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Arquivo da Categoria ‘estaduais’

BOM CLÁSSICO

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Pênalti? Que pênalti?

Ok, está claro que não será possível falar sobre o clássico (São Paulo 1 x 2 Corinthians: Jadson, Danilo e Pato) sem opinar sobre o fatídico lance lá pelos 30 minutos do segundo tempo.

A meu ver, o árbitro acertou.

Pato chegou antes, tocou a bola. Rogério chegou atrasado, tocou Pato. Falta.

Se me permitem, gostaria de falar sobre o jogo.

Aí vai:

1 – Jadson joga, não? Ele tem o tipo de toque que indica uma relação mais aprofundada com a bola. Tem a clareza de quem enxerga o que é invisível aos outros. Tem a habilidade e o veneno dos meias que este país deixou de produzir. A forma como ele concluiu a jogada do gol não deixou dúvidas quanto ao desfecho.

2 – Não é fácil, para time nenhum, se equilibrar depois de um gol tão cedo e equilibrar um clássico. Exige tranquilidade, confiança e paciência. O Corinthians tem essa capacidade de, lentamente, assentar-se no jogo e fazer as coisas a seu modo. Merecida igualdade logo antes do intervalo, por tudo o que se produziu no primeiro tempo.

3 – Jogo de afirmação para Emerson Sheik. Seu papel é conhecido: força, velocidade, manutenção da bola no ataque, incômodo permanente. Quando não consegue reunir tantas facetas, sua presença em campo corre perigo. Quando oferece todo o pacote, e ainda acerta uma virada de jogo como a que criou a oportunidade para Danilo, converte-se em jogador decisivo. A questão é sustentar esse tipo de atuação.

4 – Danilo. Dizer o quê? É cada vez mais difícil encontrar jogadores que utilizam o chamado “pé ruim” para tarefas mundanas como ajeitar a bola ou dar um toquinho tímido, de lado. Não sei por qual razão, é ainda mais difícil encontrar canhotos que se lembrem que possuem outro pé. Mas existe Danilo, um canhoto que domina, cruza, lança e chuta com o pé direito. E que faz um gol como aquele com o pé direito.

5 – Que boa impressão o São Paulo deixava no segundo tempo, até o pênalti. Posse, campo aberto, movimentação da bola com envolvimento coletivo. Para quem achava que Jadson e Ganso se atrapalham e atrapalham o time. Falácia. Se você tem jogadores assim, tem de dar a eles as condições de produzir. Os dois meias são-paulinos geraram o jogo que poderia construir a vitória.

6 – Nesta configuração, Luis Fabiano precisa entendê-los. Deve se colocar na última linha do adversário e se desmarcar para se transformar em opção. Um atacante perigoso e eficiente como ele é tudo o que meias inteligentes precisam. Mas a bola precisa de um destino.

7 – Notável – o que não se via há algum tempo – a noção de recomposição do Corinthians no campo de defesa. Perceptível  nos momentos em que o São Paulo acelerou a transição e deu a impressão de atacar com o mesmo número de jogadores que os defensores adversários. De um instante a outro, havia maioria de corintianos. Mérito físico, sim, mas primordialmente tático.

8 – Cada time pretendia vencer de um jeito. O São Paulo, tentando ocupar o campo de ataque. O Corinthians, chamando o oponente de olho no espaço que ele deixaria. Ambos os objetivos eram perfeitamente alcançáveis.

9 – Pato. Para um jogador com tamanho histórico de problemas musculares, a jogada do pênalti é simbólica. O arranque e a chegada antes de Rogério, que estava mais próximo da bola.

10 – O árbitro acertou, também, ao não expulsar o goleiro do São Paulo. Ele não quis fazer a falta, mas fez. Atraso na disputa de bola que termina em carga faltosa é um dos lances mais comuns que existem. Cartão vermelho não teria propósito.

11 – Um bom clássico neste insosso Campeonato Paulista, enfim. Disputado como se a Copa Libertadores não estivesse no calendário, e na semana, dos dois times envolvidos.

CAMPEÃO

segunda-feira, 11 de março de 2013

CAMPEONATO CARIOCA - Taça Guanabara - Vasco x Botafogo- Final

 

Existe imagem melhor (foto: Alexandre Loureiro/LANCE!Press) do que essa para ilustrar a conquista do Botafogo?

Em primeiro plano, se vê o escudo, que é o mais importante.

É o escudo sete vezes campeão da Taça Guanabara.

Pelo gesto retratado, não se pode notar a diferença entre celebração e consolação.

Não há um sorriso, por exemplo.

Mas há ternura, carinho, pois as grandes alegrias costumam caminhar juntas com o alívio e a lembrança de momentos difíceis.

O jogador de costas não está identificado, mas não faz mal. Seu nome é menos importante do que sua participação na cena.

O jogador de frente não precisa ser identificado. Clarence Seedorf é conhecido no mundo inteiro.

O suor escorrendo pelo rosto é sinal de esforço, dedicação.

Os olhos fechados, de satisfação.

O abraço no companheiro, um termômetro de seu ambiente num grupo de jogadores distantes de seu patamar.

Instantes como esse não acontecem entre pessoas que não se dão bem.

A imagem é um retrato preciso do que Seedorf trouxe para o Botafogo.

O exemplo, a mentalidade, o jogo.

Ele poderia ter vindo para aproveitar uma “semi-aposentadoria” bem remunerada.

Está aproveitando a oportunidade para ampliar seu currículo.

O que é a Taça Guanabara para quem tem tudo?

É mais um motivo para ser feliz jogando futebol.

Assim são os grandes campeões.

NOTAS PÓS-RODADA

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

(quem anda por aqui sabe como funciona, mas não custa explicar uma vez mais: as Notinhas Pós-Rodada, propriamente ditas, começarão com o Campeonato Brasileiro. Enquanto isso, comentários específicos podem aparecer. Ou não.)

Houve clássico em São Paulo (Corinthians 2 x 2 Palmeiras: Émerson, Vilson, Vinícius e Romarinho), em que a entrega do time alviverde igualou-se à superioridade do alvinegro. Bom jogo e bom público no Pacaembu.

Houve clássico no Rio de Janeiro (Flamengo 1 x 0 Botafogo: Hernane), em que o Flamengo se garantiu nas semifinais e goleador Hernane marcou pela oitava vez – em 7 desses gols, deu apenas o toque fatal. Estaríamos diante de um finalizador nato?

Também houve jogos interessantes em outros estados do país, como por exemplo os da Copa do Nordeste, mais um lembrete da alternativa aos moribundos estaduais. Estádios cheios por lá para acompanhar o torneio regional, que reúne rivalidade, competitividade, sentido.

Houve um 7 x 0, ontem (lavada do Coritiba, fora de casa, sobre o Rio Branco). Alex, craque, não fez nenhum.

Houve uma expulsão na carreira de Neymar, após um desentendimento com Artur, na vitória da Ponte Preta (3 x 1 no Santos: Bruno Silva, Alemão-2 e André) em Campinas. Houve também quem defendesse um amarelo para cada um, mas mão na cara – duas vezes – e tapa no braço – outras duas – a meu ver, justificam os vermelhos.

Houve uma falha constrangedora de Rogério Ceni, no sábado (São Paulo 3 x 2 Ituano). Chute fraco, erro técnico, bola que entrou devagar, para aumentar o sofrimento. É deste jogo o lance sobre o qual quero falar.

O passe de Jádson para Osvaldo, no primeiro gol do São Paulo.

Forte, preciso, no ponto futuro, com pouquíssimo espaço.

Inteligência, técnica e visão reunidas no mesmo lance, que criou o gol.

O tipo de jogada que poucos jogadores tentam, por falta de coragem ou capacidade.

AS RODADAS

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Diante da inquestionável superioridade técnica do Santos (3 x 0), Vadão e o Guarani decidiram jogar.

A possibilidade evidente de uma derrota que praticamente encerrasse a conversa não levou o time de Campinas a mudar sua postura e,  como fez o Chelsea contra o Barcelona, “estacionar o ônibus” no campo de defesa.

Na retranca, talvez o Guarani tivesse perdido por menos. Ou, com sorte, empatado. Ou ainda, contra todas as probabilidades, vencido por um gol, fruto de um contra-ataque isolado.

Talvez.

Minha opinião? Não faria diferença em relação ao placar do jogo, muito menos em relação ao título.

O que poderia fazer alguma diferença e, pelo menos, levar um pouco de emoção para o segundo jogo, seria uma partida de ida na casa do Guarani.

Ambiente, torcida a favor, campo, fator casa. Esses aspectos deveriam ter sido observados pelo Guarani, se é que conquistar o campeonato era o objetivo.

Num campo neutro, amplo e com maioria de santistas no estádio, fica difícil acreditar.

E pedir a Vadão que abandone seu jeito de ver futebol e dirigir um time não faz sentido.

O Santos voltará ao Morumbi, no próximo domingo, para buscar a taça e fazer festa.

É o hábito de quem tem Neymar e Ganso.

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O que mudou radicalmente o primeiro jogo da decisão carioca (Fluminense 4 x 1 Botafogo) não foi a expulsão do botafoguense Lucas, aos 10 minutos do segundo tempo.

Foi o bonito gol de Fred, que empatou a partida, aos 43 do primeiro.

O Botafogo deixou de atacar tão logo saiu na frente, o que é pedir para sofrer.

O recuo chamou o Fluminense, que marcou mais à frente e começou a pressionar.

O empate próximo ao intervalo instalou a mesma convicção nos dois vestiários: no segundo tempo, começaria um novo jogo. E se ambos os times mantivessem suas posturas até aquele momento, o Fluminense – melhor time – teria muito mais chances de vencer.

Era obrigação do Botafogo mudar o cenário. O segundo cartão amarelo de Lucas até o fez, mas para pior.

Perdendo por 2 x 1, talvez fosse mais producente se fechar e manter chances para o jogo de volta. Com três gols de desvantagem, elas são minúsculas para o Botafogo.

Boa partida de Deco, importante para o título quase decidido.

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Como é bonito ver um jogador de meio de campo decidir um jogo.

Yaya Touré poderá ser lembrado como o autor dos gols (Newcastle 0 x 2 Manchester City) que acabaram com 44 anos de saudade dos torcedores do City.

Contra o Newcastle, Touré jogou mais avançado, como meia “puro”, posicionamento que é mérito do técnico Roberto Mancini.

Atuação deslumbrante num jogo que poderia complicar a situação do time.

Touré é completo.

No Barcelona, tinha funções mais defensivas. Chegou a jogar como zagueiro, na decisão da Liga dos Campeões de 2009.

No Manchester City, mostra o repertório que pode ser decisivo para o surgimento de um novo campeão inglês.

LANCES DA RODADA (e a foto do fim de semana)

segunda-feira, 30 de abril de 2012

O Santos (3 x 1 no São Paulo) é o melhor time do Brasil e, como tal, deve ser visto como o favorito quando entra em campo no país.

A semifinal do Campeonato Paulista (sexto ano seguido em que o São Paulo é eliminado nessa fase. Nos últimos três campeonatos, pelo Santos) mostrou um time contra o qual não se pode errar.

E o São Paulo errou bastante, desde cedo.

O pênalti de Paulo Miranda em Alan Kardec, antes que todo mundo estivesse sentado no Morumbi, foi um presente.

Outro foi a bola de Rhodolfo, que encontrou o peito de Ganso e depois chegou a Neymar.

Ganso rolou antes mesmo de Neymar partir para o gol, porque sabe que não há marcador que acompanhe Neymar na corrida.

O terceiro presente foi a falha de Dênis, no chute que deveria ser espalmado para longe e caiu dentro do gol.

Não que o São Paulo só tenha feito bobagens no jogo. Mas participar dos 3 gols de Neymar não é o melhor caminho para vencer.

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O time do Guarani (3 x 1) é superior ao da Ponte Preta, e mereceu alcançar a primeira decisão estadual em 24 anos.

O dérbi de histórica rivalidade valeu ao time bem dirigido por Vadão um resultado que deve ser encarado como uma conquista.

Pois será uma óbvia surpresa se o Guarani ganhar o título.

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Dois lançamentos magistrais construíram gols para o Botafogo (3 x 1 no Vasco), na final da Taça Rio.

A bola de Elkeson para Fábio Ferreira no segundo gol foi milimetricamente precisa. Teve força e curva na medida para o cabeceio que deixou Abreu à vontade para marcar.

E a bola de Antonio Carlos, no terceiro gol, foi morrer no peito de Maicosuel do jeito que vemos nas imagens de jogadas dos anos 60 e 70.

Lances de técnica, beleza e eficiência.

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A foto acima (crédito: Yahoo Sports) é a imagem do fim de semana no futebol.

Nela, o zagueiro brasileiro Cris, capitão do Lyon, está junto de Gregory Beaugrard, do Quevilly, levantando a Copa da França.

Cris chamou Beaugrard num gesto de cavalheirismo, por entender que para o time da terceira divisão francesa, a derrota para o Lyon era, de fato, um momento a ser comemorado.

Isso tem nome e é difícil de encontrar: classe.

Não, não foi a primeira vez que aconteceu.

Mas Cris merece todos os aplausos.

A(s) RODADA(s)

segunda-feira, 23 de abril de 2012

São Paulo (4 x 1 no Bragantino) e Santos (2 x 0 no Mogi-Mirim) se encontrarão, pelo terceiro ano seguido, nas semifinais do Campeonato Paulista.

O favoritismo teórico do Santos, que já seria um fato independente de qualquer circunstância, ficou mais evidente no momento em que Luis Fabiano se retirou do jogo do próximo domingo.

O atacante (e principal jogador) do São Paulo levou o terceiro cartão amarelo no primeiro tempo do jogo contra o Bragantino, ao fazer uma falta desnecessária no campo de defesa.

Apesar das reclamações, o cartão foi justo. Assim como as críticas que o jogador recebeu por desfalcar o São Paulo no clássico.

Luis Fabiano só não merece ser criticado por não ter zerado seus cartões amarelos antes das oitavas de final. Ele não poderia tê-lo feito, uma vez que ficou pendurado no jogo contra o Mogi-Mirim, na penúltima rodada.

Se tivesse forçado o terceiro amarelo na partida seguinte, contra o Linense, obviamente não enfrentaria o Bragantino (que, diga-se, complicou o jogo no começo do segundo tempo, até o próprio LF marcar um raro gol de falta).

Então não havia nada a fazer? Sim, aparentemente havia. Mas seria uma operação arriscada.

O regulamento geral do Campeonato Paulista informa o seguinte, em seu artigo 50, inciso primeiro, letra c:

Quando um atleta recebe 1 (um) cartão amarelo e, posteriormente, recebe 1 (um) segundo cartão amarelo, com a exibição conseqüente do cartão vermelho, tais cartões amarelos não serão considerados para o cômputo da série de três cartões amarelos que geram o impedimento automático.

Vejamos: Luis Fabiano começou o jogo contra o Mogi com um cartão amarelo. Levou o segundo, que o deixou pendurado. De acordo com o que está escrito acima, se tivesse forçado o segundo amarelo no jogo, receberia um vermelho e seria expulso. Cumpriria suspensão contra o Linense e voltaria para enfrentar o Bragantino com apenas um cartão amarelo.

O risco, lógico, seria levar o vermelho direito, o que o manteria pendurado.

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No ano do centenário do dérbi de Campinas, a cidade comemora o encontro de Ponte Preta (3 x 2 no Corinthians) e Guarani (3 x 2 no Palmeiras) nas semifinais do campeonato estadual.

Será um  jogo histórico, digno da lista feita por Gustavo Hoffman, com os maiores dérbis de todos os tempos.

Tomara que seja um dia de futebol, rivalidade esportiva e boas memórias.

Sem violência.

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O campeonato acabou para o Palmeiras e Corinthians, tema do post de Gian Oddi em seu blog.

Minha opinião: a eliminação é mais grave no caso palmeirense, pela falta de conquistas recentes e a perspectiva duvidosa do atual time.

O ambiente interno do clube ficará conturbado, enquanto o Palmeiras disputa a Copa do Brasil.

No caso corintiano, campeão brasileiro e jogando a Libertadores, o preocupante não é a queda em si, mas como ela aconteceu.

As duas falhas de Julio César geram, novamente, questionamentos a respeito da confiabilidade do goleiro.

O clube não tem opções.

Até o jogo contra o Emelec, em dez dias, o principal trabalho de Tite será recuperar seu camisa 1.

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O clássico no Engenhão (Vasco 3 x 2 Flamengo) teve implicações trabalhistas.

Enquanto o Vasco segue à final da Taça Rio, com chances de disputar o terceiro título seguido, o Flamengo entra em férias coletivas – e forçadas – até o início do Campeonato Brasileiro.

A eliminação na Libertadores tinha transformado o Estadual em algo mais importante para o Flamengo.

Em tese, o Vasco é quem menos precisa do título. Mas a saudade da última conquista estadual (2003, lembra do cruzamento de letra do Léo Lima?) bate forte.

O Botafogo  (4 x 2 no Bangu) é o time para o qual esse campeonato vale mais.

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No sábado, o Real Madrid praticamente encerrou a Liga Espanhola ao derrotar (2 x 1) o Barcelona no Camp Nou.

Foi a primeira vitória da carreira do técnico José Mourinho no estádio catalão.

Uma vitória conquistada com a execução total do plano que o Madrid não tinha conseguido aplicar nos últimos clássicos: marcação incansável no meio de campo, contenção dos laterais e saída eficiente para o contra-ataque.

Uma proposta de jogo correta para um time que sabia que o empate era um ótimo resultado.

Este Madrid, por opção, não vence “jogando”. Vence atropelando seus adversários com velocidade e força.

Estratégia que não funciona contra o Barcelona, o que levou o o time merengue a demorar algum tempo para decifrar o próprio comportamento.

Em clássicos recentes, pareceu perdido e pouco confiante. No sábado, foi o oposto.

A atuação de Ozil chamou a atenção. O alemão, pela primeira vez, conseguiu fazer o papel defensivo que Mourinho já lhe tinha pedido outras vezes.

E ainda deu o passe para o implacável Cristiano Ronaldo marcar o segundo gol.

O Barcelona esteve abaixo de seu nível normal. Messi foi controlado por seus (vários) marcadores, assim como aconteceu na derrota para o Chelsea.

E o time perdeu algumas chances que poderiam alterar os caminhos do jogo.

Não dá para concordar com as críticas a Guardiola, seja pela escalação ou substituições. Ele não podia deixar de pensar na Liga dos Campeões e não tem um elenco tão numeroso.

E até a semana passada, só recebia elogios.

Interessante o papel que o último clássico terá caso os rivais espanhóis se encontrem na final da UCL.

O GOL DE GANSO

segunda-feira, 16 de abril de 2012

De tudo o que aconteceu no fim de semana, nada foi melhor do que o gol de Ganso.

Assumindo que a goleada (5 x 0 Catanduvense) de ontem fez parte das comemorações do centenário, o primeiro gol não poderia ter sido mais significativo.

O toque por cobertura mostrou que Ganso sabia de tudo o que estava acontecendo na jogada. Onde ele mesmo estava, onde estavam os outros jogadores, onde estava o goleiro Filipe.

Como diz Tostão, Ganso sabia de tudo sem saber que sabia. Essa é uma das características que separam jogadores de futebol.

A parte mais interessante do lance é a movimentação de Filipe.

Ganso não poderia saber que o goleiro se adiantou, movimento automático para diminuir a distância e aumentar a chance de defender um chute, porque não olhou. E estava longe do adversário para perceber a mudança de posicionamento.

O que aconteceu foi que Ganso condicionou a reação de Filipe, no momento em que dominou a bola. O gesto de armar o chute fez com que o goleiro se adiantasse, e o toque por cima completou a jogada que estava pronta, no inconsciente de Ganso, tão logo a bola chegou.

Qualquer gol por cobertura requer visão, calma, ousadia e talento.

O gol que Ganso marcou tem também o componente do jogo de adivinhação em que ambos os lados correm riscos.

Ganso, ao mostrar que bateria no gol de um jeito diferente do que pretendia.

Filipe, ao se adiantar prevendo um chute como outro qualquer.

Ganso venceu, o que não surpreende.

Gol de um jogador superior, que parece estar no início de uma temporada redentora. Tomara que nada o atrapalhe no meio do caminho.

ATUALIZAÇÃO, terça-feira 17/4, 12h18 – É uma satisfação perceber que um post sobre um gol gera tantos comentários. Mas é espantoso ver a quantidade de pessoas que escreveram para desmerecer o gol, o post, ou ambos. Na verdade, o que espanta é a procura por segundas e terceiras intenções, que estariam por trás do que aparece escrito.

Não basta dizer “não concordo, não achei o gol tão bonito”. É preciso inferir sobre os motivos que levaram um jornalista a escrever sobre um gol.

O sujeito não concorda que foi um golaço e acha estranho que alguém pense assim. E o fato de alguém escrever que foi assim só pode ser parte de um esquema.

Quanta pobreza.

Com frequência, menciono a péssima relação que muita gente tem com o futebol. O extremo dessa relação é o imbecil que mata por causa de uma camisa de cor diferente. Mas esse é um problema social, complexo.

O outro extremo, num aspecto, não deixa de ser grave. O fato de pessoas que, em tese, têm capacidade de debater em bom nível sobre variados assuntos, se tornarem ignorantes e intolerantes quando o tema é futebol.

E veja, a conversa nem precisa ser sobre o time dele, ou um jogador do time dele, para provocar essa transformação.

Sugestão para quem acha que “há esquema”: não leia, não comente.

Se você estiver certo, não alimentará o esquema.

Se estiver errado, não atrapalhará o espaço.

LANCES E LINKS

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Fim de semana com erros de arbitragem a escolher.

Por exemplo…

O gol do Santos (São Caetano 2 x 1), anulado por impedimento, num lance em que PHG está alguns metros em condição legal.

E a jogada em que o Queens Park Rangers foi triplamente prejudicado, na derrota para o Manchester United (2 x 0).

Ashley Young estava impedido e não sofreu pênalti de Derry, que ainda levou cartão vermelho.

Até na Inglaterra, onde as arbitragens tinham um nível melhor, a crise é séria.

Dois lances em que não se exigiu muito da visão dos assistentes, e mesmo assim as marcações foram equivocadas.

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O apito também dominou a conversa sobre o clássico entre Vasco e Flamengo (1 x 2), no Engenhão.

A reação dos jogadores vascaínos (que gerou a expulsão de 5, na súmula) foi extrema.

Não vi erros nas decisões do árbitro nos lances com Thiago Feltri e Léo Moura.

Exageradas, também, as declarações do presidente Roberto Dinamite.

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A propósito do post logo abaixo deste:

“A concentração pra mim é uma mentira. O clube procura isso porque fica todo mundo junto, você toma café, almoça, conversa sobre o que pode acontecer no jogo… Hoje, com a tecnologia, fica cada um em seu canto. O pessoal acaba a janta e some. Eu, que não pego no laptop, fico me sentindo um dinossauro. Só fico assistindo futebol na televisão.”

“Você acaba perdendo a conversa com os outros atletas. Tem jogador que você não consegue nem saber se tem filho, como é a família, porque acaba não tendo contato. Na concentração, alguns jogadores só vão para comer, dormir e depois jogar.”

Abreu, do Botafogo, ao programa “Redação SporTV”.

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O Cruzeiro foi buscar o empate (2 x 2) no clássico mineiro, que significou os primeiros pontos perdidos pelo Atlético na temporada.

Jogo disputado, recheado de rivalidade, presenciado por uma torcida só.

É a falência organizacional do país da Copa do Mundo.

Como já escrevi muitas vezes, impedir o torcedor de verdade de ir a um jogo do seu time é assumir nossa total incapacidade de organizá-lo.

É cômodo e não tem efeito prático para coibir a violência entre bandidos uniformizados.

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Futebol é bola na rede?

Esse jogo aqui não teve nenhuma.

E foi bom pra caramba.

GOLS DA RODADA

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Só links de gols, hoje.

O fim de semana foi pródigo.

Por aqui, a classe de Juninho Pernambucano apareceu na vitória sobre o Macaé.

E o Ituano sentiu a força e a precisão de Lucas.

Fora daqui, a competição pelo gol mais bonito é acirrada.

O chileno Vidal, autor do segundo da Juventus contra o Napoli, assinou uma bela obra (aqui, aos 02’30″).

O francês Karim Benzema marcou um gol de Van Basten (compreende-se a lembrança, mas o gol do atacante holandês está alguns degraus acima), contra o Osasuna.

Mas o que outro francês, David Trezeguet, fez em Buenos Aires tem de ser um dos gols do ano.

A maneira de bater na bola, como uma raquetada. A trajetória reta até a rede lateral, rente à trave. A mínima distância da mão direita do goleiro. Tudo é perfeito.

Espere até o último replay. É o melhor.

LANCES E LINKS

segunda-feira, 26 de março de 2012

Saíram dois gols “de bola parada” num jogo do Palmeiras.

Nenhum foi a favor.

A imprevisibilidade do futebol manda seu recado, para que não tentemos explicar o que, às vezes, simplesmente acontece.

E no caso dos gols do Corinthians (2 x 1 no clássico, de virada), a dose de responsabilidade da defesa do Palmeiras foi alta.

No primeiro, a bola foi ajeitada para Paulinho.

No segundo, o serviço foi completo. Liedson, que adoraria poder mandar a bola para a rede, nem precisou tocá-la.

Curioso que um time tão acostumado a machucar adversários com cobranças de falta e escanteios, tenha se permitido machucar da mesma forma.

E tudo aconteceu em pouco menos de 3 minutos, como se o Corinthians tivesse finalmente conseguido encaixar sua jogada preferida, algo que diríamos sobre o Palmeiras se o resultado fosse inverso.

Mas certas marcas ficam impregnadas, mesmo num jogo que parecia determinado a desmenti-las.

Depois da virada, a cada falta perto da área do Corinthians, a cada aproximação de Marcos Assunção, a sensação de gol iminente era impossível de evitar.

Gol que só não saiu, num momento que dificilmente deixaria margem para qualquer mudança no placar, porque o cabeceio de Henrique, livre, errou o alvo por centímetros.

A defesa do Corinthians não participou da jogada.

Teria sido o terceiro gol de bola parada no clássico. O único do Palmeiras.

E o único em que tudo teria saído como o planejado.

Mas o futebol não gosta de planos.

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A passagem de Adriano pelo Corinthians pode terminar na Justiça, com o jogador cobrando um dinheiro do clube.

Por mais inacreditável que seja, dá a medida do erro que foi sua contratação.

Aliás, não espanta que, agora, detalhes sobre a “recuperação” de Adriano no Corinthians estejam voando por aí.

O que espanta é que sejam apresentados e tratados como “novos”.

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O presidente do Grêmio, Paulo Odone, ameaça rever a participação do clube no Campeonato Gaúcho do ano que vem, por causa da violência dentro de campo.

Se você ainda não sabe, o Grêmio perdeu Kléber por fratura no tornozelo direito, após um lance com o zagueiro Léo Carioca, do Cruzeiro.

A recuperação de Kléber deve durar cinco meses.

Pena que a ameaça de Odone não tenha nenhum efeito prático. Pois nada vai mudar na forma de os times atuarem (especialmente no interior do Rio Grande do Sul, há quantas décadas se usa termos como “viril” e “pegado” para qualificar o tipo de futebol que se joga?) e, muito menos, na participação do Grêmio no Estadual.

Já manifestei aqui minha opinião sobre os estaduais.

Serei um dos primeiros a aplaudir no momento em que os clubes se libertarem e passarem a organizar as próprias competições.

Motivos para boicote a um estadual, como são hoje, não faltam.

Mas nenhum deles tem a ver com entradas violentas.

Isso faz parte do futebol desde sempre.

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A propósito da maldita mania de responsabilizar arbitragens, e ignorar a própria responsabilidade, mais um artigo irretocável de Santiago Solari.

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Se mais jogadores de futebol fossem como Alessandro Del Piero

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E que gol é esse, Mr. Crouch…?