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SOBRE MESSI E A INCOMPREENSÃO

por André Kfouri em 20.fev.2012 às 12:19h

Não pretendo me estender no assunto, por dois motivos.

Estamos no meio do Carnaval (para mim, oportunidade de descanso, que fique claro) e o plano é escrever uma coluna sobre o tema, no Lance!.

Mas creio que Messi vale tantos posts – e colunas – quantos forem necessários.

O sujeito fez 4 gols ontem, na vitória do Barcelona sobre o Valencia, pelo Campeonato Espanhol. Foi a sexta vez que ele marcou pelo menos 3 gols no mesmo jogo nesta temporada.

Após a partida, Mauro Cezar Pereira, meu companheiro de ESPN, fez um comentário em sua página no twitter, sugerindo a hipótesese de, no futuro, Messi superar Pelé como o maior jogador de todos os tempos.

Mauro não escreveu que isso acontecerá.

Não escreveu que acha que isso acontecerá.

Escreveu, apenas, e com todas as letras, que é possível.

Como acontece com lamentável frequência a cada vez que uma opinião sobre futebol é oferecida, todo tipo de interpretação equivocada apareceu.

Todo tipo de leitura (??) foi feita.

E por parte de quem “não concorda” com Mauro (sou obrigado a entender que são aqueles que consideram impossível que Pelé seja superado por alguém, porque nada além disso foi sugerido no tweet), todo tipo de argumento foi utilizado para diminuir Messi.

Entre eles, o onipresente “quando ganhar uma Copa…”

A parte engraçada dessa história é que quem critica Messi por não ter conquistado um Mundial com a Argentina, de fato, concorda com o que Mauro Cezar escreveu.

Assume que, sim,  Messi estará na conversa sobre o melhor da História, se levantar a taça.

Mas insiste que levar seu país a um título mundial é condição para entrar no panteão dos imortais.

Ao fazê-lo, esquece que a Copa não é mais – como na época de tantos gigantes – o único cenário em que os melhores jogadores do mundo se encontram, se enfrentam, se medem, diante de todo o planeta.

A Liga dos Campeões da Uefa também promove, anualmente, essa avaliação.

E com o bônus de podermos ver esse jogadores 1) em forma, e 2) por um período muito superior a um mês.

Não quero dizer que a Copa do Mundo perdeu importância, ainda que muita gente (jogadores de futebol, incluídos) pense assim.

O que digo é que a UCL está aí para nos mostrar o que, antes, só poderia ser visto de 4 em 4 anos. E por menos tempo.

E o que temos visto Messi fazer com o Barcelona deveria ser suficiente para que tivéssemos, todos, uma exata noção de quem ele é. E do que pode vir a ser.

Ademais, como já escrevi aqui (e repeti ontem, também no twitter), quando Barcelona e Real Madrid se encontram, a seleção campeã do mundo está em campo. E não me parece que haja dúvidas sobre quem é o melhor jogador, ali, entre todos.

É triste que debates como esse, que deveriam ser centrados na paixão pelo futebol, sejam corroídos por ignorância, sentimentalismos, clubismos e até nacionalismos.

Porque, como se sabe, há quem goste de falar dos números de Pelé para criticar Maradona e questione os números de Schumacher para elogiar Senna.

Se Messi fosse brasileiro e tivesse disputado as Copas de 2006 e 2010, sem nada para mostrar, ninguém por aqui ficaria indignado ao ler seu nome escrito ao lado do de Pelé.

Muito menos no terreno das possibilidades que o futuro reserva, como Mauro Cezar fez e muita gente não teve capacidade de compreender.

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Falei que não ia me estender e olha aí…

Bom, tomara que toda a coluna não esteja aí em cima.

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Mudando de assunto, tem post novo no Mais Gelo, sobre “Os Homens que Não Amavam as Mulheres”.

 

58 comentários para “SOBRE MESSI E A INCOMPREENSÃO”

  1. Alexandre disse:

    Acho muito difícil, senão impossível, respondermos à questão sobre qual o “melhor” futebolista de todos os tempos.
    Primeiro porque é um esporte coletivo, o que faz com que muito do que um jogador alcance dependa de seus companheiros e dos técnicos que o dirigiram. O Messi só é o que é por causa do Barcelona, bem como o Pelé só foi o que foi graças ao Santos e a Seleção.
    Jogar (e ganhar) ao lado de craques como Xavi, Iniesta, Pepe ou Garrincha, potencializa as qualidades de um gênio, mas aumenta em muito sua responsabilidade, pois a cada jogo sua grandeza pode ser comparada à dos companheiros.
    O segundo motivo é que o futebol, como o esporte em geral, evolui com o tempo, o que faz com que as condições enfrentadas por jogadores de épocas distantes sejam absolutamente diferentes.
    O Pelé não enfrentou marcação tão cerrada como o Messi, mas também não lhe foi oferecida uma preparação física tão avançada como a atual. Não participou de jogos tão intensos como os atuais, mas não tinha à sua disposição chuteiras e bola de última geração nem campos que parecem um tapete.
    Por outro lado, o que podem ser comparadas são as realizações de um e outro no gramado ao longo da carreira. Neste ponto, creio que o Messi (e qualquer outro jogador em qualquer época), não atingiu tantos feitos quanto o Pelé. Mas ele ainda tem só 24 anos e é o único em décadas com potencial para superar os feitos de Pelé.
    De resto, considero simplesmente tolos os que consideram de pronto ser “impossível” superar o Pelé, como se ele não fosse humano, tão tolos quanto aqueles que, para enaltecer as qualidades do Messi, tentam diminuir os gigantescos feitos do Pelé e de outros gênios do passado.

  2. Alexandre disse:

    Sobre o mesmo assunto, vale a pena ler o que disse o Neto, colega do André no Lance: http://blogs.lancenet.com.br/neto/2012/02/22/viva-o-politeismo-no-futebol-mundial/

    E vale a pena refletir sobre o que disse um outro gênio (frase válida para qualquer um daqueles que desafiaram os limites humanos, em qualquer área):

    “If I have seen further it is by standing on the shoulders of Giants”
    Sir Isaac Newton

  3. Américo disse:

    Texto muito bom. E mais, para mim Messi já é o maior da história. Ninguém é melhor do que o outro porque fez mais gols, ou porque ganhou uma copa. Messi já demonstrou que é o melhor. Parabéns pelo texto. Mauro Cezar também. As pessoas têm medo de afirmar que Messi é melhor que Pelé.

  4. elder disse:

    pelé ja mostrou um certo temor sobre messi vir a ser ( e para mim ja é ) o melhor de todos os tempos, só tenho q agradeçer por poder viver durante o periodo em que este homem faça coisas tão geniais….que dom…q humildade….q transparência….e nisso vem o merecimento! obrigado maior de todos.

  5. antonio carlos motta disse:

    creio que tecnicamente o messi é melhor que o pele.maradona foi o genio das copas,ninguem fez o que ele fez ,e todo viu…mas messi é gigante porque joga entre os gigantes.qualquer jogador mais ou
    menos.se destaca entre os pequenos.e messi sera o maior.

    ah! quando o messi pega a bola sabemos o que ele fará,quase em 90% dos lances pulverizará os zagueiros e gols.e escapara das faltas.a diferenca de sua enorme habilidade,e nao sera alvo facil dos beques.

  6. GeCesar disse:

    André, se me permite a pretensão, gostaria de pontuar de forma um pouco diferente e acrescentar sobre a sua resposta ao Marcos Vinícius. Além das diferenças evidentes entre a seleção Argentina e o Barcelona, o Messi faz uma função muito diferente na seleção. No Barcelona ele não precisa ser o armador do time, ainda que, eventualmente, ele faça essa função. Na seleção ele joga mais recuado para ser essencialmente o armador do time e, tanto na Copa do Mundo como na Copa América, fez essa função de maneira exemplar, colocando os atacantes argentinos em condições de fazer os gols, inúmeras vezes por partida. No Barcelona ele decide. Na seleção ele coloca outros para decidir e aí…

  7. vladas (Lituânia) disse:

    Parabéns, André e Mauro, vcs são feras e conseguem ver as coisas de forma racional, sem pré-conceitos, usando da inteligência.
    Estou com vcs,
    Vladas, de Vilnius(Lituânia)

  8. Mauro Penha disse:

    1º Maradona, 2º Messi, só isso!

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