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Arquivo de fevereiro de 2012

A RESPOSTA DA TRIVIA

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Perdão pelo atraso. Não esperava tantos palpites…

Vamos à apuração. Computei todas as citações feitas a técnicos, independentemente dos clubes mencionados.

Resultado:

Felix Magath – 21

José Mourinho – 16

Pep Guardiola – 10

Sir Alex Ferguson – 9

Vanderlei Luxemburgo – 7

Louis Van Gaal – 5

Fabio Capello – 5

Johan Cruyjff – 4

Luiz Felipe Scolari – 3

Arsene Wenger, André Villas-Boas e Rafa Benítez – 2

Roberto Mancini, Marcelo Lippi – Frank Rijkaard, Gus Hiddink, e Giovanni Trapattoni – 1

Engraçado como o jeito durão de Mourinho e Magath, e seus conhecidos métodos de controle dos jogadores, condicionam o nosso pensamento…

Mas os dois campeões de palpites nada têm a ver com a história.

O trecho do livro que aparece publicado no post é sobre a chegada de Pep Guardiola ao time principal do Barcelona, em 2008.

Imaginei que Guardiola receberia poucos palpites, por sua personalidade discreta e o caráter, digamos, relaxado de seu time.

Mas o fato é que a dinâmica deste Barcelona que encanta o mundo é resultado de muita disciplina.

Junto com meus agradecimentos pela participação, devo um pedido de desculpas por possivelmente ter complicado as coisas com o trecho “Havia também um sistema de incentivos que o técnico desenvolveu num clube anterior”.

Como Guardiola só trabalhou no Barcelona (começou sua carreira no time B), a frase pode tê-lo excluído das considerações de alguns. Eu deveria ter usado “numa experiência anterior” ao substituir o texto original, que cita o Barcelona B.

O trecho que publiquei faz parte do livro “Barça – The Making of The Greatest Team in the World”, do jornalista britânico Graham Hunter, lançado neste mês (só há edição em inglês por enquanto).

Um livro-reportagem que mostra como Guardiola assumiu um time em decadência e o transformou numa equipe revolucionária.

Demorei três dias para ler (e cometi algumas irresponsabilidades por não conseguir largá-lo).

Graham Hunter radicou-se em Barcelona em 2001 e é um dos raros jornalistas a quem Guardiola deu entrevistas exclusivas durante seu período no clube.

Escrevo mais sobre o livro no Lance! de amanhã.

Uma vez mais, obrigado pela participação na trivia.

CAMISA BONITA, PELO MENOS

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

A Seleção Brasileira venceu a Bósnia (2 x 1: Marcelo, Ibisevic e Papac-contra) com um gol contra aos 45 minutos do segundo tempo.

De fato, venceu um jogo em que o adversário marcou mais gols. O futebol tem disso.

Não seria problema se o placar fosse retrato do jogo, se a infelicidade do jogador bósnio (Ganso teria grande chance de marcar, se a bola passasse) fizesse justiça a um amistoso em que o Brasil jogou mais, criou mais, finalizou muito mais e a bola não entrou.

Mas não foi isso que aconteceu no gramado (mais sobre o tema em instantes) da AFG Arena, em St. Gallen, um lugar onde a Seleção Brasileira não deveria pisar.

O que se viu foi um time que não jogou bem e não mereceu vencer. E um time que não foi ajudado por Mano Menezes, seu técnico.

No meio de campo do Brasil, setor evidentemente problemático, havia dois jogadores em posições que não são suas preferidas.

Ronaldinho e Hernanes. O rubro-negro (que vai melhor pela esquerda) jogava no meio. O ex-são-paulino (que vai melhor pelo meio) jogava na direita.

Alguém achará, eu sei, um par de jogos do Campeonato Italiano em que Hernanes atuou do lado direito, na Lazio. Mas será o suficiente para escalá-lo por ali na Seleção?

No caso de Ronaldinho, cuja convocação – hoje – só encontra explicação no apelo de bilheteria que seu nome carrega, a tentativa de usá-lo como organizador, centralizado, foi ainda mais estranha.

Principalmente porque o jogador que deveria estar em campo fazendo essa função passava frio, no banco.

Na segunda metade do segundo tempo, Ganso entrou, as peças foram para seus devidos lugares e o time cresceu. Um pouco.

Ganso deveria ter começado como titular, simplesmente porque se a Seleção Brasileira terá um criador, tem de ser ele. Pois não há outro (uma vez mais: Kaká joga em outra posição).

A propósito: no início, o desenho do time de Mano era muito semelhante ao do time de… Dunga.

De modo que não deveria haver motivo para celebrar uma vitória casual, em que o resultado (Mano fez até substituição para comer o relógio) pareceu muito mais importante do que o desempenho.

Sobre o gramado: os jogadores brasileiros reclamaram da altura da grama, que dificultava o “toque de bola” da Seleção.

Não é brilhante?

A Seleção Brasileira gera cotas milionárias em seus amistosos, e mesmo assim é levada para jogar em gramados que atrapalham o seu próprio conceito de futebol.

Conversa de loucos.

Pelo menos a estreia do Brasil em 2012 teve um ponto positivo: não precisamos mais aturar aquela escabrosa e inexplicável faixa verde no peito.

A camisa nova é bem melhor.

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Ah, obrigado pela participação na trivia do post abaixo.

Alguns palpites foram realmente interessantes, pelo raciocínio que há por trás.

Na manhã desta quarta, nos divertiremos com a revelação dos nomes do técnico e do clube em questão.

QUEM É? QUEM É?

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

O trecho abaixo é parte de um livro a respeito de um time de futebol europeu. É excelente material.

Vamos fazer um teste de adivinhação aqui.

Troquei o nome do treinador por “o técnico” e retirei o nome do clube dos parágrafos.

Diga quem são. O clube e o técnico.

Suspeito que o número de erros será muito maior do que os acertos (se houver).

Amanhã voltarei com as respostas e as informações sobre o livro, para os interessados.

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“As regras do técnico eram simples. Primeiro, o time precisava chegar para tomar o café da manhã. Ninguém era obrigado a comer junto pela manhã, ainda que o almoço era quase sempre considerado parte do dia de treino e, portanto, obrigatório. Mas os jogadores tinham de assinar um livro de chegadas num determinado horário, normalmente 60 minutos antes do começo do treino. Na hora marcada para o início do treinamento, os jogadores eram esperados no campo, completamente vestidos; prontos, fisica e mentalmente, para dar tudo na sessão, ou eram multados.

As multas por atraso começavam com 500 euros por cinco minutos, até 6 mil euros, e quem chegasse tarde tinha de treinar sozinho. Amarrar as chuteiras no campo, chegar 10 segundos atrasado, qualquer falha, não importava o tamanho, era proibida. Os atrasados eram recebidos com aplausos irônicos por absolutamente todos os envolvidos no treinamento.

De segunda a sexta, os jogadores tinham de estar em casa à meia-noite, no máximo, e deveriam esperar uma ligação do técnico ou de seus assistentes. Se a ligação não fosse atendida, sem explicação convincente, outra multa de quatro digitos estava a caminho.

Onde e quando jogadores poderiam gravar comerciais de televisão ou trabalhar para seus patrocinadores ficava sob controle restrito e somente uma pessoa, o técnico, tinha a palavra final.

O uso de telefones celulares e fones de ouvido também era controlado (como em muitos outros clubes) e os jogadores eram avisados que entrar no rodízio de entrevistas coletivas e dar autógrafos para torcedores em viagens eram obrigações.

Havia também um sistema de incentivos que o técnico desenvolveu num clube anterior. Se o time ganhasse quatro jogos seguidos do campeonato nacional ou dois jogos da Liga dos Campeões, o técnico pagaria um almoço ou jantar para todos os jogadores.

Por que não pagar os jantares com o dinheiro das multas? Sim, essa costuma ser a norma. Um time de futebol tem um sistema de multas imposto pelo chefe e, no fim da temporada, o dinheiro é usado para um grande jantar ou, mais provável, uma boa festa.

O técnico achava que isso era contraproducente. Se as multas eventualmente servirão para financiar uma noite de diversão e álcool, quem foi penalizado? Em vez disso, todas as multas eram enviadas para uma associação beneficente ligada a hospitais.”

LANCES DA RODADA

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Melhores momentos do fim de semana, no Rio e em SP:

* A finalização de Fred, no lance do terceiro gol do Fluminense (3 x 1 no Vasco). Foi o último toque de uma bonita jogada do campeão da Taça Guanabara, em que Thiago Neves pediu a bola para Bruno Vieira e Fred sinalizou para Thiago, querendo o passe dentro da área. Muitos atacantes, talvez a maioria, optariam pelo chute cruzado. Fred, cujo talento para fazer gols dispensa comentários, pensa e faz diferente.

* A lição, mais uma, a dirigentes apressados. Abel Braga correu o risco de perder o emprego durante o primeiro turno do Estadual. Foi realmente pressionado (em fevereiro e com o time disputando a Libertadores) pelos “resultados” que seu time apresentou até agora. Ganhou o título e deve ter um pouco de paz. É ridículo que um treinador tenha de passar por isso.

* A finta de Barcos em Paulo Miranda, no lance do segundo gol do Palmeiras (3 x 3 com o São Paulo). Uma jogada que não acontece sempre e que conta tanto a favor de quem aplicou o drible, quanto contra quem levou. O argentino do Palmeiras mostrou que é um jogador interessante. Paulo Miranda já sabe.

* As atuações de Neymar e Ganso, na goleada do Santos (6 x 1 na Ponte Preta). Ok, um placar elástico, sozinho, não pode servir para que digamos que o Santos voltou a seu nível máximo. Ou que sua talentosíssima dupla está pronta para fazer o que sabemos que é capaz. Mas houve momentos do jogo contra a Ponte que lembraram o primeiro semestre de 2010. Boas lembranças.

* A bola que Willian roubou, na jogada do gol do Corinthians (1 x 0 no Botafogo). Se não fosse a ação do atacante, que pressionou na intermediária e criou a oportunidade, Adriano não teria dois gols com a camisa corintiana.

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Na Espanha, Real Madrid e Barcelona venceram seus jogos, com gols extraordinários de seus astros.

O calcanhar de Cristiano Ronaldo está aqui. Repare como havia tráfego na área.

A cobrança de falta de Messi (verdade que o goleiro ainda arrumava a barreira), aqui. Lembrou um golaço de Zico (aqui, a 1’25″), em 1987, contra o Santa Cruz.

COLUNA DOMINICAL

domingo, 26 de fevereiro de 2012

(publicada ontem, no Lance!)

DEIVID NÃO DEVE

Nós sabemos como Deivid se sentiu. Não precisamos ter “estado lá” para saber. Não precisamos ter a noção do que é perder, talvez, o gol mais feito da história dos jogos entre Flamengo e Vasco, para saber. Não precisamos ter um notável currículo de gols não feitos na carreira para saber. Nós sabemos.

Sabemos porque todos nós podemos contar a história de um momento que faríamos tudo para viver de novo. Tudo para ter de volta. E fazer tudo ser diferente. Aquele momento em que, se houvesse um buraco suficientemente grande por perto, entraríamos. Se houvesse a possibilidade de desaparecer, sumiríamos. Mas um grande constrangimento não o seria, é claro, se pudéssemos reescrevê-lo de forma a terminar bem, sem nos dominar pela vergonha, sem nos oprimir com a pergunta inconveniente: o que acabei de fazer?

Não importa se foi na pequena área de um estádio de futebol ou na vida pessoal. Não importa se o Brasil inteiro viu ou se aconteceu diante de uma só pessoa. Não importa por quanto tempo o embaraço durará no estômago de sua vítima, ou o tamanho da repercussão. Na hora em que se percebe que o que está feito está, sim, feito, a sensação é a mesma. É por isso que sabemos.

A diferença entre nós e Deivid são apenas as circunstâncias. Ele viu a bola se aproximando, sabia exatamente onde estava. Não, não pensou em nenhum resultado que não fosse o gol. Não pensou na ínfima chance de, diante de 7,32m, a bola escolher os 12 centímetros da trave. Não daquela distância. Não pensou em fazer a torcida do Flamengo gritar e depois ter de recolher o grito. Não pensou em fazer Fernando Prass, certo do que estava prestes a acontecer, repreender sua zaga por um gol que ela não permitiu. Não pensou em fazer Luis Roberto, da TV Globo, perder a capacidade de narrar e, efetivamente, recorrer ao silêncio que diz tudo. Deivid só pensou na comemoração. Uma comemoração condenada a ser um pensamento.

Nós também sabemos o que é preciso fazer quando momentos assim acontecem. Sabemos que essas são as situações que nos definem como pessoas, situações muito mais importantes do que gols marcados e comemorados. A atitude que se tem depois pode reeditar o episódio, com um final diferente. Ou aumentar a vergonha.

Deivid escolheu o caminho mais difícil. Em vez de fingir que nada anormal aconteceu no Engenhão e mergulhar no mundo dos óculos escuros, bonés e fones de ouvido, decidiu mostrar a cara. Em vez de se calar e se refugiar no paternalismo que impera no futebol, decidiu falar. Em vez de esperar o inevitável próximo gol para “responder aos críticos”, decidiu responder de fato.

Ao pedir para conceder entrevista no dia seguinte e não fugir de nenhuma pergunta, Deivid foi corajoso. Ao aceitar sua responsabilidade e as consequências, foi digno. Ao atribuir a eliminação de seu time ao gol que perdeu (um evidente exagero), foi generoso. Coragem, dignidade, generosidade. No dicionário, sinônimos de “brio”. Nos dias atuais, um comportamento raro.

Deivid não está em dívida com ninguém.

CAIXA-POSTAL

sábado, 25 de fevereiro de 2012

De volta!

Aos assuntos das últimas semanas:

André escreve: No final da maravilhosa temporada do Porto no ano passado, você escreveu um post dedicado ao surgimento do André Villas Boas como um técnico super moderno, uma das grandes promessas de renovação do futebol e sobre a tremenda oportunidade de comprovar tudo isso no Chelsea. Hoje sabemos que o “tudo isso” ainda não está comprovado e que o mais provavel é que sua passagem pelo Chelsea será marcada por fracasso (meio forte a palavra, mas no final das contas é isso mesmo) e demissão. A sua opinião sobre ele mudou depois desses meses de “insucesso” (para usar uma palavra mais tranquila) no Chelsea? Se você fosse o presidente de algum dos super times (Real, Barcelona, ManU, Inter, etc) que podem escolher quase quem eles quiserem para treinador, contrataria o Villas Boas?

Resposta: Não me lembro de ter me referido a Villas-Boas como um técnico “supermoderno”. Escrevi, sim, sobre seus métodos de trabalho, mais relacionados à parte humana do jogo, à motivação dos jogadores. Não há possibilidade de um treinador tão jovem como ele ter conquistado o que conquistou no Porto sem méritos. O que se passa é que, entre os grandes clubes da Europa, talvez o Chelsea seja o time mais difícil de dirigir. A base de jogadores experientes do elenco (Zech, Lampard, Terry e Drogba) é formada por futebolistas que já passaram pelo auge, mas ainda têm nome e status. O que se diz na imprensa inglesa é que AVB luta contra esse “poder” no vestiário, por ter a intenção de renovar o time. Ele cometeu erros, claro. A escalação do time no jogo contra o Napoli foi um deles. Mas não conhecemos a situação interna e os motivos das escolhas que fez. Eu manteria Villas-Boas no comando do Chelsea, e, sim, o contrataria para meu clube. Creio que ele terá uma carreira de sucesso.

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Felipe escreve: Evidentemente que sabemos que o Barcelona atual é merecedor de todos os elogios, todos os adjetivos impressionados e lisonjeantes que recebe e muitos mais (em que pese a campanha abaixo do que pode no Campeonato Espanhol). Mas será que esse time não teve um salto de desempenho após ter vencido a Liga dos Campeões em 2008/09? Porque, antes, mesmo sendo um time bom, estava em pé de igualdade com outros bons times da Europa, como Chelsea, Manchester United, o Milan de então… na final em Roma, então, havia até mais palpites a favor do Manchester United. Só que, ao vencer aquela final, e do jeito que venceu, foi como se aquele time – e, por tabela, Guardiola – dissesse: “Estamos aqui para ser superiores a todo o resto.” Não concorda?

Resposta: Sim. Aquela foi a temporada em que o Barcelona ganhou todas as competições que disputou, na Espanha e na Europa. Sempre haverá debate sobre qual “versão” do Barcelona de Guardiola é a melhor (para mim, é a de 2010/11), mas é certo que, em 2008/09, ficou claro que estávamos vendo algo diferente.

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Mário Sérgio escreve: Presumo que vc assistiu ao documentário “Jordan Rides the Bus”. Comente, por favor.

Resposta: Assisti, sim (trata da decisão de abandonar o basquete e tentar se tornar um jogador de beisebol, em 1993. Faz parte da série “30 for 30″, da ESPN). Achei bom. A impressão que o documentário deu é que Jordan imaginava que deixar a NBA faria com que toda a atenção sobre ele diminuísse. E que sua tentativa de mudar de esporte se daria sem a presença maciça da mídia e o interesse do público. Se ele pensou assim, equivocou-se. Há também uma certa busca pelos motivos que o levaram a tomar tal decisão e o impacto da morte de seu pai, que sempre quis que MJ fosse um jogador de beisebol. O filme não encontra respostas definitivas, mas talvez elas não existam. Achei interessante como fonte de informações sobre a passagem de um superastro do esporte num ambiente sem glamour, como é a rotina de um time de beisebol das ligas menores.

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Sérgio escreve: Olá André. Fui assistir “Moneybal” e fiquei curioso sobre a possibilidade de algo parecido acontecer no futebol, guardadas as diferenças entre os esportes. Você sabe de algo a respeito?

Resposta: Sim. Novas formas de avaliar jogadores já estão em prática na Europa, especialmente na Inglaterra. Clubes como Manchester City, Arsenal e Liverpool têm analistas de números em suas folhas de pagamentos. Um dos executivos do Liverpool (hoje sob o comando dos mesmos donos do Boston Red Sox), Damien Comolli, tem estreitas ligações com Beane. Esse assunto é cercado de muito segredo, pois, obviamente, os clubes estão interessados em vantagens sobre seus concorrentes e o fluxo de informações é restrito. Mas eu diria que o clube de ponta nessa área, hoje, é o Manchester City. Escrevi a respeito numa coluna que publiquei no jornal, aqui.

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Obrigado pelas mensagens. A conversa continua no próximo sábado.

(emails para a CP do blog: akfouri@lancenet.com.br, ou clique no link abaixo da foto)

CAMISA 12

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

(publicada ontem, no Lance!)

DEZ, NOTA DEZ…

A conversa no restaurante próximo ao Santiago Bernabéu entrou pela madrugada. Horas antes, o Barcelona tinha vencido o Real Madrid por 3 x 1, em dezembro passado. Três jornalistas brasileiros, dois argentinos e dois mexicanos, impressionados com o que tinham acabado de ver. O papo logo chegou a Lionel Messi.

“Ele não sente a camisa…”, disse o argentino mais velho, puxando a própria camiseta para demonstrar por que, na opinião dele, Messi não pode ser comparado a Maradona. Referindo-se à seleção argentina e relembrando os heroísmos de Diego na Copa do Mundo de 1986. Mas ele não exige que Lionel “ganhe uma Copa sozinho” (como se isso fosse possível) para se igualar a Maradona, ou superá-lo. Quer apenas ver o superastro do Barcelona “sentir” a camisa celeste e branca como seu ídolo fazia.

O argumento não convenceu o compatriota na mesa, que também chorou em 86 e viu Diego Maradona no auge. E perdeu qualquer chance de convencer os outros quando a questão posta na mesa passou a ser: qual dos dois é melhor? “Não estamos falando sobre isso…”, ele diz. O futebol é tão apaixonante que até argumentos subjetivos são utilizados para elogiar ou criticar, dependendo de quem se trata. Messi sofre com esse tipo de análise em seu próprio país.

Objetivamente falando, se o assunto é a qualidade de Messi como jogador, não faz nenhuma diferença se ele “sente” ou não a camisa de sua seleção. Seu currículo em Copas também não deveria importar, uma vez que futebol não é tênis. Quem cobra de um futebolista a conquista de um Mundial para aceitar sua grandeza, está, apenas, o responsabilizando pelos defeitos de outros. Principalmente porque, hoje, as amostras são mais significativas e numerosas do que em outras épocas.

A Copa do Mundo não é mais o único ambiente em que os melhores jogadores do planeta se medem. A Liga dos Campeões da Uefa nos oferece esse encontro anualmente, por um período muito superior a um mês e com os jogadores em plena forma. O que vimos Messi fazer até hoje, aos 24 anos, já deveria ser suficiente. Sim, o futuro pode – PODE – lhe reservar um lugar exclusivo.

Exagero? Se Lionel Messi fosse brasileiro, Maradona já teria ficado para trás. E ninguém estranharia ao ouvir seu nome e o de Pelé, o Rei do futebol, na mesma conversa.

FOCO

Este deveria ser um debate sobre futebol, estimulado pelo gosto por futebol. Deveria ser protegido de sentimentalismos, clubismos e nacionalismos. No Brasil, como sabemos, costuma-se valorizar os números de Pelé para diminuir Maradona, e diminuir os números de Schumacher para valorizar Senna. Leva-se em conta “o caráter” de esportistas que não conhecemos como pessoas, em julgamentos que deveriam se basear em desempenho.

OLIMPO

O futebol tem eras e gênios. Os imortais são os que brilham mais, os que moldam a excelência do jogo como ele é em seu tempo. É preciso entender e respeitar as diferenças. No passado, houve os gênios do futebol da bola pesada, dos campos ruins, do luxo para pensar e agir, da câmera lenta. Messi é um gênio do futebol da fração de segundo, do metro quadrado exorbitante, dos superatletas, dos gramados impecáveis.

LANCES DA RODADA

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Momentos da rodada de ontem, pelos estaduais…

No Rio de Janeiro:

* O gol de Vágner Love. Interessante ver como ele iludiu a defesa do Vasco, ao se posicionar para o passe para Ronaldinho. Foi apenas uma preparação para o drible e o chute forte. Golaço.

* A postura do Vasco. Quase três anos sem vencer o Flamengo, atrás no placar desde os dois minutos de jogo… e o Vasco tratou de jogar sua bola. A vitória eliminou um peso psicológico.

* O gol perdido por Deivid, reformando o conceito desse tipo de lance. Júnior explicou o que aconteceu, na transmissão da TV Globo: “relaxou, e perdeu”. A impressão que dá é que, enquanto a bola chegava, Deivid já estava pensando na comemoração.

Em São Paulo:

* A arrancada de Neymar, no lance do primeiro gol do Santos. Partiu do campo de defesa, sofreu falta, levou trancos… e não caiu. Serviu Ibson e foi para o abraço.

* Os dramas médicos do São Paulo. A estreia de Fabrício durou apenas 23 minutos, tempo que demorou para que tivesse um problema muscular. E a lesão no joelho de Wellington é rara: no enxerto feito na cirurgia anterior.

* No Pacaembu, rara (para os padrões atuais) vitória do Corinthians por dois gols de vantagem. Se bem que o segundo gol foi irregular, por impedimento de Willian.

E no Rio Grande do Sul:

* O que aconteceu com a defesa do Internacional, na jogada do gol da vitória do Grêmio? Kléber e Souza tabelaram como se não houvesse marcadores interessados.

MAIS LINKS DA LIGA

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Fechando a rodada de ida das oitavas de final da UCL, eis que os finalistas da edição de 2010 se colocaram em situações difíceis.

Na Basileia, com o gramado do St-Jakobs Park em péssimo estado, o Basel venceu o Bayern Munique por 1 x 0.

O gol suíço saiu aos 42 minutos de um segundo tempo em que o time alemão pressionou e criou mais chances.

O Basel terá de suportar a volta na Allianz Arena, mas é bom lembrar que se classificou no grupo que tinha o Manchester United.

Em Marselha, com um gol marcado ainda mais tarde, o Olympique ganhou da Internazionale também por 1 x 0.

Andre Ayew, filho de Abedi Pele, fez o gol francês aos 48 do segundo tempo.

Não acredito que esta edição da Liga dos Campeões tenha visto um jogo pior do que o desta quarta no Velodrome.

As partidas de volta acontecem a partir de 6 de março.

OS LINKS DA LIGA

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

As oitavas de final da LIga dos Campeões da Uefa prosseguiram nesta terça-feira, com mais dois jogos e ida.

Em Moscou (temperatura chegou a -13C), na grama sintética do estádio Luzhniki, CSKA e Real Madrid empataram em 1 x 1 (clipe com melhores momentos).

O resultado acabou com a campanha perfeita do Madrid na UCL, mas não deve ser problema para a classificação.

Cristiano Ronaldo marcou o gol espanhol e chegou a 36 em 35 jogos na temporada. Com a camisa merengue, são 122 gols em 124 partidas, e tem gente que diz – e realmente acha que sabe do que está falando – que o atacante português é marketing.

O empate russo, que confere um pouco de interesse ao jogo no Bernabéu, aconteceu nos acréscimos.

Em Nápoles, com time e torcida unidos como se fossem uma coisa só, o Napoli venceu o Chelsea, de virada: 3 x 1.

A noite no estádio San Paolo lembrou aquelas manhãs de domingo, na segunda metade dos anos 80, em que a TV Bandeirantes mostrava um Napoli forte comandado por Diego Maradona.

É parte da formação futebolística da minha geração.

O time atual não tem nenhum jogador brilhante, mas sabe o que quer e é valente. O Chelsea, mesmo saindo na frente, sentiu na pele.

Agora os ingleses precisam vencer por 2 x 0 em casa, quando o emprego do técnico André Villas-Boas (se ele chegar até lá) estará por um fio.

Na história da UCL, jamais um time inglês passou por uma eliminatória após perder o primeiro jogo por 3 x 1.

A Champions continua nesta quarta, com Olympique x Internazionale e Basel x Bayern Munique.

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Sim, tem novo post no Mais Gelo. Resenha de “Margin Call – O Dia Antes do Fim”. Passa lá.