A decisão do Corinthians de proibir o verde no carro que levaria seu nome na Formula Superlague foi de uma estreiteza inadmissível para uma administração que se pretende moderna.
A atitude mostra uma falta de auto-estima impressionante. O Corinthians não ficará maior nem menor se tiver um carro com qualquer se seja a cor. E cometeu a insanidade de rejeitar as cores da bandeira do Brasil – é isso mesmo, o carro tinha verde, amarelo, azul e branco.
Mas o mais importante é o seguinte ponto: verde não é a cor do Palmeiras. Verde é a cor de um monte de coisas, inclusive do Palmeiras. Verde é a cor das árvores, do mar, de um monte de vegetais importantes à saúde, da bandeira do Brasil, verde é a cor dos olhos de um monte de gente, é a cor da Jaguar. E também do Palmeiras.
Ao rejeitar o verde, o Corinthians está se encolhendo se fazendo menor do que poderia ser. Está entregando um pedaço do mundo ao rival.
Nas palavras de um jornalista palmeirense amigo meu, está dando ao Palmeiras uma importância que o clube talvez nem tenha.
O Corinthians tem que se preocupar consigo, em como vencer mais jogos e mais campeonatos, pois somente assim será mais conhecido e reconhecido. Tem que crescer mais na parte financeira e saber investir melhor o dinheiro para ter equipes sempre fortes, sempre campeãs. O resto tem pouca ou nenhuma importância.
A rivalidade é um ingrediente importante do futebol, porque faz as equipes se dedicarem mais, evoluírem. Mas a rivalidade não é um valor em si, é um meio para alcançar o que importa. E, para ser produtiva, a rivalidade tem que ser saudável e inteligente. Não pode ser confundida com intolerância, com radicalismo estéril. A intolerância é burra, todos sabem.
E nos principais países do mundo da bola, os clubes grandes já entenderam o caminho. O Manchester United jogou dois anos de azul, cor do City. A Inter de Milão já jogou com uma enorme cruz vermelha, cor do Milan, no peito. E entre os times que promovem o maior clássico do mundo, o Barcelona já jogou de branco, cor do Real, apenas com uma faixa azul-grená no peito.
Também é verdade que há mais países em que os clubes não aceitam usar a cor do rival. A Turquia e a Argentina são dois. É uma questão de escolha. Quem queremos ter como espelho? A Inglaterra ou a Argentina? A Espanha ou a Turquia? Queremos ter o futebol dos grandes espetáculos ou o das batalhas sangrentas? Futebol é fator de socialização ou de segregação?
Se o Corinthians quisesse se preocupar com o Palmeiras – o que acho errado, nenhum clube deve se preocupar com o rival nesse nível – deveria isso sim fazer uma estratégia contrária, como fez o United com o City. Deveria “tomar” o verde do Palmeiras, torná-la uma cor tão neutra que o rival teria de escolher outra. Isso, sim, seria uma demonstração de força.
Mas, como disse, sou contra.
Enfim, o Corinthians perdeu a chance de reafirmar que é moderno.
PS: Pode-se discutir um ponto, muito importante: como ter um carro com o nome do Corinthians sem as cores do clube? Mas aí era precisa haver reação contra o azul, amarelo, vermelho, marrom, dourado, prateado, cinza e todas as cores que fogem do alvinegro.
Mas o clube preferiu abriu mão de ter um carro com suas cores para ganhar com a difusão do nome do clube em troca sem ter de gastar nada.
Isso, sim, deve ser questionado. A cor, pouco importa.