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Milhões pegos por um fio

por Marcelo Damato em 16.fev.2009 às 21:29h

O presidente do Palmeiras, Luiz Gonzaga Belluzzo, mandou o Conselho de Fiscalização apurar responsabilidades de um contrato que poderia causar um gasto milionário aos cofres do Palmeiras.

Membros da comissão de obras do estádio, um deles vice-presidente, outro diretor e outro ex-presidente, firmaram um contrato com um sócio para que ele prestasse “consultoria de obra” durante a reforma do Parque Antártica.

Pelo contrato, o sócio João Carlos Mansur, que foi intermediário na negociação entre o Palmeiras e a WTorre, iria receber R$ 25 mil por mês do clube até o início das obras, o que deve ocorrer daqui a seis meses, e R$ 75 mil por mês durante os trabalhos, cuja duração prevista é de 30 meses.

No total, deveria receber cerca de R$ 2,4 milhões. O contrato, entretanto, não foi assinado pelo presidente do clube na época, Affonso Della Monica, e assim, segundo a atual diretoria, não tem validade.

Mesmo com o contrato sem a assinatura do presidente do clube, Mansur já recebeu o primeiro pagamento, de R$ 25 mil, em janeiro, ainda no mandato de Affonso Della Monica. Quem autorizou o pagamento foram então diretor administrativo (hoje no planejamento) José Ciryllo Júnior e o então diretor financeiro Salvador Palaia, ambos membros da comissão do estádio.

Belluzzo descobriu o acordo quando foi apresentada a segunda nota, que não foi paga. Nesta segunda-feira, o caso foi remetido pelo presidente para o Conselho de Orientação e Fiscalização, o COF.

Segundo Mansur, o contrato foi fechado com Palaia, Ciryllo e com o ex-presidente Carlos Facchina Nunes, o outro membro da comissão. A explicação dos diretores é que eles acham que tinham autonomia para fazer esse acordo e realizar essa despesa.

Mansur, por sua vez, não quis dar nenhum detalhe do acordo, nem quis confirmar se recebeu o dinheiro. Alegou que o contrato era sigiloso.

O acordo parece mesmo ter sido sigiloso. Segundo o blog apurou, além de Belluzzo, Della Monica tampouco sabia oficialmente sobre ele. Ele chegou a ser informado de que havia uma negociação em andamento, mas a desautorizou. E, para ele, depois o caso morreu.

Belluzz disse que o que foi feito é irregular.

“Eu não estou fazendo ilação nenhuma de que tenha havido desonestidade nesse contrato. Apenas digo que não se poderia mandar pagar num contrato sem assinatura do presidente. E esse contrato não interessa ao Palmeiras. Portanto, não será assinado”, disse Belluzzo.

Belluzzo disse que tomará providências para recuperar o dinheiro já pago.

E afirmou que contratará uma auditoria para rever todos os contratos assinados nos últimos dois anos.

OUTRO LADO

O vice-presidente Salvador Palaia deu “parabéns” à decisão de Belluzzo de levar o caso ao COF. Palaia disse que o contrato é legal é que foi assinado mesmo por ele, Facchina e Cyrillo. Afirma que a comissão tem poder para isso.

Palaia confirma que mandou pagar a primeira nota, mas disse que além dele a nota foi assinada por Ebem Gualtieri, ex-quarto vice-presidente.

Palaia, para deixar enfatizar que não se sente ameaçado pelo exame do contrato pelo COF, declarou. “O contrato foi levado para o COF, não para a polícia”.

O blog não conseguiu contactar Cyrillo e Facchina até este momento

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