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Arquivo da Categoria ‘basquete’

MAGNANO, O PROFESSOR

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Até que alguém confesse (o que obviamente não acontecerá), não se pode afirmar que a seleção espanhola de basquete perdeu de propósito para o Brasil ontem.

O que se pode fazer é afirmar que o último quarto do jogo foi estranho, do ponto de vista do nível de atuação dos vice-campeões olímpicos. Placar parcial de 31-16 para o Brasil no período, escandalosos 17-3 nos últimos 6 minutos.

Mais do que isso, a Espanha foi errática, apática, confusa e desatenta. Comportamento que não se notou em nenhum outro jogo deste torneio olímpico. Durante o quarto final, não se percebeu no jogo espanhol o sentido de urgência que é evidente quando uma equipe quer vencer.

Ao contrário, o Brasil jogou com a seriedade que se espera de todos os times. Ainda mais de uma seleção que ficou tanto tempo sem disputar os Jogos Olímpicos.

Ruben Magnano tinha um bônus para ordenar uma atuação cafajeste, pensando na derrota: o Brasil evitaria os Estados Unidos antes de uma possível final, e ele evitaria um encontro com seu país nas quartas de final.

Magnano mandou jogar e vencer, mais um exemplo das virtudes do treinador que orquestrou o renascimento da seleção brasileira masculina.

O basquete brasileiro recuperou sua auto-estima no Pré-Olímpico de Mar Del Plata, sua importância na estreia em Londres, e sua dignidade ao vencer a Espanha (antes que apareça algum troll dizendo “mas quando o Brasil entregou no vôlei você não criticou…, a crítica está aqui). Magano merece o crédito.

A Espanha optou por um caminho perigoso.

O grande risco de permitir que se suspeite de uma entrega é ver o tiro acertar o pé.

Imagine o estímulo que a seleção francesa ganhou nas últimas horas, ao ficar com a sensação de que foi o adversário “escolhido” pelos espanhóis.

E se a Espanha não passar pelas quartas, que imagem ficará de sua participação em Londres?

A classificação do Brasil em segundo lugar no grupo marcou um encontro com a Argentina. Jogo entre times de nível semelhante (os argentinos ganham em experiência, diga-se), repleto de rivalidade. Confronto equilibrado, ganhável.

A seleção brasileira, se fizer o jogo que tem de ser feito, pode vencer qualquer adversário nestes Jogos. Até os Estados Unidos.

Lembremos que os americanos mostraram alguma vulnerabilidade no jogo contra a Lituânia, vencido nos últimos minutos por uma extraordinária explosão ofensiva de LeBron James.

Mas os problemas apareceram tanto na defesa quanto no ataque. As bolas de 3 pontos (que caíram com impressionante facilidade na vitória sobre a Argentina) teimaram em errar o alvo, o que aumentou a dificuldade de jogar contra a defesa por zona dos lituanos. E os EUA não conseguiram defender sua cesta, principalmente quando o faltoso Tyson Chandler teve de ficar no banco. A Lituânia pegou mais rebotes.

O Brasil, com seus 3 jogadores altos da NBA, é uma das equipes que podem equilibrar um jogo eliminatório contra os Estados Unidos.

Mas antes é preciso vencer a Argentina. Se conseguir, um lugar entre os quatro melhores estará garantido. Resultado que seria estupendo, mesmo que não produza uma medalha.

Ser quarto lugar, com honra, é muito melhor do que ser vice-campeão com vergonha.

NBA: NÚMEROS SUGEREM ACORDO

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Esqueça as ameaças, as bravatas, as declarações fabricadas.

Assim como na NFL, o que pega no impasse trabalhista na NBA é a divisão dos lucros gerados pela Liga.

Assim como na NFL, o que acelerará o processo é a possibilidade de diminuição do bolo.

O dinheiro é a fonte do problema e o motivo da solução.

Após cerca de quatro horas de reunião ontem em Nova Iorque, as declarações de ambos os lados sugeriram um cenário irremediável.

David Stern, o poderoso da Liga, ameaçou cancelar as primeiras duas semanas da temporada, se um acordo não for fechado até segunda-feira.

Billy Hunter, diretor da Associação dos Jogadores, disse que não havia conversas marcadas para as próximas semanas.

Tudo postura.

Aprendemos durante o locaute da NFL que as chamadas “aspas oficiais” são sempre calculadas, produzidas para provocar um determinado efeito (seja no outro lado da mesa, seja na opinião pública).

Na hora em que a coisa aperta, e o prejuízo financeiro se aproxima, a conversa muda de tom.

O que resolve impasses dessa natureza é o deadline, o prazo.

É quando os “adversários” se perguntam: o que conseguimos até aqui? O que perderemos se continuarmos assim?

E voltam para a mesa.

Descartadas as posturas e o aparente pessimismo, voltemos ao que interessa: divisão de lucros.

Antes da reunião de ontem, os jogadores queriam 54% do bolo. Os donos ofereciam 46%. Os dois lados estavam pouco dispostos a ceder pontos percentuais.

Ao final da sessão (pouco antes dos vaticínios apocalípticos), os atletas haviam baixado a pedida para 53%. Os donos, mais generosos, falaram em 50%.

Nunca fui forte em matemática, mas meu nível básico me permite concluir que a divergência caiu para menos da metade. De 8 pontos para três.

Suponhamos que David Stern esteja falando sério. Se não houver acordo até segunda-feira, as duas primeiras semanas da temporada serão apagadas do calendário. Prejuízo milionário.

Donos e atletas teriam, portanto, mais ou menos cinco dias para conversar sobre 3%.

Três. Pontos. Percentuais.

Na boa. Se não se resolverem, é porque a temporada 2011-12 da NBA não faz parte dos planos.

REDENÇÃO E HISTERIA

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Até sábado passado, quem gosta de basquete e nasceu na década de 70 tinha apenas uma lembrança emocionante da seleção masculina: a vitória sobre os Estados Unidos na final do Pan de Indianapolis, em 1987.

Um dos grandes momentos esportivos da vida de muita gente.

No último sábado, em Mar del Plata, aconteceu algo que se assemelha em importância e comoção àquele domingo nos Estados Unidos.

A seleção brasileira ganhou, com todos os méritos possíveis, o direito de disputar os Jogos Olímpicos. A última vez foi em 1996.

A vitória sobre a República Dominicana se juntou ao triunfo contra a Argentina, três dias antes, como os principais episódios do que se pode chamar de resgate de uma seleção que passou 15 anos fora das Olimpíadas.

Uma seleção cuja história é honrosa demais para tamanha humilhação.

A conquista da vaga, creio, faz parte da lista de alegrias até de quem viu os títulos mundiais e medalhas olímpicas conquistados pelo Brasil.

Todas as pessoas envolvidas na preparação e na campanha do time comandado pelo técnico argentino Rubén Magnano merecem os parabéns pelo feito.

Magnano, lógico, foi o arquiteto e o líder dessa redenção. Algo que tem muito significado, sim, mas que apenas aumentou a lista de façanhas do treinador que levou a seleção argentina a ser o que é.

Os elogios também devem ser endereçados a todos os jogadores que estiveram em Mar del Plata. Mesmo que, como sempre é o caso, alguns tenham sido mais importantes.

Já falei sobre minha satisfação ao ver Marcelinho Huertas liderar o time dentro da quadra, com confiança e competência marcantes. Digo o mesmo sobre Guilherme Giovannoni, que acompanho desde as seleções de base.

Tiago Splitter, Rafael, Marquinhos… devem estar todos orgulhosos pelos dias históricos que nos proporcionaram.

Muito especial, também, ver Marcelinho Machado sair da quadra com a vaga olímpica conquistada, após uma ótima atuação individual.

Marcelinho tem 36 anos, é o jogador mais velho do time. Durante muito tempo, foi uma das referências de seleções que não tinham a organização coletiva que é a principal característica do time atual.

Marcelinho era o jogador mais talentoso, o que muitas vezes teve de tentar decidir sozinho. Era muito fácil cobrá-lo por falhar individualmente, e ignorar que as falhas coletivas eram muito mais graves.

Mérito dele aceitar um papel menos protagonista e oferecer suas habilidades a um time sólido. Vinte pontos no jogo da vaga, troféu pessoal.

Marcelinho Machado merece pisar numa quadra olímpica com a camisa da seleção brasileira.

O que nos leva à discussão do momento, sobre o merecimento – ou falta – de quem não foi jogar o pré-olímpico de Mar del Plata.

Importante dizer que é interessante ver o basquete envolvido nas conversas, depois de tanto tempo praticamente esquecido.

Mas o tom acalorado que tenta transformar a convocação do time num conflito entre heróis e vilões, bravos e covardes, mocinhos e bandidos é triste.

Triste e prejudicial.

A última coisa de que essa questão precisa é de histeria patriótica.

Por isso é preocupante que o presidente da Confederação Brasileira de Basquete, Carlos Nunes, tenha dito que acha que “só tem vaga para Anderson Varejão”.

Nunes frisou que deu tal declaração “como basqueteiro”, como se fosse razoável.

Ocorre que ele não é “um basqueteiro”. É presidente da CBB. Pode dizer o que bem entender sobre qualquer assunto, menos aqueles que exigem sua atuação como dirigente.

Além disso, a decisão sobre convocar – ou não – Nenê e Leandrinho não é dele (mais sobre isso adiante).

É muito fácil vilanizar os jogadores que tomaram as decisões profissionais de não atuar pela seleção brasileira.

É oportunista se utilizar de “questões patrióticas” para transformá-los em párias.

Veja, não defendo a decisão de não jogar. Defendo o direito de não jogar.

É evidente que tal posição deve ser explicada de forma honesta, transparente. Não podem restar dúvidas sobre os motivos. Jogadores e CBB devem evitar interpretações erradas.

Infelizmente, não é o que acontece.

No esporte profissional, a iniciativa de atender a uma convocação leva muitos aspectos em conta. Um deles, certamente um dos principais, é a valorização da carreira.

E em termos de valorização de carreira, a NBA é o estágio mais alto. É natural (o que não significa ser correto) que um jogador que ganha milhões de dólares na principal liga de basquete do mundo veja sua seleção nacional de uma outra maneira.

Esforço-me para ser claro: deveria ser assim? Provavelmente não. Mas certamente é. 

Se você me acompanhou até aqui (obrigado), talvez queira perguntar: mas e o Dirk Novitzki, que sempre jogou pela Alemanha? E o Steve Nash, que sempre jogou pelo Canadá? E o Manu Ginóbili, que sempre jogou pela Argentina? E há muitos outros exemplos.

Pois bem.

Na hora de servir a seleção, alguns aspectos envolvem a relação entre jogadores e a confederação. Envolvem o trabalho que é – ou não é – feito para que o esporte se desenvolva no país e, no processo, desenvolva também a ligação de atletas com a seleção.

Tomemos o exemplo da Argentina. A seleção que o Brasil derrotou em Mar del Plata não atingiu o nível de excelência na última década por acaso. O caminho começou muito antes, com a formação de uma liga de clubes e o embrião de um projeto que tinha como objetivo final a construção de uma seleção forte.

Jogadores talentosos e promissores foram estimulados, ainda jovens, a deixar o país rumo a centros que oferecessem mais competitividade. Muitos foram jogar em equipes da segunda divisão das ligas da Espanha e da Itália. Ganharam experiência internacional como bônus, sempre com o compromisso de conviver com o grupo do qual faziam parte desde as categorias de base da seleção.

A geração que foi vice-campeã mundial em 2002 e campeã olímpica em 2004 foi formada assim, por gente como Rubén Magnano.

Quando vemos a Argentina jogar (ou festejar uma conquista como no domingo passado, em casa, contra o Brasil), percebemos o quanto esses jogadores gostam de estar ali. O quanto consideram importante estar ali.

É mais ou menos a crítica que se faz ao ar blasé da Seleção Brasileira de futebol, usando como exemplo o comprometimento que se vê nos jogadores uruguaios.

Nos dois casos, o que há por trás “do sentimento”, “da paixão”, “da responsabilidade” (enfim, de tudo que se cobra de quem não foi ao pré-olímpico), é estrutura, organização, seriedade e trabalho competente por parte dos dirigentes que comandam as associações.

Nada disso se vê no basquete brasileiro. Nada.

Seria muito saudável se as pessoas que hoje acusam jogadores de ser “desertores” cobrassem a CBB - com o mesmo tom apaixonado e “patriota” -  por tudo que ela tem obrigação de fazer e não faz.

Mas é mais conveniente, e mais populista,  perseguir os “fujões”.

Agora, de volta ao cerne da questão: levar ou não levar os caras para Londres?

Um ponto é claro. A decisão pertence ao técnico. Se a CBB contratou alguém como Rubén Magnano para dirigir a seleção, acredito que tenha sido para deixá-lo trabalhar.

Assim como acredito que ele, com tanta experiência, saberá o que fazer.

Arrisco-me a uma opinião (já dada na última Caixa-Postal). Talvez o melhor caminho seja uma decisão coletiva, obviamente com a participação do técnico.

Magnano pode reunir seu grupo, ou os líderes, e deixar clara sua opinião sobre o que fazer. Um técnico deve se posicionar, não pode apenas transferir essa responsabilidade.

Depois de dizer o que pensa, ele poderia colocar a questão ao grupo, como numa votação.

É lógico que os jogadores da seleção sabem por que Leandrinho e Nenê não foram à Argentina. Também é lógico que o grupo tem sensações bem definidas em relação aos dois. Acredito que essas sensações são diferentes num caso e no outro.

Dividindo a decisão com o grupo, Mangano lograria alguns objetivos: daria voz a quem foi “roer o osso”, manteria sua posição de comandante e conduziria a um consenso que é crucial.

Se a resposta for positiva (a um ou a ambos), seria uma garantia de manutenção do ambiente.

Se for negativa, se firmaria um compromisso entre técnico e jogadores para ir aos Jogos e encarar todas as dificuldades.

De qualquer forma, se Magnano decidir sozinho ou em grupo, o que vai pesar é mesmo o ambiente.

Nenê e Leandrinho podem significar a diferença entre apenas participar da Olimpíada de Londres ou disputá-la.

A questão deve ser tratada com frieza, sem paixão. Seja qual for a conclusão, o que deve prevalecer é o basquete do Brasil.

Olimpíada não é guerra. Seleção não é exército.

NOTINHAS PÓS-RODADA (e o 7/9 em Mar del Plata)

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Vigésima-segunda do BR-11 (com atuações de gala do apito…):

* De acordo com o próprio Rogério Ceni, a festa de seu milésimo jogo só seria feliz com uma vitória (2 x 1 no Atlético Mineiro: Lucas, Réver e Dagoberto – 60.514 pagantes no Morumbi) em casa.

* O que penso sobre Rogér1000 está no Lance! de hoje. Estará aqui amanhã.

* Nenhum time está jogando com o embalo do Botafogo (4 x 0 no Ceará: Herrera-2, Abreu e Cidinho – 36.995 pagantes no Engenhão), vencedor de 4 jogos seguidos, 6 dos últimos 7.

* Elkeson faz um ótimo campeonato. Ótimo.

* Eram quatro rodadas sem vitória do Internacional (4 x 2 no América-MG: Rodrigo Moledo, Leandro damião, D’Alessandro, André Dias, Oscar e Kempes – 24.681 pagantes no Beira-Rio). Surpresa: Leandro Damião marcou…

* O quarto foi um golaço de Oscar.

* A virada do Santos (2 x 1 no Avaí: William, Borges e Felipe Anderson – 5.920 pagantes) na Ressacada foi o quarto jogo sem derrota do campeão da América.

* O pênalti marcado por Gutemberg de Paula Fonseca foi uma obra tragicômica. Edu Dracena toca involuntariamente na perna direita de Lincoln, que – dez minutos depois – cava a falta deixando a outra perna para trás. Ridículo.

* Pênalti cavado também por Fred, na terceira vitória seguida do Fluminense (2 x 1 no Cruzeiro: Fred, Marquinho e Montillo – público ND no Parque do Sabiá).

* O campeão brasileiro (sexto colocado) é o líder do returno.

* Empate entre Atlético Paranaense e Palmeiras (2 x 2: Henrique, Guerrón, Fernandão e Marcinho – 12.219 pagantes na Arena da Baixada) que não melhorou a vida de ninguém.

* Na polêmica do jogo, Cléber Santana deu um carrinho perigoso e por trás, correndo o risco de levar o amarelo. Levou. Depois, aplaudiu o árbitro, correndo o risco de levar o vermelho. Levou.

* Os gols de Atlético Goianiense e Figueirense (1 x 1: Wellington Nem e Agenor – 2.514 pagantes no Serra Dourada) saíram nos primeiros 14 minutos do jogo.

* O restante da partida mostrou que o bom início foi um engano.

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Fazia 16 anos que o Brasil não vencia a Argentina em torneios pré-olímpicos ou mundiais de basquete.

Saborosa coincidência que a vitória (73-71) de ontem, em Mar del Plata, tenha acontecido no Dia da Independência?

Ótima partida da seleção brasileira na defesa, contendo o excepcional Luis Scola. Ele marcou 24 pontos, mas chutou 10/21.

Ótima partida de Rafael, que ontem passou a ser conhecido por muita gente no Brasil.

Rafael ficou muito mais tempo em quadra do que seria o normal, já que o titular é Tiago Splitter.

Ocorre que Tiago é um pupilo de Scola. Os dois jogaram juntos na Espanha, período em que o argentino “adotou” o brasileiro e observou de perto seu desenvolvimento como jogador.

É absolutamente normal que Splitter tenha dificuldades quando é marcado por Scola.

Rafael foi o fator novo, inesperado, surpreendente, como confirmou o técnico argentino em entrevista depois do jogo.

E ótima partida, também, de Marcelinho Huertas. Comandou o time com tranquilidade e foi para a jogada individual (com 1’13”), ao perceber que Marcelinho Machado não conseguia se desmarcar.

A bandeja com a mão direita foi decisiva.

Vi Marcelinho começar sua carreira profissional no Clube Atlético Paulistano, no início dos anos 2000. Ele é um sopro de talento, seriedade e confiança numa posição em que o basquete brasileiro é muito carente.

Conquistou seu espaço na Europa (acaba de se transferir para o Barcelona) com mérito. Conquistou a confiança de Ruben Magnano no último Campeonato Mundial.

E ajudou o Brasil a conquistar uma vitória muito importante, mas que não vale o que a seleção foi buscar em Mar del Plata.

O que vale é sábado, na semifinal.

O jogo de hoje contra Porto Rico é treino. O que não pode acontecer é a seleção anfitriã perder para a República Dominicana, o que produziria, talvez, um novo encontro entre Brasil e Argentina.

Seria muito mais difícil derrotar os argentinos num jogo que significaria Londres x ostracismo olímpico.

Que o resultado de ontem fortaleça a seleção. Que o Brasil deixe de ser o time que vence os jogos que não precisa vencer e perde os que não pode perder.

Que o trabalho de Ruben Magnano leve a seleção masculina aos Jogos Olímpicos.

NASH E O FUTEBOL

quarta-feira, 23 de março de 2011

Se Steve Nash não for a estrela mais simpática que já entrevistei, merece estar na conversa.

Acho que já contei, no blog que tive no IG, uma história que aconteceu durante a Copa América de basquete de 2001, em Neuquén (ARG).

Mas aí vai:

Todos os times estavam hospedados no mesmo hotel, o único da cidade que oferecia condições. Marcamos uma entrevista com Nash, que liderava a seleção canadense na tentativa de uma vaga ao Mundial de Indianapolis.

Na saída de um treino, Nash disse que estaria no lobby depois do almoço. E lá ele estava. Câmera, luz e microfones prontos para a gravação, a dinâmica natural da conversa entre um repórter e um jogador de basquete se inverteu.

Steve Nash tinha várias perguntas. Todas, sobre o mesmo assunto: futebol.

Só queria falar de Ronaldo, Rivaldo, da Seleção e do futebol brasileiro.

Num determinado momento, me preocupei com a entrevista (a minha, com ele) e perguntei se Nash tinha pouco tempo para ficar ali. Ele disse que não tinha problema nenhum.

Gravamos a entrevista e depois continuamos a falar de futebol, quando ele contou sobre sua paixão pelo Tottenham (herança do pai, inglês) e sobre a carreira semiprofissional de seu irmão, Martin, que jogou na seleção do Canadá.

“Basquete é minha profissão. Meu esporte é o futebol”, disse ele.

Ele está diretamente envolvido com o futebol hoje, como dono de clube.

Nash é um dos proprietários do Vancouver Whitecaps, que estreou na Major League Soccer no último fim de semana.

Aqui está ele, uniformizado e no meio da torcida, agitando antes do jogo contra o Toronto FC,  sábado passado.

Entre os outros donos do time, estão os empresários Steve Luczo (acionista do Bostos Celtics, da NBA) e Jeff Mallet (acionista do San Francisco Giants, da MLB).

Paul Barber, que trabalhou no Tottenham, é o principal executivo do clube.

Diferentemente dos outros times de futebol dos Estados Unidos e do Canadá, o Vancouver Whitecaps é administrado seguindo o modelo dos clubes europeus.

O plano, ousado, é ser um dos 25 principais times do mundo em 5 anos.

QUASE DEU

terça-feira, 31 de agosto de 2010

A derrota do Brasil para os Estados Unidos (70 a 68), ontem no Mundial de Basquete da Turquia, é desses jogos que significam bem mais do que o resultado.

Se os americanos, que levaram seu time B a Istambul, saíram da quadra dizendo que “é na adversidade que se conhece um grupo”, os brasileiros podem afirmar que tiveram uma atuação reveladora.

Mais do que perder de pouco, o Brasil poderia ter vencido, o Brasil quase venceu. E não porque o adversário não encarou o jogo com a devida seriedade, ou teve um desempenho ridículo.

Esse time americano, que tem todas as condições de ser campeão mundial, tem mostrado uma força defensiva que o assistente técnico Jim Boeheim classifica como “comparável ao time (que venceu a Olimpíada) de Pequim”.

O Brasil mostrou um plano tático muito bem armado pelo excelente técnico que tem, e bem executado pelos jogadores. Não vimos o desespero diante de uma defesa forte, os chutes apressados. Vimos um time que cadenciou o ritmo do jogo com inteligência.

No final, não deu. Paciência. O Mundial segue.

Os próximos jogos mostrarão se o “espírito de franco-atirador” desempenhou um papel importante no aspecto psicológico da seleção brasileira.

Tomara que não. E que esse time que temos hoje possa encarar qualquer adversário.

O GOL PERDIDO MAIS FEITO DA HISTÓRIA (e outro link incrível)

terça-feira, 4 de maio de 2010

Eu sei que esse título já foi usado no passado. Sei que será usado no futuro.

Mas é que não dá para descrever este lance com outras palavras.

Aconteceu no sábado passado, no jogo entre Los Angeles Galaxy e Kansas City Wizards, pela Major League Soccer.

O nome da fera é Kei Kamara, atacante leonês dos Wizards.

Espere até os últimos replays e veja a reação do camisa 16, companheiro de Kamara.

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Como “brinde”, aí vai mais um link.

Creio que você tenha visto ou ouvido falar do inacreditável final do jogo entre Partizan Belgrado e Cibona Zagreb, no último dia 26, pela decisão da NLB (liga de basquete que reúne times da ex-Iugoslávia).

Uma bola de 3 pontos, faltando 0,6s, deu a 16 mil torcedores na Zagreb Arena a certeza da vitória do Cibona.

O time também ficou tão eufórico que esqueceu que ainda faltavam seis décimos de segundo.

Aqui, visto das cadeiras, o momento em que um arremesso impossível tirou o ar do ginásio.

Atenção no cara de camisa branca, no centro da imagem.

A HORA DO SHOW

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Dependendo da sua idade, talvez você se lembre do dia em que Magic Johnson divulgou, em entrevista coletiva, que era portador do vírus HIV.

Foi em 1991, e eu me lembro como se fosse ontem.

À época, Johnson declarou que sua contaminação foi resultado de anos e anos de sexo desprotegido na década de 80, estilo de vida de um astro da NBA que afirmou ter “entre 300 e 500 parceiras por ano”.

Um livro recém-lançado nos Estados Unidos “ilumina” o ambiente que reinava, literalmente, no vestiário do fantástico time do Los Angeles Lakers, no período que ficou conhecido como “Showtime” (5 títulos nos anos 80).

“Jerry West: The Life and Legend of a Basketball Icon”, é mais uma biografia de um dos maiores jogadores da história da NBA, que também foi técnico e gerente geral dos Lakers. É de West, para quem não sabe, a silhueta que aparece no logotipo oficial da Liga.

No livro, o autor Roland Lazenby escreve:

“Havia uma sauna no vestiário, em que a estrela (Johnson) e outros jogadores entretinham mulheres, até mesmo após os jogos. Johnson ia para a sauna, transava, vestia um roupão e voltava para dar sua entrevista pós-jogo.”

Lazenby perguntou a West, que era executivo dos Lakers nos anos dourados, como o clube permitia um “comportamento tão questionável”. West não negou os excessos:

“Eu me importava. Eu fazia muita coisa por aqueles caras. Algumas coisas que fiz foram ridículas. Se as pessoas soubessem, ficariam indignadas. Foi um período maluco para nós.”

E você pensava que “tratamento diferenciado” era só uma dispensa do treino da manhã…

NA PRÓXIMA VEZ…

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

… em que você pensar em dizer que algo inesperado “quebrou minhas pernas”, lembre-se que muita gente não achará engraçado.

Como o cara aí embaixo.

Aconteceu ontem à noite, no jogo entre Texas A&M e Washington, no basquete universitário americano.

O armador Derrick Roland tentou uma bandeja e, ao tocar o chão…

Há um vídeo no YT mas, acredite, você prefere não ver. E não ouvir o barulho.

AOS BASQUETEIROS AÍ FORA

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Está chegando às estantes, nos Estados Unidos, um livro que promete.

“When The Game Was Ours” (tradução literal: “Quando o Jogo era Nosso”), escrito pela jornalista Jackie MacMullan, com as lendas Magic Johnson e Larry Bird.

O livro já seria obrigatório, por causa dos autores. E mesmo antes do lançamento, já está no noticiário.

Em suas páginas, Magic Johnson assume que participou do boicote a Isiah Thomas na formação do “Dream Team”, que faturou a Olimpíada de Barcelona’92.

“Isiah matou as próprias chances na Olimpíada”, diz Johnson no livro. “Ninguém naquele time queria jogar com ele… ele se indispôs com tanta gente em sua vida, e ainda não percebeu. Ele não compreende por que não foi convocado para a Olimpíada e isso é triste. Você deveria perceber quando incomoda mais da metade de NBA.”

Magic Johnson ainda afirma que Thomas questionou sua sexualidade, em 1991, quando ele revelou ter sido diagnosticado com o vírus HIV.

“Ele era como meu irmão. É a maior decepção pessoal da minha vida”, afirma.

A histórica rivalidade entre o Detroit Pistons e o Chicago Bulls, no final da década de 80, sempre foi vista como a origem da porta fechada para Isiah Thomas no “Time dos Sonhos” original.

Michael Jordan e Thomas nunca se deram bem. Mas o astro dos Bulls já negou repetidas vezes que bloqueou a entrada de Isiah na equipe, na base do “ou ele ou eu”.

“When The Game Was Ours” (que ótimo título, não?) é um indício da “inocência” de Jordan no episódio.

E apresenta uma versão surpreendente, principalmente para Isiah Thomas.

“Estou decepcionado e magoado”, disse Thomas. “Nunca imaginei que foi ele quem me tirou do time”.