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Arquivo de março de 2012

CAMISA 12

sexta-feira, 30 de março de 2012

(publicada ontem, no Lance!)

CAMISA 12

0 x 0, GOLEADA

Se é verdade que um time precisa fazer uma “partida perfeita” para derrotar o Barcelona, o jogo no San Siro começou desalentador para o Milan. Robinho desperdiçou uma assistência de Ibrahimovic, no primeiro momento palpitante do clássico. Pouco depois, foi o atacante sueco quem deixou o grito na boca do torcedor italiano, após um passe magistral de Seedorf. Duas chances, nenhum gol. Desempenho distante da perfeição.

Distante, também, mas em relação ao que nos acostumamos a ver, foi o comportamento do Barcelona durante quase todo o primeiro tempo. Até Xavi, provavelmente o jogador mais confiável do futebol mundial no trabalho de domínio e entrega de bola, entrou num estranho rodízio de falhas dos catalães naquela que é a essência de seu jogo.

A marcação do Milan é uma das explicações. O gramado pode ser outra. O campo do San Siro, ruim há muito tempo, não foi digno do encontro de onze troféus da Liga dos Campeões da Uefa. Uma superfície de gelo talvez provocasse menos escorregões. Sofreu mais o Barcelona, claro. O Milan, configurado para ir da defesa ao ataque no menor tempo possível, protegeu sua área com uma parede e esperou. A cena lembrou um jogo de handebol, em que a bola circula de um lado para o outro, observada pela linha defensiva. Só que o time que atacava não conseguiu se infiltrar.

O maior elogio que se pode fazer a este Barcelona não é o que se diz ou se escreve sobre ele. É o que se vê em seus adversários. A maneira como alteram sua postura e se contentam em não jogar. Estratégia, alguém dirá. Pode ser. Mas uma estratégia exclusiva para enfrentar os atuais campeões europeus, o que escancara o reconhecimento da própria inferioridade. Quem viu o Milan golear o Arsenal na fase anterior da Champions não pôde crer que se tratava do mesmo time.

Nesses termos, um empate em zero a zero (primeiro jogo de UCL em que o Barcelona não faz um gol, desde 2009) em casa é motivo de orgulho, produto de uma atuação “inteligente”, que mantém a eliminatória aberta para o Camp Nou.

O que o jogo teve de melhor? A atuação de Seedorf. O holandês completará 36 anos no próximo domingo. Melhora a cada temporada.

PRA FRENTE!

Depois da brilhante ideia de não programar nenhum jogo da Seleção Brasileira na Copa de 2014 para o Maracanã (fora uma possível final), eis que a CBF, com “novo” comando, revelou seu nível de confiança no time. A troca de sede da Copa América com o Chile, de 2015 para 2019, teve o objetivo de evitar o “apedrejamento” da Seleção no ano seguinte ao Mundial. Sempre pensando no fracasso em uma das duas competições. Nada como o otimismo.

NOVIDADE?

É possível que Adriano, demitido por justa causa, vá para a Justiça cobrar um dinheiro do Corinthians. Por mais inacreditável que pareça, é algo que dá a medida do erro que foi a contratação dele. A propósito: não espanta que alguns detalhes do período de “recuperação” do Imperador venham à superfície. O que espanta é que eles sejam apresentados como “novos”. Para o leitor do Lance!, as faltas de Adriano são notícias velhas.

MAIS LINKS DA LIGA

quinta-feira, 29 de março de 2012

E os times visitantes continuam reinando nas quartas de final da UCL.

Em Marselha, o Bayern encaminhou sua classificação ao derrotar o Olympique por 2 x 0.

Avizinha-se um encontro de Bayern e Real Madrid nas semifinais, que merece ser chamado com todas as letras de “clássico europeu”.

Será verdadeiramente sensacional.

No San Siro, o gramado fez o que pôde para estragar a reunião de 11 taças da Champions, no primeiro jogo entre Milan e Barcelona.

O 0 x 0 deixou o confronto aberto para a segunda perna, no Camp Nou.

Foi a primeira vez, desde 2009 (0 x 0 com o Rubin Kazan), que o Barcelona não fez gol num jogo de Liga dos Campeões.

As partidas de volta acontecem na semana que vem.

OS LINKS DA LIGA

quarta-feira, 28 de março de 2012

Noite dos visitantes na abertura das quartas de final da UCL.

Em Lisboa, uma arrancada de Fernando Torres construiu o gol da vitória do Chelsea sobre o Benfica: 1 x 0.

Números do time inglês pós-AVB: 5V, 1E e 1D.

Roberto Di Matteo é o novo Avram Grant? Veremos. Mas o Chelsea está, de novo, perto das semifinais.

Em Nicósia, o jogo mais importante da história do futebol no Chipre foi, em grande parte, uma exibição de dedicação defensiva do APOEL.

Mas Kaká entrou no segundo tempo e, com um gol e uma assistência, resolveu as coisas para o Real Madrid: 3 x 0.

José Mourinho disse que a eliminatória acabou. E está absolutamente certo.

Dois jogos fecham a primeira rodada, logo mais: Milan x Barcelona e Olympique x Bayern.

Os gols estarão aqui.

AS QUARTAS DA LIGA (com palpites)

terça-feira, 27 de março de 2012

APOEL x REAL MADRID

27/3 – GSP

04/4 – Santiago Bernabéu

Previsão: Madrid. A campanha histórica dos cipriotas não impediu que eles fossem o time que todo mundo queria enfrentar. A sorte comtemplou os gigantes espanhóis, que podem até ter alguns problemas no jogo em Nicósia, mas devem vencer fora e em casa.

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BENFICA x CHELSEA

27/3 – Luz

04/4 – Stamford Bridge

Previsão: Chelsea. Mas não será fácil.

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OLYMPIQUE x BAYERN

28/3 – Vélodrome

03/4 – Allianz Arena

Previsão: Bayern. Será muito difícil eliminar os alemães – anfitriões da decisão – da Liga. O time francês não tem bola para tanto.

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MILAN x BARCELONA

28/3 – San Siro

03/3 – Camp Nou

Previsão: Barcelona. Os encontros da fase de grupos devem ajudar os italianos, por questão de experiência. Mas não a ponto de superar os atuais campeões da Europa.

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Como sempre, palpites são bem-vindos. Nesta fase ficou difícil ousar.

LANCES E LINKS

segunda-feira, 26 de março de 2012

Saíram dois gols “de bola parada” num jogo do Palmeiras.

Nenhum foi a favor.

A imprevisibilidade do futebol manda seu recado, para que não tentemos explicar o que, às vezes, simplesmente acontece.

E no caso dos gols do Corinthians (2 x 1 no clássico, de virada), a dose de responsabilidade da defesa do Palmeiras foi alta.

No primeiro, a bola foi ajeitada para Paulinho.

No segundo, o serviço foi completo. Liedson, que adoraria poder mandar a bola para a rede, nem precisou tocá-la.

Curioso que um time tão acostumado a machucar adversários com cobranças de falta e escanteios, tenha se permitido machucar da mesma forma.

E tudo aconteceu em pouco menos de 3 minutos, como se o Corinthians tivesse finalmente conseguido encaixar sua jogada preferida, algo que diríamos sobre o Palmeiras se o resultado fosse inverso.

Mas certas marcas ficam impregnadas, mesmo num jogo que parecia determinado a desmenti-las.

Depois da virada, a cada falta perto da área do Corinthians, a cada aproximação de Marcos Assunção, a sensação de gol iminente era impossível de evitar.

Gol que só não saiu, num momento que dificilmente deixaria margem para qualquer mudança no placar, porque o cabeceio de Henrique, livre, errou o alvo por centímetros.

A defesa do Corinthians não participou da jogada.

Teria sido o terceiro gol de bola parada no clássico. O único do Palmeiras.

E o único em que tudo teria saído como o planejado.

Mas o futebol não gosta de planos.

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A passagem de Adriano pelo Corinthians pode terminar na Justiça, com o jogador cobrando um dinheiro do clube.

Por mais inacreditável que seja, dá a medida do erro que foi sua contratação.

Aliás, não espanta que, agora, detalhes sobre a “recuperação” de Adriano no Corinthians estejam voando por aí.

O que espanta é que sejam apresentados e tratados como “novos”.

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O presidente do Grêmio, Paulo Odone, ameaça rever a participação do clube no Campeonato Gaúcho do ano que vem, por causa da violência dentro de campo.

Se você ainda não sabe, o Grêmio perdeu Kléber por fratura no tornozelo direito, após um lance com o zagueiro Léo Carioca, do Cruzeiro.

A recuperação de Kléber deve durar cinco meses.

Pena que a ameaça de Odone não tenha nenhum efeito prático. Pois nada vai mudar na forma de os times atuarem (especialmente no interior do Rio Grande do Sul, há quantas décadas se usa termos como “viril” e “pegado” para qualificar o tipo de futebol que se joga?) e, muito menos, na participação do Grêmio no Estadual.

Já manifestei aqui minha opinião sobre os estaduais.

Serei um dos primeiros a aplaudir no momento em que os clubes se libertarem e passarem a organizar as próprias competições.

Motivos para boicote a um estadual, como são hoje, não faltam.

Mas nenhum deles tem a ver com entradas violentas.

Isso faz parte do futebol desde sempre.

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A propósito da maldita mania de responsabilizar arbitragens, e ignorar a própria responsabilidade, mais um artigo irretocável de Santiago Solari.

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Se mais jogadores de futebol fossem como Alessandro Del Piero

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E que gol é esse, Mr. Crouch…?

 

COLUNA DOMINICAL

domingo, 25 de março de 2012

(publicada ontem, no Lance!)

SÓ DERROTA

A história de Léo Rocha é uma trágica comédia de erros. Nela, não há uma única decisão correta. Um compêndio sobre o equívoco, o mau julgamento, o mau comportamento e a ignorância. Em todos os níveis, do começo ao fim.

O começo, obviamente, é a forma como o jogador do Treze resolveu cobrar o pênalti que poderia empatar a decisão com o Botafogo em 3 x 3. O destino da fatídica cavadinha foi aquele com que todo goleiro sonha. Em vez de observar a bola entrar lenta e dolorosamente, Jefferson poderia tê-la matado no peito, se quisesse.

Parêntese, opinião pessoal: cavadinha é o estelionato do pênalti. É falsa demonstração de capacidade, que beira a má fé. A intenção que há por trás desse tipo de cobrança não é nobre. Seja quem for, do imortal Zidane ao desempregado Léo Rocha. Procure quantas cavadinhas existem nos currículos de Zico, de Sócrates. Ou de Evair, mestre da marca penal.

O componente de provocação é claro. O cavador busca algo mais do que fazer o gol, o que acirra os ânimos e produz certas confusões de conceitos que infestam o futebol dentro e fora do campo. Ponto central do segundo erro desta saga: a atitude de Jefferson.

É curioso como se fala em “respeito” hoje em dia, aparentemente sem saber do que se trata. Porque respeito deve valer para todos, em todas as situações. Ninguém, independentemente dos digitos do salário, da camisa que veste ou dos troféus na estante, pode ter licença para desrespeitar. Portanto, se a cavadinha de Léo Rocha no Engenhão é falta de respeito com o Botafogo, Loco Abreu desrespeitou todos os times contra quem bateu pênaltis assim. E não consta que Jefferson – ou os outros botafoguenses que “trollaram” o meia do Treze – tenha tido uma interação semelhante com o companheiro uruguaio. Bom saber que o goleiro acusou o próprio exagero.

Jefferson tem a seu favor o argumento do sangue quente, da difícil arte de manter a compostura em momentos de pressão. Já os dirigentes do Treze, não. E foram eles os autores das piores decisões neste episódio. De acordo com os relatos, Gil Baiano interpelou, empurrou e quase agrediu Léo Rocha na entrada do vestiário. Baiano é gerente de futebol do Treze. Gerente. Imagine se gerenciar não fosse sua obrigação.

O descontrole se deu não pela desclassificação nos pênaltis, mas pela “falta de responsabilidade” (expressão usada pelo técnico Marcelo Vilar) de Rocha. Engano. Se a bola entrasse, ninguém questionaria o senso de responsabilidade do jogador. A análise não pode se basear no resultado, mas na ação. Se o Treze, como clube, entende que cavadinha é irresponsabilidade, que tome a mesma atitude com seus jogadores que a tentam com sucesso. Que todos tenham o mesmo fim de Léo Rocha: a rua. Fazer dele um vilão escolhido por perder um pênalti é jogar para a torcida.

Mas o presidente do Treze, Fábio Azevedo, tem a oportunidade de corrigir o final da história. Dar um sopro de bom senso nesta tragicômica sequência de bobagens. Pois se Léo Rocha não serve porque tentou uma cavadinha, foi mal demitido. Se não serve por outros motivos, foi mal contratado.

CAMISA 12

sexta-feira, 23 de março de 2012

(Publicada ontem, no Lance!)

SABADÃO BOLEIRO

A final da Liga dos Campeões da Uefa de 2007/08 começou às 22h45 de uma quarta-feira, hora local, no estádio Luzhniki, em Moscou (RUS). No momento em que Edwin Van der Sar defendeu o pênalti cobrado por Nicolas Anelka, o relógio marcava 1h45 do dia seguinte. Quando Sir Alex Ferguson passou pela zona mista, dizendo-se “muito cansado”, eram quase 4 da manhã.

A explicação para um jogo tão importante começar perto das 11 da noite (de um dia de semana)? Televisão. As partidas da Liga dos Campeões têm de se iniciar até as 20h45 no horário da Europa Central, mercado mais importante.

O último clássico entre Real Madrid e Barcelona pelo Campeonato Espanhol aconteceu às 22 horas de um sábado, em dezembro passado. A audiência planetária é um dos motivos. O mesmo Madrid, num domingo de novembro de 2011, recebeu o Osasuna para um jogo ao meio-dia, visto por 60 milhões de chineses ao vivo.

O Santiago Bernabéu estava cheio na hora do almoço do domingo e no final da noite de sábado. Assim como o Luzhniki também estava lotado na (quase) madrugada chuvosa em que Manchester United e Chelsea decidiram a Liga dos Campeões. A questão não é o dia, ou a hora. A questão é o jogo. Se as pessoas querem ou não querem ver o jogo.

A CBF anunciou a volta dos embalos de sábado à noite no próximo Campeonato Brasileiro. Não que isso tenha importância, mas o retorno dos jogos às 21 horas de sábado causou desgosto num pessoal que trabalha com jornalismo esportivo mas quer ter horário de madame. Filtre as críticas, portanto. Preguiça é uma doença incurável e não é “a imprensa” quem tem de gostar ou não do horário. É o público. Só que o problema está exatamente aí.

No BR-11, as noites de sábado foram brindadas com jogos pouco atraentes. A novidade naufragou por causa da baixa presença de torcedores. O erro parece ter sido cometido também neste ano. Entre as partidas escolhidas para o “pré-balada” no primeiro turno, só uma pode ser verdadeiramente chamada de clássico nacional: Palmeiras x Atlético-MG, no dia 9 de junho.

As outras não prometem gerar nenhum interesse especial, seja no estádio ou no pay-per-view. E não devem fazer a melhor propaganda do Campeonato Brasileiro para asiáticos.

A culpa não será só do horário.

PROGRAMA

Se você acha que noite de sábado tem a ver com cinema, teatro, boate, barzinho, restaurante… mas não com futebol, você não está sozinho. Jogos médios não farão concorrência e lhe darão razão. Mas jogo que enche estádio no domingo à tarde faz o mesmo em qualquer dia ou hora. E aos sábados, ainda daria tempo para emendar outras opções de lazer. Simplesmente alterar o horário de um jogo qualquer é tratar mal “o produto”.

FIGURANTES

Os jogadores têm reservas em relação às partidas às 21 horas dos sábados. O horário impede que o time visitante retorne na mesma noite. E o domingo, que normalmente seria de folga, fica comprometido pela viagem. Pode parecer pouca coisa, mas um dia a menos de descanso faz diferença. Ainda mais com o calendário que se tem hoje. Será que a novidade foi discutida com os clubes? E, se foi, os jogadores foram ouvidos? Claro que não.

O NOME

quarta-feira, 21 de março de 2012

Aí está a bem sacada (mais uma) capa do “Olé” de hoje, em homenagem ao maior artilheiro da história do Barcelona.

Se você não viu, aqui estão os gols dos 5 x 3 de ontem sobre o Granada.

Interessante que o gol número 233, que superou César Rodríguez, foi muito parecido com o primeiro que o argentino marcou com a camisa do clube.

No mesmo gol do Camp Nou, com um toque por cima do goleiro, após receber passe de um jogador brasileiro (Ronaldinho em 2005, Dani Alves ontem). Os dois lances estão aqui.

Sobre a capa do “Olé”, talvez tenha passado pela cabeça dos editores argentinos apenas inverter as letras do nome do jornal, e fazer com que hoje o diário se chamasse “Léo”.

Ocorre que, na Argentina, Messi não é chamado de Léo (na Espanha, sim, se usa Leo, sem acento), mas de Lio.

Seria, portanto, uma referência sem muito sentido.

E “Culé” tem a vantagem de manter a sonoridade do nome original.

Messi merece.

O RATO ROEU… (série completa)

terça-feira, 20 de março de 2012

Como se sabe (ainda que alguns petulantes, aqueles cujas “fontes” indicavam o contrário, prefiram não tocar no assunto), Ricardo Teixeira renunciou ontem a mais um posto.

A CBF e o COL-2014 – que pode ter mudanças nos próximos dias – já faziam parte do passado do cartola.

Agora é a vez da Fifa. Teixeira não é mais membro do comitê executivo da entidade (ah, a ISL…).

Em homenagem a mais uma renúncia, e satisfazendo os pedidos que chegaram por email, publicamos abaixo os quatro episódios da série “O Rato Roeu…”.

Divirta-se.

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O RATO ROEU…

- Bom dia, Majestade.

- Bom dia por que, infeliz? Você sabe que dia é hoje?

- Sim, Majestade. É o último dia de seu reinado.

- Então não pode ser bom, não acha? Ou você imagina que estou imensamente satisfeito com tudo isso?

- Claro que não, Majestade. Claro que não. Eu apenas penso, se o senhor me permite, no lado bom.

- Bom? Como assim? Se fosse bom eu já teria tomado essa decisão antes. Ainda bem que você é meu mordomo, não meu conselheiro…

- Sim, senhor. Já estamos indo? Devo preparar a carruagem?

- Ainda não. Quero retardar esse momento ao máximo. Meu estômago se revira, a cabeça dói só de pensar em dar tamanha satisfação a essa terra de ingratos. Não percebem o quanto avançamos nos últimos 23 anos! Não enxergam que, graças a mim, estamos diante de oportunidades que nunca tivemos!

- São ignorantes, senhor.

- Eu deveria ser aplaudido nas ruas e nem posso pisar na calçada. Só tenho tranquilidade quando estou no exterior. E mesmo assim as mensagens não param de chegar. Denúncias desses malditos fofoqueiros, investigações sobre meus negócios. Eu c… e ando para eles, mas chega uma hora em que dá vontade de mandar tudo à m…

- Calma, Majestade. Eles não merecem sua irritação.

- Eu sei! Mas agora é tarde. Eu sabia que não poderia confiar nos suíços. Eles me prometeram segredo sobre aquela… você sabe. Canalhas! O Rei deles não fazia nada sem me consultar, agora finge que não me conhece… aquele traidor. Preciso me antecipar, não tem mais jeito.

- Lamento muito, senhor. Mas veja: depois de hoje, Vossa Majestade não terá mais de lidar com essas preocupações. Poderá escolher um lugar paradisíaco e esquecer de tudo.

- Não precisava ser assim… eu já tinha preparado a minha retirada para daqui a dois anos. Teria o gostinho de vê-los todos comendo na minha mão. Mas parece que um complô se formou. Esses coitados ainda terão saudades de mim.

- Não tenho dúvida, Majestade. O momento é agora, o Carnaval está chegando.  Resolva tudo hoje e, na próxima semana, ninguém se lembrará desse assunto.

- Meu conselheiro disse a mesma coisa…

- Peço a carruagem, Majestade?

- Sim, pode pedir. Chegou a hora.

______

Quando o mordomo saía da sala para avisar o cocheiro que o rei estava pronto, um mensageiro se aproximou.

- Tenho uma mensagem para Vossa Majestade…

- Ande, me dê logo esse papel… quem poderia me incomodar agora?

Ao abrir o envelope, o rei franze a testa. As notícias são preocupantes.

- Eu sabia… malditos! Eles já estão salivando… querem meu lugar…

O mordomo ficou curioso.

- O senhor fala de quem, Majestade?

- Daqueles nobres regionais de quinta categoria! Mal conseguem cuidar das próprias vidas e já estão tramando minha sucessão. Eles acham que sou idiota? Enviaram um pedido de reunião, querem vir aqui e conversar, mas eu sei exatamente o que pretendem…

- E o que seria, senhor?

- Realmente o burro aqui não sou eu… pelo amor de Deus, seu infeliz, é evidente que querem me pressionar contra a parede. Querem me obrigar a aceitar o que é melhor para eles. Isso não está claro para você?

- Não possuo sua sagacidade, senhor…

- Veja, criatura: eles me apoiaram por causa do grande evento que acontecerá daqui a dois anos. Se não fosse por mim, o rei da Suíça, que é quem decide essa m…, jamais escolheria a nossa candidatura. Enquanto estou aqui, todos eles lucram, entendeu? Mas se eu sair de cena, eles vão querer o poder. E até uma múmia como você deve saber que eu não posso permitir isso.

- Claro, Majestade. Agora entendo. O que o senhor vai fazer, então?

- Primeiro vou resolver o problema de hoje. Vou chamar mais um daqueles atletas campeões para trabalhar comigo. Qual é o nome dele, mesmo? Bom… não importa. Eu o chamo, fazemos uma declaração oficial e ele me elogia em público. Os safados que querem minha renúncia terão de esperar sentados. Que tal?

- Excelente, senhor. Devo entender que o senhor mudou de ideia?

- Não, gênio, quero ganhar tempo. Não posso renunciar agora, com os cães babando. Minha decisão está tomada, mas por agora talvez seja melhor deixar tudo como está e apenas me afastar por um tempo. Quem manda aqui sou eu, não eles.

- E ao pedido de reunião, como Vossa Majestade responderá?

- Deixa eles virem aqui. Não são muito espertos, vou enrolá-los como sempre fiz. Eles sairão certos de que estão numa posição privilegiada. Não sabem com quem estão lidando.

- Brilhante, senhor. O que faço com a carruagem?

- A que está lá fora agora? Cancele. Mas mantenha todos os planos para minha viagem. Vou aproveitar que esses foliões estarão todos bêbados e me mandar. Talvez faça algum anúncio, talvez não. Agora preciso de tempo.

- Perfeitamente, senhor. Boa viagem.

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O rei está cansado. A idade e os tombos do passado cobram seu preço em forma de cefaleias que analgésicos não tratam. Certos movimentos, na vida cotidiana e no exercício do poder, se tornaram impossíveis. Levantar da cama é um suplício causado pelas dores nas costas e pela obrigação de encarar mais um dia. O mordomo é chamado todas as manhãs.

- Onde está você, infeliz!?

- Aqui, Majestade, deixe-me ajudá-lo. O tempo está bom hoje…

- Estou c… para o tempo. Preciso me vestir e sair daqui o quanto antes.

- É por isso que a carruagem real está lá fora, senhor?

- O que você acha? É claro que sim. Vou ao encontro de minha família. Partirei em minutos.

- De novo? Pensei que Vossa Majestade tinha resolvido todos problemas na última assembleia com os nobres regionais…

- Aqueles pulhas… Você sabe muito bem o que eles queriam. Chegaram com o peito cheio, mas mudaram o tom quando ofereci mais algumas poucas moedas. Eles não resistem ao barulho do metal. Estão todos quietinhos agora.

- Brilhante estratégia, senhor. Aqui estão suas meias…

- Mas o que fiz foi apenas deixar claro a eles quem manda. Eu vou colocar aqui quem eu quiser e eles terão de aceitar. Meus planos de me ausentar não mudaram. Viajarei a Raton e não sei quando volto.

- Permita-me perguntar… Por que agora, Majestade?

- É o melhor momento. Tem esse rolo do francês com o ministro… Vou deixar a coisa pegar fogo. Quero ver esses políticos resolverem o problema. Não quiseram me receber, agora que se virem. Me passe o paletó…

- Eu o felicito pela decisão, senhor. Dessa forma, Vossa Majestade descansa e observa o desenrolar das coisas. Mas que deselegante foi a declaração do secretário francês…

- Você acha que alguém diz uma coisa dessas sem saber exatamente o que acontecerá? Por favor, criatura, pense um pouquinho. Esse francês é meio atrapalhado, mas sabe o que está fazendo. Eu o conheço bem. Quero ver onde isso aí vai dar… Onde estão meus sapatos?

- Vou buscá-los no armário. O senhor realmente não sabe quando volta?

- Não, ainda não pensei nisso. Tem muita coisa acontecendo. Preciso monitorar aquela situação na Suíça, cuidar da saúde. Agora querem investigar até os magistrados que jogam umas peladas no nosso campo de futebol! Não dá, vou sumir por uns tempos.

- Enquanto o senhor estiver fora, quem vai cuidar daquele evento que organizaremos daqui a dois anos?

- Convidei aqueles meninos para aparecer na televisão e nos jornais. Eles dão entrevistas, aparecem bastante, o povo gosta. Mas quem manda sou eu. Ninguém dá um passo sem eu mandar.

- E quem ficará no seu lugar por aqui, Majestade? A quem devo servir durante sua ausência? Não me diga que é aquele…

- De quem você está falando? Diga logo.

- Desculpe, senhor. Mas falo daquele que pegou a medalha.

- Exatamente. É ele. A escolha foi minha. E já determinei uma reforma na nossa sala de troféus. Ele está animado com as novas atribuições. E não esqueça: seu novo chefe gosta muito de sorvetes. Mande comprar.

- Não vou esquecer, Majestade. Boa viagem.

______

O mordomo não podia acreditar. Seu rei havia abandonado o trono, para não mais voltar. As informações vindas de Raton foram a gota d’água para o leal servo. O relacionamento com os dois senhores a quem ele devia obediência não era agradável. Sim, eram dois. Um lhe atormentava com voraz apetite para sorvetes. O outro lhe causava arrepios pela lembrança de um incendiário imperador romano. A esperança de voltar a servir à Sua Majestade era o que lhe mantinha são. Com a notícia da renúncia, o mordomo decidiu fugir. Ele tinha de ver o rei.

Chegou a Raton com o dia amanhecendo. O rei já estava acordado, mas ainda na cama, num estado de torpor causado pelos remédios para dormir. A voz do mordomo o alertou.

- Meu rei…

- Infeliz… é você?

- Sim, Majestade. Como tem passado? Não posso crer que o senhor não voltará…

- Não voltarei, está decidido. O que você está fazendo aqui?

- Desculpe, senhor. Preciso ouvir de sua boca que seu reinado acabou.

- Acabou. Você não viu as notícias, não soube da carta que deixei?

- Claro, senhor. Mas me surpreendi. Talvez tenha dado muita importância aos relatos de que o senhor jamais renunciaria. Pensei que essa história seria como a do cavaleiro mascarado, aquele que jamais é pego…

- Sabemos que você nunca foi muito esperto, não é? Declarações de pessoas interessadas em minha permanência, repercutidas por vassalos de pouca capacidade cerebral, assim como você. Minha decisão foi tomada há tempos.

- Lamento minha avaliação equivocada, Majestade. O que houve com seu rosto?

- Meu rosto?

- Vossa Majestade tem olheiras profundas. E há quantos dias não faz a barba?

- Nada disso importa, agora. Não preciso me preocupar com aparências. E não tenho tido muito ânimo para sair deste quarto. Como estão as coisas por lá?

- Difíceis, senhor. Se me permite falar abertamente, o novo rei não passa a impressão de saber o que faz. Apenas repete que dará continuidade ao trabalho de Vossa Majestade. Sinto que existe uma suspeita de que ele é manipulado por outro nobre regional.

- Qual? Deixei ordens expressas quanto ao meu substituto.

- O mercador veneziano… o imperador de Roma… o senhor pode escolher.

- Ah, sim. Você não precisa saber dos detalhes, mas essa era exatamente a minha vontade. Não posso permitir que alguém com ideias mirabolantes ocupe meu trono. Tudo deve continuar como está.

- Entendo. Dizem lá que há vários nobres descontentes com a situação, Majestade. Fala-se em disputa pelo poder, talvez até com o envolvimento do baixo clero que cuida dos jogos que divertem o povo.

- Que piada… só eles para me fazer rir numa hora dessas. Esses aí não conseguem nem ficar juntos numa sala por dez minutos. Se depender deles, o castelo pega fogo.

- Não diga isso, Majestade. É capaz de aquele senhor gostar da ideia… Ah, já ia me esquecendo: seus amigos fizeram com que o povo soubesse que seu reinado foi um tempo de trabalho e prosperidade.

- Com isso eu nunca precisei me preocupar. Agora me dê licença…

- O que vai fazer, senhor?

- Vou ao trono, infeliz. É o que mais gosto de fazer hoje em dia.

LANCES DA RODADA

segunda-feira, 19 de março de 2012

Se o futebol permite viagens de ida e volta entre o céu e o inferno (Casemiro que o diga) num mesmo jogo, imagine o que não acontece em dez dias.

Nesse período (4 jogos), Lucas deu uma volta ao mundo.

Fez quatro atuações completamente diferentes: individualista contra o Independente, no Pará. Birrento contra a Portuguesa. Discreto contra o mesmo Independente, no Morumbi. E decisivo contra o Santos (São Paulo 3 x 2), ontem.

A irregularidade é normal para um garoto de 19 anos, que tem tanto potencial quanto lições a aprender. A imaturidade para lidar com críticas e elogios também faz parte do caminho.

Ainda mais para quem é tão jovem e tão badalado.

O clássico pode ter sido um sinal. Talvez Lucas tenha começado a entender que precisa decidir que tipo de jogador pretende ser um dia.

Atuou como quem sabe que sua obrigação é colocar qualidade individual a serviço do time. Que uma coisa não vale nada sem a outra. Driblou e levantou a cabeça. Foi importante no momento em que o São Paulo ficou com um jogador a menos, porque corre como um galgo, sabe prender a bola e não é cai-cai.

O lance de seu gol, o da vitória do São Paulo, reuniu tudo o que aconteceu com Lucas nos últimos dias.

Recebeu livre e se viu em condições de invadir a área do Santos. No primeiro momento, deu a impressão de não saber exatamente o que fazer. Entre ir para o gol e esperar a chegada de um companheiro, prefiriu a segunda opção. O passe para Cortez foi consciente, mas impreciso, um pouco atrás. Por isso o lateral não conseguiu concluir como deveria e perdeu o gol.

Só que a mesma bola que pune, premia quem merece.

Da trave, ela voltou e se ofereceu para Lucas (impedido, sim, mas esse não é o ponto aqui), que teve calma para ajeitar e fazer o gol.

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O impedimento no gol de Lucas deveria ter sido marcado. O erro mudou o placar do jogo.

Independentemente disso, nenhum time pode levar dois gols jogando com um homem a mais.

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Ainda que o Vasco tenha utilizado uma escalação alternativa, o clássico contra o Botafogo (3 x 1) pode ficar na história como “o dia em que Fellype Gabriel fez 3 gols”.

Mas se o meia botafoguense tiver uma carreira brilhante – tomara que tenha, óbvio – viverá outros momentos de protagonismo.

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O Atlético Mineiro (2 x 1 no Villa Nova) venceu todos os jogos que fez em 2012.

Foram oito, sete pelo Campeonato Mineiro e um pela Copa do Brasil (PVC informa que se trata do melhor início de temporada do clube desde 1976).

Mesmo que campeonatos estaduais não sirvam como parâmetro para a temporada de clube algum, não direi que não é nada, não é nada…

Porque se fossem oito jogos sem vitória, Cuca já estaria no mercado e a torcida, revoltada.

Então vamos aplaudir e acompanhar. Sem supervalorizar.

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Fernando Torres marcou um gol - de fato, dois –  na vitória do Chelsea (5 x 2) sobre o Leicester City, pela Copa da Inglaterra.

O nível de confiança do atacante espanhol era tal que ele não quis bater um pênalti num jogo recente.

Os gols marcados no domingo pesam toneladas.

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E esse gol aqui

Corriqueiro?