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A FINAL DA LIGA (com palpite)

por André Kfouri em 16.mai.2012 às 11:29h

BAYERN X CHELSEA

19/5 – Allianz Arena

Previsão: Bayern. Na noite em que o Chelsea eliminou o Barcelona, postei no twitter que “A final da UCL é amanhã, no Bernabéu”. Entre muitas mensagens concordando e discordando, alguns jênios da rassa me acusaram de “desrespeitar” o time inglês. Será que é preciso explicar o que escrevi? Bem, para quem se relaciona miseravelmente com o futebol – pior ainda: escolhe um time que nem é daqui para exercer essa relação – parece que sim. Então vamos lá: entendo que Real Madrid e Bayern são times superiores ao Chelsea, portanto… acho que posso parar por aqui.

Agora, sério: o Bayern é mais talentoso, mais competitivo e mais “amigo da bola” do que o Chelsea. É um time que tem mais soluções. Sim, está pressionado principalmente pela derrota para o Borussia Dortmund na final da Copa da Alemanha. Sim, o Chelsea está fortalecido pela maneira como chegou à decisão. Mas os alemães jogarão a final da UCL em seu estádio, chance para fazer algo realmente histórico. E leva vantagem até nos desfalques, pois os dele fazem menos falta. É uma pena que Ramires, crucial na caminhada do Chelsea, não possa jogar.

AS QUARTAS DA COPA DO BRASIL (com palpites)

por André Kfouri em 15.mai.2012 às 13:11h

ATLÉTICO PARANAENSE x PALMEIRAS

16/5 – Durival de Britto

23/5 – Arena Barueri

Previsão: Palmeiras. Mas o favoritismo é pequeno. Vejo o Palmeiras um pouco superior tecnicamente, e sabendo disputar a Copa do Brasil. O Atlético já eliminou o Cruzeiro e não tem motivos para achar que não pode ser semifinalista.

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VITÓRIA x CORITIBA

16/5 – Barradão

23/5 – Couto Pereira

Previsão: Coritiba. Apesar do retrospecto ruim do time paranaense em jogos no Barradão.

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SÃO PAULO x GOIÁS

16/5 – Morumbi

23/5 – Serra Dourada

Previsão: São Paulo. A diferença técnica é evidente.

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BAHIA x GRÊMIO

17/5 – Pituaçu

24/5 – Olímpico

Previsão: Grêmio. É superior e decide em casa.

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O palpite para a decisão da Liga dos Campeões da Uefa estará aqui amanhã.

AS QUARTAS DA LIBERTADORES (com palpites)

por André Kfouri em 14.mai.2012 às 13:50h

Parabéns aos campeões estaduais pelo Brasil.

Que o título do seu time, razão de alegria momentânea, não seja uma armadilha para o resto da temporada.

Que não crie expectativas falsas e não se transforme em “ouro de tolos” no final do ano.

Certamente não será o caso do Santos, tricampeão paulista pela primeira vez depois de uma era preciosa.

Ou do Fluminense e do Internacional, campeões indiscutíveis, que têm elencos e times capazes de almejar outros troféus em 2012.

Mas com o Campeonato Brasileiro chegando, é conveniente, para muitos, que a festa seja curta.

Isto dito, vamos aos palpites da Copa Libertadores.

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LIBERTAD x UNIVERSIDAD DE CHILE

16/5 – Nicolás Leoz

24/5 – Nacional

Previsão: U de Chile. É muito mais time, não sofrerá pressão no Paraguai e decidirá em casa. Tudo a favor dos chilenos.

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VASCO x CORINTHIANS

16/5 – São Januário

23/5 – Pacaembu

Previsão: Corinthians. O percentual de favoritismo é pequeno, 55% a 45%. Deve-se à superioridade do Corinthians no setor de meio de campo e ao fato de ambos estarem acostumados a se enfrentar. Evidente que não será surpresa se der Vasco.

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BOCA JUNIORS x FLUMINENSE

17/5 – La Bombonera

23/5 – Engenhão

Previsão: Fluminense. O Boca seria favorito contra qualquer time brasileiro, exceção feita ao Santos e ao Fluminense. No caso do tricolor, o que muda as coisas é a “imunidade” à Bombonera. O Fluminense não tem dramas ao jogar num estádio em que muitos times se desestabilizam e enfrentar uma camisa que mete medo. Mas não é preciso lembrar que o Boca é sempre o Boca, ainda mais perigoso após a forma como se classificou, vencendo o Unión Española no Chile.

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VÉLEZ SARSFIELD x SANTOS

17/5 – El Fortin de Liniers

24/5 – Vila Belmiro

Previsão: Santos. O Santos é favorito contra qualquer time sul-americano. Sem mais.

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Os palpites das quartas de final da Copa do Brasil estarão aqui amanhã.

COLUNA DOMINICAL

por André Kfouri em 13.mai.2012 às 9:36h

(publicada ontem, no Lance!)

JOGOS VIRTUAIS

O futebol do ar rarefeito desceu a montanha e levou 14 x 0. Um passeio desagradável pelos países baixos da América. Este foi o placar agregado das derrotas do Bolívar e do Deportivo Quito, os dois times das alturas que disputaram seus últimos jogos nesta edição da Copa Libertadores.

Os bolivianos, após a vitória por 2 x 1 e a exibição de maus modos nos 3.650m de altitude de La Paz, foram repreendidos pelo Santos, na Vila. A demolição de 8 x 0 foi a resposta mais adequada – na bola e sem piedade – que o melhor time brasileiro poderia oferecer. O Bolívar entrou para a lista dos times humilhados não apenas por falta de capacidade, mas por falta de educação. Não fosse o tratamento dispensado ao Santos no estádio Hernando Siles, talvez Neymar e Ganso tivessem parado em respeitáveis 4 x 0.

A desgraça dos equatorianos foi menor em números, mas igualmente chocante. Venceram a Universidade de Chile em casa, 2.800m acima do nível do mar, por 4 x 1. Detalhe: fizeram dois gols quando jogavam com um homem a menos. Em Santiago, tomaram o tenístico placar de 6 x 0.

São times bipolares? Não. Não há discrepâncias em seus comportamentos dentro e fora de casa. O que explica, aí sim, a enorme diferença de desempenho relacionada ao local do jogo é o comportamento do adversário. A altitude e seus efeitos são os jogadores mais perigosos das equipes que atuam nas nuvens.

Sim, a amostra é pequena. Mas uma olhada sem compromisso nos números de Bolívar e Deportivo Quito já mostra sinais de um padrão interessante. Contando os jogos de oitavas de final, a equipe boliviana ganhou 9 pontos em seu estádio: 3 vitórias e 1 derrota, com 8 gols a favor e 5 contra. Em viagem, somou 4 pontos: 1 vitória, 1 empate e 2 derrotas, 3 gols marcados e 11 sofridos.

O contraste dos resultados do time equatoriano é ainda maior. Venceu todos os quatro jogos em casa, em que marcou 14 gols e só sofreu 1. Fora, não ganhou nenhuma partida: 1 empate e 3 derrotas, com 1 gol a favor e 10 contra. Alterado pelas condições do ar que se respira, e sem a devida adaptação das equipes visitantes, o futebol na altitude é feito de jogos que não são reais.

A questão é médica e, mais do que tudo, política. Toca no direito de cada clube (ou país, no caso das Eliminatórias da Copa do Mundo) de mandar jogos em sua casa, e em estudos científicos que apresentam resultados distintos quanto ao risco de submeter atletas não aclimatados a altitudes extremas. O contra-argumento do calor – ainda que não exista cenário em que a mudança de ambiente seja comparável – é lembrado para equilibrar a conversa.

Mas o ponto, aqui, não é a saúde dos jogadores. É o sentido da competição. É a validade de partidas em que as dificuldades não são iguais para os dois participantes, por causa de fatores externos. É a mágica que produz resultados tão semelhantes quanto 2 x 1 e 0 x 8, em dois jogos entre os mesmos adversários.

Obrigar os times das nuvens a mandar jogos em altitudes mais razoáveis não resolverá o problema nas competições entre clubes. O argumento usado será o do direito de ser mandante, mas o real motivo é o medo de ser goleado “em casa”.

CAIXA POSTAL

por André Kfouri em 12.mai.2012 às 13:30h

Aos assuntos da semana:

Geraldo escreve: Favor comentar: Na atual situação (na Copa Libertadores), se os times brasileiros ganharem todos seus confrontos, ficarão nas semifinais 3 times nacionais e 1 estrangeiro. Haverá decisão de dois times de mesma nacionalidade?

Resposta: Sim. Dessa forma, não há como evitar uma decisão doméstica se o time que enfrentar o adversário estrangeiro vencer o confronto. Igualmente, se Vélez e Boca passarem pelas quartas, terão de se enfrentar nas semifinais.

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Filipe escreve: Li um dos emails enviados no seu blog que dizia a respeito da superioridade do Real Madrid em relação a outros grandes da Europa (exceção ao Barcelona). Queria discutir mais especificamente a respeito da comparação Bayern e Real. Acredito que na comparação do elenco, titulares e reservas, haja maior qualidade no time espanhol, ou seja, mais opções de banco. Mas na equipe titular, eu realmente não consigo ver superioridade do time espanhol, ou pelo menos, que seja grande o suficiente para apontá-lo como favorito em um confronto. Vamos comparar? Neuer ou Casillas? Eu prefiro o goleiro alemão, mas são dois grandes e equivalentes. Lahm, pra mim, é o melhor lateral do mundo e ninguém me tira essa ideia; Schweinsteiger, em forma, é superior a Khedira e Xabi Alonso como volantes. Ozil é melhor que Kroos, ok? Mas este ultimo, é um belo meia também. Robben e Ribery, que equipe tem um ataque desse nível? Muller, pra mim, é superior a Benzema ou Di Maria. Em resumo: acho o elenco do Real melhor, mas os times titulares bem equivalentes. Só que o ataque do Bayern, pra mim, é mais insinuante. Ronaldo é a exceção, que faz a diferença realmente. Se fosse pra escolher, time por time titular, eu ficaria com o Bayern. Gostaria de saber a sua opinião a respeito do que foi relatado. Obrigado pela atenção.

Resposta: Vamos lá. Comparando os titulares, sempre pensando em quem eu escolheria para o meu time. Casillas e Neuer não são equivalentes, em momento, currículo ou experiência. O futuro pode mudar minha opinião, mas, hoje, Casillas está acima. Lahm é indiscutível, mas as defesas são igualmente problemáticas. De acordo em relação a Schweinsteiger x Alonso, ainda que seus papéis sejam um pouco diferentes. Mas Ozil é muito melhor do que Kroos. A meu ver, a maior diferença está no ataque, setor em que discordamos mais. Digamos que o ataque titular do Madrid é Ronaldo e Benzema. Robben e Ribéry estão bem abaixo. Deixando de lado a comparação jogador por jogador, devo lembrar que dei um favoritismo de 55% a 45% para o time espanhol. Ou seja, era um confronto equilibrado. Nos dois jogos, o Bayern foi mais ambicioso e mereceu a classificação. E se você me perguntar qual time eu prefiro ver jogar, direi que o time alemão me agrada mais, por ser mais amigo da bola.

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Haroldo escreve: Chelsea campeão da FA Cup assegura uma vaga na Liga Europa do ano que vem. O Liverpool, vice, já tinha uma vaga na Liga Europa porque foi campeão da Carling Cup. E se o CHELSEA for campeão EUROPEU e ganhar uma vaga na Liga dos CAMPEÕES 2013? Quem fica com essa vaga da FA CUP na Liga Europa 2013?

Resposta: O quarto colocado do Campeonato Inglês.

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Renato escreve: Você não pretende mais postar um diálogo de algum de filme no final da Caixa Postal? Era muito legal quando você fazia aquilo. Se eu mandar alguma sugestão você postaria?

Resposta: Infelizmente o conteúdo banco de dados esgotou. Talvez um dia recuperemos a tradição. Obrigado.

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Obrigado pelas mensagens. Até a próxima.

(emails para a CP do blog: akfouri@lancenet.com.br, ou clique no link abaixo da foto)

MAIS SOBRE AS COPAS

por André Kfouri em 11.mai.2012 às 13:09h

E os times do ar rarefeito levaram 14 x 0… (tema da coluna de amanhã, no Lance!)

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O Bolívar entrou na lista dos times humilhados não por falta de capacidade, mas por falta de educação.

Não fossem as barbaridades vistas no jogo de ida, talvez o Santos (8 x 0) parasse nos 4 x 0.

A resposta com classe e gols, sem dó, foi a melhor possível.

O Santos tem hoje o monopólio do que – ainda – podemos chamar de “futebol brasileiro”, pelo estilo e pela capacidade de produzir noites como a de ontem.

Não que outros times (Corinthians, Fluminense, Vasco…) não sejam competentes e competitivos. Não que outros times não possam vencer o Santos em qualquer dia. A conversa não é essa.

É o tipo de futebol que o Santos pode praticar, um degrau acima em estética.

Não só por eles, mas principalmente, é lógico, pela presença de Neymar e Ganso.

Pois o Santos pode fazer 8 gols num jogo em que Neymar marca “só” duas vezes.

E pode oferecer a todos nós um gol de letra como o de Ganso, sobre o qual não é preciso dizer nada.

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Diga aí o que você pensou no momento em que Leandro Damião abriu o placar no Engenhão…

Foi o tal “gol qualificado”, que transformaria o 0 x 0 do Beira-Rio num excelente resultado.

E por que a vantagem do Inter, fora de casa, não desequilibrou o jogo? Porque praticamente não houve jogo entre o 1 x 0 e o 1 x 1.

Dois minutos separam os dois momentos. E o clássico brasileiro recomeçou, aos 15 do primeiro tempo, com o time da casa sabendo que precisava fazer “apenas” mais um gol.

Gol que saiu em lance parecido, no final da etapa, jogada ensaiada de cobrança de falta.

Até se ver em desvantagem, o Inter teve chances – em quantidade e qualidade – para voltar a marcar.

Mas não teve organização e força para pressionar como deveria no segundo tempo (exceto nos últimos minutos, tudo ou nada). Esse papel ficou com o Fluminense, que não deixou de ser ofensivo mesmo com o resultado a seu favor.

É comum ouvirmos referências a gols sofridos em faltas e escanteios como lances que “valem menos”.

“Levamos dois gols de bola parada…”

A questão em relação a esse tipo de jogada é que é possível – ou deveria ser – impedi-las.

Times têm condições de estudar e encontrar soluções para não sofrer gols assim. Em tese, é menos difícil do que neutralizar os movimentos ofensivos de um adversário com a bola rolando, quando talento e improvisação quase sempre encontram alternativas.

Mas não é isso que se vê. A bola parada continua eficiente, produzindo muitos gols pelo mundo.

No Engenhão, valeu a classificação do Fluminense, cirúrgico nas cobranças de Thiago Neves e, principalmente, nos dois momentos em que foi à rede.

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No começo da semana que vem, teremos um post sobre as semifinais da Libertadores.

O blog até que não foi mal nas previsões das oitavas.

Vamos ver se os comentaristas de palpites aparecerão…

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Imaginava-se que a Ponte Preta marcaria um gol no Morumbi.

A defesa do São Paulo não vem oferecendo a segurança necessária para afastar tal possibilidade.

Só não se imaginava que seria um golaço de Somália, num voleio espetacular.

Golaço que aumentou o tamanho do buraco em que o São Paulo se enfiou no confronto, àquela altura dependendo de três gols – sem sofrer mais nenhum – para sobreviver na Copa do Brasil.

O momento chave do jogo foi a bobagem da zaga da Ponte, indecisão entre goleiro e zagueiro que criou o gol de Lucas.

Na situação em que o São Paulo se encontrava, a diferença entre ir para o intervalo com 1 x 1 e com 2 x 1 é gigantesca.

Gigantesca.

Na pressão que era óbvia durante o segundo tempo, Luis Fabiano marcou o terceiro, em seu gol predileto no Morumbi.

O que o São Paulo realmente ganhou nesta quinta foi o impulso psicológico de uma classificação que, após o gol de Somália, parecia improvável.

CAMISA 12

por André Kfouri em 11.mai.2012 às 8:18h

(publicada ontem, no Lance!)

EXEMPLOS

Paulo Henrique Ganso disse ao SporTV que Andrés Iniesta e Alex são suas inspirações. Para quem admira o futebol do meia do Santos, a declaração faz todo o sentido e é animadora. Revela a opção pelos neurônios, pela classe, pelas características que o jogo deveria preservar, ao invés de rejeitar.

Iniesta é um dos viabilizadores do sistema do Barcelona. Suas qualidades como gerador de jogadas foram detectadas bem cedo. Sobre ele, um relatório de técnicos de base do clube disse que “esse garoto vê o que acontece à sua frente muito antes dos outros”. Iniesta tinha 15 anos. Sua relação íntima com a bola e a forma quase litúrgica com que dela se despede inspiraram Juan Riquelme – outro maestro – a declarar que “Messi não conta, é de outro planeta. Neste jogo, o melhor é Iniesta”.

Alex, hoje no Fenerbahçe, é outro espécime dessa família de jogadores cujo DNA é o equivalente ao sangue azul do futebol. São os que têm o dom de transformar pedras em plumas. Torcedores do Palmeiras e do Cruzeiro lembram de Alex com a mão no coração. Ele foi o processador de times que não deixaram apenas títulos, mas memórias que o tempo não corrói. Alex joga com a sabedoria que simplifica o que é incompreensível para a maioria. Quando tem a bola, tudo fica mais claro.

O futebol precisa de gente como Iniesta, Alex e Ganso assim como a gastronomia precisa de chefs. Sem eles, o jogo se converterá numa gigantesca cadeia de comida rápida, sem sabor ou valor nutritivo. Mas, infelizmente, o que se vê é a supervalorização do restaurante por quilo.

Ganso tem sido alvejado por uma desnecessária comparação com Neymar e por sugestões para se tornar “mais completo”. Cobra-se dele uma presença mais freqüente na área adversária, ou uma participação mais intensa nos movimentos das partidas. Confunde-se seu temperamento sereno com falta de compromisso ou vontade. Pede-se que ele faça o que os menos privilegiados fazem, sob pena de perder seu espaço no “futebol de hoje”.

Pois bem. O futebol de hoje é um esporte em que jogadores como Ganso fazem evidente diferença, desde que equipes sejam configuradas para aproveitá-los. Não o contrário.

Ganso acerta em cheio ao escolher seus exemplos.

DOR REAL

Na decisão da Liga Europa da Uefa, conquistada com todos os méritos pelo Atlético de Madrid de Falcão Garcia e Diego, as imagens que marcaram mais foram as lágrimas dos jogadores do Athletic Bilbao. Não se vê choro de tristeza, assim, autêntico, todos os dias. O profissionalismo produz jogadores alugados e camisas descartáveis. A angústia dos jovens bascos é real, rara e bonita. Serve para nos relembrar como o futebol deve ser.

ASSINA AÍ

A intervenção do governo federal brasileiro na organização da Copa do Mundo é mais clara do que um chute no traseiro. Digam o que quiserem, finalmente ligaram o “modo emergência”. Até demorou. A medida sepulta de vez a mentira da Copa sustentada pela iniciativa privada, vendida por Ricardo Teixeira. Uma mentira embalada pelos interessados, e comprada pelos inocentes. Quem vai pagar é você, com muito orgulho e com muito amor.

AS COPAS

por André Kfouri em 10.mai.2012 às 10:53h

O placar da vitória (3 x 0 no Emelec) que classificou o Corinthians para as quartas de final da Libertadores sugere um jogo menos difícil do que se viu no Pacaembu.

A exemplo do que aconteceu no Equador, um adversário pouco mais competente provavelmente teria marcado um gol fora de casa, o que tornaria o ambiente mais tenso.

E sobre o ambiente, é preciso dizer que o clima de “pressão interna” (seja da torcida para o time, seja do próprio time) foi algo antecipado, mas não detectado.

Nada do que aconteceu em campo teve origem em algum tipo de dificuldade do time para lidar com a situação, como, se sabe, aconteceu outras vezes.

Da mesma forma que é falacioso dizer que “este Corinthians parece mais calmo na Libertadores”, é desnecessário fabricar cenários do tipo “a pressão pela classificação no Pacaembu será enorme”.

No jogo, o Corinthians fez quase tudo como deveria. Agressivo e controlado até conseguir o primeiro gol, perdeu o ímpeto após desperdiçar pelo menos duas chances claras (com Paulinho) de aumentar.

O risco não estava somente no recuo que chamou o Emelec, mas na possibilidade de ver a meia hora final do jogo se transformar num perigoso suspense, pela óbvia repercussão que um gol do Emelec teria.

O 2 x 0 acalmou as coisas e propiciou a jogada do merecido gol de Alex, prêmio por sua melhor atuação no Corinthians.

Notável trabalho de Paulinho, também, como já é hábito. Atua em todas as dimensões do jogo.

Interessante perceber que a narrativa insiste nos problemas antecipados do Corinthians na Libertadores. Agora, o que se fala é que “será mais difícil…”.

É infantilmente óbvio que será mais difícil. Poderia alguém crer que, à medida que se avança no torneio, os obstáculos diminuem?

E para os adversários, ficou mais fácil?

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O Vasco (5 x 4 nos pênaltis contra o Lanús, após derrota por 2 x 1) conseguiu o gol fora de casa, que, quando não decide, certamente condiciona jogos.

E o fato de ter sido o gol que abriu o placar foi importante, por aumentar o tamanho do drama dos argentinos.

Alguém poderá dizer que, tivesse o Vasco mantido os 2 x 0 em São Januário, o jogo de volta não cobraria um preço emocional tão alto. Mas a reação do Lanús em seu estádio, com claras chances de construir o resultado que o classificaria, mostra como as coisas são complicadas.

Voltamos a tratar de um perigoso recuo após o 1 x 0. A impressão que ficou foi de que, com uma atitude mais ofensiva, o Vasco poderia ter chegado a um segundo gol, fatal no confronto, ainda no primeiro tempo.

Oferecer campo ao adversário, fora de casa, é um expediente que continua a ser usado, mesmo com a quantidade de arrependimentos que temos visto.

Obrigatório elogiar a lucidez dos cobradores de pênalti do Vasco, como Felipe e Juninho, inabaláveis no momento de decidir.

Na Libertadores é assim. Com ou sem sofrimento, o importante é sobreviver para jogar de novo.

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No Chile, um recital de Juan Román Riquelme, na vitória do Boca Juniors (3 x 2) sobre o Unión Española.

Que jogador.

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Só pude ver os gols dos jogos da Copa do Brasil.

As eliminações de Cruzeiro (para o Atlético Paranaense) e Botafogo (para o Vitória) são sinais extremamente preocupantes. O Campeonato Brasileiro se avizinha.

Novas provas de que os estaduais atrapalham muito mais do que ajudam.

O AZAR DE PLATINI

por André Kfouri em 08.mai.2012 às 11:03h

Lembra da declaração de Michel Platini sobre a tecnologia na linha de gol?

O presidente da Uefa disse que a pouca frequência de lances em que há dúvida se a bola entrou não justifica a utilização do recurso eletrônico.

(como se apenas um lance, em apenas um jogo de um torneio como a Copa do Mundo já não fosse irremediavelmente trágico.)

Bem… digamos que Platini vive uma maré de azar.

No último fim de semana, dois jogos importantes registraram momentos em que a tecnologia na linha de gol seria útil.

Na final da Copa da Inglaterra, os jogadores do Liverpool até comemoraram um gol de cabeça de Carroll.

No dérbi de Milão, houve o mesmo após um cabeceio de Cambiasso (aos 38″ deste clipe).

Em ambas as situações, os replays mostraram que a bola não entrou inteira e, felizmente, as decisões da arbitragem foram corretas.

Também no fim de semana, Joseph Blatter voltou a advogar a favor da eletrônica:

“Posso lhes dizer que na Copa do Mundo de 2014, e portanto já na nossa Copa das Confederações em 2013, vamos usar esse sistema. Não podemos repetir (…) a mesma situação que testemunhamos na partida entre Inglaterra e Alemanha.”, disse o presidente da Fifa, referindo-se ao gol de Lampard na Copa de 2010.

Mas a boa notícia veio acompanhada da confusão de conceitos que atrasa o futebol.

Ao descartar qualquer outro aproveitamento tecnológico para auxiliar a arbitragem, Blatter acrescentou:

“Senão, o jogo perderá seu rosto humano, e não haverá mais discussão se tudo for perfeito. Nosso jogo não é perfeito, e por isso é tão popular.”

AS RODADAS

por André Kfouri em 07.mai.2012 às 11:55h

Diante da inquestionável superioridade técnica do Santos (3 x 0), Vadão e o Guarani decidiram jogar.

A possibilidade evidente de uma derrota que praticamente encerrasse a conversa não levou o time de Campinas a mudar sua postura e,  como fez o Chelsea contra o Barcelona, “estacionar o ônibus” no campo de defesa.

Na retranca, talvez o Guarani tivesse perdido por menos. Ou, com sorte, empatado. Ou ainda, contra todas as probabilidades, vencido por um gol, fruto de um contra-ataque isolado.

Talvez.

Minha opinião? Não faria diferença em relação ao placar do jogo, muito menos em relação ao título.

O que poderia fazer alguma diferença e, pelo menos, levar um pouco de emoção para o segundo jogo, seria uma partida de ida na casa do Guarani.

Ambiente, torcida a favor, campo, fator casa. Esses aspectos deveriam ter sido observados pelo Guarani, se é que conquistar o campeonato era o objetivo.

Num campo neutro, amplo e com maioria de santistas no estádio, fica difícil acreditar.

E pedir a Vadão que abandone seu jeito de ver futebol e dirigir um time não faz sentido.

O Santos voltará ao Morumbi, no próximo domingo, para buscar a taça e fazer festa.

É o hábito de quem tem Neymar e Ganso.

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O que mudou radicalmente o primeiro jogo da decisão carioca (Fluminense 4 x 1 Botafogo) não foi a expulsão do botafoguense Lucas, aos 10 minutos do segundo tempo.

Foi o bonito gol de Fred, que empatou a partida, aos 43 do primeiro.

O Botafogo deixou de atacar tão logo saiu na frente, o que é pedir para sofrer.

O recuo chamou o Fluminense, que marcou mais à frente e começou a pressionar.

O empate próximo ao intervalo instalou a mesma convicção nos dois vestiários: no segundo tempo, começaria um novo jogo. E se ambos os times mantivessem suas posturas até aquele momento, o Fluminense – melhor time – teria muito mais chances de vencer.

Era obrigação do Botafogo mudar o cenário. O segundo cartão amarelo de Lucas até o fez, mas para pior.

Perdendo por 2 x 1, talvez fosse mais producente se fechar e manter chances para o jogo de volta. Com três gols de desvantagem, elas são minúsculas para o Botafogo.

Boa partida de Deco, importante para o título quase decidido.

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Como é bonito ver um jogador de meio de campo decidir um jogo.

Yaya Touré poderá ser lembrado como o autor dos gols (Newcastle 0 x 2 Manchester City) que acabaram com 44 anos de saudade dos torcedores do City.

Contra o Newcastle, Touré jogou mais avançado, como meia “puro”, posicionamento que é mérito do técnico Roberto Mancini.

Atuação deslumbrante num jogo que poderia complicar a situação do time.

Touré é completo.

No Barcelona, tinha funções mais defensivas. Chegou a jogar como zagueiro, na decisão da Liga dos Campeões de 2009.

No Manchester City, mostra o repertório que pode ser decisivo para o surgimento de um novo campeão inglês.