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Sobre os sorteios do basquete na Olimpíada de Londres

por Thiago Rocha em 02.mai.2012 às 19:33h

É fácil resumir como foi para o Brasil o sorteio que definiu os grupos e confrontos da primeira fase do basquete nos Jogos Olímpicos de Londres: bom para o masculino, péssimo para o feminino.

No Grupo B da Olimpíada, a equipe do técnico Ruben Magnano vai encarar a cabeça de chave Espanha, além de Austrália (adversário da estreia, em 29 de julho), Grã-Bretanha, China e uma seleção vinda do Pré-Olímpico Mundial da Venezuela.

Coloque logo de cara uma derrota na conta, baseada no amplo favoritismo dos espanhóis (o Brasil não vai vencer, mas se vencer…). Por mais que a Seleção Brasileira possa engrossar o caldo, como fez com os Estados Unidos no último Mundial, é improvável apostar em vitória sobre a Fúria – a única, na teoria, com capacidade de encarar de igual para igual a nova versão do Dream Team. Mas a coisa fica boa quando se olha o restante da chave. A China quase não existe, a Grã-Bretanha terá Luol Deng e a torcida favorável, mas não assusta, e a Austrália dá jogo mais parelho. Resta torcer para que não venha nenhuma encrenca do Pré-Olímpico.

Porque tudo quanto era encrenca que já era conhecida caiu na chave dos Estados Unidos, com Argentina, França, a figurante Tunísia e dois vindo do Pré. Como periga de as três vagas restantes ficarem com europeus, com quatro fortes concorrentes (Grécia, Rússia, Lituânia e Montenegro), que a vaga no grupo do Brasil seja ocupada por alguém menos complicado, ou por uma zebra. De uma forma ou de outra, é um cruzamento bem favorável para que a Seleção não precise pegar os americanos logo nas quartas de final.

Já o feminino… Bom, o primeiro grande desafio da carreira do técnico Luiz Cláudio Tarallo será bem árduo. Se fugiu das americanas, teve o desprazer de ver Austrália e Rússia caírem também no Grupo B, além da Grã-Bretanha e duas seleções vindas do Pré-Olímpico da Turquia.

Não custa lembrar: o Brasil também encarou australianas e russas na Olimpíada de Pequim-2008, e perdeu para ambas. Se a Coreia do Sul obtiver vaga, e cair na mesma chave, será mais uma adversária de quatro anos atrás, e para quem também sucumbiu.

Não dá para apostar em classificação para as brasileiras, por mais que passem de fase quatro seleções num grupo de seis. De quatro anos para cá, vi pouca evolução na Seleção feminina, e com o primordial detalhe de que três técnicos já passaram pelo cargo, e o atual não tem sequer experiência em time adulto. Em Pequim, com a mesma fórmula de disputa, o Brasil ficou no meio do caminho.

A palestra de Ruben Magnano no LANCE!

por Thiago Rocha em 25.abr.2012 às 19:00h

Nada de tentar explicar táticas mirabolantes, prancheta, canetinha com laser ou arquivos de Power Point infinitos. A palestra que Ruben Magnano, técnico da Seleção Brasileira masculina de basquete, fez para a redação do LANCE! nesta quarta-feira, 25 de abril, foi uma aula de princípios.

Magnano fala à redação do LANCE! em São Paulo

Em pouco mais de uma hora de bate-papo, Magnano fez um resumo de sua trajetória, falou sobre ser “um privilegiado” por conduzir uma fantástica Argentina ao título olímpico (Atenas-2004) e ao vice mundial (Indianápolis-2002), contou alguns “causos” (como, por exemplo, ter esquecido Ginobili no ginásio após a conquista do ouro olímpico), seu trabalho com a Seleção Brasileira (falou que se acha bom “pedreiro”, pois começou seu trabalho no Brasil “pelo teto, e não pelo chão”) e exemplificou, de forma simples, direta e divertida, como ainda é brutal a diferença entre o basquete brasileiro e o praticado em seu país.

– Não sei se todos vocês aqui conhecem Buenos Aires. Lá tem um monumento muito bonito, que eu não sei para quê serve, mas que é muito bonito: o Obeslico. De lá, num raio de 30 quilômetros, sabe quantos clubes de basquete, de diversas categorias, estão atuantes? Mais de 140. Faça essa mesma pesquisa aqui – comparou.

Mas o que ficará dessa palestra, ao menos para mim, é a preocupação que Magnano mostrou em ressaltar que, para ser vitorioso, ou no mínimo competitivo no basquete, seus valores são tão importantes quanto suas habilidades (“Prefiro alguém que não sabe tanto mas quer alguma coisa do que alguém que sabe tudo e não quer nada”). Em diversos momentos, valorizou o comprometimento com o trabalho – uma forma indireta também de responder algumas perguntas que fizemos quanto ao retorno de Leandrinho e Nenê à Seleção.

Foram muitos conceitos interessantes sobre o basquete, e que servem para a vida. Sem a formalidade das câmeras e dos gravadores – ele mesmo disse antes que nunca havia sonhado em fazer uma palestra para jornalistas –, Magnano deu uma amostra do porquê é tão respeitado no basquete. Foi possível entender, na prática, como ele consegue chamar tanto a atenção dos jogadores para o que realmente importava. Suas palavras têm endereço certo, o fazem pensar. Com certeza foi uma experiência valiosa para quem participou.

Quando questionado sobre a frenética injeção de capital no esporte brasileiro por conta da Olimpíada de 2016 no Rio de Janeiro e se isso acontecia na Argentina, Magnano resumiu bem o que falta a boa parte das pessoas que comandam o alto rendimento em nosso país.

– Em alguns casos tem ajuda do governo, mas o percentual é quase zero. Na Argentina, os presidentes desses clubes menores levantam da cadeira e vão atrás, batem nas portas. Ninguém fica esperando sentado o dinheiro aparecer. Meu filho joga basquete. Eu compro o material dele, o clube faz a sua parte e eles jogam por amor à camisa. E isso contagia.

O basquete brasileiro perdeu muito de sua identidade, e tenta se reerguer tendo Magnano como um dos pilares. Se conseguir boa parte dos conceitos que o técnico deixou para a redação do LANCE!, a bola laranja estará no caminho certo.

O futuro do basquete feminino?

por Thiago Rocha em 04.abr.2012 às 19:30h

Griner foi campeã da NCAA com Baylor: 40 vitórias, 0 derrota

 

 

Em 2006, minutos depois de o Brasil sofrer a dolorosa virada da Austrália nas semifinais do Mundial Feminino, em São Paulo, Estados Unidos e Rússia entraram em quadra para decidir quem seria o outro finalista da competição. Alguns gatos pingados (comigo incluído) continuaram no Ibirapuera para ver a surpreendente vitória das europeias. Nomes como Korstin, Stepanova, Sue Bird, Taurasi, Tina Thompson e Sheryl Swoopes iriam desfilar suas habilidades, mas era uma garota, na época com 20 anos, que gerava certa curiosidade: Candace Parker. Tudo isso porque ela fazia algo considerado extraordinário para o basquete feminino: a estrela da University of Tennessee sabia enterrar.

No aquecimento, era só Parker bater bola em direção à cesta para uma parcela dos gatos pingados suspirar: “Enterra!”. Mas ela frustrou os pedidos, antes e durante o jogo.

Em 2008, voltei a encontrar Candace Parker, na Olimpíada de Pequim. Em certo momento da coletiva do time americano – as jogadoras e a comissão técnica ficaram espalhadas pela sala à disposição dos jornalistas por quase uma hora (igualzinho no Brasil #Ironia) – fui falar com a ala, que já atuava pelo Los Angeles Sparks na WNBA. Eu me identifiquei como brasileiro e lhe perguntei se ela faria nos Jogos a enterrada que “ficou devendo” em 2006. Simpática e surpreendentemente bonita, ela riu e respondeu: “Maybe! (Talvez)”. Oito jogos e uma medalha de ouro depois, nada.

Nunca entendi direito essa fixação por enterradas no basquete feminino. Para mim é apenas uma jogada, às vezes incrível, às vezes feia que dói. Acho muito mais legal uma infiltração acrobática, como as que Michael Jordan fazia e Kobe Bryant ainda faz, do que algumas cravadas em que os jogadores simplesmente atiram a bola no aro com violência. Não basta ser grandalhão, enterrar também é uma arte (MJ, Dominique Wilkins e Vince Carter dos bons tempos estão aí para corroborar minha tese).

Talvez seja esse gosto de “proibido” que a enterrada tem, já que as mulheres não têm a mesma média de altura nem a mesma capacidade de impulsão dos homens. Quando a legendária Lisa Leslie cravou em um jogo do Sparks, a comoção foi geral nos Estados Unidos.

Agora, os holofotes estão todos no fenômeno Brittney Griner. A pivô de 21 anos e 2,03 metros de altura acaba de ser campeã da NCAA, a liga universitária dos Estados Unidos, conduzindo a Universidade de Baylor a uma temporada perfeita – a primeira equipe da história a vencer os 40 jogos que disputou no torneio. Além de atlética e dominante no garrafão, adivinhe qual é o grande atrativo da garota? Ela enterra!

Não entendo a comoção, mas acho legal toda essa aura por volta da enterrada no basquete feminino. Só torço para que isso não se torne uma obsessão, como a de forjar um ídolo asiático só para a NBA entrar naquele mercado (no caso, Yao Ming). Que por causa de um capricho, se esqueçam das talentosas para selecionar grandalhonas que não sabem quicar uma bola só para vê-las penduradas no aro.

 

Lembra da Isis?

Até o Brasil já tentou criar sua gigante. Alguém se lembra da Isis, que ganhou o simpático apelido de Xuxa por seu cabelo descolorido e curto nos Jogos Pan-Americanos do Rio, em 2007? Muitos apostaram (ou impuseram) na gigante de 2,02m, oriunda do vôlei – queriam até que ela enterrasse. Mas a goiana mal sabia quicar a bola e andar ao mesmo tempo. Parece que agora ela até consegue fazer bandeja…

Não sei se Brittney Griner se tornará tão grande quanto Lisa Leslie, se ficará devendo uma cravada em Olimpíada como Candace Parker ou cairá no ostracismo como Isis. A questão é que, se essa menina realmente pode significar um novo futuro ao basquete feminino, que não seja resumida a uma enterrada.

#Nene30. Será que agora vai?

por Thiago Rocha em 21.mar.2012 às 23:55h

Nenê está disputando a décima temporada de sua carreira na NBA. Somados fase regular (556) e playoffs (44), são 600 partidas pela liga americana de basquete, já incluída na conta sua estreia pelo Washington Wizards, na noite desta quarta-feira, dia 21 de março. Em nenhuma dessas chances que teve, o pivô brasileiro atingiu 30 ou mais pontos num jogo. Seu recorde foram 28, por três oportunidades. No atual campeonato, o máximo que chegou foi a 25, diante do Utah Jazz, em novembro.

Óbvio que não é nenhum demérito, longe disso. É bem provável que Nenê nem se apegue a isso ou faça da “perseguição” aos 30 pontos uma obsessão. Mas é um dado curioso, ainda mais na NBA, em que espera-se dos principais jogadores – seja por capacidade e/ou por altos salários – grandes performances e números assombrosos. Jogasse num grande centro, como Los Angeles ou Nova York, em algum momento ele seria cornetado por isso.

Em certa hora de sua estreia pelo Wizards (vitória sobre o New Jersey Nets por 108 a 89, fora de casa), dava para acreditar que Nenê quebraria essa escrita. Foram 14 pontos em meio jogo. A primeira cesta da partida foi dele – na área de lance livre, ele enganou um marcador e infiltrou bonito para fazer a bandeja.

Mas não foi dessa vez. Em grande atuação, agora com o número 42 às costas, o pivô deixou a quadra com um double-double: 22 pontos e dez rebotes, em 31 minutos. Ainda deu duas assistências e um toco.

No Twitter, muitos fãs de basquete, empolgados com os números do brasileiro , torceram pelo fim da “maldição”. Criaram até uma hashtag, a #Nene30.

A bela estreia não pode iludir ninguém, nem Nenê. O Wizards é fraco. John Wall ainda é inconstante, e quando Jordan Crawford está inspirado o time costuma fazer umas traquinagens. São fatores que podem fazer o pivô registrar boas atuações até o fim da temporada regular, afinal ele é acima da média dentro do elenco de Washington.

Por essas e outras, Nenê tem grandes chances de, enfim, superar a barreira dos 30 pontos pela primeira vez. A torcida continua. #Nene30.

PS: Por falar em estreia, elogiável também o debute de Leandrinho com a camisa 28 do Indiana Pacers. Saindo da reserva, o armador registrou 12 pontos e três assistências, em 18 minutos. Ganhou aplausos de pé quando deixou a quadra pela primeira vez. Muita sorte, aos dois, nos novos desafios.

Cesta de Leandrinho e toco em Nenê

por Thiago Rocha em 15.mar.2012 às 21:31h

O último dia de trocas na NBA foi marcante para o basquete brasileiro. Enquanto Leandrinho ganhou  sobrevida na liga indo para uma equipe em ascensão, Nenê recebeu um tapa com luva de pelica do Denver Nuggets, que o enviou para o segundo pior time desta temporada.

O Toronto Raptors mandou Leandrinho para Indiana em troca de uma escolha na segunda rodada do próximo draft e uma compensação financeira não revelada. Com isso, abre brecha de US$ 7,6 milhões em sua folha de pagamento. Escondido no Canadá, agora o armador se une a um elenco que vem surpreendendo muita gente, e com lugar bem encaminhado nos playoffs do Leste, e com certeza terá mais tempo de quadra. Leandro chega ao Pacers com o aval de quem sabe: Larry Bird, presidente de operações da franquia.

Já a Operação Nenê envolveu três clubes. O Denver Nuggets pegou JaVale McGee e Ronny Turiaf, mandou o pivô brasileiro e uma escolha de segunda rodada de draft futuro para o Washington Wizards, que também ficou com Brian Cook, do Los Angeles Lakers. O time da Califórnia recebeu Nick Young.

Nenê encerrou seu contrato anterior com o Nuggets – de seis anos e US$ 60 milhões – no fim da temporada passada. Durante a greve da NBA, isolou-se nas montanhas do Colorado, curtiu o filho recém-nascido, jogou futebol nos parques de Denver…

O futuro? Nenê negociou até onde pôde para tirar o máximo de centavos do Denver Nuggets. Ofereceu-se a uma penca de franquias até receber uma contraproposta de US$ 67 milhões por cinco anos. A postura é mais do que compreensível. Com 29 anos e lesões graves em seu histórico médico (além de um câncer superado), talvez fosse a última chance que o pivô tinha de assinar um contrato graúdo na NBA. Além disso, ele é ídolo da equipe e adora a cidade, uma das com melhores qualidades de vida nos Estados Unidos. Justo e válido.

Mas negócios são negócios. Na NBA, então, e em tempos de crise… A troca com o Wizards é um claro sinal de que o Nuggets não estava feliz com o alto investimento. Nenê perdeu 15 jogos dos 43 já disputados nesta temporada por conta de lesões. Com ele inativo, seus reservas (Mosgov, Andersen, Koufos e Faried) deram conta do recado e mantiveram o Denver na zona dos playoffs. Quatro quase anônimos que rendem tão bem quanto um badalado. Ponto para o bom e barato. Justo e válido.

Agora, no segundo pior time da NBA, quase vizinho do presidente basqueteiro Barack Obama na capital americana, Nenê sai dos holofotes para escoltar os repentes de brilhantismo de John Wall, ótimo armador, mas que ainda não atingiu maturidade suficiente para ser um astro. Um duro golpe no gigante de São Carlos.

Antes, uma explicação

por Thiago Rocha em 15.mar.2012 às 21:04h

Gostaria de me desculpar com o leitor que, neste pouco mais de um mês, acessou este blog em busca de um texto novo. Pois é, eu sei o que prometi em post anterior, mas muita aconteceu e que justifica o período offline.

Questões pessoais à parte (e que têm papel fundamental na falta de cuidados com o blog), me envolvi em alguns projetos, fiz uma viagem a trabalho para Londres, mudei de função no LANCE!… Desde janeiro não consigo assistir à um jogo completo de basquete. Como escrever sobre algo que você não tem conseguido acompanhar?

Você, leitor, nada tem a ver com isso. Mesmo assim, cabe uma satisfação.

Vou atualizar o máximo possível o blog, até porque não quero fechá-lo. Peço paciência.

Obrigado!

Kobe, o melhor após a era Jordan

por Thiago Rocha em 18.jan.2012 às 16:36h

Feliz 2012! Não estranhe, mas para este blog o novo ano começa agora, cheio de expectativas e tentando se atualizar com mais frequência – por mais que o dia a dia na redação (e fora dela) não esteja colaborando. Vamos em frente, e que seus sonhos se realizem.

E o primeiro texto de 2012 vem motivado pelo que postou no Twitter o escritor Roland Lazenby, que está fazendo um livro sobre Michael Jordan. Disse ele o seguinte:

“O último objetivo de Kobe Bryant chama-se Michael Jordan. É por isso que MJ adora vê-lo jogar na NBA. Jordan fez as pessoas acreditarem que o que ele fazia em quadra não era humano. O mesmo pode-se dizer de Kobe. Nunca disse que Kobe é melhor do que Jordan, mas ele, Jordan, me disse que Kobe tem feito um grande trabalho e que a comparação com ele é, sim, merecida e justa”.

Toda comparação vem cercada de polêmica. Talvez Jordan tenha exagerado ao dizer que é possível comparar Kobe com ele – afinal, ninguém chega aos pés do eterno camisa 23 do Chicago Bulls. Mas uma coisa é inegável: Bryant é o melhor jogador da NBA desde o fim da era MJ.

Não só pelos cinco títulos de NBA no currículo, um a menos do que Jordan, e por marcas ou recordes expressivos na liga americana. Kobe se aproxima do maior de todos por um simples quesito: seu poder de decisão. Um sinal disso é que, pela terceira vez consecutiva, o camisa 24 do Los Angeles Lakers foi o preferido entre os donos de franquia na seguinte pergunta: qual jogador você escolheria para dar o arremesso no fim de um jogo? Recebeu 48,1% dos votos.

Nos números, é possível ser “maior” do que Jordan. Aos 33 anos, e com pelo menos duas temporadas para disputar em alto nível, se continuar saudável, talvez Bryant não consiga se igualar a Jordan em títulos, mas caminha para ultrapassá-lo entre os maiores cestinhas da história da liga. Menos de 4 mil pontos os separam – logo mais Kobe ultrapassa Shaquille O’Neal, o quinto nesta lista.

Na temporada passada, Bryant fez 2.078 pontos em 82 partidas da fase regular. Mesmo com o torneio reduzido em 2011-12, é bem palpável num futuro próximo…

Enfim, com ou sem números, Kobe Bryant é um dos maior da história, e o melhor disparado de sua geração. Mas compará-lo a Michael Jordan, mesmo com o aval do Rei, ainda é um exagero.

Primeiras impressões sobre a NBA. E até 2012!

por Thiago Rocha em 27.dez.2011 às 16:19h

Após cinco meses de indefinição e picuinhas por conta da greve, a NBA conseguiu driblar o pouco tempo de preparação das equipes e compensar a ansiedade dos fãs com bons jogos neste início de temporada 2011-12.

Em vez de palpitar sobre qual será o campeão ou fazer previsões apocalípticas, optei por ver os primeiros jogos e dar algumas impressões. Afinal, são apenas as rodadas iniciais e, apesar da temporada regular reduzida a 66 jogos por conta da greve, muita água ainda passará por baixo da ponte. Mas já tem time aí que precisa se cuidar desde já:

1) Por ter mantido sua base mais do que competitiva, e com o enfraquecimento visível de algumas potências da conferência, o Oklahoma City Thunder deve sobrar no Oeste. Russell Westbrook já foi mais agressivo no ataque contra o Minnesota, o garrafão ganhou uma versão mais light de Kendrick Perkins (o pivô emagreceu 13 quilos) e Kevin Durant sonhando em ser MVP (e ser campeão, claro), com média acima de 30 pontos nos dois primeiros duelos.

2) O remake da final da temporada passada me deixou espantado. Primeiro ao ver um Miami Heat dominante e forte na defesa, sabendo a hora certa de dobrar a marcação em Dirk Nowitzki (a derrota na decisão parece ter feito o time decorar os movimentos do alemão). LeBron James fez uma partida monstruosa, com 37 pontos e com direito a assistência de ponte aérea. Ao menos no discurso, o astro esbanja motivação para apagar os fracassos, veremos como será até o fim. Espantou-me também a passividade do Dallas Mavericks. A derrota por 11 pontos para o Heat não dão a real dimensão de como foi a partida. Sem J.J. Barea para acelerar o ataque e Tyson Chandler para brigar no garrafão, o time do Texas mostrou muito pouco para quem defende um título da NBA (e depois tomou uma lavada de 22 pontos do bom time do Denver Nuggets). Lamar Odom deve estar pensando: “Onde fui amarrar meu burro?”.

3) Outro que precisa abrir o olho é o Los Angeles Lakers, que larga com duas derrotas – para o ótimo Chicago Bulls e para o fraco Sacramento Kings. Derek Fisher se arrasta em quadra, Steve Blake é uma piada armando, Metta World Peace, ex-Ron Artest, até tenta fazer algo, mas sobra para a dupla Kobe Bryant/Pau Gasol fazer milagres. E eles são ótimos, mas não são santos. O time ainda é bom, e falta Andrew Bynum, suspenso (estará sadio este ano?). Mas precisa ser mais consistente, e ter opções de melhor qualidade, para ambições maiores.

4) Olho no Denver Nuggets. Não tem um protagonista, joga coletivamente e reúne jogadores que costumam registrar boas pontuações (Nenê. Gallinari, Afflalo, Ty Lawson…), fórmula parecida com a do Atlanta Hawks no Leste. Não tem elenco de campeão, mas promete dar trabalho. Teve analisa americano colocando o time de Nenê como a terceira força do Oeste. A conferir.

5) Gostei do que vi do New York Knicks contra o combalido Boston Celtics (como Paul Pierce faz falta…). Tyson Chandler estreou dando seis tocos, Carmelo Anthony foi incrível com 37 pontos e Amare Stoudemire esbanjou competência. O time marcou bem, especialmente no primeiro tempo, o que é quase um milagre tratando-se de uma equipe treinada por Mike D’Antoni.

Por enquanto é isso. As impressões sobre esse início de nova temporada da NBA fecham os trabalhos deste blog em 2011. Desfrutarei de um merecido descanso de frente para a praia, sem internet por dez dias, só com Sol (espero… toc, toc, toc) e com a família. Foi um ano muito bom para mim, de muito trabalho, e espero por coisas melhores em 2012.

A quem lê essas linhas mal traçadas sobre basquete, um feliz Ano-Novo, repleto de saúde, paz, harmonia e prosperidade. Tem Olimpíada em 2012, e desde já segue o desejo por menos equívocos no basquete brasileiro. Que a gente tenha muita coisa boa para debater neste ano que vai nascer. Até 2012!

Tarallo é para o Rio-2016? E 2012, como fica?

por Thiago Rocha em 17.dez.2011 às 17:43h

Tive de adiar por um dia minha opinião a respeito da promoção de Luiz Cláudio Tarallo a técnico da Seleção Brasileira feminina de basquete. Porque eu não sabia o que dizer. Entender o que a CBB pretende com isso e como chegaram à conclusão de que esse é o nome ideal para a Olimpíada de Londres-2012 eram mistérios para mim. Até que Hortência, em entrevista ao repórter Ivo Felipe, do LANCE!-SP, confirmou o que eu já desconfiava após ler o release da CBB que anunciou a decisão. Reproduzo abaixo a justificativa da diretora de seleções da entidade:

– Resolvemos dar uma antecipada neste ciclo olímpico. Como ele não tem experiência em Olimpíada, resolvemos dar essa oportunidade, porque o foco é 2016. Quando chegar lá, o Tarallo já terá passado por uma Olimpíada, Mundial e vai ter experiência para chegar em 2016.

Ou seja: os Jogos de Londres, ano que vem, servirão apenas para uma coisa: dar um pouco de peso ao currículo do técnico. Quem será convocada? Quais serão os adversários do Brasil? Há chance de pódio? Teremos a mesma defesa aplicada vista no Pré-Olímpico? Nada disso importa, ao que parece. Para o basquete feminino, o clico olímpico de 2012 já acabou. A primeira experiência de Tarallo como técnico de uma equipe adulta será um intensivão de luxo.

Isso se Tarallo for mesmo o pretendido para a Olimpíada do Rio-2016. Há muito se fala que, para o próximo ciclo, o cargo é de Janeth. Nesse caso, o nome é o de menos (embora tenha o peso de ser a jogadora que foi, e dos bons resultados na base, a experiência de Janeth como técnica em alto nível também é nula). Bizarro é uma entidade ignorar, desde já, o evento mais importante do ciclo, a menos de um ano de sua realização, de tanto tropeçar nas próprias pernas.

Nada, exatamente nada, credencia Tarallo a ser técnico da Seleção feminina adulta. Ele trabalha com as equipes de base da CBB há algum tempo e coleciona resultados inconsistentes – foi bronze no último Mundial Sub-19, mas ficou em oitavo no Mundial Sub-21, por exemplo. Nunca dirigiu uma equipe adulta, tem zero rodagem por torneios estaduais ou nacionais com atletas de alto rendimento.

A CBB e seus diretores podem falar o que for. Tarallo pode dar certo, mas não é uma aposta. É um tiro no escuro.

É a cereja do bolo de um ciclo olímpico (que já acabou, segundo a filosofia da CBB) completamente desastroso em termos de administração. Tarallo é o quarto técnico do período (um treinador por ano, literalmente), que abriu com Paulo Bassul e teve Carlos Colinas e Ênio Vecchi no cargo. Baseado em tanta desorientação, obter a vaga olímpica para Londres é quase um milagre. Oremos, então.

Afinal, o que importa é Rio-2016, não é, Hortência?

Outubro, o mês que derrubou Ênio Vecchi

por Thiago Rocha em 15.dez.2011 às 17:13h

Outubro é o mês que marca o ápice e a queda da passagem quase relâmpago de Ênio Vecchi pela Seleção Brasileira feminina. Começou com a festa pela vaga para Londres-2012, com belas atuações no Pré-Olímpico de Neiva (defesa forte, aposta em nomes jovens como Damiris), e terminou com a eliminação no Pan de Guadalajara – o ouro no torneio não vem desde Havana-1991.

Vecchi tem boa parcela de culpa neste tropeço, pois o time caiu de produção bruscamente no México, além da inexplicável opção por deixar Iziane no banco durante o segundo tempo contra Porto Rico.

Por mais que haja alguns pontos positivos no trabalho de um ano na teoria, mas de cerca de seis meses na prática (e apenas dois torneios disputados), a opção por Vecchi na Seleção foi equivocada desde o início. É um técnico que precisa de reciclagem, além de ser mais adaptado ao basquete masculino – e isso faz diferença, seja tática, técnica ou na relação com os atletas. Para quem busca modernidade de gestão, a CBB deu vários passos atrás. E a menos de um ano da Olimpíada, lá está a equipe feminina mais uma vez sem rumo.