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CAMISA 12

por André Kfouri em 18.abr.2014 às 8:04h

(publicada ontem, no Lance!)

ERRO FINAL

Romualdo Arppi Filho, segundo árbitro brasileiro a apitar em uma decisão de Copa do Mundo, tinha uma maneira particular de dirigir jogos quando se aproximavam do final. Especialmente os que estavam empatados. “Em jogo zero a zero, comigo, a partir dos 30 minutos do segundo tempo, só valia golaço”, costuma dizer. O que significa que, para mudar o placar àquela altura, um jogador teria de fazer uma pintura de gol, pois o jogo seria conduzido pela arbitragem de forma a não correr risco.

Risco de quê? De um gol irregular, decisivo, no fim. De ser responsabilizado pelo resultado. Árbitros têm pavor desse peso, incômodo que perdura por dias e prejudica carreiras. “É para evitar esse tipo de coisa que árbitros oram, acendem velas, ajoelham-se no vestiário”, conta um ex-árbitro brasileiro que tratava os minutos finais de suas atuações como um piloto de Fórmula 1 na última volta de uma corrida. Máximo cuidado, nada pode dar errado.

Para ele, não há erro mais grave do que o cometido pelo trio de arbitragem na decisão do Campeonato Carioca. “Não tem explicação ou defesa, e o jogo não tem salvação”, diz. Nem o jogo e nem o campeonato, decidido por um gol em impedimento, nos acréscimos do segundo tempo. Fim da história.

A FIFA avalia arbitragens com notas de zero a dez. Determina que, se houver interferência no placar, o árbitro – ou assistente – não pode receber nota superior a sete. O mesmo critério é adotado pela Conmebol e pela CBF. É por isso que há árbitros que “gostam” de marcar pênaltis para o time que está vencendo. O jogo se resolve e ninguém reclama.

Também é por isso que, em partidas que se encaminham para decisões por pênaltis, árbitros apressados soam o apito final antes que os acréscimos se encerrem. Aconteceu no mesmo domingo, no Pacaembu, em Santos x Ituano. “Medida de segurança”, explica o ex-árbitro. “E se sai um gol de mão?”.

POBRE BRASILEIRÃO

Como já se escreveu aqui, a CBF e o STJD merecem o suspense em relação ao Campeonato Brasileiro de 2014. O futebol do tapetão, dos tribunais e das liminares é um produto, entre outros dramas, da falta de zelo com a principal competição do futebol do país. E é trágico que o continuísmo prevaleça na eleição na confederação, com a colaboração dos clubes.

MELHOR ASSIM

O Atlético Mineiro se livrou de Nicolas Anelka. Independentemente de quem tem razão nas versões sobre a contratação anunciada que não se concretizou, o time estará melhor sem o francês. Anelka não é o tipo de jogador cujo talento, no pós-auge, é suficiente para causar impacto nos campeonatos daqui. E ele provavelmente chegaria pensando que é.

POST CONVIDADO

por André Kfouri em 16.abr.2014 às 12:10h

O blog publica abaixo uma mensagem enviada pelo “vascaíno”, que já colaborou várias vezes com o espaço e com os debates propostos aqui.

De fato, como se verá, é bem mais do que uma mensagem. É uma opinião bem fundamentada sobre o “roubado é mais gostoso”, tema revitalizado pela declaração do goleiro Felipe.

______

Prezado André,

“A média dos estudantes brasileiros do curso secundário precisa ser mais ou menos reeducada com respeito a hábitos de trabalho e mesmo, em alguns casos, a hábitos de honestidade. A maioria dos rapazes brasileiros que completam o curso secundário nunca foi instruída sobre como estudar nem educada para arcar com as responsabilidades de um programa normal de estudos. A maior parte deles não sabe tirar proveito de uma biblioteca, ou fazer consultas, ou aproveitar um professor durante uma conferência particular. Muitos estudantes de cursos secundários também lucrariam consideravelmente em um ambiente escolar de perfeita honestidade e integridade, o qual, infelizmente, nem sempre existe nas escolas secundárias, mas que será um fato no Instituto Tecnológico da Aeronáutica.”

“O linguajar cauteloso de Smith, ao falar de “ambiente escolar de honestidade”, não deixava dúvidas de que ele se referia a uma praga presente em dez entre dez escolas brasileiras: a cola. Se entre nós costumava ser vista até como uma virtude, uma esperteza, no ITA a cola era imperdoável.”

O texto acima foi extraído do magistral “Montenegro”, de Fernando Morais (Editora Planeta do Brasil, ISBN8576652277).

Trata de uma carta, escrita em 1947, pelo professor Richard Herbert Smith, ex-chefe do Departamento de Engenharia Aeronáutica do MIT, contratado e trazido ao Brasil em 1945 para trabalhar na construção do ITA – Instituto Tecnológico da Aeronáutica – um dos maiores centros de excelência em educação e conhecimento do Brasil.

E nela, o professor Smith, apesar do pouco tempo de Brasil, como comenta Fernando Morais, usa um “linguajar cauteloso” para tocar fundo em um ponto relevante da “alma” do aluno brasileiro que se matriculava no ITA.

Vejo muito disso na discussão sobre o gol do Flamengo, principalmente nos comentários ao seu post de segunda feira.

Eu já “ganhei” jogos com gols nos últimos minutos, já “perdi” jogos com gols nos últimos minutos. Futebol, como me ensinou meu velho pai, tem três resultados possíveis: ganha-se, perde-se, empata-se. E aí, convive-se com aquilo que se apresenta em campo.

Tenho PROFUNDO respeito pelo Flamengo. É um adversário, grandíssimo, fortíssimo, o tipo de adversário que faz as nossas conquistas serem maiores.  Já “ganhei” jogos lindos contra o Flamengo, já “perdi” jogos horríveis para o Flamengo – naturalmente, imagino que os torcedores do Flamento pensem nestas situações e tenham sentimentos exatamente opostos aos meus.

Perder dói sim. Mas está longe, muito longe, de ser o tema mais importante desta conversa.

Creio que sejam dois temas relevantes:

 

  • “roubado é mais gostoso”, dito pelo goleiro do Flamengo, sucessor de um condenado por assassinato (aquele, do “quem nunca bateu em mulher?”).
  • O uso insistente e sistemático de argumentos para “relativizar” o erro da arbitragem.

 

Àqueles rubro-negros que “relativizam” o erro cometido no gol, relativizem também a sua revolta, quando forem assaltados na rua. Afinal, “o assaltante não teve oportunidades na vida, não teve educação e não tem chance de ser nada – só lhe resta fazer isso”. E, convenhamos, “o que é roubado é mais gostoso”.

Àqueles rubro-negros que “relativizam” o erro cometido no gol, relativizem também a absoluta falta de preparo e os danos causados por policiais corruptos, que, afinal de contas “ganham um salário de m… para correr atrás de vagabundo e têm mais é que levar alguma vantagem mesmo”.

Àqueles rubro-negros que “relativizam” o erro cometido no gol, relativizem também que a corrupção dos Detrans pelo Brasil ocorre devido aos baixos salários recebidos pelos seus servidores. E, quando perderem um pai, a esposa ou um filho em um acidente de trânsito provocado por alguém que comprou sua carteira de motorista, aplaquem sua revolta, afinal de contas, “quem nunca ‘quebrou um lance’ para acelerar uma renovação de carteira”?

Para fechar, fiz um pouco de pesquisa e gostaria de compartilhar 3 estatísticas:

a) Ranking de Países por Produto Inteno Bruto (fonte: ONU)

photo 1

 

b) Ranking de Países por Índice de Qualidade de Vida (fonte: The Economist)

photo 2

 

c) Ranking de Países por Índice de Percepção de Corrupção (fonte: Transparência Internacional) (NOTA: nesta tabela, a nota 100 é o máximo de percepção de limpeza, enquanto a nota 0 é o máximo de percepção de corrupção.)

photo 3

 

Portanto, você, meu caro amigo rubro-negro, que está comemorando porque “ganhar roubado é mais gostoso”, ou que está “relativizando” o erro para justificar o injustificável, pense no seu papel diante do seu país, que é o 7° (sétimo) em produto interno bruto, o 39° (trigésimo-nono) em qualidade de vida e o 72° (septuagésimo-segundo) no ranking de “limpeza/corrupção”.

E pense em que tipo de influência a nossa colocação em corrupção não tem sobre a nossa qualidade de vida, apesar do enorme potencial do nosso PIB.

Faz muito tempo que não choro por causa de futebol.

Cheguei em casa na segunda feira de manhã cedo, depois de passar a noite viajando e vi minha mulher sentada em minha cama, amamentando nosso filho mais novo, enquanto a nossa filha mais velha dormia ao seu lado.

E ali, no micro-cosmo daquela casa, daquele quarto, daquela cama, não se ganha roubado.

Um forte abraço.

COLUNA DA TERÇA

por André Kfouri em 15.abr.2014 às 8:10h

(publicada ontem, no Lance!)

PARABÉNS

1 – O fato de não ser um time caracterizado pela elaboração de jogadas, combinado com o regulamento do torneio, determinou como o Flamengo se comportaria no segundo jogo da decisão carioca: à espera do Vasco e de sua necessidade de mexer no placar, programado para o contragolpe que certamente se ofereceria.

2 – O Vasco não recusou seu papel no roteiro. Adiantou-se para ocupar o espaço cedido pelo adversário, sabedor da armadilha que o acompanhava. Um risco que não só não poderia ser evitado, como deveria ser aceito com coragem. Trabalhar para abrir o campo e superar a barreira que se formou à frente da área de Felipe era a única opção. A posse de bola acima de 70% para o Vasco ajuda a entender a dinâmica do jogo.

3 – Apesar das maneiras distintas de atuar, os dois times coincidiram em relação à forma de finalizar no primeiro tempo. Tanto o Vasco, com ataque posicionado, quanto o Flamengo, no contra-ataque, abusaram dos chutes de fora da área. Nenhum ofereceu perigo.

4 – A comparação estética entre os técnicos após a primeira metade do clássico desenhou um retrato fiel do que se viu em campo. Adílson Batista, encharcado, representou o esforço do time que mais trabalhou. Jayme de Almeida, seco como subiu do vestiário, era a imagem da equipe à espreita de uma ocasião.

5 – Em vinte minutos da segunda parte, a única alteração na decisão foi provocada pelas expulsões de Chicão e André Rocha. Mesmo com dez de cada lado, o Vasco continuou propondo e o Flamengo, respondendo. Dois times entretidos em uma conversa que só seria modificada por um gol.

6 – Gol que saiu aos 30 minutos, produto de uma falta – indiscutível – de Erazo em Pedro Ken dentro da área. O gol de Douglas deixou o Vasco a um passo do título e com uma decisão a tomar: seguir com a bola ou entregar ao Flamengo a obrigação de construir o resultado. A inversão de papéis seria estranha aos dois times, mas mais perigosa para os vascaínos.

7 – Mesmo quando o placar interessa, torcer para não sofrer um gol é mais angustiante do que torcer para marcar um. O contingente vascaíno do Maracanã lidava com a tensão que faz o tempo se arrastar, enquanto via o time se proteger da inevitável blitz rubro-negra.

8 – Só há uma coisa mais trágica do que levar um gol decisivo quando não resta mais tempo de reagir: levar um gol decisivo, irregular, quando não resta mais tempo de reagir. Márcio Araújo estava adiantado, com distância tal que o assistente não pode ser inocentado, no momento em que Wallace cabeceou a bola. Registre-se o pecado vascaíno de permitir o cabeceio de um jogador na área, sem marcação. Registre-se o peso da arbitragem na decisão do título.

9 – Para aqueles que entendem que o futebol seria prejudicado pelo auxílio eletrônico ao apito, um – mais um – o sabor de um campeonato decidido por um gol ilegal deve ser insuportável. Que consigam digeri-lo sem ânsia ou azia.

10 – Parabéns ao Flamengo, e a quem é Flamengo, pelo trigésimo-terceiro título estadual.

GRANDE ITUANO

Haveria um momento em que o Ituano, após surpreender tanto e tantos, se entregaria à própria realidade e sucumbiria ao Santos, certo? Errado, muito errado. Tal momento não aconteceu nem mesmo durante o segundo tempo da decisão no Pacaembu, quando o Santos perseguia o gol que lhe daria o troféu no tempo normal. Chances para os dois lados, prova de um jogo equilibrado em que qualquer resultado seria justo. Nos pênaltis, outra ocasião em que o pequeno se apequenaria, o Ituano se negou a ir embora mais uma vez. A cidade de Itu não esquecerá o Campeonato Paulista de 2014, em que seu time superou três grandes, derrubou dois e levantou a taça. O santista também se lembrará – não lhe será permitido esquecer – deste torneio, e seu único consolo será repetir que os rivais ficaram pelo caminho. Mas o demérito dos outros não suaviza o seu.

O ERRO QUE DECIDE

por André Kfouri em 14.abr.2014 às 11:26h

O sujeito carente de princípios e/ou vergonha encontra uma justificativa para tudo.

No futebol, um dos campos mais férteis para a desfaçatez, a habilidade para relativizar situações é disseminada até por declarações como a do goleiro rubro-negro Felipe, que recorreu ao infame “roubado é mais gostoso” após o clássico deste domingo.

O jogo e o campeonato foram decididos por um gol ilegal, marcado aos 46 minutos do segundo tempo.

Ninguém que conhece as regras do jogo de futebol é capaz de contestar que Márcio Araújo estava impedido no lance, ou mesmo absolver o assistente que não marcou a clara posição irregular do jogador do Flamengo.

Não se trata de um “lance complicado”.

Mas há quem queira discutir o indiscutível, apelando a argumentos infantis como, por exemplo, a possível ocorrência de erros da arbitragem no primeiro jogo da decisão carioca.

Analisados individualmente e afastados do contexto em que se deram, equívocos do apito podem parecer semelhantes. Mas quando se observa quando e como eles aconteceram, a distância pode ser brutal.

Compreende-se que aqueles que relativizam a maneira como o campeonato chegou ao final pretendam ignorar o contexto. Além de entenderem, por conta própria, o erro a favor de seu time como uma acusação, e não como uma observação que não pode deixar de ser feita, querem anular o peso da falha gravíssima cometida no lance em questão apontando outras, em outros momentos, que beneficiaram outros.

Não deveria ser tão complicado entender que um gol ilegal, aos 46 minutos do segundo tempo, que altera o significado do placar do último jogo do campeonato, tem consequências muito mais importantes do que um lance idêntico em outras circunstâncias.

Tomemos como exemplo a decisão em São Paulo, entre Santos e Ituano.

A arbitragem errou (não se discutem aqui as diferenças e a dificuldade do lance, a ideia não é essa) ao marcar um pênalti para o Santos, aos 43 minutos do primeiro tempo. Cícero voltava de posição de impedimento quando disputou a bola e foi derrubado na área. O pênalti deu origem ao gol santista.

É indesejável que um erro como esse, que resulta em um gol, aconteça em uma final de campeonato. É uma ocorrência séria. Mas o Ituano, time que foi prejudicado, teve chance de se recuperar porque ainda havia pelo menos metade do jogo a disputar.

O jogo e o campeonato também tiveram chance de se recuperar.

Se o equívoco tivesse acontecido aos 43 minutos do segundo tempo, as chances seriam mínimas. Teria sido um erro decisivo, como se deu no Maracanã.

É inadmissível que o campeão e o vice-campeão de um torneio sejam definidos assim.

Em minha coluna no Lance! de hoje (o texto estará aqui amanhã), lembrei de quem é contra o auxílio eletrônico à arbitragem. Dias como hoje impõem o tema:

“Para aqueles que entendem que o futebol seria prejudicado pelo auxílio eletrônico ao apito, um – mais um – o sabor de um campeonato decidido por um gol ilegal deve ser insuportável. Que consigam digeri-lo sem ânsia ou azia.”

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Um recado a você, rubro-negro que acha que o blog “persegue seu time”, “não respeita a instituição” ou bobagens parecidas: este texto aqui também fui eu que escrevi.

COLUNA DOMINICAL

por André Kfouri em 13.abr.2014 às 11:20h

(publicada ontem, no Lance!)

FINAL

A pré-temporada nos principais centros do futebol brasileiro se encerra neste domingo, com decisões de torneios cuja relevância está restrita à rivalidade entre clubes. O que está em jogo, incluindo a prataria que será entregue ao final, tem menor valor do que o sabor de derrotar o adversário da vizinhança. De fato, o alívio de não perder para um rival tradicional é, em muitos casos, até maior do que a alegria que uma vitória pode provocar.

Os campeonatos estaduais são geradores de problemas. Atrapalham os clubes envolvidos com a Copa Libertadores, interrompem trabalhos que mal começaram, iludem os inocentes quanto à verdadeira exigência da temporada. Há muito deveriam ter sido reduzidos, adequados à devida importância e, principalmente, às diferentes necessidades de seus participantes.

No Rio de Janeiro, em Minas Gerais e no Rio Grande do Sul, o título será disputado sem a presença de intrusos de menor orçamento. Missão cumprida para os dois grandes mineiros e gaúchos, ainda que saibam que terão de administrar a mini crise que virá junto com uma derrota amanhã. No Rio, os dois clubes que não alcançaram a decisão demitiram seus técnicos. O estadual cobra seu preço, em termos de percepção, mesmo para quem opta por deixá-lo de lado, como fez o Botafogo.

O título terá certa valia para o Vasco, por causa do desagradável passar do tempo sem poder comemorá-lo. Mas o que interessa ao vascaíno é que 2014 termine com seu time devolvido à Série A do futebol brasileiro. Se não acontecer, ter sido campeão carioca não servirá de consolo. Enquanto Adílson Batista sabe que seguirá no comando do Vasco com qualquer resultado, quem pode assegurar o mesmo em relação a Jayme de Almeida?

Em São Paulo, a aparição do Ituano nos últimos dois fins de semana do torneio deixou o Santos na situação em que não perder é muito mais significativo do que ganhar. Haverá tímida celebração em caso de uma conquista santista, em contraste com dias incômodos se o time do interior – absolutamente merecedor do momento, frise-se – chocar o Pacaembu uma vez mais. Três meses dentro da temporada, exige-se do Santos ritmo de alta competição para cumprir uma obrigação.

Um clube pequeno na decisão do campeonato serve, ao menos, para silenciar as cansativas argumentações de que os árbitros são orientados a sacrificar quem surgir no caminho “dos grandes”. Não faltou muito para que o próprio Santos fosse eliminado pelo Pelaponense, na Vila, sem interferência da arbitragem na virada que conseguiu ao final. O Ituano não teve de vencer o apito para chegar ao jogo decisivo. Poderíamos estar diante de uma finalíssima do interior.

Independentemente das circunstâncias, o domingo das finais é bem vindo por ser o último. O último de uma fase do calendário que deveria preparar times para o que define a temporada. Vencedores e vencidos terão um sentimento em comum no começo da noite de amanhã: a satisfação pelo término dos estaduais.

SEM GÁS

Adriano marcou o primeiro – que também foi o último – gol pelo Atlético Paranaense, na derrota para o Strongest que eliminou o time brasileiro da Copa Libertadores. Nos últimos vinte minutos do jogo em La Paz, era evidente que Adriano não tinha condições físicas para contribuir. O Atlético investiu em bolas levantadas na área, Adriano pouco saiu do chão. Não é razoável cobrar a forma física de um jogador como ele, especialmente na altitude. Por isso teria sido melhor escalá-lo no final do jogo, não no começo.

SEMIFINAIS

O Bayern de Munique é favorito contra o Real Madrid, nas semifinais da Liga dos Campeões da Uefa. Quanto a Atlético de Madrid x Chelsea, não há como dividir forças. Os ingleses têm mais valores individuais, os espanhóis são exuberantes coletivamente. Se o Atlético passar, será um perigo na final em jogo único.

CAMISA 12

por André Kfouri em 11.abr.2014 às 7:18h

(publicada ontem, no Lance!)

ÉRAMOS SEIS

A noite de quarta-feira começou no mesmo tom da anterior: um time brasileiro, rubro-negro, exibindo futebol insuficiente para seguir disputando a Copa Libertadores. Assim como o Atlético Paranaense, o Flamengo foi superado pelo adversário em um jogo de vida ou morte. Mas enquanto não se pode afirmar que o The Strongest seja melhor do que o Atlético, o León é, sim, mais time do que o Flamengo.

O Maracanã lotado viu um oponente que sobra tecnicamente e que só sabe jogar para a frente. O encontro com um Flamengo tenso, receoso, que falou em “ganhar de meio a zero” em sua própria casa, resultou em um placar merecido pelos mexicanos.

A eliminação do Flamengo serviu como lembrete de última hora para Cruzeiro e Botafogo, ambos senhores dos próprios destinos, mas atentos aos outros jogos de seus grupos. Situação mais delicada para o time carioca, em visita a um San Lorenzo competente e com possibilidades de classificação. Os mineiros, anfitriões de um Real Garcilaso sem chances e sem argumentos para entristecer o Mineirão. Obrigatório lembrar o que se deu na rodada anterior, quando o Cruzeiro viajou para conquistar três pontos e o Botafogo, no conforto do Maracanã, não somou nenhum.

A vida dos campeões brasileiros foi resolvida rapidamente. Diferença técnica evidente desde os segundos iniciais e diferença de gols, necessária para não se preocupar, estabelecida no primeiro tempo. O quadro botafoguense foi piorando gradativamente, afetado por dois gols cedidos – posse desperdiçada em ambos – aos argentinos. A atuação surpreendente do Independiente del Valle contra o Unión Española, no Chile, complicou ainda mais o cenário para os cariocas.

O jogo insano em Santiago (nove gols e três viradas) fez o San Lorenzo de marionete, mas não alterou a conta do Botafogo. Necessidade de pelo menos dois gols, capacidade para nenhum. A Argentina deve classificar seus cinco times. Metade dos brasileiros já foi.

ATUALIZAÇÃO: Após a rodada de quinta-feira, quatro dos cinco times argentinos se classificaram para as oitavas de final.

THE SIME ONE

O Atlético de Madrid reduziu o Barcelona a onze jogadores desconectados. Deixou o time que simboliza(va?) o jogo coletivo na dependência da mágica individual. Sem Costa, sem Turán, mas com mais organização e mais coração. Diego Simeone nos relembrou do que um time é capaz quando bem dirigido e comandado. O trabalho do técnico argentino é assombroso.

SORTEIO

O representante do futebol de posse nas semifinais do torneio europeu é quem melhor o interpreta: o Bayern de Pep Guardiola. O técnico catalão defende o sistema de manutenção da bola contra três adeptos do jogo direto: Real Madrid, Chelsea e Atlético de Madrid. Todos os confrontos são possíveis, e muito interessantes, no sorteio que acontecerá nesta sexta-feira.

OS OUTROS LINKS DA LIGA

por André Kfouri em 10.abr.2014 às 8:31h

“Independentemente do que acontecer (não há nada impossível no futebol, mas uma virada do Barcelona é o mais próximo do impossível), este Barcelona chegou ao fim em Munique.

Batido pelo tempo, pelas lesões, pelos erros cometidos na vida pós-Guardiola, pela seleção natural do futebol, finalmente oferecida por um majestoso e assustador Bayern.

É uma sentença de irrelevância no futuro próximo? Claro que não.

O elenco atual passará pela dolorosa reciclagem que é necessária para continuar a perseguir títulos, manterá sua espinha (com jogadores como Piqué, Busquets, Iniesta e, óbvio, Messi) e seu caminho.

Mas essa reconstrução impõe uma separação entre o que acompanhamos desde 2008 e o que veremos a partir do ano que vem.”

O trecho acima é parte de um post escrito em 23 de maio de 2013, noite em que o Bayern de Munique efetivamente encerrou o ciclo do Barcelona como melhor time do mundo.

Quase um ano depois, mais uma eliminação na Liga dos Campeões – e a primeira temporada sem aparecer entre os semifinalistas em sete edições – mostra que há trabalho a ser feito para recuperar o protagonismo na Europa.

O caminho escolhido para a reconstrução foi a contratação de mais um jogador capaz de desequilibrar partidas, alguém que pudesse dividir essa atribuição com Messi. Por ironia, a primeira temporada de Neymar ficará marcada, também, pelo escândalo que derrubou Sandro Rosell, pelo caos político e por problemas de vestiário relacionados à chegada do brasileiro.

E no jogo em que a “dupla ameaça” deveria despachar o Atlético de Madrid (1 x 0: Koke) , o Barcelona de Messi e Neymar não chegou nem perto disso.

Na verdade, o time que usou o uniforme do Barcelona no Vicente Calderón foi um fantasma do que deveria ser, sob o ponto de vista da ideia de jogo e da utilização de seus pontos mais fortes.

Muita posse (75%), pouca profundidade, nenhuma criação de superioridade no ataque. O time que simboliza(va?) o jogo coletivo dependeu da mágica individual que não aconteceu.

O resultado não retratou o que se viu em campo. O Atlético deveria ter vencido por uma diferença maior.

O fim da temporada europeia do Barcelona revela um quadro preocupante. Jogadores envelhecidos, lideranças se retirando, Messi descontente com o comando e um goleiro removido dos anos 80. Por cima de tudo, o clube está proibido pela FIFA de ir ao mercado.

Assombroso mérito do Atlético, liderado por Diego Simeone, “The Sime One”.

Sem Diego Costa, sem Arda Turán, mas com a impressionante consistência defensiva e a entrega que fazem times superarem qualquer dificuldade. Com a organização que evidencia a influência do treinador e a dedicação dos jogadores. Com o coração que leva quem tem pouco – em termos de recursos e alternativas, em relação aos adversários – a fazer muito.

Furiosa blitz nos primeiros minutos, um gol e três bolas na trave, que deixou o Barcelona trêmulo e preparou o ambiente no Calderón, onde Simeone conduz o time e a torcida. Onde a torcida joga com o time.

O Atlético pode não ser campeão de nada nesta temporada, mas já pode comemorar a conquista de nos relembrar que orçamento e status não garantem noites como a de ontem.

Em Munique, assim como na semana passada na Inglaterra, o Bayern (3 x 1: Evra, Mandzukic, Muller e Robben) precisou ser acordado pelo Manchester United. Saiu atrás e respondeu imediatamente.

O resultado agregado (4 x 2) não refletiu a distância técnica que existe atualmente entre os dois times, algo que os atuais campeões europeus precisam corrigir para alcançar um inédito bicampeonato da Liga dos Campeões.

Há momentos em que o Bayern parece em dificuldades para fazer sua superioridade aparecer no placar, como se precisasse da necessidade de ser mais ousado e assumir riscos. O futebol de posse, que dá aos times que o executam bem a sensação de controlar partidas, tem sua faceta perigosa.

Chelsea, Real Madrid, Atlético de Madrid e Bayern seguem no caminho para Lisboa. Todos os confrontos são possíveis no sorteio desta sexta-feira. Todas as possibilidades são interessantes nas semifinais.

Em nome da diversão, sempre, aqui estão os palpites do blog para a fase que se encerrou ontem. Três em quatro.

OS LINKS DA LIGA

por André Kfouri em 09.abr.2014 às 10:08h

O gol de Pastore, nos acréscimos do jogo em Paris, deu ao PSG um considerável conforto para a volta em Londres. O time francês poderia perder a segunda partida sem que isso significasse a eliminação.

Poucas situações são mais animadoras do que ter três resultados a seu lado em uma eliminatória direta.

Para times experimentados, que sabem o que querem e o que/como fazer para chegar lá, poder perder na casa do adversário é um acréscimo de tranquilidade e confiança.

Para times que ainda não alcançaram essa condição, a vantagem pode se tornar um fardo.

Foi o que aconteceu com o PSG.

O resultado parcial de 0 x 1 era um cenário provável em Stamford Bridge, pela necessidade de gols do Chelsea (2 x 0: Schurrle e Ba) e o ambiente favorável. Enquanto é verdade que não se pode controlar tudo o que acontece em campo, uma das obrigações do time francês era não presentear o Chelsea com um gol.

O verbo é apropriado para descrever o que se viu na área do PSG, após uma cobrança de lateral e uma casquinha de David Luiz. Schurrle foi apenas observado, como se não fosse uma ameaça.

O quadro fica mais grave para o time parisiense se lembrarmos que o gol saiu cerca de dez minutos depois de um momento difícil para o Chelsea: Hazard deixou o jogo por lesão.

Dezoito minutos, 0 x 0, o adversário perde seu principal jogador. O primeiro teste de amadurecimento do PSG se apresentou. Era a hora de se estabelecer em campo e informar ao adversário e ao público que ali estava um time pronto para vencer.

A questão é que não estava.

O PSG entrou em modo de proteção de sua classificação e quem se estabeleceu foi o Chelsea, equipe de jogadores vividos, dirigido por um técnico que sabe disputar vários jogos dentro de um jogo só.

O fato de Mourinho jamais ter sido derrotado em quartas de final de Liga dos Campeões diz o bastante.

O segundo teste de maturidade do time de Laurent Blanc veio após o intervalo. A configuração do segundo tempo estava evidente. Pressão do Chelsea, espaço para o PSG. Risco e oportunidade em doses generosas para os dois. Seria necessário ser ousado, firme, especialmente se o placar chegasse inalterado aos vinte minutos finais, quando o contraste entre a coragem e o medo decidiria o confronto.

O PSG fraquejou. Deu passos para trás ao olhar para o relógio, enquanto o Chelsea avançou e fingiu não se preocupar com o tempo.

Talvez o maior mérito dos ingleses tenha sido jogar com urgência sem revelá-la. Uma pressão controlada e constante, convicta de que o gol sairia. Coisa de quem já passou por isso.

O gol de Ba, produto da insistência, soou inevitável quando aconteceu.

O Chelsea mereceu se classificar tanto quanto o PSG merece ver as semifinais pela televisão.

Evidente que a ausência de Ibrahimovic foi dramática, mas não justifica a atuação receosa dos franceses.

Na Alemanha, o Real Madrid não deu apenas um presente ao Borussia Dortmund (2 x 0: Reus-2) , mas três.

Dí Maria perdeu um pênalti quando o jogo estava 0 x 0, pouco antes dos dois gols alemães serem criados pela defesa espanhola.

E de repente o Dortmund estava a um gol de levar o jogo para a prorrogação.

Mkhitaryan teve algumas, pelo menos três, chances de concretizar o improvável. Quando não errou o alvo, Casillas fez sua parte.

Atuação desequilibrada e preocupante do Real Madrid, mesmo levando em consideração que Cristiano Ronaldo não pôde jogar.

COLUNA DA TERÇA

por André Kfouri em 08.abr.2014 às 7:12h

(publicada ontem, no Lance!)

MAIS UM

1 – Em uma época em que é difícil distinguir times com base em características (parecem todos, ou quase, construídos sobre o mesmo chassi), o Vasco tem algo que não se encontra facilmente no mercado: personalidade. O time de Adílson foi para o Maracanã com a atitude que seu torcedor teria ao encontrar o rival em uma decisão de campeonato estadual após dez anos.

2 – A personalidade de um time de futebol está diretamente relacionada ao jogo que é capaz de produzir. Uma coisa não existe sem a outra. No caso do Vasco, foi uma questão de levar o clássico a ser disputado no campo do adversário, adiantando linhas e conservando a posse. O que diz muito a respeito da conexão entre Adílson Batista e seus jogadores. O jogo não é disputado por máquinas, por isso não pode ser explicado apenas por propostas táticas. A aplicação delas depende da atuação de seres humanos.

3 – O gol vascaíno – jogada de bola parada, geralmente desvalorizada por quem é vítima delas – fez absoluta justiça a um primeiro tempo em que só um time, de fato, jogou. O critério usado aqui é simples: em relação ao que pretendia, o Flamengo nada fez. Permitiu-se encaixotar pelo oponente, e não pode usar o argumento de que a ideia original era atrair o Vasco para seu território. Pois o objetivo desse plano é sair para aproveitar o espaço, o que não aconteceu.

4 – Após um quarto da decisão, o Vasco foi para o vestiário com a segunda melhor sensação que um time pode ter: a do controle de seu destino.

5 – Só uma mudança drástica nos dois times poderia alterar o rumo do jogo. Ela aconteceu quando Everton Costa se desentendeu com as regras, aos dez minutos. O segundo cartão amarelo encerrou seu dia e abriu uma porta para o Flamengo. Jayme de Almeida a manteve aberta ao trocar Frauches por Everton. Paulinho a escancarou com um chute de fora da área: 1 x 1.

6 – A finalização de Paulinho foi a primeira, no alvo, do Flamengo na tarde.

7 – Everton Costa recebeu uma função defensiva que contribuiu muito para o sucesso do Vasco no jogo. Ao exceder seu papel, prejudicou o que havia ajudado a construir. Entre os temas da semana: a preferência de Adílson por deixá-lo em campo após uma falta em Léo, logo no início do segundo tempo, que já poderia ter encomendado a expulsão.

8 – A desvantagem numérica comprometeu o plano do Vasco e testou sua personalidade. Manter a configuração e o domínio observados no primeiro tempo significaria um feito sobre-humano. A tentativa, um risco considerável. Defender o placar e carregar a obrigação de uma vitória simples para a segunda partida foi a opção racional.

9 – O Flamengo pondera o resultado e como se chegou a ele. O empate é interessante. A forma como ele aconteceu, não. Especialmente se os 38 minutos com um homem a mais entrarem em consideração. Obrigatório levar em conta, também, os jogadores que Jayme não pôde escalar.

10 – A decisão continua no próximo domingo. O título está um pouco mais próximo do Flamengo, como estava antes do empate de ontem.

EM SÃO PAULO

Por falar em teste de personalidade, o Santos está diante de uma prova na decisão do Campeonato Paulista. As dificuldades demonstradas na semifinal, contra o Penapolense, reapareceram ontem no Pacaembu. Com as diferenças óbvias: 1) na semana passada, o Santos decifrou a charada, e 2) agora há uma segunda chance. O Ituano se defende com competência, não alcançou cinco jogos sem levar um gol apenas por sorte. O fato de ter vencido a primeira partida o coloca em situação diferente: pode ser visto como favorito no domingo. Muitos times não souberam lidar com o aumento da expectativa. O Santos precisa saber lidar com a possibilidade de perder o título para um clube do interior.

NA EUROPA

O fim de semana teve erros graves de arbitragem, em gols, na Alemanha, na Espanha e na Inglaterra. Mas há quem veja prejuízo ao jogo no auxílio eletrônico ao apito.

COLUNA DOMINICAL

por André Kfouri em 06.abr.2014 às 10:28h

(publicada ontem, no Lance!)

PARIS CATAR

“Todo presidente francês conhece a elite catarina, que cada vez mais investe na França. Em novembro de 2010, Sarkozy ofereceu um famoso almoço no Palácio do Elysée. Os convidados foram Michael Platini, francês presidente da UEFA, e o príncipe catarino Sheik Tamim bin Hamad Al-Thani. Platini nega que Sarkozy pediu para que ele votasse no Catar para sediar a Copa do Mundo de 2022, mas admitiu à revista espanhola de futebol ‘Don Balón’, amplamente mencionada na imprensa francesa, que o presidente disse que ‘seria bom se ele votasse’”.

Independentemente do que se disse no almoço, três coisas aconteceram depois. Os votos do bloco europeu de Platini no comitê executivo da FIFA deram ao Catar a Copa do Mundo. (anteriormente, Platini havia dito que o Catar como sede seria ‘uma catástrofe’.) Então a rede de televisão catarina Al Jazeera comprou direitos para transmitir futebol francês na TV francesa. E, em junho de 2011, a Qatari Sports Investments comprou o PSG da empresa americana de investimentos Colony Capital por cerca de 70 milhões de euros.”

O trecho acima faz parte de um artigo publicado pelo jornalista Simon Kuper, na semana passada, no diário britânico Financial Times. É um detalhado relato da conversão do Paris Saint-Germain de um clube ignorado por um bom contingente de parisienses em uma das marcas mais valiosas do futebol da Europa.

Kuper (frequentadores deste espaço já leram sobre o trabalho dele), um dos autores do livro “Soccernomics”, trata dos negócios do futebol com raro acesso a quem pode falar, em primeira pessoa, sobre como as coisas são feitas. Sua descrição da repaginação do PSG com o intuito de criar um fiel representante da capital – não da nação – francesa revela como a estratégia e o dinheiro do Catar fizeram de Paris, atualmente, algo que jamais foi: uma cidade de futebol.

O artigo conta como a reforma da imagem do clube incluiu até uma mudança no distintivo. Acima da caracterização estilizada da torre Eiffel, a palavra “Paris” hoje aparece sozinha e em letras grandes. “Saint-Germain”, o restante do nome, foi relocado para a parte de baixo do logo, com letras menores. O novo PSG prefere ser chamado de “Paris”, desejo atendido por ninguém menos que José Mourinho, técnico do Chelsea, que durante a semana se referiu assim ao adversário de seu time nas quartas de final da Liga dos Campeões.

Kuper escreve que a gestão catarina pretende que o PSG seja “tão elegante, bonito e excelente quanto Paris. Torcedores devem ser recebidos no Parque (dos Príncipes) como seriam em um hotel sofisticado. O PSG está adquirindo marcas luxuosas como patrocinadores: quando você sai do estádio, uma jovem moça pode lhe oferecer uma amostra de creme facial. Em campo, diz (Jean Claude, diretor-geral) Blanc: ‘o estilo de jogo dever ser cavalheiresco, refinado, parisiense’”.

O efeito colateral da transformação não pode ser tratado como se não tivesse importância. É o impacto na parcela de torcedores que não consegue mais entrar no Parque dos Príncipes, e a perda da relação do time com parisienses menos privilegiados. A reportagem de Kuper observa esse aspecto também.

AGENDA

Ainda de acordo com o artigo do Financial Times, o Catar decidiu investir no PSG pelo fato de o clube parisiense ser o único time de futebol em uma capital europeia, um mercado de 12 milhões de pessoas, sem concorrência direta. Londres, apenas como comparação, é fatiada por seis clubes. Um executivo francês comparou o PSG à Bela Adormecida, que aguardou por cerca de quarenta anos pelo príncipe que a despertaria com um beijo (e algum dinheiro). No ano passado, o clube teve receita de 398,8 milhões de euros, a quinta maior do futebol europeu. O objetivo para 2014 é se aproximar dos 500 milhões. O plano é se tornar um dos melhores clubes do continente, fazer a marca valer 1 bilhão de euros e ganhar a Liga dos Campeões nos próximos cinco anos. Após derrotar o Chelsea por 3 x 1 em casa, na quarta-feira, o PSG se aproximou das semifinais.

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Link para o artigo original (em inglês).