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Arquivo de outubro de 2011

NOTINHA PÓS-RODADA

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Trigésima-segunda do BR-11:

* Num sábado em que Van Persie e Messi marcaram 3, Neymar fez 4 (Santos 4 x 1 Atlético Paranaense: Guerrón fez o do Atlético – 16.679 pagantes) no Pacaembu.

* E o Santos passa a pensar, oficialmente, no Mundial de Clubes.

* Mais um gol de cabeça ao estilo Abreu, e o Botafogo (1 x 0 no Cruzeiro – 12.397 pagantes no Engenhão) voltou para a briga.

* Os seis últimos colocados do campeonato (o Cruzeiro é o décimo-sexto) perderam.

* Tarde de Rafael Sóbis em Fortaleza, na crucial virada do Fluminense (2 x 1 no Ceará: Felipe Azevedo e Sóbis-2 – 17.554 pagantes no Presidente Vargas).

* O Fluminense é o líder do segundo turno (9v em 13j).

* Pouco a dizer sobre o 0 x 0 (17.575 pagantes em São Januário) entre Vasco e São Paulo. Boa atuação do goleiro Dênis. Não concordo com as reclamações de pênaltis para o Vasco.

* Jogaço no Olímpico. Um estádio inteiro de olho em Ronaldinho, golaços e virada do Grêmio (4 x 2 no Flamengo: Deivid, Thiago Neves, André Lima-2 e Douglas – 44.781 pagantes).

* Felipe falhou em, no mínimo, dois gols.

* E o Figueirense (2 x 1 no Bahia: Diones e Fernandes-2 – 9.255 pagantes no Orlando Scarpelli), a 2 pontos da zona da Libertadores, já tem a mesma pontuação do São Paulo.

* O mesmo São Paulo, em 4 de setembro, foi o último time a vencer o Figueirense. São 11 rodadas de invencibilidade.

* No lance do gol da vitória do Corinthians (2 x 1 no Avaí: Róbson, Emerson Sheik e Liedson – 33.373 pagantes no Pacaembu), Liedson percebe que o goleiro Felipe daria rebote e se posiciona perfeitamente, na marca do pênalti, para cabecear.

* Logicamente, o gol em impedimento do Avaí e a expulsão exagerada de Castán são lances que comprovam que o campeonato está comprado pelo Corinthians.

* Segunda vitória seguida do Atlético Mineiro (2 x 1 no Palmeiras: Neto Berola, Filipe Souto e Luan – 17.179 pagantes na Arena do Jacaré), que livrou 4 pontos do calabouço.

* No segundo tempo, com dois jogadores a menos, o Palmeiras ainda conseguiu pressionar o dono da casa.

* Após quase 40 dias, Leandro Damião voltou ao Internacional (1 x 0 no Atlético Goianiense: Kléber - público ND no Serra Dourada), de olho na Libertadores 2012.

* O Inter ultrapassou o São Paulo.

* O desesperado América saiu na frente, mas o Coritiba (3 x 1: Kempes, Rafinha, Davi e Jéci – 9.392 pagantes no Couto Pereira) virou.

* Só dois times (Flamengo e Inter) marcaram mais gols do que o Coritiba.

COLUNA DOMINICAL

domingo, 30 de outubro de 2011

(publicada ontem, no Lance!)

FAMA E INFÂMIA

Algo está terrivelmente errado quando um jogador de futebol convoca uma entrevista coletiva para pedir perdão à sua mulher, por ter sido infiel. Ninguém deveria estar interessado nisso. Nem ela. É o tipo de cena que não deveria acontecer.

Mas aconteceu. O palmeirense Valdivia sentou-se diante das câmeras e microfones, anteontem, e tentou explicar por que foi fotografado numa madrugada de fevereiro, aos beijos com uma mulher que não é a dele. Passava por um momento difícil, sua família estava no Chile, o casamento não ia bem… detalhes de sua vida particular, expostos publicamente como se fossem notícias.

Aí está o ponto. Há muita discussão em relação ao que é e o que não é notícia, por causa da confusão entre o que é jornalismo e o que é fofoca. Como a chamada “mídia do entretenimento” também não tem seu território definido, excessos são cometidos, dependendo da tolerância do estômago de cada um.

Valdivia foi “flagrado” numa boate paulistana, no meio da noite, nos braços de outra mulher. As fotos foram publicadas, provocando uma sequência de acontecimentos que não têm absolutamente nenhuma relação com sua carreira profissional. Mas, encaremos os fatos, há quem viva de situações como essa.

Desculpe. Alguém que se presta a fotografar um jogador de futebol traindo sua mulher, nas altas horas, não está praticando jornalismo. Está fazendo dinheiro. Dinheiro que virá de quem quiser divulgar o material, puramente pelo escândalo, ou de quem quiser evitar a divulgação, pelo mesmo motivo. Que o argumento do “exercício da profissão” não seja usado, portanto. E que não reste dúvida sobre o tamanho do mercado que se alimenta dessas imagens. É nesse momento que as fronteiras entre o público e o privado ficam menos claras, gerando uma zona cinza em que todos têm responsabilidades. Quem clica e quem é clicado.

A transformação de atletas em celebridades tem um aspecto que certamente agrada aqueles que “têm mídia”. O potencial de repercussão do que se diz e do que se faz pode ser utilizado em benefício próprio. A fama propicia lucrativas campanhas publicitárias, fermenta contratos de cessão de uso de imagem. Ainda que viva do que produz em campo, um jogador que opta por explorar o valor de seu nome não faz nada de errado.

Também não há problema algum – e ajuda a manter o status – em ampliar o apelo midiático e se aventurar por cenários frequentados por outra qualidade de artistas, como as revistas que se dedicam a mostrar como vivem os famosos. É simplesmente uma questão de escolha. Apresenta-se o filho recém-nascido, exibe-se a nova casa de praia, abre-se a festa de aniversário… e se cria uma personalidade fora dos gramados que massageia o ego, mas cobra seu preço.

Pois na ótica de quem vende a celebridade (sim, para um público fidelíssimo), aqueles que abdicam da própria privacidade quando lhes convém, não podem querer recuperá-la quando não interessa. A porta está aberta, e não importa se o “flagrado” da vez gosta de ser popstar ou não. É jogador famoso? Vale o clique. E o fuxico passa a ser jornalismo.

Valdivia vacilou? Evidente. Mas isso deveria ser problema dele.

CAIXA-POSTAL

sábado, 29 de outubro de 2011

Aos temas da semana:

Eulinete escreve: Olá André! Tem-se falado muito nesses dias sobre a volta do Tevez para o Corinthians e também sobre um possível interesse do clube  no  Kléber Gladiador. Se por acaso o clube fechar essas duas contratações, você não acha que seria uma “jogada” muito arriscada levando em conta o histórico de confusões dos jogadores e a forma como os mesmos sempre saem dos clubes?  PS: A qualidade e raça do Tevez eu não questiono, mas é de se estranhar que ele sempre arruma confusão onde joga e sai pela porta do fundo. Já o Kléber, na minha opinião é bastante mediano e muito mais violento do que raçudo, não sei como uma torcida pode tê-lo como ídolo!

Resposta: Nos dois casos, com toda a distância que separa os dois jogadores em termos de qualidade, é uma questão de avaliar se o pacote vale a pena. Com Tevez, o que chama a atenção é que o Corinthians já lidou com ele e com seu agente, portanto sabe bem o que pode acontecer. Claro que nesse tipo de contratação há mais aspectos que devem ser levados em consideração, como a exploração mercadológica da presença de um jogador internacional. Já com Kléber, é diferente. Há que se decidir se o investimento vale a alta manutenção interna que ele representa.

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Fabio escreve: No jogo de quarta feira, Libertad e São Paulo, o Juan foi expulso no fim do jogo. Geralmente, como o São Paulo foi desclassificado, o jogador cumpre a suspensão no ano seguinte. Se o Juan sair do São Paulo (eu torço pra isso) até ano que vem, e o São Paulo não chegar na Libertadores, quem cumpre a suspensão? O jogador? O time? Ninguém?

Resposta: Quem cumpre a suspensão é sempre o jogador. Mesmo que troque de clube.

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Sérgio escreve: André, a imprensa publicou durante a semana que o Dagoberto vai ganhar 400 mil reais por mês no Inter, se for realizada a contratação. Esse valor não é fora da realidade?

Resposta: O pré-contrato está assinado. Dagoberto vai jogar no Internacional. Fala-se em R$ 25 milhões como investimento total num contrato de 5 anos. Não é apenas fora da realidade, é um exagero até para a ficção.

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Tato escreve: Olá André. Quem é o jogador revelação do campeonato brasileiro na sua opinião?

Resposta: Cortês. O Lance! fez essa pergunta aos colunistas e votei no lateral do Botafogo. É lógico – antes que as malas apareçam por aqui – que outros jogadores também despontaram, e que esse tipo de opinião depende muito da frequência e quantidade de jogos de determinados times que cada pessoa vê. Mas como você perguntou A MINHA OPINIÃO, respondo: Cortês. Mostrou personalidade até na Seleção Brasileira.

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Obrigado pelas mensagens. Até o próximo sábado.

(emails para a CP do blog: akfouri@lancenet.com.br, ou clique no link abaixo da foto)

CAMISA 12

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

(publicada ontem, no Lance!)

O VISITANTE ESCOCÊS

Quando Andrew Jennings chegou ao Senado Federal, na manhã de ontem, uma pessoa já o esperava. Era uma oficial da Justiça brasileira, com a missão de entregar a ele uma citação do presidente da CBF, Ricardo Teixeira. O dirigente quer explicações sobre o que o programa Panorama, feito pelo jornalista britânico e apresentado pela BBC, revelou ao mundo sobre a corrupção na Fifa. Jennings não acha que é ele quem tem algo a explicar.

“Nunca fui, e nem serei, processado por um dirigente que denunciei”, disse Jennings, momentos depois, em sua explanação na audiência pública na Câmara de Educação, Cultura e Esporte, para a qual foi convidado. “Eles sabem que não podem entrar num tribunal para ser ouvidos sob juramento”, completou.

Ao se encontrar com a funcionária da Justiça, Jennings estava ciente de seus direitos como estrangeiro no Brasil. Educadamente, recusou-se a encostar no papel. “Posso cumprimentá-la com um beijo, mas não toco nisso aí”, avisou. A moça foi embora.

O segundo movimento da CBF para deixar o repórter escocês em situação desconfortável aconteceu durante a audiência. Jennings dissertava sobre as pessoas e empresas que receberam pagamentos da ISL, enquanto Vandenberg Machado, lobista da CBF, conversava com o senador Ciro Nogueira (PP-PI). Apesar da clara intenção da base governista de esvaziar a sessão, Nogueira tentou cumprir a ordem que recebeu da CBF num telefonema pela manhã: defender Ricardo Teixeira. Aparentemente tenso (levantou-se várias vezes de seu lugar), Nogueira não pediu a palavra em momento algum.

O mesmo lobista da CBF também sentou-se ao lado de outro senador “aliado”. Delcídio Amaral (PT-MS) estava curioso: “Ele mostrou alguma coisa?”. À frente deles, os senadores examinavam a apresentação de Jennings, devidamente traduzida.

A pedido do senador Pedro Simon (PMDB-RS), o conteúdo da audiência será enviado à Presidência da República. Jennings também se colocou à disposição da Polícia Federal para ser ouvido sobre o que descobriu. Enquanto isso, os papeis do acordo do caso ISL estão trancados num cofre em Zug, na Suíça.

É neles que a Justiça brasileira deveria estar interessada.

EXTRATO

Jennings passou aos senadores as informações contidas numa lista com mais de 150 pagamentos feitos pela ISL a pessoas e empresas. Nicolas Leoz, presidente da Conmebol, nem se preocupou em se esconder. Seu nome está lá. A Sanud, empresa que seria de Ricardo Teixeira (com sede em Lichtenstein), também aparece. Diversos termos em português chamam a atenção. Entre os recebedores, há também uma conhecida agência de turismo brasileira.

ALARME

Para o senador Álvaro Dias (PSDB-PR), um dirigente sob investigação não pode permanecer à frente da organização da Copa de 2014. “Num país sério, Ricardo Teixeira já teria sido afastado. Mas nós temos dúvidas quanto à seriedade do governo em relação a essa questão”, disse Dias, um dos autores do requerimento que possibilitou a audiência pública de ontem. Ele também criticou a subserviência do país às exigências da Fifa.

VIDEOTAPE DE TWITTER

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Passei a quarta-feira em Brasília.

O repórter investigativo britânico Andrew Jennings participou de uma audiência pública no Senado. Foi interessante.

Jennings lecionou os senadores presentes sobre corrupção na Fifa.

Um relato do que aconteceu, pelo que postei no Twitter durante a sessão na Câmara de Educação, Cultura e Esporte:

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Senhoras e senhores, estamos em Brasília. Daqui a pouco, o jornalista britânico Andrew Jennings participa de audiência pública no Senado.

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Uma oficial de Justiça está aqui para entregar a Jennings uma citação para ser ouvido em janeiro. Cortesia de Ricardo Teixeira.

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Jennings chegou, acompanhado pelo senador Álvaro Dias. Deve começar em breve.

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Jennings se recusou a assinar a citação enviada por Ricardo Teixeira.

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Jennings começa fazendo uma exposição sobre os membros do Comitê Executivo da Fifa envolvidos em corrupção. Benfeitores do futebol.

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Jennings: “Ricardo Teixeira… terei mais a dizer sobre ele daqui a pouco.”

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Jennings entra no caso ISL. Explica as relações de marketing da Fifa antes da chegada da empresa suíça. E os subornos.

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A fala de Jennings é ilustrada, num telão, com trechos de seu famoso programa na BBC, que expôs a corrupção na Fifa.

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Jennings encerra. Diz que é inevitável que a Justiça da Suíça divulgue os documentos da ISL, que incriminam Blatter, Teixeira e Havelange.

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Senador Pedro Simon pede que depoimento de Jennings seja enviado à Presidência da República. Senador Álvaro Dias falando.

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Jennings: “Blatter mente qdo diz que dossiê ISL é complexo. São provas de suborno e confissões.”

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Jennings mostra uma pasta em que diz ter a lista com os subornos da ISL. Se coloca à disposição da PF e da Presidência da República.

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Jennings: “documentos mostram US$ 9,5 milhōes em pagamentos a Teixeira. Mas deve ser mais. Havelange pode ter recebido US$ 50 milhões”.

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Jennings: “lista de empresas que receberam $$ da ISL tem muitos nomes em português. Isso deve interessar às autoridades brasileiras.”

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Jennings: “Presidenta Dilma, ligue para Teixeira. Convide-o a lhe falar sobre o caso da ISL.”

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Jennings: “A Fifa jamais vai tirar a Copa do Mundo do Brasil. Como um país soberano, vocês não precisam obedecer a ela.”

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Jennings: “Governo do Brasil deveria conversar com a Justiça da Suíça e com a Justiça de Lichtestein (onde a Sanud está registrada).”

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Senadores da base do Governo não vieram à audiência. Apenas Ciro Nogueira (PP) está presente.

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Jennings: “É claro que vocês (senadores) podem interferir na CBF. Vocês fazem leis. Essa gangue não pode dominar o futebol de vocês.”

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Jennings: “Jamais fui, ou serei, processado pelo que publiquei sobre dirigentes corruptos. Eles sabem que não podem entrar num tribunal.”

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Jennings se refere à empresa de Philipp Blatter, Match, que tem exclusividade sobre pacotes turísticos, com ingressos, para a Copa 2014.

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Jennings: “Blatter deu ao sobrinho dele uma boa parte da Copa do Mundo de vocês. Vocês são escravos? A Copa é de vocês, não deles.”

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O senador Mário Couto (PSDB/PA) acaba de se referir a Ricardo Teixeira como “um patife”.

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E completa que “perto dos nossos ministros, Teixeira é um anjo.”

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Resposta de Jennings é interrompida pela informação de que Orlando Silva caiu. “Mr. Silva, go”, disse o senador Álvaro Dias.

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Jennings: “se Dilma ler meus documentos, e checar os fatos, trocará o Comitê Organizador da Copa em poucos dias.”

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Jennings: “por que vocês acham que não podem dizer ‘não’ a Blatter? Por que deixam ele dizer o que devem fazer? Vocês são um país soberano.”

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Acabou a audiência. Encerramos nossa transmissão.

FALANDO ALTO

terça-feira, 25 de outubro de 2011

(comentário sobre a contratação de Émerson Leão pelo São Paulo, publicado no Lance! de hoje)

A última passagem de Émerson Leão pelo São Paulo começou com a seguinte apresentação aos jogadores, no CT do clube:

“Vocês sabem por que eu estou aqui?”, perguntou o técnico que substituiu Cuca e encontrou o time em sétimo lugar no Campeonato Brasileiro de 2004. Ninguém respondeu.

“Eu estou aqui porque vocês pediram. Vocês não estão jogando nada e por isso me chamaram para resolver o problema”, disse. E então, olhando para um zagueiro uruguaio que começava a conquistar seu espaço, Leão enfatizou sua mensagem: “Entendeu, senhor Lugano?”.

Sete anos depois, a situação é muito semelhante. Um time que produz menos do que pode, é visto pelo torcedor como um grupo acomodado e, sexto colocado, já vê sob risco os dois objetivos mais nobres no campeonato. O São Paulo está em meia-fase, Leão chegou para ligar os 220v.

Seria ele “o nome” que a diretoria procurava para aplicar um choque de ordem abaixo e impedir algumas interferências de cima? Provavelmente não. Mas o currículo de Leão tem trabalhos de curto prazo bem-sucedidos, e é exatamente disso que o São Paulo precisa. Sete rodadas para, no mínimo, uma vaga na Libertadores 2012. E o que vier da Copa Sul-Americana é bônus.

Em 2004, deu tão certo que o curto prazo se esticou e rendeu um Campeonato Paulista. Mas durante a fase de grupos da Libertadores do ano seguinte, havia jogadores convencidos de que o título seria impossível se Leão não saísse. Leão foi para o Japão.

O que acontece desta vez? É inútil tentar prever o futebol. Mas aposte num time lutador amanhã, no Paraguai, e em São Januário, no domingo. Com atuações surpreendentes de alguns jogadores.

NOTINHAS PÓS-RODADA (e o Six and The City*)

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Trigésima-primeira do BR-11:

* Não sei se o Figueirense (2 x 1 no Palmeiras: Wellington Nem, Júlio César e Ricardo Bueno – 3.897 pagantes) era favorito no Canindé. Sei que jogou para vencer e mereceu.

* E se você olhar a tabela, agora, verá o time catarinense a 3 pontos da zona da Libertadores. Obviamente, quem disser que imaginou tal cenário estará fazendo algo feio: mentir.

* Olhe a tabela de novo, na parte de baixo, e veja o Atlético Mineiro (2 x 0 no Fluminense: Daniel Carvalho e André – 19.525 pagantes no Engenhão) acima da linha d’água.

* Bonito gol de cabeça de André.

* O América-MG (2 x 2 com o Grêmio: Thiago Carleto, André Lima-2 e Anderson – 829 pagantes na Arena do Jacaré) continua lutando. Empatou no final, com um homem a menos.

* Mas não escapará da Série B.

* O Avaí, apesar da emocionante vitória (3 x 2 no Botafogo: Abreu, Róbson, Cleverson, Renato e Robert – 8.033 presentes na Ressacada), também está no desespero.

* E que golaço – em posição duvidosa – de Cleverson.

* Pouco a dizer sobre o 0 x 0 entre São Paulo e Coritiba (14.298 pagantes no Morumbi). Boa atuação do goleiro Vanderlei.

* Em uma rodada, o Atlético Paranaense (1 x 0 no Ceará: Paulo Baier – 12.183 pagantes na Arena da Baixada) pode deixar o calabouço da tabela.

* Onde o Ceará chegou.

* O Vasco recuperou a ponta da tabela porque conseguiu uma vitória (2 x 0 no Bahia: Felipe e Diego Souza – 32.157 pagantes no Pituaçu) “fora da curva”.

* Golaço de Felipe.

* O Corinthians perdeu a liderança, mas não perdeu o jogo (1 x 1 com o Internacional: Nei e Alex – 33.329 pagantes no Beira-Rio) em Porto Alegre.

* Eis porque o gol de Alex, aos 44 do segundo tempo, foi importante: significa que a combinação, em uma rodada, de vitória do Corinthians e empate do Vasco, faz a liderança mudar de mãos.

* O reencontro entre Flamengo e Santos (1 x 1: Neymar e Deivid – 13.853 pagantes no Engenhão) não se comparou ao do primeiro turno. Seria pedir demais.

* O Flamengo empata demais.

* Dramática vitória do Cruzeiro (3 x 2 no Atlético Goianiense: Thiago Feltri, Farías, Felipe e Anselmo Ramon-2 – 5.595 pagantes na Arena do Jacaré), a primeira após 11 rodadas.

* Vagner Mancini foi contratado pelo Cruzeiro em 26 de setembro. Sua primeira vitória foi ontem.

ATUALIZAÇÃO, 12h50 – Émerson Leão está de volta ao São Paulo. Previsível.
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Domingo histórico em Manchester, com os 6 x 1 do City sobre o United, no Old Trafford.

Goleada dos azuis sobre os rivais municipais, que funciona como uma declaração: “Cresci. Também quero brincar.”

No blog do Mauro Cezar (que estava no “Teatro dos Sonhos”, ao lado dos outros sortudos Paulo Andrade e Mendel Bydlowski – companheiros de ESPN), vídeos legais sobre o jogo.

(*não consegui descobrir qual site inglês, ou qual jornal, saiu com essa manchete. Muitíssimo bem sacada.)

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E na Itália, um domingo inesquecível para Prince Boateng.

O ganês entrou no jogo, no lugar de Robinho, quando o Lecce vencia o Milan por 3 x 0.

Marcou 3 gols em 17 minutos.

O Milan virou para 4 x 3.

COLUNA DOMINICAL

domingo, 23 de outubro de 2011

(publicada ontem, no Lance!)

A COPA NO CASSINO

A roleta está girando. Carregando uma pequena bolinha e a maior aposta da história do futebol no Brasil: a Seleção Brasileira só colocará os pés no Maracanã se for à decisão da próxima Copa do Mundo. A roleta só vai parar de girar por volta das 18 horas do dia 13 de julho de 2014.

Se quanto maior o risco, maior o lucro, resolveu-se apostar tudo. Todas as fichas na final. Ou melhor: todas as fichas numa vitória na final. Porque uma repetição do Maracanazo, 64 anos mais tarde, é um cenário que conseguiria reunir tudo o que foi feito de errado no calendário da Copa. E não é pouco.

Falando no que se pode medir, a aposta custará cerca de R$ 1 bilhão. É o preço da desfiguração do Maracanã, de sua transformação em algo capaz de habilitá-lo a ser o segundo estádio na História (Azteca, México) a receber o jogo mais importante de duas copas.

Mas há o aspecto incalculável, para os dois lados. Se ganhar, o fato de a Seleção só se apresentar uma vez no maior símbolo do futebol brasileiro será relevado. O triunfo em casa terá todas as características de um dia sublime, perfeito. Um desfecho que vale todos os riscos. Só que se perder…

E se não chegar? Sim, a pergunta precisa ser feita. E se o Brasil e o Maracanã não se encontrarem em 2014? Significará que o torcedor carioca, aquele que se relaciona com a Seleção da maneira mais íntima, verá o time jogar exatamente da mesma forma que os chineses, ou os australianos. Pela televisão.

Sim, a Copa passará pelo Maracanã. Sete jogos, alguns certamente atraentes. Mas não há nenhuma garantia de que o estádio será o que sempre foi: a casa da Seleção Brasileira. Inacreditável. O carioca pode se sentir como alguém que pede o prato mais caro do restaurante e aguarda por duas horas, comendo torradinhas com manteiga. Até que o garçom se aproxima, se desculpa, e diz que a cozinha fechou.

Horrível o tratamento dispensado a um templo. Retalhado sob o argumento das “exigências Fifa”, plastificado para não revelar sua idade, ludibriado por razões incompreensíveis. O estádio, sua história, seu significado. Enganados como uma garota de programa que não recebeu pelo serviço. E ainda levou uns tapas.

Ricardo Teixeira disse, textualmente, em Zurique: “Se Deus quiser, a gente vai chegar na final. Tenho certeza absoluta disso”. Interessante mistura de fé e convicção, oferecida pelo mesmo dirigente que, após o Tetra (17 anos atrás, em seu segundo mandato na CBF), disse que era necessário um competente trabalho nos bastidores para que um país ganhasse uma copa.

Roleta é jogo de sorte e azar. Futebol, de certa forma, também.

MAMUTES

Pelo menos o Maracanã será devolvido ao futebol do Rio de Janeiro depois da Copa. E as quatro maiores torcidas do estado, por um motivo ou outro, agradecerão pelo retorno da vida como a conheciam. Mas em lugares como Manaus e Cuiabá, onde não existe futebol que justifique estádios de Copa do Mundo, a aposta já foi perdida. Cada jogo custará centenas de milhões de reais. Dinheiro de impostos, que deveria ser investido em áreas incomparavelmente mais importantes.

NÃO CAIA

Joseph Blatter disse que abrirá os documentos do “caso ISL”. Conversa. O que a Fifa vai fazer é entregar arquivos a uma organização independente, não divulgada. E os arquivos que julgar conveniente entregar, claro. A única forma de conhecer os documentos é via Justiça da Suíça.

VIRTUOSO

Neymar fez um golaço contra o Botafogo, sim. Mas o chute com o lado externo do pé esquerdo (no segundo tempo, que raspou a trave), para um destro, é mais bonito do que o gol.

CAIXA-POSTAL

sábado, 22 de outubro de 2011

Aos assuntos da semana:

Mário Sérgio escreve: André, às vezes você quer ver um jogo ou sabe que ele está melhor, mas não muda porque o outro está passando em HD?

Resposta: Cara… isso ainda não aconteceu. Não deixei de ver o jogo que eu queria ver porque não estava em HD. Mas numa situação de dois jogos com nível semelhante de interesse, o HD ganha fácil. E aquela reação “Pô, não tá passando em HD…” é frequente. A diferença é muito grande.

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Moshe escreve: Até quando rádios vão continuar a transmitir futebol, vender uma montanha de anúncios, e os clubes não veem um centavo. Você acha justo?

Resposta: Esse é um longo debate. Justo, não é. Afinal, como você mesmo disse, os clubes não recebem por uma comercialização que não seria possível sem eles. Outro argumento: em eventos como Copa do Mundo, Jogos Olímpicos, Liga dos Campeões e Fórmula-1, as emissoras de rádio pagam por direitos de transmissão. No futebol brasileiro, simplesmente não acontece. E creio que haveria muito desemprego se começasse a acontecer. As relações entre competições esportivas e a mídia ainda tem muito a evoluir no Brasil. Num cenário mais profissional, as rádios pagariam pelos direitos e, por isso, poderiam exigir condições que fossem favoráveis. Como por exemplo, jogos exclusivos, sem transmissão pela televisão.

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Sérgio (entre vários) escreve: André, por que a espn, que sempre acompanha todos as competições de perto, não está transmitindo o pan de Guadalajara?

Resposta: Porque os direitos de televisão no Brasil foram adquiridos, com exclusividade, pela TV Record. Nada impediria que outras emissoras também transmitissem o evento, desde que houvesse acordo entre elas e a detentora dos direitos. Esse acordo não aconteceu. A ESPN está cobrindo os Jogos Panamericanos por intermédio de seu site (espn.com.br/pan2011), com repórteres no local.

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Felipe (entre muitos) escreve: Qual sua opinião sobre os fatos que aconteceram, durante a semana, na sede do Fluminense? Sou favorável à liberdade da imprensa trabalhar mas questiono se é correto divulgar imagens de um treino fechado.

Resposta: Você esqueceu do mais importante: a atitude de um conselheiro, agressiva e ofensiva contra repórteres que cobrem o clube. Uma coisa é a discussão sobre ser ou não correto “furar” um treino fechado. Outra coisa é apelar para a violência. Esse tipo de episódio acontece porque muita gente não faz a menor ideia do que é o trabalho de jornalistas. E também porque, muitas vezes (não me refiro a esse caso), jornalistas se comportam muito mal. A mistura é explosiva. Nesse episódio específico, o tal conselheiro teve um comportamento ridículo, motivado por ignorância, complexo de inferioridade e falta de desconfiômetro. No campo, alguns jogadores aplaudiram o show. Acho interessante que eles tenham uma atitude distinta quando são perseguidos e/ou agredidos por torcedores. De qualquer forma, deve ser elogiada a forma como o clube e o presidente Peter Siemsen agiram, desautorizando o “conselheiro” e condenando o que aconteceu.

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Obrigado pelas mensagens. Até o próximo sábado.

(emails para a CP do blog: akfouri@lancenet.com.br, ou clique no link abaixo da foto)

CAMISA 12

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

(publicada ontem, no Lance!)

MINGANA

Jornalistas ingleses divulgaram, anteontem, uma notícia intrigante. Joseph Blatter estaria se preparando para pedir a abertura dos famosos “documentos suíços”, durante a reunião do comitê executivo da Fifa, que começa hoje em Zurique. O movimento faria parte do plano de limpeza interna do prédio que controla o futebol mundial.

Seria o equivalente a roubar um banco e, ao invés de fugir, rumar para a delegacia mais próxima. Os tais documentos relatam o acordo feito na Justiça da Suíça no caso da falência da ISL, antiga parceira de marketing da Fifa. Nele, membros do comitê executivo da entidade concordam em devolver dinheiro de propina para não serem processados. Agradar esses benfeitores do futebol mundial – com sedutoras quantias em dinheiro – foi uma das ideias da ISL para conseguir gigantescos contratos de direitos de TV e marketing. Quando a empresa foi para o buraco, em 2001, os subornos de centenas de milhões de euros emergiram. Como se sabe, suspeita-se que há dirigentes esportivos brasileiros envolvidos.

A possibilidade de Blatter pensar em cortar a própria carne é altamente suspeita. A não ser que ele planeje oferecer todos os elementos para um roteiro que deixaria Mario Puzo se sentindo um amador. O conteúdo dos papéis da ISL é tão palpitante que a Fifa e os implicados gastaram cerca de 5 milhões de euros para evitar um processo criminal. E advogados europeus certamente receberam valiosos honorários para evitar, duas vezes, que os documentos se tornassem públicos. A última foi em maio, uma semana antes da eleição na Fifa.

Estão claros os contornos da encenação. Primeiro porque o Ministério Público Federal brasileiro já mostrou interesse no caso da ISL, e poderia solicitar os arquivos secretos aos colegas da cidade de Zug. Segundo porque, mais ano menos ano, eles aparecerão. E terceiro porque Blatter não precisa pedir nada a ninguém para divulgá-los. Como parte do processo, a Fifa (que sabia dos subornos e nada fez) possui os documentos. É só mostrar.

Para concluir a peça, repórteres investigativos europeus tiveram acesso à pauta das reuniões do comitê executivo. As letras I-S-L não foram encontradas.

DESVIOS

Se o ministro Orlando Silva estiver limpo, bom para ele. Mas deveria explicar como sua pasta entregou tanto dinheiro nas mãos do “criminoso” que o acusa. E por que fez um novo contrato com a ONG do policial militar João Dias Ferreira, depois de conhecer as pilantragens de convênios anteriores. O programa “Segundo Tempo” parece um manual de irregularidades. Desde a administração anterior, do “ministro Medalhão”, Agnelo Queiroz.

MAIS UM

Os problemas que derrubaram Adílson Batista foram os mesmos que derrubaram Carpegiani. Que foram os mesmos que derrubaram Ricardo Gomes. Que foram os mesmos que derrubaram Muricy Ramalho. O padrão é evidente, não? O próximo passo da diretoria do São Paulo é previsível. Contratar “um nome”, para tomar as medidas que não cabem a um técnico, mas sim a dirigentes. E para diminuir a própria interferência. Chegou-se a esse ponto.