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3P PARA FERNANDO MEIRELLES

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Não preciso dizer quem é Fernando Meirelles.

A participação dele nos filmes exibidos na campanha da Rio 2016 me deixou curioso.

Mandei três perguntas por e-mail. Fernando fez a gentileza de respondê-las:

Qual foi seu envolvimento nos ótimos filmes feitos na campanha da Rio 2016?

Entrei como uma espécie de diretor geral, mas acompanhei, meio de longe, os primeiros filmes produzidos. Foram 7 ao todo. Quem amarrou todo o processo de direção foi o Rodrigo Meirelles. No pacote completo trabalharam o Nando Olival, o Cesar Charlone, o Renato Rossi, o Rodrigo Meirelles, o Paulinho Caruso e eu, fora a turma da pós (-produção) da O2 que foi quem mais trabalhou. Nos filmes apresentados na Dinamarca, os últimos, rachei a direção com o mesmo grupo sem o Cesar e nem o Nando.

Qual é sua opinião sobre a oportunidade de realizar os Jogos, tendo em vista o que houve no orçamento do Pan de 2007?

Parece que os erros do Pan acenderam uma luz vermelha e já há mais de 11 comitês montados para fiscalizar custos e prazos desta vez. A prefeitura tem um, o Ministério Público, o Ministério do Planejamento, o Tribunal de Contas, há ONGs montando grupos de controle para que tudo aconteça de forma transparente. Com tudo isso e mais a imprensa cobrando, acho que teremos uma boa oportunidade que pode dar certo. A solução é essa mesmo, fazer direito ao invés de simplesmente não fazer porque pode não dar certo. Pelos Jogos acontecerem aqui deve surgir uma nova geração de atletas no país, como ocorreu com a China. Isso é ótimo.

Para quem foi o autor do melhor retrato já feito sobre um aspecto da vida real no Rio, como é imaginar uma Olimpíada na cidade?

Há tempo para preparar a cidade para o evento. O fato de haver uma data onde tudo deve estar pronto coloca uma pressão que pode, de fato, ajudar as mudanças a andar. Para ser honesto eu funciono muito assim, nada como um prazo para me fazer sair fazendo.

O QUE PENSO SOBRE A OLIMPÍADA

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Para fechar um longo dia (o despertador tocou às 5 da manhã…), o que tenho a dizer sobre Rio 2016:

Não sou contra uma Olimpíada no Rio de Janeiro, sou contra uma Olimpíada no Brasil. Acho que um país em que as crianças não praticam esportes nas escolas (porque não estão nas escolas) não pode querer organizar eventos esportivos dessa magnitude. Penso o mesmo sobre a Copa do Mundo.

Só uma política governamental de esportes, com prioridade para a educação, ou seja, para a base, transforma a sociedade e cria as condições para que um país produza atletas de alto nível.

E só a produção e treinamento de atletas de alto nível justificam investimento pesado no chamado alto rendimento.

Os exemplos estão todos aí. Estados Unidos, Austrália, China…

Não significa que esses países não tenham problemas sociais, que não haja violência em suas cidades ou gente vivendo na probreza.

Eles apenas têm programas esportivos nacionais, e os motivos certos para planejar grandes competições. O Brasil não tem.

O fato de tanto a Copa quanto a Olimpíada estarem garantidas ao nosso país não me deixa triste, ou revoltado. Há muito, passei dessa fase.

Mas me deixa preocupado, porque as pessoas que administrarão a fortuna gasta para fazer a Olimpíada brasileira são as mesmas que fizeram o Pan de 2007. As mesmas que querem que você acredite que o Pan foi um sucesso, que deixou “um legado” para a cidade do Rio de Janeiro.

As mesmas pessoas responsáveis pelas contas que não foram aprovadas pelo TCU, que quer explicações detalhadas ou a devolução de, por enquanto, 16 milhões de reais em verbas públicas.

Falta de uma política de esportes, e falta de confiança no uso do dinheiro de quem paga impostos no Brasil. São minhas opiniões.

Nada tenho contra o Rio de Janeiro, ao contrário. A quem acha que tudo não passa de uma birra entre paulistas e cariocas, lamento pela visão curta e pela carência de argumentos.

Que os Jogos de 2016 realmente aconteçam num país diferente do que somos hoje.

ATUALIZAÇÃO, 22h54 – Comentários que apenas apelam a bobagens como “bairrismo” (palavra que a maioria desconhece) e “inveja” nada acrescentam ao debate, e estão automaticamente respondidos pelo penúltimo parágrafo do post.

Serão encaminhados diretamente à lixeira do blog, sem a mínima perda de tempo.

Quem quer opinar com argumentos será sempre bem vindo.

Para quem não quer, ou não consegue, a internet oferece lugares melhores.