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Arquivo de julho de 2012

NOTINHAS PÓS-RODADA

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Repassando a décima-terceira:

* Diego Forlán estreou pelo Internacional (0 x 0 com o Vasco, no Beira-Rio). Alegou falta de ritmo, mas não foi mal.

* O Vasco sentiu falta da inteligência de Juninho, suspenso.

* É, o Coritiba (2 x 1 no Grêmio, no Couto Pereira: Ayrton, André Lima e Leonardo) voltou. Segunda vitória seguida.

* Interrompida a série de quatro vitórias do Grêmio.

* Primeira vitória de Clarence Seedorf pelo Botafogo (1 x 0 no Figueirense, no Engenhão: Andrezinho), que passou quatro rodadas sem vencer.

* 3.401 pagantes. Sem mais.

* O esperado jogo entre Fluminense e Atlético Mineiro terminou em 0 x 0 (no Engenhão) porque um gol de Fred foi anulado equivocadamente.

* O Atlético, prejudicado pela arbitragem em casa no meio da semana, se deu bem no domingo. A banca paga e recebe.

* Pouco a dizer sobre o 0 x 0 (na Ilha do Retiro) entre Sport e Atlético Goianiense. Quatro rodadas de seca para o Sport.

* Pouco a dizer sobre o 0 x 0 (Pituaçu) entre Bahia e Corinthians. Cinco rodadas sem derrota para o atual campeão.

* Rogério Ceni voltou, Luis Fabiano marcou e o São Paulo goleou (4 x 1, no Morumbi: Maicon, Luis Fabiano-2, Ramon e Jadson) o Flamengo.

* É difícil encontrar um Flamengo pior do que este, nos últimos anos.

* A torcida do Santos, carente de atacantes, deve adorar ver Borges marcar gols pelo Cruzeiro (2 x 1 no Palmeiras, no Independência: Borges-2 e Barcos).

* O árbitro Fabrício Neves estava mal colocado no lance do “pênalti” para o Cruzeiro. Só isso explica o fato de ele não ter visto que os dois pés de Montillo estão fora da área no momento do contato.

* A Portuguesa (3 x 1 no Náutico, no Canindé: Kieza, Ananias, Moisés e Diego Viana) saiu do U4.

* Os dois times têm os mesmos 13 pontos. O Náutico venceu uma a mais.

* Victor Andrade, atacante de 16 anos, ajudou o Santos a vencer (2 x 1 na Ponte Preta, na Vila Belmiro: Bruno Peres, Roger e Miralles) em casa.

* O garoto deu um lindo passe para Bruno Peres, no lance do primeiro gol santista.

COLUNA DOMINICAL

domingo, 29 de julho de 2012

(publicada ontem, no Lance!)

GLUTÕES

Um terço do Campeonato Brasileiro já está nos livros, e há casos graves de sobrepeso na chamada zona da Libertadores. Índices que deixariam qualquer endocrinologista com os cabelos em pé, considerando seriamente a internação de quatro pacientes: Atlético Mineiro, Vasco, Fluminense e Grêmio.

Os quatro primeiros colocados na tabela estão em descarado regime de engorda. A voracidade faria aquele sujeito que viveu só de comida rápida por um mês comer ainda mais, por depressão causada pela inveja. Ou aquele amigo seu que termina as refeições com a camisa molhada de suor parecer um esotérico que se alimenta de energia. É muita gordura.

Todos eles navegam bem acima da curva de índice de massa corporal. Líder e vice, os mais gulosos, já entraram no território da obesidade. Até mesmo o Grêmio, o “pior” dos quatro, pisa na balança e assusta a todos com seus 67% de aproveitamento até o momento. Cinco pontos percentuais acima do desempenho final dos campeões brasileiros de 2011 e 2010. Atenção: estamos falando do quarto colocado do atual campeonato.

O Fluminense, um pouquinho mais pesado, crava 69% de pontos conquistados. A marca o mantém em terceiro lugar, mas é terrivelmente injusta em comparação com o histórico do campeonato desde 2006, primeiro ano em que o formato com 20 clubes foi adotado. Prepare-se para o peso da informação: o melhor campeão brasileiro de lá para cá foi o São Paulo, no primeiro ano do tri, com aproveitamento geral de 68,4%.

O Vasco já é aquele troglodita capaz de levar rodízios de pizza à falência (conheço alguém que deglutiu 36 pedaços, na fase pré-cirurgia de estômago), o cara que se senta à mesa e faz a cadeira desaparecer. Tem consumido uma quantidade de calorias muito superior ao que se considera alarmante. Um exercício: ao programar o campeonato, técnicos de bons times entendem como ideal ganhar 62% dos pontos disponíveis em cada jogo. Obviamente, não é possível fazê-lo em uma só rodada, mas em duas. Com quatro pontos a cada dois jogos, o percentual é atingido com alguma sobra. O Vasco tem feito mais, ao abocanhar quase cinco pontos a cada seis que disputa, 81% do cardápio. Insano.

E mesmo assim, o Atlético Mineiro é o comensal que exige mais dos garçons. O que entra na churrascaria distribuindo relaxante muscular para os cortadores de picanha. O time de Cuca inverteu a lógica dos exames. Nele, só é possível medir a taxa de sangue no colesterol. Com desempenho de 86%, o Atlético só não ganhou cinco pontos (uma derrota e um empate) até agora. E se não parece possível manter esse ritmo, eis o que deve aterrorizar a concorrência: se o líder somar apenas metade dos pontos que faltam, terminará o campeonato com 70. Nos últimos dois anos, Corinthians e Fluminense foram campeões com 71.

Sim, o resultado final não depende só do desempenho de um único time. E sim, ainda estamos degustando os aperitivos do grande banquete que se estenderá até dezembro. Mas os canapés já acabaram. Os donos da festa temem pelo pior.

CAMISA 12

sexta-feira, 27 de julho de 2012

(publicada ontem, no Lance!)

CONTA DO CHÁ

A um dia da estreia, Mano Menezes recebeu um olímpico voto de confiança de seu chefe. Ocupado com as funções de agente de viagens de dirigentes de federações, José Maria Marin não poderia ter sido mais estimulante em sua declaração oficial de boa sorte ao técnico: “Não posso ficar trabalhando com ‘se’. Não dá para dizer nada agora, porque não vou trabalhar sobre hipóteses. Não dá nem para dizer que vou estar vivo no final das Olimpíadas”, disse ontem o presidente da CBF, questionado a respeito da permanência de Mano na Seleção Brasileira.

Só há duas traduções possíveis para a pérola de Marin. A primeira é a que a Seleção joga pelo emprego de seu técnico nas Olimpíadas. A segunda é que o cartola realmente não sabe o que acontecerá com MM se o desempenho em Londres não for satisfatório. A dúvida não deveria estar no ar, porque Marin não deveria ter dito o que disse. Seu trabalho é garantir que a Seleção Brasileira terá tudo o que precisa para ser bem sucedida, e isso inclui a tranquilidade por não trabalhar sob nuvens carregadas (mesmo numa região do mundo onde elas são eternas).

O presidente da CBF parece mais preocupado com o bem estar da excursão que levou aos Jogos Olímpicos. São onze presidentes de federações, com acompanhantes, claro. Todos hospedados no mesmo hotel da Seleção em St. Albans, por conta da Confederação. Marin ressaltou que convidou todos os presidentes, não só os que nele votaram, como se isso fosse sinal de magnanimidade e não do mesmo tipo de fisiologismo que se pratica nas gestões do futebol. A CBF acarinha as federações, que acarinham os dirigentes de clubes, que acarinham seus diretores, que acarinham seus parceiros, e assim vamos indo enquanto há poder a ser mantido, por menor que seja o feudo. Mas Marin não vê nada de anormal, pois afinal os convidados para o giro pelo Reino Unido são pessoas ligadas ao futebol. “Estranho seria se trouxesse alguém do balé”, disse ele, em notável exercício de coerência.

Enquanto rifa o treinador na véspera do primeiro jogo, Marin externa sua satisfação com o que vê. “Agora temos um time, uma escalação”, declarou. A questão é saber se ele se refere à Seleção Brasileira ou às posições dos onze cartolas, para a pelada após o chá das cinco.

CEGOS

É ridículo que Danilo não tenha esteja na seleção da Copa Libertadores. Ele provavelmente não liga para essas coisas, mas o fato de a eleição ter ignorado suas atuações revela desleixo, falta de atenção. Danilo foi o autor do 1 x 0 em partidas difíceis, do 1 x 1 que interessava contra o Santos, do passe para o primeiro gol na final. Discretamente decisivo, talvez fosse escolhido se pintasse o cabelo. Como se isso tivesse importância.

VISIONÁRIOS

Os problemas do Flamengo, clube em que jogadores se machucam ao pisar em buracos no campo de treinamento, estão muito longe do alcance de qualquer treinador. O caos diretivo é poderoso. A novidade, veja só, é que o comando do clube encomendou “estudos” para uma futura reformulação da gestão. Mas tais estudos só serão submetidos à apreciação da presidenta Patrícia Amorim quando ela retornar de Londres. É só esperar.

NOTINHAS PÓS-RODADA

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Abrindo a décima-segunda…

* O goleiro Magrão foi o maior responsável pelo empate do Sport (1 x 1, no Moisés Lucarelli: André Luis e Marquinhos Gabriel), com duas intervenções espetaculares no segundo tempo.

* Ponte e Sport não vencem há 3 rodadas.

* A rotina de derrotas (Figueirense 0 x 1 Internacional, no Orlando Scarpelli: Dagoberto) do técnico Hélio dos Anjos, ex-Atlético Goianiense, só mudou de endereço.

* Boa partida do jovem Fred, 19 anos, do Inter.

* Uma vitória de virada sobre o Náutico, nos Aflitos (Coritiba 4 x 3: Souza, Robinho, Kieza, Leonardo-2, Pereira e Rico), e com 3 gols no segundo tempo, deve ser suficiente para dizer que o Coritiba está recuperando seu caminho.

* Segunda derrota seguida em casa do Náutico.

* Aos 41 minutos do segundo tempo, Juninho estava na área adversária, jogando-se no chão para deixar Alecsandro em condições de fazer o gol da vitória do Vasco (1 x 0 no Botafogo, no Engenhão). Ídolo.

* Preocupante o número de ocasiões em que a defesa botafoguense, que falhou na jogada do gol, ficou exposta durante o clássico.

* Com um toque de muita categoria, que encontrou a rede lateral, Kleber deu a quarta vitória seguida ao Grêmio (1 x 0 no Fluminense, no Olímpico), e o BR-12 perdeu seu último time invicto.

* A expulsão do atacante gremista foi injusta. Excesso de rigor do árbitro.

* Com 4 gols no primeiro tempo, o Atlético Goianiense (4 x 3 no São Paulo, no Serra Dourada: Marino, Márcio, Patric, Ademilson, Wesley, Jadson e Rafael Tolói) deixou a lanterna.

* Equivocada a marcação do pênalti que originou o segundo gol do Atlético, o que não atenua a atuação inexplicável do São Paulo no primeiro tempo.

* O lance mais bonito da terceira vitória do Corinthians (2 x 0 no Cruzeiro, no Pacaembu: Chicão e Paulinho) em quatro rodadas foi o gol de Paulinho, já nos acréscimos.

* Não entendo que Sandro Silva deveria ter sido expulso pelo pênalti em Jorge Henrique. A falta não merecia cartão amarelo (e essa prática de amarelar todos os que cometem pênaltis é pouco inteligente).

O BASQUETE EM LONDRES

terça-feira, 24 de julho de 2012

O torneio olímpico masculino de basquete tem potencial para ser épico em Londres.

E o Brasil, dezesseis anos depois de Atlanta, pode estar envolvido nos melhores momentos.

A Seleção Brasileira tem um técnico digno do Hall da Fama, um armador talentoso, experiência e tamanho para fazer estragos. Se jogar seu melhor, e tiver um pouquinho de sorte, brigará por uma medalha.

A polêmica sem sentido sobre a convocação ou não dos jogadores que optaram por não atuar pela seleção no passado está, felizmente, enterrada. A atuação do Brasil no amistoso recente contra os Estados Unidos comprovou que Ruben Magnano acertou ao chamar os melhores.

O que vemos hoje é uma seleção que tem um plano. Talvez lhe falte material humano para uma rotação que possa sustentar o nível de jogo dos titulares, mas não há o que fazer quanto a isso.

Após a longa ausência em Olimpíadas, Londres pode proporcionar o ressurgimento da seleção brasileira masculina.

Mas este post não é sobre o Brasil. É sobre o time que certamente estará no centro do debate a respeito do torneio, seja qual for o resultado: os Estados Unidos.

Melhor time do mundo e favorito ao ouro, sem dúvida. Mas estamos diante de um quadro em que o resto do planeta deve se conformar em luta pela prata?

De forma nenhuma.

Os americanos chegarão às Olimpíadas com um problema de tamanho que já era considerável na convocação original, e que ficou evidente após as lesões de Dwight Howard, Chris Bosh e Blake Griffin.

A questão do tamanho gera um dilema tático que pode ser decisivo em Londres, quando os Estados Unidos encontrarem adversários mais capazes.

Há alguns dias, o técnico Mike Krzyzewski declarou que seu time terá sete “titulares” nas Olimpíadas: Tyson Chandler, Carmelo Anthony ou Kevin Durant, Lebron James, Kobe Bryant e Chris Paul ou Deron Williams.

Com qualquer quinteto que Krzyzewski escolher, até mesmo envolvendo jogadores não citados acima, a seleção americana deve passar pela fase de grupos atropelando a maioria dos seus oponentes.

Entre todos os times de elite, os EUA talvez sejam o que tem o menor número de movimentos ofensivos. O jogo de defesa extremamente agressiva e transição é seu DNA. Expediente que funcionará sem defeitos durante a classificação.

Mas quando os jogos eliminatórios chegarem, times mais fortes devem apresentar maiores dificuldades. Se essas equipes conseguirem diminuir o ritmo do jogo e conter os americanos na defesa, terão chance de explorar algumas vulnerabilidades no chamado jogo de meia quadra.

Nesta situação, há certamente duas seleções (Espanha e Argentina), talvez mais (Rússia? Brasil?), que têm ataques competentes o suficiente para derrotar os Estados Unidos.

Tudo dependerá do desempenho dos jogadores grandes. Se serão capazes de aproveitar a diferença de tamanho em relação a seus marcadores americanos.

O encontro desta terça entre Espanha e EUA (os americanos venceram por 100 a 78) poderia ter mostrado algo, se os espanhóis não tivessem claramente escondido o que pretendem. Marc Gasol não jogou, e Pau Gasol e Serge Ibaka ficaram juntos em quadra por muito menos tempo do que veremos daqui a alguns dias.

O amistoso também mostrou que LeBron James é capaz de defender oponentes maiores do que ele (PGasol, no caso) com extrema eficiência, o que reforça seu status de peça fundamental no time. Mas, à exceção de James, quem mais pode fazer isso?

Aí é que está.

O jogo em Barcelona foi “resolvido” por um jogador que, em tese, pode. Carmelo Anthony, que parece ter perdido o lugar para Kevin Durant, saiu do banco para ser o cestinha da noite (27).

Anthony é um dos jogadores que representam a maior dor de cabeça para os adversários da seleção americana. Ele, James e Kevin Love podem atuar como pivôs e são excelentes arremessadores de longa distância. Marcá-los longe da cesta é um drama para pivôs internacionais.

Krzyzewski adoraria ter certeza de que seu time chutará sempre tão bem quanto o fez em Barcelona, mas evidentemente sabe que essa é uma aposta que não pode ser feita.

O que nos leva de volta ao dilema tático mencionado no início.

Contra times grandes, em tamanho, e no jogo de meia quadra, os EUA terão de “aumentar” sua presença na quadra. Para isso, Kevin Love/Andre Iguodala devem se juntar a Chandler na rotação dos pivôs. E quem sai?

Sei que parece loucura, mas vamos por eliminação: James? Esqueça. A combinação que ele oferece, ainda mais para um time que precisa inchar, é crucial.

Durant? Seria suicídio. Ele é o melhor e mais confiável pontuador do time, virtualmente imarcável.

Paul/Willams? Alguém precisa levar a bola…

Sim, amigos, quem sobra é ninguém menos do que Kobe Bryant. Ele poderia sair do banco, junto com Anthony, para limitadas porém importantes missões ofensivas nos jogos que realmente interessam.

É pouco provável que Krzyzewski faça esse movimento. Afinal, trata-se de deixar KOBE BRYANT no banco. Mas muitos jogadores em situações semelhantes já tomaram a iniciativa e facilitaram o trabalho de seus técnicos ao se oferecer para um papel, digamos, menos glamuroso.

Foi o que Dwyane Wade fez em Pequim 2008. Kobe estava lá.

COLUNA DA TERÇA

terça-feira, 24 de julho de 2012

(publicada ontem, no Lance!)

PEQUENO NOTÁVEL

Ronaldinho Gaúcho não marcava um gol – com bola rolando – havia mais de cinco meses. Pôs fim ao incômodo bem a seu estilo. Lançado pelo lado esquerdo do ataque, entrou na área, balançou diante de seu marcador e bateu de pé direito. Ele não teve de aguardar o desfecho do lance para iniciar a comemoração, já corria para o canto do campo antes da rede balançar. Flashes do velho Ronaldinho são imagens recuperadas de seus melhores momentos. As mesmas rotas mal intencionadas, os mesmos dribles secos, os mesmos chutes venenosos, o mesmo sorriso infantil. O segundo gol do Atlético Mineiro contra o Sport aconteceu na Ilha do Retiro, mas ficaria bem no Camp Nou.

O início da fase mineira da carreira de Ronaldinho tem sido como se imaginou que seria a carioca. Distante do jogador espetacular que vimos pela televisão, mas também distante de uma clamorosa decepção. Lampejos, fagulhas, segundos de brilhantismo que podem até satisfazê-lo, mas deixam inevitável gosto agridoce. E se é mesmo verdade que já ajuda quem não atrapalha, os elogios a seu comportamento saltam os muros da Cidade do Galo e explicam, em parte, o início de Campeonato Brasileiro que faz o atleticano sonhar.

Necessário dizer que o papel de Ronaldinho é mais simples, hoje. Chegou ao Atlético com tão pouca expectativa que o único caminho possível era para cima. Beneficiou-se da mudança de ares. Encontrou um time que provavelmente habitaria a parte nobre da tabela mesmo sem ele. E tem o privilégio de jogar ao lado de um garoto que é uma das principais forças que mantém o Galo em primeiro lugar. Seu nome é Bernard.

Se a virada sobre o Sport pode ser qualificada como um trailer do que Bernard é capaz de fazer, seu futuro está garantido. Se o gol de Ronaldinho foi belo, o de Bernard foi mais. E se um gol, mesmo que seja precioso, pode ser pouco para um jogo inteiro, Bernard ajudou a fazer os outros três. Suas impressões digitais estão espalhadas pelo placar de 4 x 1, que não deixou dúvidas.

A jogada do empate nasceu de uma arrancada pelo lado esquerdo e de um passe esperto para Ronaldinho. Também saiu do pé direito de Bernard o lançamento para o gol da virada, descrito acima. O terceiro, de Jô, Bernard criou à custa da humilhação de seu marcador, e exibindo recursos técnicos ao usar o pé esquerdo para cruzar. O quarto precisa ser visto para ser apreciado da maneira correta.

Bernard foi generoso com Danilinho, servindo-o na área. A jogada não frutificou, mas, por caminhos tortos, voltou a quem a iniciou. Quase em cima da linha da grande área, à direita da meia lua, Bernard ajeitou a bola. Checou o goleiro apenas para ter certeza de sua posição adiantada. O toque por cobertura foi um desses que criam gols por antecipação. Quem vibra, e quem lamenta, o faz sem precisar ver o resto.

Bernard tem só 19 anos e engana pelo tamanho. Parece carregar muito mais talento do que cabe em 1,62m. Os dois chapéus contra o Grêmio e a atuação completa de sábado sugerem que as críticas do ano passado não se repetirão. Ele é o nome deste início de Brasileirão.

NOTINHAS PÓS-RODADA

segunda-feira, 23 de julho de 2012

O Brasileirão 2012 já viu 11 rodadas:

* O jogo entre Vasco e Santos (2 x 0, em São Januário: Douglas e Alecsandro) mostrou o que acontece quando um time organizado encontra um adversário desfigurado.

* Alecsandro é o artilheiro do campeonato, com 7 gols.

* Noite impecável de Bernard, na quinta vitória do Atlético Mineiro (4 x 1 no Sport, na Ilha do Retiro: Gilberto, Danilinho, Ronaldinho, Jô e Bernard) fora de casa.

* Um lindo gol e participação nos outros três.

* No reencontro de Dida com o Corinthians, empate (1 x 1: Héverton e Douglas) no Pacaembu.

* Bonita manifestação da torcida do Corinthians quando Dida subiu ao gramado para fazer seu aquecimento.

* Gol de Borges, o primeiro dele pelo Cruzeiro (1 x 0, no Independência), na vitória sobre o Flamengo. Nesta segunda, Joel Santana foi demitido.

* Espetaculares defesas de Fabio, no lance em que o Flamengo teve quatro chances de marcar.

* Pareceu realmente que Obina jamais deixou o Palmeiras (3 x o no Náutico, na Arena Barueri: Obina, Mazinho e Márcio Araújo).

* O campeão da Copa do Brasil deixou a zona do rebaixamento.

* O Internacional saudou a estreia de Fernandao com uma goleada (4 x 1 no Atlético Goianiense, no Beira-Rio: Elton, Reniê, Dagoberto, Jajá e Fred) em casa.

* O Atlético Goianiense está 23 pontos atrás do líder.

*O São Paulo (2 x 0 no Figueirense, no Orlando Scarpelli: Ademilson e Willian José) marcou um gol no primeiro minuto e outro nos acrécimos do segundo tempo.

* Primeira vitória com Ney Franco.

* Vitória fora de casa do Fluminense (2 x 1 na Ponte Preta, no Moisés Lucarelli: Thiago Neves, Ferron e Fred), único invicto do campeonato.

* Na hora do hino nacional, cena incomum: só a Ponte Preta estava em campo.

* Parecia que o Bahia (2 x 2 com o Coritiba, no Pituaçu: Souza, Mancini, Everton Costa e Emerson) caminhava para uma vitória tranquila em casa.

* Nos critérios de desempate, o Coritiba está fora da ZR.

* O Grêmio (1 x 0 no Botafogo, no Engenhão: Marcelo Moreno) fez questão de participar da festa da estreia de Seedorf.

* Zé Roberto mostrou sua visão de jogo na jogada do gol, mas a defesa do Botafogo dormiu.

COLUNA DOMINICAL

domingo, 22 de julho de 2012

(publicada ontem, no Lance!)

MEIO DO CAMINHO

Quando assumiu a Seleção Brasileira, há quase dois anos, Mano Menezes sabia que um período de 17 dias entre julho e agosto de 2012 seria crucial no caminho até a Copa do Mundo. Esse é o real significado do torneio olímpico de futebol para o Brasil. Um ponto de controle, um momento de avaliação e, por que não?, de comemoração.

Não é novidade. As Olimpíadas, em que pese a medalha de ouro que até hoje iludiu a Seleção, não têm brilho próprio. O futebol não lhes dá a mesma importância de outros esportes. O futebol brasileiro, menos ainda. Não há como olhar para Neymar e ver um atleta olímpico. As seleções que a CBF manda aos Jogos não convivem com outras delegações, não usam as mesmas roupas, não compartilham do mesmo espírito. Preparam-se e disputam o torneio da mesma forma que fariam se o nome fosse outro. E tratam dos próprios assuntos como se não estivessem envolvidas em algo mais amplo. As Olimpíadas são um meio, não o fim.

Mas podem ser o fim para o técnico. Em 2008, nomes de outros treinadores circulavam abertamente em conversas entre funcionários da CBF, por causa de desgastes internos com Dunga. Antes do jogo que valeu a medalha de bronze, contra a Bélgica, a substituição do técnico a dois anos da Copa da África do Sul era tratada como algo provável. Dunga sobreviveu.

Mano tem o mesmo plano. Quer ser o técnico da Seleção no Mundial em casa e sabe que o desempenho do time nas Olimpíadas de Londres terá influência em seu futuro. A decisão de comandar pessoalmente o time olímpico, tomada desde que chegou ao cargo, mostra confiança. Uma eventual medalha de ouro é um capital que garantiria a continuidade do trabalho até a Copa. É provável que um desempenho que mereça elogios, mesmo que não resulte na conquista inédita, faça o mesmo papel.

Considerando o risco que sempre acompanha qualquer previsão no futebol, é razoável dizer que o Brasil está entre os quatro países que devem disputar as medalhas. Espanha, México e Uruguai são os outros. O que vimos nos amistosos recentes, e na vitória de ontem sobre a Grã-Bretanha, foi um time que sabe o que pretende em campo. O que lhe falta é a maturidade que talvez seja exagero cobrar de uma equipe nova em todos os sentidos.

Tem sido interessante ver os jogadores falando sobre o desejo de ganhar o ouro olímpico, um título que não necessariamente faz parte dos sonhos de futebolistas brasileiros. As declarações soam um tom acima das obrigatórias “faremos de tudo…”. A frase de Mano, “ninguém vai querer mais do que o Brasil”, também revela um ambiente de maior comprometimento do que em outras ocasiões.

O torneio olímpico é parte da preparação da Seleção Brasileira para a Copa de 2014. A base do time que disputará o Mundial está na Inglaterra, diferentemente de outras campanhas olímpicas. A noção de que a manutenção do trabalho – e no caso de muitos jogadores, a própria manutenção no grupo – passa pelo sucesso em Londres 2012 pode ser exatamente o que faltou aos times que falharam.

CAMISA 12

sexta-feira, 20 de julho de 2012

(publicada ontem, no Lance!)

VOCAÇÃO

Duas questões são importantes em relação à decisão do São Paulo de negociar, ou não, o atacante Lucas. Se o jovem jogador vale mais ou menos do que os 38 milhões de euros que teriam sido oferecidos pelo Manchester United não é uma delas.

A primeira questão é se o São Paulo precisa do dinheiro. Não se trata de descobrir o que fazer com cerca de R$ 90 milhões, montante que obviamente faz diferença no orçamento de qualquer pessoa física ou jurídica. O ponto é se o São Paulo depende dessa negociação para honrar suas obrigações. Em português simples: manter Lucas implicará em atraso de salários? Pelo que se sabe, não.

Fazer dinheiro com negociação de jogadores é coisa para três tipos de clubes. Os que têm as operações financeiras como objetivo principal, verdadeiras fazendas do futebol administradas por investidores que tão somente apostam na valorização dos direitos econômicos de seus “produtos”. Os pequenos, que têm aspirações esportivas mas precisam vender atletas para se manter a cada temporada. E os grandes que gastam mais do que arrecadam e dependem de transações para equilibrar seus balanços. O São Paulo não se enquadra em nenhuma das descrições.

A segunda questão é a utilidade de Lucas. Não é uma avaliação de seus talentos ou uma projeção de sua evolução como jogador. É o cálculo do aumento das chances de sucesso do São Paulo, hoje, com o atacante em campo. É a pergunta se, com Lucas, o time tem mais chances de alcançar seus objetivos no Campeonato Brasileiro e na Copa Sulamericana. Não é difícil responder.

Lucas tende a se beneficiar da chegada de Ney Franco ao São Paulo. Com Leão, teve problemas e pareceu perdido em campo, em dúvida sobre o que pretende ser. O novo técnico deve ajudá-lo a se reencontrar. A dificuldade de usar os milhões ingleses para contratar peças que possam ajudar o São Paulo agora, por falta de opções e de tempo, contribui para manter o atacante no Morumbi.

Acima de tudo, é um caso de vocação. Clubes de futebol que querem ser, ou permanecer, grandes, devem perseguir títulos, mantendo-se no limite entre o azul e o vermelho. Recursos devem ser investidos de forma ampliar as chances de conquistas. Se vender Lucas, o São Paulo fará o contrário.

OUTRO LADO

É evidente que, para quem gerencia a carreira de um jogador, há um lado da história que não necessariamente acompanha o pensamento do clube. São interesses e valores – em todos os sentidos – diferentes. É compreensível que o estafe, a família de Lucas, e até mesmo o próprio, sejam favoráveis à negociação. Legítimo que se pense que não haverá outra oportunidade tão boa quanto essa para que ele seja valorizado.

OUTRO NÍVEL

A situação de Lucas não tem deve ser comparada com a de Neymar. Aliás, qualquer tipo de comparação entre eles, dentro ou fora do campo, é prejudicial ao atacante do São Paulo. Ambos nunca estiveram no mesmo nível. O que os casos têm em comum é o benefício aos campeonatos no Brasil pela permanência de jogadores que, em outras épocas, já teriam saído. Mas é decepcionante ver que o futebol brasileiro, como instituição, tem feito pouco para progredir.

NOTINHAS PÓS-RODADA

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Abrindo a rodada 10 do BR-12:

* Pouco a dizer sobre o 0 x 0 (na Vila Belmiro) entre Santos e Botafogo, além de pelo menos duas defesas impressionantes de Jefferson.

* Ah, ok: primeiro jogo em que o Botafogo fica no zero. Quinto 0 x 0 do Santos, que empatou 7 vezes.

* Segunda vitória seguida do Grêmio (3 x 1 no Sport, no Olímpico: Felipe Azevedo, Leandro-2 e Marcelo Moreno), que invadiu a zona da Libertadores.

* Leandro fez dois gols em sete minutos.

* Kieza reestreou pelo Náutico com dois gols, na vitória sobre a Ponte Preta (3 x 0, nos Aflitos: Souza fez o outro).

* A Ponte vinha de duas vitórias seguidas.

* Com dois gols em cinco minutos, o Cruzeiro derrotou a Portuguesa (2 x 0, no Canindé: Wellington Paulista e Diego Renan). Os mineiros interromperam a série de três derrotas.

* A Portuguesa deu quatro chutes ao gol cruzeirense.

* Douglas foi implacável com duas falhas da defesa do Flamengo, e o Corinthians (3 x 0, no Engenhão: Douglas-2 e Danilo) foi absoluto no Engenhão.

* 12.027 pagantes. Clássico das multidões.

* Quinta vitória seguida do líder (Atlético Mineiro 3 x 1 Internacional, no Independência: Guilherme, Leonardo Silva, Fred e Escudero), em grande momento.

* Foi a primeira vez que o Atlético venceu o Inter, desde a implantação do sistema de pontos corridos.

* Denis falhou no gol do Vasco (1 x 0 no São Paulo, no Morumbi: Fagner), mas foi o melhor jogador do São Paulo na derrota em casa.

* O melhor do jogo foi Juninho. Comandante.