publicidade


Mãe, tô na TV!

por Lucas Pastore em 08.abr.2015 às 14:23h

Bem, é web TV… mas acho que ainda vale, né?

Tive a honra de ser convidado pela LNB para comentar o jogo Paulistano x São José, que acontece às 19h30 desta quinta-feira, no ginásio da equipe da capital, válido pelas oitavas de final do NBB. O duelo é segundo da série – na terça-feira, fora de casa, o time do interior venceu por 76 a 75 e largou em vantagem.

A transmissão oficial da liga acontece por meio de seu site oficial. Nesta quarta-feira, a página vai passar mais um jogo: Franca x Palmeiras, o primeiro duelo da série, no interior, a partir das 20h.

Conto com a audiência de todos!

Do quarto lugar na LDB à NBA: o sonho de Lucas Dias é possível?

por Lucas Pastore em 11.mar.2015 às 1:00h

Nesta terça-feira, Lucas Dias, ala do Pinheiros de 19 anos de idade e 2,07m de altura, anotou 11 pontos, 17 rebotes, três tocos, uma assistência e uma roubada de bola, obtendo índice de eficiência de 24, o mais alto entre todos os jogadores na derrota do time paulistano por 70 a 60 para Limeira, na decisão do terceiro lugar da LDB, o campeonato sub-22 da NBB. Assim, a jovem promessa encerra mais um passo da sua vida rumo ao seu sonho: a NBA. Será possível?

O nome de Lucas Dias surgiu com grande badalação há alguns anos no Pinheiros como grande promessa para o futuro. Deste modo, era natural que surgisse o desejo de atuar na liga profissional americana de basquete. Mas o ala viu Bruno Caboclo, seu colega no clube paulistano, “tomar sua frente” e ser selecionado pelo Toronto Raptors na 20ª escolha do Draft do ano passado.  E a bola da vez é o também pinheirense Georginho, armador de 18 anos de idade que ganhou até mesmo perfil no DraftExpress, um dos mais conceituados sites sobre prospectos do mundo, e que é cogitado para ser escolhido no fim da primeira rodada do recrutamento de calouros deste ano.

Georginho, por sinal, deixou a quadra com 15 pontos, três rebotes, duas roubadas de bola, uma assistência e um toco na derrota para Limeira.

Sem dúvidas, golpes duros para a cabeça de um menino de 19 anos de idade, que vê dois colegas passarem à sua frente na hora de realizar o sonho de todo jogador na NBA. Principalmente para um jogador que, em quadra, demonstra certa falta de confiança em algumas oportunidades, especialmente na hora do drible, e que fora dela aparenta ter personalidade tímida. Mas está longe de ser hora de desistir.

Lucas Dias conversou com o LANCE! Livre em Franca, onde esteve entre as duas últimas fases da LDB para disputar o Torneio dos 3 Pontos do Jogo das Estrelas do NBB. Na competição, por sinal, cumpriu seu papel: anotou 17 pontos em 30 possíveis. Como base de comparação, o campeão Marcelinho Machado, um dos maiores arremessadores da história do basquete brasileiro, levou o título ao marcar 23 pontos, recorde na história do campeonato.

O arremesso de longa distância, aliás, faz parte do projeto de desenvolvimento oferecido pelo Pinheiros para Lucas Dias. O jogador conta que chegou ao clube como jogador de garrafão, mas lá foi sugerida a mudança de posição.  Hoje um ala de 2,07m de altura e grande envergadura, a joia adota cautela e reflete muito quando perguntada sobre uma possível comparação de seu estilo com o de algum jogador da NBA, mas, após reflexão, acaba citando o também atlético e longo Kevin Durant, astro do Oklahoma City Thunder.

Lucas Dias terminou a LDB com médias de 20,8 pontos e 9,5 rebotes em 32,1 minutos por exibição, convertendo 33,2% dos arremessos de três pontos que arrisca. No profissional, disputou 20 partidas, obtendo, em média, 4,7 pontos e 2,9 rebotes em 12,6 minutos por jogo, convertendo 27,6% das bolas de longa distância que arrisca. Ainda há espaço para evolução.

De qualquer modo, com o fim da LDB, a rotina de Lucas Dias deve se acalmar e o foco deve virar o profissional. O Pinheiros ocupa atualmente a oitava colocação no NBB – os doze primeiros se classificam para os playoffs. Além disso, é provável que sobre mais tempo para treinos específicos de desenvolvimento, algo comum entre jogadores mais jovens.

De olho na NBA, Lucas Dias disse ter um carinho especial para o Boston Celtics, e conta que sempre vê vídeos de Larry Bird quando possível. Mais um indício de que o arremesso é uma das prioridades do ala em seu desenvolvimento. Além disso, o jovem diz que tem pouco contato com Cabloco, mas que às vezes joga video game com o compatriota.

A NBA, porém, não é o único sonho de Lucas Dias, que também quer defender a Seleção Brasileira e jogar a Olimpíada do Rio de Janeiro no ano que vem. Dá tempo?”Acho que se eu colocar a cabeça no lugar, dá sim”. Pelos menos a consciência parece estar lá.

Parceiro ou rival? D-League entra no mapa do basquete brasileiro

por Lucas Pastore em 10.mar.2015 às 1:00h

A NBA Development League, conhecida pelo “apelido” D-League, entrou na pauta do escritório da NBA no Brasil. No sábado, Arnon de Mello, diretor-executivo da base nacional da maior liga dos Estados Unidos, concedeu entrevista coletiva em Franca (SP), onde esteve para acompanhar o Jogo das Estrelas do novo parceiro NBB e da LBF e disse prever um aumento na dificuldade para trazer times da elite do basquete americano. Por isso, já começa a estudar alternativas.

Arnon afirmou que existe uma corrente entre os jogadores da NBA a favor da diminuição da pré-temporada, já que depois os atletas têm de enfrentar um calendário com 82 jogos na fase de classificação mais playoffs. Com menos partidas de preparação, é natural que as viagens para fora dos Estados Unidos também sofram redução. Com isso, a D-League entrou na pauta do escritório brasileiro.

A Liga de Desenvolvimento da NBA foi citada mais de uma vez por Arnon durante sua coletiva. A possibilidade de amistosos entre equipes da D-League e do NBB, seja nos Estados Unidos ou no Brasil, foi cogitada pelo dirigente.

Mas o que é a D-League? Defini-la como a segunda divisão do basquete americano seria impreciso, já que não existe rebaixamento ou promoção. Mas trata-se, sim, de um escalão inferior da modalidade no país, que funciona com regras muito específicas.

Hoje, a D-League conta com 18 equipes. 17 delas são filiadas com franquias da NBA, e a 18ª é filiada com os 13 times da elite que sobraram. Como funciona esse acordo? Um técnico da liga principal pode optar por mandar um jogador sob contrato, mas que não tem espaço em sua rotação, para ganhar ritmo e se desenvolver em sua parceira. É o caso, por exemplo, de Kyle Anderson, 30ª escolha do Draft de 2014 pelo San Antonio Spurs. Naturalmente, recebeu poucas chances ao ingressar no elenco que é o atual campeão da NBA: entrou em quadra em apenas 27 dos 62 jogos da equipe, apresentando médias de 2,6 pontos, 2,5 rebotes e uma assistência em 12,6 minutos por exibição. Porém, quando enviado para a D-League, mostrou que é uma boa aposta para o futuro, obtendo, em média, 22,2 pontos, 9,1 rebotes e 4,9 assistências em 40,9 minutos por partida em 19 jogos pelo Austin Spurs.

A mesma situação já foi vivida pelo brasileiro Bruno Cabloclo nesta temporada, sua primeira na NBA. Selecionado pelo Toronto Raptors na 20ª escolha do Draft de 2014 como projeto para o futuro da franquia, o ala naturalmente não ganhou tempo de quadra de cara e foi enviado algumas vezes para a D-League. Deu o azar de jogar em uma das 13 equipes que dividem a filiação com o Fort Wayne Mad Ant e, tendo de competir por espaço com prospectos bem menos crus, obteve médias de 3,4 pontos e 1,9 rebotes em apenas 8,9 minutos por exibição nos sete jogos que fez até aqui na Liga de Desenvolvimento.

Existe outra maneira de franquias usarem suas filiadas na D-League. Uma equipe da NBA pode escolher um jogador no Draft e deixá-lo atuando na Liga de Desenvolvimento por uma ou mais temporadas antes de assinar contrato com ele. São os casos, por exemplo, de Josh Huestis, selecionado na 29ª escolha do Draft de 2014 pelo Oklahoma City Thunder e que apresenta médias de 10,7 pontos e 5,9 rebotes em 33,3 minutos por exibição no Oklahoma City Blue, e de Thanasis Antetokounmpo, selecionado pelo New York Knicks na 51ª primeira escolha do Draft de 2014 e que apresenta médias de 14 pontos e 6,3 rebotes em 32 minutos por partida pelo Westchester Knicks.

Os elencos dos times da D-League são completados por jogadores que sonham com uma vaga na maior liga de basquete do país, e em sua maioria são jovens americanos. Porém, estes, que não têm relação nenhuma com franquias da NBA, podem assinar com qualquer uma a qualquer momento – não apenas com a filiada de sua equipe da Liga de Desenvolvimento.

Porém, além de futura parceira, a D-League também é vista como possível rival da para o basquete brasileiro. Isso porque Arnon afirmou que sonha com que jovens prospectos sejam mandados para o NBB ao invés de para a D-League por franquias da NBA. Mas como isso seria feito?

Segundo Arnon, o sistema de parcerias entre as franquias que funciona com NBA e D-League não passa de um sonho hoje para o NBB. Deste modo, os jogadores provavelmente seriam enviados para o Brasil antes de assinarem contrato com um time da liga americana de basquete, repetindo os casos de Huestis e Antetokounmpo.

Assim, seja como parceira e/ou rival, a D-League deve se fazer cada vez mais presente na pauta o basquete brasileiro.

Associação de jogadores também tem união de homens e mulheres

por Lucas Pastore em 09.mar.2015 às 2:00h

Entre quinta-feira e domingo, grande parte do pessoal envolvido no basquete nacional esteve reunido em Franca (SP) para o Jogo das Estrelas do NBB e da LBF, que se juntaram pela primeira vez na história na produção do evento. Oportunidade para que a associação de jogadores da modalidade, presidida por Guilherme Giovannoni, ala-pivô do Uniceub/BRB/Brasília e da Seleção Brasileira, organizasse uma reunião com os atletas para tratar dos assuntos que dizem respeito à instituição.

Giovannoni atendeu ao blog no saguão do hotel próximo ao Pedrocão em que a maioria dos jogadores e técnicos ficou hospedada e explicou qual a posição da associação em relação a vários tópicos referentes ao basquete nacional. Preferiu não externar quais os assuntos mais urgentes discutidos pela entidade para respeitar a política interna que julga adequada, mas foi solícito e falou sobre algo que me chamou atenção: a participação das mulheres.

Assim como aconteceu no Jogo das Estrelas, a associação também conta com a participação do basquete feminino. A ala Karla, da ADCF Americana, foi escolhida como representante das mulheres na entidade, e uma das prioridades da reunião durante o fim de semana em Franca foi ouvir quais as demandas das participantes da LBF.

Deste modo, o Jogo das Estrelas serviu para dar esperança ao basquete feminino nacional. A ideia de juntar o evento com o dos homens certamente aumentou a exposição para as mulheres. Posso falar por mim: pelo segundo ano seguido, fui convidado pela LNB para a cobertura do fim de semana. Por isso, no ano passado, não houve material tão aprofundado quanto sobre o dos homens no LANCE! – pela falta de um repórter in loco -, o que mudou neste ano. E saber que há uma entidade como a associação disposta a apoiá-las certamente é mais um indício de que dias melhores podem estar pela frente.

Giovannoni também foi solícito ao falar sobre outros assuntos com o blog. Elogiou a LDB, torneio sub-22 do NBB. O ala-pivô exaltou a evolução na qualidade do campeonato de jovens, e disse ver a transição entre as gerações do basquete nacional como algo natural com o passar do tempo. Segundo ele, a presença de estrangeiros na liga nacional não pode ser apontada como entrave para o processo por ser algo que eleva a qualidade da competição.

A recém-formada associação de técnicos, certamente inspirada no surgimento e na consolidação da de jogadores, também foi tema da conversa com o Giovannoni. O ala-pivô contou que foi convidado para participar da reunião dos treinadores em Franca, em iniciativa para fortalecer o diálogo entre as entidades. Ótima ideia.

Quem acompanha o basquete nacional sabe que ainda existem uma série de problemas a serem resolvidos na modalidade ao redor do país. Mas presenciar um evento como o Jogo das Estrelas e ouvir informações desse tipo sobre a associação de jogadores certamente renova a esperança dos amantes do esporte.

Diário de viagem: Joguei no Pedrocão

por Lucas Pastore em 06.mar.2015 às 2:39h

Dizem que todo jornalista esportivo é um atleta frustrado. Claro que trata-se de uma generalização simplista como qualquer outra, mas, no meu caso, é verdade. Antes de querer ser qualquer coisa na vida, eu quis ser jogador de basquete. A primeira atividade extracurricular que fiz na vida foi a escolinha da modalidade no Colégio São Domingos – no qual estudei do maternal até o terceiro colegial – ministrada pelo professor Ricardo Francisco, quem me fez gostar do esporte.

Pois bem: a falta de aptidão, tanto física quanto técnica, tratou de deixar meu sonho a cada dia mais distante. Depois de jogar basquete no time do colegial do São Domingos, conhecido como Fênix, cursei jornalismo na Universidade Presbiteriana Mackenzie entre 2007 e 2010. Fiz estágio no Núcleo Poliesportivo do LANCE! entre 2010 e 2011 e, em 2013, retornei à empresa como editor do site.

O basquete, claro, nunca saiu da minha vida. Me tornei assinante do League Pass da NBA para acompanhar cada vez mais de perto a liga e, principalmente, o San Antonio Spurs, time para qual dedico parte do meu tempo na produção de um blog específico. Comecei a tomar cada vez mais gosto pelo ascendente NBB. As peladas em parques e praças sempre estiveram presentes.

Uma união de todos esses fatores me fez realizar parte do meu sonho nesta quinta-feira. Convidado pela Liga Nacional de Basquete para cobrir o fim de semana do Jogo das Estrelas pelo LANCE! em Franca, tive a oportunidade de participar do festivo jogo da imprensa. No Pedrocão, um dos templos da modalidade no país.

Eu nem sequer havia pisado neste belo ginásio em meus 27 anos de vida. Um crime para um brasileiro que se diz basqueteiro. A sensação de adentrá-lo pelos vestiários, como atleta, foi inesquecível. Me ajudou a ter o gostinho de realizar parte do meu sonho de infância.

Eu no Pedrocão: lembrança para sempre

Eu no Pedrocão: lembrança para sempre

Blog estará em Franca para o Jogo das Estrelas do NBB

por Lucas Pastore em 02.mar.2015 às 17:50h

Basqueteiro brasileiro não pode se considerar basqueteiro se nunca tiver visitado Franca, uma das cidades mais tradicionais da modalidade no país.  Pois bem: a partir de quinta-feira serei digno do título, já que, a convite da Liga Nacional de Basquete, viajarei ao local para cobrir o Jogo das Estrelas do NBB.

A cobertura começa na quinta-feira, com a entrevista coletiva oficial do evento. Também terei a oportunidade de desfilar meu (limitado) talento em Franca no mesmo dia, no bate-bola da imprensa, iniciativa bem legal do departamento de comunicação da Liga.

A sexta-feira será um dia cheio de atrações para os fãs de basquete. A partir das 19h, o Pedrocão recebe, em sequência, o Desafio de Habilidades, o Arremesso das Estrelas, o Torneio dos 3 Pontos e o Torneio de Enterradas.

No dia seguinte, os grandes eventos: o Jogo das Estrelas do NBB e o Jogo das Estrelas da LBF, em dobradinha até então inédita no basquete brasileiro.

Não deixe de acompanhar a cobertura aqui no blog, no meu Twitter pessoal e na página de Mais Esportes do LANCE!Net. O espaço de comentários está aberto a sugestões e críticas.

Pioneiro na cultura estatística da NBA luta por sua vida

por Lucas Pastore em 07.jan.2015 às 20:27h

Até ser bicampeão da NBA com a camisa do Miami Heat, LeBron James carregava consigo o rótulo de “amarelão” entre jornalistas e fãs menos atentos à liga profissional americana de basquete. Porém, durante a temporada 2009/2010, o ala somou 194 minutos, 45 rebotes, 20 assistências, 12 roubadas de bola e sete tocos nos dois minutos finais de quartos períodos ou de prorrogações em jogos com placar apertado. Em um elaborado cálculo proposto por Harvey Pollack, alcançou 343 pontos em uma estatística avançada que se propôs a medir o poder de decisão de um jogador em partidas apertadas. Dirk Nowitzki, vice-campeão, ficou com 296.

Ok. Mas quem diabos é Harvey Pollack?

Nascido no dia 9/3/1922, Pollack é o empregado mais antigo da NBA. Funcionário do Philadelphia 76ers, é considerado o pai das estatísticas avançadas na liga profissional americana. Além disso, é o único que trabalha desde a fundação do campeonato, há 69 temporadas, até hoje.

Pollack é o funcionário mais antigo da NBA (Foto: Reprodução/nba.com)

Pollack é o funcionário mais antigo da NBA (Foto: Reprodução/nba.com)

A NBA é, atualmente, referência no desenvolvimento, na utilização e na divulgação dos mais variados e complexos tipos de estatísticas. Hoje em dia, por exemplo, em uma digressão pelo site oficial da liga, é possível perceber que Tiago Splitter, o único brasileiro campeão do torneio em toda a história, anota 7,7 pontos por exibição em média nas derrotas do seu San Antonio Spurs, e 7,3 pontos por jogo nas vitórias. Curiosidade que pode ser explicada pelos inúmeros desfalques que a equipe texana sofreu ao longo da temporada.

Mas as ideias hoje disponíveis no site da NBA, cada vez mais elaborada, não estariam ali se não fossem as inovações promovidas por Pollack lá na década de 1960. Foi ele, por exemplo, quem começou a contabilizar os tocos. Além disso, foi dele a ideia de separar os rebotes ofensivos e defensivos nos boxscores de jogos de basquete.

Em 1962, quando Wilt Chamberlain entrou para a história com seu famoso jogo de 100 pontos, era Pollack quem estava trabalhando na atualização do boxscore. Dizem, alias, que foi o estatístico quem fez a placa “100″ que a lenda da NBA exibe na famosa foto após aquela partida. Também há quem diga que foi ele que criou o termo “triplo-duplo”.

Além disso, durante as intertemporadas, tempo em que não tem de se dedicar ao Sixers, Pollack costumava analisar TODOS os boxscores das temporadas anteriores e produzir um livro de estatísticas sobre cada uma delas – o de 2010, por exemplo, está disponível para download no site oficial da franquia da Filadélfia. Nele é possível, entre outras coisas, ver todas as statlines de Chamberlain na temporada 1961/1962 – incluindo o jogo de 100 pontos e 25 rebotes.

Em 2002, Pollack entrou para o Hall da Fama de Naismith. Na ocasião, falou sobre o trabalho estatístico que o consagrou. Confira a seguir a tradução de parte do que ele disse:

Como e quando você começou seu livro estatístico anual?

Na verdade, o primeiro Media Guide do Sixers foi lançado no meio da temporada 1966/1967, quando o Gerente Geral do time, Jack Ramsey, assinou um acordo com a cervejaria Schmitz e autorizou a impressão de um guia de 24 páginas. Em todas as páginas do livro havia um anúncio da Schmitz. Aquele foi o primeiro. O seguinte aumentou para 36 ou 40 páginas, de novo com a cervejaria Schmitz. Na temporada 1968/1969, o dono do time disse que faríamos por nós mesmos. O livro seguinte tinha cerca de 72 páginas. Mas agora, cresceu de 72 para 208, e provavelmente terá 216 neste ano. O Media Guide do Sixers se tornou uma combinação de material sobre o Sixers e sobre a NBA e, ao longo dos anos, o material sobre o Sixers aumentou e o material sobre a NBA aumentou. A partir 1994, ele estava ficando inflexível. Estavam com problemas com a encadernação. Decidiram que, ao invés de um, fariam dois livros. Um livro sobre o Sixers, e um livro sobre a NBA. Dei as boas vindas a isso.

Seu livro estatístico anual é altamente respeitado ao redor da NBA. Nos conte sobre algumas ligações ou visitas que você recebeu de times, repórteres ou jogadores.

A ligação mais interessante que recebi foi de Wilt Chamberlain. Ele constantemente me ligava da Califórnia e me mantinha no telefone, às vezes por horas. Felizmente, era ele quem pagava, não o Sixers. Uma das mais memoráveis foi quando ele disse que o aproveitamento de Michael Jordan nos arremessos a partir dos 3,9624 metros estava abaixo dos 40%. Ele não achava que Michael Jordan arremessava muito entre 3,9624 e 1,524 metros. Então, peguei 20 jogos de Jordan naquele ano e, naqueles 20 jogos, Jordan acertou apenas 38% dos arremessos. Então, peguei mais 20 e encontrei o mesmo resultado. Então eu disse: se eu fiz 40, posso muito bem fazer 82. A avaliação do Wilt estava perfeita. A partir dos 3,9624 metros, Jordan acertava 37,8%. Além disso, ele provou que Jordan arremessava poucas bolas a 2,1336 metros ou menos. Em outras palavras, quando ele chegava a 2,1336 metros e tinha a bola, ele a passava para um colega ou infiltrava para tentar uma bandeja.

No livro, Pat Riley me deu uma. Ele disse que a NBA não registrava o aproveitamento nos arremessos de maneira correta. Deviam separar o aproveitamento nos tiros de dois pontos do de três. Eles separam os de três, mas, de modo geral, não separam os de dois. Então, uma das categorias que mantive foi o aproveitamento nos arremessos de dois pontos. Charles Barkley foi o líder no aproveitamento nos arremessos de dois pontos por anos seguidos.

Rick Carlisle chegou para mim e perguntou se tínhamos uma estatistica que mostrava quem ganhava o tapinha inicial das prorrogações (nós tínhamos). Ele queria comparar quem ganhava jogos a quem ganhava o tapinha inicial. Quando fiz isso para ele, saiu exatamente empatado: 40 a 40. Então eu disse para Rick: “e se eu comparar com quem marca a primeira cesta na prorrogação?” e obtive um resultado diferente: 55 a 25 para quem vence o tapinha inicial.

É legal ver o interesse de Chamberlain, que atuou em uma época muito mais pobre em termos de estatísticas, nesse tipo de número. Além disso, a procura de Pat Riley, atual presidente do Miami Heat, e de Rick Carlisle, hoje treinador do Dallas Mavericks, mostra o quanto Pollack é referência no mundo das estatísticas.

No dia 4 de janeiro, Pollack ficou gravemente machucado após sofrer um acidente de carro e está internado em um hospital em Filadélfia. Aqueles que, como eu, se encantam pela utilização de estatísticas no esporte – ou no basquete, especificamente -, torcem para que ele saia dessa logo. Força, “Super Stat”!

Cleveland Cavaliers de LeBron James começa a engrenar

por Lucas Pastore em 10.dez.2014 às 17:26h

O Cleveland Cavaliers, do “Rei” LeBron James, enfim começa a conseguir explorar o talento que tem. São oito vitórias seguidas, campanha de 13-7 e a quarta colocação na Conferência Leste. A vítima de terça-feira foi justamente o Toronto Raptors, líder da tabela de classificação: 105 a 101, em Ohio, com direito a grande virada no último quarto e exibição monstruosa do astro. Já é hora de temê-los?

A verdade é que a chegada de LeBron caiu no colo do Cavs. Ao contrário do Miami Heat, que em 2010 contratou o ala e Chris Bosh para montar sua trinca de astros ao lado de Dwyane Wade, a franquia de Cleveland não esperava a decisão do quatro vezes MVP da NBA, que, hoje bicampeão da liga, resolveu voltar para tentar um título com sua franquia da casa.

Prova disso era a clara reconstrução promovida no elenco. Eram vários jovens jogadores, como Kyrie Irving, 1ª escolha do Draft de 2011; Tristan Thompson, 4ª escolha em 2011; Dion Waiters, 4ª escolha em 2012; Anthony Bennett, 1ª escolha em 2013; e Andrew Wiggins, 1ª escolha neste ano. Fazendo o papel de veterano em meio às promessas, estava o brasileiro Anderson Varejão, hoje aos 32 anos de idade, que está na equipe desde 2004.

A questão é que, com a chegada de LeBron, a diretoria se viu pressionada a acelerar a reconstrução para aumentar as chances de título a curto prazo. Então lá foram Bennett e Wiggins para o Minnesota Timberwolves em troca de Kevin Love, que chegava credenciado pelas médias de 26,1 pontos, 12,5 rebotes e 4,4 assistências em 36,3 minutos por exibição obtidas na temporada anterior.

O novo Big Three estava formado: Kyrie Irving, LeBron James e Kevin Love. Mas, a princípio, sofreu com a montagem às pressas. Parte disso deve-se à presença, no banco de reservas, de David Blatt, que chegou gabaritado pelo título da Euroliga conquistado neste ano com o Maccabi Tel Aviv, mas com experiência zero de NBA.

A aposta de Blatt foi em montar seu time com quatro jogadores abertos, com Kevin Love funcionando como um stretch-four – ou seja, um ala-pivô mais arremessador do que com presença de garrafão. Hoje, o ala-pivô arrisca 4,8 bolas de três e acerta 1,8 – boa taxa de conversão de 36,8%. O pick-and-pop com LeBron vem funcionando desde a pré-temporada com eficiência.

Porém, aqui, vale uma observação. Na temporada passada, Love teve 19,31 oportunidades de rebote por jogo – ou seja, quando a bola caiu a até cerca de 1,07m dele -, e coletou 64,8% deles, liderando a NBA entre os alas-pivôs. Vale à pena tirá-lo da tábua ofensiva para transformá-lo em arremessador? Ou, ainda, será que não era possível encontrar um jogador mais eficiente para a função – como Tobias Harris (43,4% da linha dos três pontos), Marcus Morris (42,9%) ou Channing Frye (40,7%) – a um preço menor do que Wiggins + Bennett?

De qualquer modo, as oito vitórias seguidas e o triunfo sobre o Raptors, líder do Leste – ainda que desfalcado do astro DeMar DeRozan – mostram que a equipe está melhorando. Algo mais do que natural para um time que conta com tanto talento. Mas ainda há problemas a serem resolvidos.

O principal deles está no perímetro. Kyrie Irving e, especialmente, Dion Waiters têm de aprender a jogar sem a bola, que tem de ficar o máximo possível nas mãos de LeBron. O ala-armador já foi movido para a segunda unidade, mas mesmo assim segue com seu instinto de tentar pontuar sempre que acionado. O armador, por sua vez, é um arremessador confiável do perímetro e tem de explorar esta faceta quando joga ao lado de The King.

A presença de arremessadores também é importante, já que o time conta em sua rotação regular com jogadores como Shawn Marion, Anderson Varejão, Tristan Thompson e o próprio LeBron, que não espaçam a quadra. Mike Miller, hoje lesionado, e Matthew Dellavedova, voltando de contusão, serão fundamentais para abrir caminho para as infiltrações do camisa 23. O retorno do australiano, inclusive, se mostrou importantíssimo contra o Raptors dos dois lados da quadra na virada sobre o Raptors – o armador atuou por todo o quarto período.

Ainda há uma série de questões a serem respondidas por este Cavs. Irving e Waiters vão aprender a jogar com a bola sem ficarem insatisfeitos? O time titular com LeBron, Marion e Varejão pode continuar sem problemas de espaçamento de quadra? O brasileiro e Thompson podem proteger bem o aro em jogos decisivos? Love pode ser eficiente mesmo sem pisar no garrafão? Mas, mesmo assim, a equipe já dá mostras de que o talento está lá. Será o bastante para brigar pelo título?

Análise – Lucas Mariano e o Draft da NBA

por Lucas Pastore em 19.jun.2014 às 6:00h

Com José Luiz Galvão, do blog Go-to Guy

English version (Versão em inglês)

Com o Draft da NBA, marcado para o dia 26 de junho, no Barclays Center, se aproximando, sites especializados na cobertura do recrutamento de calouros começam a produzir páginas e matérias sobre os prospectos – os chamados Scouting Reports. Por isso, o blog centralizou todo o material disponível e criar algo parecido sobre Lucas Mariano, ala-pivô do Franca e representante brasileiro no recrutamento de calouros.

Lucas Mariano, à esquerda, em ação no NBB (Allan Conti/Divulgação)

A notícia de que Lucas colocou seu nome no Draft da NBA surgiu no fim de abril. O ala-pivô de 20 anos de idade e 2,05 m de altura apresentou médias de 13 pontos (46,8% FG, 34,7% 3 PT, 78,5% FT) e quatro rebotes em 29,3 minutos por jogo na fase de classificação do NBB, e 11,7 pontos (45,4% FG, 35,3% 3 PT, 73,8% FT) e 3,2 rebotes em 28,8 minutos por exibição nos playoffs.

A favor de Lucas, pesa a experiência no basquete profissional. Enquanto a maioria dos prospectos vem de universidades americanas, o brasileiro já vem com a tarimba de 103 partidas no NBB, tendo estreado na temporada 2009/2010. De lá para cá, são 80 partidas de fase de classificação e 23 de playoffs,  e médias de 10,2 pontos (52% FG, 34,2% 3 PT, 73% FT) e 3,8 rebotes em 22,6 minutos por exibição.

Basta uma simples comparação das médias de Lucas na carreira e na última temporada para se tirar algumas conclusões. A primeira é a de que o ala-pivô vive um momento importante de evolução – os pontos e minutos por jogo estão em crescimento. Mas o que mais chama atenção é seu trabalho específico em um fundamento: os arremessos de três pontos.

Durante suas quatro primeiras campanhas profissionais, Lucas ficou em quadra, no total, por cerca de 1.140 minutos, em todo esse tempo, arremessou apenas cinco bolas de longa distância – todas elas na temporada 2012/2013. Não converteu nenhuma. Agora, no último campeonato, o jogador tentou um arremesso de três a cada 7,7 minutos, e acertou um a cada 22,4 minutos. É claramente um foco do seu desenvolvimento.

No total, nos 41 jogos que disputou na temporada, Lucas teve 35,1% de aproveitamento nas bolas de três. Nada mão para um jogador de garrafão que ainda dá os primeiros passos no fundamento, mas ainda pouco para fazer com que ele tenha destaque na NBA. Durante a fase regular da liga profissional americana, 23 jogadores de garrafão tiveram desempenho melhor nos tiros de longa distância: Jon Leuer  (46,9%), Matt Bonner (42,9%), Spencer Hawes (41,6%), Anthony Tolliver (41,3%), Drew Gooden (41,2%), Ryan Anderson (40,9%), Boris Diaw (40,2%), Roy Hibbert (40%), Dirk Nowitzki (39,8%), Mirza Teletovic (39%),  Josh Harrellson (38,7%), Serge Ibaka (38,3%), Marcus Morris (38,1%), Kevin Love (37,6%), Darrell Arthur (37,5%), Byron Mullens (37,1%), Channing Frye (37%), Glen Davis (36,4%), Al Horford (36,4%), Patrick Patterson (36,4%), Josh McRoberts (36,1%) e Paul Millsap (35,8%).

Claro, aqui há duas ressalvas que precisam ser feitas. A primeira é que muitos destes 23 jogadores são arremessadores de ocasião, que não chegam nem perto de atirar uma bola de 3 por jogo, o que gera uma distorção estatística. Mas também vale lembrar que eles enfrentam defesas muito mais qualificadas e atléticas e que Lucas terá de lidar com isso se realizar o sonho de chegar à NBA.

De qualquer modo, o desenvolvimento de Lucas caminha positivamente neste aspecto. Lucas já se coloca como o quinto melhor arremessador de longa distância do Franca, atrás apenas do armador Antonio (40,6%) e dos alas Jhonatan (41,5%), Léo Meindl (36,7%) e Basden (35,3%). Com 1,52 bolas de três convertidas a cada 36 minutos, também se posiciona atrás do quarteto: Meindl (1,99), Basden (1,91), Jhonatan (1,84) e Antonio (1,74). Ou seja, se destaca como jogador de garrafão no fundamento e dá uma importante opção tática para o técnico Lula Ferreira.

Porém, há algo urgente para que Lucas consiga sonhar com a NBA: rebotes. Na temporada, o ala-pivô coletou 4,77 a cada 36 minutos, e é apenas o sexto melhor jogador do Franca no fundamento! Ficou atrás de Paulão (10,96), Feliz (9,12), Socas (5,94), Jhonatan (5,69) e Meindl (5,58).

Tomando como base jogadores da NBA que têm altura maior ou igual a 2,05m e foram capazes de converter 50 ou mais bolas de três pontos com aproveitamento superior a 35% na última temporada, temos o seguinte:

Jogador 3-pt % ORB% DRB%
Kevin Love 37.6% 8.5% 29.5%
Spencer Hawes 41.6% 5.6% 24.2%
Kevin Durant 39.1% 2.2% 18.6%
Dirk Nowitzki 39.8% 1.8% 20.0%
Channing Frye 37.0% 3.6% 16.6%
Chandler Parsons 37.0% 2.9% 12.8%
Josh McRoberts 36.1% 4.0% 13.8%
Mike Dunleavy 38.0% 2.1% 13.0%
Patrick Patterson 36.4% 8.8% 17.1%
Marvin Williams 35.9% 5.5% 17.9%
Marcus Morris 38.1% 5.2% 14.6%
Ryan Anderson 40.9% 9.5% 11.3%
Steve Novak 42.6% 1.7% 10.8%
Média 38.5% 4.7% 16.9%
Lucas Mariano 35.1% 5.4% 10.3%

Sendo 3 PT% o aproveitamento nos arremessos de três pontos, ORB% a quantidade de rebotes ofensivos disponíveis coletada pelo jogador e DRB% a quantidade de rebotes defensivos disponíveis coletada pelo jogador.

Para se manter em quadra, um ala-pivô com essa característica de jogar aberto precisa pegar rebotes. Quando isso não é possível (como nos casos de Mike Dunleavy, do Chicago Bulls, e Chandler Parsons, do Houston Rockets, por exemplo), o jogador precisa saber defender jogadores de perímetro, setor em que não existe pressão para eficiência em tal fundamento. Steve Novak, do Toronto Raptors, é a prova: ele é o melhor arremessador da tabela acima em aproveitamento, mas teve média de apenas 10 minutos por jogo justamente por ter esta característica unidimensional – e consequentemente por comprometer em outras áreas.

O caso de Lucas Mariano – mal comparando – é similar ao de Novak, já que o brasileiro não irá defender jogadores de perímetro e até hoje nunca provou que pode pegar rebotes defensivos o suficiente quando enfrenta atletas mais pesados.

Isso pode ser ainda mais danoso em uma NBA em que os treinadores estão dando mais espaço para novatos que chegam prontos na defesa em detrimento dos pontuadores. Pense em caras como Paul George e Kawhi Leonard, por exemplo, que foram recrutados por equipes fortes – Indiana Pacers e San Antonio Spurs, respectivamente -, mas mesmo assim tiveram espaço desde o início e ganharam minutos preciosos de desenvolvimento para chegarem aonde estão hoje. Você só desenvolve seu jogo e se adapta à liga se jogar, e você só consegue jogar inicialmente provando que consegue ser útil defensivamente.

Essa é a barreira que separa Lucas da NBA no momento. Seu potencial como jogador de garrafão que pode arremessar de fora, atuar frequentemente no pick-and-pop e, de quebra, espaçar melhor a quadra para sua equipe é algo bem raro entre os atletas no geral, mas pra se tornar especial sob o ponto de vista da liga profissional americana, ele terá de aprender a ser eficiente em outras áreas.

Como outro exemplo, vale ressaltar que o número de roubos de bola de Lucas foi um pouco decepcionante nesta temporada: apenas 0,5 a cada 36 minutos jogados. Uma coisa que pode ser percebida quando se acompanha recrutamentos de calouros é que alguns olheiros consideram que a taxa de roubos do atleta é o melhor indicador de atleticismo que você pode encontrar via estatística. Pode parecer até arbitrário, mas é algo que influencia nas avaliações destes profissionais.

A parte boa, entretanto, é que, sendo recrutado ou não, ele não deverá partir imediatamente para a liga norte-americana, podendo assim evoluir em fundamentos importantes e tapar os buracos do seu jogo. Nesta offseason, ele terá uma oportunidade importante para crescer, já que foi convocado para defender a Seleção Brasileira no Sul-Americano, entre os dias 24 e 28 de julho, na Venezuela.

Prévia das finais da NBA

por Lucas Pastore em 05.jun.2014 às 13:50h