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  1. 06.mar.2010

    CAIXA-POSTAL

    por André Kfouri

    Aos temas da semana:

    Rodrigo escreve: Qual a diferença entre a Copa da Inglaterra e a Copa da Liga Inglesa? E qual a razão de times do País de Gales disputarem as duas competições também?

    Resposta: A Copa da Inglaterra (também chamada de FA Cup) é o torneio de futebol mais antigo de que se tem notícia. Foi disputada pela primeira vez em 1871. Pela tradição, é considerada mais importante. Várias centenas de clubes de todas as divisões do futebol inglês e galês a disputam, em formato de mata-mata em jogo único. Clubes do País de Gales estão incluídos, assim como nas várias divisões do Campeonato Inglês, porque fazem parte da Football League, que organiza as competições. A Copa da Liga (que recebe o nome de seu patrocinador, desde 2003 é a Carling Cup) é disputada por menos times (92 = os 72 da Football League e os 20 da Premier League) e tem menos prestígio. As duas competições classificam o campeão para a Liga Europa.

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    Carlos escreve: O que você achou da escolha da Irlanda para o jogo do Brasil na última data FIFA? Enquanto algumas seleções igualmente fortes testaram forças entre si, o Brasil preferiu um amistoso sem graça contra a fraca seleção Irlandesa.

    Resposta: É sempre mais legal, para o torcedor, ver a Seleção Brasileira jogando com times do mesmo nível. É só reparar na diferença de atenção que um amistoso contra um adversário “grande” recebe. Mas esses jogos se transformaram em eventos comerciais, em que há muitos interesses envolvidos, além daquele que parece óbvio: produzir um jogo de futebol interessante. Não considero a Irlanda um adversário tão inferior, mas certamente esse jogo não é da mesma estirpe de França x Espanha ou Alemanha X Argentina.

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    Lucas (entre muitos) escreve: Você acha que o Marcos falou que ia se aposentar (no fim do ano) porque estava de cabeça quente?

    Resposta: Seu e-mail chegou na manhã de quinta-feira, portanto antes da entrevista coletiva em que o Marcos confirmou que vai pendurar as luvas no fim de 2010. Nas próprias palavras dele, é uma decisão tomada. Claro que essas coisas não são absolutamente definitvas, mas uma declaração dada no dia seguinte ao jogo não pode ser qualificada como “de cabeça quente”. Há jogadores de futebol que percebem que a hora chegou, esse parece ser o caso do Marcos. Sei que você não perguntou, mas Marcos é/foi um dos maiores goleiros que vi. Sempre me lembro de um programa “Bola da Vez”, da ESPN Brasil, com Émerson Leão, do qual participei. Ao responder uma pergunta sobre qual era o melhor da nobre linhagem de goleiros da história do Palmeiras, Leão escolheu Marcos.

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    Luciano escreve: André, no seu comentário sobre o amistoso Brasil x Irlanda, você disse que acha que o Dani Alves vai arrumar um lugar no time, mas que não seria na lateral direita. Onde você acredita que ele irá jogar?

    Resposta: No meio de campo. Eu não escalaria o Daniel na direita porque é impossível tirar o Maicon do time. Acho improvável que o Dunga o escale na esquerda, porque já há um problema defensivo nesse setor que o Daniel, por característica, não conseguiria resolver. Agora, no meio, onde ele ajudaria a criar, acho que é o lugar certo.

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    Como sempre, muito obrigado pelas mensagens. Até o próximo sábado.

    (e-mails para a CP do blog: akfouri@lancenet.com.br, ou clique no link abaixo do foto)

    “Eu tenho todos os tipos de culpa.”

    Charles, em “Fora de Rumo”.

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    • 27.fev.2010

      CAIXA-POSTAL

      por André Kfouri

      Aos temas da semana:

      João Paulo (entre muitos) escreve: André, sobre o projeto de lei da Câmara dos Vereadores de São Paulo (que determina que jogos de futebol na cidade não podem acabar depois das 23h15): você acredita que será aprovado e nós não teremos mais que aguentar esses horários?

      Resposta: Não, não acredito que a lei será aprovada pelo prefeito de São Paulo. Mas gostaria de ampliar a conversa: qual é a grande diferença, para o torcedor que vai ao estádio, entre um jogo que termina às 23h45 e um jogo que termina às 23h15? Alguém pode argumentar que o metrô fecha por volta da meia-noite, e que portanto há uma diferença considerável. Ok, mas e no caso de um jogo que vai para prorrogação ou pênaltis? E no caso de uma final de campeonato, em que o torcedor quer ficar no estádio para comemorar, ver a taça, etc? Para ficar claro: sou contra o futebol às 22 horas. Mas não consigo acreditar num projeto que se declara defensor de quem vai ao estádio, mas não resolve o problema de quem vai ao estádio. Sabe qual é o único objetivo que seria atingido com a aprovação (e aplicação, claro) da lei? Mexer com a grade da TV Globo. Para mim, isso é estranho. Se a proposta fosse de que os jogos precisam começar, no máximo, até às 20h30, seria outra conversa.

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      Mário escreve: Os times Mexicanos disputam a Libertadores e a Liga dos Campeões da CONCACAF. Mas para estes clubes qual torneio é mais importante?

      Resposta: A Liga dos Campeões da Concacaf. Simplesmente porque ela classifica seu campeão para o Mundial de Clubes da Fifa. Na Libertadores, os times mexicanos são convidados. Eles podem ganhar o título, mas não vão ao Mundial se o conquistarem. É como alguém te convidar para uma festa, mas te avisar que você não pode comer nem beber.

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      Haroldo escreve: Tenho ouvido nas últimas transmissões da Liga dos Campeões o risco que a Itália passa de perder uma vaga direta dessa competição (de 4 para 3 times) para a Alemanha (que passaria de 3 para 4 times). Isso porque os times italianos têm ido mal nos últimos anos, ao contrário dos Alemães. Mas afinal, como é essa “fórmula” que define as vagas diretas e indiretas por país?

      Resposta: O balanço das vagas para cada país na Liga dos Campeões tem como critério um ranking anual feito pela Uefa. Esse ranking leva em conta o desempenho dos clubes na própria Liga dos Campeões e na Liga Europa (antiga Copa da Uefa). A queda dos times italianos e a ascensão dos alemães podem resultar na alteração.

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      Vinicius escreve: Como são-paulino tenho acompanhado a “novela” sobre o projeto do Morumbi para a Copa 2014. A princípio envaidecido com a possibilidade da escolha do time para qual torço, tenho ficado cada vez mais decepcionado com o desenrolar da história a ponto de achar que os dirigentes do São Paulo deveriam retirar a candidatura do Morumbi e dizer à FIFA: “Obrigado, por nada!”. A questão é: será que vale mesmo a pena passar por toda essa “humilhação” para que o estádio sedie jogos da Copa? Tirando o evento em si e a possibilidade de se vangloriar para outras torcidas locais, qual seria o verdadeiro retorno para o clube em sediar jogos da copa? Moderno ou não (e tenho plena consciência de que não é) o Morumbi é a grande arena para eventos – não só futebolísticos – de São Paulo. Será que a modernização do estádio só se justifica para a realização da Copa? Gostaria de saber sua opnião.

      Resposta: A Copa de 2014 é a oportunidade do São Paulo (e de todos os outros clubes que pretendem ver seus estádios envolvidos) de reformar seu estádio e se posicionar melhor para usá-lo de todas as maneiras que forem economicamente interessantes. Por isso o clube resiste nessa briga política que envolve a Fifa, a CBF, a FPF, o governo e a prefeitura de São Paulo. Briga que ainda terá novos rounds.

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      Como sempre, muito obrigado pelas mensagens.

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      “Do fundo de suas almas, e cada gota de sangue de seus corpos, deixem tudo naquele campo até o apito final. E se vocês fizerem isso, se vocês fizerem isso, nós não podemos perder. Podemos estar atrás no placar quando o jogo terminar, mas se vocês jogarem assim, não poderemos ser derrotados.”

      Jack Lengyel, em “Somos Marshall”.

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      • 20.fev.2010

        CAIXA-POSTAL

        por André Kfouri

        Aos assuntos da semana:

        Roberto Carlos escreve: Você foi um dos entusiastas da candidatura do professor Belluzzo para a presidência do Palmeiras, da gestão que se esperava ser um exemplo a ser seguido e está sendo uma das piores em comparação aos demais rivais, você esta decepcionado?

        Resposta: Eu não diria que fui um “entusiasta” da candidatura do Belluzzo, mas sim alguém que comemorou sua eleição para comandar um dos maiores clubes do Brasil, justamente por se tratar de uma pessoa diferente. E continuo achando que, apesar de tudo o que aconteceu desde então certamente ser decepcionante, o fato de a honestidade de Belluzzo não ser posta em dúvida ainda o diferencia da maioria de seus pares. Escrevi aqui que Belluzzo poderia falhar, mas que não seria por defeito de caráter. Continuo acreditando nisso. Creio, também, que a avaliação deve ser feita quando seu mandato terminar. Claro que por enquanto o saldo não é bom.

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        Jorge (entre muitos) escreve: O que você achou da demissão do Muricy Ramalho e da contratação do Antônio Carlos?

        Resposta: A demissão do MR foi a atitude mais fácil a ser tomada, caminho que é escolhido pelos dirigentes brasileiros quando as coisas vão mal. O que é mais fácil não é necessariamente o melhor. Eu não demitiria o Muricy, agora. Não acho ruim a contratação do AC, apesar de ser uma aposta. Ele e o ambiente interno do Palmeiras terão de aprender a conviver juntos.

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        Tiago escreve: Quem seria mais útil para a seleção brasileira? Hernanes ou Diego? Teria lugar para os dois?

        Resposta: Confesso que estranho o fato de Hernanes não ser convocado. Talvez o Dunga tenha desistido dele. Sobre o Diego, parece claro que é uma opção descartada, pois ele já foi observado várias vezes, até mesmo em competição. Acho que pelas possibilidades de escalação, o Hernanes teria como contribuir mais. Lugar para os dois? Não. No momento não há lugar para nenhum…

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        Luciano escreve: André, sei que você não costuma falar sobre golf, mas poderia comentar tudo o que aconteceu com o Tiger Woods e as desculpas públicas de ontem?

        Resposta: Cara, eu achei uma grande bobagem, um teatro desnecessário. Se o Tiger Woods, um dos principais esportistas do planeta, tivesse cometido algum crime, vá lá. Convoca uma entrevista coletiva, pede desculpas a todos, segue a vida. Mas o que o fato de ele ser um marido infiel, ou viciado em sexo, tem a ver com alguém que não seja a família dele? A “cultura das desculpas” é uma característica da sociedade americana, praticamente uma obrigação para que figuras públicas possam “superar seus problemas” e “recomeçar a vida”, mas não acho que as infidelidades de um esportista sejam o caso. Ocorre que não há mais separação entre o que é notícia e o que é, apenas, fofoca. E o “jornalismo de celebridades” está aí para revelar quem bebe, quem usa drogas, quem aposta no jogo e quem trai. Cada veículo de comunicação precisa decidir como agir diante de cada “escândalo”. O que mais me incomodou no discurso de Woods é que ficou muito claro que aquilo ali se tratava de um movimento de marketing e, consequentemente, financeiro. Um primeiro passo para recuperar a imagem, reposicionar-se aos olhos da opinião pública e voltar a ser alguém em que as empresas decidirão investir. Na mesma declaração, ele se desculpou pelos erros cometidos, mas disse que eles apenas dizem respeito à sua família. Uma contradição que não compreendo.

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        Obrigado pelas mensagens. A conversa continua no sábado que vem.

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        “Paranóico é o que eles dizem que você é, quando querem que você baixe sua guarda.”

        Mark Whitacre, em “O Desinformante!”

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        • 13.fev.2010

          CAIXA-POSTAL (e um parabéns atrasado)

          por André Kfouri

          Pela primeira vez em 2010, aos temas da semana:

          Marcelo escreve: Libertadores começando, assim como as especulações… Os melhores de cada grupo e os seis melhores segundo colocados se juntarão às duas equipes mexicanas para a disputa das oitavas de finais. Como serão definidos os cruzamentos? Ou já estão prédefinidos? Existe a possibilidade de dois primeiros de grupo se cruzarem já nas oitavas? Ou ainda duas equipes do mesmo grupo de se reencontrarem na fase seguinte?

          Resposta: Os cruzamentos das oitavas-de-final são determinados pela pontuação dos times classificados. Primeiro contra décimo-sexto, segundo contra décimo-quinto e assim por diante. O dois mexicanos, Chivas Guadalajara e San Luis, foram previamente definidos (respectivamente) como décimo-terceiro e décimo-quarto colocados. Campeões de grupos não se encontram nas oitavas, mas dois times do mesmo grupo podem se cruzar. Se quiser se aprofundar, o regulamento oficial está aqui.

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          Luciano escreve: André, como explicar as lesões musculares nesse começo de temporada? O Corinthians já está poupando jogadores em fevereiro…

          Resposta: A explicação é a ausência de uma prétemporada decente. O que se faz antes do início dos campeonatos estaduais é o mínimo para que os times entrem em campo. Boa parte dos estaduais acaba se transformando no verdadeiro período de preparação para a temporada, mas fazê-lo em situação de competição é arriscado. Por isso jogadores se machucam ou chegam ao limite da lesão muscular.
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          Otávio escreve: Na sua opinião, Vágner Love decepcionou no Palmeiras? Irá decepcionar no Flamengo?

          Resposta: Vágner Love obviamente não rendeu o que se imaginava no Palmeiras. Mas o incidente com torcedores uniformizados fez com que seu retorno ao clube fosse abreviado. Minha impressão é de que ele terá sucesso no Flamengo.

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          Beto escreve: André, pela última convocação do Dunga, a seleção continua sem um reserva para o Kaká. Não te preocupa o time ir à Copa sem um meia para substitui-lo?

          Resposta: Hmmm… sim. O Mauro Beting escreveu sobre isso ontem no Lance!, e o PVC o fará na edição de amanhã da Folha de S. Paulo. Também já tratamos desse tema por aqui. Diego fez parte do grupo embrionário de Dunga na Seleção (o que ganhou a Copa América de 2007, na Venezuela), mas aparentemente não mostrou o suficiente para continuar. Outras opções, como Diego Souza, por exemplo, não parecem ter recebido oportunidades genuínas. E pelas convocações atuais, só há volantes (e Júlio Baptista, um jogador versátil, mas não especialista na posição) disponíveis para a necessidade de entrar no lugar de Kaká. Sim, é perigoso, mas parece que será assim na África do Sul. A não ser que Dunga, por algum motivo, esteja esperando a última hora para chamar Ronaldinho Gaúcho.

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          Como sempre, muito obrigado pelas mensagens. A Caixa-Postal volta no próximo sábado.

          (e-mails para a CP do blog: akfouri@lancenet.com.br, ou clique no link abaixo da foto)

          “Às vezes um homem encontra seu destino no caminho que escolheu para evitá-lo.”

          Wilhelm Wexler, em “Trama Internacional”.

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          Meu irmão, Daniel, comemorou 35 anos ontem. Ele não dá muita importância a aniversários (nem o dele, nem o dos outros), talvez porque aconteçam todos os anos.

          Mas o que não acontece sempre é um cara receber, no dia de seu aniversário, um dos principais prêmios internacionais de sua profissão.

          Daniel é fotógrafo. O terceiro prêmio da categoria “Ação em Esportes” do World Press Photo é dele, o único brasileiro premiado na edição de 2010.

          A foto, feita durante os treinos para a MegaRampa do ano passado, registra uma queda do skatista brasileiro Bob Burnquist.

          Parabéns, Dani, estamos todos muito felizes.

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          • 26.dez.2009

            CAIXA-POSTAL

            por André Kfouri

            A última do ano, amigos.

            Aos assuntos da semana:

            André escreve: O feito histórico conseguido pelo Barcelona, ao conquistar todas as taças que disputou na temporada 2009, não é único e nem inédito, estou correto? Acredito que o Santos da década de 60 tenha conseguido algo parecido, mas e hoje em dia, você acredita que algum time brasileiro seria capaz de tamanha façanha? Seria possível levantar na mesma temporada o campeonato estadual, a Libertadores da América, o Brasileiro, o Mundial de Clubes e a Recopa? Eu imagino que essa já deve ter aparecido por aqui, mas existe algum treinador ou jogador que já venceu a Taça Libertadores da América e a Uefa Champions League?

            Resposta: Não, o feito do Barcelona não é inédito. Conforme lembrou o blogonauta Alexandre, na semana passada, o Ajax de 1971-72 ganhou Liga, Copa, Liga dos Campeões, Supercopa da Europa e Copa Intercontinental. O Santos dos anos 60 muito provavelmente faria o mesmo, se naquela época o Campeonato Brasileiro existisse. Hoje em dia, é algo muito improvável (o Cruzeiro ganhou estadual, Copa do Brasil e Campeonato Brasileiro em 2003). Sua última pergunta já apareceu por aqui, sim. A resposta é não.

            ATUALIZAÇÃO, 27/12, 17h24 – A pergunta que já tinha pintado por aqui era apenas sobre técnicos que conquistaram a Libertadores e a UCL. Não há registros. Como se pode ver nos comentários, Cafu, Tevez e Roque Júnior são exemplos de jogadores que já foram campeões dos dois torneios. Obrigado pela contribuição.
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            Henrique escreve: O Coritiba foi punido com 30 jogos de perda de mando e uma multa em torno de R$ 600 mil. Quem recebe o dinheiro dessa multa, a CBF? E o que é feito com esse dinheiro?

            Resposta: Diz o artigo 176 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva:

            § 1º O recolhimento das penas pecuniárias deverá ser efetuado à Tesouraria da entidade de administração do desporto que tenha a mesma jurisdição do órgão judicante (STJD ou TJD), devendo a parte comprová-lo nos autos.

            Portanto, nesse caso, o dinheiro vai para a CBF. Não sei responder sua última pergunta.
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            Renato escreve: Chega agora o final de temporada e a dança de cadeiras – tanto técnicos quanto jogadores – começa. Até que a musica pare, cada dia surgem especulações quanto a transações. Mas uma coisa que não entendo – e acho que muitos também não – é como é esse pagamento de jogadores e técnicos. O cara tem um salário de x mil reais e ainda mais y de luvas. O que seriam as luvas? Porque fazem esse pagamento? Seria para não pagar imposto?

            Resposta: As luvas são um adiantamento feito no ato da assinatura do contrato. A prática vem do mercado imobiliário, em que o locador pede um valor “na frente” para concordar em alugar o imóvel ao interessado. No futebol, e em outras áreas, as luvas servem para agradar o profissional que está sendo contratado.
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            Lucas escreve: André, dependendo do veículo, estão chamando a Patrícia Amorim de “a presidente do Flamengo”, mas já ouvi também “a presidenta”. Qual é a maneira correta?

            Resposta: Boa pergunta. As duas formas estão corretas, segundo os melhores dicionários. Pessoalmente, acho “presidenta” estranho. Mas não está errado.
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            Como sempre, obrigado pelas mensagens. A partir deste momento, a CP está em férias.

            “Você sabe por que eles o atacaram, não sabe? Eles têm medo de você.”

            Thomas Wayne, em “Batman Begins”.

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            • 19.dez.2009

              CAIXA-POSTAL

              por André Kfouri

              No momento em que o Barcelona (2 x 1 no Estudiantes de La Plata: Boselli, Pedro e Messi) conquista o Mundial de Clubes da Fifa, vamos aos temas da semana:

              David escreve: Nunca consegui entender as regras que envolvem a responsabilidade dos clubes sobre a segurança nos estádios de futebol em que mandam seus jogos, sendo que os “seguranças” são da PM e os próprios estádios em si muitas vezes nem são de propriedade dos clubes. Como pode um clube garantir que a PM faça bem a sua função? Como pode um clube garantir perfeitas condições de segurança dentro de um estádio público? Se a prefeitura abre um Pacaembu em condições ruins, ela pode ser punida? Se a PM não faz bem o seu trabalho, pode ser punida? Qual a razão de não termos nos estádios seguranças pagos pelos clubes, brutos e de tamanho armário direcionando torcedores aos seus lugares, dando patrulha nas arquibancadas e garantindo que os baderneiros sejam pegos no ato? Não seria essa a forma mais justa de responsabilizar os clubes?

              Resposta: As normas fazem parte tanto do Código Brasileiro de Justiça Desportiva quanto do Estatuto do Torcedor, que fala em “responsabilidade solidária de entidades e seus dirigentes (…) independentemente da existência de culpa…”. Vale lembrar que o Estatuto do Torcedor é Lei (10.671, de 15/5/2003). Os clubes que mandam seus jogos em estádios públicos são consideradas as entidades organizadoras desses jogos, e portanto têm as mesmas responsabilidades dos clubes que mandam jogos em estádios particulares. A questão de quem faz a segurança dos estádios de futebol é interessante. Em tese, seria realmente melhor que ficasse totalmente a cargo dos clubes. Mas, além das Tropas de Choque da PM, ninguém tem o necessário know-how. Seria perigosíssimo deixar a tarefa nas mãos de pessoal não treinado.

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              Luiz Fernando escreve: Mesmo com esta punição (ao Coritiba) imposta, é ela realmente adequada para o que aconteceu? Pergunto isso porque me parece pouco educativa: não impede que os maus torcedores que participaram daquilo no Couto Pereia continuem acompanhado o time (seja viajando, seja pela tv), se reunindo com outros “torcedores”, tendo o futebol como algo presente em suas vidas e uma “causa” (no caso o time) para criar mais confusão naquele período. Creio que o mais correto seria que o clube fosse suspenso das competições por uma temporada. Sei que é uma suspensão pesada e que pune severamente os bons torcedores, mas me parece a única forma de afastar o futebol do foco da vida daqueles outros, para que fossem dar mais atenção ao seu trabalho, família, etc; e voltassem depois de um ano, quem sabe, mais sensatos e dando o valor real que um esporte competitivo deve ter na vida de um torcedor. Qual a punição que lhe pareceria ideal?

              Resposta: Interdição do estádio para todas as competições (não faz sentido que problemas de segurança só impeçam um time que jogar em seu estádio num determinado torneio), até que as falhas sejam corrigidas; prisão dos vândalos e punição esportiva ao clube.

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              Carlos Alberto: Você concorda com o técnico do (Cesar) Cielo, que disse que ele é o melhor nadador velocista da História?

              Resposta: Essa pergunta apareceu nos comentários do post abaixo. Eu acho que os títulos e os recordes do Cielo são indiscutíveis e representam um claro domínio. É o primeiro nadador a terminar uma temporada como campeão e recordista mundial dos 50 e 100 metros livre. Falar em “melhor da História” é sempre algo polêmico, mas é difícil discordar dos argumentos. Acima de qualquer coisa, Cesar Cielo é um fenômeno.

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              Antonio escreve: André, o que acontece se dois times que terminaram a fase de grupos em primeiro lugar se encontrarem nas quartas de final ou nas semifinais da Liga dos Campeões? Qual é o critério para ver quem joga em casa?

              Resposta: Essa também pintou nos comentários. A partir das quartas, o sorteio decide a ordem dos jogos. A cada confronto, o time que é sorteado primeiro fica como mandante no jogo de ida.

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              Obrigado pelas mensagens. Até o próximo sábado.

              (e-mails para a CP do blog: akfouri@lancenet.com.br, ou clique no link abaixo da foto)

              “Agora você tem de checar todos esses diferentes portais, apenas para ser rejeitada por sete tecnologias. É exaustivo.”

              Mary, em “Ele não está tão a fim de você”.

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              • 12.dez.2009

                CAIXA-POSTAL

                por André Kfouri

                Aos assuntos da semana:

                Luiz Felipe escreve: Minha pergunta é sobre sorteios.Tomando como exemplo a Copa do Mundo e seu sorteio com todas as seleções definidas, por que a Libertadores não segue a mesma linha? Mais uma: por que tanto a Libertadores como a Champions League não possuem cabeças de chave? Um exemplo esse ano é o campeão da Espanha no mesmo grupo do campeão da Itália (um deles pode cair fora), dois dos campeonatos mais fortes da Europa. Por outro lado, o Sevilla, que não é campeão nacional, está em um grupo mais fácil. Por quê?

                Resposta: Tanto a UCL quanto a Libertadores elegem cabeças de chave para o sorteio dos grupos. Nas duas competições, os escolhidos têm o privilégio teórico de cair numa chave mais fácil (ex: para times brasileiros, não enfrentar compatriotas ou times argentinos). Na Conmebol, o processo é muito mais político do que necessariamente esportivo. Na Uefa, um cálculo matemático é aplicado para escolher os cabeças. levando em conta o desempenho dos times nas temporadas anteriores. Foi esse cálculo que excluiu o Real Madrid da lista dos cabeças de chave da UCL 2009/10. O Sevilla é um deles por ter vencido a antiga Copa da Uefa, em 2006 e 2007.
                ______

                André escreve: Tendo em vista a renovação do W9, dispensar o Borges e contratar o Fernandão não seria trocar seis por meia-duzia? Ou você acha que os dois podem jogar juntos?

                Resposta: Pelo que tenho ouvido, a conversa com o Goiás sobre o Fernandão não é simples. E nem poderia. Mas imaginando que as coisas acontecerão, não vejo problemas em ter Fernandão e Washington no mesmo time. Muita gente prefere o Fernandão lá dentro da área, porque ele é ótimo nas jogadas aéreas. Mas ele também é (muito) capaz de jogar um pouco mais recuado. A decisão de que o Borges não ficaria no São Paulo foi tomada muito tempo atrás. Ele seria negociado mesmo que o único atacante do elenco fosse o Rogério Ceni.
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                Ricardo (entre muitos) escreve: Você acha que o Coritiba deve ser punido (pelos tumultos no jogo contra o Fluminense)? Qual deve ser a punição?

                Resposta: Acho. Assim como deveriam ter sido severamente punidos todos os outros clubes que eram mandantes em estádios onde cenas semelhantes aconteceram no futebol brasileiro. Mas, como sabemos, nada aconteceu. Na semana passada, escrevi aqui que, um dia, providências sérias serão tomadas por causa de um episódio como esse. Mas, infelizmente, só no dia em que houver muitas mortes num estádio brasileiro. É assim que a coisa funciona. Se for para traçar, imediatamente, uma linha dura para evitar que aconteça de novo, os envolvidos devem ser identificados, processados e condenados. E o clube deve ser responsabilizado esportivamente. Mas SÓ se isso significar que TODOS os clubes que, no futuro, estiverem na posição do Coritiba serão tratados da mesma forma. Se não, é piada. Acho que uma punição razoável seria o clube iniciar a Série B com pontos a menos, de forma que a missão do acesso seja mais difícil. Se conseguir, palmas. Obviamente, sabemos que nada, ou quase nada, vai acontecer.

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                Luciano (entre vários) escreve: André, o Messi deve ganhar o prêmio de “melhor do mundo” (da Fifa). De acordo?

                Resposta: Total. Se não derem o troféu para ele, será o caso de receitar tomografias urgentes para todos os eleitores.

                ______

                Como sempre, obrigado pelas mensagens. Até o sábado que vem.

                (e-mails para a CP do blog: akfouri@lancenet.com.br, ou clique no link abaixo da foto)

                “Regra número 1: nunca mude o acordo.”

                Frank, em “Carga Explosiva”.

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                • 05.dez.2009

                  CAIXA-POSTAL

                  por André Kfouri

                  Olá, estou de volta.

                  E as coisas também estão de volta ao normal por aqui.

                  Aos temas da semana:

                  Zé Ricardo (entre vários) escreve: André, não sei se você pôde acompanhar o sorteio dos grupos da Copa, mas poderia opinar a respeito?

                  Resposta: Estava viajando na hora do sorteio, mas claro que posso opinar. O Brasil (grupo G, com Coréia do Norte, Costa do Marfim e Portugal) certamente não terá o luxo de passar pela primeira fase com o pé nas costas, o que muita gente considera importante numa Copa do Mundo. Mas, por outro lado, pode se beneficiar pela necessidade de “esquentar” desde o início. Fora que os dois primeiros jogos na mesma cidade, Johanesburgo, significam menos desgaste. Concordo que o grupo do Brasil seja considerado difícil, mas não creio que haja um “grupo da morte” nessa Copa. O C (Inglaterra, EUA, Argélia e Eslovênia) e o H (Espanha, Suíça, Honduras e Chile) também são equilibrados. Azar, mesmo, deram os anfitriões (A, com México, Uruguai e França), que dificilmente estarão nas oitavas-de-final.

                  ______

                  Marcelo escreve: (pergunta enviada na semana passada. Os dois jogadores do São Paulo foram absolvidos e poderão enfrentar o Sport) Em 2006, nas oitavas-de-final da Copa do Mundo, no jogo entre Portugal e Holanda, o meia português Figo deu uma cabeçada no jogador holandês Van Bommel, e tomou o cartão amarelo do árbitro russo Valentin Ivanov. Na oportunidade, a FIFA declarou que não daria uma punição mais severa ao português. Só o faria se o árbitro não tivesse visto o lance, e conseqüentemente não punisse o meia. Independentemente de qual foi a punição imposta, a FIFA considerou soberana a decisão de Ivanov. Agora o STJD pensa em aplicar uma pena mais grave para os são paulinos André Dias e Hugo em razão da briga de ambos no jogo contra o Vitória, por considerar que a punição imposta pelo árbitro pode merecer um agravante. São dois casos semelhantes com atitudes distintas. Em sua opinião, quem estaria certo: a FIFA ou o STJD brasileiro? E não seria hora também de se criar uma espécie de jurisprudência no âmbito desportivo, de modo a acabar com as estranhíssimas punições que o STJD anda impondo?

                  Resposta: Num plano hipotético, como já deixei claro inúmeras vezes, sou favorável a outro tipo de arbitragem no futebol. Uma arbitragem que usa a tecnologia para tomar as decisões corretas, no momento em que elas precisam ser tomadas. Mas falar sobre isso é semelhante a conversar sobre viagens no tempo ou teletransportação. Na vida real, acho muito complicado interferir num jogo de futebol depois que ele acabou. A Fifa costuma punir, nas Copas, nos casos disciplinares que escaparam ao trio de arbitragem. O STJD costuma punir, por aqui, quando os campeonatos estão terminando. Como também já disse, creio que um tribunal de penas, em que as punições são pré-determinadas, seria muito melhor do que o teatro da (in)Justiça Desportiva.

                  ______

                  Roberto Carlos escreve: A impressão que tenho é que jogadores que possuem habilidades exageradas com a bola tipo “malabaristas” não conseguem uma carreira longa de alto nível, exemplos: Denílson, o Ronaldinho Gaúcho que “sumiu” e o Robinho que há tempos não vive uma boa fase. Repare que Pelé, Maradona, Zico, Zidane, e outros craques não faziam “firulas”, talvez a única exceção com uma carreira longa e vitoriosa foi o Garrincha. Por que será?

                  Resposta: Não relaciono o declínio de Ronaldinho ao fato de ele ser um jogador extremamente habilidoso. Isto dito, Pelé, Maradona, Zico e Zidane eram craques, e mais nada precisa ser acrescentado. A questão não é ser ou não ser um “malabarista” (entre os citados, Maradona era), e ser ou não ser apenas um “malabarista”.

                  ______

                  Helderson escreve: Vendo os jogos do Barcelona, fico pensando se o (Víctor) Valdés não é meio “injustiçado”, pois nunca é lembrado para a seleção e sempre se fala que o time catalão está contratando um grande goleiro. Mas quando precisa ele está lá, como na semi contra o Chelsea, nos jogos contra o Real Madrid. Você que o viu ao vivo, o que acha?

                  Resposta: Acho que ele é um goleiro que está à altura de um clube como o Barcelona, e que poderia tranquilamente ser convocado pela seleção espanhola.

                  ______

                  Novamente, perdão pelo sumiço nos últimos dias. E obrigado pelas mensagens. Até o sábado que vem.

                  (e-mails para a CP do blog: akfouri@lancenet.com.br, ou clique no link abaixo da foto)

                  “Nós precisamos de um avião maior.”

                  Jackson Curtis, em “2012″.

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                  • 21.nov.2009

                    CAIXA-POSTAL

                    por André Kfouri

                    Aos temas da semana:

                    Roberto Carlos escreve: Até que ponto a “mala branca” é proibida no futebol? Vamos supor que um empresário rico e fanático resolva oferecer um ótimo incentivo financeiro para uma determinada equipe vencer o seu jogo, beneficiando assim o seu time do coração, sendo que esse incentivo é divulgado abertamente pelos meios de comunicação. Neste caso o dinheiro sendo dele, ele pode fazer o que quiser com ele?

                    Resposta: Um clube que oferece um prêmio a outro, para ganhar de um terceiro, também pode fazer o que bem entender com seu dinheiro. A questão não é essa. A questão é que um incentivo financeiro de fora do clube, para estimular a obtenção de um resultado que beneficiaria outro, é uma mancha na competição. Quero deixar claro que isso é tese, opinião, é como eu penso. Na prática, as coisas são bem diferentes, como sabemos.

                    ______

                    Igor escreve: Tenho uma dúvida sobre o caso da lesão do jogador do Flamengo Maldonado. Li que o Flamengo vai entrar com uma ação na FIFA para que a Federação Chilena pague os salários do jogador enquanto se recupera. Existe precedente nesses casos semelhantes?

                    Resposta: Sim. Mas o Flamengo tentará, primeiro, um acordo com os chilenos. Se não conseguir, pretende levar o caso à Fifa. Na Copa de 2006, Michael Owen rompeu os ligamentos cruzados do joelho direito jogando pela Inglaterra, e desfalcou o Newcastle por um longo período. O clube foi indenizado pela Associação de Futebol da Inglaterra, que fez seguros para esse tipo de situação. Portanto, há precedente. Ocorre que o estatuto da Fifa diz que o seguro deve ser feito pelo clube, sem especificar se para despesas médicas ou outros gastos. Há base para discussão, também.

                    ______

                    Daniel escreve: Estamos nos aproximando, a meu ver, da fase mais chata do futebol brasileiro. Trata-se da fase em que jornalistas começam a “distribuir” jogadores por vários e vários clubes. A boataria corre solta. Claro que nem todos os jornalistas possuem essa conduta, mas uma boa maioria, na tentativa de dar uma notícia em primeira mão, ou simplesmente tentando aparecer, tornam o noticiário esportivo uma grande chatice. Outra coisa que me chama a atenção, é a importância que os jogadores dão a seus empresários. Tomando por exemplo, o caso do Elton, do Vasco, que deu uma entrevista logo após o Vasco tornar-se campeão, dizendo: “… Eu só tenho a agradecer ao Vasco, e a minha vontade é de ficar, mas vou deixar na mãos dos meus empresários que eles sabem melhor do que eu conduzir as coisas.” O que você acha sobre tudo isso?

                    Reposta: Sobre os boatos de contratações, é preciso cuidado com o que se escreve e com o que se lê. Claro que há exageros, informações sem fundamento. Mas há também falha de compreensão. Se a notícia é que um clube e um atleta estão negociando, isso não significa que esse atleta esteja contratado. Se a transação não vinga, a culpa não é de quem deu a notícia. Sobre jogadores e empresários, acho que cada um trata de sua carreira da forma que acha melhor. Os jogadores que encontraram agentes nos quais confiam, e preferem deixar as coisas nas mãos deles, têm esse direito. Há aqueles que preferem tomar as decisões por conta própria, mas são minoria. É assim no mundo inteiro, e não só no futebol.

                    ______

                    Raphael escreve: Na semana passada, foram lançadas várias camisas de seleções, já visando a Copa de 2010. Lembrei de uma combinação bizarra de uniforme que de vez em quando volta para assustar a torcida brasileira: a camisa amarela e o calção branco. Talvez fosse pertinente a utilização de uma camisa branca, por exemplo (a usada na comemoração do centenário da FIFA ficou belíssima) nesse tipo de situação. O que você acha que faz a CBF insistir nessa combinação, no mínimo estranha?

                    Resposta: A necessidade de diferenciação do uniforme do adversário, obviamente. Há competições em que essa diferenciação (de meias, calções e camisas) é exigida dos participantes. A Seleção Brasileira não tem uma terceira camisa, além da amarela e da azul, portanto não existe outra possibilidade. O uniforme usado na comemoração do centenário da Fifa (também achei muito bonito) foi um caso especial.

                    ______

                    Mais uma vez, muito obrigado pelas mensagens. A CP volta no sábado que vem.

                    (e-mails para a Caixa-Postal do blog: akfouri@lancenet.com.br, ou clique no link abaixo da foto)

                    “A raiva é mais útil do que o desespero.”

                    Terminator, em “O Exterminador do Futuro 3: A Rebelião das Máquinas”.

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                    • 14.nov.2009

                      CAIXA-POSTAL

                      por André Kfouri

                      Antes dos assuntos da semana, parabéns ao Vasco da Gama (2 x 1 no América: Lucio, Elton e Alex Teixeira – 50.237 pagantes no Maracanã), campeão brasileiro da Série B em 2009.

                      A jornada está completa. Que não se repita.

                      Aos temas:

                      Ramon escreve: Meus amigos de pelada de Domingo têm a seguinte dúvida: o zagueiro levanta a bola, propositalmente, e a recua para o goleiro com o joelho. Eis a questão: o lance é válido? O que o árbitro da partida deveria fazer?

                      Resposta: Infração. O jogador de linha não pode, deliberadamente, levantar a bola para recuá-la para o goleiro, de forma que ele possa tocá-la com as mãos. Falta em dois toques dentro da área.

                      ATUALIZAÇÃO, domingo 15/11/09, 13h56 – Do livro de regras:

                      Interpretação das Regras do Jogo e Diretrizes para Árbitros

                      • empregar um truque deliberado com a bola em jogo para passar a bola a seu goleiro com a cabeça, o peito, o joelho etc., a fim de burlar a Regra, independentemente de o goleiro tocar ou não a bola com suas mãos; a infração é cometida pelo jogador que tenta burlar tanto a letra quanto o espírito da Regra 12. O jogo será reiniciado com um tiro livre indireto.

                      Para quem faz questão do texto em inglês:

                      Interpretation of the laws of the game and guidelines for referees

                      Cautions for unsporting behaviour

                      • uses a deliberate trick while the ball is in play to pass the ball to his own goalkeeper with his head, chest, knee etc. in order to circumvent the Law, irrespective of whether the goalkeeper touches the ball with his hands or not. The offence is committed by the player in attempting to circumvent both the letter and the spirit of Law 12 and play is restarted with an indirect free kick.
                      ______

                      Roberto escreve: Se os médicos, treinadores e jogadores brasileiros reclamam tanto de jogar na altitude da Bolívia, porque ninguém fala nada sobre jogar no sol de 3 da tarde, 40 graus no Maracanã? Será medo de desagradar a dona do horário, a emissora oficial? Para quem vê o jogo é evidente que o jogador que faz uma jogada mais aguda ou dá um pique mais intenso passa alguns minutos “no migué” depois de fazê-lo. Se tivermos algum especialista no assunto lendo isso, será que podemos ter uma opinião profissional?

                      Resposta: Não há dúvida sobre os perigos de jogar futebol sob esse nível de calor. Mas se lembrarmos que a Copa de 94 foi realizada com jogos ao meio-dia, em nome da transmissão internacional de TV, teremos um exemplo claro da forma como se vê essa questão. Um argumento que é geralmente usado no debate calor x altitude é que “o calor é igual para os dois times”, enquanto que a altitude significa uma clara vantagem para o mandante. A reclamação não é apenas “jogar na altitude”, mas “jogar na altitude sem tempo de adaptação”. Claro que a o tempo necessário para que um time se adapte inviabilizaria competições como as Eliminatórias Sul-Americanas ou a Copa Libertadores. No caso desses dois torneios (sempre marcados pela discussão sobre a altitude), não há um exemplo de um time que sai de uma temperatura muito baixa para jogar no Maracanã sob 50 graus. Mas brasileiros, argentinos, paraguaios… precisam subir o morro para jogar na Bolívia e no Equador.
                      ______

                      Renato escreve: Primeiro deixa eu esclarecer que nunca fui fã do Ronaldo, pois não acompanho o futebol europeu e ele saiu do Brasil muito cedo. Fora isso, Ronaldo calou minha boca após todas as contusões graves que teve, sempre eu achava que “agora ele não será mais o mesmo”. De fato, nunca mais foi o mesmo, mas sempre superou as expectativas dos mais pessimistas em relação a ele, como eu, sempre jogando de forma diferenciada dos demais no cenário da elite do futebol mundial, a Europa. Hoje, acompanhando mais de perto, fico pensando como teria sido sua carreira caso as contusões NUNCA tivessem acontecido. Dá pra imaginar? Uma coisa é quase certa, Ronaldo NÃO estaria no Brasil. Mas até onde ele teria chegado?

                      Resposta: Não, não dá para imaginar. E ele provavelmente não estaria jogando aqui no Brasil, mesmo. As lesões graves que o Ronaldo sofreu não lhe custaram uma Copa do Mundo (não sabemos o que acontecerá em 2010), por exemplo, mas lhe roubaram muito tempo em sua carreira nos clubes. Onde ele teria chegado? Infelizmente nunca saberemos.
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                      Marcelo escreve: supondo que a arbitragem eletrônica exista nos moldes idealizados pelo blogueiro: num lance de extremo perigo, em que o atacante certamente marcaria um gol, o árbitro do campo decide parar o lance, pois segundo suas interpretações existiu uma falta do próprio atacante. Ao analisar o vídeo, o trio eletrônico interpreta que não existiu falta. Porém um lance interrompido antes da conclusão não tem volta. O que fazer? Quando a regra dá margem à interpretação o juiz do campo seria soberano?

                      Resposta: Na minha proposta de arbitragem eletrônica (te mando por e-mail se houver interesse), o trio que fica na cabine está lá para ajudar o árbitro. Ele pode revisar qualquer lance, se o árbitro pedir. Mas só pode interferir sem ser solicitado em três situações: jogadas de gol, faltas dentro da área e agressões que passaram despercebidas. Os técnicos podem desafiar as marcações da arbitragem duas vezes por tempo, chamando o trio eletrônico a entrar em ação. Então, usando seu exemplo, vamos supor que a jogada faltosa tenha acontecido dentro da área, ou desafiada pelo técnico do time que estava no ataque. O trio eletrônico revisa o lance e conclui que não houve falta, o árbitro errou. A única forma de “reparar o erro” é marcar falta a favor do ataque, no mesmo lugar. Sim, é uma compensação “parcial”, pois no lance original a chance de gol poderia ser muito maior. E sim, exigiria uma mudança na regra do jogo, pela inversão da marcação. Mas, mesmo assim, ainda é melhor do que a situação atual, em que o erro é cometido, o gol não sai, e ninguém faz nada.

                      ______

                      Uma vez mais, muito obrigado pelas mensagens. Até o próximo sábado.

                      (e-mails para a CP do blog: akfouri@lancenet.com.br, ou clique no link abaixo da foto)

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