Blog dos Colunistas
por Marcelo Damato às 19:46h
O Palmeiras estava prestes a entrar em mais uma crise. Depois de estar vencendo por 2 a 0, graças a dois gols anulados do adversário no primeiro tempo (um me pareceu irregular, outro não), levou o empate e era dominado em Bragança Paulista.
Mas Lenny, “o filhinho da vovó”, recuperado da lesão que o fez cair para sexto atacante da equipe em 2009, aproveitou um cochilo da marcação e deu a vitória ao Palmeiras.
O resultado vale três pontos e um respiro. Até que encontre seu caminho, cada jogo para o Palmeiras será um calvário.
O que resta ver é se o árbitro que errou a favor do Palmeiras receberá a mesma punição do que o que errou a favor. E não foram apenas os gols anulados. Cléber Abade ignorou três lances em que a bola tocou nos braços de palmeirenses. Na minha opinião, em pelo menos um o árbitro errou.
por Marcelo Damato às 19:35h
O Santos foi um pouco melhor no primeiro tempo, o São Paulo melhorou após a interessante substituição de Washington por Cleber Santana, mas a estrela da tarde estava mesmo no banco.
Robinho jogou 35 minutos, finalizou três vezes. Na primeira, Rogério Ceni evitou com grande defesa. A segunda raspou o poste e a terceira decidiu a partida.
E nem tinha terminado o jogo e o estusiasmo com a dupla Robinho-Neymar era avassalador. E tudo que é assim acaba atraindo um monte de comentários impensados.
A bobagem da hora é que centroavantes não fazem falta às equipes, que a defesa adversária se perde quando não há um atacante de referência.
A tese se esquece de um “detalhezinho sem importância”: deve haver um motivo para o fato de há mais de cem anos 99% das equipes usarem centroavantes.
As razões são simples. Poucas têm jogadores como Robinho e Neymar. E todas que os têm são obrigadas a jogar em velocidade. Se o adversário conseguir cadenciar o jogo e trancar o meio-campo, a coisa se complica.
Eu adoro ver equipes com dois atacantes velozes. O futebol argentino teve vários times assim. Alguns clubes europeus, como Real Madrid e Manchester, também tiveram essas formações. Mas normalmente um dos dois também sabia jogar fixo.
Neymar e Robinho darão várias vitórias ao Santos. Mas falta muito para se dizer que está nascendo uma dupla histórica. Provavelmente não, porque os dois jogarão juntos apenas cinco meses.
Por isso amais do que elaborar teses de oportunidade sobre o futebol, o melhor mesmo é apreciar o futebol do Santos, que tem essa estranha capacidade de revelar magricelos de uma habilidade incomum.
PS: E o São Paulo? O time não consegue resolver um dilema. Se aumenta a volúpia, perde a precisão, no ataque (erra os contra-ataques) e na defesa (exagera nas faltas e leva cartões). Se cadencia, não vai a lugar nenhum. A Fórmula Muricy acabou e o clube não consegue substituí-la por outra.
por Marcelo Damato às 20:10h
O Corinthians reestreou em 2010. Fez um jogo seguro, com um amplo domínio, como se espera (mas nem sempre acontece) num confronto de duas equipes tão diferentes. O Sertãozinho já pinta como um forte candidato a cair.
Roberto Carlos fez uma bela partida e apagou um pouco a má imagem da estreia. Jorge Henrique mais uma vez foi o melhor. A zaga andou batendo um pouco cabeça, mas nada que preocupe.
Finalmente, Edno fez seu primeiro gol contrao Corinthians. Uma das contratações caras do segundo semestre, o meia-atacante não marcava desde que saíra da Portuguesa.
Marcelo Mattos também fez uma boa partida. Correu muito, bateu pouco e como prêmio marcou um gol.
E, assim, Mano Menezes pode estar recuperando enfim esses jogadores.
Mas a lista dos que precisam encontrar um caminho ainda é longa. E começa com Escudero, |Edu e Moraes. Os que estão chegando agora ainda não contam, claro.
Mas tudo está muito no começo. Os clássicos é qie decidem mesmo.
Como o de amanhã;
por Marcelo Damato às 19:46h
Todo técnico (e não só técnico) adora dizer que exige independência em seu trabalho, que, se tentarem interferir pedem demissão.
Sempre achei que isso era meio garganta, mas pelo jeito Paulo Comelli resolveu levar a ideia a ferro e fogo. Sorte do Oeste.
Na metade da partida contra o Paulista, o seu time perdia em casa, e corria o risco de terminar a rodada com dois pontos em seis jogos. Os investidores da equipe foram ao vestiário, exigiram mudanças. Comelli não aceitou e se demitiu.
As mudanças no time foram feitas e o Oeste virou o jogo. Só não venceu porque levou um gol nos acréscimos. Mas, na partida deste sábado, o Oeste venceu o Rio Claro fora de casa e deixou a lanterna.
Resumo da ópera. Com o técnico, o time teve dois empates, três derrotas e uma derrota parcial. Sem ele, conseguiu uma vitória parcial e uma vitória. Quam vai convencer os cartolas-empresários do Oeste de que eles não devem pôr o dedo no time.
Cena dois. A diretoria do São Paulo diz ano após ano, especialmente depois do caso Madonna, que o Paulista vale pouco e que é preciso usar os reservas. O técnico Ricardo Gomes acredita e faz um planejamento visando só a Libertadores.
No primeiro clássico, Gomes aprendeu que palavra de cartola não se mede pelo sentido, mas pelo “espírito”. Em clássico, a ordem é outra: tem que ganhar para não irritar a torcida.
E assim Ricardo Gomes foi obrigado a colocar todos os titulares, contra o Santos. Tropeçar contra o Mirassol, tudo bem. Contra um rival, jamais.
E o planejamento? Bem, isso só vale em momentos morno e só deve ser ressaltado na hora que o time ganha (ou perde) o campeonato. No dia-a-dia o que manda ainda são as práticas de sempre.
PS: Vale lembrar a tentativa do Santos de conseguir mais dinheiro do São Paulo por promover a estreia de Robinho no clássico. Como disse um cartola são-paulino “eles querem dinheiro para colocar uma equipe mais forte contra nós!”
Mas vale lembrar que, em 2009, o Corinthians fez quase o mesmo com Ronaldo contra o Palmeiras e ainda levou 20% da renda.
por Marcelo Damato às 19:31h
Após uma série de questões de ordem familiar, de saúde, tecnológicas e também dez dias de férias, estou de voltas. Peço desculpas pelo silêncio.
Prometo que vou cuidar deste blog com mais afinco do que no último semestre
por Marcelo Damato às 1:12h
Quase toda semana, alguém do LANCE me pergunta se acho que Ronaldinho já merece uma nova chance na seleção. E eu dizia sempre que ainda não, que seus dois anos de futebol pífio não podem ser anulados por um punhado de bons jogos. Mas Ronaldinho já fez cinco gols apenas em 2010, três neste domingo.
Seus gols são de formas cada vez mais variadas e ele está sendo reconhecido como o grande nome do Milan, a sensação deste Campeonato Italiano. Se vencer o clássiico do próximo fim de semana, ficará três pontos atrás, com um jogo a mais por fazer, num empate em pontos perdidos.
Assim, mudo minha opinião. Dunga deve chamá-lo para o amistoso em março. Se Ronaldinho voltar a ser o que foi, o Brasil será campeão quase certo. Se jogar o que vem fazendo no Milan, será um grande reserva para Kaká. Ou um substituto para Robinho.
por Marcelo Damato às 1:07h
Luiz Gonzaga Belluzzo e Luis Alvaro Ribeiro foram colegas de turma no colegial, num mesmo colégio de São Paulo. Iniciaram 2010 presidindo os dois mais problemáticos clubes grandes de São Paulo. Apertados com problemas financeiros foram os que menos contrataram para esta temporada. Ribeiro tenta aparar o buraco deixado por seu antecessor. Belluzzo convive com o que ajudou a criar.
Assim, Palmeiras e Santos davam a pinta de que começariam devagar. Ao contrário, venceram por goleada e viram os co-irmãos ricos - São Paulo e Corinthians - tropeçarem feio.
O Palmeiras, sem Vagner Love, fez cinco no Mogi Mirim. O Santos, com a reestreia de Giovanni, fez quatro no Rio Branco.
É verdade que o Santos mais uma vez foi beneficiado por esse trambique que a FPF insiste em tolerar - times do interior enfrentam o Santos no Pacaembu - formalmente campo neutro, mas na prática não - em busca de uma melhor arrecadação.
Esse ponto à parte, foi um jogo de sonho para os santistas. Giovanni não desapontou e os garotos Paulo henrique e Neymar comandaram o show.
Quem fez o mesmo no sábado foi Diego Souza. Um dos vilões da perda do título voltou a jogar no ataque, onde rende mais. Fez dois gols e se destacou nos 5 a 1 sobre o Mogi Mirim.
Mas houve apenas uma rodada. É muito cedo para apontar o que pode acontecer. Mas por enquanto, os dois colegas do Colégio São Luiz podem festejar.
por Marcelo Damato às 0:58h
Dezessete anos atrás, na Copa São Paulo, surgia uma das melhores gerações dos juniores do São Paulo, com Rogério Ceni, Jamelli e Caio como destaques. O time foi campeão da Copa São Paulo e no ano seguinte foi a base do Expressinho que venceu a Copa Conmebol, com Muricy como técnico. Dessa geração, ainda resta um jogador, Rogério, claro.
Em 2010, ao mesmo tempo que desponta outra geração de juniores, o time principal sofre um tropeço doído. Na estreia de Marcelinho Paraíba e Léo Lima, o time perdeu de virada e em casa. O Tricolor marcou no primeiro tempo, mas foi engolido pela Portuguesa no segundo.
Dezoito mil pessoas foram à estreia do São Paulo, número um pouco superior aos dos últimos anos, e saíram preocupados. Pois, mesmo sem Muricy Ramalho, a equipe começa o ano em marcha lenta. E dos principais reforços, só Fernandinho não estreou - nem o fará por algumas semanas.
O momento símbolo da derrota acabou acontecendo no começo, quando o Rogério Ceni desperdiçou o pênalti e Hernanes, o rebote. É verdade que o goleiro da Lusa fez uma grande defesa, mas pênalti não é para se perder.
O Paulistão é pouco mais do que um torneio de verão, mas o São Paulo sabe que não pode tropçear muito. No ano passado, não venceu nenhum título e, se no primeiro semestre, não conseguir chegar ao menos à final, a paciência da torcida não vai durar muito.
por Marcelo Damato às 0:31h
A Copa São Paulo vai afunilando e a rodada foi marcada pela eliminação do Corinthians. num jogo em que todos os gols saíram de pênaltis. Contra os atuais campeões pesou na campanha o fato de seus jogadores terem cometido quatro pênaltis. A favor, que apenas dessa maneira a equipe sofreu gols. Mas, para quem queria ser campeão, sair nas oitavas de final é bem frustrante.
Com a saída do Corinthians, o São Paulo, que venceu todos os jogos por goelada, até aqui, com incríveis 24 gols marcados e um sofrido, se torna ainda mais favorito. A ironia é que a garotada pode arrebentar justamente no ano em que a diretoria contratou pesado.
O Palmeiras e o Cruzeiro, que jamais venceram a competição, e o Santos, que está na fila há um bom tempo, fecham a lista dos principais candidatos ainda no páreo. Palmeiras e Santos poderão fazer uma seminal, mas São Paulo e Cruzeiro confrontam-se já nas quartas.
O time que é o maior azarão também é uma das maiores sensações. O CFZ de Brasília, franquia de sucesso da equipe de Zico (que ironicamente praticamente fechou as portas) deixou o Vasco em segundo na fase de grupos, e depois eliminou Flamengo (nos pâneltis) e Coritiba, de goleada. Se passar pelo Juventude chegará às semifinais. O único time fora dos estados mais importantes do futebol não vem ganhando por acaso.
Dos jogos que vi neste ano, a Copinha me pareceu bem melhor do que nos anos anteriores. Vários times são bem entrosados, capazes de fazer jogadas coletivas. Mas faltam grandes talentos, pelo menos do que eu vi,
por Marcelo Damato às 12:58h
O ataque da guerrilha de Cabind a às vésperas da Copa das Nações Africanas, matou três membros da delegação do Togo, feriu vários, um deles com gravidade e deixou o presidente da Filha, Joseph Blatter, nu. Todo o seu discurso da autonomia das federações em relação aos governos foi por água abaixo.
Após o atentado, o governo do Togo exigiu a volta dos atletas. Estes queriam jogar, supostamente em respeito à memória dos amigos mortos.
Mas o governo não se dobrou e disse que os jogadores não teriam o direito de jogar pela bandeira togolesa. Os atletas, por fim cederam. Durante o episódio, o presidente da federação, seja quem for, ficou mais mudo do que que… deputado apanhado com dinheiro na meia.
Blatter deveria ter feito o que sempre pregou: exigir que o governo deixasse de interferir na federação local, que a seleção pertence à federação e esta é uma entidade privada e apolítica.
Mas Blatter não fez nada disso. Disse apenas que vai “torcer” por uma boa competição. Uma vergonha.
Por fim, uma pergunta: se havia avião e aeroporto para retirar osjogadores togoloses de Cabinda, por que eles tiveram que ir para lá de ônibus, numa cansativa e perigosa viagem?
por Marcelo Damato às 12:39h
É impressionante a diferença de atitude entre três dirigentes da chamada nova geração
Patrícia Amorim, no Flamengo, move-se muito cautelosamente para reforçar sua equipe. Com a vantagem de ter a torcida em festa por causa do título brasileiro, Patrícia parece muito mais preocupada em não gastar à toa. Mesmo por quê, tem pouco dinheiro.
Mas o Palmeiras do exonomista Luiz Gonzaga Belluzzo tem pouco dinheiro também e segue contratando. O que chama a atenção é a quantidade de zagueiros, três - efetivou Maurício Rqmos e Danilo e contratou Leo por um caminhão de dinheiro numa operação difícil de entender. Além disso, contratou volantes. Laterais, meias e atacantes, nada. Poderia ter Fernandinho, mas Muricy dispensou.
No Santos, o consultor Luis Alvaro Ribeiro parece mais próximo do ex-colega de colégio Belluzzo do que de Patrícia. Parece aflito em contratar, mas só traz - de novo - zagueiros. Já foram quatro, se minha memória não me trai.
Durante muito tempo, as administrações no Rio foram vistas em São Paulo como bagunçadas e nada eficientes, com muitas contratações equivocadas, feitas apenas para responder à pressão da torcida.
Será que isso está mudando?
Mas, por outro lado, o que os torcedores querem de fato? Um dirigente à Florentino Peres, que encha a equipe de estrelas, não se importando com o futuro, ou alguém com pés no chão, que poderá nem trazer títulos, mas não deixará uma bomba atômica para o sucessor?
por Marcelo Damato às 13:41h
Perguntaram-se ontem se achava que o Corinthians era o time que havia contratado melhor.
Eu tenho minhas dúvidas. Acho que há bastante sobreposição e excesso de jogadores veteranos
A contratação de Roberto Carlos parece bem acertada. O lateral, que já foi um dos melhores do mundo, ainda deve ter preparao físico para não fazer feio na posição e sua qualidade é inegável. A única interrogação é quanto o reencontro dom Ronaldo os levarão aos tempos das baladas de Madri. Mais velhos, devem estar mais sossegados, espera-se.
Mas Iarley, Danilo e Tcheco não cabem juntos no time. No máximo dois e olhe lá. A sobrecarga sobre os volantes corre o risco de aumentar. E um zagueiro de qualidade é urgente, pois William e Chicão não tem reservas e ou um ora outro com alguma frequencia não joga, por contusão ou suspensão.
Os demais jogadores são para compor elenco.
As contratações neste ano são muitas em razão do que aconteceu em 2009. As contratações do meio do ano até aqui foram praticamente um tiro n’água. Edu, de quem se esperava mais, revelou-se um jogador que não só de corpo frágil (embora, de fato, suas seguidas contusões não tenham sido uma grande surpresa, dado o seu histórico), mas de alma pequena. Quando esteve em campo, nunca jogou como se espera de um jogador da sua experiência. Falta-lhe personalidade, capacidade de comunicação. Foi bem pior do que o Douglas, a quem já critiquei muito aqui.
Edno foi outro chabu. Não jogou nem perto da fama que carregava e de que o seu tamanho e suas declarações indicavam. Nem personalidade mostrou.
Marcelo Mattos parece ter deixado seu futebol na Grécia. Nem parecia ser o jogador que atuou no Corinthians em 2005.
Defederico, a mais cara contratação, deu alguns bons lampejos, mas foi só. Deus uma razoável esperança para 2010, o que é pouco para quem custou R$ 10 milhões. Lampejos também teve Moraes e todos sabem onde está agora.
O melhor foi Jucilei, meio maluquinho, mas de qualidades técnicas e psicológicas inegáveis. Esse tem prazer em jogar. Mas ainda precisa amadurecer.
Ou seja, só o tempo vai dizer se Andrés Sánchez montou um grande elenco ou um elenco grande.
O que é certo é que a despesa do Corinthians em 2010 irá para a estratosfera, levando junto a expecattiva da torcida.
Para o Corinthians, será Libertadores ou nada.
por Marcelo Damato às 4:09h
O Manchester City ofereceu 11,2 milhões de dólares (uns 20 milhões de reais) por uma temporada a Sebastian Verón. O cérebro do Estudiantes disse não. Curiosamente, o nome da cidade onde Veron joga é La Plata.
Para se ter uma ideia da enormidade dessa decisão, esse valor corresponde a cerca de 50 milhões de pesos. Deve ser cerca de metade do orçamento anual do Estudiantes, É cerca de oito vezes o que Veron recebe no clube.
Verón disse que não aceitava para não quebrar sua palavra e não deixar os torcedores frustrados.
E Veron já tem 36 anos. Não terá outra proposta assim.
Será que algum dos grandes ídolos brasileiros, como Marcos, Rogério Ceni e Adriano, conseguiria resistir a uma proposta semelhante?
Será que deveriam?
por Marcelo Damato às 19:07h
A transferência de Max Biancucci é um grande reforço para o Flamengo. No caixa.
Quando surgiu no Flamengo, seu estilo insinuoso logo provocou esperança em muitos. Mas como um Denílson só sabia driblar, mais nada.
E, pior do que este, seu gás acabava em 15, noi máximo 20 minutos.
Nem a tradicional raça argentina, o primo de Messi mostrou. Passava a maior parte dos jogos sumido. E sumiu tanto que até do banco de reservas andou desaparecido.
Com o dinheiro que deixará de gastar, o Flamengo poderá contratar um jogador. Ou reduzir os gastos, coisa que todos os clubes andam precisando fazer.
O Cruz Azul (MEX), ao contrário….
por Marcelo Damato às 18:45h
Elizeu Godoy, superintendente de futebol do Bahia
Se um clube contrata - ou mesmo cogita contratar - um jogador - na verdade, um ex-jogador de 39 anos, parado há dois - porque ele foi bem numa pelada de fim de ano e após ter sido “recomendado” pelo amigo do próprio atleta, em qual divisão deveria estar?
por Marcelo Damato às 19:41h
Não era Hypemarcas, não eram R$ 28 milhões e não era tudo em dinheiro.
É Batavo (leia-se Brasil Foods, grupo Perdigão, controlado em boa parte pelo fundo de pensão do Banco do Brasil, controlado pelo PT), são R$ 25 milhões e dos quais R$ 22 milhões em dinheiro.
Ainda é o recorde brasileiro, mas não é mais o dobro do contrato com a Petrobras de 2008. É 50% a mais, que é muito bom, mas não tanto. Afinal, são R$ 6 milhões a menos, dinheiro que paga os salários de qualquer um no futebol brasileiro, exceto Adriano e Ronaldo.
E, se não é mais dinheiro de estatal, é dinheiro com cheiro de política. Se o PT teve papel crucial no patrocínio Batavo-Corinthians, deveráter tido neste também. Aliás, é muito curioso que a Brasil Foods, com duas marcas tão fortes, como Sadia e Perdgão, ainda use a Batavo no futebol.
Para relembrar: sete meses depois de fechar com a Batavo, Andrés Sanchez filiou-se ao PT. O que fará Patrícia Amorim? (para ela, este não é ano de eleição).
Por fim, a melhor notícia para a torcida do Flamengo. O clube ainda pode conseguir patrocinadore de mangas e calcão. Dá para conseguir mais uns R$ 10 milhões. Mas isso ainda está no campo das possibilidades.
por Marcelo Damato às 14:25h
No Natal chegou ao River Plate uma notícia que era um autêntico presente. O Atlético de Madrid estava interessado no meia atacante Buonanotte, um baixinho habilidoso, que já interessou a Corinthians, Internacional e outros clubes brasileiros.
Daniel Passarella, recém-empossado presidente, disse que não queria vender, mas a situação financeira era imperativa - e desta vez não é desculpa de cartola.
Mas apenas um dia depois, os euros se evaporaram. E talvez o River também fique sem seu garoto de ouro. Usando o carro do pai, um Peugeot 307, às 6h45 da manhã, Buonanotte se estatelou contra uma árvore, numa estrada perto da sua cidade natal.
O choque foi violento. As três pessoas que o acompanhavam morreram quase na hora. O jogador teve a clavícula e o úmero de um braço quebrados e sofreu um golpe no pulmão, o que mais preocupa os médicos. Segundo uma tia do jogador, não corre risco de morte. Mas nem se tem ideia quando poderá voltar a jogar, se é que vai.
É um tremendo golpe para as famílias do jogador e dos acompanhantes e toda a família do River.
por Marcelo Damato às 12:16h
Depois de um ano catastrófico - explosão de gastos, fracasso em campo, crise política, suspensão ao presidente -, o Palmeiras tenta recomeçar
Mas, pelo jeito, caminha pelas mesmas pegadas de 2009, resolvendo os problemas, em vez de evitá-los, agindo casuisticamente, em vez de planejar.
O caso de Vagner Love é mais um retrato dessa situação. O presidente Luiz Gonzaga Belluzzo sabe que cedê-lo é um erro, especialmente depois de tudo o que pagou por ele - e continuará a pagar, a menos que volte para Moscou.
O Flamengo faz o seu papel. Fica urubuzando a situação tentando bicar o jogador. Não sei se é ético, mas é absolutamente praxe no futebol brasileiro. Todos os clubes, com maior ou menor frequência, “estimulam” jogadores que estão no exterior a arrumar confusão para poderem contratá-los baratinho.
O próprio Palmeiras fez isso para ter Vagner Love.
Mas, em 2009, o Artilheiro do Amor foi mais “do amor” do que artilheiro.
Aí se tornou alvo de outros urubus, esses alviverdes, que por um motivo ainda não claro fazem de tudo para cuspi-lo do clube. E, entre esses urubus, há até diretores, até vice-presidentes.
Belluzzo não consegue comandar nem mesmo seus aliados, como fará para administrar o clube com eficiência?
Sem saída, por enquanto, o Palmeiras tenta trocar Vagner Love por Fierro. O primeiro ganha 400 mil por mês, o segundo, a metade.
Falando assim, até parece que os R$ 200 mil que o chileno recebe do Flamengo é pouco. Para deixar claro que não é, basta lembrar que, quando o Palmeiras tentou contratá-lo no ano passado, achava que pagar a ele R$ 70 mil já era de bom tamanho. Desistiu até de fazer oferta quando descobriu o que o Flamengo lhe pagava.
Agora parece um bom negócio
por Marcelo Damato às 20:39h
Marcos Braz, vice-presidente de Futebol do Flamengo, argumentando por que o Palmeiras deve liberar Vagner Love
por Marcelo Damato às 18:07h
Em novembro, recebi a informação de que Ronaldinho Gaúcho estaria acertando sua transferência para o Botafogo. Achei uma maluquice. É fácil elencar razões para afirmar que isso seria absurdamente difícil de acontecer, muito mais do que as ida de Ronaldo e Adriano, para o Corinthians e Flamengo.
Achei essas 16, certamente existem outras
1) Ronaldinho não estava parado, recuperando-se de uma lesão grave, nem decidido a abandonar o futebol, mergulhado numa tremenda depressão, que o fazia emendar noitadas, até o ponto de as pessoas em sua vida se dizerem mais preocupados com sua a continuidade de sua vida do que de sua carreira.
2) Ronaldinho está empregado, logo dependia do seu clube para vir para o Brasil.
3) O Milan pagou 25 milhões de euros (cerca de R$ 65 milhões) por Ronaldinho, quando ele estava em baixa, diferentemente do momento atual
4) Na Itália, não há multa rescisória. O clube que tem o contrato fixa o que quiser.
5) A saída de Kaká deixou os milanistas furiososo com Silvio Berlusconi. Ele os acalmou dizendo que tinha Ronaldinho.
6) Silvio Berlusconi enfrenta uma crise atrás da outra no governo italiano, que vão de acusações de corrupção a exibições de bacanais promovidos por ele, um político que adota uma retórica moralista para conquistar o eleitorado conservador.
7) O Milan mitigou e muito seu problema financeiro com a saída de Kaká.
Depois de uma temporada ruim, o Milan está em segundo lugar no Italiano.
9) Depois de três temporadas desastrosas, Ronaldinho voltou a jogar bem.
10) Ronaldinho ganha no Milan mais ou menos o mesmo que toda a equipe do Botafogo junta, incluindo comissão técnica - O Botafogo diz que o orçamento do futebol é de R$ 1,3 milhão/mês.
11) O Botafogo é bem menor do que Flamengo e Corinthians em capacidade de arrecadar dinheiro e projeção na midia.
12) O Botafogo tem uma dívida que o sufoca muito mais do que as de Corinthians e Flamengo.
13) O orçamento do Botafogo é menos do que a metade dos orçamentos de Corinthians e Flamengo.
14) Nem quando estava na pior, Ronaldinho quis voltar ao Brasil.
15) O Milan é o segundo colocado no Italiano, o Botafogo foi 16º no Brasileiro.
16) Atuando no Brasil, Ronaldinho atuaria apenas no Estadual e nas fases preliminares da Copa do Brasil até a convocação para a Copa do Mundo. É isso que o ajudaria a chegar à Copa do Mundo?
Quando tive a informação, falei com o presidente Maurício Assumpção. Ele negou, disse que se reunira com o Assis, irmão e agente do jogador, apenas para negociar uma parceria nos juniores. Sobre o Ronaldinho, disse mais ou menos com essas palavras
“Não sou maluco. Tive um trabalhão para colocar o Botafogo em ordem. O custo do Ronaldinho não cabe no Botafogo, nem com parcerias.”
Assumpção disse o mesmo a outros repórteres que buscaram a mesma informação. E o assunto morreu.
No dia 23 de dezembro, Assumpção revelou que tentou de fato contratar Ronaldinho.
Hoje procurei-o para explicar a diferença das versões. E me disse com todas as letras que da primeira vez mentiu. Disse que nem parceria existe com a equipe de Assis.
Os argumentos para o negócio se viabilizar são os seguintes
1) O Botafogo formou um pacote de investidores para garantir o pagamento ao atleta - o montante não está na casa dos R$ 600 mil que o Flamengo vai pagar a Adriano, mas dos R$ 1,1 milhão que Ronaldo ganha no Corinthians entre salários e cotas de patrocínio.
2) Assis teria uma forma de compensar o Milan pela saída de Ronaldinho. Assumpção disse que ouviu isso do agente, e que não sabe como seria - isto é, se desta vez estiver falando a verdade.
3) Ronaldinho quer voltar à seleção para jogar a Copa e ir para o Rio o ajudaria.
4) Ronaldinho quer ficar perto do filho, que já tem quase cinco anos.
É claro que ouvir da própria pessoa que lhe enganou, não deixa ninguém veliz, mas acho que o pior é outra coisa.
Acho que o pior é perceber que Assumpção realmente acreditou que poderia contratar Ronaldinho. Qual foi o interesse do Assis ao lhe propor o negócio - se é que propôs desse modo - eu não sei,
mas os argumentos para anunciar o fracasso - que a situação do Milan e de Berlusconi não permitem sua saída - são de chorar. Essa situação é a mesma desde setembro.
Assumpção diz que tem - no presente, não no passado - um projeto para contratar Ronaldinho. Seus parceiros devem ser pessoas e empresas muito raras, que vão reservar dinheiro pelo tempo que for à espera de algo que pode nunca acontecer.
E, se Ronaldinho não veio agora, um dos argumentos, o da seleção, acaba de morrer - independente de ser verdadeiro.
Mas também é preciso lembrar um fato importante - que talvez tenha relação com sua atitude. Maurício Assumpção não era uma liderança política importante no Botafogo até ser eleito presidente. Foi feito candidato mais porque não desagradava a ninguém do que porque era um líder. Neste ano, com toda a reforma administrativa que fez, melhorando muito o clube financeiramente, correria algum risco de ser deposto caso o time tivesse caído para a Série B.
Isso mostra que os conselheiros do clube estão menos preocupados com a essência do Botafogo - a situação financeira - do que com a política e estão dispostos a manipular a opinião pública usando os fracassos em campo.
O clube que Assumpção recebeu era um clube de Série B ou talvez pior. Ter ficado na Série A foi um autêntico acesso. Assumpção é um sucesso como cartola, até aqui.
Que não precisava embarcar em aventuras como essa.
——
Por fim, a mesma pessoa que me disse que Ronaldinho Gaúcho estava indo - e não foi - para o Botafogo, me ligou nesta semana para dizer que Juninho Pernambucano está voltando para o Lyon, nas seguintes condições.
1) O presidente do Lyon, Jean Michel Aulas, foi buscá-lo no Al-Gharafa. Pediu que ele voltasse, num contrato de cinco meses.
2) Acertou a multa contratual com os árabes, que o liberaram por um preço baixo “porque são boa gente e só querem vê-lo feliz”.
3) Juninho ganharia no Lyon o mesmo que recebia antes de sair.
4) No segundo semestre, Juninho irá para o Brasil, provavelmente para o Vasco.
5) O contrato de Juninho com o Al-Gharafa não é de dois anos, como sempre foi noticiado, mas de um com opção por mais um. E a opção é do jogador.
6) Se o negócio não sair, é porque Juninho não quis.
Quem quiser acreditar nessas condições, acredite. Acredito que algumas das condições podem ser cumpridas, mas só parte delas. Nunca em conjunto.
Não vou revelar a fonte, porque não combinei com ela que escreveria aqui e para não expô-la sem motivo. Se o negócio acontecer, me cobrem. Mas, só se acontecer desse modo ou de um semelhante.
Marcelo Damato é jornalista há 22 anos, a maioria passados na Folha de S.Paulo (Internacional, Ciência e Esporte) e no LANCE! (jornal, A+ , Lancenet). É colunista do LANCE! desde 2002 e colaborador de diversas revistas desde 2006. Acha que seu papel como jornalista é olhar contra a corrente, buscar sempre o que está fora de lugar e provocar os leitores com idéias e fatos interessantes. Espera que os leitores deste blog façam o mesmo com ele.
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