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Arquivo de junho de 2008

NOTINHAS PÓS-RODADAS

segunda-feira, 30 de junho de 2008

Era para ser um almoço com aperitivo, salada, prato principal, sobremesa e dois cafés… e com aquela conversa mole… As (atrasadíssimas) notas do Brasileirão e da Euro 2008: * O Vitória flerta com a área vip da tabela, após o quarto triunfo (3 x 0 no Goiás: Ramon, Ricardinho e Dinei – 13.089 pagantes no Barradão) em casa. * O gol de falta de Ramon pareceu ter a colaboração do morrinho (como o que saiu na Ilha do Retiro, sobre o qual falaremos adiante), mas foi apenas o quique da bola, na frente de Harlei. * O pé direito de Fábio Costa impediu a vitória da Portuguesa (0 x 0 com o Santos, 5.000 pagantes no Canindé), no toque certinho de Diogo, no último minuto. * Correta a anulação do gol de Washington, por impedimento, em lance difícil para o árbitro. * A jogada de Morais no quarto gol do Vasco (4 x 2 no Ipatinga: Alex Teixeira-2, Gian, Leandro Amaral, Adeílson e Jean – 2.724 pagantes em São Januário) foi mais comentada, mas o toque de Rodrigo Antonio, no segundo, também foi linda. * Leandro Amaral cobrou o único pênalti sem paradinha da rodada. * O Atlético Paranaense (1 x 1 com o Coritiba: Alan Bahia e Marcos Tamandaré – 20.192 pagantes na Arena) tinha 10 jogadores em campo, quando conseguiu o pênalti que lhe deu a vantagem, aos 34 do segundo tempo. * Mas aos 41, Tamandaré aguardava ao lado da trave, para empatar o primeiro Atle-Tiba do Campeonato Brasileiro, em três anos. * O gramado da Bombonilha marcou o gol de empate do Sport, contra o Flamengo. Francisco Alex (não fique bravo) deveria ser creditado com uma assistência. * O líder (2 x 1: Obina-2 e Francisco Alex – 27.600 pagantes na Ilha) derrubou a invencibilidade do Sport em casa – 22 jogos – com um gol de letra, a dois segundos do final. * Categoria de Petkovic, no gol de empate (1 x 1: Marquinho e Pet – 5.679 pagantes no Orlando Scarpelli) do Atlético Mineiro, em Floripa. * Se o futebol permitisse que os atletas entrassem e saíssem do jogo (como no basquete), quanto tempo duraria a carreira de um bom cobrador de faltas? * O Cruzeiro (1 x 1 com o São Paulo: Guilherme e Borges – 37.115 pagantes no Mineirão) levou o primeiro gol em casa no campeonato, na oitava rodada. * O empate manteve os mineiros no bolo do G-4, a atrasou um pouco a vida do São Paulo. Muricy deve estar com a orelha vermelha. * Nada a declarar sobre o 0 x 0 (9.324 pagantes no Maracanã) entre Fluminense e Botafogo. * Na verdade, só uma coisa: o Fluminense continua sendo o único time zerado na coluna de vitórias na tabela do campeonato. * O Internacional lamenta o empate (1 x 1 com o Grêmio: Índio e Roger – 42.888 pagantes no Olímpico) no clássico, que o deixou no meio do caminho entre a ZR e a metade da tabela. * Renan, autor de um pênalti bobo, deve lamentar ainda mais. Mas passa. * Não foi pênalti de Itaqui em Élder Granja, no lance que originou o primeiro gol do Palmeiras (2 x 0: Alex Mineiro e Denílson – 14.186 pagantes no Palestra Itália) contra o Náutico. * Mas a vitória que levou o time ao G-4 foi justa. ****** * Linda festa da Espanha (1 x 0 na Alemanha: Fernando Torres – 50 mil pagantes no Ernst Happel), campeã da Euro 2008. * Após décadas representados por times que alimentaram o complexo de inferioridade da torcida, os espanhóis agora têm uma seleção que é a cara do país, de vanguarda em vários setores. * E parece que será assim por muito tempo, por causa do número de jovens e talentosos jogadores. * Nada contra a Alemanha (estilo é estilo e, diga-se de passagem, eles sabem como ninguém manter o deles), mas a vitória espanhola foi ótima para o futebol.

MANHÃ DE SEGUNDA-FEIRA…

segunda-feira, 30 de junho de 2008

… complicada. Estou numa matéria, fora de São Paulo. As Notinhas Pós-Rodadas estarão por aqui quando você voltar do almoço. Desculpe o atraso.

COLUNA DOMINICAL

domingo, 29 de junho de 2008

O homem que está por trás do sucesso dos goleiros do Palmeiras, se despedirá hoje do clube. Carlos Pracidelli, como você deve saber, está indo para o Chelsea. Conversamos rapidamente, há uns dez dias, após um treino na Academia de Futebol. Felipão ainda não tinha ligado para fazer a proposta oficial, contou o futuro ex-preparador de goleiros, mas as coisas estavam encaminhadas. Os dois aguardavam o fim da campanha da Seleção Portuguesa na Euro 2008 para ter a conversa definitiva. Mas Pracidelli não tinha dúvidas sobre seu futuro. Lembrou-me que já tinha trabalhado como auxiliar da comissão técnica do Palmeiras, no início dos anos 90, na função de observador de adversários. E disse que, ainda que gostasse muito do trabalho que faz com goleiros, estava animado com a possibilidade de crescimento profissional que o convite de Felipão significaria. Desnecessário, obviamente, tocar no aspecto financeiro. A notícia da saída de Pracidelli se confirmou na mesma semana em que o Palmeiras negociou o zagueiro Henrique com o Barcelona, por 10 milhões de euros. Henrique é um belo jogador, fará falta ao Palmeiras e sucesso na Europa. Mas talvez o clube sinta mais a ausência do conhecimento de Pracidelli e de sua influência no dia-a-dia de seus ótimos goleiros. Marcos e Diego Cavalieri que o digam. E quando Bruno, o terceiro goleiro, que um dia será o primeiro, fizer jus aos mesmos elogios que aqueles que o precederam, Pracidelli será lembrado. Ele merece. ****** Desde o começo do ano, muito se falou e se escreveu sobre o cinquentenário da conquista do título mundial de 1958. O aniversário, oficialmente, é hoje. Chato que, entre tantas coisas boas para lembrar, a ignorância dos atuais jogadores da Seleção sobre o que aconteceu meio-século atrás tenha ganho o destaque que ganhou. Continuo com a minha opinião: eles apenas não associam as imagens que certamente viram (todo mundo que gosta de futebol viu), com o fato. O que também é uma pena. Quem ganha a Euro 2008? Quem ganha sempre, ou quem perde sempre? Sendo campeã ou não, a Espanha parece ter encontrado um time para muitos e muitos anos. Estou torcendo para Rafael Nadal levantar o troféu em Wimbledon. E agora estou indo trabalhar. Até as Notinhas, com os comentários sobre a final da Euro e a rodada do Brasileirão. Bom fim de domingo.

CAIXA-POSTAL

sábado, 28 de junho de 2008

Sábado de folga na TV, portanto… … aos assuntos da semana: Márcio escreve: Por favor me responda: Qual a diferença da administração de Abramovich no Chelsea com a de Kia no Corinthians? Já que Abramovich coloca dinheiro do próprio bolso no Chelsea, esse dinheiro é limpo? Existem, lá na Inglaterra tantos questionamentos como os que Kia teve em relação a origem do dinheiro, idoneidade e caráter do rapaz? Resposta: Em termos administrativos, há uma diferença fundamental. Abramovich é dono do Chelsea, comprou o clube em 2003. Kia Joorabchian não era dono do Corinthians, mesmo porque o modelo de administração dos clubes no Brasil é diferente. Em relação ao dinheiro de Abramovich, sabe-se que o russo fez fortuna por ter uma posição privilegiada na privatização das empresas estatais de seu país. Abramovich lucrou num processo que evidentemente não foi conduzido de maneira exemplar. Se o dinheiro dele é limpo? Não sei. O dinheiro que KJ trouxe para o Corinthians era de origem desconhecida. E quando se confirmou a presença de Boris Berezovski entre os “investidores” da MSI, a coisa ficou ainda mais suspeita, porque Berezovski (que já foi sócio e hoje é inimigo de Abramovich) tem problemas com a Justiça da Rússia. A questão é que, naquele país (e em muitos outros), ter ou não ter problemas com a Justiça depende de ser ou não ser próximo do poder. Na Inglaterra, RA é considerado um homem de negócios. Os questionamentos existem no âmbito esportivo, o que, no mínimo, fez o Chelsea ser visto como um clube arrogante. ****** Marcos escreve: Queria fazer uma pergunta técnica: vale paradinha no pênalti? Eu vi o Alex Mineiro do palmeiras dando uma escandalosa paradinha e o árbitro não marcou nada. Até onde eu me lembrava, isso não era permitido. Resposta: Houve um tempo em que não era, mesmo. Mas a paradinha, hoje, é legal. Alex Mineiro a aplica muito bem, Roger cobrou um pênalti com ela na semana passada, e até Cristiano Ronaldo tentou uma na final da UCL. Mas Cech não caiu e pegou o pênalti. ****** Rodrigo escreve: Há algum tempo já tinha passado pela minha cabeça a idéia de um técnico estrangeiro na Seleção Brasileira. O que você acha? Sei que há bons nomes por aqui, mas pra quem pôs o Dunga, que não tinha qualquer experiência, será que um nome de fora com experência não podia fazer um bom trabalho por aqui? Resposta: Claro que um técnico estrangeiro, bom, teria todas as condições de se dar bem na Seleção Brasileira. Mas eu acho que seria um desrespeito com treinadores brasileiros, que estão plenamente à altura da tarefa. Esse tipo de medida se justifica quando não existe oferta de bons profissionais no país. Não acho que seja o caso do Brasil. ****** André Luís escreve: Alguma vez, na Taça Libertadores da América, já houve algum atleta campeão como jogador, e depois como treinador? Ou Renato Gaúcho poderá se tornar o primeiro a conseguir esse feito? Resposta: Renato será o primeiro brasileiro a conseguir o feito, se o Fluminense ganhar. Três pessoas conquistaram a Libertadores jogando e comandando: o argentino Nery Pumpido (goleiro do River Plate em 86, e técnico do Olímpia, em 2002), seu compatriota Humberto Maschio (jogador do Racing em 67, técnico do Independiente, em 73) e o uruguaio Luis Cubilla (jogador do Peñarol em 60 e 61, do Nacional, em 71, e técnico do Olímpia em 79 e 90). ****** Obrigado pelas mensagens, e até o próximo sábado. (e-mails para a Caixa-Postal do blog: akfouri@lancenet.com.br, o clique no link do lado direito da página) “Eu falo. Você não fala. Seu trabalho é apenas ficar sentado e parecer inocente.” Marty Vail, em “As Duas Faces de um Crime”

BOM DIA, VASCO!

sábado, 28 de junho de 2008

Tocou o despertador mais esperado da história do Club de Regatas Vasco da Gama. Na forma da vitória de Roberto Dinamite, por 141 votos a 104, na eleição para presidente do clube, que entrou pela madrugada de hoje. Acabou o tenebroso pesadelo de longos anos, chamado Eurico Miranda. Assim como Mustafá Contursi, no Palmeiras; e Alberto Dualib, no Corinthians, Miranda está condenado a viver no passado. Seu reinado acabou com uma eleição limpa, e um bate-boca histórico. Estrebuchando, o cartolão perguntou a Dinamite: “Quem é você para falar do Vasco?” Roberto é, apenas, o maior artilheiro da história do Vasco da Gama, com 708 gols. Eurico é, apenas, um ex-presidente que não deixará saudades. Para ilustrar este post, o blog agradece e publica o e-mail que chegou às 02h58 deste sábado, certamente acompanhado de forte dose de emoção. Ele foi enviado por um cara que é mais do que um frequentador deste espaço. Como não pude pedir sua autorização para publicá-lo, o chamarei apenas de “Vascaíno”: “Ah, meu caro André, como pulsa a Cruz de Malta que carrego no peito!!!!! Como pulsa, como vibra, como balança. Na madrugada fria de São Paulo, em silêncio para não acordar a pequena, minha vontade é de colocar o Hino para tocar em altíssimo e bom som. Vontade de mostrar ao mundo como é bom poder voltar a ter orgulho do meu time. Poder, definitivamente, sepultar o aposto que fui obrigado a falar durante anos quando me perguntavam meu time: “Sou Vasco, mas sou contra o Eurico”. A partir de hoje, posso dizer pura e simplesmente que sou Vasco. Como é bom voltar a ter orgulho das minhas camisas. Como é bom saber que nunca mais vou ter conflito na hora de torcer pelo meu time. Como é bom saber que vou poder ensinar minha filha a ser Vasco, pelo simples fato de que ser Vasco é bom. Não vou ter que explicar para ela que o pseudo presidente do clube não representa a família vascaína. Gostaria somente de render uma homenagem. Aos fundadores do MUV, que em 12 anos tornou esta vitória possível. Alguns homens comuns, os “regular joes”, como falam os americanos. Sem dinheiro, sem contatos na imprensa, sem nada. Só unidos pela justiça, pela moral, democracia e amor a este clube tão maltratado. Este movimento que hoje destrona a ditadura nasceu nas sociais de São Januário, sem dinheiro, sem apoio, sem nada. Somente com coragem. Dentre eles, meu velho pai, neste momento pegando uma carona para ir até em casa, saindo na madrugada da Lagoa até a Barra, sozinho, com frio, sem jantar, a voz cansada e embargada ao telefone. Obrigado, pai, por tudo. Obrigado por ter me feito honesto, por ter me feito digno. Obrigado por ter me feito vascaíno.” Bom dia, vascaínos.

DOIS LEMBRETES

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Em ordem de importância: A ESPN Brasil apresenta amanhã, sábado, o especial “A Copa do Mundo é Nossa”, sobre o primeiro título mundial da Seleção Brasileira. Se você está bêbado desde o reveillón, ou foi abduzido por alienígenas, a conquista está comemorando 50 anos. Talvez você tenha visto os programetes de três minutos que estão girando nos telejornais da emissora, como aperitivos para o especial. Eles já dão uma idéia do nível de material que será exibido amanhã, com duas reprises no domingo. Helvídio Mattos assina mais uma aula de reportagem para nós, que trabalhamos com ele. E mais um especial que você não se arrependerá de ver. Inédito: amanhã, 21 horas. Reprises: domingo, 14 e 22 horas. Na ESPN Brasil. O outro lembrete é, como prometido na semana passada, sobre a entrevista que fiz com Pete Sampras. Ela irá ao ar hoje, sexta-feira, às 21h45. Com reprises no domingo, às 19:40; e na segunda-feira, às 14 horas. Como diz um amigo meu, se você não estiver fazendo nada, veja e depois passe aqui para dizer o que achou. No sábado, a entrevista (de 15 minutos) já estará disponível na internet, pelo ESPN 360.

A NOVA ESPANHA

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Quem diria… Contra a Rússia, a unica coisa que amarelou na Seleção Espanhola foi a camisa, mostarda. Nem mesmo a perda do artilheiro David Villa, no primeiro tempo, complicou as coisas. Depois do intervalo, a Espanha (3 x 0: Xavi, Guiza e Silva – 51.428 no Ernst Happel) tratou os russos como se eles não fossem um time à altura de uma semifinal européia. O diário Marca, principal jornal esportivo do país, estampou na primeira página de hoje: “Somos Los Mejores!” No último dia 6, data da estréia da Espanha na Euro 2008, o jornal dizia, também na capa: “Deslumbramos o mundo na ciência, na economia, na gastronomia, nas artes, no tênis, no ciclismo, no basquete, no motociclismo, na Fórmula 1… e agora também queremos ser os melhores no futebol” Bem, eles agora terão a chance. O problema é o adversário, três vezes campeão da Europa. Que seja um jogaço.

NOTINHAS PÓS-RODADAS

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Começando pelo apagão tricolor em Quito: * O (espetacular) gol de falta de Conca, dez minutos depois de a LDU fazer 1 x 0, pareceu mais uma confirmação de que o Fluminense está predestinado a ser campeão da América. * O time que eliminou o São Paulo nos acréscimos… que empatou o jogo com o Boca cinco minutos depois de levar o primeiro gol… * Mas foi só impressão. O Fluminense não fez, em toda a Libertadores, um tempo tão ruim quanto o primeiro de ontem. * E a LDU (4 x 2: Bieler, Conca, Guerrón, Jairo Campos, Urrutia e Thiago Neves – 45.000 mil pagantes no Casa Blanca), que é só a LDU, transformou-se num time irresistível. Tipo um Boca equatoriano. * Poderia ser pior (FH e o travessão impediram o quinto gol, no final), mas deveria ser melhor. * A história da Libertadores mostra que o Fluminense dificilmente se recuperará da pane: em 49 Copas, só um time perdeu o primeiro jogo por 2 gols de vantagem e foi campeão. * Nacional de Medellín, 1989. * Mas o Maracanã já viu o Fluminense fazer coisas incríveis neste ano. Quem sabe, não verá mais uma? * Um alento: como o gol do visitante não pesa na final, a preocupação será ganhar o jogo por, no mínimo, dois gols. O placar não importa, um problema a menos. * De Quito para a Basiléia… * Às vezes, infelizmente, um jogo de futebol não “entrega” tudo aquilo que se espera dele. * Certamente não foi o caso de Alemanha x Turquia, semifinal da Euro 2008. * Tudo o que se imaginava, aconteceu na vitória dos alemães (3 x 2: Boral, Schweinsteiger, Klose, Senturk e Lahm – 38.374 pagantes no St. Jakob-Park), conquistada aos 45 minutos do segundo tempo. * Um jogaço, que só teve uma falha (do ponto de vista não-alemão, claro): merecia uma prorrogação. * E que categoria de Schweinsteiger, no toque para empatar o jogo… * Uma das lembranças mais legais que tenho da Copa de 2006 é da semifinal entre Alemanha e Itália, em Dortmund. A torcida aplaudiu quando Klinsmann chamou Schweinsteiger no segundo tempo (acho que ele entrou no lugar de Borowski), e acompanhou com toda a força o locutor do estádio na hora da substituição, como acontece faz tempo na Europa. O locutor: “Bastian…”, e 65 mil alemães: “SCHWEINSTEIGER!!!!!!!”. * A Turquia não vai à final, mas será, para sempre, uma marca desta Euro. * E da Basiléia para Ribeirão Preto… * Onde o Corinthians empatou (1 x 1: Pará e Chicão – 5.180 pagantes no Santa Cruz) a segunda seguida na Série B, com o Bragantino. * Só vi os gols.

NA TELA

quarta-feira, 25 de junho de 2008

A quarta-feira de futebol começa com um jogo que é mais do que um jogo. Como já disse antes, não gosto muito de ver o futebol se misturar com outros assuntos. Mas fingir que nada acontece seria cegueira voluntária, o que é pior. Alemanha x Turquia (St. Jakob-Park, Basiléia, 15h45 – SporTV e Record), semifinal da Euro 2008, é um encontro que ultrapassa as fronteiras esportivas. Para ilustrar, o blog agradece e publica o e-mail enviado pelo blogonauta Edney Vieira: “André, Como já te disse em e-mail anterior, moro na Turquia há cerca de um ano e meio. E quem vive aqui conhece exatamente a essência do que se vê nos campos do Euro 2008. Se você visse o “tom” das propagandas que são inseridas continuamente na programação da TV, entenderia perfeitamente o que quero dizer. Eles encaram essas partidas como autênticas batalhas e sentem na pele o dever de mostrar ao mundo a tenacidade do povo turco… e aqui também basta uma pesquisa rápida sobre a história deste país a partir da Primeira Grande Guerra e a fundação da República da Turquia, que tudo fica absolutamente claro. Eles podem até perder da Alemanha (como até é provável), mas vão vender caro… muito caro ! Até porque esse jogo vai muuuuuito além das quatro linhas. Grande abraço, Edney Vieira” Não há colônia estrangeira maior, na Alemanha, do que os 2,4 milhões de turcos. Não há tantos turcos, fora de seu país, em nenhum outro lugar do mundo. Some isso ao fato de que a Seleção Turca tem feito uma campanha desaconselhável para cardíacos, com gols nos últimos segundos, e que a Alemanha é obviamente um time superior, e você terá o cenário completo para um jogo épico. Para aumentar o drama, o técnico Fatih Terim só tem 13 jogadores (dois são goleiros) à sua disposição. São 10 desfalques, entre machucados e suspensos. O terceiro goleiro Tolga Zengin pode aparecer na linha, dependendo da necessidade. É roteiro de filme. Mais tarde, o Fluminense (Estádio Casa Blanca, Quito, 21h50 – Globo, menos SP, e SporTV) faz o primeiro dos dois jogos mais importantes de seus 106 anos de história, contra a LDU, pela final da Copa Libertadores. O estádio é conhecido, o adversário também (pela fase de grupos: 0 x 0 em Quito e 1 x 0 no Maracanã), assim como os efeitos da altitude de 2.800m na velocidade da bola, de modo que não há motivo para surpresas. O Fluminense tem mais time e mais qualidade. É preciso apenas lembrar que, na decisão da Libertadores, gols marcados pelo visitante não servem para o desempate. O que decide é o saldo de gols após os dois jogos. Em caso de empate no saldo, prorrogação e pênaltis. Concordo com quem acha que o intervalo entre as semifinais e a decisão brecou o embalo do Fluminense, após eliminar São Paulo e Boca Juniors. Que o time consiga reencontrar aquele espírito, em Quito. ATUALIZAÇÃO, 11h57 – Faltou dizer, em nome da informação correta (e sem juízo de importância do evento) que a TV Globo oferece a seus telespectadores paulistas, no mesmo horário da final da Libertadores, o jogo Bragantino x Corinthians. Pela Série B do Campeonato Brasileiro.

DOZE HOMENS E UMA MISSÃO

terça-feira, 24 de junho de 2008

Kobe Bryant (Los Angeles Lakers) LeBron James (Cleveland Cavaliers) Dwyane Wade (Miami Heat) Carmelo Anthony (Denver Nuggets) Jason Kidd (Dallas Mavericks) Tayshaun Prince (Detroit Pistons) Carlos Boozer (Utah Jazz) Chris Bosh (Toronto Raptors) Dwight Howard (Orlando Magic) Chris Paul (New Orleans Hornets) Michael Redd (Milwaukee Bucks) Deron Williams (Utah Jazz) Na semana passada, alguém perguntou sobre a Seleção Americana de basquete que vai aos Jogos de Pequim. Está aí em cima, anunciada ontem em Chicago. São 12 caras numa missão: fazer com que a seleção dos Estados Unidos volte a ser respeitada pelo que eles chamam de “basquete internacional”. Os americanos chegaram a Atenas, em 2004, com um retrospecto de 109-2 em Olimpíadas. Levaram uma surra de Porto Rico, e ainda perderam para Lituânia e Argentina. O time de Atenas tinha Wade, Anthony, James e Tim Duncan. Mas não era um time. Não sabia o que encontraria na Grécia, pois não estava muito preocupado. Falou muito e treinou pouco. Dois anos depois, no Mundial do Japão, mais humilhação: derrota na semifinal para a Grécia, e terceiro lugar. O time do Mundial também tinha Wade, Anthony, James, além de Bosh e Paul. Mas também não era um time. Não se preparou pelo tempo necessário, foi surpreendido pela diferença de tamanho e pela própria incapacidade de jogar atrás no placar. O técnico era Mike Krzyzewski, que comanda o programa de basquete da Universidade de Duke desde 1980. Antes de ir ao Japão, Krzyzewski (pronucia-se “Sha-shef-ski”) liderou um processo de seleção de jogadores, no qual exigiu deles um compromisso de três anos, que expira no avião que trará o time de volta da China. Quem manifestou satisfação com o fato de já ter disputado as Olimpíadas (Kevin Garnett, Tim Duncan), ficou de fora. Quem se mostrou preocupado com o impacto do compromisso no descanso, e até nas finanças (Amare Stoudamire), também. No ano passado, os Estados Unidos garantiram a vaga em Pequim ao vencer o torneio qualificatório realizado em Las Vegas, com uma campanha de 7 vitórias em 7 jogos. Oito jogadores que irão à Olimpíada estavam no time, e seis estiveram no Mundial do Japão. “Já somos um time”, disse Krzyzewski, “temos continuidade, o que não tivemos no passado, e temos um relacionamento, também´, completou. Nada disso garante aos americanos a medalha de ouro que conquistaram pela última vez em Sydney 2000, com alguns sustos. Mas garante ao mundo um torneio olímpico de basquete com todos os times no mesmo nível de preparação e interesse. Não dá para perder nenhum jogo.