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Arquivo de setembro de 2011

CAMISA 12

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

(publicada ontem, no Lance!)

O PROVEDOR

A partir do próximo domingo, se tudo correr como o planejado, o São Paulo que vimos até agora na temporada deixará de existir. Desaparecerá, ao menos, como identidade principal de um time que não sabe atacar, só contra-atacar. Luis Fabiano é o transformador.

Um time que tem um camisa 9 “clássico”, jogador de área, não age em seu melhor interesse se não criar soluções futebolísticas para utilizá-lo. Jogadores assim precisam ser alimentados. São definidores que entram em cena no instante em que a jogada passa de lance comum a um dos melhores momentos.

Isso não quer dizer que Luis Fabiano não funcione numa equipe especializada no contragolpe. A Seleção Brasileira de Dunga era assim e, nela, o centroavante brilhou. Mas são enormes as diferenças entre os dois times. Com Luis Fabiano em campo, o São Paulo será obrigado a deixar de ser, primordialmente, um aproveitador de espaços. Terá de se converter em criador. Aí está a chance para Rivaldo emplacar sua campanha pela titularidade.

Analisando os jogadores do São Paulo apenas por suas qualidades e defeitos, é escandalosamente evidente que Rivaldo é um dos mais capazes. Se técnicos fossem obrigados a respeitar a “lei” do futebol que diz que os melhores devem jogar, não estaríamos aqui tratando da configuração mais conveniente para o veterano (no melhor sentido). Mas times são montados como engrenagens em que funções se complementam, conforme o sistema que se pretende usar. Não basta ser craque, tem de “funcionar”.

A presença de LF também elimina a possibilidade da escalação de Rivaldo mais avançado, como um atacante. A não ser numa situação de emergência. O São Paulo ganhará muito mais se ambos formarem uma parceria em que Rivaldo pensa e Luis Fabiano age. Um constrói, o outro assina.

Para Rivaldo jogar, a questão não é física. É técnica. Sua missão é repetir o que tantos jogadores talentosos já fizeram: adaptar-se a uma nova função que, acima de tudo, exige o QI futebolístico que ele sempre teve.

Se Rivaldo conseguir ser o viabilizador de Luis Fabiano, não precisará pedir para ser titular.

DIREITO

Perfeita a nota sobre Mário Fernandes publicada aqui, ontem, por Eduardo Tironi. Jogador deve servir a Seleção Brasileira, se quiser. Deve divulgar publicamente seus motivos, se quiser. Verdade que seria melhor se ele comunicasse sua decisão à CBF no dia em que foi convocado. Mas se estava em dúvida, por qualquer motivo, é seu direito. A imagem da “pátria de chuteiras” é uma demagogia que desrespeita o futebol.

DEVER

Recusar-se a entrar em campo, como aparentemente fez Carlitos Tevez anteontem, é – isso sim – inadmissível. Flagrante desrespeito com clube, técnico, companheiros e torcida. Postura de “prima donna”, que contrasta com a atitude “no limite” de Tevez dentro de campo. Ocorre que ser um bom jogador (e ele é muito bom) é diferente de ser um bom profissional. Mesmo com as explicações, é difícil defender o argentino.

LEMBRANÇAS DE BELÉM

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

O Superclássico das Américas começou bem.

Com o Mangueirão cantando o hino nacional em versão “acústica”, criando um ambiente impossível de ser ignorado até pelo mais experiente dos boleiros.

O final foi arrepiante.

Em São Paulo, o hino brasileiro tem sido frequentemente desrespeitado pela genial ideia de executá-lo (cabe o sentido funerário do termo) antes de todos os jogos de futebol.

Transformou-se numa música qualquer, mais um empecilho que se coloca entre o público e o jogo.

Antes de uma partida da Seleção Brasileira, sim, faz sentido. E a torcida paraense ofereceu um recital.

Mas o primeiro tempo foi só um pouquinho melhor do que o que vimos em Córdoba.

Por falta de jogadores com as características adequadas para manter a posse e fazer as coisas acontecerem, a Seleção exibiu as mesmas dificuldades conhecidas, quando se vê diante de um adversário cauteloso.

Se observarmos os últimos anos, desde antes da Copa de 2010, esse tipo de situação tem sido comum.

Incomum, falando das atuações recentes, foi o bom futebol produzido no segundo tempo. Quando a categoria de Danilo, a tranquilidade de Cortês e a velocidade de Lucas e Neymar (sem falar no comando de Ronaldinho, ou estaria eu, sozinho, ao achar que ele foi bem?) enquadraram a Argentina e poderiam ter marcado mais do que os 2 x 0.

Só é obrigatório manter bem perto dos olhos que esse time argentino que esteve em Belém é frágil.

Lógico, teria sido péssimo não vencê-lo, e não foi exatamente uma surra em bêbado. Mas supervalorizar o resultado (como, por exemplo, não perceber que  a expressão “Superclássico” é  apenas um – exagerado – instrumento de marketing e negócio) seria desperdiçar uma noite que teve aspectos positivos.

O principal deles talvez seja o efeito benéfico de vencer um jogo com mérito, num ambiente totalmente favorável, sobre um trabalho que está demorando – por vários motivos -  a aparecer.

Quando a Seleção se reunir de novo, para os próximos amistosos, é evidente que o ar estará mais leve. Principalmente para a comissão técnica.

O grupo que esteve no Mangueirão se lembrará da noite de ontem com uma agradabilíssima sensação.

Quem viu o jogo – lá ou longe – se lembrará de um tempo de bom futebol.

E de um coral de 43 mil vozes.

 

 

OS OUTROS LINKS DA LIGA

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Para fechar a segunda rodada da UCL, mais 23 gols.

Cinco deles foram contribuição do Barcelona, que foi a Minsk e machucou o Bate Borisov: 5 x 0.

Messi fez dois, igualou o húngaro Láslo Kubala com 194 gols e agora só vê César Rodríguez (235) à sua frente, na lista dos maiores artilheiros da história do Barcelona.

No jogo, válido pelo grupo H, o Bate cometeu erros surpreendentes para um time profissional.

Na outra partida do grupo, na Itália, o Milan fez 2 x 0 no Viktoria Pilsen.

Zlatan Ibrahimovic fez um gol e deu o passe para o outro.

Pelo grupo G, o Shakhtar Donestk empatou em casa com o Apoel: 1 x 1.

O brasileiro Jadson marcou o gol dos ucranianos.

Na Rússia, o Zenit venceu o Porto, de virada: 3 x 1.

Kleber, atacante brasileiro do Porto, machucou a clavícula e deve ser cortado dos próximos amistosos da Seleção.

Grupo F: em Londres, o Arsenal fez 2 x 1 no Olympiacos.

André Santos fez seu primeiro gol com a camisa do time inglês.

E em Marselha, o Olympique goleou o Borussia Dortmund por 3 x 0.

Os franceses lideram a chave.

Finalmente, pelo grupo E, Valencia e Chelsea empataram em 1 x 1, na Espanha.

Diego Alves, goleiro do Valencia, fez um jogo monstruoso.

Na Alemanha, o Leverkusen passou pelo Genk: 2 x 0.

A Liga dos Campeões da Uefa volta em 18 e 19 de outubro.

OS LINKS DA LIGA

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Vinte e três gols na abertura da segunda rodada da fase de grupos da Liga dos Campeões.

Nenhum 0 x 0 em oito jogos.

Pelo grupo D, no Santiago Bernabéu, o Real Madrid goleou o Ajax por 3 x 0.

Ótima partida dos merengues, com futebol vistoso (vide o primeiro gol) e competitivo, provavelmente porque os melhores jogadores do elenco estavam em campo.

Kaká (um gol e uma assistência) lembrou o jogador que era antes das lesões. Cristiano Ronaldo e Karim Benzema também se destacaram.

Mas Xabi Alonso jogou demais, tanto com quanto sem a bola.

O lançamento para Arbeloa no lance do terceiro gol é coisa para poucos.

No mesmo grupo, em casa, o Lyon passou pelo Dínamo Zagreb: 2 x 0.

O atacante Bafétimbi Gomis agiu com extrema crueldade para marcar o primeiro gol.

Grupo C: o líder Basel (sim, líder) quase venceu o Manchester United dentro do Old Trafford. O empate dos ingleses só saiu aos 44 minutos do segundo tempo: 3 x 3.

Os “irmãos Frei” (não são parentes, apesar do sobrenome), Fabian e Alexander, marcaram os três gols suíços.

No outro jogo da chave, em Bucareste, o Otelul Galati perdeu para o Benfica por 1 x 0.

Gol do brasileiro Bruno César.

Pelo grupo A, em casa, o Bayern Munique fez 2 x 0 no Manchester City.

Os dois gols alemães foram marcados por Mario Gomez, aproveitando rebotes do goleiro Joe Hart.

Carlitos Tevez se recusou a entrar em campo no segundo tempo, e o técnico Roberto Mancini declarou que o argentino nunca mais jogará pelo City.

O que Tevez fez é muito, muito feio.

E no primeiro jogo de UCL no estádio San Paolo, em Nápoles, em 21 anos, o Napoli bateu o Villarreal: 2 x 0.

Os gols italianos foram resultados de duas falhas grotescas da zaga espanhola.

No grupo B, a Internazionale foi até Moscou e venceu o CSKA por 3 x 2.

Gols brasileiros de Lucio e Vagner Love, no jogo que marcou a recuperação dos italianos na Champions.

E na Turquia, o Trabzonspor manteve a liderança ao empatar com o Lille em 1 x 1.

O gol francês, de Moussa Sow, foi criado por um lindo passe do jovem meia belga Eden Hazard.

Nesta quarta, mais oito jogos fecham a rodada.

Volte para ver os gols.

NOTINHAS PÓS-RODADA

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Vigésima-sexta do BR-11:

* Um gol de pênalti, aos 47 minutos do segundo tempo, decretou o empate (Atlético Paranaense 1 x 1 Fluminense: Paulo Baier e Fred – 12.224 pagantes) na Arena da Baixada e provocou revolta de atleticanos.

* E no país da Copa do Mundo, o trio de arbitragem precisou de auxílio policial para sair do estádio.

* O Figueirense não vencia (3 x 2 no Santos: Julio Cesar-2, Borges, Wellington Nem e Léo – 7.059 pagantes na Vila Belmiro) havia cinco rodadas. O Santos não perdia havia oito.

* Borges é incrível.

* Um gol irregular encerrou a sequência de dez jogos sem vitória do Flamengo (2 x 1 no América-MG: Kempes, Deivid e Thiago Neves – 6.886 pagantes no Engenhão).

* Kempes fez um, mas perdeu outro de um jeito que não dá para acreditar.

* Abreu é sensacional, mas teve o terceiro gol do Botafogo (2 x 2 com o São Paulo: Abreu-2, Henrique e Rivaldo – 22.348 pagantes no Engenhão) a seus pés e perdeu. 3 x 0 ali, e esquece.

* Jogada marota, a do empate, de Rogério para Rivaldo.

* Terceira nota, porque vale: a jogada de Maicosuel no primeiro gol é um dos grandes momentos do campeonato. E naquele gramado, é coisa para heróis.

* Lindo gol de Bollati, o primeiro da vitória do Internacional (2 x 1: os outros foram de Renan Oliveira e Fabrício – 19.576 pagantes no Beira-Rio) sobre o Atlético Mineiro.

* O Inter tem o segundo melhor ataque do campeonato.

* A expulsão de Emerson Sheik, autor do gol da vitória do Corinthians (1 x 0 no Bahia – 23.765 pagantes no Pacaembu) poderia ter sido evitada.

* Ao reclamar de dor na coxa, Sheik ouviu um pedido de Tite para “sinalizar” que estava machucado. Caiu em campo, levou amarelo por cera, ironizou o árbitro e viu o vermelho. Dois jogos fora.

* Diego Souza (Vasco 3 x o: os 3 dele – 6.348 pagantes na Arena do Jacaré) judiou do Cruzeiro.

* Esse é um cara que sempre foi capaz de decidir jogos, mas nem sempre jogou conforme seu potencial.

* O Grêmio venceu (2 x 1 no Avaí: Mario Fernandes, Douglas e Pedro Ken – público ND) na Ressacada, onde alguns times tiveram muita dificuldade.

* O time gaúcho está equidistante (8 pontos) do G-5 e do U-4.

* Bom jogo no Presidente Vargas, e primeira vitória do Ceará (3 x 2 no Coritiba: Roger-2, Bill-2 e Edmilson – público ND) sob o comando de Estevam Soares.

* Extraordinário gol de bicicleta de Roger. Desses que, quem viu, guarda para contar aos netos.

* Sim. Com dois jogadores a menos, e num campão como o Serra Dourada, o Atlético Goianiense conseguiu fazer o gol de empate (1 x 1: Henrique e Thiago Feltri – 12.422 pagantes) no Palmeiras.

* Felipão: “foi a maior vergonha da minha vida”.

COLUNA DOMINICAL

domingo, 25 de setembro de 2011

(publicada ontem, no Lance!)

AVESTRUZ

“A gente chega para treinar e já está pegando fogo, bomba para tudo quanto é lado. Tudo vaza: jogador que atrasa, conversa de vestiário… nos outros clubes não é assim, ninguém sabe. Há pessoas que tentam atrapalhar.”

A declaração de Kleber, atacante do Palmeiras, é um efeito colateral do programa de visitas guiadas ao ambiente do time. Um programa produzido e patrocinado pelo próprio clube, fonte de boa parte dos problemas que, sim, atingem e afetam os jogadores.

Saber o que realmente se passa dentro do vestiário de um time de futebol, ou nos corredores das áreas restritas, é uma constante no imaginário do torcedor. Por conseqüência, um dos objetivos do jornalismo esportivo. Nenhum clube consegue proteger totalmente seu “território sagrado”, evitar que algumas pequenas janelas se abram. É muita gente para controlar, e vai contra aspectos humanos inevitáveis, como a vaidade, o desejo de demonstrar poder ou a necessidade de confidenciar segredos. Mas raros clubes são como o Palmeiras tem sido ultimamente, em que os próprios jogadores reclamam por ver sua rotina exposta como se fosse um reality show. A porta do vestiário está sempre aberta. Alguém precisa fechá-la e trancá-la.

Esse alguém deveria ser o vice-presidente de futebol Roberto Frizzo. Mas se você tem acompanhado o noticiário, deve ter percebido que essa não é uma das prioridades do dirigente. E se vier a ser, agora é tarde. O relacionamento entre Frizzo e o técnico Luiz Felipe Scolari, na verdade, é um não-relacionamento. Não há nada entre eles que possa ser apelidado de confiança. Frizzo não aprecia o trabalho de Scolari, que acredita que estaria longe do Palmeiras se dependesse apenas do vice-presidente. Ambos travam uma guerra não (oficialmente) declarada.

A situação, infecciosa em todos os sentidos, explica-se pela estrutura de poder do clube. A presença de Frizzo no cargo é uma composição política costurada na última eleição, vencida por Arnaldo Tirone. O presidente, que obviamente conhece a relação fraturada entre seu vice e o treinador do time, não se move porque não pode mexer no acordo. Age-se assim desde a Grécia antiga, talvez até antes.

Scolari se vê obrigado a acumular funções. É um técnico que se veste de gerente administrativo, de diretor financeiro, de supervisor. Bicos que lhe tomam tempo e energia, tantos são os produtos da “fábrica de problemas” (expressão famosamente cunhada por Marcos) em que o Palmeiras se transformou.

Problemas que não seriam tão visíveis se o time estivesse na liderança do campeonato, por causa do conhecido efeito anestésico das vitórias. Ganhando de todo mundo, o Palmeiras poderia ser a redação de um desses sites de fofocas, que faria pouca diferença. Na órbita da chamada “zona da Libertadores”, o caso é diferente.

Um time forte, candidato a troféus, não se constrói com três telefonemas. Mas o Palmeiras tem outra carência que, essa sim, se resolve em minutos: um executivo remunerado. Alguém que seja um interlocutor eficiente entre o presidente e o técnico. Que diga à seleção chilena que todos perdem quando Valdívia é convocado machucado. Que deixe Scolari trabalhar.

E que engula a chave do vestiário.

CAIXA-POSTAL

sábado, 24 de setembro de 2011

Aos assuntos da semana:

Alex escreve: Comprei a revista Fut do Lance! na semana passada e ao ler a matéria do grande Leonardo, foi um grande jogador e parece que é mesmo uma pessoa com algo mais, fiquei surpreso ao saber que Queen’s Park Rangers, Malaga e PSG pertencem ao mesmo grupo investidor. É óbvio que há enorme diferença entre os três clubes. Mas um dia os três (ou dois deles) podem se encontrar em alguma copa europeia. E como fica? A UEFA permite isso? E como ficaria se dois, ou mesmo os três, estivessem num grupo da Europa League ou mesmo da Champions? Será que não haveria algum possibilidade de manipulação de resultados?

Resposta: Não são exatamente os mesmos investidores, mas há ligações entre nomes e empresas envolvidas com cada clube. Obviamente é uma questão sensível, que pode gerar situações complicadas do ponto de vista ético, como você bem mencionou. O futebol europeu tem se notabilizado por alguns casos interessantes, como por exemplo sites de apostas em jogos de futebol que patrocinam clubes e/ou campeonatos nacionais. Estive recentemente em Mônaco, para o lançamento oficial da temporada europeia de clubes. Antes dos sorteios dos grupos da Liga dos Campeões e da Liga Europa, o secretário-geral da Uefa fez um apelo direto aos clubes filiados em nome do combate à corrupção no futebol e aos esquemas de manipulação de resultados. Pode ter sido apenas para marcar uma posição, pode ter sido para avisar que a Uefa não será tolerante. É lógico que a lisura de jogos e competições deveria ser a prioridade número 1 de qualquer organização esportiva.

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Emanuel escreve: Imagine a situação hipotética: novo comando da CBF (Zico, Raí, Cafu, Sócrates, enfim, alguém transparente) e esse comando convida André Kfouri para ser técnico da Seleção e você, num momento de insanidade, aceita o desafio. Então vem a pergunta em duas partes: quem são HOJE os seus 23 convocados e como joga (estilo) o time brasileiro na “era Kfouri”? Segunda pergunta (que se relaciona com o “hoje” da primeira): a quem você daria o direito de uma “lista de espera”, porque HOJE não pode ser convocado mas que tem potencial e/ou já prestou bons serviços? Só para deixar claro o que quero dizer, HOJE, estariam na minha lista de espera, por exemplo, Luis Fabiano e PHG e provavelmente Kaká.

Resposta: O que temos aqui, mais do que hipotético, é algo impossível. Enquanto eu realmente torço para que um dia a CBF seja administrada por alguém que trabalhe pelo futebol brasileiro, não consigo nem imaginar a sequência da sua proposta. Ser técnico de futebol é para poucos. Não tenho vocação/conhecimento nem mesmo para essa simulação. O que pretendo ver na Seleção Brasileira, como já escrevi muitas vezes, é um retorno ao nosso jeito de jogar futebol. Posse de bola, bom trato do jogo, inteligência e, por que não?, alguma dose de arte. Creio que as escolhas de nomes e sistemas deveriam levar em conta a aplicação desse estilo, e não a convenção do que é “moderno” ou consagrado pelo “futebol de hoje”. Diferentemente da Suíça (sem ofensa), por exemplo, que deve copiar o que se faz por aí em termos de competitividade, o futebol brasileiro tem condições humanas de fazer o que bem entender.

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Thiago escreve: Bom dia André por favor me ajuda, não consigo achar nada em que realmente fale quantos times ainda fazem parte do clube dos treze, por favor me ajude com alguma informação ou algum site fidedigno, preciso entregar um tcc até sexta, desde já muito obrigado fico no aguardo.

Resposta: Algo me diz que o site oficial tem o que você procura.

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Osvaldo escreve: André, o cancelamento de jogos da pré-temporada da nba pode ser visto como um péssimo sinal?

Resposta: Sem dúvida. Esse cancelamento e as últimas informações sobre a distância entre donos e atletas no que diz respeito à divisão de lucros são tenebrosos. É cada vez menos provável que a temporada 2011-12 comece na data prevista ou que tenhamos basquete da nba neste ano. O mais provável parece ser a repetição do cenário de 1999, quando metade da temporada regular desapareceu.

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Obrigado pelas mensagens. Até o sábado que vem.

(emails para a CP do blog: akfouri@lancenet.com.br, ou clique no link abaixo da foto)

CAMISA 12

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

(publicada ontem, no Lance!)

QUEM APITA?

Na esteira do debate sobre a importância dos técnicos, talvez seja a hora de discutir a importância dos árbitros. Os temas estão interligados, uma vez que os professores parecem ser os maiores incentivadores dos homens de preto.

O maior professor de todos, pelo menos na remuneração e nos prêmios, deu uma declaração assustadora anteontem, em entrevista coletiva em Madri: “O jogo será como o árbitro quiser, não como as equipes. Você só vai até onde o árbitro lhe permite ir”, disse José Mourinho.

O pensamento é preocupante por vários ângulos. Retira o destino de uma partida de futebol dos pés dos jogadores, reduz o papel de quem é a razão do interesse do público, e prepara a rota de fuga de quem tem de explicar o que aconteceu em campo. Não surpreende que o conceito venha de um treinador que se convenceu – e pretende que o mundo o acompanhe – de que há uma conspiração cósmica para prejudicá-lo.

O problema é que, uns mais, outros menos, a maioria dos técnicos pensa exatamente assim (crédito para Mourinho por dizer com todas as letras). É preciso “enfrentar” o árbitro. Alguns preparam o time para lidar com o apito com atenção semelhante à dispensada ao adversário. É parte da estratégia de jogo.

Voltemos ao Real Madrid. Mourinho disse o que disse na véspera do jogo contra o Racing Santander, mas a conversa vinha da derrota para o Levante, quando Sami Khedira foi expulso e publicamente grelhado pelo resultado. Só que o alemão cumpriu à risca os pedidos (elevar a temperatura do jogo, atormentar o árbitro, defender os companheiros nas briguinhas) do técnico, que depois o expôs.

Mourinho comanda o elenco mais caro já reunido desde que o futebol existe. Mesmo assim, orienta seus jogadores a interferir no trabalho do árbitro, e quer que as pessoas acreditem que o apito explica uma derrota para o temível Levante.

Enquanto isso, por aqui, tem time que leva cinco e reclama de impedimento no primeiro gol. E time que não vence há semanas e o grande problema é a ausência de pênaltis a favor.

Árbitros não deveriam ser tão relevantes.

ESPERANÇA

Ricardo Gomes voltou para casa e, tudo indica, se recuperará do segundo acidente neurológico que sofreu. Doutor Sócrates pode deixar o hospital hoje, após a segunda internação em que sua vida esteve sob alto risco. São as melhores notícias dos últimos dias. É boa, também, a medida aplicada na Turquia contra torcidas violentas e demais bagrecéfalos: em vez de jogos com portões fechados, só mulheres e crianças no estádio.

GENIALIDADE

Então ficamos assim: para melhorar a mobilidade nas sedes da Copa do Mundo de 2014, a solução é decretar feriado nos dias de jogos. Para melhorar o funcionamento dos aeroportos durante a Copa, a solução é cancelar todos os voos que não ligarem as sedes. E para resolver o problema de disponibilidade nos hotéis, a solução é proibir hóspedes que não irão aos jogos. Vamos colocar o país inteiro à disposição da Fifa e da Copa.

 

NOTINHAS PÓS-RODADA

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Abrindo a vigésima-quinta do BR-11:

* Um tempo atrás, escrevi aqui que quando o Santos (2 x 1 no América-MG: Borges, Kempes e Edu Dracena – público ND no Parque do Sabiá) voltasse a jogar o que sabe, alguém pagaria.

* Estão pagando há oito rodadas.

* Eram sete anos sem uma vitória do Coritiba (2 x 1: Marcos Aurélio, Bill e Bobô – 17.166 pagantes no Couto Pereira) contra o Cruzeiro.

* Neste momento, Minas Gerais fala sobre a diferença de pontos entre Atlético e Cruzeiro: 4.

* Quinta vitória do Fluminense (3 x 1 no Avaí: Fred-2, William e Martinuccio – 6.689 pagantes no Engenhão) em seis rodadas. É o líder do returno.

* O tamanho do impedimento de Fred no segundo gol não permite defesa ao assistente.

* Em confronto de preocupados, o Bahia (1 x 0 no Atlético Paranaense: Júnior – 12.771 pagantes no Pituaçu) abriu cinco pontos da ZR.

* É do Atlético o pior ataque (24) do Brasileirão.

* Normalmente, empate é um resultado que ajuda pouco. Para Atlético Mineiro e Flamengo (1 x 1: Daniel Carvalho e Ronaldinho – 13.849 pagantes na Arena do Jacaré), não ajudou nada.

* Após a décima rodada sem vitória, Luxemburgo discursou contra o rebaixamento de quatro times no campeonato.

* O verdadeiro problema do Internacional não foi empatar (1 x 1: Ygor e Jô – público ND no Orlando Scarpelli) com o Figueirense, em Floripa.

* Perder Leandro Damião por lesão muscular é muito pior.

* O clássico entre São Paulo e Corinthians (0 x 0 – 44.631 pagantes no Morumbi) foi um desses jogos que prometem muito e entregam pouco.

* Domínio claro do São Paulo, sem a força necessária para finalizar. O Corinthians gostou mais do empate.

A CABEÇA NO CLÁSSICO

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Apenas uma passada rápida no clássico de logo mais, no Morumbi.

Tite fez um movimento ousado ao barrar Chicão, mesmo que tenha mostrado sensibilidade e cuidado ao falar da substituição.

É difícil, muito difícil, acreditar que o motivo da mexida é apenas técnico (no caso, os problemas da defesa do Corinthians na bola aérea, evidenciados na derrota para o Santos).

Para tirar o capitão do time, é preciso haver mais fatores na equação.

Ao mesmo tempo, um técnico experiente como Tite só faria o que fez se soubesse exatamente como seria a repercussão interna.

Não dá para imaginar que foi uma cartada arriscada, sob pena de perder o vestiário.

Em todo o caso, não sei se as alterações na defesa eram necessárias. O São Paulo deve tentar  fazer algo pelo alto, mais pelas falhas do Corinthians do que por outra razão.

A bola aérea não é uma característica do São Paulo, é?

Desse modo, uma zaga mexida pode ser pior, por não ser entrosada.

Outra coisa: com Castán pela esquerda, a opção da subida do lateral inexiste, o que torna o time previsível e menos perigoso.

O Corinthians está preocupado, e tem motivos para isso.

Ganhar um clássico como resultado de um trabalho feito em campo (estou excluindo as vitórias circunstanciais, aquelas conquistadas com gols estranhos) não é fácil.  Depende, na maioria das vezes, da forma como uma equipe lida com os problemas que o jogo apresenta.

Para resolvê-los, é preciso, antes de mais nada, ter a cabeça no lugar.

Quem não tem (e não creio que o Corinthians, hoje, tenha) amplifica as dificuldades e fica mais longe das soluções.

Um gol sofrido, por exemplo, pode fazer os jogadores esquecerem o que foi combinado e desorganizar o time.

Aconteceu no clássico contra o Santos, logo depois de Borges virar o jogo.

Uma derrota hoje à noite é ruim, sim, para o São Paulo. Mas é muito pior para o Corinthians.

Vejo o São Paulo, em casa, confiante e com Lucas, em melhores condições de controlar os nervos durante o clássico. Isso o aproxima da vitória.

Sobre a possibilidade de escalação de Luis Fabiano: não deveria ser cogitada.

É lógico que ele quer jogar e está fazendo o que pode para convencer médicos, comissão técnica e dirigentes.

Mas também é lógico que um jogador ausente por tanto tempo, 1. não está tecnicamente pronto, e 2. não deve ter seu retorno acelerado.

Deixá-lo na reserva é uma ideia quase tão ruim. Imagine o primeiro gol perdido por um atacante são-paulino, e a torcida vendo um ídolo sentado no banco.

Não é o clima que se pretende.

A decisão deveria estar tomada, de cima para baixo.