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Arquivo de dezembro de 2011

UM FELIZ 2012

sábado, 31 de dezembro de 2011

 

2011 passou incrivelmente rápido.

Em alguns aspectos, acho bom que tenha sido assim e, à meia-noite, também saudarei seu fim.

Que o ano que vem aí seja realmente novo, em todos os sentidos.

Lamento ser repetitivo, mas me sinto obrigado a expressar minha satisfação pelo ambiente que temos aqui neste blog.

Recebam meus agradecimentos pelas visitas e comentários. E também pelos emails de quem prefere se manifestar de maneira mais discreta.

Como sempre digo, um blog só tem razão de ser pela existência de seus leitores. Muito obrigado.

Uma ótima passagem de ano a todos, e um excelente 2012.

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Rápido recado: o Mais Gelo acordou de sua longa hibernação. Com um novo visual e um comentário sobre a última aventura de Ethan Hunt.

Passem lá.

CAMISA 12

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

(publicada ontem, no Lance!)

12 EM 12

Doze assuntos (não necessariamente nesta ordem) que marcarão o ano que vem, no futebol:

1 – A pré-Libertadores – Em menos de um mês (os jogos de ida estão marcados para o dia 25/janeiro), Flamengo e Internacional já têm decisões. O Rubro-negro encara o Real Potosí (BOL), e o Colorado, o Once Caldas (COL).

2 – A Copa Libertadores – Se o Inter chegar à fase de grupos, encontrará o Santos. Se o Flamengo fizer o mesmo, serão 3 times cariocas na Copa. O Corinthians retorna à luta, na mesma edição em que o Boca Juniors reaparece.

3 – O torneio olímpico de futebol – Esqueceu que tem futebol na Olimpíada? Em Londres, a seleção brasileira tentará completar sua galeria de títulos, com Mano Menezes no comando. Risco e recompensa em doses olímpicas.

4 – O Santos – 2011 terminou com sabor agridoce, pela frustração em Yokohama. No ano de seu centenário, o time mais talentoso do Brasil terá de se provar novamente. Neymar continuará se desenvolvendo, mas Ganso estará por perto?

5 – A Seleção Brasileira – campanha olímpica à parte, 2012 tem de ser o ano da formação de um time. Como diria o outro, “o Brasil está logo ali”.

6 – Barcelona x Real Madrid – os dois rivais podem se encontrar nas quartas de final da Copa do Rei, no fim de janeiro. E fatalmente se verão na Liga dos Campeões. Não há jogo mais interessante no futebol mundial.

7 – A Eurocopa – há quem pense que é melhor do que a Copa do Mundo. Concordando ou não, é obrigatório assistir. A Espanha defenderá seu título na Polônia/Ucrânia.

8 – Messi – até onde pode ir o argentino? É um privilégio poder vê-lo em ação.

9 – O “caso ISL” – decisão da Justiça suíça determinou que os documentos que revelam as propinas pagas a dirigentes da Fifa sejam divulgados. Blatter tem 30 dias para recorrer à Suprema Corte.

10 – Ronaldo no COL 2014 – teremos condições de descobrir qual será, efetivamente, a atuação dele?

11 – Romário no ataque – o deputado reafirmou que, apesar do encontro recente com quem ele tanto criticou, é um homem de uma bandeira só. Continuamos torcendo.

12 – Seu time – claro que nada importa mais.

Feliz 2012!

ATÉ UM DIA

Ele era tão grande como pessoa e futebolista, que foi capaz de ser ídolo de uma nação que talvez não o entendesse. E colecionava admiradores de todas as camisas, por ter jogado numa Seleção Brasileira que só os miseráveis de espírito não conseguiram apreciar. Jamais quis ser exemplo para ninguém. Se foi, se é, é porque as pessoas assim escolheram. Assim deve ser. O Doutor Sócrates nos deixou em 2011. A saudade já é grande.

RECARREGANDO

As colunas (esta Camisa 12 e a contracapa de sábado) estão oficialmente em férias. Para alguém que ainda lida com a dificuldade de acreditar que existe quem perca tempo para lê-las, não há como agradecer os emails com comentários, sugestões e críticas. Voltaremos, em fevereiro, para continuar conversando. Que todos tenhamos um tranquilo período de abstinência de futebol. É necessário. Boa passagem de ano e um excelente 2012.

RECARREGANDO…

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

 

 

Começou aquela época do ano em que o relógio é desnecessário.

Minhas filhas determinam o que, quando, como e por quê.

No tempo livre, o ócio reina.

Passarei por aqui para publicar a última coluna do ano, e, depois, para desejar a todos um ótimo 2012.

Novos posts são possíveis, mas não prováveis.

Saudações.

COLUNA DOMINICAL

domingo, 25 de dezembro de 2011

(publicada ontem, no Lance!)

ESTÁGIO

Peço licença a Mano Menezes, técnico da Seleção Brasileira, para retirar uma frase do texto que ele publicou recentemente em seu site. Ao tratar da final do Mundial de Clubes, Mano escreveu: “Continuamos produzindo jogadores com alta capacidade técnica, mas precisamos formá-los, dirigi-los e criticá-los melhor”.

O pensamento está correto, especialmente quando aborda a formação. Mas neste caso, não deveríamos – ainda – falar em jogadores. Deveríamos falar em pessoas. E começaríamos bem, ainda que bastante atrasados, se tomássemos a humilde decisão de conhecer o que é feito no Uruguai desde 2006.

Brasileiros buscando conhecimento no futebol uruguaio? Sim. Já passou da hora de aceitarmos situações como essa e de enterrarmos nossas presunções a respeito de quem somos, hoje. Não estamos em posição de ensinar nada a ninguém. Estaremos em posição de aprender, se tivermos essa virtude.

O Uruguai é exemplo de trabalho em categorias de base no futebol, graças a um projeto que se iniciou quando Oscar Tabárez assumiu a seleção principal pela segunda vez, há cinco anos. O que se faz com potenciais jogadores de futebol de 15 a 20 anos no país é o oposto do que acontece no Brasil. Apesar de parecer um contrassenso, os uruguaios preparam esses garotos para não serem futebolistas profissionais. Quem chega ao topo da pirâmide é uma minoria privilegiada. É obrigatório cuidar da maioria que não vive o sonho e precisa encontrar o caminho da cidadania.

Ao investir (o que significa oferecer as condições e, posteriormente, cobrar) em estudos e assistência psicológica, o trabalho coordenado por Tabárez aumenta as chances de sucesso na vida de quem descobre, aos 19 anos, que o futebol não será o futuro. E transforma os que chegam ao profissionalismo em pessoas melhores. No Brasil, com raríssimas exceções – e observadas as enormes diferenças populacionais – a linha de produção apenas descarta milhares de jovens frustrados, despejando-os num mar de incertezas, sem coletes salva-vidas.

Na hora de dirigir os felizardos que vestem as camisas das nossas seleções de base (aí, sim, estamos falando da formação de jogadores), o método brasileiro continua equivocado. Treinadores incumbidos da tarefa de montar um time para determinado torneio convocam, treinam, competem, enxaguam e repetem a operação. Se ganham, são louvados. Se perdem, criticados. Por baixo do resultado final, há pouco.

Em categorias de base, principalmente, a análise jamais deve ser feita pelo resultado. Se a posição final representa o que você é, não sobra nada quando você não vence. Ademais, o que significa ser campeão mundial sub-17? A existência das chamadas seleções menores só tem sentido se dois objetivos forem atingidos: garantir o fluxo de atletas para o time principal e aperfeiçoar uma forma de jogar futebol. Quantos jogadores do time campeão mundial sub-20 na Colômbia, em agosto passado, estarão na Seleção Brasileira de Mano Menezes? E que identidade de jogo temos no Brasil hoje?

Se a CBF quisesse tratar bem de sua galinha dourada, estaria presente em todas as regiões do Brasil, trabalhando com técnicos de base, investindo na formação de jovens. Dinheiro para isso não falta.

UM FELIZ NATAL

sábado, 24 de dezembro de 2011

Houve uma época em que o Natal era aguardado com ansiedade, para ver se dentro daquelas caixas havia o que a gente queria.

Depois, passou a ser a noite em que o mais importante era ver um sorriso no rosto de uma pessoa especial.

De uns tempos pra cá, 24 de dezembro é o dia em que pequenos olhinhos brilham, e tenho dificuldade para manter os meus secos.

Que você tenha um ótimo Natal.

CAMISA 12

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

(publicada ontem, no Lance!)

PLANO? QUE PLANO?

É demagogia querer discutir os rumos do futebol brasileiro – dentro do campo – apenas por causa do “Massacre de Yokohama”. Quem acha que a forma como o Santos foi derrotado na final do Mundial de Clubes foi o grande sinal de que algo está errado, ou não está falando sério, ou não está prestando atenção. Ou ambos.

Rápida viagem no tempo até agosto passado, quando a seleção brasileira sub-20 conquistou o Campeonato Mundial, na Colômbia. Alguns números do jogo de quartas de final, contra a Espanha (após empate em 2 x 2, o Brasil venceu nos pênaltis): Chutes – 26 a 17, chutes no alvo – 12 a 2, escanteios – 12 a 5, posse de bola – 52% a 48%. Em cada caso, o número que vem primeiro corresponde à seleção… espanhola.

As estatísticas acima dizem muito sobre a forma de atuar de cada time. Os espanhóis ficaram mais com a bola e foram mais ofensivos. Os brasileiros foram mais eficientes. A Espanha foi quem criou, quem teve iniciativa. O Brasil foi quem esperou, quem jogou “no erro”. O resultado final, e até mesmo o desfecho do torneio (repetindo, o Brasil foi campeão) não deveriam ser levados em conta numa reflexão sobre formação de jogadores e aplicação de uma filosofia de jogo. E se a ideia é recuperar as características que provocam essa repentina saudade do chamado “futebol bonito”, em vez de comemorar o título, melhor seria dizer “ganhamos, mas não é assim que pretendemos jogar”.

Quando jovens espanhóis e brasileiros se encontram num campo de futebol e a bola fica mais com o time de vermelho, temos um reflexo direto do tipo de trabalho que se faz em cada país. O que tem sido feito há anos na Espanha fica claro nas palavras de Fernando Hierro, ex-diretor da Federação Espanhola, em entrevista ao jornal britânico The Guardian, no mês passado: “Nossa filosofia é desenvolver qualidades nos times mais jovens, permanecendo fiéis a um estilo baseado no domínio da posse de bola e na intenção de impor o jogo ao adversário. Sei que a maioria dos países tenta fazer as categorias de base jogarem como o time principal, mas fazemos o contrário. O estilo do time principal baseia-se no que fazemos com os mais jovens”.

O que se faz, no Brasil, com futuros jogadores de futebol?

BARBARIDADE

A “condenação” de Ganso, baseada em um jogo, é incompreensível. O meia do Santos é o tipo de jogador que o futebol brasileiro deixou de produzir há muito tempo, e talvez seja o único que representa o jogo que um dia se praticou por aqui. A análise que se faz de seu desempenho ignora a quantidade de lesões que atrapalharam seu caminho. Ganso não joga bem faz tempo? Não. Mas há quanto tempo ele não tem as melhores condições para jogar?

AUTORIDADES

É cômico o silêncio constrangido dos que insistiam em ignorar o futebol que se joga fora do Brasil, e dos que diziam que o estilo do Barcelona “dá sono”. Mas nada tem sido tão saboroso quanto o desaparecimento dos críticos de Lionel Messi. Lógico que não demorará para que se volte a cobrar dele que ganhe uma Copa sozinho, ou que se diga que brilhar no Barça é fácil. Não duvide, também, do retorno do “o Barcelona não é tudo isso”.

SOBRE MESSI E GANSO

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

(rápido aviso: com mais tempo do que nos últimos dias, dei uma passada na área de comentários e respondi vários. Obrigado pela participação e, como sempre, fiquem à vontade para treplicar, se quiserem.)

É maravilhoso que tanta gente tenha “descoberto” o Barcelona desde a manhã do último domingo.

Verdadeiramente maravilhoso.

Até no que diz respeito a jornalistas que trabalham com futebol e que, de certa forma, são responsávais pela pérola “o Barcelona não é tudo isso”, influenciando a opinião de quem acha que só existe futebol no Brasil.

Ninguém é obrigado a gostar, mas é preciso ver. Tinha muito “não vi e não gosto”, o que configura estelionato.

E agora, em meio a tantas confusões e análises apressadas (há de se compreender que quem foi apresentado ao Barça nos 4 x 0 contra o Santos ainda esteja meio grogue), é preciso comemorar o desaparecimento – momentâneo, creio – de outra pérola.

Aquela do “Messi não é tudo isso”.

Após o jogo de Yokohama, a coleção de gols em finais do argentino subiu para 17.

É isso. Dezessete gols em jogos que valem taças.

Lógico que não vai demorar para alguém voltar a cobrar de Messi que ganhe uma Copa do Mundo sozinho. Ou tentar diminuir sua trajetória dizendo que “no Barcelona é fácil brilhar”.

De qualquer forma, o silêncio constrangido dos que teimam em não ver é cômico.

Já a perseguição a Ganso é trágica. Um jogo serviu para que queiram riscá-lo do mapa.

Eis um jogador que já mostrou o que pode ser, e não é pouco. Machucou-se demais e não recuperou o melhor nível.

E os critérios usados para avaliá-lo são o brilho de Neymar (o que tem a ver?), o retorno de Kaká (não jogam na mesma posição) e a tumultuada condução de sua carreira fora de campo (fato, mas questão particular, não?).

Ganso deveria estar jogando mais, sem dúvida. A comparação é com o que já o vimos fazer. Mas as pessoas parecem ignorar, intencionalmente, as lesões nos últimos meses.

E há um aspecto que, já que surge uma vontade repentina de “discutir o futebol brasileiro em termos filosóficos”, não pode ser deixado de lado.

Ganso é o tipo de jogador que o Brasil deixou de produzir há muito tempo, e que deveria ser o ponto central de qualquer debate sobre forma de atuar.

POSSE É TUDO (e dois links obrigatórios)

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Sergio Ramos foi um dos dois únicos jogadores do Real Madrid (adivinhe quem foi o outro) que deram entrevistas após a derrota no último clássico com o Barcelona.

Fez parte de suas explicações a frase “não é possível pressionar o jogo inteiro”, que é apenas um dos dilemas dos adversários deste histórico time catalão.

Adiantar a marcação e aumentar a pressão na saída de bola é um expediente que, bem executado – e é fundamental que seja um exercício treinado, pois exige movimentos coordenados de vários jogadores – funciona contra qualquer equipe.

Até o Barcelona, como o goleiro Victor Valdés mostrou no clássico no Bernabéu, pode ter dificuldades se for pressionado perto de sua área.

O problema é que, a exemplo do que disse Ramos, nenhum time consegue aplicar esse tipo de marcação por mais do que, digamos, um terço do jogo.

Quer dizer, há um time que consegue. O próprio Barcelona, que marca no campo inteiro, durante o jogo inteiro, independentemente do placar.

A questão é que a noção de que o Barcelona pressiona seu adversário o tempo todo é ilusão de ótica. E o mérito, óbvio, é catalão.

É matemática simples.

Voltemos à final do Mundial de Clubes. O Barcelona teve 71% de posse de bola, o que significa que não precisou marcar durante (pensando no jogo com 90 minutos cravados) cerca de 64 minutos.

Portanto, podemos concluir que o Barcelona pressionou o Santos – como faz com todos os oponentes – por apenas 26 minutos no total.

Esse é mais ou menos o tempo em que times bons, fortes e bem treinados conseguem sustentar uma marcação por pressão em qualquer jogo. A diferença é que eles fazem isso, geralmente, no começo.

Como a posse do Barcelona é algo quase constante, os pequenos intervalos em que o time fica sem a bola são dedicados a uma busca asfixiante por sua recuperação.

Para os catalães, posse é tudo. Todos os aspectos de jogo emanam da capacidade de ficar com a bola.

O que leva a uma conclusão simples: enquanto não surgir um time que descubra como tirar a bola do Barcelona, e mantê-la de forma sustentada, as derrotas de Messi e cia serão, todas, acasos do futebol.

Em condições normais (com seus 62, 63% de média de posse), o melhor time do mundo terá sempre o adversário à sua mercê.

A única alternativa é esperar o dia em que os velhinhos do International Board – que certamente dormem ao ver o Barcelona jogar – se irritem e mudem as regras de modo a impedir que alguém fique tanto tempo com a bola.

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Nas páginas das últimas edições do jornal espanhol El País, duas sugestões de leitura.

Aqui, uma entrevista magnífica com Xavi Hernandez, feita antes da final com o Santos.

É material de primeiríssimo nível do começo ao fim. Entre outras coisas, ele diz que o Barcelona será ainda melhor nos próximos dez anos.

E aqui, como Pep Guardiola preparou seu time para a decisão do Mundial de Clubes.

Está no banco de reservas, também, a explicação para o incrível sucesso desse time.

COLUNA DOMINICAL

domingo, 18 de dezembro de 2011

(publicada ontem, no Lance!)

UM JOGO PERFEITO

Nas últimas vezes em que o Barcelona encontrou adversários que possuem capacidade técnica para enfrentá-lo, os primeiros movimentos dos jogos produziram a mesma impressão.

Contra o Manchester United (na final da última edição da Liga dos Campeões), em três encontros com o Real Madrid (Super Copa e Liga da Espanha) e em duas partidas contra o Milan (fase de grupos da atual UCL), houve um instante em que dissemos algo como “que interessante… o Barcelona não está conseguindo jogar”.

Os catalães estabeleceram um padrão de controle da bola que beira a ficção. São duzentos e tantos jogos seguidos com maior percentual de posse, o que reduz o adversário a um papel pré-definido: o de quem corre atrás. Quando vemos um cenário diferente, é como se a grama tivesse mudado de cor. Chama a atenção na hora.

Times que têm condições de encarar o Barcelona (antes que você pergunte: sim, o Santos tem) sabem que não podem cometer o suicídio de estacionar o ônibus na própria intermediária e esperar. Então começam o jogo dispostos a mostrar que não, não serão medrosos. Por alguns minutos, marcam no campo de ataque, pressionam a saída, equilibram a posse. Às vezes até marcam um gol, como conseguiram o Milan e o Real Madrid.

Mas há um momento, por volta dos 25 minutos, que temos uma sensação parecida com a de estar num avião que alcança a chamada “velocidade de cruzeiro”. O bicho para de subir, diminui a velocidade, os motores fazem menos barulho. É como se o jogo finalmente se encontrasse, assumisse sua configuração normal. Há um senso de calma quando a pressão inicial do adversário arrefece e a bola começa a rodar. É muito provável que isso aconteça amanhã, em Yokohama. O que decidirá o Mundial de Clubes depende do que o Santos fizer a partir de então, por dois motivos. Primeiro porque o que acontece no início tem pouco impacto no resultado final. E segundo porque o mundo inteiro sabe o que o Barcelona fará. Como sempre, gerará conteúdo ofensivo.

A ausência de referência é um dos aspectos fascinantes da decisão. Pesa (muito) contra e (pouco) a favor do Santos. Se José Mourinho – o treinador mais bem pago do mundo, no comando do elenco mais caro da História – já tentou diferentes abordagens e teve mínimas possibilidades contra o time de Guardiola, como se dará o Santos, que será apresentado a tais dificuldades logo numa final?

A resposta contém o nome de Neymar, ameaça igualmente desconhecida para os catalães, acostumados a lidar com Cristiano Ronaldo, Wayne Rooney, Zlatan Ibrahimovic e demais nomes de periculosidade comprovada no futebol da Europa. O “fator Neymar”, ou seja, a capacidade da joia santista de fazer o que grandes atacantes europeus não têm conseguido, talvez seja a maior riqueza que a decisão do Mundial de Clubes nos oferece.

Mas é preciso lembrar que atacar o Barcelona representa metade da equação. E talvez seja a metade “mais simples”. O jogo que todos queremos ver tem de ser um jogo perfeito para o Santos.

OUTRA AULA

domingo, 18 de dezembro de 2011

4 x 0, 71% de posse de bola.

É essa a diferença entre o melhor time do mundo e o time mais talentoso do Brasil?

Hoje foi. Em apenas um jogo (esperança de quem imaginava uma vitória do Santos), foi.

Da parte do Barcelona, tudo como se esperava.

Posse, superioridade de posicionamento, marcação, disciplina (com 3 x 0, jogava como se estivesse 0 x 0) e genialidade.

Da parte do Santos, algumas surpresas. Todas ruins.

Uma escalação diferente, um evidente receio (que impediu até uma pressão inicial) e uma estranha insistência em atuar de um jeito que não está acostumado.

Talvez tenha sido resultado do que o Barcelona provoca em TODOS os seus adversários. Mudanças na forma de jogar, para tentar conter um time que reduz os outros a versões pioradas do que realmente são.

E agora aquela conversa de que “em um jogo tudo pode acontecer” (que é real, mas que não se prova com frequência) será usada para explicar por que a final do Mundial de Clubes foi tão desequilibrada.

O Barcelona é um time tão bom, mas tão bom, que anula as vantagens do mundo em que vive. Você o conhece nos mínimos detalhes, mas nada pode fazer contra ele.

Os jogadores do Liverpool que levaram um baile do Flamengo em 1981, disseram que nada sabiam daquele time rubro-negro. Em campo, na final da Copa Intercontinental, se viram diante de um monstro.

Foi o que aconteceu neste domingo com o Santos. Com a diferença de que hoje pode-se ver todos os jogos do Barcelona, estudá-lo, até entendê-lo.

Enfrentá-lo é outra conversa.

Lógico que os experts que vivem dizendo que “o Barcelona não é tudo isso”, ou que quem o elogia tem complexo de vira-latas, vai continuar destilando ignorância por aí.

Serão os mesmos entendidos que dirão, agora, que “Neymar não é tudo isso”.

Que os que lidam com eles tenham paciência.

O que aconteceu em Yokohama foi claro: um time brasileiro – e bom – levou 4 x 0 e não conseguiu ficar com a bola nem 30% do tempo.

Senhoras e senhores, Futbol Club Barcelona.

Aproveitem.