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DANILO, O SÁBIO

segunda-feira, 20 de maio de 2013

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(imagem: Ivan Storti/LANCE!Press)

Antigamente se dizia que jogadores como Danilo “conhecem os atalhos do campo”.

Está na hora de uma atualização.

Danilo e seus semelhantes são jogadores que conhecem as áreas mais valorizadas do campo, e navegam entre elas por estradas bem pavimentadas.

Não há atalhos.

São as estradas que representam a carreira de um futebolista bem sucedido, que entende o futebol como algo superior a todos nós, que se determinou a vencer a seu modo.

Danilo cultiva um tipo diferente de humildade, que só quem presta muita atenção consegue detectar.

Ele não é o sujeito subserviente, que se recolhe diante de quem lhe parece melhor, com um introvertido abaixar da cabeça.

Não. Ele só parece ser assim, à distância.

Ao contrário das aparências, ele é o lutador tinhoso que estuda o oponente em silêncio, alcança o fundo dos seus olhos e identifica o medo que existe em todas as pessoas.

E procede a um nocaute lento, porém impiedoso. Violento, porém majestoso.

Danilo vence porque sua enganosa lentidão é um disfarce para sua eficiência. Porque a frieza que incomoda aos neuróticos é companheira de sua inteligência.

Quando o adversário, aquele que não lhe mostrou respeito, está finalmente no chão, Danilo apenas sorri.

Já reparou como ele reage aos gols que marca?

Não há raiva, não há locura, não há palavrões,

Só felicidade.

É o triunfo dos que jamais dobram as pernas, dos que não aceitam as portas que se fecham, dos que acreditam que não há força capaz de deter o talento.

Danilo sabe o que quer, sabe como encontrar, sabe como chegar.

Sua estrada é feita de sabedoria.

RISCO (MAL) CALCULADO

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Sim, chegaremos a Carlos Amarilla em mais alguns minutos.

Mas há muito a ser considerado antes da atuação subversiva do árbitro paraguaio, porque o Corinthians é co-responsável por ela.

E não falo sobre a indicação dele para o jogo, que teria sido obra de dirigentes corintianos.

Falo sobre futebol mesmo. Ou falta dele.

O Corinthians não deveria ter nada a reclamar pela eliminação precoce, além dos próprios defeitos.

Permitiu, na Bombonera e no Pacaembu, que o Boca Juniors construísse o único caminho possível para passar pela eliminatória.

O pecado mais grave foi a postura fria no jogo de ida, quando não teve a capacidade de marcar o gol que encaminharia sua classificação.

Com um 1 x 1 em Buenos Aires, Amarilla poderia ter feito o que bem entendesse ontem – como fez – e o jogo iria para os pênaltis.

Ou, mais provável, já que o Corinthians teria praticamente todo o segundo tempo para fazer um gol, estaria agora nas quartas de final.

Mas esqueça por um minuto o gol que o Corinthians não fez.

A grande prova de que não foi a arbitragem que tirou o campeão da Libertadores é o lance com Alexandre Pato, precisamente aos 30 do segundo tempo.

Não tivesse ele se enrolado com a bola, a um metro da linha, é forçoso considerar a hipótese do Pacaembu empurrar o terceiro gol para dentro, não?

Haveria pelo menos 15 minutos para que isso acontecesse.

De modo que foi o Corinthians que se colocou na posição perigosa de não ter margem de manobra no jogo em casa.

Qualquer coisa que desse errado – um cruzamento que entra no ângulo, erros de arbitragem em ocorrências de gol – seria potencialmente decisiva.

Foi o Corinthians que falhou ao tratar o Boca Juniors como um adversário corriqueiro, talvez por tê-lo vencido na última fase da conquista histórica do ano passado.

O melhor Boca, o pior Boca, qualquer Boca… não faz diferença. Este é um clube que tem a Copa Libertadores gravada em sua carga genética, um clube em que a confiança no sucesso em jogos copeiros é absoluta.

Em qualquer época, com qualquer elenco, contra qualquer adversário, em qualquer lugar.

Um clube em que a confiança em jogos copeiros contra brasileiros, com Bianchi e Riquelme em campo, transborda.

Colocar-se na situação de não poder tomar um gol do Boca Juniors é ficar à mercê de uma “receita de classificação” testada e aprovada ao longo dos tempos. Algo que já vimos e ainda veremos muitas vezes.

Algo que o Corinthians deveria ter evitado a todo custo.

A oportunidade se apresentou na Bombonera, e, por tê-la negligenciado, o Corinthians deve se penitenciar.

Isto considerado, chegamos à arbitragem.

O trio comandado por Amarilla interferiu no resultado do jogo, no primeiro tempo, ao não marcar pênalti de Márin – que já tinha amarelo e seria expulso – e paralisar por impedimento inexistente o lance que terminou com um gol de Romarinho.

O segundo erro, que deve ser creditado ao auxiliar, é ainda mais prejudicial que o primeiro. Porque o gol de Riquelme aconteceu no minuto seguinte.

Independentemente disso, um jogador como Román, com tamanho currículo de vítimas brasileiras na Libertadores, jamais poderia ter sido presenteado com tal liberdade para lançar a bola para a área.

Tenha sido um cruzamento ou não.

Houve mais equívocos? Provavelmente sim. Mas não foram tão danosos ao jogo quanto os dois acima mencionados.

Que só foram tão danosos aos objetivos do Corinthians, porque o próprio Corinthians permitiu.

SENSIBILIDADE

sexta-feira, 3 de maio de 2013

(o jornal me pediu um texto, para a edição de hoje, sobre Boca Juniors 1 x 0 Corinthians. Aí vai.)

SENSIBILIDADE

Tite se irritou com a sugestão de que o Corinthians “sentiu” a Bombonera. Ele tem razão, mas não no apelo aos títulos, usado para imunizar o time desse tipo de fraqueza. O Corinthians realmente não sentiu o jogo, o que explica a atuação pouco característica. Se tivesse sentido, provavelmente teria vencido.

É necessário estar em sintonia com o momento. Talvez seja difícil interiorizar o chamado “espírito de decisão” numa fase da competição em que as coisas ainda parecem mornas. Mas as oitavas de final são tão decisivas quanto o que está adiante delas. E contra o Boca Juniors, qualquer Boca Juniors, é obrigatório antecipar – em todos os aspectos – a máxima dificuldade.

O atual time do Boca é claramente inferior ao do Corinthians. A maneira como se portaram em campo revela que os argentinos têm exata noção da diferença técnica entre as equipes. O Boca conduziu o jogo para o território que lhe interessava, um ambiente de mais pressão e intensidade. O Corinthians passou mais tempo preocupado em responder ao convite do adversário do que em fazer o que lhe tornou campeão.

Só Tite pode dizer se a marcação recuada foi uma ordem ou uma adaptação. A fragilidade e o momento ruim do Boca sugeriam que a pressão alta era o mecanismo indicado para gerar uma vantagem no placar. O Corinthians decidiu esperar e pagou por isso. Tomou um gol “sem querer”? Sim. Mas esse é o risco que correm os times que permitem que a bola ronde sua área.

Tite também tem razão quando diz que o resultado é plenamente reversível. A derrota em Buenos Aires significa, apenas, que a margem de manobra do Corinthians no Pacaembu será menor. Situação perigosa contra times que, independentemente do momento e do elenco, sabem como explorar a necessidade do adversário de propor o jogo. O Boca Juniors é catedrático nessa área.

O desnível técnico deve prevalecer no jogo de volta, se o Corinthians utilizar o que não fez na Bombonera como um aviso. Desde a Libertadores do ano passado, houve momentos em que faltou futebol. Mas ainda não havia faltado postura.

É preciso “sentir” esses jogos.

NO LANCE! DE HOJE

sábado, 20 de abril de 2013

(minha coluna no Lance! deste sábado, publicada aqui a pedido dos editores do jornal)

RIVAIS NO NINHO

Você é capaz de imaginar Corinthians e São Paulo disputando um título na China? Há quem esteja tomando providências para que aconteça. A ideia, sigilosa até este momento, já foi levada aos dois clubes e está nas mãos da Conmebol para uma decisão definitiva.

A iniciativa é do mesmo grupo que levou a Supercoppa da Itália, jogo de pré-temporada entre os campeões da Série A italiana e da Coppa Itália, a ser realizada no estádio olímpico de Pequim em três dos últimos quatro anos. O plano é fazer o mesmo com a Recopa Sul-Americana, que reúne os campeões da Copa Libertadores e da Copa Sul-Americana. Se todos os detalhes forem acertados, os rivais paulistas podem se enfrentar no Ninho de Pássaro, no segundo semestre.

Mas há problemas no caminho, e não são simples. Desde 1995, a Recopa Sul-Americana é disputada em dois jogos, com vantagem de mando para o campeão da Libertadores. O planejamento de marketing da competição é feito com base numa decisão em mão dupla, com os evidentes desdobramentos de direitos de televisão e exposição de patrocinadores. A conversão do sistema para um jogo único, condição para que o evento aconteça no palco que simbolizou os Jogos Olímpicos de 2008, é o quebra cabeça que a Confederação Sul-Americana de Futebol tenta montar.

Os clubes não falam no assunto, por orientação da Conmebol. Mas uma fonte ligada ao Corinthians tem conhecimento das negociações e aponta uma dificuldade: ao contrário da Supercoppa Italiana, jogo de abertura de temporada e de menor significado esportivo, a Recopa Sul-Americana deve ser tratada com máxima importância por Corinthians e São Paulo. “Você não troca um mando de jogo em sua casa, numa disputa de título com um rival, por dinheiro e exposição internacional”, disse a fonte, consultada em condição de anonimato por não participar das conversas.

A coluna apurou, no entanto, que os envolvidos gostaram da proposta e aguardam o desfecho decidido pela Conmebol. Ao que parece, os retornos financeiros e de mídia provenientes de uma rápida excursão à China no segundo semestre, ainda que durante a disputa do Campeonato Brasileiro, agradam as diretorias dos clubes paulistanos.

A Supercoppa Italiana é um evento acostumado a viajar. Já aconteceu duas vezes nos Estados Unidos e uma em Trípoli, na Líbia. Em 2009, 2011 e 2012, levou mais de 60 mil pessoas ao Estádio Nacional de Pequim. O maior público foi o do jogo de dois anos atrás, entre Milan e Internazionale, com 80 mil presentes.

Em sua história mutante, a Recopa Sul-Americana também se internacionalizou. De 1989 a 98, período em que reuniu o campeão da Libertadores e da Supercopa da Libertadores (torneio entre os campeões continentais), esteve em Miami e no Japão. São Paulo e Botafogo – este como convidado por ter sido campeão da Copa Conmebol, pois o São Paulo venceu a Libertadores e a Supercopa no ano anterior – jogaram em Kobe, em 1994, última vez que dois clubes brasileiros decidiram o título.

Dezenove anos depois, o destino pode ser a China.

BOM CLÁSSICO

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Pênalti? Que pênalti?

Ok, está claro que não será possível falar sobre o clássico (São Paulo 1 x 2 Corinthians: Jadson, Danilo e Pato) sem opinar sobre o fatídico lance lá pelos 30 minutos do segundo tempo.

A meu ver, o árbitro acertou.

Pato chegou antes, tocou a bola. Rogério chegou atrasado, tocou Pato. Falta.

Se me permitem, gostaria de falar sobre o jogo.

Aí vai:

1 – Jadson joga, não? Ele tem o tipo de toque que indica uma relação mais aprofundada com a bola. Tem a clareza de quem enxerga o que é invisível aos outros. Tem a habilidade e o veneno dos meias que este país deixou de produzir. A forma como ele concluiu a jogada do gol não deixou dúvidas quanto ao desfecho.

2 – Não é fácil, para time nenhum, se equilibrar depois de um gol tão cedo e equilibrar um clássico. Exige tranquilidade, confiança e paciência. O Corinthians tem essa capacidade de, lentamente, assentar-se no jogo e fazer as coisas a seu modo. Merecida igualdade logo antes do intervalo, por tudo o que se produziu no primeiro tempo.

3 – Jogo de afirmação para Emerson Sheik. Seu papel é conhecido: força, velocidade, manutenção da bola no ataque, incômodo permanente. Quando não consegue reunir tantas facetas, sua presença em campo corre perigo. Quando oferece todo o pacote, e ainda acerta uma virada de jogo como a que criou a oportunidade para Danilo, converte-se em jogador decisivo. A questão é sustentar esse tipo de atuação.

4 – Danilo. Dizer o quê? É cada vez mais difícil encontrar jogadores que utilizam o chamado “pé ruim” para tarefas mundanas como ajeitar a bola ou dar um toquinho tímido, de lado. Não sei por qual razão, é ainda mais difícil encontrar canhotos que se lembrem que possuem outro pé. Mas existe Danilo, um canhoto que domina, cruza, lança e chuta com o pé direito. E que faz um gol como aquele com o pé direito.

5 – Que boa impressão o São Paulo deixava no segundo tempo, até o pênalti. Posse, campo aberto, movimentação da bola com envolvimento coletivo. Para quem achava que Jadson e Ganso se atrapalham e atrapalham o time. Falácia. Se você tem jogadores assim, tem de dar a eles as condições de produzir. Os dois meias são-paulinos geraram o jogo que poderia construir a vitória.

6 – Nesta configuração, Luis Fabiano precisa entendê-los. Deve se colocar na última linha do adversário e se desmarcar para se transformar em opção. Um atacante perigoso e eficiente como ele é tudo o que meias inteligentes precisam. Mas a bola precisa de um destino.

7 – Notável – o que não se via há algum tempo – a noção de recomposição do Corinthians no campo de defesa. Perceptível  nos momentos em que o São Paulo acelerou a transição e deu a impressão de atacar com o mesmo número de jogadores que os defensores adversários. De um instante a outro, havia maioria de corintianos. Mérito físico, sim, mas primordialmente tático.

8 – Cada time pretendia vencer de um jeito. O São Paulo, tentando ocupar o campo de ataque. O Corinthians, chamando o oponente de olho no espaço que ele deixaria. Ambos os objetivos eram perfeitamente alcançáveis.

9 – Pato. Para um jogador com tamanho histórico de problemas musculares, a jogada do pênalti é simbólica. O arranque e a chegada antes de Rogério, que estava mais próximo da bola.

10 – O árbitro acertou, também, ao não expulsar o goleiro do São Paulo. Ele não quis fazer a falta, mas fez. Atraso na disputa de bola que termina em carga faltosa é um dos lances mais comuns que existem. Cartão vermelho não teria propósito.

11 – Um bom clássico neste insosso Campeonato Paulista, enfim. Disputado como se a Copa Libertadores não estivesse no calendário, e na semana, dos dois times envolvidos.

NOTINHAS DA CLA

sexta-feira, 15 de março de 2013

Duas derrotas e duas vitórias para os clubes brasileiros na Libertadores:

* Havia seis jogadores do Grêmio, contra dois do Caracas (2 x 1), no lance do segundo gol venezuelano. Foi como se não houvesse nenhum.

* É a jogada que melhor ilustra a declaração (“pensamos que íamos ganhar fácil”) de Cris.

* A escalação do Corinthians na vitória (3 x 0) sobre o Tijuana parece ser a melhor à disposição de Tite.

* Renato Augusto participou dos três gols, amostra do que ele pode oferecer ao time.

* O melhor time do torneio ganhou (Atlético Mineiro 2 x 1 Strongest) na altitude de La Paz e pode determinar qual será o outro classificado do grupo.

* Impecável a Libertadores de Ronaldinho Gaúcho até o momento.

* O gol contra que deu a vitória ao Atlético adquiriu um tamanho gigantesco ao final da derrota do São Paulo (Arsenal 2 x 1) na Argentina.

* É difícil acreditar que o São Paulo só fez um ponto em dois jogos contra o Arsenal.

NOTINHAS DA CLA

sexta-feira, 8 de março de 2013

Todos os brasileiros jogaram, só dois venceram:

* A atuação do Grêmio (4 x 1 no Caracas, na Arena) não deixou dúvidas sobre as pretensões e as possibilidades do time no torneio.

* Equipes de rádio da Venezuela que foram transmitir o jogo tiveram de gravá-lo, por causa do luto no país pela morte de Hugo Chávez.

* Num torneio em que vencer como mandante é quase sagrado, o Fluminense (1 x 1 com o Huachipato, no Engenhão) deixou de ganhar dois jogos em casa, mas lidera seu grupo.

* O lance do pênalti cometido pelo Huachipato é dos mais bizarros dos últimos tempos.

* A vitória do Palmeiras (Tigre 1 x 0, na Argentina) esteve nos pés de Kleber, num lance que ele certamente gostaria de ter de volta.

* “Torcedor” que pressiona – e nem estou falando necessariamente de agressão – o time do Palmeiras nesta edição da Libertadores prova que não tem um mísero neurônio.

* Acabou – em 17 jogos – a sequência invicta do Corinthians (Tijuana 1 x 0, no México) na competição. O que é normal. Anormal é vencer a Libertadores sem perder nenhum jogo.

* Os três jogos do clube até agora foram “estranhos”: um a quase 4 mil metros de altitude, outro sem torcedores no estádio, e outro em gramado artificial.

* O empate do São Paulo (1 x 1 com o Arsenal, no Pacaembu) ofuscou mais uma atuação primorosa de Jadson.

* Situação complicada: a obrigação de vencer no Atlético no último jogo, no Morumbi, sem depender de outro resultado para se classificar, pode ser o melhor cenário.

* O Atlético Mineiro (2 x 1 no Strongest, no Independência) é um dos dois únicos – Tijuana – times com 100% de aproveitamento.

* Outra boa partida de Ronaldinho Gaúcho, atuando entre as linhas do time boliviano.

NOTINHAS DA CLA

sexta-feira, 1 de março de 2013

Algumas linhas sobre os jogos dos clubes brasileiros, nesta semana, pela Libertadores:

* Tão sensacional quanto a goleada do Atlético Mineiro (5 x 2) sobre o Arsenal foi a presença da torcida brasileira na Argentina.

* Cerca de 2500 torcedores, destaque nos jornais argentinos. Foi como se o jogo quisesse agradecê-los, prova de que “a sorte acompanha os audazes”.

* Os empates e as vitórias dos mandantes estão proibidos no Grupo 8, do Grêmio e do Fluminense (2 x 1 no Huachipato, no Chile).

* O inacreditável gol perdido por Wellington Nem não fez falta.

* O time do Millonarios, que já não é dos mais fortes, demorou uns bons 15 minutos para entender o que estava acontecendo no Pacaembu vazio.

* Pareceu estar em ritmo de treino, contra um Corinthians (2 x 0) tranquilo e concentrado.

* O São Paulo (2 x 1 no The Strongest) não jogou bem, mas cumpriu o primeiro mandamento da Libertadores: “não deixarás de vencer em casa”.

* Mexidas de Ney Franco funcionaram no segundo tempo.

* O Libertad (2 x 0 no Palmeiras) é claramente o time mais forte do grupo 2. Resultado normal.

* Se não perder para o Tigre, o Palmeiras tem todas as condições para encaminhar sua classificação nas duas rodadas seguintes, ambas em casa.

ESTUPIDEZ QUE MATA

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Um menino de 14 anos morreu ontem, em Oruro, dentro do estádio em que San Jose e Corinthians jogaram pela Copa Libertadores.

Um sinalizador atingiu sua cabeça.

Para a família de Kevin Douglas Beltran Espada, não resta outra alternativa a não ser lidar com a dor e o luto que não podem ser traduzidos em palavras.

Mas o jogo não foi interrompido, a Conmebol não se manifestou, a morte foi tratada como um evento corriqueiro.

Chegamos a esse ponto.

Não. A vida não continua quando um garoto perde a dele durante um jogo de futebol.

De acordo com as informações disponíveis, não se tratava de alguém que foi ao estádio como quem vai para a guerra, disposto a matar ou morrer, como fazem tantos imbecis pelo mundo.

Não que mortes assim sejam menos horríveis. Elas apenas têm uma explicação um pouco menos revoltante.

Kevin Espada foi vítima de um sinalizador, que aparentemente partiu de torcedores do Corinthians, detidos pela polícia boliviana em Oruro.

À distância, o que se pode dizer é que as ações devem ser investigadas, as responsabilidades apuradas, os direitos e as leis respeitados.

Independentemente dos processos e dos detalhes, uma pergunta é evidente: qual é o objetivo de atirar um sinalizador na direção de um grupo de pessoas?

Não há nenhum motivo para que um caso como esse seja tratado de maneira diferente porque aconteceu dentro de um estádio de futebol.

As circunstâncias só o tornam mais estúpido.

O que está na origem dessas atrocidades é a estupidez, em seu aspecto mais cruel.

Perdemos a capacidade de detectá-la.

NOTAS PÓS-RODADA

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

(quem anda por aqui sabe como funciona, mas não custa explicar uma vez mais: as Notinhas Pós-Rodada, propriamente ditas, começarão com o Campeonato Brasileiro. Enquanto isso, comentários específicos podem aparecer. Ou não.)

Houve clássico em São Paulo (Corinthians 2 x 2 Palmeiras: Émerson, Vilson, Vinícius e Romarinho), em que a entrega do time alviverde igualou-se à superioridade do alvinegro. Bom jogo e bom público no Pacaembu.

Houve clássico no Rio de Janeiro (Flamengo 1 x 0 Botafogo: Hernane), em que o Flamengo se garantiu nas semifinais e goleador Hernane marcou pela oitava vez – em 7 desses gols, deu apenas o toque fatal. Estaríamos diante de um finalizador nato?

Também houve jogos interessantes em outros estados do país, como por exemplo os da Copa do Nordeste, mais um lembrete da alternativa aos moribundos estaduais. Estádios cheios por lá para acompanhar o torneio regional, que reúne rivalidade, competitividade, sentido.

Houve um 7 x 0, ontem (lavada do Coritiba, fora de casa, sobre o Rio Branco). Alex, craque, não fez nenhum.

Houve uma expulsão na carreira de Neymar, após um desentendimento com Artur, na vitória da Ponte Preta (3 x 1 no Santos: Bruno Silva, Alemão-2 e André) em Campinas. Houve também quem defendesse um amarelo para cada um, mas mão na cara – duas vezes – e tapa no braço – outras duas – a meu ver, justificam os vermelhos.

Houve uma falha constrangedora de Rogério Ceni, no sábado (São Paulo 3 x 2 Ituano). Chute fraco, erro técnico, bola que entrou devagar, para aumentar o sofrimento. É deste jogo o lance sobre o qual quero falar.

O passe de Jádson para Osvaldo, no primeiro gol do São Paulo.

Forte, preciso, no ponto futuro, com pouquíssimo espaço.

Inteligência, técnica e visão reunidas no mesmo lance, que criou o gol.

O tipo de jogada que poucos jogadores tentam, por falta de coragem ou capacidade.