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Arquivo de abril de 2011

CAMISA 12

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Quando eu lembrar do jogo de anteontem, duas imagens me voltarão à mente: uma é o segundo gol de Messi. Tive a sorte de estar atrás da placa de publicidade, do lado esquerdo do gol, o que me propiciou um ângulo privilegiado da jogada. Quando Messi caiu ao bater na bola de pé direito, ele estava a poucos metros da linha de fundo, na minha frente.

Acredito que se não houvesse tanta coisa em torno do jogo, tanta reclamação e tanta bobagem, o gol magnífico de Messi seria mais comentado.

A outra imagem é a expressão de Casillas no momento da expulsão de Pepe. Rendeu a coluna abaixo:

(publicada ontem, no Lance!)

O INEVITÁVEL

Iker Casillas sabia.

Ali, aos 16 minutos do segundo tempo, o goleiro e capitão do Real Madrid sabia.

Sabia que o cartão vermelho que o árbitro alemão Wolfgang Stark tinha acabado de mostrar a Pepe significava mais do que uma expulsão. Mais do que outro jogo contra o Barcelona com um homem a menos. Muito mais.

Enquanto seus companheiros corriam para reclamar, enquanto seu técnico também era expulso, Casillas apenas abria os braços, olhava para o chão, balançava a cabeça. Não havia irritação ou revolta em seu rosto. Porque ele sabia.

Sabia que seria o principal prejudicado com a ruína do sistema de marcação que, assim como aconteceu na decisão da Copa do Rei, travava o Barcelona. Porque também sabia quem seria o principal beneficiado.

Quinze minutos se passaram entre um fato e outro. Período no qual Casillas impediu um gol de David Villa com uma defesa espetacular. O jovem holandês Affelay recebeu a bola do lado direito e ganhou de presente um escorregão de Marcelo. Foi o suficiente para superar o brasileiro e cruzar. Gol de Messi.

Décimo do artilheiro da Liga dos Campeões da Uefa. Quinquagésimo-primeiro do maior artilheiro de um time espanhol na mesma temporada. Primeiro gol de Messi em uma semifinal de Champions.

Três coisas precisavam acontecer, na mesma noite, para que a temporada do Barcelona não terminasse em frustração. A primeira era conseguir executar sua filosofia de jogo, mesmo com um time remendado e sem Andres Iniesta – um dos processadores (o outro é Xavi) que fazem o sistema operacional catalão rodar em sua plenitude. A posse de bola final de 72%, em pleno Santiago Bernabéu, é um bom indicador.

A segunda era que a arbitragem atuasse com rigor no aspecto disciplinar. O alemão Stark não teve uma boa noite, mas é muito difícil contestar o cartão vermelho de Pepe. O luso-brasileiro é um jogador que vive no limite, e o limite não é o mesmo para todos os árbitros. Na disputa com Daniel Alves, Pepe quis correr o risco de ser expulso. E foi, corretamente.

A terceira coisa que precisava acontecer era Messi. Livre do guarda-costas que não consegue pará-lo, mas contê-lo, o pequeno grande argentino decidiu. Seu segundo gol teve a habilidade, a crueldade e a assinatura do melhor jogador do mundo.

O lance começou com ele, na intermediária. Tocou para Busquets e correu para receber. O companheiro só parou a bola, como se dissesse: “vai”. E ele foi. Foi fintando na diagonal, entrou na área e concluiu com um toque ridículo de pé direito.

A velocidade, a forma como a bola gruda em seus pés, a noção de espaço… Messi é superior em tudo. Fez mais um gol de playstation.

Casillas sabia.

EL CLÁSICO 3.0

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Vamos separar este jogo (Barcelona 2 x 0: Messi-2) como CP e SP.

CP é “com Pepe”. O que torna desnecessário explicar o que é SP.

A forma como o Real Madrid decidiu enfrentar o Barcelona tem Pepe como ator principal. Sim, ele é mais importante para “o sistema” do que qualquer outro jogador do time.

Mesmo esse que você está pensando.

Se e ideia é romper, travar, conter, Pepe é pé-de-0bra qualificado. E a ideia é essa mesmo.

O problema é que, nessas condições (ou talvez em todas, mas estamos falando dessas), a permanência de Pepe em campo fica sempre sob risco.

O luso-brasileiro se especializou numa área que não existe no futebol. A área do cartão laranja. Conforme o árbitro, dá certo ou dá errado.

Nesta quarta, deu errado. Pepe deu uma entrada em Daniel Alves com o pé acima da altura máxima permitida e levou cartão vermelho. Tipo de lance que geraria a mesma polêmica se o cartão mostrado fosse o amarelo.

Pessoalmente, achei a expulsão correta.

E o principal beneficiado foi Messi. Apenas 15 minutos se passaram entre a expulsão e o primeiro gol. Marcelo, que não tinha perdido nenhuma para Pedro, escorregou e foi superado por Affelay.

Mais 10 minutos e o Bernabéu viu outro gol que dificilmente esquecerá. Um gol com a habilidade, a crueldade e a assinatura do melhor jogador do mundo. Um gol de videogame.

O toque de pé direito foi ridículo.

Mourinho fez um monólogo contra os árbitros e várias insinuações de favorecimentos ao Barcelona. Memória seletiva, como é comum.

Ele também disse que o confronto está decidido. Pode ter sido mais um “golpe midiático”, mas acho que o português tem razão.

O sistema do Real Madrid contra o rival funciona, basicamente, para não perder. A outra metade da equação não foi resolvida.

Mas e a Copa do Rei? A Copa do Rei foi vencida na prorrogação, em circunstâncias incomuns. E o Real Madrid só chegou ao tempo extra porque, obviamente, não perdeu.

Digamos que esse primeiro jogo das semifinais da UCL terminasse em 0 x 0. O time de Mourinho estaria em ótima situação, indo ao Camp Nou para fazer um gol e lutar até o final.

Mais do que um, e sem levar nenhum, é realmente muito difícil. Jogando desse jeito, quero dizer.

A questão é que jogar de outro jeito pode ser pior.

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Messi (11 gols, artilheiro da UCL) nunca tinha feito um gol em semifinais de Liga dos Campeões.

O Real Madrid tinha vencido todos os jogos, e sem levar nenhum gol, em casa.

Cristiano Ronaldo finalmente disse que não gosta de jogar num esquema tão defensivo, mas que tem de se adaptar.

Guardiola colocou o “canterano” Sergi Roberto em campo só para cutucar. É para reforçar a tese do “time da cantera contra o time da carteira”.

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5h32, novo recorde do blog.

Hora de fechar.

MOU x PEP

terça-feira, 26 de abril de 2011

Repassando as notícias do dia aqui em Madri:

Como você deve saber, o Barcelona sofreu mais um golpe para a primeira semifinal. Andres Iniesta está fora do jogo, machucado.

Ele se junta a 3 laterais-esquerdos (Abidal, Maxwell e Adriano) na lista de ausências.

Iniesta é insubstituível. Não é preciso dizer mais nada.

Mas o grande mérito da filosofia de jogo do Barcelona é a independência de um ou outro jogador. O time ganhou a final da UCL em 2009 praticamente com a defesa reserva.

Essa filosofia terá um grande teste amanhã no Bernabéu.

O Real Madrid chega com toda a confiança do mundo e um time em melhores condições físicas. O que mais impressiona no que Mourinho conseguiu fazer nesses confrontos é o seguinte: qualquer técnico consegue armar um esquema defensivo. Mas para convencer o time mais caro da História do futebol a jogar defensivamente, é preciso ter uma capacidade de liderança incomum.

Creio que a popularidade que Mourinho ostenta entre os torcedores do Real Madrid, jogando como o time está jogando, só é tão alta porque o adversário é o Barcelona. Ele não apenas convenceu os jogadores, mas também a torcida.

Lembremos que Fabio Capello ganhou títulos jogando “feio” e teve de ir embora.

Mourinho, para variar, foi o destaque do dia. Atacou Guardiola pessoalmente, dizendo que o técnico do Barcelona inovou ao criar um grupo de treinadores (no qual está sozinho) que “criticam os acertos dos árbitros”.

Manipulação, distorção, chame do que quiser. Mourinho se referiu a um comentário de Guardiola sobre o gol anulado de Pedro, na final da Copa do Rei.

O que Guardiola disse? “Perdemos a Copa por centímetros”.

Em sua própria coletiva, um irritado Guardiola declarou que não vai duelar com Mourinho na sala de imprensa, e sim no campo. Que tem muito a aprender com o português dentro das linhas, mas só dentro das linhas.

E de certa forma mostrou-se magoado por ter sido atacado por alguém com quem trabalhou por 4 anos. Alguém que preferiu acreditar “no que escrevem os amigos de Florentino”, referindo-se ao presidente do Real Madrid e a determinados jornalistas.

O fato é que  o Barcelona está diante de um jogo crucial, que talvez seja o mais difícil e importante de sua temporada. E está longe de suas melhores condições.

Perguntado se, com tantos problemas, ele pensava em mudar a forma de jogar e renunciar ao estilo ofensivo, o técnico do Barcelona deu a seguinte declaração: “Não nos ensinaram a fazer isso.”

Não sei se veremos uma partida bonita nesta quarta-feira. É mais provável que não. O Real Madrid deve fazer o que fez na decisão da Copa do Rei: trabalhar para romper o jogo do Barcelona, fazer prevalecer sua força física.

E o Barcelona terá de se virar, com os jogadores que tiver.

Uma coisa é certa (e é por isso que se fala tanto em arbitragem): se o árbitro for rigoroso com faltas e no aspecto disciplinar, o Barcelona terá mais chances. Se não for, as maiores possibilidades serão do Real Madrid.

Mais um “El Clásico” está chegando.

AS SEMIFINAIS DA LIGA (com palpites)

terça-feira, 26 de abril de 2011

Agora que o jogo em Gelsenkirchen está no intervalo, me dei conta de que não publiquei os palpites das semifinais.

Desculpe fazê-lo com a rodada já em andamento.

Mas aí vai:

Schalke 04 x Manchester United

26/4 – Arena AufSchalke

04/5 – Old Trafford

Previsão: Man U. Camisa, mando de campo, tradição e o hábito de vencer. Há muito a favor dos ingleses, que estarão na final em seu país.

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Real Madrid x Barcelona

26/4 – Santiago Bernabéu

03/5 – Camp Nou

Previsão: Barcelona. Hoje, com vários desfalques para os catalães e o aspecto psicológico favorável aos merengues, é fácil apostar no Real Madrid. Mas no dia em que o confronto ficou definido, meu palpite era o Barcelona. Então continuará assim. O jogo desta quarta é crucial e o Real Madrid estará em casa e inteiro. Mas creio que, em ida e volta, geralmente prevalece o melhor time.

OLÁ

terça-feira, 26 de abril de 2011

Lamento minha ausência por aqui.

Tivemos dois dias seguidos que precisariam de mais de 30 horas para tudo que foi preciso fazer.

De qualquer forma, hoje (terça) é quando as coisas acontecem realmente aqui em Madri. Treinos e entrevistas coletivas dos dois clubes semifinalistas da Liga dos Campeões.

Os canais ESPN terão tudo ao longo do dia, e eu terei um relato no blog à noite.

Ontem fomos até Barcelona, para a entrevista de Andres Iniesta.

Iniesta é um meia extraordinário e uma pessoa inteligente. Qualidades que ele divide com Xavi, o que certamente contribui para que os dois formem uma dupla de meio-campistas sem igual.

É logico que a maior parte de uma coletiva antes de um jogo tão importante é formada por declarações pasteurizadas, esperadas.

Iniesta disse que o Barcelona está forte, que não há favoritos, que confia nos jogadores que substituirão titulares machucados, que o objetivo é atacar e fazer gols.

Mas também disse uma frase que não se ouve todos os dias da boca de um jogador de futebol.

A pergunta era sobre a possibilidade da temporada do Barcelona ser considerada um fracasso, em caso de eliminação na Champions para o rival.

Iniesta respondeu: “O livro da glórias e das decepções é muito fino. Cada um pode fazer dele a leitura que quiser”.

Ainda sobre o meia, que disse na entrevista que estava bem, o Barcelona se preocupa.

COLUNA DOMINICAL

domingo, 24 de abril de 2011

(publicada ontem, no Lance!)

MÉS QUE UN EQUIP?*

A temporada do Barcelona chegará a seu ponto crítico na próxima quarta-feira, no local mais hostil a uma camisa azul-grená em todo o Universo. O Real Madrid e o estádio Santiago Bernabéu, com a confiança em nível além do máximo, esperam o “melhor time do mundo” para um jogo que não tem tamanho.

Talvez a melhor definição para o Barcelona, hoje, seja compará-lo a um super herói ferido. Ainda é capaz de tudo, mas alguns de seus poderes foram afetados. Seu adversário é menos potente, mas está com o tanque cheio e o pé no acelerador.

A questão passa pelo elenco catalão, que não mantém o nível de talento do time titular. Time que, na fase mais quente da temporada, sofre com o alastramento de lesões e as substituições que lhe roubam brilho.

O lateral brasileiro Adriano (lesão muscular, 4 semanas) é o mais novo nome da lista de jogadores machucados, que já tinha Bojan, Abidal e Puyol. Mascherano tem jogado bem como zagueiro, o que pelo menos permite que Pep Guardiola se concentre no ataque esvaziado pela abdução de Pedro e David Villa. É fato que Messi faz e/ou cria mais da metade dos gols do Barcelona. Mas seus parceiros vinham contribuindo com frações importantes. Há 11 jogos, Pedro e Villa estão silenciosos.

A final da Copa do Rei mostrou o que acontece quando a defesa do Real Madrid se encaixa em seu campo e o cérebro Xavi/Iniesta precisa de opções além do argentino. É exatamente neste momento que a assombrosa posse de bola do Barcelona deixa de ser uma música que cresce a caminho de um final emocionante. E se transforma num CD (coisa antiga, eu sei) com defeito, em eterna repetição.

A boa notícia é que a Liga Espanhola está virtualmente decidida. Com 8 pontos de vantagem, Guardiola pode administrar as últimas 6 rodadas e dar descanso a quem precisa. Mas o elenco magro não lhe oferece tantas possibilidades de escalação, em quantidade ou qualidade. Comparando, enquanto uma alternativa de Pep é usar o meia holandês Afellay como atacante, o time alternativo que José Mourinho traz a Valência hoje terá Kaká, um jogador de 65 milhões de euros.

O maior tesouro do que é chamado aqui na Espanha de “rally de clásicos” entre Barcelona e Real Madrid é a Liga dos Campeões da Uefa. O clube que prosseguir no torneio continental será considerado o vencedor desses encontros históricos.

E não é mais o choque de estilos entre estética e força que está em discussão. A decisão da Copa do Rei mudou a conversa. O Real Madrid venceu e se instalou na mente catalã como um novo problema a ser resolvido. Como a fase seguinte de um videogame. Mais exigente, mais desafiadora, mais perigosa.

O que veremos nas próximas duas semanas é se o time que tem o monopólio do jogo bonito e competitivo será capaz de se adaptar. Se encontrará uma nova maneira de vencer um adversário que se redescobriu. E se conseguirá fazê-lo apesar de todos os problemas que tem.

Em poucas palavras, veremos se o Barcelona é esse time todo que pensamos que é.

* Mais que um time?, em catalão

OPERAÇÃO VALÊNCIA

sábado, 23 de abril de 2011

Assim José Mourinho se referiu aos dois jogos do Real Madrid na mesma cidade, num intervalo de 4 dias.

Sucesso absoluto, diga-se.

Hoje, com trocadilho, foi um passeio.

O Valencia cumpriu a obrigação de fazer o “pasillo” e aplaudiu a entrada do campeão da Copa do Rei. Continuou aplaudindo depois que o jogo começou.

O placar de 6 x 3 (4 x 0 no primeiro tempo, que decidiu o jogo) mostra por que costuma-se dizer que há um Campeonato Espanhol disputado por Barcelona e Real Madrid e outro disputado pelos demais times.

Higuaín (3 gols, 1 assistência) e Kaká (2 gols, 2 assistências) foram os destaques. Numa tarde horrível do Valencia, Jonas (1 gol, 1 assistência) entrou no segundo tempo e fez a parte dele.

Mourinho elogiou muito (“esteve fantástico”) a atuação de Kaká, mas de certa forma disse que conta mesmo com o brasileiro para a próxima temporada. Não significa que não vá utilizá-lo nos jogos da Champions, mas pensando num Kaká titular e protagonista, o técnico faz projeções para 2011/12.

Kaká, que já tinha feito dois gols de pênalti na rodada anterior, disse que estava saindo de Valencia muito feliz pelo jogo que fez e pelos sinais de que está se recuperando.

A nossa “Operação Valência” também está terminando. Voltaremos para Madri, onde haverá um jogo sem tamanho na próxima quarta-feira.

Esse é o tema da minha coluna no Lance! deste sábado, que estará aqui amanhã.

PALMAS PARA O CAMPEÃO

sexta-feira, 22 de abril de 2011

A foto acima, tirada do túnel dos vestiários, é dos degraus que levam ao gramado do estádio Mestalla.

Achei a decoração interessante. As palavras em valenciano (se entendi corretamente, uma variante do catalão), os títulos do Valencia, a mensagem de que é preciso vencer sempre.

Ao mesmo tempo, uma forma de estimular o time da casa e pressionar o visitante.

Quando os jogadores do Real Madrid passarem por esses degraus neste sábado, serão recebidos por seus adversários batendo palmas.

É o tradicional “pasillo”, gesto de respeito e cavalheirismo, tradição no futebol espanhol no primeiro jogo do campeonato após a decisão da Copa do Rei.

O campeão é saudado com aplausos quando entra em campo.

A possibilidade de ver seu time felicitar o Real Madrid fez muita gente em Valência torcer para o Barcelona, na quarta-feira passada.

Depois do jogo, houve até campanha de torcedores para que o time ignorasse a tradição.

Mas tanto os jogadores quanto o técnico Unai Emery, em entrevistas, deixaram bem claro que se trata de uma obrigação. E o Mestalla verá uma cena bonita.

O futebol é usado como pretexto para tantas atitudes vergonhosas, para dizer o mínimo, que é bom ver esse tipo de costume resistir ao tempo e à idiotização (o termo não existe. Mas o fenômeno, sim) das pessoas.

Já vi “pasillos” pela televisão e estou satisfeito por poder presenciar o momento. Será marcante.

Mas que o Real Madrid esteja avisado: os últimos 8 times que foram  saudados dessa forma tiveram má sorte no jogo. Nenhum venceu.

Foram 5 derrotas e 3 empates.

EL CLÁSICO 2.0

quinta-feira, 21 de abril de 2011

A atuação do Real Madrid (1 x 0: C. Ronaldo) na final da Copa do Rei me lembrou muito o que a Internazionale fez no ano passado, no jogo em casa pelas semifinais da Liga dos Campeões.

Falo em termos de postura, já que foram jogos diferentes em muitos aspectos.

Nas duas partidas (ontem, no primeiro tempo) o time de José Mourinho teve a mesma atitude corajosa. E até quando ficou sem gás, o que se viu claramente no segundo tempo em Valência, não sucumbiu.

Mourinho tem em mãos o time mais caro da História do futebol. Jogar defensivamente é sempre uma escolha discutível, mais ainda com os jogadores que ele possui. Mas nada vai convencê-lo de que essa não é a melhor, talvez a única, maneira de enfrentar o Barcelona.

O Real Madrid encontrou um caminho e com ele venceu o rival após seis jogos. Ganhou a Copa do Rei depois de 18 anos, primeiro título desde 2008. E entrou na cabeça do time que o dominou totalmente nos últimos encontros.

A série de clássicos está na metade. Pensando nos próximos dois confrontos, os mais importantes, a vitória do Real Madrid foi ótima. O time que é superior perdeu um jogo, um título e ganhou um motivo para se preocupar.

Na próxima quarta-feira, em Madri, a temporada do Barcelona atingirá um ponto crítico.

O Bernabéu estará quente. E nós estaremos lá.

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O Barcelona sofre terrivelmente por causa da má fase de Pedro e Villa.

Onde estão eles?

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Ontem, no fim do jogo, Di Maria era lateral e Piqué, atacante.

O argentino jogou demais.

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5h12 da manhã, um novo recorde do blog.

Hora de ir.

E MOU FALOU

terça-feira, 19 de abril de 2011

Numa entrevista coletiva em que realmente falou, José Mourinho conseguiu algumas proezas.

Primeiro, dispensou a opinião de Alfredo Di Stefano. O presidente de honra e símbolo do madridismo criticou a forma como o Real Madrid jogou no último sábado. Após frisar que Di Stefano é uma das figuras mais importantes na história do clube, Mourinho disse que ele – Mourinho – não era nada na história do Real Madrid, mas era o técnico. E é o técnico quem decide.

Depois, numa resposta que comecou exemplar, apontou para “a imprensa” de Madri. A pergunta tinha sido sobre o estilo de jogo de seu time. Mourinho começou dizendo que “vocês estavam acostumados a um Madrid em que seis defendiam e quatro atacavam. Hoje, todos trabalham. Meu time pode não ganhar amanha, pode não ganhar a Champions, mas não está longe de conseguir porque todos trabalham. E isso parece um problema para alguns de vocês. Só que, como diz meu amigo Messina, nós temos dúvidas se a imprensa de Madrid quer que o Madrid ganhe ou quer que o Madrid perca.”

Algumas ponderações sao necessárias:

1 – É difícil encontrar um time que seja mais apoiado nos jornais de sua cidade do que o Real Madrid.

2 – o discurso de vítima é batido, mas ainda funciona.

3 – o Messina citado está em dificuldades.

O italiano Ettore Messina era técnico do time de basquete do Real Madrid até o mês passado e é amigo de Mourinho. Não sei se ele já disse publicamente o que Mourinho afirmou. Se não disse, agora está mal na foto com “a imprensa” e não pode desmentir o amigo. Deve ter adorado.

Mas o grande momento da coletiva do melhor treinador do mundo veio na sequência. Ainda falando sobre a forma de jogar, Mourinho acrescentou que a torcida está com ele, que abriu os olhos para a realidade de que um time precisa se defender com 11 jogadores.

É sensacional. Depois de mais de 100 anos de história, e nove títulos europeus, o madridismo finalmente acordou para o futebol.

A modesta sala de imprensa do Mestalla, superlotada, apreciou a declaração.

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Informação interessante sobre uma preocupação dos organizadores da decisão desta quarta. O hino nacional da Espanha será tocado a 120 decibéis no estádio.

O objetivo é abafar as vaias da torcida do Barcelona e evitar o que aconteceu antes da final de 2009, no mesmo Mestalla.

O rei Juan Carlos estará presente e quer ouvir o hino.

Uma campanha divulgada em redes sociais aproveitou o tema Espanha x Catalunha, que se apresenta sempre que Real Madrid se enfrentam: “um madridista, um coração, uma bandeira”. A campanha pede que torcedores do Real Madrid levem bandeiras da Espanha para o estádio.