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RISCO (MAL) CALCULADO

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Sim, chegaremos a Carlos Amarilla em mais alguns minutos.

Mas há muito a ser considerado antes da atuação subversiva do árbitro paraguaio, porque o Corinthians é co-responsável por ela.

E não falo sobre a indicação dele para o jogo, que teria sido obra de dirigentes corintianos.

Falo sobre futebol mesmo. Ou falta dele.

O Corinthians não deveria ter nada a reclamar pela eliminação precoce, além dos próprios defeitos.

Permitiu, na Bombonera e no Pacaembu, que o Boca Juniors construísse o único caminho possível para passar pela eliminatória.

O pecado mais grave foi a postura fria no jogo de ida, quando não teve a capacidade de marcar o gol que encaminharia sua classificação.

Com um 1 x 1 em Buenos Aires, Amarilla poderia ter feito o que bem entendesse ontem – como fez – e o jogo iria para os pênaltis.

Ou, mais provável, já que o Corinthians teria praticamente todo o segundo tempo para fazer um gol, estaria agora nas quartas de final.

Mas esqueça por um minuto o gol que o Corinthians não fez.

A grande prova de que não foi a arbitragem que tirou o campeão da Libertadores é o lance com Alexandre Pato, precisamente aos 30 do segundo tempo.

Não tivesse ele se enrolado com a bola, a um metro da linha, é forçoso considerar a hipótese do Pacaembu empurrar o terceiro gol para dentro, não?

Haveria pelo menos 15 minutos para que isso acontecesse.

De modo que foi o Corinthians que se colocou na posição perigosa de não ter margem de manobra no jogo em casa.

Qualquer coisa que desse errado – um cruzamento que entra no ângulo, erros de arbitragem em ocorrências de gol – seria potencialmente decisiva.

Foi o Corinthians que falhou ao tratar o Boca Juniors como um adversário corriqueiro, talvez por tê-lo vencido na última fase da conquista histórica do ano passado.

O melhor Boca, o pior Boca, qualquer Boca… não faz diferença. Este é um clube que tem a Copa Libertadores gravada em sua carga genética, um clube em que a confiança no sucesso em jogos copeiros é absoluta.

Em qualquer época, com qualquer elenco, contra qualquer adversário, em qualquer lugar.

Um clube em que a confiança em jogos copeiros contra brasileiros, com Bianchi e Riquelme em campo, transborda.

Colocar-se na situação de não poder tomar um gol do Boca Juniors é ficar à mercê de uma “receita de classificação” testada e aprovada ao longo dos tempos. Algo que já vimos e ainda veremos muitas vezes.

Algo que o Corinthians deveria ter evitado a todo custo.

A oportunidade se apresentou na Bombonera, e, por tê-la negligenciado, o Corinthians deve se penitenciar.

Isto considerado, chegamos à arbitragem.

O trio comandado por Amarilla interferiu no resultado do jogo, no primeiro tempo, ao não marcar pênalti de Márin – que já tinha amarelo e seria expulso – e paralisar por impedimento inexistente o lance que terminou com um gol de Romarinho.

O segundo erro, que deve ser creditado ao auxiliar, é ainda mais prejudicial que o primeiro. Porque o gol de Riquelme aconteceu no minuto seguinte.

Independentemente disso, um jogador como Román, com tamanho currículo de vítimas brasileiras na Libertadores, jamais poderia ter sido presenteado com tal liberdade para lançar a bola para a área.

Tenha sido um cruzamento ou não.

Houve mais equívocos? Provavelmente sim. Mas não foram tão danosos ao jogo quanto os dois acima mencionados.

Que só foram tão danosos aos objetivos do Corinthians, porque o próprio Corinthians permitiu.

SEGUNDO TEMPO, INDEPENDÊNCIA

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Atlético Mineiro 4 x 1 São Paulo

1 – Frenético Mineiro. Blitz feroz nos primeiros segundos do jogo. Duas chances evidentes antes do cronômetro marcar dois minutos. Pressão que reúne a adrenalina, o barulho e a velocidade com que a bola chega ao gol são-paulino. Não é correto dizer que o visitante sentiu o golpe, porque o jogo mal tinha começado. Não houve mudança de comportamento. O árbitro apitou, a bola chegou à área de Rogério e de lá não saiu.

2 – Uma aparição de Ganso na área obriga Victor a usar os pés. Falsa sugestão de que o jogo passou a ser disputado por duas equipes. Engano. O Atlético não está instalado no campo de ataque, mas controla tudo o que acontece no Independência. A um São Paulo de posses curtas, resta tentar converter em calma uma tempestade assustadora. Em vão. Tardelli e Bernard são velozes demais.

3 – O Atlético agride como uma série de ondas num dia de ressaca. O São Paulo tem apenas o tempo suficiente para erguer a cabeça acima da superfície, antes que uma nova montanha de água desabe. E o perigo vem de todas as formas. De trás, pelo chão, com os volantes mineiros ultrapassando as linhas de pressão sobre a bola. De perto, com o alto volume de desarmes na metade do campo. E de longe, com a já tradicional bola longa de Victor em ligação direta.

4 – 17′, 1 x 0. De Victor para o campo de ataque, a ideia é que Jô “quebre” a bola para um dos atacantes. A jogada do gol não se desenvolve assim. Mas a bola encontra Tardelli no lado direito. O passe para Bernard liga o alarme na defesa do São Paulo. A sobra para Jô é aproveitada com um petardo.

5 – Em oportunidades construídas, o primeiro tempo termina com 5 x 1 a favor do Atlético. Pelo volume, pareceu até mais.

6 – A primeira obrigação do São Paulo era entrar em estado de amnésia induzida. Esquecer onde estava, como estava e quanto estava. Recomeçar do zero em busca de no mínimo dois gols improváveis. Mesmo se conseguisse alcançar tal desprendimento, teria de lidar com um adversário superior e longe, longe de estar satisfeito. Nem nos piores cenários os planos tricolores consideravam o que se passaria no segundo tempo.

7 – 17′, 2 x 0. Mesmo minuto do primeiro gol, e mesmo autor. A zaga são-paulina perde Jô na linha do impedimento. Jô não perde a chance de iniciar a festa. O placar encerra o confronto, mas não o jogo. O Atlético tem outras intenções.

8 – 19′, 3 x 0. Nocaute. Mais uma bola que vem do campo de defesa, e Rafael Tolói resolve participar do ataque do Atlético. Não percebe Tardelli, em altíssima velocidade, passar por ele em direção à área. Cabeceia na medida para a intervenção do atacante, antes de Rogério. O jogo entra oficialmente no território das goleadas, opõe euforia e depressão com contornos claros.

9 – 23′, 4 x 0. De batido a abatido, o São Paulo perambula no Independência à espera do fim do sofrimento. Mas, além de ser muito cedo para a rendição, o Atlético está se divertindo. Começa o show estético de Ronaldinho, que jogava muito bem mas com certa discrição. Ele ganha no ombro de Wellington e aciona o artilheiro da noite. Triplete de Jô.

10 – 30′, 4 x 1. O São Paulo chega a um gol que será pouco lembrado. Luis Fabiano.

11 – Aparição de Ronaldinho melhor do mundo. Sequência de fintas humilhantes na lateral do campo, uma delas para Douglas jamais esquecer. Outra finta na área, e o gol não sai por pouco. Magia.

12 – Majestoso Atlético. Entre dois times grandes do futebol brasileiro, é um dos jogos mais unidimensionais dos tempos recentes. Um Atlético dominante em todos os ângulos. Vibrante e brilhante. Um São Paulo superado, subjugado, entregue. Não houve competição no Independência nesta quarta-feira. Houve uma exibição de um excelente time de futebol.

SENSIBILIDADE

sexta-feira, 3 de maio de 2013

(o jornal me pediu um texto, para a edição de hoje, sobre Boca Juniors 1 x 0 Corinthians. Aí vai.)

SENSIBILIDADE

Tite se irritou com a sugestão de que o Corinthians “sentiu” a Bombonera. Ele tem razão, mas não no apelo aos títulos, usado para imunizar o time desse tipo de fraqueza. O Corinthians realmente não sentiu o jogo, o que explica a atuação pouco característica. Se tivesse sentido, provavelmente teria vencido.

É necessário estar em sintonia com o momento. Talvez seja difícil interiorizar o chamado “espírito de decisão” numa fase da competição em que as coisas ainda parecem mornas. Mas as oitavas de final são tão decisivas quanto o que está adiante delas. E contra o Boca Juniors, qualquer Boca Juniors, é obrigatório antecipar – em todos os aspectos – a máxima dificuldade.

O atual time do Boca é claramente inferior ao do Corinthians. A maneira como se portaram em campo revela que os argentinos têm exata noção da diferença técnica entre as equipes. O Boca conduziu o jogo para o território que lhe interessava, um ambiente de mais pressão e intensidade. O Corinthians passou mais tempo preocupado em responder ao convite do adversário do que em fazer o que lhe tornou campeão.

Só Tite pode dizer se a marcação recuada foi uma ordem ou uma adaptação. A fragilidade e o momento ruim do Boca sugeriam que a pressão alta era o mecanismo indicado para gerar uma vantagem no placar. O Corinthians decidiu esperar e pagou por isso. Tomou um gol “sem querer”? Sim. Mas esse é o risco que correm os times que permitem que a bola ronde sua área.

Tite também tem razão quando diz que o resultado é plenamente reversível. A derrota em Buenos Aires significa, apenas, que a margem de manobra do Corinthians no Pacaembu será menor. Situação perigosa contra times que, independentemente do momento e do elenco, sabem como explorar a necessidade do adversário de propor o jogo. O Boca Juniors é catedrático nessa área.

O desnível técnico deve prevalecer no jogo de volta, se o Corinthians utilizar o que não fez na Bombonera como um aviso. Desde a Libertadores do ano passado, houve momentos em que faltou futebol. Mas ainda não havia faltado postura.

É preciso “sentir” esses jogos.

PRIMEIRO TEMPO, MORUMBI

quinta-feira, 2 de maio de 2013

São Paulo 1 x 2 Atlético Mineiro

1 – Atlético acuado, envolvido pela esperada pressão inicial do São Paulo e dos são-paulinos. Os primeiros 15 minutos parecem a sequência do jogo no mesmo Morumbi pela fase de grupos. Pressão alta do mandante, energizado pelo ambiente. Rápida circulação da bola, que não sai do campo de ataque. Bernard e Tardelli não podem ser acionados porque o Atlético é impedido de pensar. Gol iminente.

2 – 8′, 1 x 0. O cruzamento do lado direito encontrou a zaga mineira. Ganso encontrou uma maneira de consertar o que deu errado. Controle na área, soberba noção de espaço, uma finta e dois atleticanos saem da foto. Toque de pé direito para Jadson, que não precisou de nada mais. A finalização de primeira é típica de um jogador que já sabia o que faria, e já tinha visualizado a bola entrando no canto esquerdo de Victor. O chute é apenas a materialização do lance.

3 – O Morumbi ainda pulsava – e o Atlético não tinha respirado – quando Aloísio pediu substituição, por lesão muscular. O choro do atacante, produto da noção de que um afastamento o espera, foi um prenúncio de como a noite terminaria para o São Paulo. O jogador que entrou em seu lugar, Ademilson, foi substituído por Rhodolfo, que foi substituído por Douglas.

4 – Aloísio faria os gols que Ademílson perdeu? Quem pode responder? Exagero falar em “quatro chances claras”. Mas uma foi. Saiu por cima, e ninguém pode dizer como ficaria o jogo – e o confronto – se o São Paulo fizesse o segundo. Sopro de sorte para o Atlético, que em breve passaria de dominado a dominante, metamorfose que poucos esportes proporcionam de forma tão instantânea quanto o futebol.

5 – Lúcio levou um cartão amarelo aos 24 minutos. Marcos Rocha deveria ter levado um vermelho no minuto seguinte. Vermelho que Lúcio mereceu aos 34, por falta de pontualidade e excesso de força na carga em Bernard. A vantagem numérica, primeiro, acalmou o Atlético. Depois, permitiu que os mineiros controlassem a bola e o tempo. O campo amplo contribuiu para a troca da guarda do jogo.

6 – 41′, 1 x 1. Escanteio da direita, e o jogador menos cotado para marcar um gol de cabeça apareceu na segunda trave. O toque não foi forte, mas a bola tinha olhos. Passou tranquila pelo espaço entre os defensores e o goleiro são-paulino, contou com a indecisão de todos e só parou na rede lateral. No final do primeiro tempo, a maldição se fez sentir no Morumbi: gol qualificado do Atlético e todo a segunda parte com um jogador a menos.

7 – Senhor Atlético. Sereno sem ser complacente. Paciência, não negligência. Ronaldinho dava as cartas, mas Tardelli é quem dava as ordens no jogo. A vocação do atacante para se desmarcar criou uma situação frequente em partidas de futebol. Estava evidente que quando Tardelli e a bola estivessem juntos, no lugar certo, o Atlético estaria a caminho de casa com um sorriso no rosto.

8 – 14′, 1 x 2. Marcos Rocha providenciou o encontro na área. Tardelli se encarregou do resto. Velocidade e instinto de goleador na conclusão de primeira para superar Rogério Ceni. Momento que se construía diante de todos. O Atlético esperava pela hora certa, o São Paulo sabia que tinha poucas chances de evitá-la. As probabilidades estavam dramaticamente a favor do visitante.

9 – E permanecem assim, quando transportamos o raciocínio para o jogo de volta. Cerca de uma hora com dez homens castigou o São Paulo, que recebe o Corinthians para a semifinal do Campeonato Paulista no domingo. O Atlético saiu inteiro do Morumbi e vive uma situação bem menos complicada em seu estadual. Na próxima quarta-feira, ambos se reencontram em Belo Horizonte, num local onde o Atlético se sente ainda mais forte.

10 – O desequilíbrio seria ainda maior se Luan não desperdiçasse o terceiro gol, cujo autor teria sido Rosinei e o mentor, Ronaldinho.

11 – Segundo tempo, Independência.

KALIL, JUVENAL E SANCHEZ

quinta-feira, 25 de abril de 2013

O encontro entre Atlético Mineiro e São Paulo, pela fase de oitavas de final da Copa Libertadores, é o pano de fundo para uma movimentação importante nos bastidores do futebol brasileiro.

Causou interesse entre dirigentes paulistas o fato de Alexandre Kalil, presidente do Atlético, ter acompanhado Marco Polo Del Nero e José Maria Marin na viagem a Assunção, por conta da renúncia de Nicolas Leoz.

Apenas presidentes de Associações Nacionais foram chamados à sede da Conmebol.

A notícia de que os jogos entre Atlético e São Paulo terão arbitragem internacional (o que, por norma, depende da solicitação de apenas um dos clubes envolvidos em confrontos domésticos) começou a esclarecer o propósito da presença de Kalil no Paraguai.

Nesta quinta-feira, uma informação gerou convulsões no São Paulo: o pedido do Atlético de apito estrangeiro teria contado com o apoio do presidente da CBF.

Além de desprestigiar os árbitros brasileiros, o envolvimento de José Maria Marin foi digerido como traição pelo clube do Morumbi, que até há algum tempo o considerava um aliado. A relação pode azedar de vez.

Os dois jogos anteriores entre ambos foram mediados por juízes brasileiros, sem maiores problemas. O clube paulista não se opõe a um apitador de outro país, mas aparentemente se incomoda com o que enxerga como
influência de Marco Polo Del Nero – este sim desafeto – na questão.

O episódio pode concretizar uma aproximação improvável com vistas à sucessão de Marin na CBF. Juvenal Juvêncio e Andrés Sanchez têm se falado com frequência ultimamente.

NOTINHAS DA CLA

sexta-feira, 15 de março de 2013

Duas derrotas e duas vitórias para os clubes brasileiros na Libertadores:

* Havia seis jogadores do Grêmio, contra dois do Caracas (2 x 1), no lance do segundo gol venezuelano. Foi como se não houvesse nenhum.

* É a jogada que melhor ilustra a declaração (“pensamos que íamos ganhar fácil”) de Cris.

* A escalação do Corinthians na vitória (3 x 0) sobre o Tijuana parece ser a melhor à disposição de Tite.

* Renato Augusto participou dos três gols, amostra do que ele pode oferecer ao time.

* O melhor time do torneio ganhou (Atlético Mineiro 2 x 1 Strongest) na altitude de La Paz e pode determinar qual será o outro classificado do grupo.

* Impecável a Libertadores de Ronaldinho Gaúcho até o momento.

* O gol contra que deu a vitória ao Atlético adquiriu um tamanho gigantesco ao final da derrota do São Paulo (Arsenal 2 x 1) na Argentina.

* É difícil acreditar que o São Paulo só fez um ponto em dois jogos contra o Arsenal.

NOTINHAS DA CLA

sexta-feira, 8 de março de 2013

Todos os brasileiros jogaram, só dois venceram:

* A atuação do Grêmio (4 x 1 no Caracas, na Arena) não deixou dúvidas sobre as pretensões e as possibilidades do time no torneio.

* Equipes de rádio da Venezuela que foram transmitir o jogo tiveram de gravá-lo, por causa do luto no país pela morte de Hugo Chávez.

* Num torneio em que vencer como mandante é quase sagrado, o Fluminense (1 x 1 com o Huachipato, no Engenhão) deixou de ganhar dois jogos em casa, mas lidera seu grupo.

* O lance do pênalti cometido pelo Huachipato é dos mais bizarros dos últimos tempos.

* A vitória do Palmeiras (Tigre 1 x 0, na Argentina) esteve nos pés de Kleber, num lance que ele certamente gostaria de ter de volta.

* “Torcedor” que pressiona – e nem estou falando necessariamente de agressão – o time do Palmeiras nesta edição da Libertadores prova que não tem um mísero neurônio.

* Acabou – em 17 jogos – a sequência invicta do Corinthians (Tijuana 1 x 0, no México) na competição. O que é normal. Anormal é vencer a Libertadores sem perder nenhum jogo.

* Os três jogos do clube até agora foram “estranhos”: um a quase 4 mil metros de altitude, outro sem torcedores no estádio, e outro em gramado artificial.

* O empate do São Paulo (1 x 1 com o Arsenal, no Pacaembu) ofuscou mais uma atuação primorosa de Jadson.

* Situação complicada: a obrigação de vencer no Atlético no último jogo, no Morumbi, sem depender de outro resultado para se classificar, pode ser o melhor cenário.

* O Atlético Mineiro (2 x 1 no Strongest, no Independência) é um dos dois únicos – Tijuana – times com 100% de aproveitamento.

* Outra boa partida de Ronaldinho Gaúcho, atuando entre as linhas do time boliviano.

NOTINHAS DA CLA

sexta-feira, 1 de março de 2013

Algumas linhas sobre os jogos dos clubes brasileiros, nesta semana, pela Libertadores:

* Tão sensacional quanto a goleada do Atlético Mineiro (5 x 2) sobre o Arsenal foi a presença da torcida brasileira na Argentina.

* Cerca de 2500 torcedores, destaque nos jornais argentinos. Foi como se o jogo quisesse agradecê-los, prova de que “a sorte acompanha os audazes”.

* Os empates e as vitórias dos mandantes estão proibidos no Grupo 8, do Grêmio e do Fluminense (2 x 1 no Huachipato, no Chile).

* O inacreditável gol perdido por Wellington Nem não fez falta.

* O time do Millonarios, que já não é dos mais fortes, demorou uns bons 15 minutos para entender o que estava acontecendo no Pacaembu vazio.

* Pareceu estar em ritmo de treino, contra um Corinthians (2 x 0) tranquilo e concentrado.

* O São Paulo (2 x 1 no The Strongest) não jogou bem, mas cumpriu o primeiro mandamento da Libertadores: “não deixarás de vencer em casa”.

* Mexidas de Ney Franco funcionaram no segundo tempo.

* O Libertad (2 x 0 no Palmeiras) é claramente o time mais forte do grupo 2. Resultado normal.

* Se não perder para o Tigre, o Palmeiras tem todas as condições para encaminhar sua classificação nas duas rodadas seguintes, ambas em casa.

NÃO QUEBROU

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

r10entrada2

A foto (crédito: Uol Esporte) é ainda pior do que o vídeo.

Transmite mais violência, mais irresponsabilidade, mais risco.

E do ponto de vista de Ronaldinho Gaúcho, o receptor, mais sorte.

Diego Braghieri é o nome do elemento. Jogador do Arsenal.

Ronaldinho não só não teve a perna transformada em “L”, como permaneceu em campo e ainda bateu – no travessão – o pênalti que a falta acima significou.

Apertou a mão do algoz, até.

Braghieri não recebeu cartão do árbitro Martin Vazquez, muito bem posicionado no lance.

O jogo entre Atlético Mineiro e Arsenal já estava 5 x 2 a favor do time brasileiro quando tudo aconteceu.

Foi a primeira vez que um visitante marcou 5 gols num estádio argentino em toda a história da Libertadores.

Muitos lembrarão da atuação de Bernard, com 3 gols e mais evidências de que ele é especial.

Eu lembrarei do momento em que achei que Ronaldinho teria de buscar sua perna no campo de defesa.

 

ESTUPIDEZ QUE MATA

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Um menino de 14 anos morreu ontem, em Oruro, dentro do estádio em que San Jose e Corinthians jogaram pela Copa Libertadores.

Um sinalizador atingiu sua cabeça.

Para a família de Kevin Douglas Beltran Espada, não resta outra alternativa a não ser lidar com a dor e o luto que não podem ser traduzidos em palavras.

Mas o jogo não foi interrompido, a Conmebol não se manifestou, a morte foi tratada como um evento corriqueiro.

Chegamos a esse ponto.

Não. A vida não continua quando um garoto perde a dele durante um jogo de futebol.

De acordo com as informações disponíveis, não se tratava de alguém que foi ao estádio como quem vai para a guerra, disposto a matar ou morrer, como fazem tantos imbecis pelo mundo.

Não que mortes assim sejam menos horríveis. Elas apenas têm uma explicação um pouco menos revoltante.

Kevin Espada foi vítima de um sinalizador, que aparentemente partiu de torcedores do Corinthians, detidos pela polícia boliviana em Oruro.

À distância, o que se pode dizer é que as ações devem ser investigadas, as responsabilidades apuradas, os direitos e as leis respeitados.

Independentemente dos processos e dos detalhes, uma pergunta é evidente: qual é o objetivo de atirar um sinalizador na direção de um grupo de pessoas?

Não há nenhum motivo para que um caso como esse seja tratado de maneira diferente porque aconteceu dentro de um estádio de futebol.

As circunstâncias só o tornam mais estúpido.

O que está na origem dessas atrocidades é a estupidez, em seu aspecto mais cruel.

Perdemos a capacidade de detectá-la.