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Análise – Lucas Mariano e o Draft da NBA

por Lucas Pastore em 19.jun.2014 às 6:00h

Com José Luiz Galvão, do blog Go-to Guy

English version (Versão em inglês)

Com o Draft da NBA, marcado para o dia 26 de junho, no Barclays Center, se aproximando, sites especializados na cobertura do recrutamento de calouros começam a produzir páginas e matérias sobre os prospectos – os chamados Scouting Reports. Por isso, o blog centralizou todo o material disponível e criar algo parecido sobre Lucas Mariano, ala-pivô do Franca e representante brasileiro no recrutamento de calouros.

Lucas Mariano, à esquerda, em ação no NBB (Allan Conti/Divulgação)

A notícia de que Lucas colocou seu nome no Draft da NBA surgiu no fim de abril. O ala-pivô de 20 anos de idade e 2,05 m de altura apresentou médias de 13 pontos (46,8% FG, 34,7% 3 PT, 78,5% FT) e quatro rebotes em 29,3 minutos por jogo na fase de classificação do NBB, e 11,7 pontos (45,4% FG, 35,3% 3 PT, 73,8% FT) e 3,2 rebotes em 28,8 minutos por exibição nos playoffs.

A favor de Lucas, pesa a experiência no basquete profissional. Enquanto a maioria dos prospectos vem de universidades americanas, o brasileiro já vem com a tarimba de 103 partidas no NBB, tendo estreado na temporada 2009/2010. De lá para cá, são 80 partidas de fase de classificação e 23 de playoffs,  e médias de 10,2 pontos (52% FG, 34,2% 3 PT, 73% FT) e 3,8 rebotes em 22,6 minutos por exibição.

Basta uma simples comparação das médias de Lucas na carreira e na última temporada para se tirar algumas conclusões. A primeira é a de que o ala-pivô vive um momento importante de evolução – os pontos e minutos por jogo estão em crescimento. Mas o que mais chama atenção é seu trabalho específico em um fundamento: os arremessos de três pontos.

Durante suas quatro primeiras campanhas profissionais, Lucas ficou em quadra, no total, por cerca de 1.140 minutos, em todo esse tempo, arremessou apenas cinco bolas de longa distância – todas elas na temporada 2012/2013. Não converteu nenhuma. Agora, no último campeonato, o jogador tentou um arremesso de três a cada 7,7 minutos, e acertou um a cada 22,4 minutos. É claramente um foco do seu desenvolvimento.

No total, nos 41 jogos que disputou na temporada, Lucas teve 35,1% de aproveitamento nas bolas de três. Nada mão para um jogador de garrafão que ainda dá os primeiros passos no fundamento, mas ainda pouco para fazer com que ele tenha destaque na NBA. Durante a fase regular da liga profissional americana, 23 jogadores de garrafão tiveram desempenho melhor nos tiros de longa distância: Jon Leuer  (46,9%), Matt Bonner (42,9%), Spencer Hawes (41,6%), Anthony Tolliver (41,3%), Drew Gooden (41,2%), Ryan Anderson (40,9%), Boris Diaw (40,2%), Roy Hibbert (40%), Dirk Nowitzki (39,8%), Mirza Teletovic (39%),  Josh Harrellson (38,7%), Serge Ibaka (38,3%), Marcus Morris (38,1%), Kevin Love (37,6%), Darrell Arthur (37,5%), Byron Mullens (37,1%), Channing Frye (37%), Glen Davis (36,4%), Al Horford (36,4%), Patrick Patterson (36,4%), Josh McRoberts (36,1%) e Paul Millsap (35,8%).

Claro, aqui há duas ressalvas que precisam ser feitas. A primeira é que muitos destes 23 jogadores são arremessadores de ocasião, que não chegam nem perto de atirar uma bola de 3 por jogo, o que gera uma distorção estatística. Mas também vale lembrar que eles enfrentam defesas muito mais qualificadas e atléticas e que Lucas terá de lidar com isso se realizar o sonho de chegar à NBA.

De qualquer modo, o desenvolvimento de Lucas caminha positivamente neste aspecto. Lucas já se coloca como o quinto melhor arremessador de longa distância do Franca, atrás apenas do armador Antonio (40,6%) e dos alas Jhonatan (41,5%), Léo Meindl (36,7%) e Basden (35,3%). Com 1,52 bolas de três convertidas a cada 36 minutos, também se posiciona atrás do quarteto: Meindl (1,99), Basden (1,91), Jhonatan (1,84) e Antonio (1,74). Ou seja, se destaca como jogador de garrafão no fundamento e dá uma importante opção tática para o técnico Lula Ferreira.

Porém, há algo urgente para que Lucas consiga sonhar com a NBA: rebotes. Na temporada, o ala-pivô coletou 4,77 a cada 36 minutos, e é apenas o sexto melhor jogador do Franca no fundamento! Ficou atrás de Paulão (10,96), Feliz (9,12), Socas (5,94), Jhonatan (5,69) e Meindl (5,58).

Tomando como base jogadores da NBA que têm altura maior ou igual a 2,05m e foram capazes de converter 50 ou mais bolas de três pontos com aproveitamento superior a 35% na última temporada, temos o seguinte:

Jogador 3-pt % ORB% DRB%
Kevin Love 37.6% 8.5% 29.5%
Spencer Hawes 41.6% 5.6% 24.2%
Kevin Durant 39.1% 2.2% 18.6%
Dirk Nowitzki 39.8% 1.8% 20.0%
Channing Frye 37.0% 3.6% 16.6%
Chandler Parsons 37.0% 2.9% 12.8%
Josh McRoberts 36.1% 4.0% 13.8%
Mike Dunleavy 38.0% 2.1% 13.0%
Patrick Patterson 36.4% 8.8% 17.1%
Marvin Williams 35.9% 5.5% 17.9%
Marcus Morris 38.1% 5.2% 14.6%
Ryan Anderson 40.9% 9.5% 11.3%
Steve Novak 42.6% 1.7% 10.8%
Média 38.5% 4.7% 16.9%
Lucas Mariano 35.1% 5.4% 10.3%

Sendo 3 PT% o aproveitamento nos arremessos de três pontos, ORB% a quantidade de rebotes ofensivos disponíveis coletada pelo jogador e DRB% a quantidade de rebotes defensivos disponíveis coletada pelo jogador.

Para se manter em quadra, um ala-pivô com essa característica de jogar aberto precisa pegar rebotes. Quando isso não é possível (como nos casos de Mike Dunleavy, do Chicago Bulls, e Chandler Parsons, do Houston Rockets, por exemplo), o jogador precisa saber defender jogadores de perímetro, setor em que não existe pressão para eficiência em tal fundamento. Steve Novak, do Toronto Raptors, é a prova: ele é o melhor arremessador da tabela acima em aproveitamento, mas teve média de apenas 10 minutos por jogo justamente por ter esta característica unidimensional – e consequentemente por comprometer em outras áreas.

O caso de Lucas Mariano – mal comparando – é similar ao de Novak, já que o brasileiro não irá defender jogadores de perímetro e até hoje nunca provou que pode pegar rebotes defensivos o suficiente quando enfrenta atletas mais pesados.

Isso pode ser ainda mais danoso em uma NBA em que os treinadores estão dando mais espaço para novatos que chegam prontos na defesa em detrimento dos pontuadores. Pense em caras como Paul George e Kawhi Leonard, por exemplo, que foram recrutados por equipes fortes – Indiana Pacers e San Antonio Spurs, respectivamente -, mas mesmo assim tiveram espaço desde o início e ganharam minutos preciosos de desenvolvimento para chegarem aonde estão hoje. Você só desenvolve seu jogo e se adapta à liga se jogar, e você só consegue jogar inicialmente provando que consegue ser útil defensivamente.

Essa é a barreira que separa Lucas da NBA no momento. Seu potencial como jogador de garrafão que pode arremessar de fora, atuar frequentemente no pick-and-pop e, de quebra, espaçar melhor a quadra para sua equipe é algo bem raro entre os atletas no geral, mas pra se tornar especial sob o ponto de vista da liga profissional americana, ele terá de aprender a ser eficiente em outras áreas.

Como outro exemplo, vale ressaltar que o número de roubos de bola de Lucas foi um pouco decepcionante nesta temporada: apenas 0,5 a cada 36 minutos jogados. Uma coisa que pode ser percebida quando se acompanha recrutamentos de calouros é que alguns olheiros consideram que a taxa de roubos do atleta é o melhor indicador de atleticismo que você pode encontrar via estatística. Pode parecer até arbitrário, mas é algo que influencia nas avaliações destes profissionais.

A parte boa, entretanto, é que, sendo recrutado ou não, ele não deverá partir imediatamente para a liga norte-americana, podendo assim evoluir em fundamentos importantes e tapar os buracos do seu jogo. Nesta offseason, ele terá uma oportunidade importante para crescer, já que foi convocado para defender a Seleção Brasileira no Sul-Americano, entre os dias 24 e 28 de julho, na Venezuela.

Prévia das finais da NBA

por Lucas Pastore em 05.jun.2014 às 13:50h

Mesa redonda traz prévia de Heat x Nets e Spurs x Blazers

por Lucas Pastore em 06.mai.2014 às 1:33h

Prévia tática de Flamengo x Aguada

por Lucas Pastore em 21.mar.2014 às 0:05h

Nesta sexta-feira, a partir das 21h15, no Maracanãzinho, o Flamengo entra em quadra contra o Aguada, do Uruguai, na segunda semifinal da Liga das Américas de basquete. Jogando em casa, a equipe carioca enfrenta a pressão de ter de confirmar o status de favorita para sagrar-se campeão do torneio. E os números ofensivos mostram porque o time brasileiro chega com tanta pompa à fase decisiva.

Marquinhos (à direita): craque do Fla na Liga das Américas (Luiz Pires/LNB)

O ataque do Flamengo simplesmente sobra na competição. O clube marca, até aqui, 102,5 pontos por jogo, ou 130,9 pontos a cada 100 posses de bola, melhores índices da competição. Além disso, cobra 28,17 lances livres por partida e converte 50,5% dos arremessos de quadra que arrisca, liderando as duas estatísticas também. O Mengão só não aparece na ponta nas bolas de três pontos: com 38,5% de aproveitamento, é “somente” o terceiro colocado entre os oito que disputaram seis jogos na Liga das Américas.

Tudo isso com Marquinhos, destaque do Flamengo no torneio, tendo jogado apenas três partidas na competição. Os números do ala no campeonato são incríveis: 25 pontos em 27,3 minutos por jogo, com aproveitamento de 69,2% nos arremessos de quadra, 60% nas bolas de três pontos e 63,2% nos lances livres. Além disso, colabora com 4,33 rebotes, 1,33 roubadas de bola e uma assistência por exibição.

A presença de Marquinhos é fundamental para que o Flamengo funcione e atinja o máximo de eficiência. Talvez o jogador de perímetro brasileiro mais versátil em atividade, o camisa 11 pode ficar encarregado de marcar o maior pontuador adversário, liberando Marcelinho para gastar toda sua energia no ataque. No caso do Aguada, o cestinha é o ala-armador Leandro Garcia-Morales, com expressivos 27,17 pontos por exibição.

Além disso, pode exercer a função de point-forward, armando a equipe e permitindo que o argentino Laprovittola trabalhe apenas como um arremessador por algumas posses para se poupar e aguentar uma carga pesada de minutos.

Se Marquinhos estiver em um dia normal e ajudar o ataque do Flamengo a fluir com naturalidade, é difícil acreditar que o Aguada terá forças para equilibrar a partida. Mesmo com a equipe sofrendo 106,2 pontos a cada 100 posses de bola e tendo a segunda melhor defesa do quadrangular, atrás apenas do próprio Mengão, com 99.

Porém, por se tratar de um jogo decisivo, o Rubro-Negro precisará estar ligado com o máximo de sua atenção. Isso porque existem, sim, maneiras que o Aguada pode encontrar para complicar o jogo. E a principal delas está no garrafão.

A dupla titular de pivôs do time uruguaio é composta por dois americanos: Gregory Dilligard, de 2,03m, e Jeremis Smith, de 2,06m. Juntos, somam 27,33 pontos e 13,83 rebotes, sendo sete deles ofensivos, por jogo. E é aí que mora o perigo.

Na Liga das Américas, o Aguada tem média de 11,5 rebotes de ataque por partida, melhor marca entre os oito times que disputaram seis jogos empatada com a do Halcones, do México. Além disso, o clube uruguaio aproveita 34,33% das oportunidades que tem de coletar ressaltos da tábua ofensiva, melhor índice entre os semifinalistas.

Por sorte, o Flamengo também tem seu especialista em rebotes: o ala-pivô Olivinha, com média de 6,33 coletados em 24 minutos por exibição da Liga das Américas. Se ele fizer um bom trabalho – contendo principalmente Dilligard, que pega quatro ofensivos por exibição – o clube carioca coloca um pé na decisão.

Marquinhos em Garcia-Morales e Olivinha em Dilligard: Duelos importantes para o Flamengo (Foto: Reprodução/Tactical Pad)

Marquinhos em Garcia-Morales e Olivinha em Dilligard: Duelos importantes para o Flamengo (Foto: Reprodução/Tactical Pad)

Prévia tática de Pinheiros x Halcones Xalapa

por Lucas Pastore em 20.mar.2014 às 0:24h

Nesta sexta-feira, no Maracanãzinho, a partir das 19h, o Pinheiros vai enfrentar o Halcones Xalapa, do México, no primeiro jogo das semifinais da Liga das Américas. Pela frente, a equipe paulista, atual campeã do torneio, terá um dos piores ataques do campeonato. Não, você não leu errado! Um dos PIORES ataques do campeonato.

Trabalho de Morro (à esquerda) nos rebotes será fundamental (foto: Marcello Zambrana/Inovafoto)

Na atual edição da Liga das Américas, o Halcones faz 71,17 pontos por jogo. É a marca mais baixa entre as oito equipes que superaram a primeira fase e disputaram ao menos seis partidas na competição. Neste recorte, o time mexicano tem também o pior aproveitamento nos arremessos de quadra (40,6%) e o segundo pior nas bolas de três pontos (30,8%).

E isso não é porque trata-se de um time com ritmo lento no ataque. O Halcones marca 100,9 pontos a cada 100 posses de bola que tem no ataque, pior produção entre os quatro que chegaram às semifinais. Além disso, os mexicanos cobram somente 20,50 lances livres por partida, terceira pior marca entre as oito equipes que disputaram seis jogos na Liga das Américas.

Como base de comparação, o Pinheiros marca 88,50 pontos por jogo – segunda melhor marca entre as oito equipes que disputaram seis jogos -, ou 116,0 a cada 100 posses de bola – segundo melhor índice dos quatro semifinalistas. Converte 45,2% dos tiros de quadra e expressivos 40,3% das bolas de três pontos, tendo o melhor aproveitamento da Liga das Américas no fundamento. Além disso, o time paulista cobra 24,83 lances livres por jogo. Deu para sentir a diferença?

Porém, com um ataque tão pouco eficiente, como o Halcones pode ter chegado tão longe na Liga das Américas? A resposta é simples: rebotes. A coleta de ressaltos é fundamental para o sucesso de um time de basquete, já que impede que o adversário tenha segundas chances de pontuar e, do outro lado, lhe fornece uma nova oportunidade para colocar a bola na cesta.

Nesta edição, a equipe mexicana pega 40 rebotes por jogo, melhor marca de todo o campeonato. 53,10% das bolas disponíveis após ressaltos ficam nas mãos de jogadores do Halcones. E, acredite ou não, isso pode ser uma arma importante para compensar a falta de pontaria.

Na tábua ofensiva, o adversário do clube de São Paulo coleta 11,5 rebotes por jogo, melhor marca dos oito times que disputaram seis partidas ao lado do Aguada. Os jogadores do Halcones aproveitam 31,08% das oportunidades de coleta de ressaltos no ataque. Perigoso!

Lidar com isso provavelmente vai exigir adaptações do Pinheiros. Principalmente porque a equipe pega, nesta edição da Liga das Américas, apenas 32,17 rebotes por jogo, terceira pior marca entre as oito equipes que disputaram seis jogos. Apenas 50% dos ressaltos disponíveis ficam nas mãos de jogadores do time, índice mais baixo entre os semifinalistas.

Por isso, durante a partida, o Pinheiros pode, por exemplo, abrir mão dos rebotes de ataque. A equipe pega apenas 9,17 por jogo, pior marca entre as oito equipes que disputaram seis jogos, ou 20,95% dos disponíveis, pior índice do quadrangular.

Assim, logo que um arremesso partir das mãos de um de seus jogadores, o Pinheiros pode voltar para a defesa e se montar o mais rapidamente possível para evitar um contra-golpe do Halcones, que tem dificuldades para pontuar em meia-quadra.

Na defesa, o Pinheiros pode afrouxar um pouco a marcação no perímetro. Os jogadores podem dar um “passinho para trás” na defesa para ficarem o mais perto possível do rebote após o arremesso. Além disso, uma marcação 2-3, com o garrafão bem fechado, também é uma alternativa. O espaço para as bolas de 3 aberto com essas estratégias não deve ser um problema contra uma equipe que não explora bem o fundamento.

Defesa 2-3 com garrafão fechado é uma boa opção; Tavernari é melhor reboteiro que Shamell (Foto: Reprodução/TacticalPad)

Defesa 2-3 com garrafão fechado é uma boa opção; Tavernari é melhor reboteiro que Shamell (Foto: Reprodução/TacticalPad)

‘Bom Senso do basquete’ aproveita evento para se reunir em Fortaleza

por Lucas Pastore em 20.fev.2014 às 0:14h

Os eventos do Fim de Semana das Estrelas do NBB já começaram. Ao longo dos próximos dias, jogadores, treinadores, árbitros e dirigentes ligados ao principal produto do basquete brasileiro atualmente estarão reunidos em Fortaleza durante o período festivo. Mas se engana quem acha que a data será só de festa. A Associação de Atletas Profissionais de Basquetebol do Brasil (AAPB), lançada em agosto do ano passado, deve aproveitar a oportunidade para se reunir e dar novas diretrizes à entidade.

Giovannoni é o presidente da AAPB (Foto: Divulgação)

Com o Bom Senso FC em evidência recentemente no futebol, a comparação passa a ser inevitável. Em entrevista ao blog, Guilherme Giovannoni, presidente da AAPB, disse que vê semelhança entre os dois grupos de atletas e que uma tentativa de troca de ideias já foi feita.

- É parecido. Na verdade, a Associação já vem conversando há mais tempo. Acaba sendo muito válido, é uma coincidência ver tanto o futebol quanto o basquete mostrando que querem crescer – disse o jogador do Brasília e da Seleção Brasileira.

- A gente tentou já conversar por meio do nosso advogado, que é envolvido com futebol, mas ainda não deu por uma questão de calendário – revelou.

É justamente o calendário que é o principal ponto dos debates propostos pelo Bom Senso e pela AAPB. No ano passado, enquanto os jogadores de futebol cruzavam os braços por um minuto em campo, os do basquete fizeram protesto parecido, estourando as primeiras posses de bola das partidas.

- O problema grande foi termos jogos de uma equipe no mesmo dia por duas competições diferentes. Claro que nenhum jogador jogou os dois, mas isso demonstrou que só atrapalha a modalidade e os clubes. Obviamente, isso afeta o planejamento dos clubes. Há o risco de lesões e a gente quer proteger o atleta – contou Giovannoni.

RELEMBRE: AAPB repudia jogos por competições diferentes no mesmo dia

A questão do calendário não é a única coincidência entre as associações do futebol e do basquete. Recentemente, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) aumentou o número máximo de estrangeiros permitidos por clube de três para cinco. Algo que também está na pauta da AAPB – mas no caminho inverso.

- Eu acho que a vinda de estrangeiros é válida para elevar o nível da competição. Mas a luta é contra trazer por trazer e tirar o espaço do pessoal da base. É uma discussão que não é simples. Hoje pode ter três estrangeiros. A gente acha que o ideal seria dois, mas para o nível do campeonato é aceitável – ponderou Giovannoni, dizendo que os atletas nascidos fora do país não têm problemas em aderir às manifestações da AAPB.

- Eles estão por dentro. É óbvio que, quando há uma grande movimentação, eles não ficam tão à parte. Isso é normal, aconteceu quando eu joguei fora. Eles conversam numa boa – relatou.

Na pauta da AAPB, também estão conversas sobre a Seleção Brasileira e sobre a Liga de Basquete Feminino, que, também por conflito de datas, ainda não pôde dialogar com a Associação.

BLOG EM FORTALEZA

A partir desta quinta-feira, estarei em Fortaleza para cobrir o Fim de Semana das Estrelas. A programação começa na sexta, às 19h15, com o Arremesso das Estrelas, o Desafio de Habilidades, o Torneio de Três Pontos e o Torneio de Enterradas. No dia seguinte, às 10h, acontece o Jogo das Estrelas. Fique ligado no Diário LANCE!, no LANCE!Net e no LANCE! Livre para saber tudo sobre o evento.

Ala-pivô do Verdão conta como foi treinar com Nash e o Lakers

por Lucas Pastore em 06.fev.2014 às 8:00h

Você sabe como funciona o acampamento de desenvolvimento de uma franquia da NBA? Entre os muitos bastidores da liga profissional americana aos quais um fã brasileiro não tem acesso, estão os eventos anuais, que reúnem jovens jogadores em busca de aprimoramento. Mas, aqui no país, há alguém familiar com a rotina deste tipo de prática. Trata-se de Rodrigo Silva, um dos últimos jogadores trazidos pelo Palmeiras/Meltex para a disputa do NBB6.

Rodrigo é ala-pivô do Palmeiras (Foto: Divulgação)

Rodrigo é ala-pivô do Palmeiras (Foto: Divulgação)

Aos 23 anos de idade e com 2,06m de altura, Rodrigo, antes de fechar com o Palmeiras, participou do acampamento para jovens jogadores do Los Angeles Lakers. Durante o evento, o ala-pivô trabalhou em um ambiente anexo ao Staples Center, ginásio em que a tradicional franquia manda seus jogos, e teve oportunidade de treinar ao lado de um jogador que já foi eleito duas vezes o mais valioso de uma temporada da NBA.

- O Steve Nash treinou dois dias conosco. Como jogador e fã, foi uma experiência muito legal, pois trata-se de um dos melhores jogadores que já vi atuar. O treino individual dele é incrível, ele treina com muita intensidade – contou Rodrigo, ao blog, certamente para a surpresa de todos que pensavam que o armador canadense se poupava em suas atividades por conta dos recorrentes problemas nas costas.

- A experiência de treinar com o Steve Nash foi algo marcante para mim. Estar próximo de um jogador experiente como ele foi muito importante – completou o jogador do Verdão.

Os treinos dos jogadores foram feitos aonde o elenco do Lakers se prepara para as partidas. Durante as duas semanas em que Rodrigo ficou concentrado com outros jovens jogadores, nada de palestras ou atividades de integração: foi só basquete.

Rodrigo em ação pelo Verdão no Palestra Itália (Foto: Divulgação)

Rodrigo em ação pelo Verdão no Palestra Itália (Foto: Divulgação)

- São duas semanas com vários treinos: preparação em grupo, com toda a equipe, e individual, com o treinador. Há treinos em dois períodos. Nestes dias, a questão física e o estilo de jogo do atleta são avaliados. O método é o mesmo, mas o que muda é a intensidade do treino e o jeito como ele é aplicado – descreve o ala-pivô.

Os treinos em dois períodos são uma das semelhanças apontadas por Rodrigo com as categorias de base no Brasil. Mas, de acordo com ele, a disciplina cobrada durante as duas semanas foi importantes par seu crescimento como jogador. Além disso, ele aponta alguns aspectos do jogo como diferenciais em relação ao praticado no nosso país.

- O sistema de treino, em dois períodos, é praticamente o mesmo, e o estilo também, mas ajudou muito no meu desenvolvimento porque a pressão é grande na defesa, e o jogo também é mais físico – explica.

Nesta quinta-feira, Rodrigo deve voltar a colocar os ensinamentos em prática a partir das 20h, quando o Palmeiras, décimo colocado no NBB, recebe o Basquete Cearense, oitavo, no Palestra Itália. Até aqui, o ala-pivô disputou quatro jogos pelo Verdão, apresentando médias de 1,5 pontos e 1,5 rebotes em 7,34 minutos por exibição.

Tavernari conta como é a relação dos jogadores com os números

por Lucas Pastore em 08.jan.2014 às 8:00h

O universo estatístico tem recebido atenção cada vez maior na NBA. Nomes como Erik Spoelstra, treinador do Miami Heat, e Daryl Morey, gerente geral do Houston Rockets, têm formação voltada para o mundo dos números. A era analítica parece estar cada vez mais próxima da liga profissional americana de basquete. Mas como os jogadores reagem a isso?

Aqui no Brasil, existem jogadores que também têm simpatia pelas estatísticas. Um deles é Jonathan Tavernari, ala do Pinheiros. Até aqui, na temporada do NBB, o jogador tem médias de 7,1 pontos, acertando 35,9% dos arremessos de três pontos que faz, e 5,3 rebotes em 20,8 minutos por partida. Além disso, com ele em quadra, a equipe paulista sofre 110,2 pontos a cada 100 posses de bola do adversário, melhor índice entre todos os jogadores de perímetro do elenco.

Tavernari (À esquerda) se destaca pela defesa de perímetro (Foto: Wander Roberto/Inovafoto)

Tavernari (À esquerda) se destaca pela defesa de perímetro (Foto: Wander Roberto/Inovafoto)

Tavernari, que teve uma formação “americana” no basquete, já que atuou no basquete universitário dos Estados Unidos, mostra estar atento aos seus números. Além disso, após passagem pela Itália, ele também é capaz de identificar diferenças nas culturas estatísticas dos diferentes países.

E MAIS: Estatístico que veio ao Brasil mistura fé e números na NBA

Além disso, ele mostra como um jogador reage ao ver suas médias. Confira a seguir, na entrevista exclusiva concedida pelo ala ao blog:

LANCE!Net: Para você, formado em uma escola americana de basquete, como é a visão das estatísticas? Você acha que é algo importante, relevante, ou considera algo chato para um jogador se preocupar?

Tavernari: Eu pessoalmente acho os números muito importantes. Nos Estados Unidos, tem um ditado que diz “Homens mentem. Mulheres mentem. Mas os números não mentem”. Em 90% dos jogos, se não mais, tem como ver a retrospectiva do duelo nos números: erros, assistências, percentual de acertos e erros, rebotes… tudo isso conta a história do jogo. Eu acho super importante. Para mim, erros, assistências, rebotes e percentual de arremessos são fundamentais para saber o rendimento da nossa equipe.

LANCE!Net: Como eram os departamentos estatísticos de seus times na Universidade, na Europa e aqui no Brasil? Você poderia descrever o dia a dia deles e o contato com os jogadores? Os números são passados coletivamente ou individualmente?

Tavernari: Na verdade, as equipes têm quem faz um relatório mais simples, com faltas de ambos os times, às vezes rebotes de ataque do adversário, erros, quais jogadas dão certo… Como tem a estatística da liga, não é preciso tanta precisão em todos os aspectos. No colegial, quase não tinha números oficiais. Na universidade, pelo menos no meu time, só o técnico e o primeiro assistente não marcavam alguma coisa. O segundo e o terceiro assistentes e o coordenador de vídeo marcavam tudo possível e imaginável. Na Itália, tinha um cara cuja função era os números. Então, ele se preocupava com faltas, rebotes de ataque, erros e jogadas efetivas, e o assistente e o técnico ficavam no jogo. Dependendo da situação, se é uma situação de falta de atenção coletiva, todos ouvem os números. Porém, se é um problema individual, aí o técnico chama mais para o lado e conversa.

LANCE!Net: Quais são as estatísticas que você mais se preocupa, individualmente? Imagino que o aproveitamento nos arremessos de três seja fundamental para você.

Tavernari: Isso é verdade. Minha força maior ofensivamente é meu arremesso, então sei que minha efetividade é importante para o time. Mas é nos rebotes que eu mais vejo meus números. Para o nosso time manter o alto nível, eu sei que tenho que ajudar no rebote, e durante uma partida, se eu não estou indo bem nos chutes de 3, indo ao rebote me ajuda a achar meu ritmo.

LANCE!Net: Você costuma analisar suas estatísticas individuais entre as partidas? E durante as partidas, quando está no banco ou no intervalo? E as dos adversários?

Tavernari: Durante o jogo é difícil eu perguntar algo individual. Quando tem alguma coisa negativa, o assistente fala para a gente: rebote ofensivo do adversário, erros, falta de aproveitamento… Durante o intervalo é que o técnico menciona mais nossas qualidades ou defeitos no jogo até ali.

LANCE!Net: Na NBA, treinadores e dirigentes de culturas estatísticas, como o Erik Spoelstra, do Miami Heat, e o Daryl Morey, do Houston Rockets, estão cada vez mais tomando conta da liga. Qual sua visão sobre o tema? Você acha benéfico para o basquete?

Tavernari: Como disse, números contam a história de mais ou menos 90% dos jogos. Por isso, são uma peça importante do esporte. Você citou o Miami Heat; veja só como está o rendimento deles desde a chegada do Spoelstra. Três finais de NBA seguidas e dois títulos. Veja o San Antonio Spurs: a análise deles vai além do desempenho. Minutos jogados, tempo descansado.. Hoje em dia tem como medir e mensurar tudo numericamente. E qualquer vantagem existente para ter um melhor rendimento deve ser usado.

No Suns, Leandrinho tem boa chance para se firmar na NBA

por Lucas Pastore em 06.jan.2014 às 18:59h

Foi com a camisa do Phoenix Suns que Leandrinho viveu sua melhor fase na NBA. Foi com a camisa do Phoenix Suns que o ala-armador foi eleito o melhor sexto homem da liga profissional americana, em 2007. Foi com a camisa do Phoenix Suns que o brasileiro ganhou o apelido de “The Blur”, algo como “O Borrã””, pela velocidade com que infiltrava para romper as defesas adversárias. E será com a camisa do Phoenix Suns que o veremos em breve. Após contusão no joelho esquerdo e breve passagem pelo Pinheiros, o jogador precisa apenas ser aprovado nos exames médicos para ser confirmado como reforço da franquia do Arizona.

Na NBA, como o apelido que ganhou sugere, Leandrinho ganhou espaço saindo do banco de reservas para imprimir velocidade. Por isso, ele deve se sentir em casa no Suns. Não só por sua história na franquia, que defendeu entre 2003 e 2010, mas pelo estilo de jogo do time nesta temporada. A equipe tem média de 98,06 posses de bola a cada 48 minutos até aqui, a sétima mais rápida de toda a liga.

LEIA MAIS: Leandrinho confirma o retorno ao Phoenix Suns

Leandrinho tem história no Suns (Foto: AFP)

Leandrinho tem história no Suns (Foto: AFP)

Sétimo colocado na Conferência Oeste e em posição confortável na briga por uma vaga nos playoffs, o Suns talvez seja a mais grata surpresa da temporada 2013/2014. A equipe concentra seu jogo de perímetro na armação dupla de Goran Dragic, com médias de 18,8 pontos e 5,9 assistências em 34,8 minutos por partida, e Eric Bledsoe, com 18 pontos, 5,8 assistências e 4,3 rebotes em 33,5 minutos por exibição. O esloveno toca na bola em 23,7% das posses de bola do time enquanto está em quadra, contra 24,2% do americano, apelidado de “mini LeBron James”. São as duas maiores taxas de todo o elenco.

A função ideal para Leandrinho no elenco seria atuar como reserva dos dois. O brasileiro quebraria um pouco a característica de dupla armação do time titular e atuaria como um pontuador, usando sua velocidade para infiltrar com a bola e, sem ela, aproveitando-se da criatividade de Dragic e Bledsoe para cortar em direção à cesta.

Porém, o Suns já tem alguém cumprindo o papel muito bem: Gerald Green, que tem médias de 13,4 pontos e 2,8 rebotes em 26,9 minutos por exibição na temporada.

Em seus próximos jogos, porém, o Suns não deve contar com Bledsoe, afastado por conta de uma contusão no joelho direito. Provavelmente foi por isso que Leandrinho recebeu a oportunidade – a princípio, com um contrato de apenas dez dias. Green deve passar a atuar como ala-armador titular, abrindo minutos relevantes no banco de reservas.

Com isso, os principais “adversários” de Leandrinho vindos do banco de reservas são os armadores Archie Goodwin (31 jogos; 3,4 pontos e 1,7 rebotes em 11 minutos por partida) e Ish Smith (20 jogos; três pontos e 2,2 assistências em 11,4 minutos por partida) e o ala Dionte Christmas (19 jogos; 2,3 pontos e um rebote em 6,8 minutos por partida). Nada que assuste um jogador com a bagagem do brasileiro.

Além disso, há um aspecto no jogo de Leandrinho que mudou consideravelmente em relação à sua primeira aventura no Suns: a defesa. Após passagens, principalmente, por Indiana Pacers e Boston Celtics, o ala-armador melhorou muito a marcação homem a homem e, por isso, pode levar vantagem em um elenco sem grandes especialistas no combate no perímetro.

Nesta temporada, com Leandrinho em quadra, o Pinheiros sofreu 113,4 pontos a cada 100 posses de bola. É a quinta melhor marca entre os 19 jogadores que atuaram pelo time no NBB e a terceira entre os jogadores de perímetro, atrás apenas de Shamell (113,1) e Tavernari (110,2). Nada mal para quem tinha a marcação como uma de suas maiores deficiências no início da carreira.

Com velocidade e defesa, Leandrinho terá dez dias para mostrar serviço pelo Suns. Neste período, a equipe enfrenta Chicago Bulls, Minnesota Timberwolves, Memphis Grizzlies, Detroit Pistons, New York Knicks e Los Angeles Lakers. Bledsoe deve voltar à ação na quarta partida. Antes disso, o brasileiro terá três boas oportunidades para mostrar serviço, contra três times fortes. Será que ele vinga?

Jason Kidd dá uma de espertinho em derrota do Nets

por Fábio Aleixo em 28.nov.2013 às 18:38h

Em sua primeira temporada como técnico na NBA, o ex-jogador Jason Kidd tem chamado mais a atenção pelos seus atos do que pela campanha de seu time, o Broolyn Nets, que tem apenas quatro vitórias em 15 jogos.

Nos momentos finais da derrota para o Los Angeles Lakers por 99 a 94, na noite de quarta-feira, ele usou uma artimanha inusitada para paralisar a partida.

Sem tempo para pedir e com seu time perdendo por 96 a 94, ele dissse para o jogador Tysahwn Taylor “me acerte”.

O jogador trombou com o treinador, que tinha um copo de refrigerante nas mãos. A tormbada fez com que Kidd derrubase o líquido na quadra. Os árbitros pararam a partida por alguns instantes e ele aproveitou para passar instruções. Porém, de nada adiantou a “trapaça”.

Após o jogo, os dois alegaram que a cena não ocorreu de forma proposital. A NBA ainda não se pronunciou.

Confira o vídeo:


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