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Arquivo de maio de 2010

KK E LF PODEM FICAR EM JBURGO

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Até o final da noite desta segunda-feira (no horário sulafricano, lógico), ainda não estava decidido se Kaká e Luis Fabiano irão a Harare, onde a Seleção Brasileira jogará amistoso contra o Zimbábue, depois de amanhã.

Os dois estão em fase final de recuperação de lesões musculares e têm feito fisioterapia.

Além do risco de outro problema tão perto da estreia na Copa do Mundo, levá-los ao Zimbábue pode atrapalhar o trabalho específico de ambos.

Ao que parece, especialmente no que diz respeito a Kaká, o amistoso do dia 7 contra a Tanzânia é o objetivo.

A Seleção viaja para Harare nesta terça à noite.

BATENDO NA BOLA

domingo, 30 de maio de 2010

A bola oficial da Copa do Mundo se chama “Jabulani”.

Em Zulu, quer dizer “para celebrar”, ou “seja feliz”, dependendo da fonte.

Seja como for, a Jabulani vive um drama às vésperas de entrar em cena.

Primeiro, Julio César a comparou com uma bola “de supermercado”.

Depois, o chileno Claudio Bravo disse que ela parece uma bola de vôlei de praia.

Ok, JC e Bravo são goleiros. E goleiros tendem a acreditar que toda nova bola é concebida com o único objetivo de prejudicá-los, para que aconteçam mais gols.

Mas hoje Luis Fabiano bateu sem dó na coitada da Jabulani. Disse que é impossível entender os movimentos dela, que parece que “tem alguém guiando” a bola. Finalmente, a chamou de “sobrenatural”.

Luis Fabiano, claro, é um artilheiro. A relação entre ele e a bola deveria ter a intensidade dos apaixonados, a cumplicidade dos que se completam.

Mas, até agora, eles são como dois estrangeiros numa sala. Sem tradutor.

A Jabulani foi desenvolvida por uma universidade inglesa. Kaká, Michael Ballack, Frank Lampard e o goleiro Petr Cech, todos garotos-propaganda da marca de material esportivo que a fabrica, participaram do processo.

A bola foi usada no segundo turno do Campeonato Alemão, sem que se registrassem grandes crises por conta de suas reações aerodinâmicas.

As seleções nacionais têm mais ou menos 10 dias (o Brasil, 15) para aprender a lidar com a redonda oficial da Copa.

Pelas últimas declarações, parece pouco tempo.

ATUALIZAÇÃO, segunda-feira 31/05, 14h37 em Joanesburgo – Em entrevista coletiva hoje, Felipe Melo levou a conversa a um novo patamar:

“A bola é horrível. É difícil crer numa Copa com uma bola como essa. A outra bola é igual a mulher de malandro: você chuta e ela continua ali. Essa agora é igual patricinha: não quer ser chutada de jeito nenhum.”

Até onde irá esse debate?

UMA PEQUENA AMOSTRA DO QUE VIRÁ

domingo, 30 de maio de 2010

Na saída para correr pela manhã, já deu para sentir que o domingo seria frio. Fomos apresentados ao vento de Joanesburgo.

Durante a entrevista coletiva de Luis Fabiano e Julio Baptista, e depois, na redação da ESPN no Randpark, a calefação impediu que tivéssemos noção da temperatura do lado de fora.

Na chegada ao treino da Seleção, as nuvens trouxeram o pior: choveu por alguns (felizmente poucos) minutos e a pequena amostra do que será o inverno sulafricano foi suficiente para duas conclusões.

Na verdade, uma conclusão e uma esperança.

A conclusão: não será fácil.

A esperança: tomara que estejamos preparados.

A combinação frio+água+vento é o que há de pior para quem trabalha ao ar livre. Todo esforço imaginável deve ser feito para ficar seco, pois só assim é possível ficar aquecido.

E mesmo assim, quando o vento bate, percebe-se como ambientes fechados são confortáveis.

Felizmente, toda a equipe da ESPN aqui na África do Sul está bem equipada para lidar com o clima. Além das tradicionais camisas e pólos com o logotipo da emissora (que desaparecerão em proporção direta à queda da temperatura), recebemos uma jaqueta térmica com forro removível e capuz, calças e camisetas do tipo “segunda pele” para usar por baixo, blusas com zíper até o pescoço, luvas, gorros e cachecóis.

Em linhas gerais, equipamento de montanhismo.

Um dos nossos cinegrafistas saiu para trabalhar usando a calça por baixo da calça jeans. Achei exagero. No momento em que chovia, me arrependi.

E ainda é outono por aqui.

Fico imaginando como serão os jogos noturnos, no meio da Copa.

Será que dá para teclar de luvas?

COLUNA DOMINICAL

domingo, 30 de maio de 2010

(publicada ontem, no Lance!)

É COPA, AMIGO

Escrevo esta coluna do avião, a caminho de Johanesburgo. Pela terceira vez na vida, terei a oportunidade de cobrir uma Copa do Mundo, o que, confesso, é difícil de acreditar.

A primeira foi em 1998, na França. Eu tinha 24 anos, era o único repórter da ESPN Brasil responsável pela cobertura da Seleção Brasileira. Sabia que, sozinho, não teria todas as notícias, todas as entrevistas importantes. Cedo ou tarde, alguma coisa aconteceria e eu não poderia fazer nada. Armei uma rede de contatos com os telefones celulares de dezenas de colegas e enchia a paciência dos caras a cada começo de noite. Naqueles 60 dias, meu maior medo era ser o único a não ter “a principal história da Seleção”. Felizmente, “a principal história” só aconteceu na tarde da final. E ninguém deu.

Isto à parte, a Copa de 98 foi só alegria. Quando se é tão jovem, não se tem ideia do tamanho das coisas, de o quanto elas são difíceis. Você apenas vive o sonho da sua profissão. E sem dramas pessoais. Eu tinha acabado de conhecer minha mulher, sabia que ela estaria me esperando (ok, eu não sabia, mas torcia), então não havia motivos para preocupações.

A segunda vez foi em 2006, na Alemanha. Tudo já era completamente diferente. A estrutura da ESPN na Seleção Brasileira tinha cerca de 25 pessoas. Estúdio, redação, unidade móvel para entradas ao vivo, basicamente o pacote completo.

Já a parte pessoal sofreu mais. Quem tem família e pensa nela como um time, se pune triplamente por estar ausente. Primeiro pela saudade que vai e volta, mas sempre é pior na hora de dormir. Depois porque há um pensamento que não vai embora: “e se elas precisarem de mim?”. Fora o que você perde quando não acompanha dois meses da vida de uma menina de um ano e meio. Na volta, ela é outra criança.

A Copa de 2006 me proporcionou momentos incríveis. Um deles sempre aparece em conversas sobre “jogos marcantes”. Brasil x Croácia, a estreia. O Olímpico de Berlim é um desses estádios que deixam qualquer um boquiaberto pela beleza, pela harmonia entre velho e novo, pelo significado. Chegamos cedo e fui passear. Na hora em que os portões se abriram, eu estava do lado externo do anel superior, de onde se pode ver a rua e um parque que fica na frente do estádio. A imagem era magnífica: dois mares de gente, um verde e amarelo e outro vermelho e branco, rumando lado a lado a caminho da entrada. Era fim de tarde, o sol estava indo embora, uma luz dourada tomava conta da cidade. Parei e fiquei olhando, tentando entender que poder é esse que o futebol tem sobre as pessoas.

Não havia outro lugar no mundo onde eu quisesse estar. Mas, longe de casa havia quase um mês, a saudade já era enorme. Liguei para minha mulher e deixei um recado em que descrevia a cena e dizia que estava muito feliz, mas me faltava a presença dela e de nossa filha (única, à época). Entrei num banheiro, chorei uns cinco minutos e fui trabalhar.

Agora estou aqui, dentro de um avião, torcendo para que tudo aconteça de novo.

SELEÇÃO DE FOLGA, SÁBADO DE RUGBY

sábado, 29 de maio de 2010

O motorista que nos acompanha aqui em Joanesburgo só queria saber de uma coisa: onde nós estaríamos às 5 da tarde deste sábado?

A pergunta foi feita pela manhã, e a resposta não poderia ser outra: não temos a menor ideia.

O motivo do interesse era esportivo. Nosso motorista precisava estar em frente a uma televisão no momento em que começaria a final do Super 14.

O Super 14 é um campeonato de rugby entre clubes da Austrália, Nova Zelândia e África do Sul. Pela primeira vez (segunda, a primeira foi em 2007: Bulls x Sharks), dois times sulafricanos chegaram à final: Os Blue Bulls e os Stormers.

Sem brincadeira, a cidade parou.

O bar do Randpark Golf Club, onde fica o hotel em que a Seleção Brasileira está concentrada, lotou de gente para ver o jogo. Na redação da ESPN, deu para ouvir os gritos a cada lance importante.

Mas os ilustres hóspedes do hotel The Fairway não ligaram muito para o evento. Como a Seleção ganhou algumas horas de folga após o almoço, alguns jogadores foram a um centro de compras.

Kaká, Julio Baptista e Julio César jogaram golfe.

A final do Super 14 aconteceu no Orlando Stadium, no Soweto, onde o Brasil treinou durante a Copa das Confederações e onde será realizada a festa de abertura da Copa do Mundo, no próximo dia 10.

Os Bulls venceram por 25 a 17.

A primeira (segunda) decisão do Super 14 entre dois times da África do Sul foi também a última.

No ano que vem, o campeonato se chamará Super 15, com a entrada de mais um clube australiano.

CAMISA 12

sexta-feira, 28 de maio de 2010

(publicada ontem, no Lance!)

A OUTRA TAÇA DE LUCIO

Às vezes, as cenas mais bonitas de uma decisão acontecem depois que ela terminou. São vistas por poucos sortudos, os que estavam no lugar certo e no momento preciso, premiados pelo acaso com imagens que não se apagam. Aconteceu no sábado, em Madri.

A final da Liga dos Campeões da Uefa já era parte da história. A festa dos torcedores da Internazionale de Milão, 45 anos depois da última conquista da Europa, enchia o Santiago Bernabéu do tipo de emoção que só o futebol proporciona.

A região perto das traves defendidas pelo alemão Butt no segundo tempo, onde “o príncipe” Diego Milito marcou seu fantástico segundo gol, era o epicentro da comemoração. Ali estavam concentrados mais de 20 mil italianos, ensandecidos pela realidade tão sensacional que parecia ficção. Por ali, o capitão Javier Zanetti passou chorando como criança, com os braços estendidos, querendo envolver um setor inteiro do estádio. Por ali, Samuel Eto’o, carregando a bola do jogo e “vestido” com a bandeira de Camarões, distribuiu beijos e sorrisos que eram a síntese da felicidade genuína. Por ali, o técnico José Mourinho passeou com a “orelhuda” em uma das mãos, balançando a outra num emocionado adeus.

A poucos metros, Julio César abraçou as dezenas de amigos que saíram do Rio de Janeiro para vê-lo encerrar a temporada com pelo menos uma defesa tão importante quanto um gol. E Maicon, bandeira brasileira amarrada na cintura, andou de um lado para o outro, sem destino, sem tocar o chão.

Mais de uma hora depois do fim do jogo, aquele pedaço de grama já estava vazio. Assim como o palco armado para a entrega da taça, onde os jogadores da Inter formaram um corredor para os do Bayern passarem. E os vencedores aplaudiram os vencidos. Onde Louis Van Gaal, o técnico responsável pelo fim da carreira de Lucio no clube alemão, cumprimentou o zagueiro brasileiro com um abraço.

Mais de uma hora depois do fim, não havia mais nenhum jogador no campo. Ou melhor, havia um: Lucio. Ainda de uniforme, ele caminhava com os filhos pelo gramado. De repente, ouve-se a torcida do Bayern. O ídolo de quatro temporadas, adversário naquela noite, se aproximava lentamente. Ele carregava uma de suas filhas no colo, ela também usava a camisa da Inter.

Os torcedores que estavam mais próximos do campo apontavam, gesticulavam. Aquele era o primeiro encontro entre Lucio e os bávaros desde que o Bayern decidiu que o brasileiro não estava nos planos, há um ano. Mistura de sentimentos de ambas as partes.

Um cachecol vermelho e branco voou das cadeiras e caiu na grama. Lucio o pegou, o enrolou no pescoço da garotinha em seus braços, e um urro gutural ecoou no Bernabéu.

Lindo. Sorte de quem viu.

SAUDAÇÕES DO PORTÃO 27 DE GUARULHOS

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Embarcando logo mais para Johanesburgo, para a cobertura da Copa do Mundo.

Por razões que não precisam ser explicadas, as sensações são conflitantes.

Sim, é mais uma oportunidade que não tem preço. Sim, tenho certeza de que viverei muitos momentos nos próximos 50 dias que me farão dizer “não trocaria isso por nada”.

Tudo isso é verdade. Já aconteceu antes, acontecerá de novo.

Mas hoje, agora, é difícil. Bem difícil.

A sexta-feira tende a ser complicada em termos logísticos. Estarei por aqui assim que puder.

Até mais.

MEU TOP 3 (a pedidos)

terça-feira, 25 de maio de 2010

Meu último texto da Camisa 12 (publicado na quinta-feira passada no Lance!, e aqui alguns posts abaixo), suscitou vários comentários sobre a frase inicial, em que eu disse que Zinedine Zidane está no top 3 dos jogadores que vi.

Pensei em escrever quais eram os outros, mas a coluna era sobre Zidane, e não outros.

Mas entendo perfeitamente a curiosidade, portanto, aí vai:

Maradona, Zidane, Ronaldo.

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Como devem ter percebido, estou meio “desplugado” nestes dias, vésperas da viagem para a África do Sul.

Muitas coisas pessoais para resolver, entre elas a saudade antecipada que já bate forte.

Vamos nos falando.

COLUNA DOMINICAL

domingo, 23 de maio de 2010

José Mourinho disse ontem, à rede de TV italiana Sky, que está deixando a Inter e indo para o Real Madrid.

O jornal Sunday Times, da Inglaterra, foi o primeiro a publicar a informação em sua página na internet. O acordo foi selado na madrugada de sexta-feira, entre os presidentes Florentino Pérez e Massimo Moratti.

A reportagem também informa que o contrato tem duração de 4 anos, e que o salário de Mourinho será de 10 milhões de euros por ano. É o maior contrato de um técnico na história do futebol. O Sunday Times diz, ainda, que o brasileiro Maicon seguirá o caminho do treinador. O Real Madrid também quer Steven Gerrard, do Liverpool, e Daniele de Rossi, da Roma.

Mourinho não voltou para Milão com a Inter. O anúncio oficial de sua contratação deve acontecer até quarta-feira.

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(publicada ontem, no Lance!)

MUY ESPECIAL

A imprensa espanhola estava ansiosa por um contato direto com José Mourinho. Desde que ele declarou ao Diário Marca que gostaria de treinar o Real Madrid, os jornais da capital falam mais no português do que na final da Liga dos Campeões. A entrevista coletiva de ontem parecia o momento perfeito para o ataque.

Primeira pergunta, e nem o deixaram respirar. A resposta saiu em italiano, pausado e perfeitamente compreensível. “Depois que o jogo acabar, é vida nova. Copa do Mundo, férias na praia, férias na montanha. Mas até o árbitro apitar o final, não penso em outra coisa”.

O que se comenta é que Mourinho tem tudo acertado com o Real Madrid, a ponto de já indicar futuros contratados, como o argentino Diego Milito e o brasileiro Maicon, ambos da Internazionale de Milão. Publicamente, o técnico apenas confirma que seu futuro não está na Itália. E garante que não precisa de muitos incentivos para seguir sua carreira em outro país. “Onde houver um campinho de futebol, jogadores e uma bola qualquer, serei feliz. Essa frase não é minha, mas é isso”.

O Real Madrid estaria disposto a lhe oferecer um pacote um pouco mais luxuoso: o mais ostentador centro de treinamentos da Europa, jogadores a escolher e 15 milhões de euros por ano. Deve ser o suficiente.
Dizem que boatos são fatos prematuros. O intrigante é que enquanto as especulações ganham força a cada dia, o Real Madrid tem um técnico. O chileno Manuel Pellegrini ainda não foi demitido, situação constrangedora que o noticiário trata como algo sem importância. Se é verdade que José Mourinho já planeja a montagem do elenco dos merengues, e Pellegrini foi engavetado antes de passar no RH, este é um caso clássico de pirataria futebolística. Perto dele, treinadores brasileiros que se oferecem para trabalhar em clubes onde a prancheta está ocupada parecem juvenis. E estamos deixando de lado o fato de Mourinho, seu empregador e seus comandados estarem envolvidos no jogo mais importante da Internazionale em décadas.

Jogo que pode transformar o português no terceiro técnico a conquistar a Liga dos Campeões da Uefa por clubes diferentes. Distinção que quem o viu começar na profissão não poderia prever, mas não surpreende. É o caso de Louis Van Gaal, que teve Mourinho como assistente no Barcelona. O técnico do Bayern de Munique, adversário do pupilo na decisão de amanhã, percebeu que estava diante de alguém “diferente” logo no primeiro contato. Em 1997, Van Gaal foi chamado para uma reunião com Josep Nuñez, presidente do clube catalão, na qual foi convidado para substituir Bobby Robson. Mourinho, que chegara ao clube pelas mãos do inglês, estava na sala e não gostou muito da notícia. “Ele ficou bem bravo, gritava na sala”, contou Van Gaal na entrevista coletiva do Bayern, ontem. Se o motivo da reação foi a demissão do chefe, ou uma promoção que não veio, não ficou claro.
Mourinho poderia ter saído do Barcelona. Preferiu ficar. Trabalhou “como um animal”, em suas próprias palavras, sob Van Gaal por três anos, e aprendeu que “ninguém alcança nada sem esforço”.

Seu próximo passo parece planejado. E não estou falando do jogo de logo mais.

NA JANELINHA

domingo, 23 de maio de 2010

À beira do gramado, a poucos passos da linha de fundo, não se tem as melhores condições para ver um jogo de futebol.

O outro gol fica muito longe, perde-se a noção de profundidade e, lógico, não tem replay (se bem que, ontem, o telão até mostrou alguns lances).

Mas foi uma experiência inesquecível ver a final da Liga dos Campeões da Uefa tão de perto.

Nossa posição ficava à direita do gol defendido por Julio César no primeiro tempo. O que significa que o corte humilhante que Diego Milito aplicou em Van Buyten, no lance do segundo gol italiano, aconteceu em nossa frente.

Sem comentários.

O jogo foi ótimo, melhor do que eu imaginava.

Obviamente, Milito merece todos os elogios. O argentino se transformou no primeiro jogador a marcar nos três jogos decisivos de uma tríplice coroa na Europa.

Se pensarmos que isso aconteceu na noite em que a Internazionale matou uma saudade de 45 anos, o feito parece maior.

Mas se dependesse de mim, o prêmio de melhor em campo seria duplo. Cambiasso fez uma partida gigantesca.

Julio Cesar fez duas defesas magníficas . A primeira delas (a outra foi no chute de Robben, desviado de mão trocada), evitando com os pés o gol de Muller, provavelmente decidiu o jogo. Era o primeiro minuto do segundo tempo. Um empate ali e tudo poderia ser diferente.

É impressionante como JC é bom em lances como esse, bem perto do gol. Ele tem reações instantâneas, precisas, como se as coisas se movessem mais devagar.

O futebol italiano viveu mais uma noite de alegria no Santiago Bernabéu. Em 1969, o Milan saiu da casa do Real Madrid com o título europeu. Em 1982, a Itália foi campeã do mundo.

Agora, após 45 anos de espera, a Inter conquista a UCL.

Jamais uma equipe alemã ganhou o principal torneio europeu de clubes, em qualquer formato, numa decisão disputada num estádio espanhol.

Perguntei ao presidente Massimo Moratti, que comprou o clube em 1995 com o único objetivo de repetir a vitória de seu pai, Angelo (que era o presidente quando a Inter foi campeã europeia pela última vez), qual foi o primeiro pensamento dele no momento que o jogo acabou.

“Que minha família foi útil à Inter”, ele respondeu.

Deixe de lado a política do futebol e pense apenas no torcedor que ele é.

Bonito, não?