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Arquivo da Categoria ‘são paulo’

SEGUNDO TEMPO, INDEPENDÊNCIA

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Atlético Mineiro 4 x 1 São Paulo

1 – Frenético Mineiro. Blitz feroz nos primeiros segundos do jogo. Duas chances evidentes antes do cronômetro marcar dois minutos. Pressão que reúne a adrenalina, o barulho e a velocidade com que a bola chega ao gol são-paulino. Não é correto dizer que o visitante sentiu o golpe, porque o jogo mal tinha começado. Não houve mudança de comportamento. O árbitro apitou, a bola chegou à área de Rogério e de lá não saiu.

2 – Uma aparição de Ganso na área obriga Victor a usar os pés. Falsa sugestão de que o jogo passou a ser disputado por duas equipes. Engano. O Atlético não está instalado no campo de ataque, mas controla tudo o que acontece no Independência. A um São Paulo de posses curtas, resta tentar converter em calma uma tempestade assustadora. Em vão. Tardelli e Bernard são velozes demais.

3 – O Atlético agride como uma série de ondas num dia de ressaca. O São Paulo tem apenas o tempo suficiente para erguer a cabeça acima da superfície, antes que uma nova montanha de água desabe. E o perigo vem de todas as formas. De trás, pelo chão, com os volantes mineiros ultrapassando as linhas de pressão sobre a bola. De perto, com o alto volume de desarmes na metade do campo. E de longe, com a já tradicional bola longa de Victor em ligação direta.

4 – 17′, 1 x 0. De Victor para o campo de ataque, a ideia é que Jô “quebre” a bola para um dos atacantes. A jogada do gol não se desenvolve assim. Mas a bola encontra Tardelli no lado direito. O passe para Bernard liga o alarme na defesa do São Paulo. A sobra para Jô é aproveitada com um petardo.

5 – Em oportunidades construídas, o primeiro tempo termina com 5 x 1 a favor do Atlético. Pelo volume, pareceu até mais.

6 – A primeira obrigação do São Paulo era entrar em estado de amnésia induzida. Esquecer onde estava, como estava e quanto estava. Recomeçar do zero em busca de no mínimo dois gols improváveis. Mesmo se conseguisse alcançar tal desprendimento, teria de lidar com um adversário superior e longe, longe de estar satisfeito. Nem nos piores cenários os planos tricolores consideravam o que se passaria no segundo tempo.

7 – 17′, 2 x 0. Mesmo minuto do primeiro gol, e mesmo autor. A zaga são-paulina perde Jô na linha do impedimento. Jô não perde a chance de iniciar a festa. O placar encerra o confronto, mas não o jogo. O Atlético tem outras intenções.

8 – 19′, 3 x 0. Nocaute. Mais uma bola que vem do campo de defesa, e Rafael Tolói resolve participar do ataque do Atlético. Não percebe Tardelli, em altíssima velocidade, passar por ele em direção à área. Cabeceia na medida para a intervenção do atacante, antes de Rogério. O jogo entra oficialmente no território das goleadas, opõe euforia e depressão com contornos claros.

9 – 23′, 4 x 0. De batido a abatido, o São Paulo perambula no Independência à espera do fim do sofrimento. Mas, além de ser muito cedo para a rendição, o Atlético está se divertindo. Começa o show estético de Ronaldinho, que jogava muito bem mas com certa discrição. Ele ganha no ombro de Wellington e aciona o artilheiro da noite. Triplete de Jô.

10 – 30′, 4 x 1. O São Paulo chega a um gol que será pouco lembrado. Luis Fabiano.

11 – Aparição de Ronaldinho melhor do mundo. Sequência de fintas humilhantes na lateral do campo, uma delas para Douglas jamais esquecer. Outra finta na área, e o gol não sai por pouco. Magia.

12 – Majestoso Atlético. Entre dois times grandes do futebol brasileiro, é um dos jogos mais unidimensionais dos tempos recentes. Um Atlético dominante em todos os ângulos. Vibrante e brilhante. Um São Paulo superado, subjugado, entregue. Não houve competição no Independência nesta quarta-feira. Houve uma exibição de um excelente time de futebol.

PRIMEIRO TEMPO, MORUMBI

quinta-feira, 2 de maio de 2013

São Paulo 1 x 2 Atlético Mineiro

1 – Atlético acuado, envolvido pela esperada pressão inicial do São Paulo e dos são-paulinos. Os primeiros 15 minutos parecem a sequência do jogo no mesmo Morumbi pela fase de grupos. Pressão alta do mandante, energizado pelo ambiente. Rápida circulação da bola, que não sai do campo de ataque. Bernard e Tardelli não podem ser acionados porque o Atlético é impedido de pensar. Gol iminente.

2 – 8′, 1 x 0. O cruzamento do lado direito encontrou a zaga mineira. Ganso encontrou uma maneira de consertar o que deu errado. Controle na área, soberba noção de espaço, uma finta e dois atleticanos saem da foto. Toque de pé direito para Jadson, que não precisou de nada mais. A finalização de primeira é típica de um jogador que já sabia o que faria, e já tinha visualizado a bola entrando no canto esquerdo de Victor. O chute é apenas a materialização do lance.

3 – O Morumbi ainda pulsava – e o Atlético não tinha respirado – quando Aloísio pediu substituição, por lesão muscular. O choro do atacante, produto da noção de que um afastamento o espera, foi um prenúncio de como a noite terminaria para o São Paulo. O jogador que entrou em seu lugar, Ademilson, foi substituído por Rhodolfo, que foi substituído por Douglas.

4 – Aloísio faria os gols que Ademílson perdeu? Quem pode responder? Exagero falar em “quatro chances claras”. Mas uma foi. Saiu por cima, e ninguém pode dizer como ficaria o jogo – e o confronto – se o São Paulo fizesse o segundo. Sopro de sorte para o Atlético, que em breve passaria de dominado a dominante, metamorfose que poucos esportes proporcionam de forma tão instantânea quanto o futebol.

5 – Lúcio levou um cartão amarelo aos 24 minutos. Marcos Rocha deveria ter levado um vermelho no minuto seguinte. Vermelho que Lúcio mereceu aos 34, por falta de pontualidade e excesso de força na carga em Bernard. A vantagem numérica, primeiro, acalmou o Atlético. Depois, permitiu que os mineiros controlassem a bola e o tempo. O campo amplo contribuiu para a troca da guarda do jogo.

6 – 41′, 1 x 1. Escanteio da direita, e o jogador menos cotado para marcar um gol de cabeça apareceu na segunda trave. O toque não foi forte, mas a bola tinha olhos. Passou tranquila pelo espaço entre os defensores e o goleiro são-paulino, contou com a indecisão de todos e só parou na rede lateral. No final do primeiro tempo, a maldição se fez sentir no Morumbi: gol qualificado do Atlético e todo a segunda parte com um jogador a menos.

7 – Senhor Atlético. Sereno sem ser complacente. Paciência, não negligência. Ronaldinho dava as cartas, mas Tardelli é quem dava as ordens no jogo. A vocação do atacante para se desmarcar criou uma situação frequente em partidas de futebol. Estava evidente que quando Tardelli e a bola estivessem juntos, no lugar certo, o Atlético estaria a caminho de casa com um sorriso no rosto.

8 – 14′, 1 x 2. Marcos Rocha providenciou o encontro na área. Tardelli se encarregou do resto. Velocidade e instinto de goleador na conclusão de primeira para superar Rogério Ceni. Momento que se construía diante de todos. O Atlético esperava pela hora certa, o São Paulo sabia que tinha poucas chances de evitá-la. As probabilidades estavam dramaticamente a favor do visitante.

9 – E permanecem assim, quando transportamos o raciocínio para o jogo de volta. Cerca de uma hora com dez homens castigou o São Paulo, que recebe o Corinthians para a semifinal do Campeonato Paulista no domingo. O Atlético saiu inteiro do Morumbi e vive uma situação bem menos complicada em seu estadual. Na próxima quarta-feira, ambos se reencontram em Belo Horizonte, num local onde o Atlético se sente ainda mais forte.

10 – O desequilíbrio seria ainda maior se Luan não desperdiçasse o terceiro gol, cujo autor teria sido Rosinei e o mentor, Ronaldinho.

11 – Segundo tempo, Independência.

KALIL, JUVENAL E SANCHEZ

quinta-feira, 25 de abril de 2013

O encontro entre Atlético Mineiro e São Paulo, pela fase de oitavas de final da Copa Libertadores, é o pano de fundo para uma movimentação importante nos bastidores do futebol brasileiro.

Causou interesse entre dirigentes paulistas o fato de Alexandre Kalil, presidente do Atlético, ter acompanhado Marco Polo Del Nero e José Maria Marin na viagem a Assunção, por conta da renúncia de Nicolas Leoz.

Apenas presidentes de Associações Nacionais foram chamados à sede da Conmebol.

A notícia de que os jogos entre Atlético e São Paulo terão arbitragem internacional (o que, por norma, depende da solicitação de apenas um dos clubes envolvidos em confrontos domésticos) começou a esclarecer o propósito da presença de Kalil no Paraguai.

Nesta quinta-feira, uma informação gerou convulsões no São Paulo: o pedido do Atlético de apito estrangeiro teria contado com o apoio do presidente da CBF.

Além de desprestigiar os árbitros brasileiros, o envolvimento de José Maria Marin foi digerido como traição pelo clube do Morumbi, que até há algum tempo o considerava um aliado. A relação pode azedar de vez.

Os dois jogos anteriores entre ambos foram mediados por juízes brasileiros, sem maiores problemas. O clube paulista não se opõe a um apitador de outro país, mas aparentemente se incomoda com o que enxerga como
influência de Marco Polo Del Nero – este sim desafeto – na questão.

O episódio pode concretizar uma aproximação improvável com vistas à sucessão de Marin na CBF. Juvenal Juvêncio e Andrés Sanchez têm se falado com frequência ultimamente.

NO LANCE! DE HOJE

sábado, 20 de abril de 2013

(minha coluna no Lance! deste sábado, publicada aqui a pedido dos editores do jornal)

RIVAIS NO NINHO

Você é capaz de imaginar Corinthians e São Paulo disputando um título na China? Há quem esteja tomando providências para que aconteça. A ideia, sigilosa até este momento, já foi levada aos dois clubes e está nas mãos da Conmebol para uma decisão definitiva.

A iniciativa é do mesmo grupo que levou a Supercoppa da Itália, jogo de pré-temporada entre os campeões da Série A italiana e da Coppa Itália, a ser realizada no estádio olímpico de Pequim em três dos últimos quatro anos. O plano é fazer o mesmo com a Recopa Sul-Americana, que reúne os campeões da Copa Libertadores e da Copa Sul-Americana. Se todos os detalhes forem acertados, os rivais paulistas podem se enfrentar no Ninho de Pássaro, no segundo semestre.

Mas há problemas no caminho, e não são simples. Desde 1995, a Recopa Sul-Americana é disputada em dois jogos, com vantagem de mando para o campeão da Libertadores. O planejamento de marketing da competição é feito com base numa decisão em mão dupla, com os evidentes desdobramentos de direitos de televisão e exposição de patrocinadores. A conversão do sistema para um jogo único, condição para que o evento aconteça no palco que simbolizou os Jogos Olímpicos de 2008, é o quebra cabeça que a Confederação Sul-Americana de Futebol tenta montar.

Os clubes não falam no assunto, por orientação da Conmebol. Mas uma fonte ligada ao Corinthians tem conhecimento das negociações e aponta uma dificuldade: ao contrário da Supercoppa Italiana, jogo de abertura de temporada e de menor significado esportivo, a Recopa Sul-Americana deve ser tratada com máxima importância por Corinthians e São Paulo. “Você não troca um mando de jogo em sua casa, numa disputa de título com um rival, por dinheiro e exposição internacional”, disse a fonte, consultada em condição de anonimato por não participar das conversas.

A coluna apurou, no entanto, que os envolvidos gostaram da proposta e aguardam o desfecho decidido pela Conmebol. Ao que parece, os retornos financeiros e de mídia provenientes de uma rápida excursão à China no segundo semestre, ainda que durante a disputa do Campeonato Brasileiro, agradam as diretorias dos clubes paulistanos.

A Supercoppa Italiana é um evento acostumado a viajar. Já aconteceu duas vezes nos Estados Unidos e uma em Trípoli, na Líbia. Em 2009, 2011 e 2012, levou mais de 60 mil pessoas ao Estádio Nacional de Pequim. O maior público foi o do jogo de dois anos atrás, entre Milan e Internazionale, com 80 mil presentes.

Em sua história mutante, a Recopa Sul-Americana também se internacionalizou. De 1989 a 98, período em que reuniu o campeão da Libertadores e da Supercopa da Libertadores (torneio entre os campeões continentais), esteve em Miami e no Japão. São Paulo e Botafogo – este como convidado por ter sido campeão da Copa Conmebol, pois o São Paulo venceu a Libertadores e a Supercopa no ano anterior – jogaram em Kobe, em 1994, última vez que dois clubes brasileiros decidiram o título.

Dezenove anos depois, o destino pode ser a China.

NOTAS DO MORUMBI

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Começou ontem, no Morumbi, o encontro de oitavas de final da Copa Libertadores entre São Paulo e Atlético Mineiro.

O time da casa entendeu assim. O visitante, não.

Notas:

1 – Da mesma forma que se costuma confundir raça com violência, enxerga-se vontade onde há intensidade. O volume de esforço é o único aspecto de um jogo de futebol que está inteiramente sob controle dos jogadores. É obrigação, não qualidade.

2 – E é uma obrigação distinta para cada jogador. Volantes marcadores, por exemplo, têm seu desempenho dependente de entrega física. Não é tudo, mas é essencial. Jogadores como Ganso (mais sobre ele adiante), por outro lado, precisam estar em sincronia com o jogo, com memória livre no HD para fazer o time rodar.

3 – Ser esforçado, apenas, não é uma boa definição para uma equipe. Indica níveis técnicos insuficientes. Intensidade é algo completamente diferente.

4 – O São Paulo foi intenso ontem. Como ainda não tinha sido em 2013. Intenso na maneira como encarou o jogo, como se alimentou do ambiente criado pelo torcedor, como transferiu concentração e atuação para ser melhor do que o adversário.

5 – Ganso. Estava claro que a vitória dependia de sua contribuição em maior escala do que vimos até agora. Foi intenso, também. Mas a seu modo, com maior frequência de aparições, com os recados dados a seu time – e ao oponente – cada vez que tocou na bola.

6 – O pedigree de um jogador diferente se percebe em lances como o do segundo gol. Domínio com pensamento à frente, noção espacial avançada, passe.

7 – Osvaldo. Bate-estaca no primeiro tempo, moto-serra no segundo. Questão de ajuste, mérito de Ney Franco. O passe para Aloísio foi o momento transformador do jogo.

8 – O Atlético foi a própria antítese. Faltou tudo. Flácido, permissivo, indiferente. Pareceu levar o jogo como um exercício não obrigatório, um simulado inconveniente. Se fez isso, cometeu um erro.

9 – Tardelli. Ausência sentida, especialmente num jogo em que a saída rápida seria uma opção evidente. Jogaria se fosse uma partida eliminatória? Se sim, a decisão de não utilizá-lo foi o primeiro equívoco.

10 – A oportunidade do Atlético era clara: três jogos para eliminar o São Paulo, com a chance dourada de fazê-lo em apenas um, e com o benefício do empate. Era a única forma de não conviver com as dúvidas e os problemas que hoje se apresentam. Era decisão.

11 – O confronto se repetirá em mais dois jogos. Esta quarta-feira foi didática: para o São Paulo, uma visão do caminho. Para o Atlético, um aviso preocupante.

13 – O que vimos teve pouco a ver com raça ou falta dela. Futebol é muito mais.

BOM CLÁSSICO

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Pênalti? Que pênalti?

Ok, está claro que não será possível falar sobre o clássico (São Paulo 1 x 2 Corinthians: Jadson, Danilo e Pato) sem opinar sobre o fatídico lance lá pelos 30 minutos do segundo tempo.

A meu ver, o árbitro acertou.

Pato chegou antes, tocou a bola. Rogério chegou atrasado, tocou Pato. Falta.

Se me permitem, gostaria de falar sobre o jogo.

Aí vai:

1 – Jadson joga, não? Ele tem o tipo de toque que indica uma relação mais aprofundada com a bola. Tem a clareza de quem enxerga o que é invisível aos outros. Tem a habilidade e o veneno dos meias que este país deixou de produzir. A forma como ele concluiu a jogada do gol não deixou dúvidas quanto ao desfecho.

2 – Não é fácil, para time nenhum, se equilibrar depois de um gol tão cedo e equilibrar um clássico. Exige tranquilidade, confiança e paciência. O Corinthians tem essa capacidade de, lentamente, assentar-se no jogo e fazer as coisas a seu modo. Merecida igualdade logo antes do intervalo, por tudo o que se produziu no primeiro tempo.

3 – Jogo de afirmação para Emerson Sheik. Seu papel é conhecido: força, velocidade, manutenção da bola no ataque, incômodo permanente. Quando não consegue reunir tantas facetas, sua presença em campo corre perigo. Quando oferece todo o pacote, e ainda acerta uma virada de jogo como a que criou a oportunidade para Danilo, converte-se em jogador decisivo. A questão é sustentar esse tipo de atuação.

4 – Danilo. Dizer o quê? É cada vez mais difícil encontrar jogadores que utilizam o chamado “pé ruim” para tarefas mundanas como ajeitar a bola ou dar um toquinho tímido, de lado. Não sei por qual razão, é ainda mais difícil encontrar canhotos que se lembrem que possuem outro pé. Mas existe Danilo, um canhoto que domina, cruza, lança e chuta com o pé direito. E que faz um gol como aquele com o pé direito.

5 – Que boa impressão o São Paulo deixava no segundo tempo, até o pênalti. Posse, campo aberto, movimentação da bola com envolvimento coletivo. Para quem achava que Jadson e Ganso se atrapalham e atrapalham o time. Falácia. Se você tem jogadores assim, tem de dar a eles as condições de produzir. Os dois meias são-paulinos geraram o jogo que poderia construir a vitória.

6 – Nesta configuração, Luis Fabiano precisa entendê-los. Deve se colocar na última linha do adversário e se desmarcar para se transformar em opção. Um atacante perigoso e eficiente como ele é tudo o que meias inteligentes precisam. Mas a bola precisa de um destino.

7 – Notável – o que não se via há algum tempo – a noção de recomposição do Corinthians no campo de defesa. Perceptível  nos momentos em que o São Paulo acelerou a transição e deu a impressão de atacar com o mesmo número de jogadores que os defensores adversários. De um instante a outro, havia maioria de corintianos. Mérito físico, sim, mas primordialmente tático.

8 – Cada time pretendia vencer de um jeito. O São Paulo, tentando ocupar o campo de ataque. O Corinthians, chamando o oponente de olho no espaço que ele deixaria. Ambos os objetivos eram perfeitamente alcançáveis.

9 – Pato. Para um jogador com tamanho histórico de problemas musculares, a jogada do pênalti é simbólica. O arranque e a chegada antes de Rogério, que estava mais próximo da bola.

10 – O árbitro acertou, também, ao não expulsar o goleiro do São Paulo. Ele não quis fazer a falta, mas fez. Atraso na disputa de bola que termina em carga faltosa é um dos lances mais comuns que existem. Cartão vermelho não teria propósito.

11 – Um bom clássico neste insosso Campeonato Paulista, enfim. Disputado como se a Copa Libertadores não estivesse no calendário, e na semana, dos dois times envolvidos.

NOTINHAS DA CLA

sexta-feira, 15 de março de 2013

Duas derrotas e duas vitórias para os clubes brasileiros na Libertadores:

* Havia seis jogadores do Grêmio, contra dois do Caracas (2 x 1), no lance do segundo gol venezuelano. Foi como se não houvesse nenhum.

* É a jogada que melhor ilustra a declaração (“pensamos que íamos ganhar fácil”) de Cris.

* A escalação do Corinthians na vitória (3 x 0) sobre o Tijuana parece ser a melhor à disposição de Tite.

* Renato Augusto participou dos três gols, amostra do que ele pode oferecer ao time.

* O melhor time do torneio ganhou (Atlético Mineiro 2 x 1 Strongest) na altitude de La Paz e pode determinar qual será o outro classificado do grupo.

* Impecável a Libertadores de Ronaldinho Gaúcho até o momento.

* O gol contra que deu a vitória ao Atlético adquiriu um tamanho gigantesco ao final da derrota do São Paulo (Arsenal 2 x 1) na Argentina.

* É difícil acreditar que o São Paulo só fez um ponto em dois jogos contra o Arsenal.

NOTINHAS DA CLA

sexta-feira, 8 de março de 2013

Todos os brasileiros jogaram, só dois venceram:

* A atuação do Grêmio (4 x 1 no Caracas, na Arena) não deixou dúvidas sobre as pretensões e as possibilidades do time no torneio.

* Equipes de rádio da Venezuela que foram transmitir o jogo tiveram de gravá-lo, por causa do luto no país pela morte de Hugo Chávez.

* Num torneio em que vencer como mandante é quase sagrado, o Fluminense (1 x 1 com o Huachipato, no Engenhão) deixou de ganhar dois jogos em casa, mas lidera seu grupo.

* O lance do pênalti cometido pelo Huachipato é dos mais bizarros dos últimos tempos.

* A vitória do Palmeiras (Tigre 1 x 0, na Argentina) esteve nos pés de Kleber, num lance que ele certamente gostaria de ter de volta.

* “Torcedor” que pressiona – e nem estou falando necessariamente de agressão – o time do Palmeiras nesta edição da Libertadores prova que não tem um mísero neurônio.

* Acabou – em 17 jogos – a sequência invicta do Corinthians (Tijuana 1 x 0, no México) na competição. O que é normal. Anormal é vencer a Libertadores sem perder nenhum jogo.

* Os três jogos do clube até agora foram “estranhos”: um a quase 4 mil metros de altitude, outro sem torcedores no estádio, e outro em gramado artificial.

* O empate do São Paulo (1 x 1 com o Arsenal, no Pacaembu) ofuscou mais uma atuação primorosa de Jadson.

* Situação complicada: a obrigação de vencer no Atlético no último jogo, no Morumbi, sem depender de outro resultado para se classificar, pode ser o melhor cenário.

* O Atlético Mineiro (2 x 1 no Strongest, no Independência) é um dos dois únicos – Tijuana – times com 100% de aproveitamento.

* Outra boa partida de Ronaldinho Gaúcho, atuando entre as linhas do time boliviano.

NOTINHAS DA CLA

sexta-feira, 1 de março de 2013

Algumas linhas sobre os jogos dos clubes brasileiros, nesta semana, pela Libertadores:

* Tão sensacional quanto a goleada do Atlético Mineiro (5 x 2) sobre o Arsenal foi a presença da torcida brasileira na Argentina.

* Cerca de 2500 torcedores, destaque nos jornais argentinos. Foi como se o jogo quisesse agradecê-los, prova de que “a sorte acompanha os audazes”.

* Os empates e as vitórias dos mandantes estão proibidos no Grupo 8, do Grêmio e do Fluminense (2 x 1 no Huachipato, no Chile).

* O inacreditável gol perdido por Wellington Nem não fez falta.

* O time do Millonarios, que já não é dos mais fortes, demorou uns bons 15 minutos para entender o que estava acontecendo no Pacaembu vazio.

* Pareceu estar em ritmo de treino, contra um Corinthians (2 x 0) tranquilo e concentrado.

* O São Paulo (2 x 1 no The Strongest) não jogou bem, mas cumpriu o primeiro mandamento da Libertadores: “não deixarás de vencer em casa”.

* Mexidas de Ney Franco funcionaram no segundo tempo.

* O Libertad (2 x 0 no Palmeiras) é claramente o time mais forte do grupo 2. Resultado normal.

* Se não perder para o Tigre, o Palmeiras tem todas as condições para encaminhar sua classificação nas duas rodadas seguintes, ambas em casa.

NOTAS PÓS-RODADA

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

(quem anda por aqui sabe como funciona, mas não custa explicar uma vez mais: as Notinhas Pós-Rodada, propriamente ditas, começarão com o Campeonato Brasileiro. Enquanto isso, comentários específicos podem aparecer. Ou não.)

Houve clássico em São Paulo (Corinthians 2 x 2 Palmeiras: Émerson, Vilson, Vinícius e Romarinho), em que a entrega do time alviverde igualou-se à superioridade do alvinegro. Bom jogo e bom público no Pacaembu.

Houve clássico no Rio de Janeiro (Flamengo 1 x 0 Botafogo: Hernane), em que o Flamengo se garantiu nas semifinais e goleador Hernane marcou pela oitava vez – em 7 desses gols, deu apenas o toque fatal. Estaríamos diante de um finalizador nato?

Também houve jogos interessantes em outros estados do país, como por exemplo os da Copa do Nordeste, mais um lembrete da alternativa aos moribundos estaduais. Estádios cheios por lá para acompanhar o torneio regional, que reúne rivalidade, competitividade, sentido.

Houve um 7 x 0, ontem (lavada do Coritiba, fora de casa, sobre o Rio Branco). Alex, craque, não fez nenhum.

Houve uma expulsão na carreira de Neymar, após um desentendimento com Artur, na vitória da Ponte Preta (3 x 1 no Santos: Bruno Silva, Alemão-2 e André) em Campinas. Houve também quem defendesse um amarelo para cada um, mas mão na cara – duas vezes – e tapa no braço – outras duas – a meu ver, justificam os vermelhos.

Houve uma falha constrangedora de Rogério Ceni, no sábado (São Paulo 3 x 2 Ituano). Chute fraco, erro técnico, bola que entrou devagar, para aumentar o sofrimento. É deste jogo o lance sobre o qual quero falar.

O passe de Jádson para Osvaldo, no primeiro gol do São Paulo.

Forte, preciso, no ponto futuro, com pouquíssimo espaço.

Inteligência, técnica e visão reunidas no mesmo lance, que criou o gol.

O tipo de jogada que poucos jogadores tentam, por falta de coragem ou capacidade.