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Arquivo da Categoria ‘futebol’

DANILO, O SÁBIO

segunda-feira, 20 de maio de 2013

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(imagem: Ivan Storti/LANCE!Press)

Antigamente se dizia que jogadores como Danilo “conhecem os atalhos do campo”.

Está na hora de uma atualização.

Danilo e seus semelhantes são jogadores que conhecem as áreas mais valorizadas do campo, e navegam entre elas por estradas bem pavimentadas.

Não há atalhos.

São as estradas que representam a carreira de um futebolista bem sucedido, que entende o futebol como algo superior a todos nós, que se determinou a vencer a seu modo.

Danilo cultiva um tipo diferente de humildade, que só quem presta muita atenção consegue detectar.

Ele não é o sujeito subserviente, que se recolhe diante de quem lhe parece melhor, com um introvertido abaixar da cabeça.

Não. Ele só parece ser assim, à distância.

Ao contrário das aparências, ele é o lutador tinhoso que estuda o oponente em silêncio, alcança o fundo dos seus olhos e identifica o medo que existe em todas as pessoas.

E procede a um nocaute lento, porém impiedoso. Violento, porém majestoso.

Danilo vence porque sua enganosa lentidão é um disfarce para sua eficiência. Porque a frieza que incomoda aos neuróticos é companheira de sua inteligência.

Quando o adversário, aquele que não lhe mostrou respeito, está finalmente no chão, Danilo apenas sorri.

Já reparou como ele reage aos gols que marca?

Não há raiva, não há loucura, não há palavrões.

Só felicidade.

É o triunfo dos que jamais dobram as pernas, dos que não aceitam as portas que se fecham, dos que acreditam que não há força capaz de deter o talento.

Danilo sabe o que quer, sabe como encontrar, sabe como chegar.

Sua estrada é feita de sabedoria.

RISCO (MAL) CALCULADO

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Sim, chegaremos a Carlos Amarilla em mais alguns minutos.

Mas há muito a ser considerado antes da atuação subversiva do árbitro paraguaio, porque o Corinthians é co-responsável por ela.

E não falo sobre a indicação dele para o jogo, que teria sido obra de dirigentes corintianos.

Falo sobre futebol mesmo. Ou falta dele.

O Corinthians não deveria ter nada a reclamar pela eliminação precoce, além dos próprios defeitos.

Permitiu, na Bombonera e no Pacaembu, que o Boca Juniors construísse o único caminho possível para passar pela eliminatória.

O pecado mais grave foi a postura fria no jogo de ida, quando não teve a capacidade de marcar o gol que encaminharia sua classificação.

Com um 1 x 1 em Buenos Aires, Amarilla poderia ter feito o que bem entendesse ontem – como fez – e o jogo iria para os pênaltis.

Ou, mais provável, já que o Corinthians teria praticamente todo o segundo tempo para fazer um gol, estaria agora nas quartas de final.

Mas esqueça por um minuto o gol que o Corinthians não fez.

A grande prova de que não foi a arbitragem que tirou o campeão da Libertadores é o lance com Alexandre Pato, precisamente aos 30 do segundo tempo.

Não tivesse ele se enrolado com a bola, a um metro da linha, é forçoso considerar a hipótese do Pacaembu empurrar o terceiro gol para dentro, não?

Haveria pelo menos 15 minutos para que isso acontecesse.

De modo que foi o Corinthians que se colocou na posição perigosa de não ter margem de manobra no jogo em casa.

Qualquer coisa que desse errado – um cruzamento que entra no ângulo, erros de arbitragem em ocorrências de gol – seria potencialmente decisiva.

Foi o Corinthians que falhou ao tratar o Boca Juniors como um adversário corriqueiro, talvez por tê-lo vencido na última fase da conquista histórica do ano passado.

O melhor Boca, o pior Boca, qualquer Boca… não faz diferença. Este é um clube que tem a Copa Libertadores gravada em sua carga genética, um clube em que a confiança no sucesso em jogos copeiros é absoluta.

Em qualquer época, com qualquer elenco, contra qualquer adversário, em qualquer lugar.

Um clube em que a confiança em jogos copeiros contra brasileiros, com Bianchi e Riquelme em campo, transborda.

Colocar-se na situação de não poder tomar um gol do Boca Juniors é ficar à mercê de uma “receita de classificação” testada e aprovada ao longo dos tempos. Algo que já vimos e ainda veremos muitas vezes.

Algo que o Corinthians deveria ter evitado a todo custo.

A oportunidade se apresentou na Bombonera, e, por tê-la negligenciado, o Corinthians deve se penitenciar.

Isto considerado, chegamos à arbitragem.

O trio comandado por Amarilla interferiu no resultado do jogo, no primeiro tempo, ao não marcar pênalti de Márin – que já tinha amarelo e seria expulso – e paralisar por impedimento inexistente o lance que terminou com um gol de Romarinho.

O segundo erro, que deve ser creditado ao auxiliar, é ainda mais prejudicial que o primeiro. Porque o gol de Riquelme aconteceu no minuto seguinte.

Independentemente disso, um jogador como Román, com tamanho currículo de vítimas brasileiras na Libertadores, jamais poderia ter sido presenteado com tal liberdade para lançar a bola para a área.

Tenha sido um cruzamento ou não.

Houve mais equívocos? Provavelmente sim. Mas não foram tão danosos ao jogo quanto os dois acima mencionados.

Que só foram tão danosos aos objetivos do Corinthians, porque o próprio Corinthians permitiu.

CONTROLE AMBIENTAL

quarta-feira, 15 de maio de 2013

(o jornal pediu um comentário sobre a convocação para a Copa das Confederações. Na edição de hoje do Lance! você encontra as análises dos colunistas sobre a lista de Scolari)

Sai Ronaldinho, entra Bernard. A substituição exemplifica os conceitos de Scolari na formação de um grupo. O antigo pelo moderno, o rebelde pelo obediente, o talento instável pelo talento emergente.

No início da semana passada, o técnico da Seleção Brasileira disse a pessoas próximas que não convocaria Ronaldinho. Isso, importante frisar, foi antes das atuações do meia do Atlético Mineiro contra o São Paulo e o Cruzeiro. Entre os que o ouviram, houve quem imaginasse que duas partidas fossem capazes de fazer o técnico mudar de ideia. Mas Felipão não trabalha assim.

A ausência de Ronaldinho numa lista em que a juventude é evidente também indica que ganhar a Copa das Confederações não é prioridade. Em vez de recorrer à experiência para compor um time mais “preparado” para disputar o torneio em casa, optou-se pelo acúmulo de experiência com vistas ao que é, obviamente, muito mais importante: a Copa do Mundo.

Mas descartar Ronaldinho não é a questão mais interessante da convocação. É Ramires. O fato de ele não aparecer na relação não pode ser explicado com argumentos técnicos. Ramires está em plena atividade no Chelsea, e com destaque. Tudo aponta para o ambiente e para os conceitos de um treinador que não tolera certas posturas. Ramires não se apresentou para jogar o amistoso contra a Itália, em Genebra, por lesão. Dias depois, apareceu no hotel em Londres para uma rápida visita, na véspera do jogo contra a Rússia. Enquanto isso, Lucas, também machucado, fazia tratamento na concentração.

Scolari monta seus grupos com convicções futebolísticas e comportamentais que são conhecidas. Elas podem gerar críticas, mas não surpresas. Ontem foi o dia 1 da “nova família”. Nessa ótica, a lista diz tanto a respeito de quem foi chamado quanto de quem não foi.

SEGUNDO TEMPO, INDEPENDÊNCIA

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Atlético Mineiro 4 x 1 São Paulo

1 – Frenético Mineiro. Blitz feroz nos primeiros segundos do jogo. Duas chances evidentes antes do cronômetro marcar dois minutos. Pressão que reúne a adrenalina, o barulho e a velocidade com que a bola chega ao gol são-paulino. Não é correto dizer que o visitante sentiu o golpe, porque o jogo mal tinha começado. Não houve mudança de comportamento. O árbitro apitou, a bola chegou à área de Rogério e de lá não saiu.

2 – Uma aparição de Ganso na área obriga Victor a usar os pés. Falsa sugestão de que o jogo passou a ser disputado por duas equipes. Engano. O Atlético não está instalado no campo de ataque, mas controla tudo o que acontece no Independência. A um São Paulo de posses curtas, resta tentar converter em calma uma tempestade assustadora. Em vão. Tardelli e Bernard são velozes demais.

3 – O Atlético agride como uma série de ondas num dia de ressaca. O São Paulo tem apenas o tempo suficiente para erguer a cabeça acima da superfície, antes que uma nova montanha de água desabe. E o perigo vem de todas as formas. De trás, pelo chão, com os volantes mineiros ultrapassando as linhas de pressão sobre a bola. De perto, com o alto volume de desarmes na metade do campo. E de longe, com a já tradicional bola longa de Victor em ligação direta.

4 – 17′, 1 x 0. De Victor para o campo de ataque, a ideia é que Jô “quebre” a bola para um dos atacantes. A jogada do gol não se desenvolve assim. Mas a bola encontra Tardelli no lado direito. O passe para Bernard liga o alarme na defesa do São Paulo. A sobra para Jô é aproveitada com um petardo.

5 – Em oportunidades construídas, o primeiro tempo termina com 5 x 1 a favor do Atlético. Pelo volume, pareceu até mais.

6 – A primeira obrigação do São Paulo era entrar em estado de amnésia induzida. Esquecer onde estava, como estava e quanto estava. Recomeçar do zero em busca de no mínimo dois gols improváveis. Mesmo se conseguisse alcançar tal desprendimento, teria de lidar com um adversário superior e longe, longe de estar satisfeito. Nem nos piores cenários os planos tricolores consideravam o que se passaria no segundo tempo.

7 – 17′, 2 x 0. Mesmo minuto do primeiro gol, e mesmo autor. A zaga são-paulina perde Jô na linha do impedimento. Jô não perde a chance de iniciar a festa. O placar encerra o confronto, mas não o jogo. O Atlético tem outras intenções.

8 – 19′, 3 x 0. Nocaute. Mais uma bola que vem do campo de defesa, e Rafael Tolói resolve participar do ataque do Atlético. Não percebe Tardelli, em altíssima velocidade, passar por ele em direção à área. Cabeceia na medida para a intervenção do atacante, antes de Rogério. O jogo entra oficialmente no território das goleadas, opõe euforia e depressão com contornos claros.

9 – 23′, 4 x 0. De batido a abatido, o São Paulo perambula no Independência à espera do fim do sofrimento. Mas, além de ser muito cedo para a rendição, o Atlético está se divertindo. Começa o show estético de Ronaldinho, que jogava muito bem mas com certa discrição. Ele ganha no ombro de Wellington e aciona o artilheiro da noite. Triplete de Jô.

10 – 30′, 4 x 1. O São Paulo chega a um gol que será pouco lembrado. Luis Fabiano.

11 – Aparição de Ronaldinho melhor do mundo. Sequência de fintas humilhantes na lateral do campo, uma delas para Douglas jamais esquecer. Outra finta na área, e o gol não sai por pouco. Magia.

12 – Majestoso Atlético. Entre dois times grandes do futebol brasileiro, é um dos jogos mais unidimensionais dos tempos recentes. Um Atlético dominante em todos os ângulos. Vibrante e brilhante. Um São Paulo superado, subjugado, entregue. Não houve competição no Independência nesta quarta-feira. Houve uma exibição de um excelente time de futebol.

SENSIBILIDADE

sexta-feira, 3 de maio de 2013

(o jornal me pediu um texto, para a edição de hoje, sobre Boca Juniors 1 x 0 Corinthians. Aí vai.)

SENSIBILIDADE

Tite se irritou com a sugestão de que o Corinthians “sentiu” a Bombonera. Ele tem razão, mas não no apelo aos títulos, usado para imunizar o time desse tipo de fraqueza. O Corinthians realmente não sentiu o jogo, o que explica a atuação pouco característica. Se tivesse sentido, provavelmente teria vencido.

É necessário estar em sintonia com o momento. Talvez seja difícil interiorizar o chamado “espírito de decisão” numa fase da competição em que as coisas ainda parecem mornas. Mas as oitavas de final são tão decisivas quanto o que está adiante delas. E contra o Boca Juniors, qualquer Boca Juniors, é obrigatório antecipar – em todos os aspectos – a máxima dificuldade.

O atual time do Boca é claramente inferior ao do Corinthians. A maneira como se portaram em campo revela que os argentinos têm exata noção da diferença técnica entre as equipes. O Boca conduziu o jogo para o território que lhe interessava, um ambiente de mais pressão e intensidade. O Corinthians passou mais tempo preocupado em responder ao convite do adversário do que em fazer o que lhe tornou campeão.

Só Tite pode dizer se a marcação recuada foi uma ordem ou uma adaptação. A fragilidade e o momento ruim do Boca sugeriam que a pressão alta era o mecanismo indicado para gerar uma vantagem no placar. O Corinthians decidiu esperar e pagou por isso. Tomou um gol “sem querer”? Sim. Mas esse é o risco que correm os times que permitem que a bola ronde sua área.

Tite também tem razão quando diz que o resultado é plenamente reversível. A derrota em Buenos Aires significa, apenas, que a margem de manobra do Corinthians no Pacaembu será menor. Situação perigosa contra times que, independentemente do momento e do elenco, sabem como explorar a necessidade do adversário de propor o jogo. O Boca Juniors é catedrático nessa área.

O desnível técnico deve prevalecer no jogo de volta, se o Corinthians utilizar o que não fez na Bombonera como um aviso. Desde a Libertadores do ano passado, houve momentos em que faltou futebol. Mas ainda não havia faltado postura.

É preciso “sentir” esses jogos.

PRIMEIRO TEMPO, MORUMBI

quinta-feira, 2 de maio de 2013

São Paulo 1 x 2 Atlético Mineiro

1 – Atlético acuado, envolvido pela esperada pressão inicial do São Paulo e dos são-paulinos. Os primeiros 15 minutos parecem a sequência do jogo no mesmo Morumbi pela fase de grupos. Pressão alta do mandante, energizado pelo ambiente. Rápida circulação da bola, que não sai do campo de ataque. Bernard e Tardelli não podem ser acionados porque o Atlético é impedido de pensar. Gol iminente.

2 – 8′, 1 x 0. O cruzamento do lado direito encontrou a zaga mineira. Ganso encontrou uma maneira de consertar o que deu errado. Controle na área, soberba noção de espaço, uma finta e dois atleticanos saem da foto. Toque de pé direito para Jadson, que não precisou de nada mais. A finalização de primeira é típica de um jogador que já sabia o que faria, e já tinha visualizado a bola entrando no canto esquerdo de Victor. O chute é apenas a materialização do lance.

3 – O Morumbi ainda pulsava – e o Atlético não tinha respirado – quando Aloísio pediu substituição, por lesão muscular. O choro do atacante, produto da noção de que um afastamento o espera, foi um prenúncio de como a noite terminaria para o São Paulo. O jogador que entrou em seu lugar, Ademilson, foi substituído por Rhodolfo, que foi substituído por Douglas.

4 – Aloísio faria os gols que Ademílson perdeu? Quem pode responder? Exagero falar em “quatro chances claras”. Mas uma foi. Saiu por cima, e ninguém pode dizer como ficaria o jogo – e o confronto – se o São Paulo fizesse o segundo. Sopro de sorte para o Atlético, que em breve passaria de dominado a dominante, metamorfose que poucos esportes proporcionam de forma tão instantânea quanto o futebol.

5 – Lúcio levou um cartão amarelo aos 24 minutos. Marcos Rocha deveria ter levado um vermelho no minuto seguinte. Vermelho que Lúcio mereceu aos 34, por falta de pontualidade e excesso de força na carga em Bernard. A vantagem numérica, primeiro, acalmou o Atlético. Depois, permitiu que os mineiros controlassem a bola e o tempo. O campo amplo contribuiu para a troca da guarda do jogo.

6 – 41′, 1 x 1. Escanteio da direita, e o jogador menos cotado para marcar um gol de cabeça apareceu na segunda trave. O toque não foi forte, mas a bola tinha olhos. Passou tranquila pelo espaço entre os defensores e o goleiro são-paulino, contou com a indecisão de todos e só parou na rede lateral. No final do primeiro tempo, a maldição se fez sentir no Morumbi: gol qualificado do Atlético e todo a segunda parte com um jogador a menos.

7 – Senhor Atlético. Sereno sem ser complacente. Paciência, não negligência. Ronaldinho dava as cartas, mas Tardelli é quem dava as ordens no jogo. A vocação do atacante para se desmarcar criou uma situação frequente em partidas de futebol. Estava evidente que quando Tardelli e a bola estivessem juntos, no lugar certo, o Atlético estaria a caminho de casa com um sorriso no rosto.

8 – 14′, 1 x 2. Marcos Rocha providenciou o encontro na área. Tardelli se encarregou do resto. Velocidade e instinto de goleador na conclusão de primeira para superar Rogério Ceni. Momento que se construía diante de todos. O Atlético esperava pela hora certa, o São Paulo sabia que tinha poucas chances de evitá-la. As probabilidades estavam dramaticamente a favor do visitante.

9 – E permanecem assim, quando transportamos o raciocínio para o jogo de volta. Cerca de uma hora com dez homens castigou o São Paulo, que recebe o Corinthians para a semifinal do Campeonato Paulista no domingo. O Atlético saiu inteiro do Morumbi e vive uma situação bem menos complicada em seu estadual. Na próxima quarta-feira, ambos se reencontram em Belo Horizonte, num local onde o Atlético se sente ainda mais forte.

10 – O desequilíbrio seria ainda maior se Luan não desperdiçasse o terceiro gol, cujo autor teria sido Rosinei e o mentor, Ronaldinho.

11 – Segundo tempo, Independência.

KALIL, JUVENAL E SANCHEZ

quinta-feira, 25 de abril de 2013

O encontro entre Atlético Mineiro e São Paulo, pela fase de oitavas de final da Copa Libertadores, é o pano de fundo para uma movimentação importante nos bastidores do futebol brasileiro.

Causou interesse entre dirigentes paulistas o fato de Alexandre Kalil, presidente do Atlético, ter acompanhado Marco Polo Del Nero e José Maria Marin na viagem a Assunção, por conta da renúncia de Nicolas Leoz.

Apenas presidentes de Associações Nacionais foram chamados à sede da Conmebol.

A notícia de que os jogos entre Atlético e São Paulo terão arbitragem internacional (o que, por norma, depende da solicitação de apenas um dos clubes envolvidos em confrontos domésticos) começou a esclarecer o propósito da presença de Kalil no Paraguai.

Nesta quinta-feira, uma informação gerou convulsões no São Paulo: o pedido do Atlético de apito estrangeiro teria contado com o apoio do presidente da CBF.

Além de desprestigiar os árbitros brasileiros, o envolvimento de José Maria Marin foi digerido como traição pelo clube do Morumbi, que até há algum tempo o considerava um aliado. A relação pode azedar de vez.

Os dois jogos anteriores entre ambos foram mediados por juízes brasileiros, sem maiores problemas. O clube paulista não se opõe a um apitador de outro país, mas aparentemente se incomoda com o que enxerga como
influência de Marco Polo Del Nero – este sim desafeto – na questão.

O episódio pode concretizar uma aproximação improvável com vistas à sucessão de Marin na CBF. Juvenal Juvêncio e Andrés Sanchez têm se falado com frequência ultimamente.

O OUTRO LINK DA LIGA

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Após mais uma noite de terror para um time espanhol num estádio alemão, o placar agregado do confronto de países nas semifinais da Liga dos Campeões está 8 x 1.

O jogo desta quarta, goleada de 4 x 1 do Borussia Dortmund sobre o Real Madrid, obriga o time espanhol a lograr o improvável para alcançar a decisão.

Como se esperava, o Dortmund se abraçou ao plano que lhe valeu uma vitória e um empate com o Madrid na fase de grupos.

Gotze como sombra de Xabi Alonso, pressão sobre os zagueiros – especialmente Pepe – e movimentação coletiva organizada ao extremo.

Futebol solidário com e sem a bola.

Uma diferença em relação aos dois jogos do início do torneio: sem Alonso disponível, a incumbência de levar o Real Madrid desde o campo de defesa não ficou com Pepe.

Os mais participativos foram Coentrão, abandonado propositalmente pela marcação alemã, e Khedira.

Na prática, pequena mudança. Jurgen Klopp preferia que fosse Pepe a sair jogando porque, além de ser uma exigência que ele não está qualificado a cumprir, o zagueiro português é propenso a erros (como no jogo de outubro do ano passado, quando proporcionou um gol a Lewandowski) numa área nevrálgica do campo.

Mas o objetivo primordial do técnico alemão era impedir que Alonso planejasse os movimentos do adversário.

Na coletiva de véspera, José Mourinho disse que a estratégia de isolar Alonso era conhecida e esperada. Disse também que os quatro gols sofridos em dois jogos para o Dortmund foram produzidos por erros do Real Madrid.

Nesta quarta, foram três, o que deixa a atuação da defesa espanhola num lugar distante do desejado.

Na noite em que o polonês Lewandowski (contratado por 4 milhões de euros do Lech Poznan) se tornou o primeiro jogador a marcar quatro gols numa semifinal de UCL, o Dortmund fez o Real Madrid parecer um time decadente.

Pressionou no campo de ataque e não ofereceu campo a Cristiano Ronaldo, combinação que obrigou o Madrid a jogar com ligação direta por falta de opção, o que é muito diferente – em modo e em resultado – de fazê-lo de forma planejada, como o próprio Dortmund costuma.

Gotze, negociado com o Bayern, fez uma partida elogiável. Lewandowski, que, dizem, terá o mesmo destino, assombrou a área espanhola com a eficiência de um goleador implacável. A puxada na bola para armar o chute no terceiro gol vale vários replays.

A defesa só falhou uma vez, com Hummels, oferecendo a Higuaín a oportunidade de servir Ronaldo.

Já a zaga do Madrid foi incapaz de tirar de perto do gol duas bolas que acabaram encontrando o artilheiro da noite. E Alonso fez um pênalti. Não foi assim que Mourinho desenhou.

O único time invicto desta edição da Champions vai ao Bernabéu sabendo que não pode levar três gols.

Levará à Espanha seu manual de como controlar o Real Madrid.

NO LANCE! DE HOJE

sábado, 20 de abril de 2013

(minha coluna no Lance! deste sábado, publicada aqui a pedido dos editores do jornal)

RIVAIS NO NINHO

Você é capaz de imaginar Corinthians e São Paulo disputando um título na China? Há quem esteja tomando providências para que aconteça. A ideia, sigilosa até este momento, já foi levada aos dois clubes e está nas mãos da Conmebol para uma decisão definitiva.

A iniciativa é do mesmo grupo que levou a Supercoppa da Itália, jogo de pré-temporada entre os campeões da Série A italiana e da Coppa Itália, a ser realizada no estádio olímpico de Pequim em três dos últimos quatro anos. O plano é fazer o mesmo com a Recopa Sul-Americana, que reúne os campeões da Copa Libertadores e da Copa Sul-Americana. Se todos os detalhes forem acertados, os rivais paulistas podem se enfrentar no Ninho de Pássaro, no segundo semestre.

Mas há problemas no caminho, e não são simples. Desde 1995, a Recopa Sul-Americana é disputada em dois jogos, com vantagem de mando para o campeão da Libertadores. O planejamento de marketing da competição é feito com base numa decisão em mão dupla, com os evidentes desdobramentos de direitos de televisão e exposição de patrocinadores. A conversão do sistema para um jogo único, condição para que o evento aconteça no palco que simbolizou os Jogos Olímpicos de 2008, é o quebra cabeça que a Confederação Sul-Americana de Futebol tenta montar.

Os clubes não falam no assunto, por orientação da Conmebol. Mas uma fonte ligada ao Corinthians tem conhecimento das negociações e aponta uma dificuldade: ao contrário da Supercoppa Italiana, jogo de abertura de temporada e de menor significado esportivo, a Recopa Sul-Americana deve ser tratada com máxima importância por Corinthians e São Paulo. “Você não troca um mando de jogo em sua casa, numa disputa de título com um rival, por dinheiro e exposição internacional”, disse a fonte, consultada em condição de anonimato por não participar das conversas.

A coluna apurou, no entanto, que os envolvidos gostaram da proposta e aguardam o desfecho decidido pela Conmebol. Ao que parece, os retornos financeiros e de mídia provenientes de uma rápida excursão à China no segundo semestre, ainda que durante a disputa do Campeonato Brasileiro, agradam as diretorias dos clubes paulistanos.

A Supercoppa Italiana é um evento acostumado a viajar. Já aconteceu duas vezes nos Estados Unidos e uma em Trípoli, na Líbia. Em 2009, 2011 e 2012, levou mais de 60 mil pessoas ao Estádio Nacional de Pequim. O maior público foi o do jogo de dois anos atrás, entre Milan e Internazionale, com 80 mil presentes.

Em sua história mutante, a Recopa Sul-Americana também se internacionalizou. De 1989 a 98, período em que reuniu o campeão da Libertadores e da Supercopa da Libertadores (torneio entre os campeões continentais), esteve em Miami e no Japão. São Paulo e Botafogo – este como convidado por ter sido campeão da Copa Conmebol, pois o São Paulo venceu a Libertadores e a Supercopa no ano anterior – jogaram em Kobe, em 1994, última vez que dois clubes brasileiros decidiram o título.

Dezenove anos depois, o destino pode ser a China.

NOTAS DO MORUMBI

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Começou ontem, no Morumbi, o encontro de oitavas de final da Copa Libertadores entre São Paulo e Atlético Mineiro.

O time da casa entendeu assim. O visitante, não.

Notas:

1 – Da mesma forma que se costuma confundir raça com violência, enxerga-se vontade onde há intensidade. O volume de esforço é o único aspecto de um jogo de futebol que está inteiramente sob controle dos jogadores. É obrigação, não qualidade.

2 – E é uma obrigação distinta para cada jogador. Volantes marcadores, por exemplo, têm seu desempenho dependente de entrega física. Não é tudo, mas é essencial. Jogadores como Ganso (mais sobre ele adiante), por outro lado, precisam estar em sincronia com o jogo, com memória livre no HD para fazer o time rodar.

3 – Ser esforçado, apenas, não é uma boa definição para uma equipe. Indica níveis técnicos insuficientes. Intensidade é algo completamente diferente.

4 – O São Paulo foi intenso ontem. Como ainda não tinha sido em 2013. Intenso na maneira como encarou o jogo, como se alimentou do ambiente criado pelo torcedor, como transferiu concentração e atuação para ser melhor do que o adversário.

5 – Ganso. Estava claro que a vitória dependia de sua contribuição em maior escala do que vimos até agora. Foi intenso, também. Mas a seu modo, com maior frequência de aparições, com os recados dados a seu time – e ao oponente – cada vez que tocou na bola.

6 – O pedigree de um jogador diferente se percebe em lances como o do segundo gol. Domínio com pensamento à frente, noção espacial avançada, passe.

7 – Osvaldo. Bate-estaca no primeiro tempo, moto-serra no segundo. Questão de ajuste, mérito de Ney Franco. O passe para Aloísio foi o momento transformador do jogo.

8 – O Atlético foi a própria antítese. Faltou tudo. Flácido, permissivo, indiferente. Pareceu levar o jogo como um exercício não obrigatório, um simulado inconveniente. Se fez isso, cometeu um erro.

9 – Tardelli. Ausência sentida, especialmente num jogo em que a saída rápida seria uma opção evidente. Jogaria se fosse uma partida eliminatória? Se sim, a decisão de não utilizá-lo foi o primeiro equívoco.

10 – A oportunidade do Atlético era clara: três jogos para eliminar o São Paulo, com a chance dourada de fazê-lo em apenas um, e com o benefício do empate. Era a única forma de não conviver com as dúvidas e os problemas que hoje se apresentam. Era decisão.

11 – O confronto se repetirá em mais dois jogos. Esta quarta-feira foi didática: para o São Paulo, uma visão do caminho. Para o Atlético, um aviso preocupante.

13 – O que vimos teve pouco a ver com raça ou falta dela. Futebol é muito mais.