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Arquivo da Categoria ‘copa2014’

DOMINANTE

quarta-feira, 27 de março de 2013

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A Espanha foi ao Stade de France nesta terça para uma verdadeira decisão.

E como tem sido regra nos últimos anos, venceu (1 x 0 na França, gol de Pedro. A sensacional foto acima - crédito: @SpheraChannel –  captou o momento em que Xavi perdeu um gol, no primeiro tempo).

O que deve ser enfatizado não é apenas o fato de os atuais campeões do mundo – e bicampeões europeus, não custa lembrar – terem ido a Paris pressionados por sua situação nas Eliminatórias Europeias, e vencido.

O futebol produz diferentes tipos de vencedores todos os dias.

Mas esta Espanha é uma outra história. Ganha, a seu modo, onde for necessário.

O jogo de ontem não foi uma dessas vitórias do visitante em que tudo dá certo. Sabemos como funciona: um gol cedo, pressão transferida, outro gol no contra-ataque. Boa noite.

Não. O encontro foi tenso, lento, perigoso.

Os espanhóis sofreram, correram riscos e foram salvos, duas vezes, por Víctor Valdés. O 0 x 0 foi duradouro, e o empate não interessava.

Mas deram uma majestosa lição de controle, na casa de um campeão mundial.

Controle da situação, da pressão, dos nervos, dos movimentos e, claro, da bola.

Não seria uma vitória espanhola se o time de vermelho não tivesse renovado, uma vez mais, o certificado de propriedade da bola.

Números:

Posse: 70% – 30%
Passes certos: 757 – 217
Faltas cometidas: 8 – 22

Temos visto esse panorama com frequência. Mas, ainda assim, impressiona.

E impressiona porque esse nível de dominação se reflete não apenas no time, mas na torcida adversária, de forma cruel.

São poucas as oportunidades do torcedor se manifestar, porque as posses de sua equipe são curtas. Há momentos em que a capacidade da Espanha de dominar o jogo obriga o estádio a permanecer em silêncio.

O time visitante comanda a torcida mandante.

Aconteceu no início do segundo tempo, quando ficou absolutamente claro que o gol da Espanha estava em processo de entrega, o time francês estava inteiro em seu campo de defesa, e o Stade de France já reconhecia seu destino.

Pedro marcou pouco depois, em jogada que ele mesmo começou.

O resultado levou a Espanha à liderança de seu grupo, prolongando duas sequências que falam por si: 50 jogos de invencibilidade em eliminatórias para Mundiais. E 25 jogos de competição sem derrota.

Resultado de uma era em que o time se notabilizou pela fidelidade a uma ideia baseada na posse como ferramenta de gestão do jogo.

Costuma-se comparar a seleção espanhola com o Barcelona, por causa dos conceitos semelhantes e do número de jogadores comuns.

A Espanha é mais lenta, mais paciente e menos contundente, por uma razão óbvia: Messi.

O argentino é o responsável pelas alterações de tempo no jogo do Barcelona. Xavi, Iniesta e Busquets (que ontem teve uma atuação fenomenal) ditam a cadência do time, Messi ordena as trocas de marcha.

Sua capacidade de se desmarcar entre as linhas gera janelas para o passe vertical (ver: primeiro gol na recente goleada sobre o Milan, passe de Busquets). Seu talento para acelerar o jogo a partir do momento em que recebe a bola é um dos fatores que fazem do Barcelona um time diferente dos outros.

Há uma estatística na NFL que avalia o desempenho de receivers após o instante em que têm bola. O nome é “jardas após recepção”.

Alguém poderia analisar Messi com um olhar parecido: perigo após recepção.

A Espanha não tem um jogador que faça esse papel (David Silva conseguiu se aproximar, por um tempo), por isso se comporta de forma mais conservadora, sugerindo, às vezes, uma atitude blasé para o observador menos atento.

Mas é o contrário.

É a calma que vem antes da tempestade.

É o controle do jogo, do oponente, do ambiente e do próprio caminho. Isso tem nome: estilo.

E estilo é coisa para poucos.

O AZAR DE PLATINI

terça-feira, 8 de maio de 2012

Lembra da declaração de Michel Platini sobre a tecnologia na linha de gol?

O presidente da Uefa disse que a pouca frequência de lances em que há dúvida se a bola entrou não justifica a utilização do recurso eletrônico.

(como se apenas um lance, em apenas um jogo de um torneio como a Copa do Mundo já não fosse irremediavelmente trágico.)

Bem… digamos que Platini vive uma maré de azar.

No último fim de semana, dois jogos importantes registraram momentos em que a tecnologia na linha de gol seria útil.

Na final da Copa da Inglaterra, os jogadores do Liverpool até comemoraram um gol de cabeça de Carroll.

No dérbi de Milão, houve o mesmo após um cabeceio de Cambiasso (aos 38″ deste clipe).

Em ambas as situações, os replays mostraram que a bola não entrou inteira e, felizmente, as decisões da arbitragem foram corretas.

Também no fim de semana, Joseph Blatter voltou a advogar a favor da eletrônica:

“Posso lhes dizer que na Copa do Mundo de 2014, e portanto já na nossa Copa das Confederações em 2013, vamos usar esse sistema. Não podemos repetir (…) a mesma situação que testemunhamos na partida entre Inglaterra e Alemanha.”, disse o presidente da Fifa, referindo-se ao gol de Lampard na Copa de 2010.

Mas a boa notícia veio acompanhada da confusão de conceitos que atrasa o futebol.

Ao descartar qualquer outro aproveitamento tecnológico para auxiliar a arbitragem, Blatter acrescentou:

“Senão, o jogo perderá seu rosto humano, e não haverá mais discussão se tudo for perfeito. Nosso jogo não é perfeito, e por isso é tão popular.”

PETULANTES…

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Em post publicado hoje em seu blog no portal UOL, o jornalista Ricardo Perrone divulga trechos de uma entrevista feita com o ex-secretário-geral da CBF, Marco Antonio Teixeira.

Atenção para as aspas abaixo (o grifo é meu):

“No dia 31 de janeiro, o Ricardo me chamou e disse que iria renunciar, além de me demitir. Disse que estava saindo por problemas de saúde, por causa do cenário político internacional desfavorável a ele e também por acreditar que a seleção brasileira não vai ganhar a Copa de 2014. Ele disse que ainda não temos um time formado e que não temos uma liderança nesse time. Por isso não vamos ganhar.

Mas acho que desde agosto ele preparava a renúncia. Colocou o José Maria Marin para chefiar a delegação no jogo contra a Argentina. Acho que foi um teste.

Deve ser muito ruim para uma pessoa poderosa como o Ricardo, que tinha tanto acesso com o Joseph Blatter (presidente da Fifa) e com o Lula perder tudo isso de repente.”

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Talvez você lembre que notícias a respeito da renúncia de Ricardo Teixeira foram ridicularizadas por alguns rascunhos de jornalistas.

Imagine a cara deles, agora.

EDITORIAL DO LANCE!

terça-feira, 13 de março de 2012

MUDAR O FUTEBOL É MUDAR O BRASIL

A renúncia do presidente da CBF não resolve, por si só, os problemas do nosso fut. Mas o fim da era Teixeira é um alento. Uma extraordinária oportunidade de transformações.

O desenvolvimento do futebol brasileiro, verdadeiro patrimônio cultural deste país, há anos vem sendo sufocado por uma gestão marcada pelo autoritarismo, pela mistura nebulosa do interesse privado com o bem comum, pela falta de transparência na aplicação de receitas milionárias e pela priorização absoluta da Seleção, em detrimento do fortalecimento dos clubes, dos campeonatos, da formação de base. O resultado tem sido desastroso.

Não basta, contudo, uma troca de nomes. É preciso mudar a mentalidade. Neste momento, não pode haver espaço para o continuísmo, para amanutenção das velhas práticas. A CBF precisa respirar novos ares. Reinventar-se. Neste sentido, uma mudança de estatuto rápida e abrangente é fundamental. Uma nova ordem que se alinhe com os reais interesses da sociedade. Que não seja formatada para servir à vontade de poucos. A hora é de se constituir uma ampla agenda de discussão, capaz de nos levar a um salto de profissionalização, de moralidade, de modernidade das instituições do nosso fut.

- Convocação de eleições transparentes, formação de um colégio eleitoral realmente representativo, muito além dos presidentes de federações e da Série A, com maior participação dos clubes das séries nacionais e também de representa ção de árbitros e de jogadores;

- Limitação das reeleições dos dirigentes em todos os níveis;

- Transparência na gestão do recursos da CBF com limitação dos gastos correntesemno máximo 50% de suas receitas. O restante deve capitalizar um fundo para o desenvolvimento do futebol, com a criação de centros de formação de base e melhoria na estrutura dos clubes;

- Fomento da formação de uma liga independente de clubes para organizar e administrar o Campeonato Brasileiro;

- Adequação do nosso calendário ao modelo internacional, reformulação dos campeonatos estaduais, valorização da Copa do Brasil, das divisões de acesso do Brasileirão, do futebol feminino e dos torneios de base;

- Respeito irrestrito ao Estatuto do Torcedor,melhoria nas condições de segurança e conforto das arenas de forma a atrair de novo a presença de famílias.

Muito dessa pauta são bandeiras erguidas por este LANCE! nos últimos 14 anos. Houve avanços reconhecidos em editoriais de capa como este. Notadamente o fim das viradas de mesa, a adoção e consolidação da fórmula de pontos corridos. Importante, mas ainda pouco frente aos desafios que se colocam.

Mudanças na CBF com certeza terão um efeito cascata, vão levar à transformação das federações, dos clubes, de toda a cadeia do futebol. E o futebol refletese e é reflexo da sociedade brasileira. Moralizá-lo, profissionalizá-lo, geri-lo à luz do interesse público servirá de exemplo a outros segmentos da vida nacional. Aos políticos, aos mandatários de cargos públicos.

Uma nova CBF será, assim, uma contribuição inestimável para mudar o Brasil. Para construir o país que queremos deixar para nossos filhos.

BOA SEMANA!

segunda-feira, 12 de março de 2012

O futebol brasileiro está melhor, agora, do que quando amanheceu nesta segunda-feira.

Ricardo Teixeira se foi para a Flórida, o que por si só já significa muito.

O presidente da CBF e do COL-2014 renunciou aos cargos e saiu do país, dois anos antes da Copa do Mundo no Brasil.

Não estará aqui para ver sua principal “obra” realizada. Não poderá executar seu plano e deixar a cena em 2015.

Só circunstâncias muito sérias explicam a saída estratégica, e apressada.

Se você acha que foi por causa dos problemas de saúde, está na hora de acordar.

Poderosos como Ricardo Teixeira não abandonam seus tronos (no caso dele, nos dois sentidos…) até o momento em que se sentem ameaçados. Aliás, recusam-se a acreditar que esse dia chegará.

Mas ele sempre chega.

Para Teixeira, chegou porque ele se imaginou acima de todas as instituições brasileiras, como arrotou em sua famosa entrevista para a revista Piauí.

Porque o atual governo brasileiro não o protegeu como antes.

Porque as denúncias contra ele tornaram-se impossíveis de abafar com articulações políticas (calcule o que deve haver nos documentos da ISL. Havelange deixou o COI por causa deles, e agora Teixeira fez o mesmo).

Porque Joseph Blatter virou seu inimigo.

Porque ele se tornou intragável para  a parte da sociedade brasileira que se importa com o futebol.

E porque a parcela da imprensa esportiva que pratica jornalismo (especialmente quem o cartola chamou de “turma do traço”, veja que ironia) simplesmente fez seu trabalho.

A ausência de Teixeira não altera o modelo de gestão que ele exercia e que é replicado nas federações pelo Brasil afora. Sob esse ponto de vista, José Maria Marin (sob as ordens de Marco Polo del Nero), seu substituto, é ainda mais arcaico.

Mas desarma acordos e cria um vácuo de poder que pode – PODE – ser o início de um novo caminho.

Os clubes, por exemplo, têm agora uma oportunidade valiosa.

Vejamos o que acontece.

AZARADO

terça-feira, 6 de março de 2012

Quantos problemas de interpretação…

Jérôme Valcke tem um importante currículo de declarações mal entendidas.

Recentemente, dois casos: o email trocado com o impoluto Jack Warner, no qual o secretário-geral da Fifa escreveu que o Catar “comprou” a Copa do Mundo de 2022, e depois disse que se referia ao “grande orçamento” do país.

Isso foi em maio do ano passado.

Agora, o episódio do traseiro brasileiro, vítima das sutilezas que se perdem na tradução do francês para o português.

Só que o problema é uma terceira língua.

Jornalistas que acompanharam a entrevista em que Valcke disse o que disse lembram que o idioma usado foi o inglês.

Valcke proferiu “arse”, uma vulgaridade que é até pior do que “traseiro”.

Não importa se, em francês, o que ele quis dizer tem outra conotação. O que importa é que antes de reclamar por ter sido mal interpretado, Valcke chamou a reação brasileira de “infantil”. O pedido de desculpas foi tão sincero quanto o choro de uma atriz veterana.

Não se discute o atraso, a lentidão, o tamanho do rolo que é a Copa no Brasil. A questão é a falta de respeito (a propósito: chamar Valcke de “vagabundo” só rebaixa ainda mais o nível da conversa), que obviamente provocaria uma reação.

Má interpretação… De novo? É muito azar para um secretário-geral só.

EDITORIAL DO LANCE!

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

A saída de Ricardo Teixeira da presidência do Comitê Organizador da Copa de 2014 poderia ser uma grande notícia para o Esporte, para a Copa e para o Brasil. Está muito longe disso.

Teixeira, como sempre fez ao longo da vida, usa apenas manobra para sobreviver. Enfraquecido, rompido com os poderosos da Fifa, mantido à distância pela presidente Dilma Rousseff e cada vez mais sem apoio político, a ponto de ser humilhado pelo deputado Romário em audiência na Câmara, sem que a bancada da bola se erguesse em sua defesa, Teixeira considerou ser essa a hora de deixar os holofotes para agir por trás das cortinas.

O primeiro movimento foi a escolha de Andrés Sanchez, mais do que um aliado, fiel escudeiro e candidato a seu sucessor, para a diretoria de seleções da CBF. Indicação que já começou equivocada pelo momento, em plena decisão do campeonato Brasileiro quando o Corinthians é um dos postulantes ao título. O que despertou a ira dos rivais e pode transformar erros casuais de arbitragens em polêmicas discussões de intencionalidade. Desnecessariamente.

Mas o pulo do gato do cartola-mor foi chamar Ronaldo para substituí-lo à frente do COL. Substituí-lo, não, este não é bem o termo. Mantido o status atual, Ronaldo vai apenas esquentar a cadeira da presidência. Pois Ricardo Teixeira sairá, sim, de corpo presente, mas manterá intocável a estrutura de um órgão constituído a sua imagem e semelhança, formado por subalternos, amigos e parentes unidos pelo interesse comum de agradá-lo, seja bom ou ruim para a Copa e o país.

Sem entrarmos no mérito de sua competência para esta tarefa monumental, será um erro Ronaldo aceitar uma tarefa assim sem exigir mudanças. Sem exigir que o COL vire um órgão sem fins lucrativos, transparente, fiscalizado e prestando contas à sociedade. Medidas que o tornem protagonista de fato, não apenas mais um escudo. Sim, pois ao manter o cargo de presidente da CBF e sua participação acionária no comitê-empresa como pessoa física, Teixeira será mais do que uma sombra de Ronaldo. Terá, por direito, poder para influenciar a toda a qualquer decisão que ali fortomada.

Ronaldo tem ainda uma outra obrigação a cumprir – e esta exclusivamente de caráter pessoal. Tem de se afastar de fato – e não de fachada – de seus negócios. É claro conflito de interesses dirigir o COL e agenciar patrocínios para clubes e jogadores (alguns da Seleção Brasileira), além de tratar de assuntos que direta ou indiretamente têm relação com a Copa do Mundo.

Um país que acaba de ver um ministro do Esporte afastado por suspeita de corrupção, onde as denúncias de superfaturamento de obras pipocam todos os dias pela imprensa, precisa mais do que práticas decentes. Precisa de bons exemplos. Ronaldo tem a chance de fazê-lo. Ou pode tornar-se apenas mais um na vala comum do vale-tudo brasileiro.

VIDEOTAPE DE TWITTER

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Passei a quarta-feira em Brasília.

O repórter investigativo britânico Andrew Jennings participou de uma audiência pública no Senado. Foi interessante.

Jennings lecionou os senadores presentes sobre corrupção na Fifa.

Um relato do que aconteceu, pelo que postei no Twitter durante a sessão na Câmara de Educação, Cultura e Esporte:

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Senhoras e senhores, estamos em Brasília. Daqui a pouco, o jornalista britânico Andrew Jennings participa de audiência pública no Senado.

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Uma oficial de Justiça está aqui para entregar a Jennings uma citação para ser ouvido em janeiro. Cortesia de Ricardo Teixeira.

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Jennings chegou, acompanhado pelo senador Álvaro Dias. Deve começar em breve.

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Jennings se recusou a assinar a citação enviada por Ricardo Teixeira.

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Jennings começa fazendo uma exposição sobre os membros do Comitê Executivo da Fifa envolvidos em corrupção. Benfeitores do futebol.

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Jennings: “Ricardo Teixeira… terei mais a dizer sobre ele daqui a pouco.”

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Jennings entra no caso ISL. Explica as relações de marketing da Fifa antes da chegada da empresa suíça. E os subornos.

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A fala de Jennings é ilustrada, num telão, com trechos de seu famoso programa na BBC, que expôs a corrupção na Fifa.

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Jennings encerra. Diz que é inevitável que a Justiça da Suíça divulgue os documentos da ISL, que incriminam Blatter, Teixeira e Havelange.

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Senador Pedro Simon pede que depoimento de Jennings seja enviado à Presidência da República. Senador Álvaro Dias falando.

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Jennings: “Blatter mente qdo diz que dossiê ISL é complexo. São provas de suborno e confissões.”

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Jennings mostra uma pasta em que diz ter a lista com os subornos da ISL. Se coloca à disposição da PF e da Presidência da República.

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Jennings: “documentos mostram US$ 9,5 milhōes em pagamentos a Teixeira. Mas deve ser mais. Havelange pode ter recebido US$ 50 milhões”.

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Jennings: “lista de empresas que receberam $$ da ISL tem muitos nomes em português. Isso deve interessar às autoridades brasileiras.”

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Jennings: “Presidenta Dilma, ligue para Teixeira. Convide-o a lhe falar sobre o caso da ISL.”

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Jennings: “A Fifa jamais vai tirar a Copa do Mundo do Brasil. Como um país soberano, vocês não precisam obedecer a ela.”

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Jennings: “Governo do Brasil deveria conversar com a Justiça da Suíça e com a Justiça de Lichtestein (onde a Sanud está registrada).”

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Senadores da base do Governo não vieram à audiência. Apenas Ciro Nogueira (PP) está presente.

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Jennings: “É claro que vocês (senadores) podem interferir na CBF. Vocês fazem leis. Essa gangue não pode dominar o futebol de vocês.”

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Jennings: “Jamais fui, ou serei, processado pelo que publiquei sobre dirigentes corruptos. Eles sabem que não podem entrar num tribunal.”

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Jennings se refere à empresa de Philipp Blatter, Match, que tem exclusividade sobre pacotes turísticos, com ingressos, para a Copa 2014.

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Jennings: “Blatter deu ao sobrinho dele uma boa parte da Copa do Mundo de vocês. Vocês são escravos? A Copa é de vocês, não deles.”

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O senador Mário Couto (PSDB/PA) acaba de se referir a Ricardo Teixeira como “um patife”.

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E completa que “perto dos nossos ministros, Teixeira é um anjo.”

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Resposta de Jennings é interrompida pela informação de que Orlando Silva caiu. “Mr. Silva, go”, disse o senador Álvaro Dias.

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Jennings: “se Dilma ler meus documentos, e checar os fatos, trocará o Comitê Organizador da Copa em poucos dias.”

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Jennings: “por que vocês acham que não podem dizer ‘não’ a Blatter? Por que deixam ele dizer o que devem fazer? Vocês são um país soberano.”

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Acabou a audiência. Encerramos nossa transmissão.

INTELIGÊNCIA DETECTADA

terça-feira, 2 de agosto de 2011

“Acho que ele foi importante para o futebol, até porque ganhou duas Copas pelo país, mas em qualquer forma democrática de governo mudanças de pessoas e de ideias são benvindas, e temos inúmeros exemplos para comprovar isso.”

Paulo André, zagueiro do Corinthians e um jogador de futebol com opiniões, falando sobre Ricardo Teixeira na CBF.

Declaração em entrevista ao UOL Esporte, aqui.

Leitura recomendada.

RESENHA DE “O PRESIDENTE”

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Você certamente ouviu falar sobre o perfil de Ricardo Teixeira, assinado por Daniela Pinheiro, na revista Piauí.

Se ainda não leu, deveria.

As aspas do dirigente, recheadas de palavras de alto conteúdo grosseiro, já foram amplamente divulgadas.

Na resenha abaixo, escolhemos os “melhores momentos” do texto, muito mais reveladores do que os palavrões presidenciais. Também fizemos alguns comentários.

Procure uma banca, compre a revista. É leitura obrigatória.

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“A varanda do Hotel Baur au Lac foi construída em 1844, de maneira a oferecer aos hóspedes uma paisagem inspiradora: o jardim aparado com esmero em primeiro plano, depois o lago sereno e, ao fundo, os Alpes soberbos. Milionários bronzeados que pilotam Jaguar são habitués do hotel, no centro de Zurique. Eles costumam ser acompanhados por senhoras que portam dois relógios de brilhante no mesmo braço (um que marca a hora local e outro com o fuso do país de onde vêm). Ou então por loiras magras que bebem Campari com gestos lentos. Em maio, o hotel estava cheio de dirigentes da Fédération Internationale de Football Association, a Fifa, que realizava seu sexagésimo-primeiro congresso na capital da Suíça.”

COMENTÁRIO DO BLOG: Parágrafo de abertura. O esmero nas descrições permeia toda a reportagem. Quando você lê algo e se pega “vendo” a cena, é porque o material é bom. No caso, é muito bom.

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“Ele tem as feições pouco marcadas, rechonchudas. Como anda um pouco curvado, devagar e tem pigarros recorrentes, aparenta mais idade. Parece estar sempre irritado porque, mesmo relaxado ou de bom humor, mantém o cenho contraído, como se o sol do meio-dia ou uma forte dor de cabeça lhe atingisse em cheio a fronte. Quando se desarma, ou toma uma taça a mais no fim de noite, é espirituoso e atencioso com todos. Ele se veste de maneira formal, padrão: calça marrom, camisa branca, blazer azul com botões dourados e gravata vermelha. Antes de se casar – sua mulher contou – usava sapato preto com meia soquete branca.”

Sapato preto com meia branca não dá. Pelo jeito, o layout do presidente melhorou. Eu jamais usaria um blazer com botões dourados, mas aí é questão de gosto, né?

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“Os convivas eram cartolas de confederações sul-americanas, suas esposas e assessores. Parecia um jantar do elenco do seriado Chapolin, com muita tinha acaju, pulseiras de prata, calças de tergal e sobrancelhas feitas com um risco em forma de meia-lua. Estava lá o octogenário Julio Grondona, jefe da Associação de Futebol Argentino. Ele é acusado de ter ganho 78 milhões de dólares para votar no Catar para sede da Copa de 2022.

Também apareceu Nicolás Leoz, um paraguaio de 82 anos que preside a Confederação Sul-Americana de Futebol, a Conmebol. Além de ter recebido suborno da ISL, diz-se que ele teria pedido um título de nobreza a David Triesman, em troca de seu voto pela Inglaterra. ‘Don Leoz, donde está su corona?’, gritou-lhe Teixeira, trazendo à baila o almejado título de sir. Leoz fez um bico de muxoxo e levantou os braços sobre a cabeça, fingindo estar sendo coroado, e todos gargalharam. ‘Se nos derem as Malvinas, eu voto em qualquer coisa!’, gritou Grondona, que usa um anel de ouro no mindinho com a expressão Todo pasa.”

1 – A segunda frase é impagável.

2 – Veja, uma vez mais, em que mãos está o futebol sul-americano.

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“(…) Em Zurique, o presidente conversou por duas vezes com advogados sobre a possibilidade de negar credenciais para jogos da Seleção Brasileira. Foi orientado a conceder pelo menos uma aos desafetos, de maneira a não se caracterizar a discriminação.”

Poderíamos usar aqui a expressão “apropriação indébita”? De quem, afinal, é a Seleção Brasileira de futebol?

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“No futuro, Teixeira considera montar uma estrutura jornalística própria, que produzirá conteúdo de interesse da CBF. Seja para responder aos ataques dos críticos, seja para comercializar o acesso privilegiado que a entidade tem sobre os jogadores.”

Os jornalistas contratados para essa futura estrutura certamente não serão “vagabundos” e “escrotos”, termos usados pelo presidente para caracterizar a imprensa esportiva brasileira.

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“No salão de chá do Baur au Lac, o argentino Julio Grondona estava esparramado numa poltrona, com o rosto afogueado. ‘Ah, fui ver os vitrais do Chagall, comi um risoto maravilhoso, bebi uma garrafa de Chianti e brindei à eleição da Fifa’, disse, caindo na gargalhada.

Teixeira pareceu surpreso ao saber que um dos principais pontos turísticos de Zurique, os vitrais de Marc Chagall, ficava a menos de 500 metros do hotel. Ainda que frequente a cidade há mais de trinta anos, seus trajetos são inalteráveis: hotel, Fifa, os mesmos restaurantes, onde é atendido pelos mesmos garçons – a quem pede os mesmos pratos. As paisagens deixaram de deslumbrá-lo.”

Uma pena…

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“Durante a CPI da Nike, em 2001, a rede levou ao ar uma reportagem no Globo Repórter sustentando que a renda de Ricardo Teixeira era incompatível com  seu patrimônio e padrão de vida. A CBF anunciou pouco depois, do nada, uma mudança no horário de uma transmissão de uma partida Brasil x Argentina, clássico sul-americano que costuma bater recordes de audiência. Em vez de ser exibido no horário de praxe, depois da novela das oito, o jogo foi marcado para as 19h45.

‘Pegava duas novelas e o Jornal Nacional. Você sabe o que é isso?’, cochicou-me Teixeira, no Baur au Lac, quando o caso foi relembrado. Como a Globo transmitiu a partida, amargou o prejuízo de deixar de mostrar diversos anúncios no horário nobre, o mais caro da programação. A partir daí, não houve mais reportagens desagradáveis sobre o presidente da CBF na Globo.”

O “dono” da Seleção Brasileira ataca novamente. Ah, o poder…

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“Teixeira quis almoçar de novo no Zeughauskeller. No caminho, o celular de Rodrigo Paiva tocou e, do Rio, alguém lhe contou que o prefeito Eduardo Paes havia divulgado que a sede do centro de imprensa da Copa seria na cidade. O anúncio, no entanto, deveria ter sido feito pelo Comitê Organizador, ou seja, por Ricardo Teixeira. O que se falou no carro é impublicável.”

Eu queria ser uma mosca.

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“A empresa Match alugara uma sala no hotel para que caciques da Fifa assistissem ao jogo do Manchester contra o Barcelona. Teixeira ajeitou-se numa cadeira na primeira fileira, em frente à televisão. Havia salgadinhos e bebida, mas ele tomou suco. Um cartola uruguaio lhe perguntou detalhes dos times brasileiros e ele repondeu de forma lacônica: ‘Santos es muy fuerte. El problema es que sólo tiene dos jugadores’, ‘Problema de Palmeiras es que gastó mucho y no ganó nada”.

Ao contrário dos outros, que vibravam, comentavam, gritavam e xingavam, Teixeira parecia ver um filme repetido da sessão da tarde. Fez comentários sobre os passes errados do Barça, e apertava os lábios quando o time perdia uma boa jogada. No meio do jogo, pegou seu iPad. Quando Messi marcou um gol, mal levantou os olhos por cima dos óculos para conferir o tira-teima.

Ao final, comentou que detestava ver jogo rodeado de ‘muita gente’ (…).”

Poderia ter subido ao quarto, não? Ou será que a final da UCL não tem tanto apelo ao presidente da CBF?

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“Antes de começar a votação da Fifa, Jérôme Valcke avisou aos 203 delegados presentes que deveria testar a maquininha de voto. Ele faria duas perguntas pró-forma, e os representantes dos países deveriam apertar verde para sim, amarelo para abstenção e vermelho para não. As instruções foram traduzidas em sete idiomas. ‘Esse Congresso está ocorrendo na Hungria?’, foi a primeira questão. Para espanto geral, 45 delegados responderam que sim. ‘Foi a Espanha que ganhou a última Copa do Mundo?’ No painel, viu-se que sete responderam negativamente.”

Sem comentários.

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“Como de hábito, responsabilizou a imprensa pela celeuma (Nota do blog: sobre o estádio paulistano para a Copa de 2014): ‘Olha a merda que foi a Copa na França; a Seleção jogou num estádio de 27 mil lugares, ficamos concentrados no meio do nada. E algum jornalista reclamou? Não, né? Afinal, estavam indo para Paris.’ Quando se falou em aeroportos, ele deixou claro que o problema não lhe diz respeito. ‘Isso é governo. E se o governo acha que a Copa não é prioridade, não posso fazer nada. Esse é o SEU país’, disse.”

Como é?

SEU?!