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Arquivo de julho de 2010

CAIXA-POSTAL

sábado, 31 de julho de 2010

Aos assuntos da semana:

David escreve: Estive assistindo nessa noite (terça-feira passada, pelas semifinais da Copa Libertadores) o jogo da semi da L.A. entre Chivas e “La U” (Universidad de Chile) e me deparei com o excelente toque de bola do time mexicano (apesar da falta de poder de decisão como sempre, diga-se). Time de muito boa técnica e que entra ano e sai ano, esta sempre sabidamente recheado de jogadores de sua seleção nacional. E ai vem a minha pergunta. Vivemos comparando a situação do futebol brasileiro com o europeu e chegamos à infeliz conclusão de que provavelmente nossa geração não verá essa tão sonhada modernização da estrutura do esporte no Brasil a ponto de mantermos nossos craques dentro do país. Mas seria assim tão utópico desejar que fôssemos ao menos e imediatamente melhores que o Mexico nessa questão? O Mexico é também um pais de terceiro mundo. Tudo bem que seus jogadores não estão entre os mais cobiçados do planeta, como são os brasileiros, mas que ao menos mantivéssemos no Brasil um “segundo escalão” de nossa safra (deixando escapar somente os top mesmo), pagando salário maiores do que os mexicanos. Salários que, imagino eu, competem já com equipes médias da Europa. Eu vejo essa comparação como obrigação, mas não ouço tanto se falar sobre isso e gostaria de entender como um país como o México esta à nossa frente nesse quesito.

Resposta: Há uma grande diferença entre os clubes de futebol no Brasil e no México: os clubes mexicanos são ricos. O modelo de administração do futebol lá é diferente do nosso. Os campeonatos são ligas, os clubes são geridos como empresas, num sistema influenciado pelas ligas esportivas dos Estados Unidos. Por exemplo, os clubes podem negociar seus contratos de televisão por conta própria e “fatiam” seus uniformes em até 12 patrocínios diferentes. A primeira divisão do México é um dos torneios de futebol mais lucrativos do mundo. Em termos organizacionais, não estamos atrás deles. Estamos muito atrás. E isso se reflete, obviamente, na capacidade de pagar salários muito acima da média, até em comparação com a Europa. Falando especificamente do jogo, o futebol mexicano sempre teve um estilo de posse e toque de bola, que fica evidente quando vemos seus melhores times em ação. Mas não se compara, em revelação de jogadores talentosos, com o futebol brasileiro ou argentino. Na seleção que disputou a Copa de 2010, apenas 10 jogadores atuam fora do México. Em suma, se eles tivessem o nosso talento, seriam uma potência.

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Jorge Luís escreve: André, se você fosse técnico do Santos, teria uma conversa séria com o Neymar? Não te pergunto isso só por causa do pênalti lamentável que ele perdeu (contra o Vitória, no primeiro jogo da final da Copa do Brasil)

Resposta: Se eu fosse técnico do Santos, eu (ou qualquer outra pessoa) precisaria ter muita habilidade para administrar um ambiente em que jovens jogadores, com um futuro potencialmente brilhante, estão surgindo. As coisas acontecem muito rápido, os elogios muitas vezes sobem à cabeça, muitas situações extra-campo podem fugir ao controle. Tenho certeza absoluta de que não é uma missão fácil, e creio que o Dorival Júnior está fazendo bem o papel dele. O Neymar é muito jovem, muito talentoso, muito promissor. O caminho está cheio de armadilhas, algumas impossíveis de evitar. É assim que se aprende. Para responder sua pergunta de forma direta: sim, eu teria não apenas uma, mas várias conversas com ele. Mas nunca no sentido de “cortar-lhe as asas”, sempre tentando mostrar a direção certa.

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Renato escreve: Por que você não fez nenhum comentário sobre a marmelada da Ferrari na corrida de domingo passado?

Resposta: Não sei ao certo. Acho que não me surpreendi, e já não tenho, faz tempo, o hábito de ver as corridas. Obviamente, foi um episódio patético. Alguém falou em acabar com o segundo carro, o que seria interessante. Mas aí os contratos de fornecimento de equipamento entre as equipes, por exemplo, seriam usados para manipular os resultados. Acho que o melhor a fazer é parar de tentar vender um espetáculo esportivo, assumir de vez o “produto” de TV e marketing. Seria mais honesto.

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Jeferson escreve: André, seu livro com o PVC (“Os 100 Melhores Jogadores Brasileiros de Todos os Tempos”, Ediouro/ESPN) já foi lançado? Não li nada sobre noite de autógrafos mas um amigo meu me disse que faz a compra pela internet. Já está à venda nas livrarias?

Resposta: Obrigado pela oportunidade do “merchan”. A resposta, sobre o lançamento, é sim e não. Sim, porque o livro já está em pré-venda em sites de livrarias, e já pode ser encontrado em alguns pontos de venda. Mas ainda não fizemos o lançamento “oficial”. A noite de autógrafos acontecerá no fim de agosto, em São Paulo. Data e local estão praticamente definidos. Avisarei quando estiver tudo certo.

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Muito obrigado pelas mensagens. Até a semana que vem.

(e-mails para a CP do blog: akfouri@lancenet.com.br, ou clique no link abaixo da foto)

“Eles não estão nos caçando! Estamos no meio de uma guerra. Precisamos escolher um lado.”

Alexa Woods, em “Alien vs. Predador” (um dos piores filmes já feitos)

CAMISA 12

sexta-feira, 30 de julho de 2010

(publicada ontem, no Lance!)

A GARANTIA É O TIME

Ainda não estão no papel os termos do contrato de Mano Menezes com a CBF. Uma reunião para tratar desse assunto deve acontecer hoje, agora que os problemas “mais urgentes” da Confederação foram resolvidos. Lembre-se: Mano foi convidado no começo da noite de sexta-feira passada, por telefone. Treinou o Corinthians no sábado, dirigiu o time pela última vez no domingo, apresentou-se e convocou a Seleção Brasileira na segunda-feira.

A conversa telefônica serviu para que o técnico ouvisse as linhas gerais da proposta e recebesse a confiança, verbal, de seu novo patrão. Foi o suficiente para que MM colocasse o cinto de segurança e acelerasse para aceitar o convite mais importante de sua carreira, decisão muito mais fácil do que a que ele tomou quando percebeu, aos 26 anos, que não tinha futuro como jogador de futebol. O salário não era essas coisas, mas, como ponderou sua mulher, dava para pagar as contas da família. A resposta foi um “fique tranquila”, fruto da certeza de que a vida de técnico seria melhor. Os altos riscos, à época, não o amedrontaram. Por que a chance de dirigir a Seleção faria isso, agora?

Mano foi convidado para ser o técnico do Brasil até a Copa de 2014, mas não tem a garantia de que será. Não a tinha na sexta-feira passada, não a tem hoje, não a terá em nenhum momento anterior à apresentação do hino nacional, no jogo de abertura do Mundial, num estádio ainda desconhecido. Não é por outro motivo que ele costuma fazer contratos de 1 ano. Se os resultados não acontecem, o papel não vale. Se acontecem, o papel acompanha. Ser técnico no futebol brasileiro é dormir e acordar com essa verdade.

Portanto, independentemente das letras, datas e assinaturas que constarem do compromisso entre MM e a CBF, a única garantia que ele terá é o que o time dele fizer. E se Mano receber o mesmo tratamento dispensado a seu antecessor, apesar de todos os percalços, sombras e nomes que estarão no caminho, não é um exagero imaginá-lo ouvindo o hino em 2014. Duas perguntas oportunas: durante a Copa América de 2007, você acreditava que Dunga seria o técnico na Copa de 2010? E no dia em que o Brasil foi desclassificado pela Argentina na Olimpíada de Pequim?

A ausência da Seleção nas Eliminatórias ajuda o novo técnico. As datas podem ser usadas para amistosos que contribuam para a formação de um time, e o mundo não acabará a cada derrota para o Paraguai ou empate com a Bolívia. Sim, a Copa América de 2011 (na Argentina) é uma pegadinha. Seria interessante chegar à final. E a Olimpíada de 2012 também é perigosa, apesar de ser um título que nenhum técnico brasileiro tem.

Já pensou no que acontecerá com o primeiro? Aposto que MM já.

NOTINHAS PÓS-RODADAS

quinta-feira, 29 de julho de 2010

CLA e CB, na ordem:

* Só um time entrou em campo para ganhar a primeira semifinal da Libertadores. O que ganhou, por um placar (Internacional 1 x 0 São Paulo: Giuliano - 48.166 pagantes no Beira-Rio) menor do que o jogo mostrou.

* O São Paulo deu 2 chutes a gol, viu seu goleiro ser seu melhor jogador em campo, numa atuação medrosa que não honra seu passado.

* O jogo confirmou totalmente o que se esperava dos dois times. Por isso, 1 x 0 não é uma vantagem pequena para o Internacional, que poderá planejar sua atuação no Morumbi.

* O São Paulo terá de se transformar em uma semana.

* O Peixão voltou? Pareceu que sim. Com um futebol parecido com o dos (não tão) velhos tempos, o Santos se aproximou (2 x 0 no Vitória: Neymar e Marquinhos – 14.060 pagantes na Vila Belmiro) do título da Copa do Brasil.

* 2 x 0 é um placar clássico para o mandante do primeiro jogo de um mata-mata. Dificílimo de ser revertido. Ainda mais para quem vai enfrentar um time com a capacidade ofensiva do Santos.

* Ok, ok, a cavadinha… se achei Neymar arrogante, displicente? Não.

* Isso mesmo: não. Ele sempre bateu pênaltis com ousadia (ver os dois últimos contra o São Paulo, no Campeonato Paulista). O que vimos ontem, um goleiro apostar que a bola virá no meio e ficar esperando, era questão de tempo.

* Quinta nota, sobre o tema: pênaltis batidos no meio do gol, sejam eles a tradicional pancada de olhos fechados ou a ousada cavadinha, significam a mesma coisa: uma aposta que o goleiro cairá para um dos lados e a bola entrará. Toda aposta envolve um risco.

A FINAL DA COPA DO BRASIL (com palpite)

terça-feira, 27 de julho de 2010

Santos x Vitória

28/7 – Vila Belmiro

04/8 – Barradão

Previsão: Santos. Este confronto é muito mais equilibrado hoje do que era antes da Copa do Mundo. A parada não atrapalhou o Santos só dentro de campo, mas também em questões internas. Quando passou pelo Grêmio, nas semifinais, o Santos era um carro de corridas trabalhando praticamente na plenitude de suas possibilidades. Hoje (3 PG nos últimos 4J), ainda procura o melhor acerto. O Vitória é competente, sabe o que quer, e está mais perto de provocar uma surpresa. Mas a diferença de talento entre os dois times é grande.

AS SEMIFINAIS DA LIBERTADORES (com palpite)

terça-feira, 27 de julho de 2010

Internacional x São Paulo

28/7 – Beira-Rio

05/8 – Morumbi

Previsão: Inter. O Internacional é o melhor time do Brasil, no pós-Copa: 100% de aproveitamento no BR-10. O São Paulo ganhou 1 ponto dos últimos 12 que disputou. Não há como dizer de outra forma: o momento dos gaúchos, em todos os aspectos, é muito melhor. Em tese, a única coisa que conta a favor do São Paulo não são as declarações dos últimos dias (“Vocês verão um novo São Paulo na quarta-feira”), pois não dá para falar nada diferente disso, e sim a semelhança desse momento com o do primeiro jogo contra o Cruzeiro, pelas quartas de final. Os mineiros eram favoritos, mas o São Paulo foi ao Mineirão, ganhou e encaminhou o confronto.

MANO CHAMA

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Mano Menezes disse que ligou para os jogadores que estiveram na Copa do Mundo. E que pelo menos um lhe respondeu que agora não era o melhor momento para voltar.

Pode ser Kaká, às voltas com seus problemas físicos.

Pode ser Maicon (ou Lucio), que jogou a UCL até o fim e precisa descansar.

Pode ser Julio César, nem tanto pelo desgaste, mas pelo primeiro gol holandês.

MM não contou quem era. E o fato é que é muito difícil imaginar que os jogadores acima não fazem parte dos planos imediatos do novo treinador da Seleção.

Portanto essa convocação para o amistoso contra os Estados Unidos não deve ser vista, definitivamente, como o “começo de um novo tempo”.

Mas foi a convocação de um técnico que sabe o que está acontecendo, como se esperava.

Ninguém vai concordar com todos os nomes (Jucilei, bom jogador, é o questionado da vez, porque não é titular e o titular – Elias – não foi), mas é assim que funciona.

A garotada do Santos, os zagueiros Henrique e David Luís e o volante Sandro foram muito bem convocados.

Os volantes, para mim, são a melhor notícia da primeira lista de Mano.

Ramires, Lucas, Sandro e Jucilei. Nenhum é primeiro volante e todos sabem jogar, no sentido de não apenas saberem evitar que se jogue.

Outra coisa boa foi a entrevista do novo técnico, que respondeu as perguntas que ouviu.

Que conceito interessante.

NOTINHAS PÓS-RODADA (e a “ezequinha”)

segunda-feira, 26 de julho de 2010

E lá se vão 11 jornadas do BR-10:

* Na estreia do ataque 3D (D. Souza, D. Carvalho e D. Tardelli), o Atlético Mineiro ficou no zero a zero com o Avaí (6.125 presentes na Ressacada), primeiro jogo do campeonato em que a defesa mineira não levou gols.

* 0 x 0 também foi o placar de Grêmio Prudente x Vitória (4.153 pagantes no Prudentão), com os baianos poupando quase o time inteiro.

* O Vasco subiu 4 andares na tabela por causa da vitória (2 x 0: Nílton e Fumagalli – 13.157 presentes em São Januário) sobre o Atlético Goianiense.

* Nílton fez um lindo gol e Fernando Prass pegou um pênalti.

* Henrique impediu, duas vezes, a vitória que tiraria o Grêmio (2 x 2 com o Cruzeiro: Borges e Jonas marcaram para os gaúchos – 9.677 pagantes na Arena do Jacaré) da zona do espanto.

* Como diz o PVC: a Arena, por enquanto, é do Jacaré mesmo. Não é da Raposa e nem do Galo.

* O Internacional genérico (1 x 0 no Flamengo: Taison – 25.002 pagantes no Beira-Rio) faz o mesmo efeito no Campeonato Brasileiro.

* O Inter é o único time que só venceu depois da Copa do Mundo.

* Primeira vitória (2 x 0 no Goiás: Manoel e Maikon Leite – 4.023 pagantes no Serra Dourada) do Atlético Paranaense como visitante.

* O time, que era vice-lanterna há duas rodadas, hoje é o primeiro da “zona do limbo”.

* No clássico de dois rivais paulistas mais preocupados com outras competições, o Santos (1 x 0 no São Paulo: Renato Silva-contra – 9.677 pagantes na Vila Belmiro) se animou para a final da Copa do Brasil.

* E o São Paulo (1 ponto pós-Copa) não poderia chegar mais pressionado às semifinais da Copa Libertadores.

* O Ceará (0 x 0 com o Palmeiras – 24.935 pagantes) continua sem levar gols no Castelão. O Palmeiras, sem vencer com Felipão.

* Em sua despedida do Corinthians, com “ida olímpica” e tudo, Mano Menezes levou o clube à centésima-terceira vitória (3 x 1 no Guarani: Jorge Henrique, Mazola e Bruno César-2 – 24.501 pagantes no Pacaembu).

* O gol de falta de Bruno César não ficaria mal no currículo de Neto.

* O Fluminense não venceu (1 x 1 com o Botafogo: Emerson e Edno – 19.970 pagantes no Engenhão) e perdeu a liderança do campeonato. Mas seu técnico continua no mesmo lugar.

* O Botafogo não vence há oito rodadas.

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Veja este pênalti cobrado por Ezequiel, da seleção sub-19 da Espanha.

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Estarei gravando um programa na ESPN Brasil, no momento da apresentação de Mano Menezes na Seleção Brasileira.

Voltarei mais tarde para comentar a convocação.

COLUNA DOMINICAL

domingo, 25 de julho de 2010

(publicada ontem, no Lance!)

NO VÁCUO

Quem tentou falar com Mano Menezes entre terça e quarta-feira (e não foi pouca gente), deparou-se com a caixa postal de seu celular. Direto, sem toques, como se o telefone estivesse desligado. E estava mesmo. Quem falou com pessoas próximas ao técnico, ouviu que MM tinha esquecido o celular em São Paulo, enquanto o Corinthians estava em Goiânia.

“Então, tá. O cara está prestes a assumir a Seleção Brasileira, e esqueceu o celular em casa? Não é possível”. Foi o que pensei, e tenho certeza de que não fui o único. Mas era verdade, assim como era verdade tudo o que saiu da boca de Mano sobre a Seleção nos últimos dias.

Quando um técnico diz “não falei com ninguém da CBF”, deixa aberta a possibilidade da conversa existir por intermédio de representantes. Dele ou dela. Mas “não tenho convite da CBF”, como MM declarou, é uma afirmação taxativa, sem rotas de escape, ainda mais para quem já tinha dito “posso omitir, mas não minto”.

Mano não omitiu, nem mentiu. E os que acreditaram nele (ainda que desconfiar seja item de série para quem trabalha no jornalismo, por causa de quem mente sem constrangimentos) resistiram à tentação de cravá-lo como sucessor de Dunga, por mais indicativos que tenham sido os depoimentos dos bem informados sobre um subproduto da ida de Mano para a Seleção. O Corinthians se preparou para o caso de perder seu técnico. Acertou tudo, na palavra, com Adílson Batista. No meio das conversas, chegou-se à mesma conclusão: Mano está saindo. Dedução lógica, mas perigosa. Sopa para o azar.

Pois quem estava saindo, pelo menos na cabeça do autor do convite, era Muricy Ramalho. O café da manhã do técnico do Fluminense com Ricardo Teixeira, ontem, no Itanhangá Golf Club, era um segredo compartilhado entre a CBF e a TV Globo. Como nos velhos tempos. Segredo que acabou exposto pelo acaso. Uma equipe de reportagem da ESPN Brasil estava no clube para cobrir o Campeonato Brasileiro de Golfe. Imagine a surpresa ao ver Muricy, Teixeira e o superconselheiro Rodrigo Paiva juntos no restaurante, tirando fotos com sócios. A informação (e depois, a imagem), levada ao ar durante o SportsCenter, frustrou o furo combinado e deve ter azedado o café de pelo menos um dos comensais. Acontece.

Ao sair, Muricy deu à repórter Patrícia Lopes uma frase que, para os apressados, parecia uma formalidade. “Ainda tenho que falar com o Fluminense”, disse o “novo técnico da Seleção Brasileira”. Esqueceram que MR não é um treinador que apenas diz que cumpre seus contratos, ele os cumpre. E que o compromisso verbal dele com o Fluminense vai até dezembro de 2012. Como Mano, Muricy falou a verdade.

A melhor declaração desse episódio foi publicada pelo portal Terra. “Eu tenho que dar exemplo para os meus filhos. O Fluminense foi me buscar em São Paulo e eu não posso deixá-lo na mão. Se o Flu não liberar, eu não vou”, disse Muricy.

E a melhor imagem é da ESPN Brasil. Muricy, com o braço estendido, tentando cumprimentar o presidente da CBF, ao fim da conversa. Duas vezes, em vão. Teixeira simplesmente não deu a mão ao técnico que quis contratar.

ADÍLSON FECHOU

sábado, 24 de julho de 2010

Chega ao Corinthians na terça, trazendo um auxiliar.

Contrato até dezembro de 2011.

É o melhor substituto para Mano Menezes.

CAIXA-POSTAL

sábado, 24 de julho de 2010

Aos temas da primeira CP pós-Copa, ainda com mensagens enviadas durante o Mundial da África do Sul:

Rodrigo escreve: André, não quero desmerecer o título da Espanha, mas você não acha um exagero chamar de futebol-arte o que eles fazem? Será que estamos tão carentes?

Resposta: Sim, estamos. Mas, primeiro, vamos “catalogar” as coisas. Para mim, futebol-arte é algo exemplificado pela Seleção Brasileira que jogou a Copa do Mundo de 1982. Não vou mais longe, até 1970, porque não vi e porque aquele foi o maior time de futebol de todos os tempos. Então, para que minha opinião fique clara (escrevi isso no jornal): não, o que a Espanha faz não é futebol-arte. E também não é um resgate dos melhores dias do futebol brasileiro. Isto dito, gosto, e muito, de ver a Espanha jogar. Eles têm técnica, talento, gosto pela posse da bola. Não é qualquer time que pode ser “arrogante” o suficiente para negar a bola ao adversário, na base da qualidade, não da pancadaria. E tem o mais importante: enquanto vemos um monte de gente falando em “futebol moderno”, os espanhóis falam em “nosso futebol”. A Copa do Mundo deveria ser um desfile de maneiras particulares de jogar futebol, e o que temos visto é um padrão global, e feio. A Espanha destoa nesse cenário.

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Robert escreve: Como foi trabalhar no dia a dia da Seleção Brasileira durante a Copa, com todas as censuras de Dunga?

Resposta: Diferente, mas eu não diria que foram censuras. As restrições ao trabalho dos jornalistas foram o resultado de um consenso entre jogadores e comissão técnica. Não foi uma ideia exclusiva do treinador. Escrevi isso várias vezes durante a Copa: em comparação com a Alemanha 2006, foi quase uma censura. Em comparação com o que se faz na grande maioria das seleções, ainda foi um banquete jornalístico. As coletivas da Seleção Brasileira duravam cerca de 40 minutos, e eram diárias. Não acho que esse seja o sistema ideal, mas é preciso se adaptar ao que está disponível.

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Rogério escreve: André, você precisa voltar a comentar a NBA no seu blog. O que achou da ida do LeBron James para o Miami Heat?

Resposta: Assumo a culpa, preciso mesmo. Mas espero que você compreenda que o blog estava em “modo Copa” recentemente. Bom, eu acho várias coisas. Primeiro, que o Miami Heat se transformou em um timaço. Favorito óbvio, em tese. James, Wade e Bosh devem demorar um certo tempo para encontrar a melhor forma de jogar juntos, mas eles têm 5 anos para isso, é mais do que suficiente. Mas, evidentemente respeitando o direito de cada um de fazer o que considera melhor para sua carreira/família/vida, eu achei que o LBJ cometeu um erro monumental. Os jogadores que fizeram história na NBA levaram seus times ao topo da liga, criaram raízes com as camisas que vestiram. Sim, os tempos mudam, possibilidades se abrem. Mas o Miami Heat sempre será o time de Dwayne Wade. E não importa o número de títulos que LBJ ganhe em Miami, eles jamais terão a importância, para seu legado, de um título conquistado no time dele, o Cleveland Cavaliers. Considero James o melhor jogador da NBA, uma combinação de talento,  tamanho, força e velocidade que nós nunca vimos. Mas creio que ele errou. Fora isso, estou ansioso para ver o Heat jogar, e descobrir a resposta para uma pergunta: jogo importante, placar empatado, segundos finais, bola de Miami. Quem arremessa?

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Como sempre, obrigado pelas mensagens. Até a semana que vem.

(e-mails para a Caixa-Postal do blog: akfouri@lancenet.com.br, ou clique no link abaixo da foto)

“Se você pensar em suas lembranças favoritas, os momentos mais importantes da sua vida… você estava sozinho? A vida é melhor com companhia.”

Ryan Bingham, em “Amor Sem Escalas”.