 e encontrei o mesmo resultado. Então eu disse: se eu fiz 40, posso muito bem fazer 82. A avaliação do Wilt estava perfeita. A partir dos 3,9624 metros, Jordan acertava 37,8%. Além disso, ele provou que Jordan arremessava poucas bolas a 2,1336 metros ou menos. Em outras palavras, quando ele chegava a 2,1336 metros e tinha a bola, ele a passava para um colega ou infiltrava para tentar uma bandeja.

No livro, Pat Riley me deu uma. Ele disse que a NBA não registrava o aproveitamento nos arremessos de maneira correta. Deviam separar o aproveitamento nos tiros de dois pontos do de três. Eles separam os de três, mas, de modo geral, não separam os de dois. Então, uma das categorias que mantive foi o aproveitamento nos arremessos de dois pontos. Charles Barkley foi o líder no aproveitamento nos arremessos de dois pontos por anos seguidos.

Rick Carlisle chegou para mim e perguntou se tínhamos uma estatistica que mostrava quem ganhava o tapinha inicial das prorrogações (nós tínhamos). Ele queria comparar quem ganhava jogos a quem ganhava o tapinha inicial. Quando fiz isso para ele, saiu exatamente empatado: 40 a 40. Então eu disse para Rick: “e se eu comparar com quem marca a primeira cesta na prorrogação?” e obtive um resultado diferente: 55 a 25 para quem vence o tapinha inicial.

É legal ver o interesse de Chamberlain, que atuou em uma época muito mais pobre em termos de estatísticas, nesse tipo de número. Além disso, a procura de Pat Riley, atual presidente do Miami Heat, e de Rick Carlisle, hoje treinador do Dallas Mavericks, mostra o quanto Pollack é referência no mundo das estatísticas.

No dia 4 de janeiro, Pollack ficou gravemente machucado após sofrer um acidente de carro e está internado em um hospital em Filadélfia. Aqueles que, como eu, se encantam pela utilização de estatísticas no esporte – ou no basquete, especificamente -, torcem para que ele saia dessa logo. Força, “Super Stat”!

Cleveland Cavaliers de LeBron James começa a engrenar

por Lucas Pastore em 10.dez.2014 às 17:26h

O Cleveland Cavaliers, do “Rei” LeBron James, enfim começa a conseguir explorar o talento que tem. São oito vitórias seguidas, campanha de 13-7 e a quarta colocação na Conferência Leste. A vítima de terça-feira foi justamente o Toronto Raptors, líder da tabela de classificação: 105 a 101, em Ohio, com direito a grande virada no último quarto e exibição monstruosa do astro. Já é hora de temê-los?

A verdade é que a chegada de LeBron caiu no colo do Cavs. Ao contrário do Miami Heat, que em 2010 contratou o ala e Chris Bosh para montar sua trinca de astros ao lado de Dwyane Wade, a franquia de Cleveland não esperava a decisão do quatro vezes MVP da NBA, que, hoje bicampeão da liga, resolveu voltar para tentar um título com sua franquia da casa.

Prova disso era a clara reconstrução promovida no elenco. Eram vários jovens jogadores, como Kyrie Irving, 1ª escolha do Draft de 2011; Tristan Thompson, 4ª escolha em 2011; Dion Waiters, 4ª escolha em 2012; Anthony Bennett, 1ª escolha em 2013; e Andrew Wiggins, 1ª escolha neste ano. Fazendo o papel de veterano em meio às promessas, estava o brasileiro Anderson Varejão, hoje aos 32 anos de idade, que está na equipe desde 2004.

A questão é que, com a chegada de LeBron, a diretoria se viu pressionada a acelerar a reconstrução para aumentar as chances de título a curto prazo. Então lá foram Bennett e Wiggins para o Minnesota Timberwolves em troca de Kevin Love, que chegava credenciado pelas médias de 26,1 pontos, 12,5 rebotes e 4,4 assistências em 36,3 minutos por exibição obtidas na temporada anterior.

O novo Big Three estava formado: Kyrie Irving, LeBron James e Kevin Love. Mas, a princípio, sofreu com a montagem às pressas. Parte disso deve-se à presença, no banco de reservas, de David Blatt, que chegou gabaritado pelo título da Euroliga conquistado neste ano com o Maccabi Tel Aviv, mas com experiência zero de NBA.

A aposta de Blatt foi em montar seu time com quatro jogadores abertos, com Kevin Love funcionando como um stretch-four – ou seja, um ala-pivô mais arremessador do que com presença de garrafão. Hoje, o ala-pivô arrisca 4,8 bolas de três e acerta 1,8 – boa taxa de conversão de 36,8%. O pick-and-pop com LeBron vem funcionando desde a pré-temporada com eficiência.

Porém, aqui, vale uma observação. Na temporada passada, Love teve 19,31 oportunidades de rebote por jogo – ou seja, quando a bola caiu a até cerca de 1,07m dele -, e coletou 64,8% deles, liderando a NBA entre os alas-pivôs. Vale à pena tirá-lo da tábua ofensiva para transformá-lo em arremessador? Ou, ainda, será que não era possível encontrar um jogador mais eficiente para a função – como Tobias Harris (43,4% da linha dos três pontos), Marcus Morris (42,9%) ou Channing Frye (40,7%) – a um preço menor do que Wiggins + Bennett?

De qualquer modo, as oito vitórias seguidas e o triunfo sobre o Raptors, líder do Leste – ainda que desfalcado do astro DeMar DeRozan – mostram que a equipe está melhorando. Algo mais do que natural para um time que conta com tanto talento. Mas ainda há problemas a serem resolvidos.

O principal deles está no perímetro. Kyrie Irving e, especialmente, Dion Waiters têm de aprender a jogar sem a bola, que tem de ficar o máximo possível nas mãos de LeBron. O ala-armador já foi movido para a segunda unidade, mas mesmo assim segue com seu instinto de tentar pontuar sempre que acionado. O armador, por sua vez, é um arremessador confiável do perímetro e tem de explorar esta faceta quando joga ao lado de The King.

A presença de arremessadores também é importante, já que o time conta em sua rotação regular com jogadores como Shawn Marion, Anderson Varejão, Tristan Thompson e o próprio LeBron, que não espaçam a quadra. Mike Miller, hoje lesionado, e Matthew Dellavedova, voltando de contusão, serão fundamentais para abrir caminho para as infiltrações do camisa 23. O retorno do australiano, inclusive, se mostrou importantíssimo contra o Raptors dos dois lados da quadra na virada sobre o Raptors – o armador atuou por todo o quarto período.

Ainda há uma série de questões a serem respondidas por este Cavs. Irving e Waiters vão aprender a jogar com a bola sem ficarem insatisfeitos? O time titular com LeBron, Marion e Varejão pode continuar sem problemas de espaçamento de quadra? O brasileiro e Thompson podem proteger bem o aro em jogos decisivos? Love pode ser eficiente mesmo sem pisar no garrafão? Mas, mesmo assim, a equipe já dá mostras de que o talento está lá. Será o bastante para brigar pelo título?

Análise – Lucas Mariano e o Draft da NBA

por Lucas Pastore em 19.jun.2014 às 6:00h

Com José Luiz Galvão, do blog Go-to Guy

English version (Versão em inglês)

Com o Draft da NBA, marcado para o dia 26 de junho, no Barclays Center, se aproximando, sites especializados na cobertura do recrutamento de calouros começam a produzir páginas e matérias sobre os prospectos – os chamados Scouting Reports. Por isso, o blog centralizou todo o material disponível e criar algo parecido sobre Lucas Mariano, ala-pivô do Franca e representante brasileiro no recrutamento de calouros.

Lucas Mariano, à esquerda, em ação no NBB (Allan Conti/Divulgação)

A notícia de que Lucas colocou seu nome no Draft da NBA surgiu no fim de abril. O ala-pivô de 20 anos de idade e 2,05 m de altura apresentou médias de 13 pontos (46,8% FG, 34,7% 3 PT, 78,5% FT) e quatro rebotes em 29,3 minutos por jogo na fase de classificação do NBB, e 11,7 pontos (45,4% FG, 35,3% 3 PT, 73,8% FT) e 3,2 rebotes em 28,8 minutos por exibição nos playoffs.

A favor de Lucas, pesa a experiência no basquete profissional. Enquanto a maioria dos prospectos vem de universidades americanas, o brasileiro já vem com a tarimba de 103 partidas no NBB, tendo estreado na temporada 2009/2010. De lá para cá, são 80 partidas de fase de classificação e 23 de playoffs,  e médias de 10,2 pontos (52% FG, 34,2% 3 PT, 73% FT) e 3,8 rebotes em 22,6 minutos por exibição.

Basta uma simples comparação das médias de Lucas na carreira e na última temporada para se tirar algumas conclusões. A primeira é a de que o ala-pivô vive um momento importante de evolução – os pontos e minutos por jogo estão em crescimento. Mas o que mais chama atenção é seu trabalho específico em um fundamento: os arremessos de três pontos.

Durante suas quatro primeiras campanhas profissionais, Lucas ficou em quadra, no total, por cerca de 1.140 minutos, em todo esse tempo, arremessou apenas cinco bolas de longa distância – todas elas na temporada 2012/2013. Não converteu nenhuma. Agora, no último campeonato, o jogador tentou um arremesso de três a cada 7,7 minutos, e acertou um a cada 22,4 minutos. É claramente um foco do seu desenvolvimento.

No total, nos 41 jogos que disputou na temporada, Lucas teve 35,1% de aproveitamento nas bolas de três. Nada mão para um jogador de garrafão que ainda dá os primeiros passos no fundamento, mas ainda pouco para fazer com que ele tenha destaque na NBA. Durante a fase regular da liga profissional americana, 23 jogadores de garrafão tiveram desempenho melhor nos tiros de longa distância: Jon Leuer  (46,9%), Matt Bonner (42,9%), Spencer Hawes (41,6%), Anthony Tolliver (41,3%), Drew Gooden (41,2%), Ryan Anderson (40,9%), Boris Diaw (40,2%), Roy Hibbert (40%), Dirk Nowitzki (39,8%), Mirza Teletovic (39%),  Josh Harrellson (38,7%), Serge Ibaka (38,3%), Marcus Morris (38,1%), Kevin Love (37,6%), Darrell Arthur (37,5%), Byron Mullens (37,1%), Channing Frye (37%), Glen Davis (36,4%), Al Horford (36,4%), Patrick Patterson (36,4%), Josh McRoberts (36,1%) e Paul Millsap (35,8%).

Claro, aqui há duas ressalvas que precisam ser feitas. A primeira é que muitos destes 23 jogadores são arremessadores de ocasião, que não chegam nem perto de atirar uma bola de 3 por jogo, o que gera uma distorção estatística. Mas também vale lembrar que eles enfrentam defesas muito mais qualificadas e atléticas e que Lucas terá de lidar com isso se realizar o sonho de chegar à NBA.

De qualquer modo, o desenvolvimento de Lucas caminha positivamente neste aspecto. Lucas já se coloca como o quinto melhor arremessador de longa distância do Franca, atrás apenas do armador Antonio (40,6%) e dos alas Jhonatan (41,5%), Léo Meindl (36,7%) e Basden (35,3%). Com 1,52 bolas de três convertidas a cada 36 minutos, também se posiciona atrás do quarteto: Meindl (1,99), Basden (1,91), Jhonatan (1,84) e Antonio (1,74). Ou seja, se destaca como jogador de garrafão no fundamento e dá uma importante opção tática para o técnico Lula Ferreira.

Porém, há algo urgente para que Lucas consiga sonhar com a NBA: rebotes. Na temporada, o ala-pivô coletou 4,77 a cada 36 minutos, e é apenas o sexto melhor jogador do Franca no fundamento! Ficou atrás de Paulão (10,96), Feliz (9,12), Socas (5,94), Jhonatan (5,69) e Meindl (5,58).

Tomando como base jogadores da NBA que têm altura maior ou igual a 2,05m e foram capazes de converter 50 ou mais bolas de três pontos com aproveitamento superior a 35% na última temporada, temos o seguinte:

Jogador 3-pt % ORB% DRB%
Kevin Love 37.6% 8.5% 29.5%
Spencer Hawes 41.6% 5.6% 24.2%
Kevin Durant 39.1% 2.2% 18.6%
Dirk Nowitzki 39.8% 1.8% 20.0%
Channing Frye 37.0% 3.6% 16.6%
Chandler Parsons 37.0% 2.9% 12.8%
Josh McRoberts 36.1% 4.0% 13.8%
Mike Dunleavy 38.0% 2.1% 13.0%
Patrick Patterson 36.4% 8.8% 17.1%
Marvin Williams 35.9% 5.5% 17.9%
Marcus Morris 38.1% 5.2% 14.6%
Ryan Anderson 40.9% 9.5% 11.3%
Steve Novak 42.6% 1.7% 10.8%
Média 38.5% 4.7% 16.9%
Lucas Mariano 35.1% 5.4% 10.3%

Sendo 3 PT% o aproveitamento nos arremessos de três pontos, ORB% a quantidade de rebotes ofensivos disponíveis coletada pelo jogador e DRB% a quantidade de rebotes defensivos disponíveis coletada pelo jogador.

Para se manter em quadra, um ala-pivô com essa característica de jogar aberto precisa pegar rebotes. Quando isso não é possível (como nos casos de Mike Dunleavy, do Chicago Bulls, e Chandler Parsons, do Houston Rockets, por exemplo), o jogador precisa saber defender jogadores de perímetro, setor em que não existe pressão para eficiência em tal fundamento. Steve Novak, do Toronto Raptors, é a prova: ele é o melhor arremessador da tabela acima em aproveitamento, mas teve média de apenas 10 minutos por jogo justamente por ter esta característica unidimensional – e consequentemente por comprometer em outras áreas.

O caso de Lucas Mariano – mal comparando – é similar ao de Novak, já que o brasileiro não irá defender jogadores de perímetro e até hoje nunca provou que pode pegar rebotes defensivos o suficiente quando enfrenta atletas mais pesados.

Isso pode ser ainda mais danoso em uma NBA em que os treinadores estão dando mais espaço para novatos que chegam prontos na defesa em detrimento dos pontuadores. Pense em caras como Paul George e Kawhi Leonard, por exemplo, que foram recrutados por equipes fortes – Indiana Pacers e San Antonio Spurs, respectivamente -, mas mesmo assim tiveram espaço desde o início e ganharam minutos preciosos de desenvolvimento para chegarem aonde estão hoje. Você só desenvolve seu jogo e se adapta à liga se jogar, e você só consegue jogar inicialmente provando que consegue ser útil defensivamente.

Essa é a barreira que separa Lucas da NBA no momento. Seu potencial como jogador de garrafão que pode arremessar de fora, atuar frequentemente no pick-and-pop e, de quebra, espaçar melhor a quadra para sua equipe é algo bem raro entre os atletas no geral, mas pra se tornar especial sob o ponto de vista da liga profissional americana, ele terá de aprender a ser eficiente em outras áreas.

Como outro exemplo, vale ressaltar que o número de roubos de bola de Lucas foi um pouco decepcionante nesta temporada: apenas 0,5 a cada 36 minutos jogados. Uma coisa que pode ser percebida quando se acompanha recrutamentos de calouros é que alguns olheiros consideram que a taxa de roubos do atleta é o melhor indicador de atleticismo que você pode encontrar via estatística. Pode parecer até arbitrário, mas é algo que influencia nas avaliações destes profissionais.

A parte boa, entretanto, é que, sendo recrutado ou não, ele não deverá partir imediatamente para a liga norte-americana, podendo assim evoluir em fundamentos importantes e tapar os buracos do seu jogo. Nesta offseason, ele terá uma oportunidade importante para crescer, já que foi convocado para defender a Seleção Brasileira no Sul-Americano, entre os dias 24 e 28 de julho, na Venezuela.

Prévia das finais da NBA

por Lucas Pastore em 05.jun.2014 às 13:50h

Mesa redonda traz prévia de Heat x Nets e Spurs x Blazers

por Lucas Pastore em 06.mai.2014 às 1:33h

Prévia tática de Flamengo x Aguada

por Lucas Pastore em 21.mar.2014 às 0:05h

Nesta sexta-feira, a partir das 21h15, no Maracanãzinho, o Flamengo entra em quadra contra o Aguada, do Uruguai, na segunda semifinal da Liga das Américas de basquete. Jogando em casa, a equipe carioca enfrenta a pressão de ter de confirmar o status de favorita para sagrar-se campeão do torneio. E os números ofensivos mostram porque o time brasileiro chega com tanta pompa à fase decisiva.

Marquinhos (à direita): craque do Fla na Liga das Américas (Luiz Pires/LNB)

O ataque do Flamengo simplesmente sobra na competição. O clube marca, até aqui, 102,5 pontos por jogo, ou 130,9 pontos a cada 100 posses de bola, melhores índices da competição. Além disso, cobra 28,17 lances livres por partida e converte 50,5% dos arremessos de quadra que arrisca, liderando as duas estatísticas também. O Mengão só não aparece na ponta nas bolas de três pontos: com 38,5% de aproveitamento, é “somente” o terceiro colocado entre os oito que disputaram seis jogos na Liga das Américas.

Tudo isso com Marquinhos, destaque do Flamengo no torneio, tendo jogado apenas três partidas na competição. Os números do ala no campeonato são incríveis: 25 pontos em 27,3 minutos por jogo, com aproveitamento de 69,2% nos arremessos de quadra, 60% nas bolas de três pontos e 63,2% nos lances livres. Além disso, colabora com 4,33 rebotes, 1,33 roubadas de bola e uma assistência por exibição.

A presença de Marquinhos é fundamental para que o Flamengo funcione e atinja o máximo de eficiência. Talvez o jogador de perímetro brasileiro mais versátil em atividade, o camisa 11 pode ficar encarregado de marcar o maior pontuador adversário, liberando Marcelinho para gastar toda sua energia no ataque. No caso do Aguada, o cestinha é o ala-armador Leandro Garcia-Morales, com expressivos 27,17 pontos por exibição.

Além disso, pode exercer a função de point-forward, armando a equipe e permitindo que o argentino Laprovittola trabalhe apenas como um arremessador por algumas posses para se poupar e aguentar uma carga pesada de minutos.

Se Marquinhos estiver em um dia normal e ajudar o ataque do Flamengo a fluir com naturalidade, é difícil acreditar que o Aguada terá forças para equilibrar a partida. Mesmo com a equipe sofrendo 106,2 pontos a cada 100 posses de bola e tendo a segunda melhor defesa do quadrangular, atrás apenas do próprio Mengão, com 99.

Porém, por se tratar de um jogo decisivo, o Rubro-Negro precisará estar ligado com o máximo de sua atenção. Isso porque existem, sim, maneiras que o Aguada pode encontrar para complicar o jogo. E a principal delas está no garrafão.

A dupla titular de pivôs do time uruguaio é composta por dois americanos: Gregory Dilligard, de 2,03m, e Jeremis Smith, de 2,06m. Juntos, somam 27,33 pontos e 13,83 rebotes, sendo sete deles ofensivos, por jogo. E é aí que mora o perigo.

Na Liga das Américas, o Aguada tem média de 11,5 rebotes de ataque por partida, melhor marca entre os oito times que disputaram seis jogos empatada com a do Halcones, do México. Além disso, o clube uruguaio aproveita 34,33% das oportunidades que tem de coletar ressaltos da tábua ofensiva, melhor índice entre os semifinalistas.

Por sorte, o Flamengo também tem seu especialista em rebotes: o ala-pivô Olivinha, com média de 6,33 coletados em 24 minutos por exibição da Liga das Américas. Se ele fizer um bom trabalho – contendo principalmente Dilligard, que pega quatro ofensivos por exibição – o clube carioca coloca um pé na decisão.

Marquinhos em Garcia-Morales e Olivinha em Dilligard: Duelos importantes para o Flamengo (Foto: Reprodução/Tactical Pad)

Marquinhos em Garcia-Morales e Olivinha em Dilligard: Duelos importantes para o Flamengo (Foto: Reprodução/Tactical Pad)

Prévia tática de Pinheiros x Halcones Xalapa

por Lucas Pastore em 20.mar.2014 às 0:24h

Nesta sexta-feira, no Maracanãzinho, a partir das 19h, o Pinheiros vai enfrentar o Halcones Xalapa, do México, no primeiro jogo das semifinais da Liga das Américas. Pela frente, a equipe paulista, atual campeã do torneio, terá um dos piores ataques do campeonato. Não, você não leu errado! Um dos PIORES ataques do campeonato.

Trabalho de Morro (à esquerda) nos rebotes será fundamental (foto: Marcello Zambrana/Inovafoto)

Na atual edição da Liga das Américas, o Halcones faz 71,17 pontos por jogo. É a marca mais baixa entre as oito equipes que superaram a primeira fase e disputaram ao menos seis partidas na competição. Neste recorte, o time mexicano tem também o pior aproveitamento nos arremessos de quadra (40,6%) e o segundo pior nas bolas de três pontos (30,8%).

E isso não é porque trata-se de um time com ritmo lento no ataque. O Halcones marca 100,9 pontos a cada 100 posses de bola que tem no ataque, pior produção entre os quatro que chegaram às semifinais. Além disso, os mexicanos cobram somente 20,50 lances livres por partida, terceira pior marca entre as oito equipes que disputaram seis jogos na Liga das Américas.

Como base de comparação, o Pinheiros marca 88,50 pontos por jogo – segunda melhor marca entre as oito equipes que disputaram seis jogos -, ou 116,0 a cada 100 posses de bola – segundo melhor índice dos quatro semifinalistas. Converte 45,2% dos tiros de quadra e expressivos 40,3% das bolas de três pontos, tendo o melhor aproveitamento da Liga das Américas no fundamento. Além disso, o time paulista cobra 24,83 lances livres por jogo. Deu para sentir a diferença?

Porém, com um ataque tão pouco eficiente, como o Halcones pode ter chegado tão longe na Liga das Américas? A resposta é simples: rebotes. A coleta de ressaltos é fundamental para o sucesso de um time de basquete, já que impede que o adversário tenha segundas chances de pontuar e, do outro lado, lhe fornece uma nova oportunidade para colocar a bola na cesta.

Nesta edição, a equipe mexicana pega 40 rebotes por jogo, melhor marca de todo o campeonato. 53,10% das bolas disponíveis após ressaltos ficam nas mãos de jogadores do Halcones. E, acredite ou não, isso pode ser uma arma importante para compensar a falta de pontaria.

Na tábua ofensiva, o adversário do clube de São Paulo coleta 11,5 rebotes por jogo, melhor marca dos oito times que disputaram seis partidas ao lado do Aguada. Os jogadores do Halcones aproveitam 31,08% das oportunidades de coleta de ressaltos no ataque. Perigoso!

Lidar com isso provavelmente vai exigir adaptações do Pinheiros. Principalmente porque a equipe pega, nesta edição da Liga das Américas, apenas 32,17 rebotes por jogo, terceira pior marca entre as oito equipes que disputaram seis jogos. Apenas 50% dos ressaltos disponíveis ficam nas mãos de jogadores do time, índice mais baixo entre os semifinalistas.

Por isso, durante a partida, o Pinheiros pode, por exemplo, abrir mão dos rebotes de ataque. A equipe pega apenas 9,17 por jogo, pior marca entre as oito equipes que disputaram seis jogos, ou 20,95% dos disponíveis, pior índice do quadrangular.

Assim, logo que um arremesso partir das mãos de um de seus jogadores, o Pinheiros pode voltar para a defesa e se montar o mais rapidamente possível para evitar um contra-golpe do Halcones, que tem dificuldades para pontuar em meia-quadra.

Na defesa, o Pinheiros pode afrouxar um pouco a marcação no perímetro. Os jogadores podem dar um “passinho para trás” na defesa para ficarem o mais perto possível do rebote após o arremesso. Além disso, uma marcação 2-3, com o garrafão bem fechado, também é uma alternativa. O espaço para as bolas de 3 aberto com essas estratégias não deve ser um problema contra uma equipe que não explora bem o fundamento.

Defesa 2-3 com garrafão fechado é uma boa opção; Tavernari é melhor reboteiro que Shamell (Foto: Reprodução/TacticalPad)

Defesa 2-3 com garrafão fechado é uma boa opção; Tavernari é melhor reboteiro que Shamell (Foto: Reprodução/TacticalPad)

‘Bom Senso do basquete’ aproveita evento para se reunir em Fortaleza

por Lucas Pastore em 20.fev.2014 às 0:14h

Os eventos do Fim de Semana das Estrelas do NBB já começaram. Ao longo dos próximos dias, jogadores, treinadores, árbitros e dirigentes ligados ao principal produto do basquete brasileiro atualmente estarão reunidos em Fortaleza durante o período festivo. Mas se engana quem acha que a data será só de festa. A Associação de Atletas Profissionais de Basquetebol do Brasil (AAPB), lançada em agosto do ano passado, deve aproveitar a oportunidade para se reunir e dar novas diretrizes à entidade.

Giovannoni é o presidente da AAPB (Foto: Divulgação)

Com o Bom Senso FC em evidência recentemente no futebol, a comparação passa a ser inevitável. Em entrevista ao blog, Guilherme Giovannoni, presidente da AAPB, disse que vê semelhança entre os dois grupos de atletas e que uma tentativa de troca de ideias já foi feita.

- É parecido. Na verdade, a Associação já vem conversando há mais tempo. Acaba sendo muito válido, é uma coincidência ver tanto o futebol quanto o basquete mostrando que querem crescer – disse o jogador do Brasília e da Seleção Brasileira.

- A gente tentou já conversar por meio do nosso advogado, que é envolvido com futebol, mas ainda não deu por uma questão de calendário – revelou.

É justamente o calendário que é o principal ponto dos debates propostos pelo Bom Senso e pela AAPB. No ano passado, enquanto os jogadores de futebol cruzavam os braços por um minuto em campo, os do basquete fizeram protesto parecido, estourando as primeiras posses de bola das partidas.

- O problema grande foi termos jogos de uma equipe no mesmo dia por duas competições diferentes. Claro que nenhum jogador jogou os dois, mas isso demonstrou que só atrapalha a modalidade e os clubes. Obviamente, isso afeta o planejamento dos clubes. Há o risco de lesões e a gente quer proteger o atleta – contou Giovannoni.

RELEMBRE: AAPB repudia jogos por competições diferentes no mesmo dia

A questão do calendário não é a única coincidência entre as associações do futebol e do basquete. Recentemente, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) aumentou o número máximo de estrangeiros permitidos por clube de três para cinco. Algo que também está na pauta da AAPB – mas no caminho inverso.

- Eu acho que a vinda de estrangeiros é válida para elevar o nível da competição. Mas a luta é contra trazer por trazer e tirar o espaço do pessoal da base. É uma discussão que não é simples. Hoje pode ter três estrangeiros. A gente acha que o ideal seria dois, mas para o nível do campeonato é aceitável – ponderou Giovannoni, dizendo que os atletas nascidos fora do país não têm problemas em aderir às manifestações da AAPB.

- Eles estão por dentro. É óbvio que, quando há uma grande movimentação, eles não ficam tão à parte. Isso é normal, aconteceu quando eu joguei fora. Eles conversam numa boa – relatou.

Na pauta da AAPB, também estão conversas sobre a Seleção Brasileira e sobre a Liga de Basquete Feminino, que, também por conflito de datas, ainda não pôde dialogar com a Associação.

BLOG EM FORTALEZA

A partir desta quinta-feira, estarei em Fortaleza para cobrir o Fim de Semana das Estrelas. A programação começa na sexta, às 19h15, com o Arremesso das Estrelas, o Desafio de Habilidades, o Torneio de Três Pontos e o Torneio de Enterradas. No dia seguinte, às 10h, acontece o Jogo das Estrelas. Fique ligado no Diário LANCE!, no LANCE!Net e no LANCE! Livre para saber tudo sobre o evento.