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Arquivo de dezembro de 2008

APITA O ÁRBITRO…

domingo, 28 de dezembro de 2008

Na TV e no jornal, já estou em férias.

Parada necessária e bem-vinda, até o fim de janeiro.

No blog também? Bom, o blog é diferente.

Como a internet se transformou num gênero de primeiríssima necessidade, será impossível deixar de passar aqui de quando em quando.

Mas farei meu melhor para me desligar de tudo o que não for descanso e lazer.

Digamos que o blog entrará no “modo buldogue”: só se mexerá em caso de máxima importância.

Uma ótima passagem de ano a todos, e um feliz 2009.

COLUNA DOMINICAL

domingo, 28 de dezembro de 2008

Ronaldo fez o barulho que seu nome justifica, mas o campeão da “pós-pré-temporada” é o São Paulo. Desculpe, imagino o quanto essa afirmação enerva o leitor não-tricolor, mas até as mascotes rivais haverão de concordar.

O ônibus anti-são-paulino está sempre cheio, e nada indica um movimento contrário no futuro próximo. Mas os cegos que acusam a mídia esportiva de ser parceira do Morumbi canalizam sua ignorância para o alvo errado. Deveriam (só se quiserem, claro) tentar curar a própria incapacidade de enxergar.

Se a temporada 2009 começasse hoje, e o São Paulo levasse a campo exatamente o mesmo time que ganhou o BR-08, você o consideraria um dos favoritos? Se sua resposta foi negativa, interrompa a leitura agora, e recomece o tratamento. Porque é evidente que sim.

Se chegou até aqui, insira os novos contratados no tricampeão brasileiro e responda de novo. Vê? Eu sei, por enquanto é apenas teoria, muitos bons jogadores juntos não necessariamente formam um time vencedor. Mas se não acreditarmos que a união de talentos é o caminho, talvez seja hora de assinar o paga-para-ver do campeonato vietcongue.

Washington jogaria no seu time? Junior Cesar jogaria? E Arouca? Para não falar em Wagner Diniz e Eduardo Costa, que podem não ser jogadores “pronta-entrega”, mas têm boa projeção num time que simplesmente não precisa que eles causem impacto imediato. Ou na possível troca de Richarlyson por um meia, que pode não chegar a ver a luz do dia, mas é um boato assustador para quem acha que o telefones tricolores estão em férias.

Os acertos com o trio ex-Fluminense repetem o lucrativo modelo de investimento feito em 2004, quando Fabão, Danilo e Grafite (no ano seguinte, Josué) chegaram do Goiás e, bem, você sabe o que aconteceu. Parece lógico que contratar jogadores que se conhecem dentro de campo facilita a adaptação deles ao novo clube, mas é curioso que outros não adotem a fórmula.

O São Paulo também é um comprador que não lida com multas rescisórias. Desde 2004, só dois contratados chegaram via pagamento a outro clube. Dagoberto (por decisão judicial) e Jorge Wagner (1,2 milhão de euros ao Betis, barganha histórica). Fora eles, o clube gasta com salários de jogadores emprestados ou de reforços cujos contratos terminaram. Não é correto falar em “custo zero”, pois quase sempre há valores adiantados, mas também parece claro que é melhor pagar apenas uma vez por um atleta.

Para isso, basta ter conhecimento sobre o vencimento dos compromissos alheios, e acompanhá-los com marcação individual. Não é necessário contratar a consultoria de técnicos da Nasa, ou pedir um bico a Jason Bourne, já que essas informações são públicas. Na verdade, só é preciso saber ler.

Não me acuse do que não escrevi. Não estou dizendo que os ternos são-paulinos não erram (isso significaria um sério problema de memória em relação a precisamente um ano atrás), ou que sejam os únicos letrados num mundo de analfabetos funcionais.

Só estou dizendo que ninguém contratou melhor do que eles.

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Grêmio (Alex Mineiro, principalmente) e Cruzeiro (Wellington Paulista, idem) também estão mais fortes, hoje, do que no dia em que o Campeonato Brasileiro terminou. Proporcionalmente, o mesmo se pode dizer sobre o Santos (Lucio Flavio e Madson) . Fluminense e Palmeiras são estranhos casos de marcha-a-ré engatada. Mas ainda há tempo e opções.

Num campeonato curto como o Paulist(inh)a, quem começa a trabalhar antes abre clara vantagem, especialmente no aspecto físico. Essa é a aposta do Corinthians (com ou sem Ronaldo em ação) para um bom início de temporada. O Plano A é um título no primeiro semestre, e um BR-09 com Libertadores. A Copa do Brasil é um investimento óbvio.

Como essa é a última coluna (mas não o último post) do ano, nada melhor do que lembrar do que 2008 nos ofereceu no esporte.

Phelps, Bolt, Cielo, Maurren, enchendo de emoção o Cubo de Água e o Ninho de Pássaro em Pequim.

A final do revezamento 4 x 100m livre e dos 50m livre são duas provas cujas lembranças ainda me arrepiam. E tenho certeza de que sempre será assim.

O mesmo posso dizer sobre o vôo de Maurren Maggi e a sexta marcha de Usain Bolt.

Foram momentos que vi com meus próprios olhos (acompanhados de algo mais, no caso da cerimônia do pódio de Cielo), o que, obviamente, não tem preço.

Como também não tem preço ver, pela TV, a medalha de ouro do vôlei feminino, comandado por José Roberto Guimarães, Fofão e Mari.

Nadal x Federer, num interminável e inesquecível domingo em Wimbledon.

Chelsea x Manchester United, que só pararam nos pênaltis na chuvosa madrugada moscovita.

A caminhada do Fluminense na Libertadores, derrubando um campeão atrás do outro, até os malditos pênaltis contra a LDU.

Um Campeonato Brasileiro emocionante, imprevisível, disputado até a última rodada, e vencido por um São Paulo não apenas campeão, mas tri e hexa.

E o Corinthians recuperando sua auto-estima.

A melhor coisa a respeito do esporte é que, por mais incríveis que sejam os momentos, eles sempre podem ser superados.

Que isso aconteça em 2009.

Feliz Ano-Novo.

CAIXA-POSTAL

sábado, 27 de dezembro de 2008

Pela última vez em 2008, aos assuntos da semana:

João Luis escreve: Se o Corinthians não tem dinheiro para contratar o Herrera, você não acha estranha a contratação do Escudero?

Resposta: Como diz o outro, uma coisa é uma coisa… O valor dos direitos de Herrera é US$ 2,4 milhões, e o Gimnasia La Plata não aceita discutir formas de pagamento. Por 50% dos direitos de Escudero, o Corinthians vai pagar US$ 1,3 mi, em seis parcelas. É quase a metade, fora a sanfona. Além dessa diferença, a questão de Herrera é muito complicada. Seus direitos estão divididos entre o GLP, o San Lorenzo e empresários. O Corinthians teria de pagar os 15% do jogador e mais as comissões, numa conta que fecharia em cerca de R$ 8 milhões.

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Márcio escreve: Para você, qual clube brasileiro fez as melhores contratações para a próxima temporada?

Resposta: São Paulo. Escrevi sobre isso no Lance! de hoje. Será tema da Coluna Dominical.

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Renato escreve: Como é possível um jornalista esportivo criticar a realização de uma Olimpíada no Brasil? Você só tem emprego por causa do esporte, é o esporte que paga seu salário.

Resposta: Ponha os óculos. Eu tenho três empregos, dos quais me orgulho. Quem paga meu salário é a ESPN e o Grupo Lance!, e a realização de uma Olimpíada no Brasil nada tem a ver com isso. Se tivesse, não haveria jornalistas esportivos brasileiros.

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Bernardo escreve: Como vai se resolver o problema político no Palmeiras? Quem você acha que ganhará a eleição (em janeiro)?

Resposta: Impossível responder. O presidente Afonso Della Monica não conseguiu formar um sucessor e o grupo que o levou ao poder está dividido, o que obviamente fortaleceu a oposição. Pelos últimos movimentos, articula-se a candidatura de Luiz Gonzaga Belluzzo como um consenso da situação, mas não se sabe se ela venceria a eleição. Belluzzo é alguém que pensa no que pode fazer pelo Palmeiras, e não no contrário. Só isso (fora a capacidade, a formação…) já o diferencia. Mas a política dos clubes é, muitas vezes, incompreensível.

“Esse é o melhor plano que temos. Considerando-se que é o único.”

Rusty Ryan, em “Doze Homens e Outro Segredo”.

CIELO GANHA MAIS UMA

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Declarações de César Cielo, medalha de ouro nos 50m livre e bronze nos 100m livre em Pequim 2008, ao jornal Zero Hora:

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Pergunta — Depois da Olimpíada, você entrou em rota de colisão com a CBDA. Pode explicar sua briga com o presidente Coaracy Nunes?

César Cielo – Não é briga. Eu quero transparência. Ninguém sabe quanto a CBDA recebe dos Correios. É um absurdo. Eu ganhava R$ 1,2 mil antes da Olimpíada. Agora recebo R$ 6 mil. Não sei se é muito, se é pouco. Mas eu queria saber como chegaram a esse cálculo. E quanto a CBDA recebe dos Correios? Nenhum atleta sabe. Todos se calam. Sei que estou sozinho. Falta coragem aos outros atletas. Posso questionar porque ganhei uma medalha olímpica. Sei que posso estar incomodando, mas defendo a transparência. Existem alguns que tentam me desmentir por puro medo de perder o pouco de apoio que recebem. A situação da natação brasileira é triste: cada um por si e Deus por todos. Apoio oficial não existe. Não existe.

Pergunta — Você não tem medo de se queimar reclamando publicamente?

Cielo – Não, porque sou uma pessoa de princípios. Posso ser novo, mas sei o que é certo e errado. Não concordo com a maneira com a qual a CBDA trata seus atletas. Eu mesmo não vou em 2009 nadar as competições que a CBDA determinar. Vou fazer o calendário que for conveniente para mim. Fico triste pelos outros nadadores que fazem provas que não acrescentam nada, por ter de seguir sempre em bando. A CBDA não age de maneira moderna e não pensa individualmente nos atletas. É um absurdo e eu não vou ficar quieto.

Pergunta — Sua postura firme é porque seu sucesso nas piscinas aconteceu graças a sua família?

Cielo – Lógico. Não sei se posso ser considerado aborto da natureza ou fracasso do Brasil, como alguém já me disse. Fracasso porque consegui o que consegui graças ao suor dos meus pais. E não de uma estrutura esportiva montada no Brasil. Isso não existe. O meu sucesso é da minha família e não de uma política esportiva brasileira.

Pergunta — E como você viu a cobertura da natação em Pequim?

Cielo – Ah, tinha um monte de gente que não tinha a menor noção do acontecia. Um cara na China veio me entrevistar e me chamou de Thiago Pereira o tempo todo. Respondi só para tirar onda dele. Outro elogiou para a minha mãe a virada que dei nos 50 metros quando ganhei a medalha. Nos 50 metros não tem virada! É muita estupidez e despreparo. A maioria dos jornalistas na China caiu de pára-quedas. Fingimos que não percebemos. A moçada entende só de futebol.

Pergunta — Você não foi reconhecido nem por repórter brasileiro? E as medalhas que tinha conseguido no Pan não valeram?

Cielo – Vou falar a verdade: fora do Brasil, o Pan não é nada. A minha faculdade não coloca no meu currículo as medalhas do Pan. Acham que até iria desvalorizar. Os EUA vieram para o Brasil com o time C. A verdade é essa. Houve muita festa à toa.

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Que maravilha. Parabéns ao Cielo, por agir como um verdadeiro ídolo esportivo: posicionando-se.

Quanto maior o número de atletas conscientes de seu papel, menor o número de cartolas predadores.

A entrevista completa, feita pelo jornalista Cosme Rímoli, está aqui.

MERCADÃO – 4

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Três entregas, uma pré e duas pós-Natal:

QUEM: Arouca (volante, ex-Fluminense)

POR QUEM: São Paulo

SITUAÇÃO: Contrato de 5 anos. Arouca tem contrato até o fim de abril com o Fluminense, mas o São Paulo tenta liberá-lo já em janeiro. É o que deve acontecer.

OPINIÃO DO BLOG: Vou me arriscar aqui: de todos os reforços do São Paulo, Arouca talvez seja o melhor. Não é correto chamá-lo de volante, pois o termo sugere uma atuação puramente defensiva, e Arouca oferece mais. Se Hernanes sair, será bem substituído.

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QUEM: Fagner (lateral-direito, ex-PSV)

POR QUEM: Vasco da Gama

SITUAÇÃO: Contrato de 3 anos.

OPINIÃO DO BLOG: Fagner é jovem (19) e talentoso. Chegou ao profissionalismo no Corinthians num momento inoportuno para quem precisava de paciência. Foi para a Holanda numa situação estranha: seu contrato tinha sido feito pelo departamento amador, sem as cláusulas que protegem o clube. Boa contratação.

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QUEM: Escudero (zagueiro, ex-Argentinos Juniors)

POR QUEM: Corinthians

SITUAÇÃO: Contrato de 3 anos (detalhes acertados hoje, mas o jogador só será apresentado quando o clube argentino receber a primeira parcela do pagamento, que vencerá em 20/jan.)

OPINIÃO DO BLOG: Zagueiro pela esquerda, pode jogar na lateral. Mano Menezes pensa em utilizá-lo como fazia com Carlão. Não o vi o suficiente para ter uma opinião formada, mas a comissão técnica do Corinthians o observa há algum tempo.

HO HO HO!

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Em nome da chegada do dono do objeto acima (e do brilho dos olhos de uma menina de quase 4 anos), o blog vai parar por dois dias.

Feliz Natal!

Até sexta-feira.

MERCADÃO – 3

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

E as entregas continuam:

QUEM: Reinaldo (atacante, ex-Jeff United)

POR QUEM: Botafogo

SITUAÇÃO: Contrato de 1 ano.

OPINIÃO DO BLOG: Não o vejo em ação há muito tempo, mas Reinaldo sempre foi um bom atacante. Só que, como Wellington Paulista está saindo, o Botafogo perdeu (desculpe o trocadilho infame) poder de fogo.

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QUEM: Willians (volante, ex-Santo André)

POR QUEM: Flamengo

SITUAÇÃO: Contrato de 3 anos

OPINIÃO DO BLOG: Willians chamou a atenção na Série B, tanto que entrou na seleção do campeonato. Fez um gol contra o Corinthians, no Pacaembu, que 1-foi um incrível lance de sorte, ou 2-foi um sinal de que é um jogador talentoso.

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QUEM: Alex Mineiro (atacante, ex-Palmeiras)

POR QUEM: Grêmio

SITUAÇÃO: Contrato de 1 ano

OPINIÃO DO BLOG: Alex foi artilheiro do Campeonato Paulista (15 gols) e vice-artilheiro do Campeonato Brasileiro da Série A (19 gols). Precisa dizer mais?

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QUEM: Maurício (zagueiro, ex-Coritiba)

POR QUEM: Palmeiras

SITUAÇÃO: empréstimo de 1 ano, direitos são do Iraty.

OPINIÃO DO BLOG: Dorival Júnior queria levá-lo para o Vasco, o Coritiba queria mantê-lo, mas o Palmeiras entrou na jogada e ficou com ele. Maurício é jovem (23), não é tão alto (1,85m), mas tem boa impulsão. É o terceiro zagueiro do Coritiba (Henrique, Jéci) que o Palmeiras contrata.

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QUEM: Wellington Paulista (atacante, ex-Botafogo)

POR QUEM: Cruzeiro

SITUAÇÃO: Contrato de 3 anos, a ser assinado na próxima semana

OPINIÃO DO BLOG: Wellington fez 27 gols em toda a temporada de 2008. O Cruzeiro ganha uma referência na área. Boa contratação.

QUER MAIS?

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

A foto que diz tudo.

Se você fosse campeão inglês, campeão europeu e campeão mundial de clubes, no mesmo ano, você também não se vestiria de papai noel?

COLUNA DOMINICAL

domingo, 21 de dezembro de 2008

Está sentindo a ponta de seu nariz se transformar numa circunferência vermelha? Dê uma olhada no espelho para conferir. Eu sei, não é a primeira vez que isso acontece, e a gente acaba se acostumando. Afinal, é preciso tocar a vida, né?

É isso que as nossas autoridades político-esportivas estão fazendo, tocando a vida. E rindo da sua cara. A matéria assinada pelo repórter Ary Cunha, na edição de ontem de “O Globo”, é mais um capítulo do filme porno-trash que mostra os bastidores do lobby das entidades esportivas na capital do país.

Na quinta-feira, dia seguinte ao pedido de instalação da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) no Congresso, para investigar o uso de verbas públicas no Comitê Olímpico Brasileiro e em suas confederações, senadores do PMDB retiraram suas assinaturas.

São necessárias 171 assinaturas na Câmara e 27 no Senado. O deputado Miro Teixeira (PDT/RJ) e o senador Álvaro Dias (PSDB/PR), autores do pedido, coletaram 194 e 33, respectivamente. Mas o líder do PMDB no Senado, Valdir Raupp (RO), retirou seu nome e pediu para seus colegas fazerem o mesmo. Raupp disse que mudou de idéia após conversas com o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, e com o senador Francisco Dornelles (PP/RJ).

O argumento para a debandada é que uma investigação que busca transparência no repasse do seu (é, Bozo, seu) dinheiro ao esporte de alto rendimento no Brasil, pode comprometer a realização da Copa do Mundo de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016.

Eles só pensam nisso. Num país miserável em que as crianças não estão nas escolas (e as poucas que estão não praticam esportes), o Ministério do Esporte acha bonito gastar 1,8 milhão de reais na festa do COB que premiou os melhores atletas olímpicos do país. É “investimento na promoção da Olimpíada”. E você, Bozo, aplaude.

Nossos cartolas e seus amigos em Brasília, há muito tempo, perderam a vergonha. Não estão nem um pouco preocupados com a própria imagem ou com o que a sociedade (excluídos, obviamente, os baba-ovos midiáticos e seus cordeiros) pensa deles. Alguns até deixam de ir ao cinema para evitar um encontro desagradável com gente mais (ou ainda) preocupada com o exercício da cidadania, mas podem fazer esses programinhas tranquilamente em Miami ou Zurique. E como viajam…

O negócio deles é rir. De você, de mim, das leis. Ou será que o presidente do COB, Carlos Arthur Nuzman, abandonou recentemente uma audiência pública no Congresso, um fato inédito e histórico, com outro propósito?

A CPMI está sob ataque nuclear, mas resiste. Os parlamentares favoráveis à criação de uma política nacional de esportes, condição para que o Brasil seja, um dia, um país olímpico, desconfiam que as verbas destinadas ao esporte estão sendo usadas politicamente pelo lobby. Contam com o apoio de nomes como Raí, Ana Moser, Flávio Canto, Joaquim Cruz e Lars Grael, do movimento “Atletas pela Cidadania”.

E você, Bozo, vai continuar ignorando o tamanho do seu nariz?

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Pelo rapa que o São Paulo está fazendo no Fluminense, parece até vingança pela eliminação na Libertadores… claro que não é o caso. O curioso é que se o Flu não tivesse perdido a Copa nos pênaltis, dificilmente perderia jogadores seduzidos pela chance de disputá-la.

O campo magnético do tricampeão brasileiro fica mais forte a cada título, e isso atrai jogadores (quase) tanto quanto boas propostas e boa estrutura.

Primeiro, o Real Potosí e seu estádio nas nuvens, a quase 4 mil metros de altitude. Depois, se der tudo certo, um grupo com LDU, Sport e um chileno.

Dificuldades que não estariam no calendário do Palmeiras se o BR-08 não tivesse terminado com uma derrota, em casa, para o Botafogo.

Chelsea x Juventus, Real Madrid x Liverpool… jogões do mata-mata da Liga dos Campeões da Uefa. Pena que é só em fevereiro.

Enquanto escrevo, Manchester United e LDU duelam em Yokohama, 0 x 0. Os Diabos Vermelhos acabam de ficar em desvantagem numérica: Vidic foi expulso.

Já viu esse filme?

Um senhor chamado William Mark Felt morreu na quinta-feira, nos Estados Unidos, aos 95 anos.

Talvez o nome não lhe diga nada. Mas “Garganta Profunda” diz?

Pois é. Felt era a fonte dos repórteres Bob Woodward e Carl Bernstein, do Washington Post, que denunciaram o escândalo conhecido como “Watergate”.

“Todos os Homens do Presidente” (livro e filme, excepcionais) conta essa sensacional história de jornalismo bem feito.

Tenho uma sugestão para punir os crápulas que foram flagrados assaltando as doações para as vítimas da tragédia em Santa Catarina.

Trabalhar (sem remuneração) para as famílias que perderam tudo, até que suas vidas sejam retomadas.

Sete dias por semana, sem folga.

O supervisor deles seria o senhor que devolveu os R$ 20 mil achados dentro de um casaco que foi doado.

Gol do Man Utd., Rooney. Os ingleses melhoraram depois da expulsão.

Não sei se você tem visto a NBA (eu certamente tenho), mas é incrível como o Boston Celtics joga como campeão noite após noite.

Acabou o jogo no Japão. Manchester United campeão do Mundial de Clubes.

Um ótimo domingo.

E um feliz Natal.

CAIXA-POSTAL

sábado, 20 de dezembro de 2008

Aos assuntos da semana:

Luiz Fernando escreve: Por conta do livre trânsito de jogadores – e cada vez mais novos, antes da formação – me parece que o estilo do futebol jogado em cada lugar do mundo está cada vez mais coeso e parecido. Se há fronteiras que caíram com a globalização, as do futebol parecem ser um dos melhores exemplos. Com relação à própria vontade de um jogador servir à seleção brasileira, não é muito mais uma questão de defender uma “marca” do que o país de origem? A pergunta que fica é se as “marcas” que são algumas seleções nacionais não serão uma hora engolidas pelas “marcas” que vêm se tornando os times de ponta. Enfim… desculpe a longa exposição, mas você vê futuro longo para as Copas do Mundo de Seleções? Ou acha que, uma hora, será absorvida (pela própria perda de interesse dos torcedores) por uma espécie de Copa do Mundo de Clubes?

Resposta: Obrigado pela mensagem, você tem um interessante ponto. Eu ainda acho que lgumas seleções preservam um estilo de jogo de acordo com suas tradições. Cito Itália e Alemanha como exemplos. Mas concordo com você sobre a uniformização do jeito de se jogar futebol hoje em dia, e claro que isso tem a ver com o trânsito de jogadores. Também acho que a Copa do Mundo não durará mais muito tempo, pela diminuição do interesse dos jogadores pelos seus times nacionais, e a consequente perda de identificação dos torcedores com suas seleções. A única coisa que me intriga, nessa história, é que não vemos essa tendência muito clara na Europa. A última edição da Euro, neste ano, mostrou, além de bom futebol, a verve de jogadores/torcida que não vemos todos os dias. Talvez isso aconteça porque os jogadores europeus que não atuam em seus países, atuam perto. A pouca distância mantém os sentimentos acesos, e cada reunião das seleções não significa tantas horas dentro de um avião. Eu tinha uns doze anos de idade, se me lembro bem, quando ouvi falar pela primeira vez que uma liga continental de clubes europeus seria o torneio mais legal do futebol mundial. É o que virou a UCL. Copa do Mundo de clubes? Pode parecer muito complicado, mas acho que não estamos longe.

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Luís Roberto escreve: Vendo o último CQC e sua presença lá fiquei pensando em como é a convivência entre os jornalistas e os humoristas. De vez em quando parece que os jornalistas gostam da presença deles, outras vezes parece que a vontade é de falar pra eles irem brincar em outro lugar. Gostaria de saber a sua opinião.

Resposta: Essa relação não é nova, né? Lembro-me de dividir a zona mista da Seleção Brasileira com o pessoal do Casseta e Planeta, na Copa de 98. Os caras do Pânico também são presentes no esporte, e agora o CQC, que é uma franquia de um programa que existe há muito tempo em outros países. Já os vi em ação na seleção argentina, bem recebidos por jogadores e jornalistas. Eu não vejo nenhum problema, acho que cada um faz o seu e todos ficam felizes. Há ocasiões, como a apresentação de Ronaldo no Corinthians, em que a entrevista é restrita a veículos de jornalismo esportivo. Mas humor, quando é inteligente, só faz bem.

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Fred escreve: O Dunga não convoca o Amauri, o que você pensa sobre isso?
Ele é bom, muito bom ou craque?
Ele não merece uma oportunidade na seleção brasileira, uma vez que até o Afonso Alves teve a sua? Ou estamos bem servidos com os atuais centroavantes que temos?

Resposta: Que deveria convocar.

Pelo que já vi, é, no mínimo, bom. Mas precisamos ver mais.

Claro que merece.

Sempre estaremos bem servidos.

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Ricardo escreve: Estou apostando que a LDU ganhará o Mundial de Clubes (amanhã x Man Utd.), o que você acha?

Resposta: Que a crise dos mercados o fez mudar de “cassino”, mas que você ainda gosta de correr riscos. Time por time, simplesmente não dá para pensar que os equatorianos têm chance. Mas, claro, é futebol. Já vimos coisas parecidas. Acho que dá Manchester.

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Obrigado pelas mensagens. A Caixa-Postal volta no próximo sábado.

(e-mails para a CP do blog: akfouri@lancenet.com.br, ou clique no link do lado direito da página.)

“Não importa o que digam. Nunca haverá alguém em quem você possa realmente confiar.”

Bill Sullivan, em “O Bom Pastor”.