por Marcelo Damato
O chefão da Fórmula 1, Bernie Ecclestone, disse que está disposto a pressionar pela mudança do sistema de classificação da F-1. Quer acabar com o sistema de pontos e entregar medalhas aos três primeiros, no pódio. Os demais ficariam sem nada.
Assim, a classificação seria por ouros, ou por vitórias. Em caso de empate, por pratas, e depois por bronzes.
Disse que isso acabará com títulos sendo decididos com um piloto precisando apenas chegar em quinto lugar, como aconteceu com Hamilton no GP do Brasil. Neste ano, se fosse por essa decisão, ambos teriam chegado à última prova empatados com cinco “ouros”.
Mas, como já disse o grande físico brasileiro Mário Schenberg a um pesquisador que defendia seu doutorado, há algumas idéias que são boas, mas não são novas, e outras que são novas, mas não são boas.
No caso de Ecclestone, a proprosta não é boa, nem nova
Classificação por vitórias pode parecer bacana e já foi proposta muitas vezes. Mas é como imposto único: se não está em vigor em lugar nenhum é porque existem motivos para isso. E dar medalhas pode ficar bonito no começo, mas não resolve o problema.
Poi,s se a disputa pela vitória poderá ficar mais acirrada, a partir do quinto lugar, o que se verá é um desfile de carros poupando motor para a corrida seguinte.
E depois da metade do campeonato, quase todos - ou todos - os pilotos estarão já sem chance. E por fim ainda pode ocorrer o contrário de 2008. Em 2003, Schumacher foi campeão apenas na última prova, no Japão. Se fosse pelo número de vitórias, teria sido campeão na antepenúltima, na Itália.
Ecclestone não é burro e sabe dessas coisas. Sabe que um sistema assim mata as equipes menores. Deve estar usando essa proposta para negociar outra coisa, por exemplo, a não redução de sua fatia na divisão do bolo da TV. Hoje, 47% vão para as equipes, 30% para a FIA e 23% para Ecclestone.
Ou talvez queira mudar um pouco o sistema de pontos, por exemplo, voltando à época de Senna. Não é demais lembrar que foi exatamente por Schumacher vencer demais que se aumentou a pontuação do segundo ao oitavo lugares justamente para a temporada de 2003.
Fernando Viguê disse:
Bom dia, Marcelo. Acredito que sua matéria está incompleta, pois a proposta do Sr. Ecclestone é dar medalhas para os 3 primeiros, mas as pontuações continuariam a valer normalmente para o Mundial de Construtores.
Acredito que o grande problema será o seguinte:
- Um piloto vence 9 das 13 primeiras corridas (nada impossível, vide Era Schumacher, que voltará a acontecer caso a Renault dê um carro à altura do talento do Alonso, ou o Massa e o Hamilton contem com menos erros de suas equipes). Pronto, acabou o campeonato, os outros vão se matar pela segunda posição.
Abraços.
Fernando, li em vários lugares. Em todos, há a mesma informação: Ecclestone quer abolir o sistema de pontos. As classificações abaixo do terceiro lugar serviriam apenas como fatores de desempate, em caso de igualdade em ouros, pratas e bronzes, o que, convenhamos, é praticamente impossível de acontecer.
EmersonF disse:
Não me parece uma boa idéia. A forma atual parece mais justa.
Eu preferia a velha regra dos 9,6,4,3,2 e 1, Emerson. Dar ponto para o oitavo colocado é dose, mas também a regra Senna - dez pontos para o vencedor - desequilibrava muito. Mas o que me parece incrível é que em vez de se aproximar da solução ideal, os cartolas parecem estar se afastando. Até 2002, as mudanças na pontuação foram mínimas - de oito para nove pontos para o vencedor numa vez e de nove para dez em outra. Em 2003, já fizeram uma bagunça, mudando a pontuação do segundo ao oitavo. Agora querem mexer mais ainda. Não tem lógica. A experiência acumulada tem que levar a uma convergência, não sair dela. Uma decisão revolucionária só se justificaria num momento excepcional, o que não aconteceu. Por exemplo, Emerson Fittipaldi conquistou um dos títulos podendo chegar em quarto na última corrida. Administrou e foi campeão.
Anísio FC disse:
A FIA, no que se refere à parte proativa dos regulamentos, deveria ser mais rígida, esse negócio de mudar regra de pontuação ao sabor da época é muito chato também.
Na época se Senna, como citou o Damato, também houve mudança, aí nem sei se o Damato quis dizer dos pontos para os 6 primeiros como 9-6-4-3-2-1 ou 10-6-4-3-2-1 depois de 91 com a desculpa que era pra valorizar a vitória, aí mudou em 2003 passaram a pontuar os 8 primeiros 10-8-6-5-4-3-2-1 que era pra diminuir a diferença de pontos entre o 1° e o 2°, por culpa da cessão de posição do Barrichello para o Schumacher.
Sem contar que houve época que se descartavam alguns pontos do total, como em 88 e Senna foi campeão com 94 pontos e Prost foi vice com 105 pontos no total, mas oficialmente Senna terminou com 91 e Prost com 87, num regulamento que mandava a regularidade às favas, pois nesse campeoanto Prost pontou em 14 de 16 provas e foi ou 1° ou 2°, Senna pontou em 13, e foi 1° ou 2° só em 10…
Por mim não inventavam mais e voltaria à pontuação que mais tempo perdurou na F1, 9-6-4-3-2-1 para os 6 primeiros sem mágicas de descartes ou coisa parecida!
A FIA também deveria mudar os qualificatórios pras corridas, como era antes, cada piloto tinha 12 voltas pra fazer seu tempo pra largada! O término disso foi mais um daqueles casuísmos inventados pra preservas as poles de Senna! Diga-se, Senna também penou bastante com mudanças na pontuação e no qualificatório!!!
Escrevemos quase a mesma coisa ao mesmo tempo (eu na resposta ao Emerson), Anísio. Que coincidência.
Eduh disse:
Concordo, não é boa! por uma infinidade de motivos…
Abç!
Anísio FC disse:
Ah! E com as pontuações antigas, fosse com 10 ou 9 pontos pro primeiro, pontuando do 1° ao 6°, Massa teria sido campeão!
No caso de 10 pontos, terminaria com 83 x 80, no caso de 9 pontos terminaria com 77 x 75!
Mas é claro que isso tudo é pura exercício e brincadeira, a regra de pontuação é feita antes do início do campeonato e os caras jogam o jogo como está regulamentado!!!
Mas, se a parte reativa, a técnica, é muito mais difícil de regulamentar, pois tecnicamente a F1 é bastante ágil, na parte proativa a FIA deveria ser mais
rígida.
Carlos Almeida disse:
Acho que o primeiro lugar, por causa da grande diferença do Schumacher em relação aos demais foi desvalorizada. Na minha opinião o sistema atual é justo e beneficia em especial os novos pilotos, mas para fazer justiça ao vencedor da prova entendo, que o vencedor deveria abocanhar 12 pontos no lugar de 10, a pontuação restante permaneceria.
MH disse:
Eu ainda acho que vocês pegam muito no pé do Barrichello neste blog. O cara é octacampeão de Cart!
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Marcelo Damato é jornalista há 22 anos, a maioria passados na Folha de S.Paulo (Internacional, Ciência e Esporte) e no LANCE! (jornal, A+ , Lancenet). É colunista do LANCE! desde 2002 e colaborador de diversas revistas desde 2006. Acha que seu papel como jornalista é olhar contra a corrente, buscar sempre o que está fora de lugar e provocar os leitores com idéias e fatos interessantes. Espera que os leitores deste blog façam o mesmo com ele.
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