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LANCES DA RODADA (e ideias inglesas)

por André Kfouri em 12.abr.2012 às 15:34h

A melhor campanha da fase de grupos da Libertadores ganha o prêmio de enfrentar o pior classificado para as oitavas de final, e mando de campo no segundo jogo nos mata-matas.

Clubes argentinos, por exemplo, dão pouca importância para o emparceiramento. Provavelmente porque os bons times daquele país não ligam para a ordem de jogos num confronto, nem sentem dificuldades adicionais quando atuam fora de casa.

No Brasil, as vantagens da classificação em primeiro lugar são mais valorizadas.

Quatro times chegam à última rodada da fase de grupos com chances reais de emplacar a melhor campanha: Vélez Sarsfield, Fluminense, Atlético Nacional e Corinthians.

Tudo leva a crer que o time argentino, que já “lidera” com 12 pontos e saldo de 6 gols, manterá a posição. O Vélez receberá os uruguaios do Defensor, que ainda têm chances de passar à próxima fase.

O Fluminense, após levar o troco do Boca Juniors (2 x 0 no Engenhão) pela vitória na Bombonera, tem os mesmos 12 pontos e 2 gols de saldo. Jogará na Argentina (Arsenal, já eliminado) na semana que vem.

Entre Corinthians, que venceu fora de casa (3 x 1 no Nacional-PAR) pela primeira vez nesta edição da Libertadores, e Atlético Nacional, as melhores possibilidades são do time brasileiro. Ambos têm 11 pontos.

Enquanto os colombianos viajam para enfrentar a Universidad de Chile (10 pontos), o Corinthians recebe o Deportivo Táchira, eliminado.

Novamente, o Vélez não deve deixar escapar a primeira posição. E pensando numa possível, mas improvável classificação do Flamengo (precisa vencer o Lanús em casa e torcer por um empate entre Olimpia e Emelec, no Paraguai), Fluminense e Corinthians não deveriam gostar tanto da liderança.

Um encontro de times brasileiros tende a diminuir vantagens e equilibrar as chances.

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Duas notas sobre a Copa do Brasil:

* Que gol de André, na vitória do Atlético Mineiro (5 x 0) sobre o Penarol, no Amazonas.

* O pênalti marcado em Luis Fabiano, na vitória (5 x 2 no Bahia de Feira de Santana) que classificou o São Paulo para as oitavas de final, é mais um desses lances que mostram como a televisão humilha o árbitro.

No momento da jogada, parece pênalti. Foi assim para mim, vendo pela câmera aberta pela primeira vez. Foi assim para os repórteres que estavam atrás do gol, com outro ângulo de visão. Foi assim para muita gente que estava no estádio ou assistindo pela TV.

E foi assim para Marcos André Gomes da Penha, única pessoa que tem a obrigação de decidir, ali, se foi ou não foi pênalti.

Quando o replay da câmera que mostra o lance por trás do gol é exibido na velocidade normal, o lance ainda parece pênalti.

Somente quando os replays em câmera lenta entram na conversa é que se pode perceber que o goleiro Dionantan se coloca diante do atacante do São Paulo, e não faz nenhum movimento para atingi-lo. Ao contrário, Dionantam se esforça para evitar o contato.

Ver o lance quase em quadro a quadro permite que se identifique uma distância entre os movimentos do goleiro e do atacante. Distância que mostra que é Luis Fabiano quem provoca o toque. Distância que comprova que não foi pênalti (e que transforma a expulsão do goleiro, correta supondo que a falta aconteceu, num erro grave).

Distância que não existe para ninguém que não esteja em casa, diante da televisão.

Não é possível para um ser humano decidir sobre essa jogada sem ajuda da câmera lenta.

Repetindo o que já escrevi aqui inúmeras vezes: os árbitros precisam de ajuda.

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Por falar nisso, o jornal britânico Mirror Football trouxe uma notícia interessante em sua edição de hoje.

A Associação de Futebol da Inglaterra pensa em aplicar sanções disciplinares a jogadores que não forem punidos pelos árbitros por entradas violentas, marcadas ou não.

A ideia ganhou força após o lance de Mario Balotelli com Alex Song, no jogo entre Manchester City e Arsenal.

O italiano não foi suspenso adicionalmente pela entrada selvagem. O árbitro do jogo disse que viu o lance mas não percebeu sua severidade.

O que se pensa em fazer na Inglaterra é formar um comitê para analisar o vídeo de jogadas de violência indiscutível, e punir os agressores após os jogos.

Além da possbilidade de corrigir erros, a existência do comitê teria caráter preventivo. Saber que, mesmo escapando em campo, um jogador pode ser suspenso mais tarde, reduziria a frequência desse tipo de lance.

A Associação de Futebol inglesa já se manifestou publicamente a favor do uso de eletrônica para auxiliar a arbitragem, como a tecnologia da linha de gol.

No artigo de hoje, o Mirror Football publica um trecho de uma carta que Jerome Champagne, ex-conselheiro de Joseph Blatter, enviou recentemente aos 208 filiados da Fifa:

“Em breve, torcedores em estádios serão capazes de ver em tempo real os replays de impedimentos em seus smartphones e iPads, enquanto o árbitro será o único sem acesso a essa informação. Algumas opções estão disponíveis, sem colocar em risco a estabilidade das regras do jogo.”

Aleluia.

10 comentários para “LANCES DA RODADA (e ideias inglesas)”

  1. Norberto - SP disse:

    Se houvesse o recurso eletrônica, Fabuloso teria feito o gol, ao invés de cavar o pênalti e a expulsão do quarda-metas.

    Abraço

  2. Andre Fadel disse:

    O movimento do goleiro não mudou em camera lenta. Pelo contrário, no lance normal ele aparenta se mexer menos do que no replay. O juiz errou pq era a camisa do São Paulo. Fosse para o Bahia de Feira não marcaria.

    O lance perdoável é o primeiro gol que ninguém viu impedimento. Só parando o lance no momento do chute e pela camera lateral é possível ver o Rhodolfo 5cm a frente. Isso é totalmente aceitável e perdoável. O penalti não!

  3. André, sou a favor do uso de tecnologia sim. É impossível o futebol ser o único que finge ser alheio ao uso de tecnologia. Lógico que precisam achar uma forma adequada para que o jogo não pare demais, devido ao uso de recursos.

    Sobre o lance do Luis Fabiano, para mim foi pênalti, independente do toque ou não do goleiro, a tentativa de sair em cima do atacante impediu que ele continuasse a jogada, se ele não pula é derrubado e ao pular ele perde o tempo para conseguir fazer o gol, ou seja o goleiro mesmo percebendo a besteira que tinha feita no caminho e tentado evitado o contato, impediu que Luis Fabiano concluisse ao gol. Isso é penalti sim, está nas “belas” 17 regras do futebol.

    Abraços..

  4. Marcelinho disse:

    André,

    Sei o quanto você defende a tese da utilização de recursos tecnológicos a favor da arbitragem. O que vc acha da efetiva possibilidade de virem a ser utilizados tais recursos, em confronto com as condições de estádios/gramados/estrutura de locais como o do jogo de ontem do São Paulo x Bahia de Feira, ou como recentemente em Moça Bonita, no jogo de Fluminense x Bonsucesso.

    Abraços,
    Marcelinho.

    AK: Onde tem TV, existe a chance de dirimir lances. Um abraço.

  5. Wellington disse:

    Uma coisa que tem me incomodado muito ultimamente é a utilização abusiva da cera, mesmo quando esse expediente é praticado pelo meu time (corinthians). É algo totalmente anti-desportivo, e dentre os esportes de massa, acredito que o único que permite essa prática é o futebol, e por mais rigoroso que o árbitro seja, ele nunca vai ter coragem de dar por exemplo 10 minutos de acréscimo. Este tipo de coisa tem que ser combatido com mais rigor.
    Uma ideia seria utilizar o cronometro parando, como no futsal, reduzindo o tempo de 45 para 20 ou 25 min. Ou impor um tempo limite para cobrança de falta, arremessos laterais, escanteios, tipo 10 seg para cada evento desses.
    Alguma coisa tem de ser feita, tem casos em que após os 30 min. do segundo tempo não existe mais jogo, é só um tal de jogador se deitar no chão e ficar se contorcendo e nada do jogo fluir.

  6. Marcel de Souza disse:

    André, essa ideia escrita no Mirror Football não é semelhante ao que já acontece aqui no Brasil? Pelo menos aqui já existiu jogador punido pelo video pós-partida. Ou não tem nada a ver? abraço,

  7. Athila Marques disse:

    André mundando um pouco de assunto masss…

    MESSI para vc é melhor em que fudamento:

    PASSE

    CHUTE

    VELOCIDADE

    ???

    AK: O que mais me assusta (além da pouca idade) é a velocidade com a bola. Um abraço.

  8. Samuel Miranda disse:

    Quer dizer que a Associação de Futebol da Inglaterra quer criar o STJD? Podiam vir ao Brasil para o príncipe William ter umas aulas com o Zveiter.. rsrs. Abraço, André!

  9. Juliano disse:

    Acho isso tudo ótimo.

    E sobre o André, mesmo não sendo um gênio da grande área, ele é muito, mas muito melhor que o Borges. Mesmo o Borges na versão artilheiro do brasileirão. O Santos seria muito melhor tendo novamente André com sua camisa 9. E André seria muito mais feliz no Santos, sem dúvida.

  10. Dennis disse:

    Oi André,
    o termo “portenho” é relativo à Buenos Aires e não aos argentinos em geral, certo? Como você se refere a times portenhos e não a argentinos, você entende que há uma diferença na forma de jogar entre times de Buenos Aires e os demais? Algo como cariocas e gaúchos, por ex., no Brasil?

    AK: Lapso meu. Eu quis me referir a times argentinos. Sobre forma de jogar, não creio que haja diferenças. Mas o ponto do meu comentário foi o comportamento dos times, não o estilo. Um abraço.

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