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OS BONS, OS RUINS E OS MILIONÁRIOS

por André Kfouri em 07.jan.2015 às 14:43h

Há algum tempo, em um grande clube do futebol brasileiro, um jogador renomado chegou embriagado para treinar. Não trançava as pernas ou enrolava a língua, mas estava visivelmente sem condições de participar do trabalho. O técnico do time o viu no vestiário, conversando com os companheiros em um tom que evidenciava seu estado, e decidiu intervir.

Chamou o jogador e disse que seria melhor que ele ficasse dentro do departamento de futebol, fazendo o sempre conveniente “reforço muscular”.

Dois dias depois – sim, apenas dois dias – o fato se repetiu.

O treinamento estava marcado para o período da tarde, e o jogador em questão explicaria que foi almoçar com amigos e tomou “uns vinhos a mais”. Mas o técnico não foi capaz de conter o estrago, pois só percebeu a situação quando os atletas já estavam no campo, em uma animada roda de bobinho.

Cinegrafistas, fotógrafos e repórteres já tinham notado a presença de todos, e, mesmo que não tivessem visto nada anormal, não seria inteligente abordar um jogador e retirá-lo do treino. Chamaria ainda mais atenção.

A solução foi permitir que ele treinasse por cerca de vinte minutos e devolvê-lo à academia, com discrição.

A repercussão negativa externa foi evitada, mas no instante em que o treino começou com a participação de um jogador embriagado, o técnico sabia que tinha um gigantesco problema interno para resolver.

O resultado do primeiro jogo após os eventos da semana apenas lhe confirmou a suspeita: derrota para um time infinitamente inferior, com uma atuação horrenda e expressões resignadas no vestiário.

Na reapresentação, o treinador pediu uma reunião apenas entre ele e os jogadores. Assumiu que havia cometido um erro grave ao permitir que um jogador sem condições treinasse naquele dia, garantiu que algo assim não aconteceria de novo e perguntou se o grupo estava disposto a colocar o episódio no passado.

O jogador em questão pediu a palavra e se desculpou com os colegas. O time passou a vencer partidas em sequência.

Engana-se quem imagina que um time de futebol funciona como um quartel ou uma sala de aula. É um organismo político, em que a hierarquia não é mais importante do que a necessidade de administrar pessoas, construir alianças, entender como lidar com cada ator de um espetáculo em que não existem papéis iguais.

Como diz Pep Guardiola, “nem todos os jogadores devem receber o mesmo tratamento, mas o mesmo respeito”.

Um outro técnico costuma dizer que, em termos de impacto para o bom ambiente de trabalho, existem três tipos de jogadores no futebol brasileiro: os bons, os ruins e os milionários.

Bons e ruins são auto-explicativos. Os milionários – que geralmente fazem jus ao termo pelo nome e o currículo que têm – precisam ser tratados com astúcia, pois são personalidades híbridas que podem pender para um ou outro lado conforme o estado de ânimo.

O técnico quer o milionário a seu lado, pois ele é crucial para o resultado do qual todos se alimentam. Isso não significa ser submisso ou perder o controle, mas não é um trabalho simples, como observamos sempre que um técnico e uma estrela se desentendem.

O jogador embriagado do caso acima se enquadrava no perfil do milionário. As regras para ele são as mesmas, apenas esticam mais: menos carga de treino, mais compreensão com “problemas particulares”, mais flexibilidade de horários, etc.

Sempre foi assim, e sempre será, com jogadores que merecem esse status e o sustentam com desempenho.

Nenhum volante menos dotado tecnicamente jamais reclamará de “correr o dobro” para que o craque a seu lado possa se dedicar a criar ocasiões de gol. É exatamente neste ponto que eles se diferenciam.

Mas tomar “uns vinhos a mais” em um almoço com amigos, e depois treinar normalmente, é algo que todos gostariam de fazer. A linha se traça aí.

O mesmo vale para ambientes em que todos são “milionários”, como nos maiores clubes do futebol mundial. Neles, a distinção de poder no vestiário se dá da mesma maneira: os gênios “mandam”.

E não há sequer um gênio – no futebol ou em outro esporte coletivo – que não se comporte como um tirano em seu reino. Os exemplos de convivência e problemas de relacionamento com companheiros, técnicos e dirigentes, são conhecidos.

Nos anos oitenta, Michael Jordan certa vez se recusou a entrar em um avião de volta para Chicago, após uma derrota dos Bulls em uma noite de Natal.

O time jogou muito mal diante de uma audiência nacional, perdeu para um oponente que não deveria ter a mínima chance, o que irritou seu técnico (Doug Collins, à época) de tal maneira que a folga no dia seguinte foi revogada e um treino marcado.

Os jogadores receberam a notícia logo após o jogo, como uma reprimenda pelo desempenho ruim. Ficaram furiosos, pois já tinham feito planos de almoçar com suas famílias no dia 25, em diferentes partes do país.

Nenhum deles gostaria de ir para Chicago, mas todos estavam no aeroporto na manhã seguinte. Menos Jordan.

Em conversa telefônica com o gerente-geral do Chicago Bulls, MJ disse que não cederia a um capricho vingativo de Collins. Seu plano era passar o Natal na casa de sua mãe, não em um treino que só foi marcado para punir os jogadores.

O executivo pediu que Jordan reconsiderasse e fosse ao aeroporto, só ele não estava lá e essa era uma situação inaceitável. Negativo.

Então, com a habilidade que caracteriza os melhores gestores de egos, o chefe do chefe de Michael Jordan lhe propôs uma solução: o treino seria cancelado se ele se apresentasse no aeroporto. Ninguém seria obrigado a entrar no avião para Chicago. O acordo deveria ficar entre eles, sem comentários que prejudicassem a autoridade de Collins.

Jordan respondeu que não ficaria no aeroporto por mais de cinco minutos, e assim fez. O treino foi cancelado.

Mas seus companheiros notaram que ele usava um mocassim, sem meias. Quem teria coragem de desembarcar em Chicago, no fim de dezembro, sem meias?

O conflito entre Lionel Messi e o técnico Luis Enrique não é diferente de tantos outros. O técnico não sabe lidar com o gênio. Messi é um tirano como os gênios que vieram antes dele, talvez seja mais tímido ou mais generoso, o que pode fazer diferença para sua imagem exterior mas não altera absolutamente nada em termos de dinâmica interna.

Se Messi realmente disse que o Barcelona terá de escolher entre ele e Luis Enrique, a conversa terminou.

Se não disse, o técnico terá de mudar rapidamente de comportamento.

E não se trata de um jogador que pensa que “é maior do que o clube”, um argumento que não tem sentido.

Problemas surgem entre pessoas e são resolvidos por pessoas. Não há um representante das próprias vontades diante de um representante “da instituição”. E se houvesse, quem representa melhor a instituição do que o jogador que leva o público ao estádio e o clube a conquistas?

Messi já faltou a treinos – alegando a mesma gastroenterite que usou como desculpa na segunda-feira – quando o Barcelona era dirigido por Pep Guardiola, o técnico que melhor o compreendeu. O motivo foi o mesmo: ter sido poupado de um jogo.

E Guardiola era visto como o treinador que soube conquistar Messi com a estratégia de comunicação correta e gestos como a autorização para que ele disputasse os Jogos Olímpicos de Pequim.

Política, no bom sentido.

Luis Enrique chegou ao Barcelona anunciando-se “o líder do time”, e não se preocupou em estabelecer sequer uma linha de troca de ideias com Messi, o milionário, o gênio.

Não parece uma postura produtiva.

No último capítulo do formidável “Herr Pep”, livro que detalha o primeiro ano de Guardiola no Bayern de Munique, o jornalista catalão Martí Perarnau relata uma conversa que teve com o treinador, ao final da última temporada.

O encontro aconteceu no escritório de Guardiola, na sede do clube alemão.

Na parede, Perarnau notou uma frase escrita na lousa: “Praticamente a totalidade dos problemas de uma equipe são por culpa dos egos”.

Cada um precisa controlar o seu.

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Blog em férias a partir de hoje.

Abraços a todos e até o mês que vem.

COLUNA DA TERÇA

por André Kfouri em 06.jan.2015 às 10:16h

(publicada ontem, no Lance!)

INFÂNCIA

Alguém já disse que o futebol pertence às crianças. A frase traz consigo um dos mais belos enganos voluntários que se pode cometer. A indústria do esporte, cada vez mais parecida com todos os outros campos profissionais, afasta o jogo de quem, como os pequenos fãs, o vê com nobreza e lealdade. De fato, gostaríamos que o futebol fosse puro e merecesse a devoção pueril, mas sabemos que não é assim.

Este jogo é tão especial, porém, que nos autoriza a infantilidades em nome dos sentimentos que carregamos desde os primeiros contatos. Um fenômeno que não enxerga fronteiras e não tem obstáculos a seu potencial de contagio. Dois exemplos dessa realidade foram observados nos últimos dias na Europa, região do mundo onde o futebol é tratado da maneira mais séria e profissional (o que não significa, trolls, que não haja equívocos e defeitos, ok?).

O primeiro foi o anúncio de que Steven Gerrard deixará o Liverpool ao final da temporada em curso. A notícia foi recebida e repercutida na Inglaterra com um notável caráter de pesar, como se representasse uma tragédia. Análises da trajetória do meia nos campos foram escritas com referências quase póstumas, depoimentos foram colhidos como homenagens, perguntas foram formuladas com a sugestão de que o mundo não seria mais o mesmo. Em um dado momento, parecia que Gerrard havia morrido. Ou que sua carreira tinha se encerrado de forma repentina. Felizmente, ele apenas decidiu jogar em outro lugar.

Steven Gerrard é um excelente futebolista, de história rara e admirável. É uma das poucas pessoas que podem dizer que se apaixonaram por uma camisa, a vestiram com classe e orgulho, dedicaram-se a ela por longos anos e com ela foram felizes. Não se discute sua importância ou seu lugar no altar emocional dos torcedores do Liverpool. A questão é a necessidade que o futebol nos impõe de tratar certas ocasiões como uma espécie de eulógia. Gerrard tomou uma decisão profissional, certamente difícil, mas baseada em sua idade (34 anos) e nas condições atuais de suas habilidades como jogador. Seu caminho continuará e é possível até que ele volte a jogar no clube pelo qual torce.

O outro exemplo foi a volta de Fernando Torres ao Atlético de Madrid, oito anos depois de deixar o clube onde nasceu para o futebol, pelo qual disputou mais partidas e marcou mais gols. A torcida do Atlético o recepcionou como o filho que ele verdadeiramente é, com cerca de 45 mil pessoas presentes, ontem, ao estádio Vicente Calderón. Um ambiente semelhante ao que se vê na chegada de um astro no auge da forma, quando na verdade quem estava ali era a lembrança de um jogador que sumiu.

Faz seis anos que Torres não é capaz de jogar um futebol que se aproxime do que fez dele um ídolo em Madri. Seu retorno tem todas as características das oportunidades que se apresentam a um esportista em declínio, acompanhadas do lembrete, em letras miúdas, de que não haverá outra. É uma contratação sentimental, cujo sucesso está amparado na possibilidade – igualmente sentimental – de um ressurgimento estimulado pela geografia.

Em ambos os casos, a objetividade ficou à margem. O futebol de Gerrard não morreu e o de Torres não ressuscitará. Mas o jogo nos compele a chorar e sorrir, a vivenciar luto e euforia imaginários, como fazem as crianças. Talvez o futebol realmente pertença a elas.

COLUNA DOMINICAL

por André Kfouri em 04.jan.2015 às 11:22h

(publicada ontem, no Lance!)

DIA DAS BRUXAS

A troca de comando no ministério do Esporte obriga a repetição do tema. Não apenas pela óbvia importância, mas também pelos adereços oferecidos pelo antigo e atual dono da pasta durante evento para a transferência da posse, realizado ontem. Vindos da galáxia longínqua que habitam, Aldo Rebelo e George Hilton surgiram em Brasília dipostos a chocar. É a única explicação plausível para o espetáculo de aspas constrangedoras.

Rebelo abriu os trabalhos, logo após externar sua confiança no sucessor: “O Brasil é hoje um grande protagonista do esporte no mundo”. É preciso tirar o chapéu para um político capaz de tamanho surrealismo, pois uma frase como essa é suficiente para exterminar a credibilidade do que quer que se diga depois. Sabemos, porém, que o ministro da Ciência e Tecnologia nunca se furtou a se distanciar da realidade.

Em debates mais acalorados sobre a organização da Copa do Mundo no Brasil, Aldo Rebelo se especializou em uma espécie de “escapismo patriótico” que tentava dirigir a conversa para assuntos como a construção de Brasíla ou o preconceito das elites do sudeste do país contra o desenvolvimento de outras regiões. As perguntas eram sobre elefantes albinos, mas isso não vinha ao caso. De modo que ouvi-lo saudar o protagonismo brasileiro no esporte mundial não é algo assim tão dramático. É apenas mais uma inverdade conveniente, jogada aos ventos para confundir e iludir.

Protagonistas no esporte são os países que podem se considerar potências neste campo, nações onde a prática esportiva foi massificada por políticas governamentais como instrumento educacional. Ser escolhido como anfitrião de edições da Copa do Mundo e dos Jogos Olímpicos – única leitura possível para a declaração de Rebelo – não confere protagonismo, ou mesmo respeito, a nenhuma bandeira. Significa apenas mais uma escala na viagem dos negócios que compõem a indústria do esporte e do entretenimento, sempre em busca de novas oportunidades. Os processos de seleção para tais sedes são conhecidos em detalhes, bastando lembrar que, em 2022, haverá uma Copa no Catar.

Mas a estrela da cerimônia não era Rebelo, claro. E podemos afirmar sem medo de cometer uma injustiça que George Hilton elevou-se à ocasião. Em um discurso de cerca de quarenta minutos, repleto de embelezadores como “vou dar atenção especial ao esporte social, de inclusão, educacional e comunitário”, o deputado mineiro – e pastor – testou a fé dos presentes ao fazer uma confissão: “posso não entender profundamente de esporte, mas entendo de gente”. Leia de novo e pense em uma preciosidade como essa dita por um ministro da Saúde. Ou da Fazenda.

George Hilton considera-se vítima de perseguição por causa da tempestade de críticas com a qual sua nomeação foi recebida. Até os interlocutores do governo na organização dos Jogos Olímpicos de 2016 manifestaram-se preocupados, pela proximidade do evento. A reprovação mais dura veio em nota dos Atletas pelo Brasil, que se revelaram envergonhados com a escolha da presidente Dilma Rousseff.

As objeções são tão simbólicas quanto a mensagem de apoio de Aldo Rebelo, o político que propôs a conversão da data de 31 de outubro no Dia Nacional do Saci-Pererê, para combater o estrangeirismo do Halloween. Ontem, em Brasília, a dupla brincou de “doces ou travessuras” com o esporte brasileiro.

SERÁ MELHOR EM 2015

por André Kfouri em 31.dez.2014 às 12:54h

Este blog está normalmente em férias nesta época do ano. Tem sido assim desde que ele existe.

Não é o caso agora por uma pequena mudança de planos, motivo pelo qual ainda tenho duas colunas a escrever para o Lance!. Estarei por aqui até o dia 5 de janeiro.

Quero aproveitar as últimas horas de 2014 para uma mensagem de gratidão e, de certa maneira, desculpas. Falar do ano que termina e do que começará.

Não me cansarei de agradecer aos leitores que acompanham este espaço e colaboram para a trajetória dele, independentemente da frequência de posts e dos temas abordados aqui. Como já mencionei em outros momentos, vocês sabem quem, e o quão importantes, são.

Pela leitura e pelos comentários, muito obrigado.

Minha intenção aqui sempre foi e sempre será oferecer contextos para assuntos que julgo relevantes. Não espero e nem necessito que você, aí no outro computador, concorde com os pontos de vista expostos. Mas exijo, em meu nome e nos dos visitantes que esperam encontrar um espaço limpo, respeito às opiniões publicadas.

Nesse aspecto, é extremamente satisfatório quando me deparo com a necessidade de bloquear um comentário, ou um comentarista.

Não porque gosto de fazê-lo, pois é desperdício de tempo. Mas porque essa tarefa é cada vez mais rara. O efeito colateral da internet, aqueles que se armam de ignorância e se disfarçam do anonimato, não costuma aparecer por aqui.

A cada comentário que chega com um elogio ao espaço de discussão dos textos, sinto-me recompensado e privilegiado. E a cada conversa entre os comentaristas, percebo que o blog cumpre seu papel.

Que continue assim em 2015.

Antes de finalizar, uma explicação: algumas mudanças em meu trabalho na ESPN, aliadas ao fato de escrever três colunas semanais para o Lance!, prejudicaram o ritmo de postagens ao qual estava acostumado.

Não pude abordar como gostaria as rodadas do Campeonato Brasileiro, por exemplo. Em outras ocasiões, cheguei atrasado a determinados temas.

Aos que notaram e enviaram mensagens, fica meu compromisso de corrigir esse problema no ano que vem.

Uma vez mais, muito obrigado pela companhia.

Boa passagem de ano e um ótimo 2015 a todos.

COLUNA DA TERÇA

por André Kfouri em 30.dez.2014 às 10:48h

(publicada ontem, no Lance!)

15 EM 15

Quinze assuntos (não necessariamente nesta ordem) que marcarão o ano que vem, no futebol:

1) A Bola de Ouro da FIFA – Ronaldo, Messi e Neuer concorrem ao prêmio que será entregue no dia 12 de janeiro. O astro português é favorito para aumentar seu acervo, enquanto quem parece ameaçá-lo é o goleiro alemão, campeão do mundo. A Copa já fez de Fabio Cannavaro o dono deste troféu.

2) A Copa Libertadores – já começa nos primeiros dias de fevereiro, com Corinthians x Once Caldas. O alvinegro quer se juntar a Cruzeiro, São Paulo, Internacional e Atlético Mineiro na fase de grupos. Não é simples estar em ritmo de competição tão cedo.

3) A Copa América – seria no Brasil, será no Chile. A CBF temia expor a Seleção Brasileira a um torneio doméstico em 2015, caso a Copa do Mundo terminasse mal (o outro temor, o político, foi resolvido com a antecipação da eleição na entidade para antes do Mundial). Dunga declarou que o torneio estará “em segundo plano”, por causa das Eliminatórias. Alguém imagina um técnico da Alemanha, Itália ou Espanha dizendo o mesmo a respeito da Eurocopa?

4) Os mineiros – 2014 pertenceu a Cruzeiro e Atlético, os dois melhores times do país. Com os treinadores mantidos, a garantia de sequência de trabalho é sinal de mais uma temporada brigando por títulos. Eles se encontrarão no âmbito estadual, nacional e continental, alimentando a rivalidade que viveu momentos incríveis na decisão da Copa do Brasil. Que os dirigentes não atrapalhem.

5) Tite – o técnico retorna ao trabalho após um ano de descanso e aprimoramento. Em qualquer clube que escolhesse, já seria interessante observar os resultados práticos da atualização a que Tite se impôs. No Corinthians, cobrado a cada dia para vencer, as lentes de aumento sobre ele serão ainda mais potentes.

6) O Botafogo – o clube está livre de Maurício Assumpção e dos gênios que o assessoravam, o que significa que a diretoria não será mais um adversário que o time terá de enfrentar. Já é uma vitória. Voltar à Série A é a obrigação, questão de sobrevivência.

7) O Palmeiras – a atividade no mercado de jogadores nas últimas semanas sugere uma nova condição de orçamento e novos conceitos na formação do time. Coisa de quem parece saber o que está fazendo, outra diferença em relação ao ano que quase terminou em rebaixamento.

8) A Seleção Brasileira – há quem esteja convencido que os amistosos pós-Copa restauraram a imagem do distintivo e apagaram um “acidente” de sete gols em Belo Horizonte. Para quem vive no mundo real, há muito a fazer no(s) próximo(s) ano(s).

9) Neymar – estrela solitária, único jogador brasileiro fora de série, indivíduo de uma espécie em perigoso declínio populacional.

10) Os gabinetes – Del Nero assume, de fato, a CBF. O ministro do Esporte é um curioso. A presidente, entre os atletas e a cartolagem.

11) A Liga dos Campeões da Uefa – Real Madrid, Bayern, Chelsea. Barcelona? PSG? Alguém mais?

12) Novas realidades no Flamengo e no Fluminense – o rubro-negro, bom exemplo de conduta na questão financeira, promete investir um pouco mais. O tricolor, sem o talão de cheques da ex-patrocinadora, terá o desafio de manter o nível de seu elenco.

13) Novos comandos no Santos e no Vasco – não quer dizer que sejam verdadeiramente “novos” no campo das ideias.

14) E no Corinthians? – são duas questões. A primeira, óbvia, é quem será eleito em fevereiro? A segunda é mais importante: o clube seguirá em decadência administrativa?

15) A fogueira são-paulina – o conflito aberto entre Carlos Miguel Aidar e Juvenal Juvêncio não atingiu o time em 2014, mérito das pessoas responsáveis pelo departamento de futebol.

COLUNA DOMINICAL

por André Kfouri em 28.dez.2014 às 10:51h

(publicada ontem, no Lance!)

ESCALAÇÃO EQUIVOCADA

“Obviamente o novo ministro não tem qualquer afinidade com a área, nem conhecimento de sua complexidade. É lamentável o critério que levou a essa escolha para um cargo de importância estratégica”.

O comentário acima nada tem a ver com esporte. São aspas do físico Paulo Artaxo, professor da USP e membro da Academia Brasileira de Ciências, sobre a nomeação de Aldo Rebelo para o Ministério da Ciência e Tecnologia. Em conversa com a Folha de S. Paulo, o professor demonstrou preocupação pelo fato de Rebelo, como deputado, ter defendido posições contrárias aos interesses da comunidade científica do país.

Certamente não lhes serve de consolo, mas os cientistas brasileiros não estão sozinhos. A apreensão com os caminhos indicados pelo ministério recentemente anunciado pela presidente Dilma Rousseff aflige outras “comunidades”. As razões são as mesmas: ausência de afinidade e conhecimento, critérios lamentáveis. A pasta do esporte, entregue a um deputado obscuro, conseguiu o feito de baixar de nível no ano entre a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos no Brasil.

Quando Rebelo assumiu, em 2011, suas relações com o ambiente esportivo de certa forma o recomendavam. Ele presidiu a Comissão Parlamentar de Inquérito que investigou a Confederação Brasileira de Futebol no início dos anos 2000. Como ministro, tentou transformar o debate em torno da organização da Copa do Mundo em questão de amor pela pátria e defendeu os mamutes brancos erguidos com dinheiro de impostos em lugares onde não existe futebol para ocupá-los. Apesar da convivência afável com a cartolagem, o jurássico comando atual da CBF tem o ex-ministro do Esporte como uma pessoa de raciocínio lento.

Seu substituto será George Hilton, deputado federal pelo PRB de Minas Gerais, desconhecido nacionalmente. Ou talvez não, como se pôde perceber no noticiário durante as Festas Natalinas. Hilton gerou manchetes em 2005, quando foi flagrado pela Polícia Federal no Aeroporto da Pampulha, em Belo Horizonte, com 600 mil reais acomodados em onze caixas de papelão. Explicou que se tratava de dinheiro doado por fiéis da Igreja Universal do Reino de Deus, onde ele atuava como pastor. A PF o deixou ir, mas o episódio culminou com sua exclusão do PFL, o equivalente a alguém ser expulso do manicômio por ser louco demais.

Como se o antecedente na Pampulha não bastasse, o Correio Braziliense revelou ontem que George Hilton não informou à Justiça Eleitoral que é proprietário, em sociedade com sua mulher, de uma empresa de transportes cobrada por uma dívida com a Fazenda Nacional. Um juiz federal de Minas Gerais já recomendou duas vezes a penhora dos bens do casal. A notícia obriga perguntar de que maneira o novo ministro se posicionará sobre a Lei de Responsabilidade Fiscal do Esporte, que trata do perdão a clubes que – assim como a empresa do casal Hilton – devem dinheiro à União.

A mesma questão está imposta à presidente Dilma Rousseff, que, além de ter nomeado um (ou vários) ministro inadequado, terá de decidir o que fazer com a Medida Provisória que salva dirigentes esportivos irresponsáveis ao perdoá-los sem exigir contrapartidas. A presidente conhece bem a opinião dos atletas sobre o tema. A exemplo do que se dá no âmbito científico, Dilma parece pender para o lado de quem defende posições contrárias aos interesses da comunidade esportiva brasileira.

COLUNA DA TERÇA

por André Kfouri em 23.dez.2014 às 9:43h

(publicada ontem, no Lance!)

ESCASSO

Não foi a primeira decisão de título mundial de clubes em que um dos times em campo não queria jogar. A ocasião costuma proporcionar encontros desequilibrados do ponto de vista técnico, em que as únicas chances do não-europeu residem em uma vitória casual ou nos pênaltis.

Mas foi a primeira decisão de um Mundial de Clubes da FIFA em que um dos times não apenas não queria jogar como também não queria que houvesse jogo. São coisas distintas. Dificultar a fluência dos movimentos de um adversário superior, apostando no erro e na surpresa, é uma entre tantas maneiras de competir. O estágio além desse expediente é o que se convencionou chamar de antijogo. Foi a escolha inicial do San Lorenzo contra um Real Madrid fabuloso, construído e operado por um vencedor silencioso chamado Carlo Ancelotti.

Relacionando um jogo de futebol a uma conversa, o estilo de defesa e contragolpe seria como interromper frequentemente os raciocíonios do interlocutor. Fazer perguntas sobre temas nos quais ele não está interessado, investir em uma dinâmica que o deixe desconfortável. O antifutebol é agredir, ofender, sentar no chão com as mãos tapando os ouvidos e gritar. Um comportamento que revela imaturidade e incapacidade de lidar com os próprios defeitos.

O antijogo não é permitido pelas regras do futebol. A obrigação de impedir que o espetáculo seja contaminado é da arbitragem. No sábado, em Marrakech, a estratégia dos campeões da Copa Libertadores teve a assistência do árbitro guatemalteco Walter Lopez, que tardou cerca de meia hora para estabelecer um mínimo de ordem no gramado. No período, o que se viu foi um jogo sem mediação, ambiente perigoso em que vale a lei do mais forte. O nível do apitador da decisão é algo que a FIFA precisa corrigir em edições futuras do Mundial de Clubes.

Tudo teria sido diferente se, no primeiro ataque espanhol, a bola roubada por Toni Kroos (formidável jogador alemão que terminaria a noite tendo conquistado três títulos mundiais em um intervalo de um ano) tivesse chegado a Karim Benzema diante do gol. O francês pareceu tropeçar no momento de concluir o passe de Cristiano Ronaldo, desperdiçando a chance que serviria como abridor de latas. O San Lorenzo veria seu plano ruir nos minutos iniciais e, talvez, trocasse a longa lista de preocupações pela atitude kamikaze que já levou tantas equipes menos cotadas a conquistas heróicas.

O gol de Sergio Ramos, próximo do final do primeiro tempo, convenceu os argentinos de que o melhor cenário possível seria o empate. E o gol de Bale, fruto de uma constrangedora falha do goleiro Torrico logo no recomeço, consolidou a dramática diferença técnica entre o melhor europeu e o equivalente sul-americano neste ano. O San Lorenzo passou a jogar para não sofrer mais, proposta plenamente aceita pelo Real Madrid, à exceção de Cristiano Ronaldo, ávido por um momento de destaque individual.

Ao final, entre ser ingênuo ou provocador, o melhor caminho é ter coragem e crer na generosidade do futebol. Nenhum time sul-americano jamais conquistou esse troféu sem jogar, nem que seja só um pouco.

COLUNA DOMINICAL

por André Kfouri em 21.dez.2014 às 10:49h

(publicada ontem, no Lance!)

OS CARTOLIZADOS

O torcedor de dirigente é um soldado que se alistou sem ter sido convocado. Considera-se um defensor da instituição e se crê um entre milhões que “pensam” da mesma forma, apesar de não haver traço de reflexão em suas manifestações. Enxerga o cartola como um ser superior, um ídolo sem defeitos, alguém que personifica a paixão como ele faria se tivesse a honra. Comporta-se como um devoto.

O torcedor de dirigente é desprovido de espírito crítico. Alguns até são capazes de exercê-lo em relação a outros temas, mas o desativam quando o assunto é seu time ou seu líder. A enorme maioria ignora como analisar a conduta do dirigente favorito com qualquer prisma que não seja o balanço de vitórias e derrotas. Mas há até os fundamentalistas que não abandonam as virgens de cartola mesmo quando o time, o clube e a história vão para o buraco, como vimos neste ano no caso do Botafogo. Os torcedores de Maurício Assumpção – sim, eles existem – conseguem ver aspectos positivos na catástrofe.

Quando o repórter Bernardo Itri, da Folha de S. Paulo, revelou nesta semana a existência de um contrato no São Paulo que beneficia namorada de Carlos Miguel Aidar, torcedores do presidente tricolor não detectaram qualquer problema. Argumentaram que a comissão de 20% é praxe nesse tipo de negócio, fechando olhos e ouvidos para a real anomalia, o conflito de interesses. Provavelmente não sabem do que se trata, e nem querem saber, pois se é “bom para o clube” é bom para eles. Inocentes.

O torcedor de dirigente aceita, aplaudindo, tudo o que o oráculo diz. Não há possibilidade de contraditório. De modo que não foi a esses robôs que o presidente do Internacional, Vitorio Piffero, dirigiu tanto nonsense sobre suas desventuras com treinadores, em entrevista coletiva na terça-feira. Os torcedores de Piffero receberiam em êxtase o que quer que ele declarasse, até mesmo que o Inter seria dirigido pelo comendador da novela em 2015. As tentativas frustradas de convencer alguém de que o clube não procurou nem Tite e nem Vanderelei Luxemburgo foram, portanto, endereçadas a quem não bate palmas automaticamente. Por quê?

Ao se reapresentar ao Corinthians, Tite confirmou que conversou com o Internacional. Sobre o convite a Luxemburgo não existe apenas o comunicado divulgado pelo treinador (informando que permaneceria no Flamengo), mas a informação de quem fez a abordagem. Piffero poderia ter dito a verdade ou utilizado a sempre conveniente saída do “assunto interno, sem comentários”. Preferiu iludir, ludibriar. É feio, mas é mais fácil do que admitir que as duas negativas colocaram o Inter em posição desagradável, obrigado, talvez, a tentar as pazes com Abel Braga se ele quiser conversar. Para o torcedor de dirigente, não existem contextos.

O maior problema do torcedor de dirigente é seu caráter autoritário, alimentado pela fantasia de poder que sua imaginação criou. Essa missão ficcional o leva a se voltar justamente contra aqueles que podem ajudá-lo a ver. Assim o sonho continua com ele a postos, à espera de novas ordens, orgulhoso.

ATUALIZAÇÃO, segunda-feira 22/12, 11h00 – O Internacional contratou hoje o técnico uruguaio Diego Aguirre.

CAMISA 12

por André Kfouri em 19.dez.2014 às 8:15h

(publicada ontem, no Lance!)

OSSO

Coube a um jogador argentino marcar o gol que possivelmente uniria o Auckland City aos fenômenos Mazembe e Raja Casablanca. Emiliano Tade, nascido em Santiago del Estero, se viu diante do momento de sua vida no segundo tempo do jogo de ontem contra o San Lorenzo.

A semifinal do Mundial de Clubes da FIFA estava empatada em 1 x 1. Entre o constrangimento e a emergência, os campeões da Copa Libertadores pressionavam com a negligência que caracteriza os times desesperados: correndo riscos em nome de um gol salvador. Os neozelandeses estavam configurados para o contra-ataque e tinham campo para jogar. Aos 31 minutos, uma chance do tamanho da Oceania.

Contragolpe pelo lado direito, três contra um. O passe para o centro foi preciso na direção e na força. Tade acompanhava a jogada, ajeitou para finalizar na saída do goleiro Torrico, e “chutou” com o osso externo do tornozelo esquerdo. A bola voou para longe do gol argentino, carregando consigo a importância de uma virada àquela altura e a estranha sensação que amaldiçoa os que falham quando a sorte lhes sorri.

Dito e feito, claro. O San Lorenzo teve ocasiões ainda no tempo normal, avisos do destino aos semiprofissionais campeões da Oceania. O time do Papa chegou ao segundo gol no primeiro ataque da prorrogação, oferecendo a Francisco um saboroso presente de aniversário de 78 anos. A bola na trave de Torrico, que empataria novamente o jogo, apenas aumentou o tamanho do gol que Tade não fez. Material suficiente para uma vida de sonhos ruins.

O San Lorenzo caminhou de mãos dadas com a decepção que o Internacional e o Atlético Mineiro – únicos sul-americanos eliminados nas semifinais do Mundial de Clubes – experimentaram. Foi salvo por um tornozelo. O futebol e seu incompreensível senso de humor. No rugby, com tradição e favoritismo invertidos, seria um tremendo passeio.

DECISÃO

Chegou o momento. A bancada da bola da Câmara dos Deputados aprovou emenda que beneficia os clubes que devem à União, sem qualquer contrapartida. A Medida Provisória que salva os dirigentes de futebol irresponsáveis chegará à mesa da presidente Dilma Roussef, que terá a oportunidade de honrar o compromisso que estabeleceu com os jogadores. Ou de trai-los.

AH, AS MEDALHAS…

A Confederação Brasileira de Vôlei está envolvida por um escândalo de desvios de verbas, comprovados por um relatório da Controladoria Geral da União. O Banco do Brasil, em medida que merece aplausos, fechou a torneira que enriquece espertos. Atletas estão revoltados, e com toda a razão. Mas Carlos Arthur Nuzman, presidente do COB, só está preocupado com as medalhas.

COLUNA DA TERÇA

por André Kfouri em 16.dez.2014 às 9:30h

(publicada ontem, no Lance!)

UM TIME?

A contratação de Oswaldo de Oliveira é uma boa notícia ao final de um ano sofrido para o torcedor do Palmeiras. Dois mil e quatorze, o centenário do clube, teve apenas um momento que será lembrado com felicidade: a reinauguração do estádio. A noite que reuniu gerações em torno do orgulho de torcer para o Palmeiras terminou com uma derrota que as amedrontou. O que diz o suficiente a respeito da temporada do time.

Dois mil e quinze começará com a esperança de ser diferente, e a chegada do novo técnico é, por si só, uma garantia de que será. Pode não ser um sonho, porque há muitas circunstâncias envolvidas, mas não será igual. A visão de futebol de Oswaldo e as características que regem sua maneira de trabalhar estão do outro lado do espectro em relação aos treinadores que passaram pelo Palmeiras recentemente. Os times de Oswaldo jogam, e não há nenhum motivo para crer que o Palmeiras sob suas ordens assumirá o caráter receoso que marcou o ano que quase terminou na Série B.

Oswaldo de Oliveira faz parte da família dos “técnicos do sim”. São treinadores que enxergam o futebol como uma conversação para a qual cada um deve contribuir com argumentos sólidos e bem apresentados. Há técnicos que só sabem fazer cara feia e gritar. Polemistas, estão interessados em “vencer” a discussão a qualquer custo, pois imaginam que vitórias os tornam espertos. Oswaldo prefere debater expondo os pilares de sua posição, pois não há virtude maior do que construir algo baseado em convicções.

Essas diferenças aparecem quando encontramos times que só sabem competir explorando as imperfeições do rival. Comportam-se como animais oportunistas que, incapazes de caçar, especializam-se em roubar a presa abatida pelo mais forte e mais corajoso. Para cada time de futebol que não consegue sair jogando com a bola dominada desde trás, há um técnico que finge esquecer que seu trabalho é, também, ensinar. Desenvolver movimentos para ir da defesa ao ataque sem se desfazer da bola é um dos princípios básicos do futebol, mas existem aqueles que os abandonam para não correr riscos. A isso se dá um nome: medo.

Os times de Oswaldo não praticam futebol medroso, independentemente do orçamento. Mas é claro que a matéria-prima é determinante para o produto final. A obrigação de quem está acima do técnico é dar a ele a possibilidade de construir um time, o que depende de recursos e conhecimento. Se as informações que saem de dentro do Palmeiras são verídicas, não existe apenas a intenção de investir em jogadores, mas o dinheiro para fazê-lo também está disponível.

Em 2014, a impressão de que Valdivia é um jogador decisivo foi exagerada pela solidão do chileno. Seus companheiros lhe entregavam a bola com um pedido de socorro. Bom para ele, ruim para todos. Valdivia será realmente um fator de desequilíbrio quando, e se, estiver em campo com regularidade, e for parte de movimentos ofensivos que não terminem nele. Oswaldo de Oliveira já deve estar pensando em como.

MURO

David de Gea foi o melhor jogador em campo no clássico de ontem entre Manchester United e Liverpool. O goleiro espanhol deu uma clínica de como defender lances à queima-roupa, fazendo o suficiente sem tentar fazer muito. De Gea diminui a distância para o atacante, usa os braços e pernas para fechar possíveis rotas da bola, e espera o contato. Não tenta adivinhar ou se antecipar à finalização, apenas dificulta ao máximo a tarefa do rival. Para cada um dos três gols que o Manchester United marcou, De Gea fez pelo menos uma defesa decisiva.

AGUARDE

Está difícil atravessar o final do ano enfrentando a abstinência de futebol? Não se preocupe. Daqui a pouco é Natal, depois Ano-Novo, e, quando você menos esperar, a bola estará rolando de novo nos emocionantes campeonatos estaduais. Toda a pujança dos times do interior, os estádios lotados a cada visita dos clubes grandes, uma festa…