publicidade


Arquivo de outubro de 2010

COLUNA DOMINICAL

domingo, 31 de outubro de 2010

(publicada ontem, no Lance!)

CAÇADORES DE MITOS

Tenho um amigo que é um “conspiracionista” incorrigível. Tipo de cara que tem certeza absoluta de que, por trás de tudo que acontece, há o interesse escuso de alguém. Se falta salmão nos restaurantes japoneses, é por causa da ação da máfia das churrascarias. Se acabou a luz na sua casa ontem à noite, é porque o vizinho fez um gato para roubar o sinal de sua TV a cabo. Sua garganta inflamada não sara? Jogaram no ar um vírus para vender remédio.

Ele também é um eterno desconfiado. Acha que o saudoso polvo Paul morreu durante a Copa do Mundo da África do Sul, mas só divulgaram agora. E não tem dúvidas de que há um revezamento orquestrado entre as seleções campeãs mundiais. Você sabe, para dar emoção.

Esse meu amigo gosta de Fórmula-1. Na época em que Rubens Barrichello era companheiro de Michael Schumacher na Ferrari e deixava de completar provas por um problema diferente a cada domingo, ele acreditava na lenda do “homem da maleta metálica”. Dizia que havia um misterioso senhor, sempre vestindo um terno preto, circulando pelos autódromos. Costumava andar pela área dos boxes antes das corridas, mas desaparecia ao final. A lenda conta que a tal maleta era um computador que controlava o carro de Barrichello. Um botão para pane seca, outro para pneu furado, outro para mais um pit stop. O cara escolhia um e Rubinho parava.

Na quarta-feira passada, já tarde da noite, meu celular tocou. Era meu amigo, com uma notícia inacreditável: o homem da mala metálica tinha sido visto entrando num táxi em frente à Arena do Jacaré, pouco antes do final do jogo entre Atlético Mineiro e Palmeiras.

Agora, é preciso voltar à realidade. E perguntar se o estranhíssimo caso do pênalti revertido vai ficar assim mesmo, sem mais detalhes. Jogada pela esquerda do ataque do Palmeiras: Lincoln – impedido – lançado, entra na área e é derrubado por Jairo Campos. Pênalti. O assistente Erich Bandeira – que não levantou seu instrumento – corre para a linha de fundo. Kléber pega a bola e se prepara para a cobrança. Jogadores do Atlético cercam o árbitro Marcelo de Lima Henrique, que vai conversar com Bandeira, o bandeira. Mudança de planos: Lincoln estava impedido, o pênalti não aconteceu. Sério, vamos tratar esse interessante episódio como algo sem importância?

Veja, não há nada de errado em reformar uma decisão. Se o assistente tem convicção do que viu e pode ajudar o árbitro a corrigir a marcação, palmas para ele. Mas tem algo que não fecha nesse caso específico: Erich Bandeira viu ou não viu que Lincoln estava impedido? Essa é uma pergunta que gera outras, numa versão futebolística do ovo e da galinha. Se viu que Lincoln estava impedido, por que não levantou a bandeira ou alertou o árbitro imediatamente após a marcação do pênalti? Se não levantou a bandeira e não alertou o árbitro imediatamente, como concluiu que Lincoln estava impedido? Há elementos suficientes para imaginar que houve interferência externa, o que, como sabemos, é proibido no futebol.

Há uma versão de que o assistente pensou que a jogada tinha se iniciado em cobrança de lateral, o que eliminaria o impedimento. Cola? Meu amigo acha que não. Se o homem da maleta estava lá, aí tem.

CAIXA-POSTAL

sábado, 30 de outubro de 2010

Aos temas da semana:

Luiz Carlos (entre muitos) escreve: André, sem ficar no muro: você chamaria o Ronaldinho Gaúcho para a seleção brasileira?

Resposta: Pô, essa é fácil. Chamaria. Como escrevi ontem aqui (e hoje, no Lance!), Ronaldinho é talentoso demais para ser abandonado pela Seleção, mesmo que já tenha, em alguns momentos, nos dado a impressão de ter abandonado o futebol profissional. No Milan, hoje ele joga como meia de ligação à frente de 3 jogadores e antes da dupla de ataque. Pode fazer o mesmo na Seleção. A volta dele parece condicionada à ausência de PHG, mas tê-lo como opção (como poderia ter acontecido na Copa do Mundo) é ter uma carta a mais na manga. Especialmente num amistoso contra a Argentina, gosto do presença dele.

______

Carlos escreve: Fala André, viu que o Neymar aprontou de novo? Lembro que você o criticou naquela briga com o Dorival Júnior e parece que ele não aprendeu nada, pois se envolveu em outra confusão.

Resposta: Espera um minuto. Pelos mesmos motivos que o critiquei antes, minha obrigação é elogiá-lo agora. Você viu o que aconteceu? Alguns jogadores do Santos deram um trote de aniversário em Zé Eduardo. Amarraram o rapaz na trave, quebraram ovos nele e o acertaram com socos e boladas. Neymar teve a mesma atitude que qualquer pessoa com um mínimo de senso teria, reclamou porque achou que a coisa estava passando dos limites. Marcel, um dos mais exaltados, não gostou e os dois discutiram. Opinião pessoal: a coisa passa dos limites quando envolve desperdício de alimento e violência, como temos visto em trotes universitários cada vez mais imbecis. Sei que ovada “faz parte do ambiente” do futebol, assim como outros péssimos comportamentos que não são novidade. Não dá para criticar Neymar nessa. Ao contrário.

______

Costa escreve: Queria saber o que você pensa sobre a falta de meias criativos no futebol brasileiro, e quem você prefere entre Conca e Montillo? Obrigado.

Resposta: Sua pergunta é a melhor resposta. Os dois jogadores que você mencionou são argentinos. Obviamente, já faz muito tempo que o futebol brasileiro deixou de revelar jogadores clássicos de meio de campo. PHG, infelizmente, é uma exceção. Talvez porque quando aparece um jogador habilidoso nas nossas categorias de base, ele é logo estimulado a jogar como atacante. Meias como Conca e Montillo, pequenos, habilidosos e inteligentes, continuam surgindo no futebol argentino, e hoje recebem elogios por aqui. Qual deles eu prefiro? Montillo é mais rápido e mais vertical. Conca é mais criativo, mais cerebral, e tem mostrado no Fluminense algo que não vimos no Vasco: liderança e atuações decisivas em jogos importantes. Eu estaria satisfeito com qualquer um, mas escolheria Conca.

______

Luciano escreve: Com justiça, você criticou muito o gramado do Engenhão, mas não acha que tem outros gramados que também merecem ser criticados?

Resposta: Sem dúvida, e tenho feito isso. O Engenhão melhorou mesmo. Serra Dourada e Arena Barueri, por exemplo, estão passando pelo mesmo problema do excesso de jogos. Não há desculpa para o Campeonato Brasileiro da Série A ser disputado em gramados nessas condições.

______

Como sempre, obrigado pelas mensagens e até a semana que vem.

(emails para a CP do blog: akfouri@lancenet.com.br, ou clique no link abaixo da foto)

“Missão dada, parceiro, é missão cumprida”

Coronel Nascimento, em “Tropa de Elite 2: O Inimigo Agora é Outro”.

______

A repetição do filme tem duas razões: uma é corrigir o erro na patente do Nascimento na semana passada. A outra é que fui ver o filme ontem à noite.

Se você não foi, vá. “Tropa de Elite 2″ é um desses casos raros em que o segundo filme é melhor do que o primeiro (que é ótimo).

Mais bem escrito, mais engraçado, mais tenso, mais crítico, mais real.

Wagner Moura, extraordinário.

Que venha o terceiro.

NOTINHAS PÓS-MAIS 3 JOGOS (e Ronaldinho voltou)

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Sequência da rodada 32 do BR-10:

* Ganhar do Atlético Paranaense significaria ultrapassá-lo na tabela, e manter possíveis os planos continentais do São Paulo (2 x 1: Ricardo Oliveira, Guerrón e Miranda – 16.481 pagantes) para 2011. Plano bem executado na Arena Barueri, apesar do estado crítico do gramado.

* Grêmio, Atlético, São Paulo e Botafogo são candidatos à quarta vaga na Libertadores (esquecendo, por um instante, que a CSA pode acabar com a festa).

* Na missão de solidificar um lugar do lado de fora do U-4, o Atlético Goianiense (1 x 1 com o Ceará: Marcão e Michel – 3.840 pagantes no Serra Dourada) teve todas as chances para vencer e foi penalizado por uma falha do goleiro Márcio.

* O gramado do Serra Dourada também pede uma folguinha.

* Se o Fluminense for campeão brasileiro, a vitória sobre o Grêmio (2 x 0: Conca-2 – 13.592 pagantes no Engenhão) terá sido um claro sinal. Mesmo desfalcado, venceu como líder, com as devidas impressões digitais de Conca.

* Que golaço, o primeiro.

______

Mano Menezes convocou a Seleção Brasileira para o primeiro jogo “de verdade” de sua administração, contra a Argentina (17/11, Doha).

Neymar voltou do castigo e Ronaldinho Gaúcho voltou do exílio.

Sobre o segundo: defendi aqui a convocação dele para a Copa do Mundo da África do Sul, como opção. Continuo achando que é um jogador talentoso demais para ser descartado, ainda que, hoje, não esteja jogando como pouco antes do Mundial.

Mas não dá para ignorar que se PHG não estivesse numa sala de fisioterapia, Ronaldinho provavelmente não seria convocado. O jogador do Milan não substitui o do Santos, claro que não. Mas faz parte de um pensamento de meio de campo que MM precisa ter, na ausência de Ganso, para um jogo como esse contra a Argentina.

Não dá para ignorar, também, a ausência de Marcelo e Hernanes, pelo que ambos estão jogando no Real Madrid e na Lazio.

E sobre o trio da Internazionale (especialmente Julio César e Maicon), a cada convocação fica mais aparente que, na conversa que Mano teve com eles, decidiu-se que a volta acontecerá em 2011.

CAMISA 12

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

(publicada ontem, no Lance!)

2011: O ANO EM QUE EVOLUÍMOS?

Um dia após a FIFA anunciar a reabertura da discussão sobre tecnologia na arbitragem de futebol, Michel Platini fez o impensável para quem o viu jogar: um gol contra. O imortal francês, presidente da UEFA, se disse contrário ao auxílio eletrônico.

Não estamos falando de alguém tão desconectado da realidade (e da capacidade humana de consertar o que está quebrado) a ponto de achar que os erros sustentam a popularidade do futebol, que a polêmica é necessária e psicoses similares. Não. Estamos falando de uma autoridade esportiva, do comandante do segundo órgão mais importante do futebol.

Platini vislumbra uma arbitragem melhor com a adoção dos assistentes atrás dos gols e com mais respeito pelas decisões dos juízes. Não percebe que o uso da tecnologia na linha de gol contempla as duas situações.

Determinar se a bola atravessou ou não a linha do gol jamais deveria ser, em pleno século 21, uma decisão do árbitro ou de um assistente. Somos capazes demais para permitir tamanho atraso. Somos inteligentes demais para insistir nos mesmos erros. E como os sistemas já existentes garantem precisão instantânea, nada poderia ser melhor para que se respeite a determinação da arbitragem num lance que, a olho nu, seria discutível. A tecnologia é o milagre que impede o erro e protege o apito.

No início do mês, a FIFA convidou 17 empresas especializadas a apresentar suas idéias. O encontro produziu 13 sistemas diferentes para determinar se a bola entrou. Eles podem ser divididos em dois grandes grupos: um que trabalha com câmeras instaladas no gol e outro que utiliza um chip dentro da bola. Na semana passada, no País de Gales, o International Board deu prazo até novembro para receber as propostas. A decisão, potencialmente histórica, sai em março de 2011.

O sistema de câmeras tem sido testado, e aprovado, no críquete desde 2001 e no tênis desde 2006. É o chamado “Olho do Falcão”: 6 câmeras captam a trajetória da bola a 500 imagens por segundo. Um computador processa os resultados e, se a bola ultrapassar a linha, um sinal é enviado ao árbitro em meio segundo.

A bola com chip está em desenvolvimento pela parceria entre uma empresa de material esportivo (adivinhe qual) e outra de tecnologia, ambas alemãs. Um campo magnético criado na pequena área e dentro do gol é capaz de “falar” com o transmissor. Quando a bola entra, um computador envia um sinal de rádio para o árbitro, também em menos de um segundo.

Com a quantidade de patrocinadores e os valores que giram em torno do futebol, onde ele é importante, o argumento do custo não fica em pé. E se a questão é a “universalidade” do jogo, por favor… quem não quer a tecnologia na linha do gol deveria também combater a iluminação artificial.

Parece mesmo um gol contra de Platini. Mas a bola entrou? Saberemos em março.

NOTINHAS PÓS-3 JOGOS

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Um pelo BR-10, dois pela CSA:

* Ronaldo marcou seu terceiro gol no Campeonato Brasileiro. Diogo marcou pela primeira vez pelo Flamengo. Mas ninguém ganhou (1 x 1 – 9.782 pagantes no Engenhão) e um pontinho só ficou ruim para os dois.

* Ficou a impressão de que faltou gás para o Corinthians pressionar no segundo tempo.

* A arbitragem contaminou o empate entre Atlético Mineiro e Palmeiras (1 x 1: Kléber e Obina – 11.542 pagantes na Arena do Jacaré), pelas quartas de final da Copa Sul-Americana.

* Ainda não vi uma imagem que me convença de que foi pênalti em Obina, mas isso não é o mais grave.

* Portanto, mais uma nota: se o assistente viu que Lincoln estava impedido – e estava – no lance do pênalti reconsiderado, por que não levantou seu instrumento?

* Ótimo resultado para o Avaí (2 x 2 com o Goiás: Rafael Moura-2, Davi e Marcelinho – 3.742 pagantes no Serra Dourada), mesmo que tenha cedido o empate nos acréscimos.

* Mas tem jogo na Ressacada. Não dá para cravar o classificado.

VOTE AQUI

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Foi divulgada hoje a lista dos 23 jogadores que concorrerão ao prêmio “Bola de Ouro da Fifa”.

É a fusão entre os prêmios oferecidos anualmente pela revista France Football e pela entidade que controla o futebol, que nesta edição escolherá, além do melhor jogador e da melhor jogadora (Marta está na lista), os melhores técnicos nas duas categorias. 

Curiosidade: o prêmio da FF foi criado em 1956, é uma eleição entre jornalistas do mundo inteiro. O “Jogador do Ano da Fifa” surgiu em 1991, com os votos dos capitães e técnicos de todas as seleções nacionais.

Os eventos já escolheram jogadores diferentes em seis oportunidades, mas elegem os mesmos nomes desde 2005.

No novo prêmio, votam os capitães e técnicos das seleções, e também os jornalistas convidados pela publicação francesa.

Três brasileiros na parada: Julio César, Maicon e Daniel Alves.

A Espanha é o país com mais indicados, colocou 7 campeões mundiais na lista: Casillas, Xavi, Alonso, Villa, Puyol, Iniesta e Fàbregas.

Messi, C. Ronaldo e Sneijder também concorrem, assim como o uruguaio Diego Forlán, escolhido o melhor jogador da Copa do Mundo da África do Sul.

Votei em Forlán na Copa, mas não acho que ele tenha chances na hora de escolher quem jogou mais bola na temporada. Também não acho que haverá um brasileiro no palco da cerimônia de entrega, em janeiro de 2011.

Em 6 de dezembro, conheceremos os 3 finalistas.

Palpite: Messi, Sneijder e Xavi.

Mande o seu.

NOTINHAS PÓS-RODADA

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Novo líder, nos critérios.

Dos 10 primeiros colocados, só 2 venceram.

Ninguém comemorou tanto quanto os atleticanos.

As notas da trigésima-primeira rodada do BR-10:

* Golaço de falta de Marcelo Cordeiro, na vitória que fez o Botafogo (1 x 0 no Vitória – 10.041 pagantes no Engenhão) ganhar duas posições.

* O Vitória terminou a rodada no U-4.

* Quem se afastou dele – só 1 ponto, mas na décima-quarta posição – foi o Atlético Goianiense (1 x 0 no Guarani: Marcão – 2.986 pagantes no Brinco de Ouro), que também subiu dois degraus.

* O Guarani é um dos 2 times que estão entre o Atlético e a ZR. O outro é o Atlético Mineiro.

* Na prévia das quartas de final da Copa Sul-Americana, o Goiás venceu (1 x 0: Bernardo – 4.663 pagantes no Serra Dourada) o Avaí, e ultrapassou o time catarinense em pontos.

* Pênalti infantil cometido por Marcos, do Avaí.

* O Ceará (2 x 0: Magno Alves e Diego Sacoman – 44.591 pagantes no Castelão) interrompeu a sequência de vitórias do São Paulo.

* O Ceará não perde há seis rodadas.

* Empate na Arena da Baixada não é mau resultado, mesmo porque valeu a liderança, mas Muricy Ramalho achou que o Fluminense (2 x 2 com o Atlético Paranaense: Washington- contra, Marquinho, Wagner Diniz e Conca – 22.132 pagantes) deveria ter vencido.

* Antes do jogo de ontem, o Atlético tinha ganhado 71% dos pontos que disputou em casa.

* Na estreia de Tite, e com a volta do time titular, o Corinthians venceu (1 x 0 no Palmeiras: Bruno César – 32.391 pagantes no Pacaembu) pela primeira vez desde 22 de setembro.

* A defesa de Julio César na falta cobrada por Marcos Assunção (no canto direito, quando tudo indicava que a bola iria no esquerdo) foi tão decisiva quanto o gol de Bruno César.

* O Santos homenageou os 70 anos de Pelé com uma inexplicável derrota (3 x 2: Keirrison, Durval, Wesley-2 e Gilmar 11.075 pagantes na Vila Belmiro) de virada para o Grêmio Prudente.

* Desde que escrevi que o Santos tinha a tabela mais fácil das últimas rodadas, o time perdeu os dois jogos que fez.

* O Gre-Nal número 383 da História terminou empatado (2 x 2: André Lima, Alecsandro, Fábio Santos e D’Alessandro – 45.234 pagantes no Olímpico) e os dois times gostaram.

* Rochemback deu uma de Luis Suárez. Mas, aos 20 minutos do segundo tempo, mesmo que o goleiro defenda o pênalti, não vale a pena ser expulso.

* Empate “classe média” no clássico (Vasco 1 x 1 Flamengo: Cesinha e Renato – 21.519 pagantes no Engenhão) dos milhões.

* O Flamengo ficou onde estava. O Vasco perdeu uma posição.

* A vitória do Atlético (4 x 3 no Cruzeiro: Obina-3, Gilberto, Réver e Thiago Ribeiro-2 – público ND no Parque do Sabiá) no clássico mineiro mudou tudo na vida dos dois rivais.

* O Cruzeiro era líder. O Atlético estava na ZR. Não mais.

COLUNA DOMINICAL

domingo, 24 de outubro de 2010

(publicada ontem, no Lance!)

A OPINIÃO E A PREGUIÇA

Uma frase creditada a um político americano deveria estar em destaque nas redações de todas as empresas jornalísticas existentes, especialmente agora que o “eu acho” é a grande estrela da profissão. A tradução é mais ou menos assim: “todo mundo tem direito a uma opinião própria, mas não a fatos próprios”. A triste polêmica criada em torno da declaração de Roberto Carlos sobre o Mundial de Clubes de 2000 é mais um exemplo do jogo em que a conjectura goleia a informação.

Descobrir o que aconteceu é uma atividade trabalhosa, às vezes cansativa e a cada dia menos valorizada. O “eu acho” é mais legal. E se não for precedido por esforço, mínimo que seja, é mais legal ainda. É a preguiça profissionalizada, estimulada, premiada. É o barulho vazio, a repercussão insignificante.

O que foi mesmo que Roberto Carlos disse (em entrevista à ESPN Brasil)? Foi isso: “O Real Madrid… eu lembro que a gente ficava acordado até 5, 6 horas da manhã, o pessoal não dormiu. Os caras vieram aqui ‘de passeio’. E eu tentando passar para eles que era um campeonato importante. Para o futebol sul-americano, era um campeonato importante”. De algum jeito que a Língua Portuguesa não explica, a declaração se transformou em desmerecimento, menosprezo ao título que o Corinthians ganhou. Tente entender como.

Roberto Carlos também disse que “para o futebol europeu não é importante aquele título”. Uma novidade incrível, não? Onde está o plantão do Jornal Nacional? Será que ninguém se lembra das fotos dos jogadores do Manchester United na praia de Copacabana? Os caras chegaram ao Brasil brancos como ursos polares e foram embora parecendo camarões. Estavam declaradamente em férias.

José Mourinho falou sobre o tema na véspera da final da última Champions League, em Madri. “O ‘Intercontinental’ é pequeno perto de uma final da Liga dos Campeões”, disse o português. A esmagadora maioria de jornalistas europeus na sala nem se importou, pois, lá, sempre foi assim. Já viu alguma bandeira do Japão no estádio onde se joga a final da UCL? Na Europa, o título continental é o ápice de prestígio esportivo que se pode conquistar. O Mundial, seja o da FIFA seja o anterior, tem valor simbólico. E é tratado com níveis variáveis de importância, conforme a situação do clube. O Barcelona, por exemplo, importou-se com a derrota para o Internacional em 2006. Preparou-se melhor e ganhou em 2009, com o argumento de que era o único troféu que o clube não tinha.

Há relatos parecidos na História de todos os torneios. A primeira Copa do Mundo não foi disputada, por todas as seleções, como algo sagrado. Durante décadas, clubes brasileiros descartaram o “santo graal” atual, a Copa Libertadores. Nossos campeonatos estaduais valiam mais. Nada disso desmerece os títulos conquistados.

A questão é que nos mundiais, nós, sul-americanos, sempre botamos a faca entre os dentes. Somos exportadores de pé de obra para os clubes europeus, nos sentimos como colônias no mundo do futebol, queremos ganhar de quem tem mais dinheiro, mais organização, mais moral.

Roberto Carlos mostrou como pensa o outro lado. Nada mais.

CAIXA-POSTAL

sábado, 23 de outubro de 2010

Aos assuntos da semana:

Roberto Carlos escreve: O Grêmio Barueri mudou para Prudente, o Guaratinguetá esta de mudança para Americana, o São Caetano está ameaçando mudar também. Serão clubes sem raízes e com certeza sem alma (tipo o que ocorre no Vôlei). Muitos pregam que a salvação financeira dos nossos times grandes é se tornarem empresas. Na Europa, os clubes mudam de dono mas não perdem a identidade. Será que estamos preparado para este tipo de gestão? Mesmo que fiquem limitadas aos times pequenos, essas trocas de cidade serão a salvação dos mesmos ou a falência definitiva (O Votoraty mudou de Votorantim para Ribeirão Preto e fechou)?

Resposta: A questão da transformação dos clubes em empresas é bem mais ampla do que a saúde financeira dos mesmos. Tem mais a ver com modelo de gestão e responsabilidade na administração. A formação de uma base de torcedores está obviamente ligada ao tempo e ao relacionamento que se forma entre o clube e a região em que ele se encontra, de modo que times nômades jamais terão o mesmo apoio popular das instituições tradicionais. Tocando no exemplo que você citou, do vôlei, esses clubes viverão sempre do pacote que negociarem com prefeituras e potenciais patrocinadores. Só terão representatividade local na medida em que permanecerem no mesmo lugar. Mas isso não significa que acabarão falindo.

______

Pedro escreve: Qual sua opinião sobre o fato do Romário, agora deputado federal, fazer uma propaganda para uma marca de cerveja?

Resposta: Independentemente de ser político ou não (não sei se há algum impedimento, por lei), não gosto de ver alguém ligado ao esporte fazendo propaganda de bebida alcoólica, ou cigarro, por exemplo.

______

Sérgio (entre muitos) escreve: André, o que você achou da declaração do Roberto Carlos sobre o título do Corinthians no Mundial de 2000?

Resposta: A declaração não foi sobre o título do Corinthians, e sim sobre a maneira como o Real Madrid encarou o torneio. Ele relatou como o futebol europeu costuma tratar essas competições, o que, francamente, não é novidade alguma. Escrevo sobre o assunto no Lance! de hoje. A coluna estará aqui amanhã.

______

André escreve: Fala André, e o seu NY Yankees (eliminado nos playoffs da MLB), hein? Não posso falar muito porque meu time (Red Sox) está de férias, mas o Rangers jogou muito melhor, concorda?

Resposta: Muuuuuuuuuito melhor. Nesses 6 jogos contra os Rangers, os Yankees foram totalmente superados. Não há do que reclamar, além da atuação ridícula do time. Agora vou torcer para o San Francisco Giants.

______

Obrigado pelas mensagens. Até o sábado que vem.

(emails para a CP do blog: akfouri@lancenet.com.br, ou clique no link abaixo da foto)

“A verdade é que a minha guerra contra o sistema estava só começando… e dessa vez ia ser pessoal.”

Capitão Nascimento, em “Tropa de Elite 2: O Inimigo Agora é Outro”.

CRUZAMENTO ADIANTE

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Ao contrário do que foi publicado aqui, haverá cruzamento de times do mesmo país nas semifinais da Copa Sul-Americana.

O que significa que o vencedor de Goiás x Avaí enfrentará o vencedor de Palmeiras x Atlético Mineiro.

O regulamento da CSA não esclarecia (é a primeira vez que isso acontece na Conmebol…) a questão e o Palmeiras trabalhava, até hoje, com a informação de que a final nacional era possível.

Ontem, uma reunião da confederação resolveu que não.

Perdão pela info errada.

ATUALIZAÇÃO, 18h33 – Outra coisa: a notícia é boa para quem está de olho na quarta vaga do BR-10 para a Libertadores. A presença de dois clubes brasileiros na final da CSA seria a sentença de morte do G-4.