publicidade


Arquivo de junho de 2010

QUE PENA, ELANO

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Se você ainda não sabe, Elano está fora do jogo contra a Holanda e, possivelmente, fora da Copa.

Um exame de ressonância magnética mostrou um edema num osso da articulação do tornozelo direito.

Em português, isso significa que o osso está inchado por dentro. Elano consegue fazer quase todos os movimentos, mas tem dor quando precisa desacelerar, o que o impede de jogar.

Segundo o Dr. José Luis Runco, o tratamento não tem prazo determinado. Nas próprias palavras do médico da Seleção Brasileira, “pode levar dias, semanas, um mês”.

Uma pena. Elano é um ótimo sujeito, fazia uma bela Copa.

E como se esperaria de alguém que trabalhou cortando cana quando era adolescente, está otimista.

“Vou continuar trabalhando, confiante de que ainda vou poder ajudar a Seleção de algum jeito. Vai dar tudo certo, sempre deu”, ele disse.

Tomara.

O DESCANSO E O DESCASO

terça-feira, 29 de junho de 2010

Esperta nota do portal Uol, sobre a diferença de descanso entre as seleções classificadas para as quartas de final:

Uruguai: 6 dias, 22h30
Gana: 5 dias, 22h30
Alemanha: 5 dias, 22h30
Argentina: 5 dias, 18h
Paraguai: 4 dias, 3h
Holanda: 3 dias, 22h30
Espanha ou Portugal: 3 dias, 22h30
Brasil: 3 dias, 18h

Não é a primeira vez que o Brasil é “premiado”. Foi o time que menos descansou entre o fim da primeira fase e o jogo de oitavas de final: apenas 3 dias. Na verdade, o time que menos descansou foi o Chile.

A propósito: Felipe Melo e Julio Baptista não participaram do treino para quem não jogou contra o Chile.

Elano sentiu dores no tornozelo, conversou com o Dr. Runco e deixou o treinamento antes do final.

Curiosamente, a página oficial da Seleção Brasileira informa que não há jogadores no departamento médico.

HÁ UMA ESPERANÇA

terça-feira, 29 de junho de 2010

Duas declarações de Joseph Blatter, presidente da Fifa.

Primeiro, a que não resolve nada:

“Naturalmente lamentamos quando vemos a evidência de erros de arbitragem. Estou angustiado pelos erros evidentes dos árbitros. Manifestei o meu pedido de desculpas.”

Depois, a que pode resolver:

“É óbvio que após as experiências até agora na Copa do Mundo, seria um absurdo não reabrir o arquivo sobre a tecnologia na linha de gol.

MAIS DO MESMO

segunda-feira, 28 de junho de 2010

A Seleção Brasileira precisou de 34 minutos para fazer o mais difícil: o primeiro gol.

Vítima serial do Brasil, o Chile tentou algo novo. Obedeceu as palavras de seu técnico (“é difícil marcar o Brasil. Uma forma de marcar menos é atacar”) e foi à frente.

Pacientemente, e sem correr riscos, a Seleção aproveitou o espaço.

O gol de Juan foi a chave. Ávidos pelo empate, os chilenos convidaram o time brasileiro ao que ele mais gosta de fazer.

Interessante que a jogada do segundo gol começou com uma disputa no alto que foi vencida por Luis Fabiano. Depois de Robinho e Kaká (belo passe), a bola voltou ao artilheiro.

Lance para reafirmar que o contra-ataque da Seleção Brasileira é um dos melhores do mundo.

No segundo tempo, Ramires criou o gol de Robinho, que sempre marca contra o Chile (7 em 5 jogos). Foi o primeiro gol do atacante do Santos em Copas do Mundo.

No restante do jogo, os chilenos devem ter pensando que, seja qual for a estratégia contra o Brasil, o resultado é o mesmo.

Bela partida de Gilberto Silva. Para mim, o melhor em campo.

Sexta-feira, em Port Elizabeth, encontro com a Holanda.

Jogo de Copa do Mundo.

JOGO COMUM

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Amigos, convenhamos, Brasil x Chile não é um jogo de Copa do Mundo.

Claro, estamos nas oitavas de final do Mundial da África do Sul. Mas estou falando de clima, de atmosfera, do que sentimos quando entramos no estádio.

Tem a ver com a ocasião, com o adversário e com o perigo que ele representa para a Seleção Brasileira.

O Chile não faz isso.

Os últimos 5 jogos foram 5 goleadas do Brasil. Neles, o melhor resultado para os chilenos foi um 4 x 2 em Salvador, em setembro do ano passado.

Entre os oponentes que a Seleção poderia enfrentar nas oitavas, o Chile é, de longe, o “melhor”. Praticamente feito sob medida.

Sim, é futebol, e no futebol não há como garantir nenhum resultado (ainda que eu tenha feito isso ontem, numa entrevista para uma TV inglesa).

Só que a única coisa que poderia comprometer a atuação do Brasil hoje é a frase que abre este post.

Se o time pensar que não é jogo de Copa, a casa cai.

Mas se há um defeito que esta Seleção definitivamente não tem, é a soberba.

É um time competitivo demais para achar que será fácil.

Não vejo como o Brasil pode perder. Seria a maior surpresa desta Copa.

ATUALIZAÇÃO, 17h12 em Joanesburgo – Aqui e ali, corre a informação de que Felipe Melo e Elano estão fora do jogo. Lembro que, após o empate com Portugal, Dunga disse textualmente que Elano jogaria as oitavas de final.

Lembro, também, da intervenção do Dr. José Luis Runco durante a entrevista coletiva do técnico na véspera do jogo contra a Costa do Marfim. Falando sobre a lesão que tirou Gilberto Silva do treino do dia anterior (negada pela comissão técnica), Runco disse que a CBF informaria casos de jogadores incapacitados de jogar, por lesão.

Até agora, não houve nenhuma comunicação.

É ISSO

domingo, 27 de junho de 2010

(Apenas um comentário: o assessor de imprensa da seleção chilena acaba de distribuir caixinhas plásticas aos jornalistas presentes. Dentro delas, um pen drive com todas as informações sobre o time. Que conceito.)

Ótima resposta de Dunga a uma jornalista italiana, na coletiva de hoje no Gellis Park:

“A pressão existe sempre. Se ganhamos, temos de dar espetáculo. Se damos espetáculo, temos de fazer 7 ou 8 gols. E quando fazemos tudo isso, é porque o adversário é fraco.”

Detalhe importante: ao terminar de responder, Dunga sorriu. Assim como todos na sala de entrevistas.

COLUNA DOMINICAL

domingo, 27 de junho de 2010

(publicada ontem, no Lance!)

UM EMPATEZINHO

No jogo das palavras na véspera, ficou claro o confronto (teórico) de estilos. Carlos Queiroz, sorridente, falou que Portugal tinha a “obrigação de dar espetáculo, eleger o futebol e colocá-lo no trono que merece durante o Campeonato do Mundo”. Dunga, sisudo, disse que o Brasil precisava “jogar para ganhar, senão a metralhadora vai disparar”.

Queiroz é hábil ao microfone. Capaz de citar o técnico brasileiro Gentil Cardoso, que trabalhou nas décadas de 40 e 50, ao comentar o estado preocupante do gramado do estádio Moses Mabhida. “A vaca come a relva, o couro da bola vem da vaca, então o couro tem de rolar na relva”, disse. Também mencionou a ausência de Kaká com uma ponta de tristeza, lembrando que nos jogos do Brasil que estudou, sempre aparecia “o trio d’ouro: Kaká, Fabiano (sem o Luis) e Robinho”.

Dunga foi gentil com os patrícios, ao comparar a qualidade do futebol praticado pelas duas seleções. No dia em que a semelhança for real, alguma coisa muito séria terá acontecido em Portugal. Ou no Brasil.

Do que se falou nos últimos dias, a maior verdade é a que parecia menos provável. A “rivalidade” que surgiu entre os dois times no passado recente, talvez por causa dos brasileiros que assumiram o passaporte português, talvez pelos 4 amistosos em 8 anos, com duas vitórias de Portugal.

Num primeiro tempo em que o time de Queiroz trocou a fantasia pela sobrevivência, fechadinho atrás para aumentar a possibilidade do empate que lhe interessava, Pepe e Felipe Mello criaram um “octagon” particular. Felipe, sabe-se, não se preocupa em fazer amigos do outro lado, mas a pisada no tornozelo que levou de Pepe foi tão involuntária quanto um soco no nariz. O luso-brasileiro ainda fez um sinal de 1 x 1 com as mãos, lembrando de uma entrada que levou. Sem demora, foi abalroado por Felipe, na falta que lhe valeu o cartão amarelo e fez Dunga chamar Josué. A explicação oficial para a substituição foi a lesão no tornozelo esquerdo que Pepe provocou. Sei.

Os sete cartões amarelos do primeiro tempo (3 para o Brasil, sendo que um foi o de Juan, por mão na bola) são um recorde desta Copa do Mundo. Marcas de um jogo com pouca emoção, entre dois times que podem mais. Principalmente Portugal, que precisava jogar por alguma coisa e se limitou a apostar nos erros brasileiros.

No segundo tempo, em que o árbitro mexicano Benito Archundia não tirou nenhum cartão do bolso, Cristiano Ronaldo foi jogar nas costas de Maicon. Apareceu mais, mas não fez nada que justificasse sua escolha como o melhor em campo. Talvez não tenha sido “uma vergonha”, como disse Lucio. Mas, entre os dois, eu (que acho que Cristiano é craque) ficaria com o brasileiro.

Queiroz saiu do jogo orgulhoso pela invencibilidade de sua defesa na primeira fase. Nos últimos 26 jogos que fez, Portugal não tomou gol em 22. O técnico usou outra frase de efeito para resumir a atuação de seu time. “Nós vestimos o terno, mas também sabemos usar o smoking”.

Mas não houve festa em Durban. Só um empatezinho bom para todo mundo.

MANGAS LONGAS

sábado, 26 de junho de 2010

Após dois dias no litoral, com sol e calor, estamos de volta a frio de Joanesburgo.

Minha coluna de hoje no jornal, obviamente, trata do jogo com Portugal.

Ela estará postada aqui amanhã.

Achei que os portugueses jogaram para empatar e o Brasil não jogou bem. O time é muito superior quando está completo.

Duas coisas: a pisada que Pepe deu no tornozelo de Felipe Melo foi absurda. Assim como Julio Baptista (joelho), Felipe é duvida para o jogo contra o Chile. Mas tudo leva a crer que a lesão do volante é mais séria.

Pepe mirou e acertou. Doeu só de ver.

Muito se fala, também, sobre a proteção que Julio Cesar usa nas costas, que apareceu ontem quando o goleiro teve de trocar sua camisa. Certamente os chilenos (e futuros adversários, porque não dá para imaginar que a Copa vai acabar na segunda-feira para o Brasil) alertarão a Fifa sobre a peça de metal que não é permitida pelo regulamento.

JC disse que treina e joga com essa proteção há muito tempo. Se realmente for proibido, não fica ainda mais curiosa a tentativa de vetar a cotoveleira de Didier Drogba?

Este será um tema durante o fim de semana.

Fora isso, é incrível como o caminho para a final está desequilibrado:

Alemanha, Inglaterra, Espanha, Argentina, Japão, Paraguai, México e Portugal de um lado.

Brasil, Chile, Gana, Eslováquia, Holanda, Estados Unidos, Uruguai e Coreia do Sul do outro.

Teoricamente, a Seleção Brasileira só tem um grande jogo pela frente. Contra a Holanda, se ela passar.

ATUALIZAÇÃO, 19h02 em Joanesburgo – Segundo a assessoria de imprensa da CBF, não há nada de errado com a proteção usada por Julio César. Todos os equipamentos passam pela vistoria da Fifa.

CAMISA 12

sexta-feira, 25 de junho de 2010

(publicada ontem, no Lance!)

CONTEÚDO E FORMA

“Tem muita coisa que cai na conta do Dunga, mas, na verdade, não foi ele que inventou”, diz o assessor de imprensa da CBF, Rodrigo Paiva.

Conversávamos sobre o sistema adotado pela Seleção Brasileira para lidar com jornalistas nesta Copa do Mundo. O local e a situação não poderiam ser mais apropriados: ao lado do portão (fechado) da escola St. Stithians, após o fim do período em que a imprensa pôde acompanhar o treino de ontem.

Preciso repetir (e chatear quem já leu) o que penso: fechar treinos, trabalhar com privacidade, é direito de qualquer técnico. Não é isso que está em questão, e sim a forma como as coisas são conduzidas. O que Dunga ainda não entendeu é que ninguém pretende que ele deixe de pensar, em primeiro lugar, nos objetivos do time. Ele está aqui para ganhar a Copa do Mundo. Mas parece não perceber que o relacionamento com as centenas de jornalistas que cobrem a Seleção Brasileira faz parte do trabalho dele. O inegável mérito de acabar com os privilégios de poucos, com os diferentes níveis de acesso aos jogadores, não pode ser usado para justificar o ambiente criado apenas para eleger um inimigo comum (a ele e ao time) e “fechar o grupo”.

Mesmo porque este grupo já estava fechado, antes de chegar aqui. Fechado pela longa convivência, pelo “clima de clube” tão difícil de ser reproduzido na Seleção, pelos resultados conquistados. A formação do elenco e a maneira como os jogadores se relacionam é outro mérito, talvez o maior de todos, da atual comissão técnica.

Voltando à cobertura da imprensa, se lembrarmos que não foram poucas as declarações (Julio César, Kaká e Maicon, pensando rápido) de jogadores a favor de um regime mais recluso, concluiremos que o sistema não foi imposto de cima para baixo. Se há alguém que preferiria ter mais liberdade, topou as normas que o próprio grupo estabeleceu. Pois nenhum time de futebol é comandado apenas pelo seu técnico.

Faço parte de uma geração de jornalistas que viveu o “elo perdido” da cobertura dos times de futebol. O fim de uma época em que se entrevistava jogadores ao final dos treinos, dentro do campo. Em que se falava com quantos jogadores fosse possível, pelo tempo que fosse adequado para todos. Em que não havia salas de coletivas, nem painéis com nomes de patrocinadores.

Lá pela metade dos anos 90, quando jogadores brasileiros voltaram da Europa acostumados a um método mais organizado, e menos exigente, tudo mudou. Surgiram os “departamentos de comunicação”, os assessores de imprensa.

O que está acontecendo hoje na Seleção Brasileira era inevitável. E não é invenção do técnico. Mas o técnico erra na maneira como se comporta.

ÚLTIMAS

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Bom… como você já deve saber, Elano está fora do jogo contra Portugal.

Dunga disse que vai “preservá-lo”, o que normalmente significa que o cara jogaria se fosse uma partida decisiva, mas não há motivo para arriscar perdê-lo por mais tempo.

Daniel Alves será o substituto, e JB jogará no lugar de Kaká.

Na primeira entrevista após o desentendimento com o jornalista Alex Escobar, Dunga pediu desculpas “ao torcedor brasileiro” pelo episódio.

E Carlos Queiroz, técnico de Portugal, disse apenas seis vezes em sua coletiva que “Portugal tem de jogar para se classificar”.

Tradução (de português para português): “empate é goleada”.

Fui jantar por volta das 22h30, e em questão de minutos os telefones de todos os jornalistas brasileiros em Durban começaram a tocar.

Eram colegas alarmados por essa foto, publicada no site do diário argentino Olé.

Repórteres que acompanharam o treino da Seleção até o final cogitaram a possibilidade de simplesmente não terem visto Luisão e Julio César brigarem dentro do campo, apesar da tentativa de Robinho de separá-los.

Até que fotógrafos brasileiros disseram que mandaram a mesma sequência de fotos para seus veículos, deixando claro que a cena era uma brincadeira dos jogadores.

Nada me tira da cabeça que o Olé faz essas coisas de propósito.