publicidade


Arquivo da Categoria ‘coluna dominical’

COLUNA DOMINICAL

domingo, 19 de maio de 2013

(publicada ontem, no Lance!)

RINGUE

O dirigente corintiano Roberto de Andrade enriqueceu o debate futebolístico, anteontem, com a versão boleira do “eu não sou preconceituoso, tenho vários amigos negros”.

Em entrevista à Rádio Globo, o diretor de futebol do Corinthians externou seus sentimentos em relação à atuação do árbitro paraguaio Carlos Amarilla no jogo contra o Boca Juniors. “Detesto violência, mas tem hora que parece que não resta outra coisa. Parece que só me restava bater na cara dele. Esse merecia!”, disse.

Registre-se que a declaração surgiu quase vinte e quatro horas depois da eliminação do Corinthians da Copa Libertadores, quando a temperatura do sangue já deveria ter retornado a níveis normais. Não que se deva perdoar que uma frase carregada de tanta infelicidade escape logo depois do jogo, quando custa mais conter os ímpetos. Mas nem a esse atenuante o citado dirigente pode recorrer. A distância entre o fato e o belicismo explícito de Andrade torna difícil crer que não estamos diante de um adepto do pugilato.

O que nos leva à repercussão mais preocupante de uma manifestação como essa. Não é preciso explicar a ninguém que vive o futebol no Brasil sobre o grave problema de violência que enfrentamos. Estimulá-lo é uma irresponsabilidade. Jogadores, técnicos e dirigentes têm obrigação de exercer seu papel no sentido oposto. Acéfalos que de fato agrediriam um árbitro – ou um torcedor adversário, um jornalista ou quem quer que seja – não devem receber esse tipo de aval oficial de um clube.

Mas é preciso oferecer a Andrade o benefício da dúvida. Acreditar que ele realmente não aprova o cenário que aventou, e só o fez por necessidade de posicionar o Corinthians em relação à atuação horrenda de Amarilla no Pacaembu. Outro equívoco. Primeiro porque o comentário sobre bater na cara do juiz paraguaio teve a companhia de uma acusação importante (“Ele veio com uma encomenda: tirar o Corinthians da Libertadores”, disse o cartola, na mesma entrevista). E depois porque o tom incendiário de argumentação não produzirá nada de interessante. Ao contrário.

Suponhamos que Roberto de Andrade saiba de algo que não sabemos, que indique que o Corinthians foi operado na quarta-feira. Imaginemos que se trate de uma retaliação da Conmebol pela forma como o clube se portou depois do episódio da morte de Kevin Espada. De que forma uma bravata serve ao que se pode fazer a respeito?

Dirigentes de clubes brasileiros, em sua maioria, sofrem de moléstias crônicas. Uma delas é a noção deturpada do que significa representar uma instituição. Muitos agem e se portam como se só devessem satisfação às próprias consciências. Se as declarações de Roberto de Andrade foram resultado de um impulso, o Corinthians deveria corrigi-las. Se foram fruto de uma estratégia pré-concebida, o erro é mais grave.

A arbitragem no futebol sulamericano é um filme de terror de baixo orçamento. Vociferar contra os atores é constrangedor e inútil, apenas alimenta as gargalhadas do diretor. Um clube como o Corinthians tem meios de exigir um elenco de melhor nível, ou não deve mais ir ao cinema.

Até para parecer malvado é preciso ser esperto.

ERRO CERTO

Riquelme falou a verdade quando disse que seu gol no Corinthians não foi intencional. A bola de curva chutada na direção do gol tem o objetivo de criar perigo, caso alguém a desvie ou não. No Pacaembu, a curva “não pegou” e o chute saiu mais alto do que ele gostaria. Se quisesse fazer o gol, Riquelme bateria de um jeito diferente, com o peito do pé, como contra o Grêmio em 2007.

ANO BOM

Contrariando o que se imaginava, o ano não tem sido tão ruim para o palmeirense. A campanha na Copa Libertadores teve exatamente a mesma duração das dos rivais. E o Grêmio, para onde Hernán Barcos se mandou em busca de melhores dias, também ficou nas oitavas. Mas o que interessa – e isso vale para todos – é como o ano termina.

MENTES GÊMEAS

Quando li Valcke (“Não há Copa no Brasil sem São Paulo”), lembrei de Teixeira (“O compromisso da CBF com São Paulo é o Morumbi”).

COLUNA DOMINICAL

domingo, 12 de maio de 2013

(publicada ontem, no Lance!)

É A POSSE

O afastamento de Jorge Henrique não foi uma decisão intempestiva de Tite e da diretoria do Corinthians. Os episódios antiprofissionais do atacante são antigos, remontam à época em que o técnico era Mano Menezes. No segundo semestre de 2009, em virtude de atuações decisivas nos títulos da Copa do Brasil e do Campeonato Paulista, Jorge Henrique mereceu e depois deslumbrou-se com um aumento salarial. Passou a agir como se treinar fosse uma opção. De lá para cá, alternou fases boas e ruins fora do campo.

Já sob Tite, ele não pode reclamar de punição sem aviso, tantos foram os conselhos que recebeu de companheiros para não acabar por comprometer a própria carreira. O Corinthians tem um grupo capaz de se regulamentar quando percebe desvios de comportamento, sejam eles de conduta externa ou interna, como no caso do descontentamento de Emerson Sheik com seus minutos em campo, resolvido momentaneamente. Quem chega a ponto de ser disciplinado de cima para baixo, como Jorge Henrique e, há mais tempo, Chicão, é porque ultrapassou várias camadas de proteção.

Perder Jorge Henrique prejudica o Corinthians no ponto de vista tático, especialmente num momento de decisão, mas os maiores problemas estão mais relacionados ao jogo em si. Quem observa o time não demora a notar uma clara diferença em relação ao ano passado: falta pressão no nascimento de jogadas do adversário. Mas este é o sintoma. A doença é um decréscimo na capacidade de manter a bola, que altera a dinâmica das posses e sobrecarrega Paulinho, Ralf e o sistema defensivo.

Alguns fatores contribuem para um time mais verticalizado e, por consequência, mais vulnerável. A idade de alguns jogadores, como Danilo, Fábio Santos e Alessandro é um deles. A lesão de Renato Augusto, outro. A baixa produção de Douglas, mais um. Juntas, tais circunstâncias produzem uma equipe que ataca com menos elaboração e expõe seus dois volantes a um constante ioiô entre as duas metades do campo.

Essa maneira de jogar não é, necessariamente, um problema para a decisão do Campeonato Paulista, que começa amanhã. Corinthians e Santos entram na final em igualdade de condições. As dificuldades serão maiores na próxima quarta-feira, quando o Boca Juniors virá ao Pacaembu com vantagem de um gol, ostentando a picardia que o caracteriza neste tipo de situação. Para construir o resultado que lhe transportaria para as quartas de final, sem depender da sorte ou da improvável colaboração do adversário, o Corinthians terá de gerar jogo como fez em 2012.

Só com percentuais de posse de bola mais generosos – e objetivos – será possível controlar a partida nos dois lados da bola, o que aproximaria o Corinthians de suas pretensões. Outra característica do conjunto que eternizou a temporada passada era a segurança que fazia o torcedor crer que o time poderia não vencer um jogo, mas também não o perderia. Sensação que ainda não se apresentou em 2013.

Não há momento mais apropriado do que o atual para voltar no tempo. A questão é como.

INTERPRETAÇÃO DE DRIBLE

No segundo tempo do recital oferecido pelo Atlético Mineiro, na quarta-feira, Ronaldinho Gaúcho fez uma jogada “de melhor do mundo” rente à linha lateral. Constrangedora sequência de dribles ilusionistas que, se encontrassem um gol – quase aconteceu – ao final do lance, o Independência certamente seria interditado por excesso de emoção. Foi uma aparição que reuniu magia e perigo, espetáculo e competição, nada que merecesse uma caracterização negativa. As declarações de jogadores do São Paulo em referência ao que teria sido “menosprezo” por parte de Ronaldinho são deprimentes. Um futebolista tem três opções ao se ver diante de uma ameaça dribladora: 1) aplaudi-lo, o que não seria muito profissional; 2) desarmá-lo, exibindo a própria qualidade; e 3) quebrá-lo, e lidar com as consequências. Passar recibo sentimental não é aceitável.

COLUNA DOMINICAL

domingo, 5 de maio de 2013

(publicada ontem, no Lance!)

MODELO

Uma semana antes de completar noventa e sete anos, João Havelange se despediu de seu último anel. A presidência honorária da Fifa, entidade que comandou por quase um quarto de século, se foi por renúncia. Havelange se retirou para evitar humilhação pública, ainda que o caso ISL e as “comissões” que embolsou sejam parte integrante de seu histórico em qualquer busca na internet. Para sempre.

Ele havia feito mesmo em relação à posição no Comitê Olímpico Internacional, em dezembro de 2011, semanas antes de uma reunião do comitê de ética da entidade. Antes da punição, porta dos fundos. O rastro de corrupção levou a um fim de vida infame, covarde até. Mas provavelmente não será suficiente para manchar sua imagem como modelo de dirigente esportivo brasileiro.

Numa sala repleta de cartolões e cartolinhas, mestres e aprendizes do ofício, Havelange receberia beijos no rosto de quase todos os presentes. De alguns, como agradecimento pelo patrocínio de tantos e tantos anos. De outros, por mera bajulação a um ícone. Poucos, pouquíssimos, seriam aqueles que manteriam distância respeitosa. Menos ainda seriam os que não fariam de tudo para usar seus sapatos. Se não são discípulos do homem, são do método.

Carlos Arthur Nuzman faria as vezes de cicerone, segurando a mão de Havelange e sussurrando aos seus ouvidos os nomes dos pedintes. O presidente do COB ainda discursaria por longos minutos, enumerando os feitos e evidenciando a dívida impagável que o esporte brasileiro tem com um benemérito que lhe dedicou a vida. Nuzman abriria sua participação cumprimentando as senhoras e senhores, e chamando Havelange de “meu líder”, como costuma fazer.

Foi durante o período de Havelange na Fifa, entre 1974 e 1998, que as organizações comerciais passaram a desempenhar um papel crucial no futebol. A Copa do Mundo se expandiu, os direitos de transmissão pela televisão deram um salto estratosférico, a Fifa virou o que é hoje. Seguindo o exemplo, outras entidades esportivas se converteram em agências de negócios bilionários. Havelange é o criador de um modelo bem sucedido e, ao mesmo tempo, gerador de tudo o que existe de errado no esporte.

Enquanto você lê essas linhas, a absoluta maioria dos dirigentes esportivos brasileiros está preocupada apenas em prolongar sua permanência na cadeira. Por que seriam tão apegados? Por que seriam tão refratários a conceitos saudáveis como alternância no poder? O que os mantém ali por décadas, até que a saúde anuncie o fim da festa? Certamente é algo complexo, pois nem eles são capazes de responder.

Ricardo Teixeira, ex-genro de Havelange em autoexílio na Flórida, deixou a estrutura pronta na CBF para José Maria Del Nero (ou Marco Polo Marin, como queira) gozar enquanto puder. Ignorado pela Fifa e pelo governo brasileiro, o presidente da CBF se agarra a jantares caros enquanto procura saídas convenientes.

Na semana passada, as eminências estiveram em Assunção articulando um golpe na Conmebol. Marin assumiria o comando, com caminho aberto para Del Nero na CBF. Tudo por causa da renúncia de Nicolás Leoz, o penúltimo dos acajus, também molhado pela ISL.

DRAMA

O São Paulo não tem como fugir do dilema Copa Libertadores x Campeonato Paulista. Não há dúvida sobre qual é mais importante, nem sobre em qual a chance de sucesso é maior. O problema é que o calendário presenteou o clube com três jogos eliminatórios em uma semana. No primeiro deles, o time jogou por uma hora com um homem a menos e perdeu dois atletas por lesão. O que fazer? A rivalidade e a possibilidade de um título estadual indicam escalação mais forte possível neste domingo, contra o Corinthians.

CENAS

No bonito clássico de quinta-feira pela Libertadores, três momentos: a finta de Ganso no lance do gol são-paulino, tirando dois jogadores do Atlético da foto. O escanteio cobrado por Bernard, no gol de Ronaldinho. Sem peso, milimétrico. E o passe de Marcos Rocha para o gol de Tardelli. A bola quase parou diante do atacante.

COLUNA DOMINICAL

domingo, 28 de abril de 2013

(publicada ontem, no Lance!)

LAJE

A frase de Scolari conseguiu revelar com precisão como estão os cronogramas de obras para a Copa do Mundo de 2014. Obras de engenharia civil e de futebol. “A Seleção está construída. Falta muito menos do que outras coisas aí que falta construir”, disse o técnico, na véspera do empate em 2 x 2 com o Chile, no novo Mineirão.

Felipão não se referiu ao time que enfrentou os chilenos, genérico distinto da equipe que jogará o Mundial, cujo desempenho no amistoso da última quarta-feira não deve ser levado em conta se o assunto for a preparação para a Copa. Esta começou atrasada, permanece atrasada, mas está, como afirmou seu condutor, quase concluída.

Como algo pode estar atrasado e praticamente terminado, ao mesmo tempo, é questão de expectativa. Para quem gostaria de ver uma Seleção com identidade própria e futebol virtuoso, a obra foi embargada por erros de planejamento e execução. Para quem se preocupa “apenas” em ganhar o torneio, o alvará está quase saindo.

Os cérebros que operam acima de Scolari não perdem um segundo pensando em futebol, de modo que transferir a responsabilidade para um treinador de conhecidas convicções competitivas é o mais fácil a fazer. Mesmo que isso signifique executar uma curva em “U”, esquecer o caminho percorrido desde que a Copa da África do Sul terminou e retornar o time a um tipo de futebol que só enxerga o resultado.

Alguém já disse que quando tudo o que se faz é apenas em nome do resultado final, nada sobra se você não o atinge. Essa é a aposta que a CBF fez e são seus ocupantes momentâneos quem deve ouvir as cobranças. Concordando ou não com a escolha de Scolari, ele foi chamado por, e para, trabalhar da forma que conhecemos. Volantes primordialmente preocupados com a primeira metade do campo, mais transição do que elaboração, satisfação garantida pela contagem mínima.

Não é suficiente para você? Olhe o calendário. A Copa do Mundo começa em pouco mais de um ano. O grande time que você deseja ver é um projeto inviável por falta de comando, de interesse, de conhecimento e, agora, finalmente, por falta de tempo.

A ironia embutida na solução de emergência é o que se desperdiçou para chegar a ela. Vimos recentemente um time que era um elogiável intérprete do chamado “futebol moderno”, aquele em que a ambição principal é minimizar riscos. Era a Seleção Brasileira de Dunga, derrotada pela Holanda em Port Elizabeth. Mano Menezes assumiu o posto para renovar, reciclar, recuperar conceitos. Foi destituído para dar lugar a um produto final que, muito provavelmente, será semelhante ao que Dunga criou. Mas pelas carências citadas há pouco, será inferior.

Há quatro times superiores ao Brasil de hoje. Espanha, Alemanha, Itália e Argentina, não necessariamente em tal ordem. É possível que as distâncias diminuam em um ano, é possível que se ampliem. No cenário otimista, a “família” se formará e se alimentará de inimigos imaginários, a arbitragem não atrapalhará, as arquibancadas empurrarão e, sabe como são esses jogos eliminatórios… cada escanteio é um perigo.

QUATRO

Robert Lewandowski é o nome do momento. Primeiro jogador a marcar quatro gols nas semifinais da Liga dos Campeões. Primeiro jogador a marcar quatro gols no Real Madrid em competições europeias. Uma pechincha de 4 milhões de euros que deixou o elenco mais caro da história do futebol a um milagre da eliminação. De tudo o que ele fez na quarta-feira em Dortmund, o terceiro gol foi o ponto mais alto. A puxada de futebol de salão, armando o chute de pé direito, foi o movimento que criou o espaço para a finalização forte e alta. Só o suficiente para evitar o carrinho de Pepe. Recurso raro em um 9 clássico, mais raro ainda em um jovem de 24 anos e 1m84.

CLUBE DE FUTEBOL

Ótimo ver o Borussia Dortmund em alta. Um clube dirigido por ex-jogadores, que é propriedade dos sócios e forma atletas por solução econômica e convicção futebolística.

NO LANCE! DE HOJE

sábado, 20 de abril de 2013

(minha coluna no Lance! deste sábado, publicada aqui a pedido dos editores do jornal)

RIVAIS NO NINHO

Você é capaz de imaginar Corinthians e São Paulo disputando um título na China? Há quem esteja tomando providências para que aconteça. A ideia, sigilosa até este momento, já foi levada aos dois clubes e está nas mãos da Conmebol para uma decisão definitiva.

A iniciativa é do mesmo grupo que levou a Supercoppa da Itália, jogo de pré-temporada entre os campeões da Série A italiana e da Coppa Itália, a ser realizada no estádio olímpico de Pequim em três dos últimos quatro anos. O plano é fazer o mesmo com a Recopa Sul-Americana, que reúne os campeões da Copa Libertadores e da Copa Sul-Americana. Se todos os detalhes forem acertados, os rivais paulistas podem se enfrentar no Ninho de Pássaro, no segundo semestre.

Mas há problemas no caminho, e não são simples. Desde 1995, a Recopa Sul-Americana é disputada em dois jogos, com vantagem de mando para o campeão da Libertadores. O planejamento de marketing da competição é feito com base numa decisão em mão dupla, com os evidentes desdobramentos de direitos de televisão e exposição de patrocinadores. A conversão do sistema para um jogo único, condição para que o evento aconteça no palco que simbolizou os Jogos Olímpicos de 2008, é o quebra cabeça que a Confederação Sul-Americana de Futebol tenta montar.

Os clubes não falam no assunto, por orientação da Conmebol. Mas uma fonte ligada ao Corinthians tem conhecimento das negociações e aponta uma dificuldade: ao contrário da Supercoppa Italiana, jogo de abertura de temporada e de menor significado esportivo, a Recopa Sul-Americana deve ser tratada com máxima importância por Corinthians e São Paulo. “Você não troca um mando de jogo em sua casa, numa disputa de título com um rival, por dinheiro e exposição internacional”, disse a fonte, consultada em condição de anonimato por não participar das conversas.

A coluna apurou, no entanto, que os envolvidos gostaram da proposta e aguardam o desfecho decidido pela Conmebol. Ao que parece, os retornos financeiros e de mídia provenientes de uma rápida excursão à China no segundo semestre, ainda que durante a disputa do Campeonato Brasileiro, agradam as diretorias dos clubes paulistanos.

A Supercoppa Italiana é um evento acostumado a viajar. Já aconteceu duas vezes nos Estados Unidos e uma em Trípoli, na Líbia. Em 2009, 2011 e 2012, levou mais de 60 mil pessoas ao Estádio Nacional de Pequim. O maior público foi o do jogo de dois anos atrás, entre Milan e Internazionale, com 80 mil presentes.

Em sua história mutante, a Recopa Sul-Americana também se internacionalizou. De 1989 a 98, período em que reuniu o campeão da Libertadores e da Supercopa da Libertadores (torneio entre os campeões continentais), esteve em Miami e no Japão. São Paulo e Botafogo – este como convidado por ter sido campeão da Copa Conmebol, pois o São Paulo venceu a Libertadores e a Supercopa no ano anterior – jogaram em Kobe, em 1994, última vez que dois clubes brasileiros decidiram o título.

Dezenove anos depois, o destino pode ser a China.

COLUNA DOMINICAL

domingo, 14 de abril de 2013

(publicada ontem, no Lance!)

REGRESSIVA

Do outro lado da mesa, o telefone do agente vibrou. A foto surgiu na tela identificando um de seus clientes. “Um minuto, preciso atender”, ele disse. Mas não se levantou, não se preocupou em falar baixo ou em monossílabas.

O jogador na linha atua por um grande clube brasileiro. Grande mesmo. Você não diria que tal clube enfrenta problemas de falta de dinheiro para honrar a própria folha de pagamento. O jogador estava insatisfeito porque seu último salário havia completado dois meses naquele dia. Ligou para o agente para discutir o que fazer.

A conversa baseou-se em um tema principal. O jogador queria “meter a boca”, jargão usado para levar a história a conhecimento público, como forma de pressionar o clube. O agente, balançando a cabeça em sinal de reprovação, tentou convencê-lo a permanecer calado. “Fica tranquilo porque quando der três meses, a gente se manda”, explicou.

A lei determina que o terceiro mês de atraso nos pagamentos é a porta de saída. O jogador vai à Justiça e fica livre para dar prosseguimento à carreira em outro lugar. Clubes que não têm o hábito de pagar seus atletas em dia controlam o calendário de cada um deles (sim, é comum alguns receberem e outros não) para não correr o risco de perdê-los. O esforço não é para fazer os depósitos a cada mês, por inviável. É para não deixar o terceiro mês se completar. Claro, nem sempre é possível.

Muitos clubes manobram entre o salário e o direito de imagem. Depositam o que tem menor valor, ou apenas o salário, para não configurar o mês vencido. A prática nem sempre cola quando o problema chega ao tribunal, pois advogados conseguem provar que o que o clube chama de direito de imagem é, de fato, uma parte da remuneração mensal do atleta. No caso do jogador mencionado aqui, o clube está em situação ainda mais sensível: o agente fez garantir em contrato que o limite dos três meses vale para qualquer tipo de atraso.

As irresponsabilidades cometidas pelo clube em questão são assustadoras. Há salários de nível europeu sendo (ou melhor, não sendo) pagos a futebolistas que ainda têm muito a provar. Alguns nem estão jogando. Como a conversa corre no vestiário, todos sabem quanto cada um ganha e há quanto tempo o dinheiro não aparece na conta. O agente calcula que se o clube não for salvo por um torcedor milionário disposto a fazer um empréstimo a fundo perdido, simplesmente não haverá recursos para as próximas folhas.

O alicerce do caixa do clube era uma operação financeira que não se materializou, situação agravada por decisões tomadas pelas pessoas erradas. As semanas passam e vários jogadores ponderam que providências tomar. O curioso na história é que questões dessa natureza sempre terminam nas páginas dos jornais. Esta ainda está controlada, talvez porque certos jogadores têm sido privilegiados pela diretoria. Ainda.

A conversa terminou com um plano de ação. “Com duas semanas, a gente notifica. Quando faltar uma, a gente notifica de novo. É para eles não poderem dizer que não foram avisados”, explicou o agente.

EQUÍVOCOS

Bayern, Dortmund, Barcelona e Real Madrid são os semifinalistas da Liga dos Campeões. Bom para o torneio, bom para quem assiste. Mas a quantidade de erros de arbitragem na fase de quartas de final passou dos limites. Quatro jogos foram marcados por gols irregulares, em que impedimentos deveriam ter sido marcados. Alguns lances foram realmente difíceis, os chamados “impedimentos de TV”, como o primeiro gol do Real Madrid no jogo de volta contra o Galatasaray. Mas para outros, não há explicação. No gol da classificação do Dortmund havia quatro jogadores impedidos.

ACERTOS

Cenas bonitas em Dortmund, depois do jogo. A torcida do Málaga aplaudiu os jogadores alemães durante a comemoração. Como retribuição, foi aplaudida pela torcida do Borússia, ao deixar o estádio. O episódio raro precisa ser registrado, pois futebol, de verdade, é isso.

COLUNA DOMINICAL

domingo, 7 de abril de 2013

(publicada ontem, no Lance!)

TREINO É JOGO

Ver o São Paulo chegar ao fim do jogo contra o Strongest sem implorar por um balão de oxigênio sugere que o time não foi derrotado pela altitude de La Paz. Mas foi.

Manejar os efeitos das alturas em jogadores de futebol não adaptados é uma tarefa que preocupa, acima de tudo, pela questão fisiológica. Estratégias de viagem são feitas levando em consideração o que a ciência aponta como opção “menos pior”: subir a montanha no mesmo dia do jogo, para minimizar os sintomas.

A noite de quinta-feira mostrou que o planejamento do São Paulo foi um sucesso no aspecto do rendimento físico da equipe. O meio-campo Maicon foi o único jogador que não suportou as condições da capital boliviana, solicitando substituição antes do intervalo por fortes dores de cabeça e problemas respiratórios. De modo geral, o time foi competente ao dosar o esforço durante todo o jogo, evitando o colapso sofrido na experiência anterior no estádio Hernando Siles, quando levou quatro gols do Bolívar no segundo tempo.

Mas ser competitivo a 3.660 metros de altitude é apenas parte da equação. A missão do São Paulo não era sobreviver ao jogo. Era vencê-lo. Para isso, a questão técnica é tão – ou mais – importante. A aclimatação às diferentes características do jogo nas nuvens também precisa ser feita. Sem ela, o prejuízo é igualmente devastador.

A ironia é que é muito menos complicado adaptar-se tecnicamente do que fisiologicamente. Não há ciência envolvida na providência de ajustar os reflexos ao comportamento estranho da bola, principal problema no caminho de forasteiros que estacionam o avião (sim, pois lá não é necessário “descer”) em lugares como La Paz em busca de três pontos. Basta treinar.

Só a prática é capaz de fornecer aos goleiros as informações sobre a velocidade e os hábitos da bola, de forma a não ser surpreendido por um chute, ou vários, quando for para valer. O mesmo vale para atacantes calibrarem suas pernas e descobrirem, a tempo de usar o mesmo recurso, que não é por acaso que os times mandantes passam a noite inteira chutando de fora da área.

Ocorre que, para treinar e se acostumar ao fuso da bola, é necessário chegar antes. Claro que não precisa ser duas semanas antes, o que garantiria, também, a imunidade fisiológica. Três dias proporcionam o aprendizado que oferece tranquilidade e oxigena, por assim dizer, a confiança.

Alguém pode argumentar que o São Paulo perdeu muitos gols e poderia ter deixado a Bolívia com seu destino nos próprios pés. Ok. Mas não se pode garantir que os gols não foram perdidos justamente por falta de adaptação às condições técnicas. Afinal, é no instante da conclusão que tudo tem de estar em seu devido lugar.

Há menos de um mês, o Atlético Mineiro esteve no mesmo estádio Hernando Siles para enfrentar o mesmo Strongest. Saiu de campo satisfeito por ter superado não só a altitude de La Paz, como também o adversário, por 2 x 1. O time boliviano chutou dez bolas no gol de Victor, que só cometeu uma falha na partida.

O jogo aconteceu numa quarta-feira. O Atlético chegou a La Paz no sábado. Fez três treinos.

OMISSOS

A Conmebol é tão culpada pelo que aconteceu no estádio Independência, na noite de quarta-feira, quanto os jogadores do Arsenal e a Polícia Militar de Belo Horizonte. A punição contraditória imposta ao São Paulo e ao Tigre, por conta da final da Copa Sul-Americana que não terminou, reforçou a sensação de impunidade que está na origem da “valentia” dos que foram para cima dos policiais. A reação desproporcional, inexplicável, da PM, foi consequência. Ao punir o São Paulo (com um jogo longe do Morumbi e multa) e o Tigre (só com multa), a Conmebol não decidiu quem estava errado e passou uma mensagem confusa. Agora vai querer consertar. Mais triste do que a omissão da CSF, só mesmo a imbecilidade que domina as mentes preconceituosas, que não entendem, não enxergam, não pensam. Só alimentam a violência que pretendem criticar.

COLUNA DOMINICAL

domingo, 31 de março de 2013

(publicada ontem, no Lance!)

CLÍMAX NAS ALTURAS

O jogo da próxima quinta-feira, em La Paz, não é decisivo para o São Paulo apenas no aspecto esportivo. Seus reflexos irão além da permanência ou não do clube na Copa Libertadores.

O cotidiano de um time de futebol desse nível é marcado pela constante obrigação de administrar temas sensíveis, de modo a evitar ou minimizar seus efeitos no desempenho em campo. Há momentos, como atualmente, em que o comando não é capaz de manter essa dinâmica abaixo da superfície, e questões tornam-se públicas. É mais provável que isso aconteça quando os resultados do time não são os desejados.

No São Paulo, o cerne do problema é o risco de eliminação na Libertadores. Essa é a situação que fez aflorar algumas contendas internas que possivelmente estariam dormentes se a classificação para as oitavas de final não estivesse a perigo. A insatisfação com – e de – Luis Fabiano, o embate entre a diretoria e alguns funcionários, os ataques à autoridade de Ney Franco e o enfraquecimento político do clube.

Luis Fabiano está triste porque se sente desprestigiado. Quando fala sobre “coisinhas que minam os jogadores”, refere-se ao que entende como supervalorização de suas indisciplinas, a um certo ciúme de sua relação com a diretoria, e à incapacidade institucional do São Paulo de atuar no caso da exagerada suspensão de quatro jogos que recebeu da Conmebol.

Em retrospecto, a noite de 7 de março é sintomática. Foi quando o São Paulo, mandante no Pacaembu, aceitou voltar ao vestiário para trocar de uniforme, pois o time argentino só havia trazido calções brancos. O gol do Arsenal foi produto de um raro (e discutível) pênalti para o visitante na Libertadores. Após o apito final, Luis Fabiano foi expulso pelo árbitro colombiano Wilmar Roldán. Esquecendo, por um instante, a incompetência do time para superar um adversário notadamente inferior, os sinais de fraqueza nos bastidores são evidentes.

Na cúpula são-paulina, há quem veja o dedo de Marco Polo Del Nero, ou a ausência dele, na amplitude da suspensão de Luis Fabiano. José Maria Marin é aliado de Juvenal Juvêncio, mas o presidente da Federação Paulista é muito mais atuante na Conmebol. Uma eventual queda na Libertadores pode precipitar um rompimento ruidoso, por iniciativa do Morumbi.

Neste caso, é improvável que Ney Franco perca o emprego. À exceção de um constrangimento devastador, a diretoria manterá o treinador que recebeu um voto de confiança nos episódios com Ganso e Lucio. Já o relacionamento com determinados funcionários do clube é instável, desde que a premiação em dinheiro pela conquista da Copa Sul-Americana foi alterada para favorecer os jogadores. A medida não foi bem aceita por quem imaginou que seria contemplado com maior generosidade.

Tudo caminha para o clímax no jogo contra o Strongest, nas alturas de La Paz. O São Paulo precisa vencer para se acalmar internamente. As imagens de Lionel Messi, o melhor jogador do mundo, vomitando no gramado no recente jogo entre Bolívia e Argentina, adicionaram tensão ao que já era preocupante.

E AGORA?

O escândalo do Engenhão repercutiu internacionalmente. A seleção italiana pretendia usar o estádio, em junho, na etapa final da preparação para a Copa das Confederações. Um amistoso contra o Taiti estava marcado para o dia 11 daquele mês. Agora os italianos precisam encontrar outro lugar.

TENSO

A seleção inglesa também está preocupada. A questão é o atraso das obras do novo Maracanã, sede do amistoso contra o Brasil, marcado para o dia 2 de junho. O jogo, parte das comemorações dos 150 anos da Associação Inglesa de Futebol, deve marcar a inauguração do estádio. Se o Maracanã não ficar pronto, o Encrencão seria a única opção. Não é mais.

INTERVALO

A interdição do Engenhão é a melhor peça de propaganda possível para os eventos que receberemos nos próximos anos. Não tem musiquinha nem slogan. É o Brasil em estado puro, sem maquiagem ou filtros.

COLUNA DOMINICAL

domingo, 24 de março de 2013

(publicada ontem, no Lance!)

O CARREGA-MALAS

Uma parte importante do espólio de Ricardo Teixeira na CBF deu o ar de sua graça anteontem, em Genebra. Foi um breve momento glorioso, talvez um resquício dos tempos em que a proximidade do rei alimentava a sensação de onipotência. Foi também uma manifestação de truculência, típica de banguelas que tentam mastigar biscoitos.

Talvez você já tenha ouvido falar de Alexandre da Silveira, o ex-secretário particular de Teixeira. Rápido currículo: Silveira era funcionário da empresa que fazia a manutenção do sistema de telefonia da CBF, no início da década de 90. Sua vida mudou no instante em que, enquanto consertava tomadas, atendeu ao telefone que ficava na mesa da secretária do então presidente. Era Teixeira do outro lado da linha, e o desempenho de Silveira em poucos minutos agradou tanto que lhe valeu um emprego na confederação.

O telefonista não demorou a se transformar em um apêndice do presidente, um faz tudo literal. Acordava antes, dormia depois, e entre um momento e outro não ficava a mais de um metro de Teixeira. Gozava de tanta confiança que interferia na agenda do chefe e administrava seu celular. E de tanto prestígio que recebia premiação como se trabalhasse na Seleção Brasileira.

Não são poucos os relatos do péssimo ambiente entre Silveira e os funcionários da CBF, especialmente os mais humildes. Produto da estatura de um assistente da presidência – que, de fato, é baixinho – e do tratamento que ele costuma dispensar a quem não pode lhe oferecer nada. Sua mais recente aparição ajuda a entender por quê.

Hoje Silveira abre a porta do carro para José Maria Marin. Sua permanência na confederação foi uma exigência de Teixeira, que o atual presidente ainda mantém. Desnecessário mencionar a quantidade e a sensibilidade das informações que Silveira possui, fruto de duas décadas de escolta – e de confidências – do cartola que mandava no futebol brasileiro. Ele também é o guardião da famosa simpatia do ex-presidente.

Na quinta-feira passada, Marin saía do Hotel Intercontinental, em Genebra, quando foi abordado por uma equipe da ESPN Brasil. O repórter André Plihal quis saber o que ele tinha a dizer sobre as gravações misteriosas que têm aparecido no YouTube. Enquanto aguardava seu carro, Marin repetiu várias vezes que só queria saber da Seleção Brasileira. A insistência de Plihal não o irritou, mas incomodou a figura impaciente que estava a seu lado.

“Puxa o carro”, Silveira determinou ao motorista. “Puxa, vai, passa por cima deles”, completou. A cena, gravada e levada ao ar, revela todos os envolvidos fazendo exatamente o que se espera deles. Um jornalista perguntando. Um dirigente tentando escapar. E um carrega-malas expondo-se ao ridículo.

Quando não está arrumando o guardanapo de Marin ou cuidando para que o chefe não escorregue, Silveira cuida dos negócios que os tempos de Teixeira lhe proporcionaram. Um deles é uma agência de compra e venda de veículos. Dizem que está rico. Há ricos que são tão pobres que só têm dinheiro.

COLUNA DOMINICAL

domingo, 17 de março de 2013

(publicada ontem, no Lance!)

PRETO E BRANCO

A semana começou com uma frase edificante, proferida pelo cartola mais influente do futebol brasileiro. Procurado pela Folha de S. Paulo para comentar as reclamações feitas por Tite, no sábado passado, sobre o calendário do Campeonato Paulista, Marco Polo Del Nero homenageou a própria arrogância. “Não vou responder a treinador fazendo um comentário desses. Quando o presidente falar, eu respondo”, disse o chefe da Federação Paulista de Futebol.

Soou familiar? Faz todo o sentido. Ricardo Teixeira ficaria orgulhoso do tom esnobe de Del Nero, que o faria se lembrar de um de seus célebres epitáfios como presidente da CBF. “Só vou ficar preocupado (com denúncias de corrupção), meu amor, quando sair no Jornal Nacional”. Momento nobre da infame entrevista concedida à Revista Piauí.

A mórbida semelhança entre os raciocínios não é um acaso. Del Nero é a eminência que Teixeira escolheu para manter as engrenagens da CBF bem lubrificadas. O dirigente paulista é o presidente de fato da confederação. José Maria Marin é sua criação, seu passaporte para a cadeira de Teixeira, hoje ocupada pela data de nascimento de Marin, um político especializado em ocupar cargos por indicação.

Del Nero é o dirigente das trapalhadas, como a tentativa desastrosa de prejudicar o São Paulo – à época, inimigo da FPF – em dezembro de 2008, no caso dos ingressos para um show de Madonna no Morumbi. Depois de intensa movimentação nos bastidores, o Pleno do STJD o livrou do que seria uma condenação histórica na esfera esportiva.

Del Nero também é o dirigente das situações constrangedoras, como a visita que recebeu de agentes da Polícia Federal em sua casa, na madrugada de 26 de novembro do ano passado. Documentos e computadores foram apreendidos para elucidar sua relação com uma quadrilha que roubava e negociava informações sigilosas. O cartola espionava a própria namorada.

Perceba o padrão. Marin é o dirigente da medalha (e dos picolés) embolsada e do gato de luz. E o que é muito mais preocupante: da ligação com o período do autoritarismo e da repressão. A exposição de seu discurso – como deputado estadual pela ARENA, em outubro de 1975 – na Assembleia Legislativa de São Paulo, com implicações na prisão, tortura e assassinato do jornalista Vladimir Herzog, o levou a uma medida extrema. Marin considerou boa ideia transformar o site oficial da CBF em uma espécie de blog pessoal, com o objetivo de negar o inegável.

O texto publicado na última quarta-feira na página da confederação na internet é um retrato de Marin. Antiquado, ultrapassado, digno de desconfiança. A “estratégia” é incompreensível. Aumentou a repercussão de algo que Marin deveria tentar esconder, culminando com a chegada do tema a Brasília.

O deputado federal Romário (PSB-RJ) pretende realizar uma audiência pública denominada “Futebol e Ditadura” no Congresso Nacional, para apurar o envolvimento de Marin com o governo militar e as circunstâncias da morte de Herzog. Bingo.

O jogo está para começar. De preto, o projeto de poder de Del Nero e Marin. De branco, a verdade.

PÉSSIMA IDEIA

Os recentes casos de violência envolvendo “torcedores” organizados estimularam a criatividade das nossas autoridades esportivas. A novidade é a ideia da “torcida organizada oficial”, que seria bancada pelo clube e, portanto, absolutamente pacífica e incentivadora. Dois absurdos reunidos. O primeiro é a tentativa de transferir a responsabilidade de resolver o problema. O segundo é um atentado ao exercício de torcer. É expressão da natureza humana, que não pode ser alugada. Os autores da proposta devem ser apresentados ao futebol.

O DONO

Que semana para Lionel Messi. Na terça-feira, foi decisivo na classificação do Barcelona para as quartas de final da Liga dos Campeões. No dia seguinte, não só escolheu um compatriota como novo líder do mundo católico, como também determinou seu nome, em homenagem ao técnico Francesc Vilanova. Dono do mundo, o rapaz.